TERRAS DE PENALVA ONDE «A LIBERDADE É A COMPREENSÃO DA NECESSIDADE»

Domingo, 1 de Janeiro de 2017
1 de Janeiro de 1959 – Vitória da Revolução cubana

Cuba 1959-01-01

O Exército Rebelde entra em Santiago de Cuba, dois anos depois de ter iniciado, na Sierra Maestra, a luta armada contra a ditadura de Fulgêncio Batista, implantada com um golpe militar a 10 de Março de 1952.

O ditador, que fugira horas antes, deixava um país de 5,5 milhões de habitantes com um terço da sua força de trabalho (pouco mais de 2,2 milhões de população activa) total ou parcialmente desempregada, pobre, praticamente sem assistência médica, com um elevado analfabetismo, dependente da monocultura do açúcar, sujeito à opressão e exploração dos magnatas norte-americanos que dele tinham feito o seu casino e prostíbulo de eleição.

O Exército Rebelde entra em Havana a 8 de Janeiro, onde Fidel afirmará na sua proclamação: «Estamos num momento decisivo da nossa história. A tirania foi derrotada. A alegria é imensa. E, no entanto, há ainda muito para fazer. Não nos enganemos acreditando que daqui para diante tudo será fácil. Talvez no futuro tudo seja mais difícil.»

 


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Sexta-feira, 2 de Dezembro de 2016
Hasta la victoria siempre!

Hasta la victoria siempre

Hasta la victoria siempre1

 


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Quarta-feira, 30 de Novembro de 2016
Fidel Castro deixa legado de firmeza revolucionária

Fidel Castro_PCP

Revolução é sentido do momento histórico;

é mudar tudo o que deve ser mudado;

é igualdade e liberdade plenas;

é ser tratado e tratar os demais como seres humanos;

é emanciparmo-nos por nós próprios e com os nossos próprios esforços;

é desafiar poderosas forças dominantes dentro e fora do âmbito social e nacional;

é defender valores nos quais se acredita acima de qualquer sacrifício;

é modéstia, desinteresse, altruísmo, solidariedade e heroísmo;

é lutar com audácia, inteligência e realismo;

é não mentir jamais nem violar princípios éticos;

é convicção profunda de que não existe força no mundo capaz de soterrar a força da verdade e das ideias.

Revolução é unidade, é independência, é lutar pelos nossos sonhos de justiça para Cuba e para o mundo, que são a base do nosso patriotismo, do nosso socialismo e do nosso internacionalismo.

 

Venceremos!

 


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Sábado, 26 de Novembro de 2016
Fidel Alejandro Castro Ruz (13 de agosto de 1926 / 25 de novembro de 2016)

Fidel Castro13

 

Perante o falecimento do camarada Fidel Castro, o Comité Central do Partido Comunista Português expressa os seus sentimentos de profundo pesar e transmite ao Comité Central do Partido Comunista de Cuba e por seu intermédio a todos os comunistas, ao povo de Cuba, ao camarada Raúl Castro e restante família de Fidel os sentidos pêsames e a solidariedade dos comunistas portugueses.

Neste momento de tristeza para os comunistas, revolucionários e progressistas de todo o mundo, o PCP presta homenagem à sua excepcional figura de patriota e de revolucionário comunista evocando o exemplo de uma vida inteiramente consagrada aos ideais da liberdade, da paz e do socialismo em que, com os seus companheiros de armas, numa epopeia que passou por Moncada e pela heróica guerrilha da Sierra Maestra, libertou Cuba de uma cruel ditadura e que, enfrentando a agressão e o bloqueio dos EUA, uniu e mobilizou a energia criadora dos trabalhadores e do povo na construção de uma nova sociedade liberta da exploração e da opressão imperialista, uma sociedade socialista, solidária com a luta libertadora de todos os povos do mundo. A luta, a acção e a palavra inspirada de Fidel animaram e continuarão a animar a luta das forças progressistas e revolucionárias de todos os continentes.

Fidel deixa-nos num momento em que, depois de importantes avanços de soberania e progresso social na América Latina e Caraíbas, inseparáveis do exemplo e da solidariedade internacionalista de Cuba, o imperialismo e a reacção passaram à contra-ofensiva, procurando a todo o custo reverter conquistas e recuperar posições perdidas. Mas é nossa profunda convicção de que, confiando no papel das massas populares e da sua luta organizada, e inspirados pelo exemplo de Fidel e da Revolução Cubana, os projectos imperialistas serão derrotados.

A melhor forma de honrar a memória do camarada Fidel Castro, é prosseguir a luta pelos ideais e o projecto a que se consagrou até ao fim da sua vida, é fortalecer a solidariedade com Cuba e a sua revolução socialista exigindo o incondicional respeito pela soberania da Ilha da Liberdade, o imediato fim do criminoso bloqueio norte-americano e a restituição ao povo cubano de Guantanamo.

Fidel Castro4

 

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Fidel Castro12

 

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Domingo, 9 de Outubro de 2016
9 de Outubro de 1967 – Assassinato de Che Guevara

 

O argentino-cubano Ernesto Guevara de la Serna, conhecido por «Che» Guevara, foi um dos comandantes da Revolução cubana, ao lado de Fidel e outros revolucionários, tendo assumido vários cargos na reorganização do Estado entre 1959 e 1965.

Com uma personalidade multifacetada – foi guerrilheiro, político, jornalista, escritor e médico – Che deixa Cuba para lutar por um mundo mais justo.

Chega à Bolívia em Março de 1967, com um grupo de guerrilheiros.

É cercado por militares bolivianos e capturado, ferido mas com vida, a 8 de Outubro.

Cumprindo ordens da CIA, o presidente da Bolívia, René Barrientos, autoriza a execução sumária de Che no dia seguinte e manda esconder o corpo, que só virá a ser encontrado 30 anos depois.

