TERRAS DE PENALVA ONDE «A LIBERDADE É A COMPREENSÃO DA NECESSIDADE»

Quinta-feira, 24 de Novembro de 2016
Operação Vístula-Oder / Batalha das Ardenas (1945)

Mapa ofensiva Exérc_Verm 1-4-1945

No final de 1944, Berlim encontrava-se à mesma distância quer da frente soviética, quer da frente ocidental.

Como já foi referido no capítulo «O ano de 1943», Churchill queria sem falta chegar a Berlim «antes dos russos».

Era de grande importância política a conquista de Berlim. Não era, de forma nenhuma, só uma questão de prestígio.

(...)

Como já foi referido [Batalha das Ardenas: o papel do Exército Vermelho], tendo em atenção a situação difícil dos aliados ocidentais, a ofensiva foi antecipada cinco dias, sendo diferentes as datas das ofensivas das frentes.

A 1ª Frente Ucraniana iniciou a ofensiva a 12 de Janeiro, a 1ª e 2ª frentes Bielorrussas em 14 de Janeiro.

(...)

A ofensiva de Inverno do exército soviético, numa frente com 1200 quilómetros de comprimento entre o Mar Báltico e os Cárpatos, foi bem sucedida.

(...)

De acordo com os seus cálculos [de Ivan Stepanovitch Kóniev, marechal da União Soviética, comandante da 1ª Frente Ucraniana], durante os 23 dias de combate, a 1ª Frente Ucraniana derrotou 21 divisões de infantaria, cinco divisões de blindados, 27 brigadas autónomas de infantaria, nove brigadas de artilharia e brigadas lança-granadas, assim como inúmeras unidades especiais e batalhões autónomos. «Fizemos 43 mil prisioneiros, mais de 150 mil soldados e oficiais morreram. Nos despojos de guerra encontravam-se mais de cinco mil peças de artilharia e lança-granadas, 300 tanques, 200 aviões assim como uma grande quantidade de meios técnicos de combate e outro equipamento

 


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Sexta-feira, 28 de Outubro de 2016
Batalha das Ardenas: o papel do Exército Vermelho

Mapa batalha das Ardenas1

 

Numa carta para o Quartel-General dos Aliados, Eisenhower escreveu: «A situação tensa podia ser sensivelmente aliviada se os russos iniciassem uma grande ofensiva…»[1]. Esta foi a situação que levou à troca de correspondência entre Churchill e Stáline já citada. A 14 de Janeiro, Eisenhower enviou ao chefe do Estado-Maior das Forças Armadas soviéticas um telegrama: «A notícia importante de que o esplêndido Exército Vermelho avançou num novo campo de batalha foi recebida com entusiasmo por todos os exércitos aliados. Permito-me saudá-lo e desejar-lhe os maiores êxitos a si e a todos os que dirigem e participam nesta esplêndida ofensiva[2]

Churchill anotou a 18 de Janeiro na Câmara dos Comuns: «O Marechal Stáline é muito pontual. Prefere adiantar-se do que atrasar-se na colaboração com os aliados[3]

A ofensiva soviética obrigou o Quartel-General da Wehrmacht a deslocar, entre 15 e 31 de Janeiro, oito divisões, entre as quais quatro divisões de blindados e uma divisão de infantaria motorizada com 800 blindados para a frente germano-soviética. A frente Oeste teve poucas substituições, em Janeiro 291 blindados, 1328 na frente germano-soviética.[4]

A ofensiva soviética tinha levado o Quartel-General da Wehrmacht a abdicar de novas acções ofensivas.

Ler texto integral

 

[1] The Papers of Dwight D. Eisenhower: The War Years, Tomo 4, Baltimore - Londres 1970, p. 2407. Citado de acordo com História da II Guerra Mundial em XII Volumes, 10/288.

[2] The Papers of Dwight D. Eisenhower: The War Years, Tomo 4, Baltimore - Londres 1970, p. 2407. Citado de acordo com História da II Guerra Mundial em XII Volumes, 10/289.

