TERRAS DE PENALVA ONDE «A LIBERDADE É A COMPREENSÃO DA NECESSIDADE»
Domingo, 10 de Fevereiro de 2008
Maçãs Bravo Esmolfe ajudam na prevenção do cancro
Texto de Eduardo Alves
    Compreender os benefícios para o organismo humano através da ingestão de fibras de maças de variedades regionais foi o principal objectivo do “Projecto 930”. Uma pesquisa realizada entre várias instituições vem agora comprovar que a ingestão de maçãs ajuda na prevenção do cancro.

Coma maçãs da Beira, pela sua saúde”. Este poderá muito bem ser um dos próximos slogans publicitários adoptados pelos comerciantes de fruta, sobretudo os da Beira Interior.

Segundo os investigadores da Escola Superior de Saúde Egas Moniz, “as maçãs da variedade Bravo Esmolfe, a mais produzida na Beira Interior, têm propriedades fitoquímicas que ajudam o organismo humano a prevenir diversos cancros”. Esta é a mais importante conclusão retirada do denominado “Projecto 930”.

Um estudo foi realizado pela Escola Superior de Saúde Egas Moniz (ISCSEM), Pela Cooperativa Agrícola de Mangualde, pelo Ministério da Agricultura, do Desenvolvimento Rural e das Pescas, através da Direcção Regional de Agricultura e Pescas do Centro e que contou com a colaboração do Instituto de Biologia Experimental e Tecnológica (IBET), da Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa (FF/UL) e da Faculdade de Ciências da Saúde da Universidade da Beira Interior.

Durante vários meses foram estudadas as propriedades fitoquímicas e as fibras das maçãs de variedades regionais das Beiras e de cultivares exóticas e os seus benefícios para a saúde. As conclusões desta investigação foram tornadas públicas na passada quinta-feira, 31 de Janeiro, na Faculdade de Ciências da Saúde da UBI, na sessão de encerramento do Programa Agro.

Agostinho de Carvalho professor no Instituto Egas Moniz adianta que “as análises preliminares da maçã Bravo Esmolfe sugeriram que este fruto apresenta uma grande concentração em compostos bioactivos (polifenóis e fibras) e um elevado poder antioxidantes, podendo por isso ter características de alimento funcional, quer dizer, revelar influência positiva na prevenção de determinadas patologias, nomeadamente alguns tipos de cancros e doenças cardiovasculares”.

Para Catarina Duarte, investigadora do IBET, “a variedade Bravo Esmolfe, é a que apresenta melhores características na influência positiva”, existindo, todavia, outras variedades “com resultados bastante positivos”.

Neste estudo foram analisadas mais maçãs cultivadas na região e também algumas variedades exóticas com maior importância no consumo de maçã no País. Entre as espécies analisadas, destaque para as variedades regionais Malápio Fino, Bravo, Pêro Pipio e Malápio da Serra (de Gouveia) e as exóticas Golden, Starking, Fuji, Gala Galaxy e Reineta Parda.

Algumas destas revelaram características que podem ser valorizadas comercialmente, “uma vez que têm riqueza nutricional que responde a algumas das preocupações que muitos consumidores portugueses têm com a saúde”, acrescenta Catarina Duarte.

De entre as várias conclusões desta análise, os investigadores envolvidos no projecto destacam ainda que “em comparação com as variedades exóticas, as maças regionais em estudo apresentam maiores actividades antioxidante e biológica, evidenciando desta forma características de produtos funcionais”.

Apesar do efeito bioactivo não ter sido significativo em 2006 nas variedades Malápio da Serra e Pêro Pio, “os resultados obtidos em 2007 são da mesma ordem de grandeza dos valores da Bravo e Malápio Fino”, atesta a investigadora do IBET.

Numa avaliação global e levando em linha de conta os resultados da análise sensorial e as características agronómicas das variedades que agora foram estudadas “concluiu-se que as variedades Bravo Esmolfe, Pêro Pipo e Malápio da Serra revelam características que podem ser valorizadas comercialmente, pois além das suas qualidades organolépticas, têm riqueza nutricional que responde a algumas das preocupações que muitos consumidores portugueses têm com a saúde”.

A variedade regional Malápio Fino poderia ser preferencialmente destinada à produção de fármacos, segundo os investigadores. Para além deste tipo de utilização, as maçãs da região “podem ainda dar uma nova face à agricultura da região”.

Agostinho de Carvalho sublinha que “estas novidades levam as pessoas a ter uma outra concepção da agricultura”. Isto porque, ao ficar provado cientificamente que os produtos agrícolas, sobretudo “os da região, trazem benefícios para a saúde e por isso mesmo a sua produção deve aumentar, os cidadãos acabam por apoiar esta actividade”, reitera.

(sublinhados meus)


     

In "Portugal Centro"

                   

E esta hã?