Os restos mortais foram trasladados para Cuba, onde é homenageado como herói nacional.

AQUI

 


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Segunda-feira, 26 de Setembro de 2016
26 de Setembro de 1960 – Fidel Castro intervém pela 1.ª vez na ONU

Fidel Castro 1960-09-26

Num discurso histórico de 4.30 horas, Fidel falou dos incidentes provocatórios que envolveram a estadia da delegação cubana em Nova Iorque, da luta de Cuba pela independência, do apoio dos EUA à ditadura de Fulgencio Batista e dos valores que orientam a Revolução cubana.

«Estamos e estaremos sempre com tudo o que é justo: contra o colonialismo, contra a exploração, contra os monopólios, contra o militarismo, contra a corrida armamentista, contra os jogos de guerra. Contra isso estaremos sempre. Essa é a nossa posição. (…) Alguns queriam conhecer a linha do governo Revolucionário de Cuba. Pois bem. Esta é a nossa linha».

Palavras de Fidel Castro, que no final da sua intervenção – e dezenas de vezes ao longo dela – recebeu uma prolongada ovação dos delegados à Assembleia Geral da ONU.

AQUI

 


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Terça-feira, 26 de Julho de 2016
26 de Julho de 1953 – Assalto ao Quartel Moncada

Moncada Av

O assalto ao quartel Moncada, em Santiago de Cuba, e ao quartel de Cespedes, Bayamo, foi uma das primeiras tentativas de acabar com a ditadura de Fulgêncio Batista.

Um grupo de patriotas liderado por Fidel Castro planeia apoderar-se das armas, armar a população e derrubar o governo.

A acção falhou e os revoltosos sobreviventes são encarcerados.

Levado a julgamento, Fidel faz a própria defesa: argumenta com a necessidade de acabar com a ditadura que oprime o povo e termina com a célebre frase «A história me absolverá».

Em 1955 os presos políticos são amnistiados e exilam-se no México, onde formam o Movimento 26 de Julho.

Regressam a Cuba em Dezembro de 1956, a bordo do iate Granma e dão início à guerrilha contra o regime a partir da Sierra Maestra.

A Revolução triunfa em 1 de Janeiro de 1959.

O 26 de Julho é comemorado como o Dia da Rebeldia Nacional.

AQUI

 


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Domingo, 26 de Julho de 2015
26 de Julho de 1953 – Assalto ao Quartel Moncada

Moncada1

O assalto ao quartel Moncada, em Santiago de Cuba, e ao quartel de Cespedes, Bayamo, foi uma das primeiras tentativas de acabar com a ditadura de Fulgêncio Batista.

Um grupo de patriotas liderado por Fidel Castro planeia apoderar-se das armas, armar a população e derrubar o governo.

A acção falhou e os revoltosos sobreviventes são encarcerados.

Levado a julgamento, Fidel faz a própria defesa: argumenta com a necessidade de acabar com a ditadura que oprime o povo e termina com a célebre frase «A história me absolverá».

Em 1955 os presos políticos são amnistiados e exilam-se no México, onde formam o Movimento 26 de Julho.

Regressam a Cuba em Dezembro de 1956, a bordo do iate Granma e dão início à guerrilha contra o regime a partir da Sierra Maestra.

A Revolução triunfa em 1 de Janeiro de 1959.

 

Moncada 1955

«(...)

Citarei apenas frases e parágrafos curtos de meus depoimentos no julgamento realizado em 16 de outubro de 1953:

"600 mil cubanos estão sem trabalho."

"500 mil camponeses trabalham quatro meses por ano e passam fome no restante."

"400 mil trabalhadores industriais e braçais cujas pensões estão desfalcadas, cujas moradias são os infernais quartinhos dos cortiços, cujos salários passam das mãos do patrão às do vendeiro, cuja vida é o trabalho perene, e cujo descanso é a tumba."

"10 mil profissionais jovens: médicos, engenheiros, advogados, veterinários, pedagogos, dentistas, farmacêuticos, jornalistas, pintores, escultores etc. saem das escolas com seus diplomas, ansiosos por luta e cheios de esperança, para ver-se num beco sem saída, com todas as portas fechadas."

"85 por cento dos pequenos agricultores cubanos estão pagando arrendamentos e vivem sob a constante ameaça do desalojamento de seus lotes."

"200 mil famílias camponesas não têm um pedaço de terra onde semear alimentos para seus filhos famintos."

"Mais da metade das melhores terras de produção cultivadas está em mãos estrangeiras."

"Cerca de 300 mil 'caballerías' (mais de três milhões de hectares) permanecem sem cultivar."

"Dois milhões e duzentas mil pessoas de nossa população urbana pagam aluguéis que consomem entre um quinto e um terço de seus rendimentos."

"Dois milhões e oitocentas mil pessoas de nossa população rural e suburbana não têm luz elétrica."

"Às escolinhas públicas rurais comparecem, descalças, seminuas e desnutridas, menos da metade das crianças em idade escolar."

"90 por cento das crianças do campo estão cheias de vermes."

"A sociedade permanece indiferente diante do assassinato em massa de milhares e milhares de crianças que, todos os anos, morrem por falta de recursos."

"Entre os meses de maio e de dezembro, um milhão de pessoas se encontram sem trabalho em Cuba, com uma população de cinco milhões e meio de habitantes."

"Quando um pai de família trabalha quatro meses por ano, com que poderá comprar roupas e medicamentos para seus filhos? Crescerão raquíticos, aos 30 anos não terão um dente saudável na boca, terão ouvido dez milhões de discursos, e no final morrerão de miséria e decepção. O acesso aos hospitais públicos, sempre repletos, só é possível mediante a recomendação de um magnata político, que exigirá do infeliz seu voto e o de toda a sua família, para que Cuba continue sempre igual ou pior."

(...)»