[3] Winston S. Churchill, Discursos 1945, Vitória Final, Charles Eade, Zurique, 1950, p. 47.

[4] História da II Guerra Mundial em XII Volumes, 10/290.

 

Sobre isto nem uma linha na wikipedia...

Assim se faz a «história dos vencedores»!

 


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Domingo, 2 de Outubro de 2016
2 de Outubro de 1941 – Batalha de Moscovo

A batalha de Moscovo ficou na história da Segunda Guerra Mundial como uma das maiores e mais sangrentas.

Os combates ocorreram num território equivalente, em área, à Inglaterra, Irlanda, Islândia, Bélgica e Holanda somadas.

Hitler, depois dos primeiros êxitos do exército alemão, exigiu «tomar Moscovo em 15 de Agosto e terminar a guerra com a URSS a 1 de Outubro».

A resistência soviética surpreendeu os alemães; a Operação Tufão, nome de código para a tomada da capital soviética, só começou em 30 de Setembro.

O que os nazis previam ser uma marcha triunfal transformou-se num pesadelo.

Dos mais de sete milhões de soldados de ambos os lados que participaram nos combates, mais de um milhão e meio ficou no campo de batalha.

Moscovo não caiu e a vitória da URSS nesta batalha foi o momento de viragem na guerra.

AQUI

 


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Terça-feira, 16 de Agosto de 2016
A URSS esquecida - O comércio na época de Stáline

 «Porém, em 1939, não havia verdadeiramente penúria de mercadorias!

Isto porque para além do comércio com preços estatais, existia igualmente o comércio com preços de mercado. Estas lojas também eram do Estado, mas os preços aqui eram muito mais altos. Em períodos diferentes podiam ultrapassar os preços do Estado em dezenas de vezes, e no final da guerra até em centenas de vezes. Quando a guerra começou estas lojas foram encerradas e só voltaram a abrir em 1944.

O Estado procurava garantir preços baixos aos cidadãos apenas nos produtos básicos. Para viver melhor do que os demais, as pessoas tinham de ser trabalhado-ras, e felizmente que, na URSS de Stáline (ao contrário dos tempos de Bréjnev), os salários eram pagos à peça ou à tarefa quase por toda a parte.»

Anatoli Gússev

 


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Sábado, 16 de Julho de 2016
16 de Julho de 1945 – EUA testam bomba atómica

atomic-bombing-hiroshima-nagasaki-69-years

O primeiro teste de uma bomba nuclear, realizado no âmbito do projecto secreto Manhattan dos EUA, ocorreu na zona de experiências do Los Alamos National Laboratory em Los Alamos, no Novo México.

O programa nuclear, dirigido pelo cientista Robert Oppenheimer, foi desenvolvido durante a Segunda Guerra Mundial e terá sido implementado após Albert Einstein ter informado o presidente norte-americano Franklin Roosevelt, em 1939, sobre as pesquisas de armas atómicas que estavam a ser desenvolvidas pelos alemães.

O «sucesso» levou à fabricação das bombas Little Boy e Fat Man, que foram lançadas contra Hiroshima e Nagasaki em 6 e 9 de Agosto de 1945, respectivamente.

AQUI

 


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Sexta-feira, 6 de Maio de 2016
Debate: «Não à Guerra! Solidariedade com os Refugiados!»

Convite Digital Ilda 15h

Clicar na imagem para ampliar

 

No âmbito da Exposição Guernica – A Arte Denuncia a Guerra, vai realizar-se Sábado, 7 de Maio, a partir das 15 horas, no 71º Aniversário do armistício da Segunda Guerra Mundial, o Debate: “Não à Guerra! Solidariedade com os Refugiados!, em que participará Ilda Figueiredo, ex-deputada do PCP no Parlamento Europeu e Presidente do CPPC – Conselho Português para a Paz e Cooperação.

Apelar à realização de acções que dêem expressão pública ao repúdio das guerras de agressão no Médio Oriente e em África e à exigência do fim das medidas repressivas e militaristas contra os refugiados, defendendo a solidariedade, o apoio e o respeito pelos seus direitos e dignidade humana, são os objectivos desta conversa com Ilda Figueiredo, aberta, tal como todas as outras iniciativas da Exposição, a quem deseje participar.