   


sinto-me:

publicado por António Vilarigues às 12:05
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9 comentários:
De gr-gr a 10 de Fevereiro de 2008 às 18:51
As Maçãs Bravo Esmolfe têm um cheiro maravilhoso, um sabor único.
É difícil encontrar este tipo de maçã na minha terrinha, logo que a encontro compro.
É pena ser uma maçã tão cara! Mas vale a pena.
Teimosamente continuo a comprar no “pequeno comércio”, este post iria ficar muito bem ao lado das (poucas) Maçãs Bravo Esmofe que ainda existem.
Penso que não te importarás (devidamente identificado).

GR


De António Vilarigues a 10 de Fevereiro de 2008 às 20:15
Obviamente que não...


De Samuel a 11 de Fevereiro de 2008 às 01:09
Grande amigo Vilarigues

A grande gaita é que as benditas das maçãs, que até podem fazer bem a isso tudo, mas infelizmente dão-me cabo dos nervos.
O caso é que tendo eu vivido em Viseu, por duas vezes, ambas quando era muito miúdo, conheço por esse motivo vai para uns 200 anos as Maçãs Bravo de Esmolfe, agora com o nome simplificado para Bravo Esmolfe.
Acontece que os "nomes" das coitadas, que tenho visto escrito nas caixas de fruta das mais variadas lojas, são tão surreais e numerosos, que eu raramente me fico e aí vou eu... explicando que Esmolfe é uma terra de Portugal, que fica lá para a Beira, que por isso é que as maçãs que estavam só para ser "bravo", passaram também a ser de Esmolfe para toda a gente saber exactamente de onde são... e invariavelmente fica um grupo de empregados, empregadas e clientes a olhar para mim e a pensar "Coitado!"
Fazem-me portanto mal aos nervos, o que é uma pena, pois são saborosas que se fartam, as malvadas!...

Abraço.


De Romero Cunha a 2 de Fevereiro de 2010 às 17:14
Sendo eu do Porto, é raro encontrar estas maçãs. São sem dúvida excepcionais, em todos os sentidos. É de notar que há 3 décadas atrás, muitas das maçãs, deste e de outros tipos, rapidamente oxidavam após uma boa dentada, ficando a aparecer o vulgar tom acastanhado ferrugem. Três décadas se passaram e muitos dos outros tipos de maçãs ficaram "plastificadas"... Podemos cortá-las, mordê-las, ou mesmo triturá-las que elas ficam branquinhas...
O tom acastanhado deve-se ao óxido de ferro que se forma quando as células da maçã são rompidas e os seus nutrientes expostos ao ar (oxigénio). Não será difícil perceber que as típicas maçãs Bravo de Esmolfe terão, certamente, um teor de ferro muito superior ao restante.
São maçãs actuais do tempo da "avozinha". Tenho um caroço de uma delas à minha frente e é inacreditável a rapidez com que oxida e a extensão da oxidação.
São sem dúvida umas maçazinhas prodigiosas!


De João Chamiço a 10 de Outubro de 2013 às 17:09
Estou neste momento a comer uma bravo-Esmolfe. Continua a oxidar rapidamente, tal como é próprio da sua espécie.


De antonio augusto coutinho teixeira a 8 de Julho de 2010 às 23:39
Para mim a maça bravo de esmolfe é a melhor melhor...
pena é que quando aparece nos hipermercados, não têm gosto, porque são colhidas verdes, no meu ponto de vista a maça não tem necessidade de ser apanhada verde. pois e um furto que se conserva por muito tempo sem qualquer podutos de conservantes... é um maçã maravilhosa e com um aroma fantástico quando colhida madura... é sobretudo muito perfumada, destingue-se ao longe...
casa onde exista essa maçã não há maus cheiros...


De Rosa a 15 de Março de 2012 às 23:37
Nunca tinha ouvido falar desta maçã, nem nunca tinha dado por ela, agora encontrei-a numa grande superfície, e como gosto de maçãs e fruta mais pequena no geral, decidi experimentar, e olhem que bela surpresa, deliciosa mesmo, cá em casa quando a comeram pela primeira vez só lhe teceram elogios também. O que é nacional é bom sim sr. ! XD


De DD a 18 de Março de 2012 às 16:42
Ola a todos, encontrei este site por acaso quando procurava informaçao sobre tecnicas para conservar maça. É que eu tenho algumas arvores de fruto, em cultivo biologico , entre as quais 6 de Bravo, e gostaria de as poder conservar durante o inverno!
No ano passado vendi parte ao domicilio ( Porto e Aveiro) e o resto em lojas. Este ano conto voltar a ter bastantes, sao deliciosas e tenho já encomendas... para Setembro! Sem dúvida que a fruta caseira é bem mais gostosa!!!!
Se alguem conhecer tecnicas para conservar frutos durante o inverno, pfv contactem: pan471@alunos.aveiro-norte.ua.pt


De Anónimo a 24 de Agosto de 2013 às 18:38
Também gostava de saber como conservá-las e qual a maneira prática de saber quando estão no ponto para serem colhidas.
Fico muito grato por qualquer informação.
Carlos Malta


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