Cuba 1959

 

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O 26 de Julho é comemorado como o Dia da Rebeldia Nacional.

 


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Quinta-feira, 21 de Fevereiro de 2013
Salim Lamrani desmascara Yaoni Sánchez

     A propósito de Yaoni Sánchez - a bloguista, dita dissidente, cubana cuja visita ao Brasil tem sido marcada por protestos e manifestações de apoio ao regime cubano - recorde-se o que AQUI se escreveu neste blog já lá vão quase dois anos.

Garanto que vale mesmo a pena reler a entrevista de Salim Lamrani, Professor na Sorbonne IV, jornalista, especialista em relações Cuba-EUA.

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Sexta-feira, 26 de Outubro de 2012
Fidel Castro: «O nosso dever é lutar»

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Hiperligação (link) retirada do Cuba Debate para que possam descarregar (fazer o download) do último livro de Fidel Castro, «O Nosso Dever é Lutar», que não se encontra editado em Portugal (nem em português).

Acreditamos que será uma leitura importante e esclarecedora, pelo que incentivamos todos os nossos leitores a tomarem contacto com a última obra publicada de Fidel.

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Terça-feira, 9 de Outubro de 2012
Che Guevara foi assassinado há 45 anos na Bolívia
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Para Ler (os textos) Ver e Ouvir (os vídeos, os filmes e as músicas):

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Terça-feira, 26 de Abril de 2011
Cuba e a Revolução

Os média trataram o VI Congresso do Partido Comunista Cubano como um Congresso em que tudo está decidido à partida «pelo chefe», dando simultaneamente a ideia de um País que resiste desesperado economicamente à inexorável marcha do fim do socialismo. Mas a realidade é outra. O que sobressai destes dias de Congresso não é qualquer imobilismo, centralismo burocrático ou «entrincheiramento» desesperado.

O que sobressai deste Congresso é em primeiro lugar uma importantíssima e ampla participação e discussão colectivas. O VI Congresso foi o culminar de um extraordinariamente amplo debate envolvendo 1000 delegados ao congresso eleitos nos 61 000 núcleos do Partido, mais de 800 000 militantes do PCC e cerca de oito milhões de cubanos que num admirável processo de democracia participativa tiveram oportunidade de participar directamente na definição da política económica e social de Cuba.

Trata-se de facto de uma gigantesca discussão colectiva sobre a actualização do modelo económico e social do PCC e da Revolução socialista. Uma discussão que iniciou a sua fase decisiva em Novembro do ano passado e que resultou no assinalável facto de cerca de 70% das 291 teses postas à discussão terem sido alteradas, tendo algumas mesmo sido abandonadas de acordo com as opiniões recolhidas, assim com outras (36) acrescentadas com base em propostas apresentadas.

 

Para Ler, Ouvir e Ver:

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Segunda-feira, 25 de Abril de 2011
A proclamação do socialismo e a vitória em Playa Girón

«O que não podem nos perdoar os imperialistas é a dignidade, o valor, a firmeza ideológica, o espírito de sacrifício e o espírito revolucionário do povo de Cuba».

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Em 16 e Abril de 1961, os Estados Unidos desencadearam uma operação militar contra Cuba revolucionária que ficou na história como a invasão da Baía dos Porcos (ou Praia Giron).

Forças mercenárias contra-revolucionárias, organizadas e treinadas pela CIA e apoiadas pelas forças navais e aéreas norte-americanas, desembarcaram na ilha para tentar estabelecer uma testa-de-ponte, controlar um território «libertado», para aí criar um governo provisório que seria imediatamente reconhecido por Washington, desejoso de pôr fim à jovem revolução.

O plano imperialista começou a ser urdido logo em 1959, por iniciativa do então vice-presidente, Richard Nixon, que incumbiu a sua concepção aos irmãos Dules, Foster e Allen, respectivamente secretário de Estado e director da CIA.

Mas foi já com o «democrata» John F. Kennedy na Casa Branca que o «Project Cuba» avançou, resultando num enorme fracasso. O corpo intervencionista foi derrotado em três dias de combates. As forças cubanas fizeram mais de uma centena de baixas no inimigo e no final capturaram cerca de 1200 mercenários.

Nesses dias, o povo cubano defendeu a sua revolução e isto foi a maior derrota para o imperialismo que contava com uma quinta coluna inexistente. Meio século depois, no dia em que o Partido Comunista de Cuba iniciou os trabalhos do seu VI Congresso, o povo cubano voltou a sair à rua para comemorar a sua histórica vitória, reafirmando que, apesar do odioso bloqueio económico imposto como vingança, a revolução continua viva e a dar passos em frente.

Para Ouvir e Ver:

 

Para Ler:

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Terça-feira, 2 de Novembro de 2010
Cinismo termonuclear (e não só)

CINISMO TERMONUCLEAR, desenho de Chispa (Douglas Nelson Pérez)

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- ... esta cidade estava ali "no momento e lugar equivocados"(*).

(*) Esta "desculpa" cínica é decalcada de declarações de Posada Carriles, como se pode ler em seguida.

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Para Ler:

«Como gusta decir a Luis Posada Carriles, ese paradigma del terrorismo de la peor especie a escala mundial (ni Osama Bin Laden le supera en número de víctimas ni en atentados terroristas), la contrarrevolución anticubana no tiene remordimientos por las víctimas inocentes de sus atentados. "Duermo como un bebé", añade, "nadie les manda (a las víctimas inocentes) a estar en el momento y lugar equivocados".»

«Apelamos a la generosidad del pueblo de EE.UU. para impedir que Posada Carriles sea liberado, algo que tornaría más inseguro al mundo, ya que cualquiera podría estar en el 'momento y lugar equivocados', como cínicamente afirmó ese asesino, acerca del turista italiano Fabio Di Celmo muerto al explotar una bomba en un hotel de La Habana en 1997

«Por ocasião da data em que se evoca o atentado terrorista que, em 1976, fez explodir em pleno voo um avião cubano, com 73 pessoas a bordo, a Associação de Amizade Portugal-Cuba enviou uma mensagem ao presidente dos EUA, onde se dá conta que Orlando Boch e Luis Pousada Carriles, autores confessos do crime, continuam a viver no país que governa, tendo este último sido visto recentemente a desfilar em Miami, ao lado de Gloria Estefan durante uma manifestação contra a revolução cubana. (...)»

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Publicado neste blog:

adaptado de um e-mail enviado pelo Jorge

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Domingo, 15 de Agosto de 2010
Raúl Castro: Seguiremos em frente com “inabalável fé na vitória”

(...)Várias agências noticiosas e auto-intitulados «analistas» do tema Cuba dedicaram dias antes e dias depois do comício de 26 de Julho inumeráveis notícias e artigos em que, distorcendo a nossa realidade, antecipavam com estridência o anúncio de supostas reformas do nosso sistema económico e social e a aplicação de receitas capitalistas para pôr em causa a nossa economia; alguns, inclusive, atreveram-se a descrever uma luta de tendências na Direcção da Revolução, e todos coincidiram na reclamação de mudanças mais rápidas e mais profundas no sentido do desmantelamento do socialismo.

Observando friamente estas campanhas da imprensa torna-se evidente que quase todas as agências se guiam pelo mesmo fio condutor. Não me refiro aos jornalistas, obrigados a submeterem-se à linha editorial sobre Cuba que lhes traçam e lhes exigem os consórcios mediáticos, ainda que, por vezes, utilizem as mesmas frases e qualificativos pré-fabricados. E não são poucas as vezes em que aparecem parágrafos completos idênticos, independentemente da região do mundo onde são publicados.

(...)

(sublinhados meus)

Pelos vistos dá muito trabalho ler o discurso original (por exemplo AQUI e AQUI)...

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Quarta-feira, 28 de Julho de 2010
CUBA, SEMPRE!
Robert García, Rebelión de 26 de Julho
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Rebelión:

Crónica da intervenção de José Ramón Machado Ventura, primeiro vice-presidente dos Conselhos de Estado e de Ministros, ontem dia 26 de Julho, aniversário do assalto ao quartel Moncada:

Publicado neste blog:

adaptado de um e-mail enviado pelo Jorge

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Sábado, 10 de Julho de 2010
Vamos aproveitar a euforia do Mundial para marcar uns "golinhos"...

Desenho de Tomy, Rebelión de 6 de Julho

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«Entretanto, informações veiculadas pela imprensa árabe dão nota da passagem de mais de 12 barcos de guerra norte-americanos e israelitas, entre os quais um porta-aviões, no Canal do Suez em direcção ao Mar Vermelho. Simultaneamente, circularam informações que garantem que a Arábia Saudita autorizou Israel a usar uma faixa do seu espaço aéreo em caso de guerra contra o Irão, embora as autoridades sauditas tenham negado categoricamente a notícia publicada pelo britânico Sunday Times

In jornal «Avante!» - Edição de 26 de Junho de 2010

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Publicado neste blog:

adaptado de um e-mail enviado pelo Jorge

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Sexta-feira, 2 de Julho de 2010
Não se sabe quem ganhará o Mundial, mas o Mundo ficará a perder...

Iván Lira, Rebelión de 30 de Junho de 2010

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«El fanatismo deportivo crece incesantemente, cautivando a cientos y tal vez miles de millones de personas en todo el planeta. Habría que preguntarse cuántos, en cambio, han conocido que desde el 20 de junio naves militares estadounidenses, incluido el portaaviones Harry S. Truman, escoltado por uno o más submarinos nucleares y otros buques de guerra con cohetes y cañones más potentes que los de los viejos acorazados utilizados en la última guerra mundial entre 1939 y 1945, navegaban hacia las costas iraníes a través del canal de Suez. Junto a las fuerzas navales yankis avanzan buques militares israelíes, con armamento igualmente sofisticado, para inspeccionar cuanta embarcación parta para exportar e importar productos comerciales que el funcionamiento de la economía iraní requiere

In Cómo me gustaría estar equivocado - Fidel Castro Ruz


adaptado de um e-mail enviado pelo Jorge

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Sábado, 1 de Maio de 2010
Salim Lamrani desmascara dissidente Cubana

A entrevista de Salim Lamrani, Professor na Sorbonne IV, jornalista, especialista em relações Cuba-EUA com Yoani Sanchez, uma dissidente cubana com lugar reservado nos media hegemónicos ocidentais, é esclarecedora. As suas palavras nesta entrevista explicam por que foi tão meteórica a sua ascensão e a promoção que tem.

Qualquer comentário é desnecessário...

Yoani Sánchez é a nova personalidade da oposição cubana. Desde a criação de seu blog, Generación Y, em 2007, obteve inúmeros prêmios internacionais: o prêmio de Jornalismo Ortega y Gasset (2008), o prêmio Bitacoras.com (2008), o prêmio The Bob's (2008), o prêmio Maria Moors Cabot (2008) da prestigiada universidade norte-americana de Colúmbia. Do mesmo modo, a blogueira foi escolhida como uma das 100 personalidades mais influentes do mundo pela revista Time (2008), em companhia de George W. Bush, Hu Jintao e Dalai Lama.

Seu blog foi incluído na lista dos 25 melhores do mundo do canal CNN e da Time (2008). Em 30 de novembro de 2008, o diário espanhol El País a incluiu na lista das 100 personalidades hispano-americanas mais influentes do ano (lista na qual não apareciam nem Fidel Castro, nem Raúl Castro). A revista Foreign Policy, por sua vez, a considerou um dos 10 intelectuais mais importantes do ano, enquanto a revista mexicana Gato Pardo fez o mesmo para 2008.

Esta impressionante avalanche de distinções simultâneas suscitou numerosas interrogações, ainda mais considerando que Yoani Sánchez, segundo suas próprias confissões, é uma total desconhecida em seu próprio país. Como uma pessoa desconhecida por seus vizinhos - segundo a própria blogueira - pode integrar a lista das 100 personalidades mais influentes do ano?

Ler Texto Integral

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Sexta-feira, 30 de Outubro de 2009
Para que o crime e os culpados não sejam esquecidos

 

Para que o crime e os culpados não sejam esquecidos:

    Preso

À esquerda nesta fotografia está Felix Rodriguez, o agente da CIA (e que escreve a dedicatória...)

    Assassinado

Nicolás Guillén / Paco Ibañez: Guitarra en duelo mayor (Soldadito Boliviano)

    René Barrientos Ortuño

Soldadito de Bolivia, soldadito boliviano, armado vas con tu rifle, que es un rifle americano, soldadito de Bolivia, que es un rifle americano. Te lo dio el señor Barrientos, soldadito boliviano, (...)

    Lyndon B. Johnson

Te lo dio el señor Barrientos, soldadito boliviano, regalo de mister Johnson, para matar a tu hermano, para matar a tu hermano, soldadito de Bolivia, para matar a tu hermano.

O assassino da CIA no local:

This clip is from the documentary 638 Ways to Kill Castro. In this clip Felix Rodriguez, the man who was ordered the assassination of Che Guevara tells his story of Che's last moments and of his relationship with the Bush family over the years. In his lifetime he has attempted to assasinate Fidel Castro 3 times.

adaptado de um e-mail enviado pelo Jorge

                                                                    


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Terça-feira, 27 de Outubro de 2009
Che Guevara fez o que disse e disse o que pensou [Eduardo Galeano]

Ernesto "Che" Guevara   

    El Che Guevara se equivocó... no se equivocó... no lo sé...

No lo sé y creo que en el fondo no me importa...

Porque, lo que sí sé... es que no le reprochan que se haya equivocado.

En el fondo, el che cometió un pecado imperdonable... Un pecado que no se perdona.

Hizo lo que dijo... y dijo, lo que pensó.

Imperdonable. En América Latina, no se como será en otros lugares del mundo, pero en América Latina... La palabra y el acto no se encuentran nunca. A veces se cruzan por la casualidad... Y no se saludan, porque no se reconocen.

Eduardo Galeano

    A célebre canção de Carlos Puebla interpretada por Silvio Rodriguez:

adaptado de um e-mail enviado pelo Jorge

                                                                    


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Domingo, 25 de Outubro de 2009
A CIA confessa-se: 638 maneiras de matar Castro (actualização)

     Foi actualizado o post «A CIA confessa-se: 638 maneiras de matar Castro» com a inserção da versão dobrada em Francês.

             


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Sexta-feira, 9 de Outubro de 2009
Che Guevara foi assassinado há 42 anos na Bolívia

adaptado de um e-mail enviado pelo Jorge

                                          


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Domingo, 17 de Maio de 2009
A CIA confessa-se: 638 maneiras de matar Castro

638 Ways to Kill Castro, 2006, um documentário de Dollan Cannell (Channel 4)

Para LER: 

 

Dois dos terroristas referidos no documentário:

(vale a pena ler as respectivas "folhas de serviço")

                                                                   

adaptado de um e-mail enviado pelo Jorge

                                                                   

Adenda em 25/10/2009 às14h05m:

Dobrado em francês:

                                                              


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Segunda-feira, 2 de Fevereiro de 2009
O homem da CIA no assassinato de Che Guevara

O assassino da CIA no local:

This clip is from the documentary 638 Ways to Kill Castro. In this clip Felix Rodriguez, the man who was ordered the assassination of Che Guevara tells his story of Che's last moments and of his relationship with the Bush family over the years. In his lifetime he has attempted to assasinate Fidel Castro 3 times.

                                                                       

adaptado de um e-mail enviado pelo Jorge

                                          


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Sexta-feira, 16 de Janeiro de 2009
Cuba 50 anos: O futuro de Cuba

     A 1 de Janeiro de 1959, Fidel Castro proclamava o triunfo da revolução contra a ditadura de Fulgencio Batista. Cinquenta anos depois, o irmão, Raul Castro, agora presidente de Cuba, afirmava na praça Carlos Manuel de Céspedes que o socialismo "não foi nenhum fracasso". "Estes 50 anos são anos heróicos, tivemos o privilégio de os viver intensa e conscientemente e de participar activamente em tudo, pelo que temos de nos sentir orgulhosos de tudo o que vivemos, uma glória que não podemos manchar, não a podemos deixar cair, porque o imperialismo está ali", sublinhou Raul Castro. O general não deixou no entanto de reconhecer que há "questões vitais a desenvolver", como a produção interna, o incremento das exportações e a capacidade de produzir todos os alimentos necessários ao país.

O que pensam as crianças cubanas do futuro do seu país? Que sabem de uma Revolução que aconteceu ainda antes do seu tempo? O SAPO foi ouvir as crianças da companhia de teatro infantil La Colmenita, que em Cuba reúne mais de 700 crianças num projecto educativo e social.   

adaptado de um e-mail enviado pelo Jorge

 

                                                    


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Sábado, 10 de Janeiro de 2009
Cuba 50 anos: «Momentos con Fidel»

     Momentos con Fidel es un retrato múltiple, un acercamiento a la relación que por más de cuatro décadas el Comandante y los cubanos protagonizan. Intenso y permanente diálogo puesto a prueba en conflictos y enfrentamientos de diverso carácter en el proceso revolucionario cubano.

Fidel: acción y pensamiento, 2004, um documentário de Rebeca Chávez

Ler:

                                         

adaptado de um e-mail enviado pelo Jorge

                                                                 


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Quarta-feira, 7 de Janeiro de 2009
Cuba 50 anos: Discurso de Raúl Castro Ruz

    O primeiro pensamento, num dia como hoje, vai para os que caíram nesta longa luta. São o paradigma e o símbolo do esforço e do sacrifício de milhões de cubanos. Em estreita união, empunhando as poderosas armas que significaram a direcção, os ensinamentos e o exemplo de Fidel, aprendemos no rigor da luta a transformar sonhos em realidades, a não perder a calma e a confiança perante os perigos e as ameaças, a levantar a cabeça depois de grandes reveses, a converter em vitória cada desafio e a superar as adversidades, por mais insuperáveis que pudessem parecer. 

Os que tivemos o privilégio de viver com toda a intensidade esta etapa da nossa história sabemos bem como foi certo aquele alerta que ele no fez naquele 8 de Janeiro de 1959, no seu primeiro discurso ao entrar na capital: 

«A tirania foi derrotada. A alegria é imensa. E no entanto, ainda fica muito por fazer. Não nos enganemos acreditando que daqui para a frente tudo será mais fácil; talvez no futuro tudo seja mais difícil», concluiu.

                                                    

Ler Texto Integral

                               


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Segunda-feira, 5 de Janeiro de 2009
Cuba 50 anos: «Antes del 59»
 

     Narra los momentos esenciales y más relevantes de la Historia Republicana de la Isla de Cuba desde el fin de la Guerra de Independencia en 1898 hasta la entrada de Fidel Castro en La Habana, en enero de 1959, al frente del Ejército Rebelde.

Também aqui:

                                                    

adaptado de um e-mail enviado pelo Jorge

                                                                   


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Sexta-feira, 22 de Agosto de 2008
O bloqueio de que muitos falam sem saberem o que dizem

    Políticos, jornalistas, comentadores, analistas, assessores, consultores e mais recentemente os chamados think tanks (em inglês é mais intelectual, é mais in), falam e escrevem sobre o bloqueio a Cuba. Mas saberão, no concreto, sobre o que se pronunciam? E o que escondem deliberadamente nas suas elucubrações?

Através de um documento desclassificado em 1991, ficou a conhecer-se que a 6 de Abril de 1960, o então subsecretário de Estado adjunto para os Assuntos Inter-Americanos, Lester Dewitt Mallory, escreveu num memorando discutido numa reunião dirigida pelo presidente dos Estados Unidos John Kennedy: «Não existe uma oposição política efectiva em Cuba; portanto, o único meio previsível que temos hoje para alienar o apoio interno à Revolução é através do desencantamento e do desânimo, baseados na insatisfação e nas dificuldades económicas. Deve utilizar-se prontamente qualquer meio concebível para debilitar a vida económica de Cuba. Negar dinheiro e abastecimentos a Cuba, para diminuir os salários reais e monetários, a fim de causar fome, desespero e a derrocada do governo». (negritos meus). Isto, sublinhe-se, um ano antes da invasão da Baía dos Porcos organizada pelos EUA contra Cuba.

    O presidente dos Estados Unidos, J. F. Kennedy, cumprindo o mandato que lhe tinha sido atribuído pelo Congresso, decretou o bloqueio total contra Cuba a partir das 12:01 AM do dia 7 de Fevereiro de 1962.

Esta é a data formal. Mas desde 1959 que se multiplicavam os actos de bloqueio efectivo. O objectivo fundamental era debilitar pontos vitais da defesa e da economia cubanos. Actos como a supressão da quota açucareira, principal e quase único suporte da economia e das finanças da Ilha. Ou o não abastecimento e refinação de petróleo por parte das empresas petrolíferas norte-americanas que monopolizavam a actividade energética. Ou ainda um sufocante boicote a qualquer compra de peças de substituição para a indústria cubana, toda ela de concepção e fabrico norte-americanos.

A partir de Fevereiro de 1962 os americanos decretam então o embargo total ao comércio com Cuba, excluindo certo tipo de medicamentos e alimentos. Esta decisão é simultaneamente apoiada e aprovada por todos os países da Organização de Estados Americanos (OEA), com excepção do México. A 22 de Dezembro, Kennedy anuncia sanções aos países que comerceiem com a ilha. No dia 8 de Julho de 1963, os EUA confiscam todos os bens cubanos instalados no seu território, avaliados então em 424 milhões de dólares. A 14 de Maio de 1964, os Estados Unidos anulam todos os fornecimentos de alimentos e medicamentos a Cuba.

O presidente dos EUA goza de amplas prerrogativas em matéria de política externa. A que acresce uma vasta faculdade discricionária permitida ao executivo pela «Lei do Comércio com o Inimigo». Assim as sucessivas administrações (onze!!!) modificaram e aprovaram novos regulamentos que refinaram o bloqueio.

Nos anos seguintes os EUA proíbem aos seus cidadãos que viajem para a ilha o uso de cartões de crédito de bancos americanos. Interditam às companhias subsidiárias norte-americanas no exterior a possibilidade de comercializarem com Cuba. Impõem aos seus cidadãos um limite de 100 dólares diários nos seus gastos de hotel, alimentação, diversões e compra de artigos cubanos.

Com o desmembramento da União Soviética os EUA redobram as medidas do bloqueio a Cuba e advertem a Rússia (e os restantes países ex-socialistas) de que será prejudicada na «ajuda americana» se, de alguma forma, continuar a apoiar a ilha.

Democracia à americana
 

Em 1992 foi aprovado pelo Congresso norte-americano a «Lei para a Democracia Cubana», ou Lei Torricelli. Esta lei consiste, essencialmente, na intromissão directa dos EUA nos assuntos internos não só do povo cubano, mas também nos de outros povos. Proíbe, por um período de 180 dias (contados à data da sua saída de Cuba), a entrada nos portos americanos a navios que toquem portos cubanos. Sanciona as instituições norte-americanas sediadas no exterior que negoceiem com a ilha (mesmo contrariando a lei dos respectivos países onde se radiquem). Viola assim claramente o Direito Internacional e as leis estabelecidas pela Organização Mundial do Comércio.

Quatro anos mais tarde, em 1996, foi promulgada a «Lei para a Liberdade e a Solidariedade Democrática Cubana» (o leitor já reparou bem nos nomes destas leis?...), conhecida como Lei Helms-Burton (não apoiada, até hoje, por nenhum país do mundo). Com a desintegração dos países ex-socialistas, Cuba perde, literalmente de um dia para o outro, os mercados onde comerciava, a preços favoráveis, 85% das suas exportações. Vê-se por isso forçada a reduzir drasticamente as suas importações em 75%. O país conhece, de imediato, a falta de alimentos, medicamentos, petróleo, transportes e tudo o que é de mais essencial à economia de um Estado e à vida de um povo. Impedida, por força do bloqueio americano, de recorrer a financiamentos e créditos externos, os EUA acreditaram que estava na hora de Cuba se render pela fome.

A Lei Helms-Burton tinha esse objectivo. É evidente a intenção de impedir os investimentos estrangeiros na ilha e, desta forma, impossibilitar o seu desenvolvimento económico. Nos termos desta lei fica proibido que subsidiárias norte-americanas sediadas em terceiros países realizem qualquer tipo de transacção com empresas em Cuba. Que empresas de terceiros países exportem para os Estados Unidos produtos de origem cubana ou produtos que na sua elaboração contenham algum componente dessa origem. Que empresas de terceiros países vendam bens ou serviços a Cuba, cuja tecnologia contenha mais do que 10% de componentes com origem nos EUA, ainda que os seus proprietários sejam nacionais desses países. Que entrem nos portos dos Estados Unidos navios que transportem produtos desde ou para Cuba, independentemente do país de matrícula. Que bancos de terceiros países abram contas em dólares norte-americanos a pessoas jurídicas ou naturais cubanas ou realizem transacções financeiras nessa moeda com entidades ou pessoas cubanas.

Esta legislação proíbe ainda os cidadãos americanos ou cubano-americanos de viajarem para Cuba. Impõe restrições às relações entre cubanos residentes em Cuba e nos EUA. Retém ajuda a qualquer país, entidade ou empresa que forneça assistência técnica ou financeira para completar a Central Nuclear de Juragua, na cidade de Cienfuegos. Estabelece a negação de vistos para entrar nos EUA a pessoas, de qualquer nacionalidade (e seus familiares), ou representantes de empresas, que comprem, arrendem ou obtenham benefício de propriedades expropriadas em Cuba depois de 1959. Etc., etc., etc..

    Sobre esta lei disse Fidel Castro: «Ao bloqueio económico, comercial e financeiro, os EUA acrescentam agora a lei Helms Burton. No seu desesperado anseio de destruir a revolução cubana, pretendem punir todo o mundo e tentam fechar o cerco que nos rodeia. Podemos garantir que o nosso país jamais se renderá. Não permitiremos que nos roubem a dignidade do homem plenamente conquistada pela revolução». Doze anos depois a realidade aí está a comprovar a justeza destas palavras.

Mais recentemente a administração de George W. Bush continuou pelo mesmo caminho. Mas como é apanágio de toda a sua actuação, foi mais longe e aprovou um novo pacote de medidas denominado «Plano Bush». A administração norte-americana propõe-se, pela milionésima vez, aniquilar a Revolução cubana e proclama-o com a sua conhecida arrogância. Estamos perante novas e brutais acções contra o povo de Cuba e contra os cubanos residentes nos Estados Unidos. Medidas definidas pelos seus autores como parte de um plano para provocar «o rápido fim» do Governo revolucionário.

Intensificaram a perseguição a empresas e às transacções financeiras internacionais de Cuba, mesmo aquelas para pagamentos aos organismos das Nações Unidas. Roubaram marcas comerciais, como as reconhecidas Havana Club e Cohiba. Adoptaram maiores represálias contra os que fazem comércio com a Ilha, ou com ela realizam intercâmbios de natureza cultural ou turística. Pressionaram ainda mais os seus aliados para forçá-los a subordinar as relações com Cuba aos objectivos de «mudança de regime» que norteiam a política dos Estados Unidos. Impuseram uma escalada sem precedentes no apoio financeiro e material às acções que visam o derrube da ordem constitucional cubana.

Consequências políticas, económicas, sócias e culturais

 

Um Avante! inteiro não chegava para enumerar todas as acções e respectivas consequências para o povo de Cuba. Desde logo o facto, muito esquecido, de que cerca de 7 milhões, dos mais de 11 milhões que constituem a população cubana, nasceram sob o estigma do bloqueio. Que, saliente-se, dura há 46 anos e tem afectado sem distinção de sexo, idade, credo religioso ou posição social todo povo da Ilha.

O prejuízo económico directo causado ao povo cubano pela aplicação do bloqueio, em cálculos estimados, ultrapassou os 89 mil milhões de dólares. Este número não inclui os danos directos causados a objectivos económicos e sociais do país pelas sabotagens e actos terroristas fomentados, organizados e financiados pelos Estados Unidos. Também não inclui o valor dos produtos deixados de produzir ou os prejuízos derivados das onerosas condições de crédito impostas a Cuba. O ministro dos Negócios Estrangeiros de Cuba elevou o total de perdas estimadas da economia cubana durante 45 anos (1962/2007) de bloqueio a 222 mil milhões de dólares. Quase duas vezes o PIB de um país como Portugal.

Vejamos mais em pormenor alguns dos numerosos exemplos desta realidade quotidiana:

Estima-se que só em 2006 o comércio internacional cubano foi afectado pelo bloqueio em valores que ultrapassaram os 1 305 mil milhões de dólares. Os maiores impactos registaram-se pela impossibilidade de aceder ao mercado dos EUA. As importações que Cuba realiza não subiram apenas como resultado de preços mais altos, da utilização de intermediários e da necessidade de triangulação para determinados produtos. Encareceram também pelo transporte desde mercados mais longínquos, com o consequente aumento dos fretes e seguros.

No final de 2001, pressionado pelo sector agro-exportador norte-americano, o Congresso dos EUA aprovou legislação autorizando que Cuba comprasse alimentos aos produtores do país. No entanto, essas importações são acompanhadas por severas restrições. Cuba tem de pagar adiantado, sem a possibilidade de obter créditos financeiros, mesmo privados. Em 2004, essas importações atingiram a casa dos 474,1 milhões de dólares. A venda e o transporte de mercadorias requerem a obtenção de licenças especiais para cada operação. Cuba não pode utilizar sua própria frota mercante para realizar esse transporte, devendo recorrer a navios de outros países, especialmente dos próprios EUA. E os pagamentos são feitos através de bancos de outros países, uma vez que as relações bancárias directas com Cuba estão proibidas.

Carência quase absoluta de meios de transporte de passageiros e de mercadorias. O sector ferroviário é paradigmático. Há anos que o governo tem planos para renovar seu parque de locomotivas. Mas a manutenção e reparação das máquinas requer diversos componentes norte-americanos. Cuba também não tem conseguido alugar navios, devido à pressão realizada pelo governo norte-americano sobre as locadoras. Assim, o governo cubano vê-se obrigado a pagar fretes elevadíssimos.

    Falta de medicamentos, equipamentos e material consumível no sector da saúde. Em sete anos, 1998/2005, os custos do bloqueio ascenderam a 2 269 milhões de dólares. Apenas 50 milhões teriam sido suficientes para remodelar todas as clínicas e hospitais. Sem quantificar, por não terem preço, a dor e o sofrimento provocados por esta política criminosa. O que não impedia que, em Junho de 2006, mais de 30 mil funcionários cubanos da área de saúde estivessem espalhados pelo mundo, trabalhando em missões humanitárias, cuidando especialmente de vítimas de catástrofes e fenómenos naturais. Há décadas que Cuba é vanguarda nesse tipo de acção. 

A importação de matérias-primas, materiais e equipamentos de uso escolar para assegurar o processo docente educativo, como meios audiovisuais, computadores, equipamento de laboratório, reagentes, etc., é seriamente afectada. A cada dia que passa diminuem os intermediários que se atrevem a correr o risco de realizar transacções com Cuba. O que se traduz num aumento de 20% (e mesmo de 100% nalguns casos), dos preços dos produtos adquiridos.

Nem a Internet escapa. Em Cuba, o acesso à rede é lento, caro e limitado. A ilha está impossibilitada de se conectar aos cabos de fibra óptica que passam muito perto de suas costas. Como alternativa utiliza desde 1996 uma ligação via satélite que torna as conexões muito mais lentas e caras. Qualquer modificação do canal exige licença do Departamento do Tesouro dos EUA. O governo aponta essa situação, assim como sua estratégia de prioridades sociais no uso da rede, para explicar as restrições que aplica ao acesso à Internet. Limitações que poderão ser reduzidas em poucos anos por meio de um cabo submarino alternativo de 1 550 km que ligará Cuba à rede da Venezuela. Refira-se ainda que, as instituições e cidadãos dos Estados Unidos estão proibidos de utilizar a Web para transacções electrónicas com instituições cubanas. O bloqueio de downloads de software e informações (inclusive gratuitas) é outra realidade.

É sistematicamente negado aos artistas cubanos o direito a participar nas cerimónias dos prémios Grammy e Grammy Latino. Razão evocada: os regulamentos sobre a imigração, que proíbem a entrada nos Estados Unidos a qualquer indivíduo que possa ser prejudicial aos interesses desse país. O mesmo se aplica a cineastas, ao Ballet Nacional de Cuba, a conferencistas universitários, etc., etc., etc..

Mas a política de bloqueio prejudica também aos cidadãos norte-americanos e de terceiros países, como o indicam muitos e variados estudos. A eliminação do bloqueio poderia, por exemplo, criar 100 mil postos de trabalho e rendimentos adicionais de 6 mil milhões de dólares à economia dos EUA. Em 2006 as perdas totais das empresas dos estados Unidos por cada milhão de turistas norte-americanos que não puderam visitar Cuba, atingiram os 565 milhões de dólares.

Não é pois de estranhar que a 26 de Abril de 2005, tenha sido anunciado oficialmente a formação da Associação Comercial Cuba-EUA. É composta por mais de 30 companhias, agências estaduais e organizações de 19 estados norte-americanos, com o fim de trabalhar pela eliminação das restrições ao comércio com Cuba. Entre os seus membros encontram-se as grandes empresas ADM, Caterpillar e Cargill. Entre os fundadores contavam-se personalidades como o ex-secretário de Comércio, Bill Reinsch, Kirby Jones, o ex-secretário adjunto de Estado, William D. Rogers, David Rockefeller, a ex-representante comercial Carla Hills, o ex-secretário de Defesa Frank Carlucci e o ex-secretário de Defesa e ex-director da CIA, James Schlesinger.

É esta realidade que é ignorada, e/ou escondida, e/ou escamoteada, e/ou deturpada pelos defensores do pensamento único dominante. Uma política, profundamente isolada e rejeitada todos os anos pela Assembleia Geral das Nações Unidas . Tem, como vimos, uma forte oposição interna nos próprios EUA. O que mais reforça o nosso lema: «O que é preciso é informar a malta».

                              

In jornal «Avante!» - Edição de 21 de Agosto de 2008
                                            


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