AQUI

 


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Domingo, 13 de Dezembro de 2015
Pedro Lauret: «A Marinha de Guerra Portuguesa – do Fim da II Guerra Mundial ao 25 de Abril de 1974»

ACR Marinha Guerra Pt

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Segunda-feira, 27 de Julho de 2015
O esmagamento da Grécia revolucionária

Mapa Grécia Tripla Ocupação.png

O Governo britânico nunca se embaraçou a justificar as intervenções imperialistas. Em 13 de Outubro de 1944, tropas britânicas aterraram em Atenas e no Pireu. As provocações do lado do exército de intervenção britânico, sob o comando do general Scobie, e de políticos e oficiais gregos restauracionistas conduziram à sublevação do ELAS.

Agora Churchill estava no seu elemento. Na noite de 4 para 5 de Dezembro autorizou telegraficamente o general Scobie a reprimir pela força os movimentos populares.

Nas suas memórias, Churchill vangloria-se retrospectivamente da sua intervenção pessoal nos combates na Grécia. As instruções transmitidas por telegrama ao general Scobie são claras; estão documentadas as afirmações odiosas de Churchill, na sua dicção anticomunista, dando as instruções bárbaras, que teriam honrado qualquer déspota oriental. Posteriormente ainda procurou legitimá-las, difamando os comunistas e tratando as massas populares de «populaça»:

(...)

Ulrich Huar

Contribuições de Stáline para a Ciência Militar e Política Soviética (Verlag, Berlim, 2006)

 


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Terça-feira, 12 de Maio de 2015
Minudências...

victory-day-moscow-1945

Ao ler o discurso de Vladimir Putin no dia 9 de Maio fiquei a saber que militares de 10 países - Arménia, Azerbaijão, Bielorrússia, Cazaquistão, China, Índia, Mongólia, Sérvia,  Quirguízia e Tadjiquistão - participaram ao lado das tropas da Rússia no desfile do Dia da Vitória.

Foi em vão que procurei a notícia na comunicação social dominante. Muitos referiram o agradecimente aos povos que combateram o nazi-fascismo. Nenhum noticiou a sua participação na parada militar.

 

Minudências, dizem eles...

 


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Sexta-feira, 8 de Maio de 2015
O que querem apagar da história?

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Decorreram 70 anos desde o fim da II Guerra Mundial. Passaram 26 anos sobre a queda do Muro de Berlim e 24 anos desde o fim da URSS. Com a sua atitude de não comparecerem em Moscovo no dia 9 de Maio de 2015 nas cerimónias do Dia da Vitória o que querem apagar da História os poderes dominantes?

Querem apagar da História que a política da «solução final» não abrangeu apenas os judeus. Alargou-se aos ciganos e aos eslavos.Em apenas 3 anos (1941-43) 1/3 da população masculina da Bielo-Rússia foi aniquilada. Refira-se dois factos, entre inúmeros outros, nunca citados na historiografia dominante: noventa e nove por cento dos mais de mil campos de concentração nazis foram construídos a LESTE de Berlim! E aí morreram mais de 4 milhões de cidadãos soviéticos.

Querem apagar da História que foram os comunistas que tiveram o triste privilégio de inaugurar os campos de concentração hitlerianos e de neles serem literalmente quase exterminados. O PC Alemão em 1933 tinha centenas de milhares de membros. Em 1945 eram pouco mais de mil.

Querem apagar da História que nos países ocupados pela Alemanha e pelo Japão os comunistas desempenharam um papel essencial, muitas vezes decisivo, na condução da Resistência. De 1940 a 1944, setenta e cinco mil comunistas franceses morreram torturados, fuzilados ou em luta directa com o ocupante. A história repetiu-se em Itália, na Checoslováquia, na Polónia, na Albânia, na Jugoslávia (1 milhão de mortos), na Hungria, na Bulgária, nas Repúblicas Bálticas. Na China, no Vietname, nas Filipinas, etc., etc., etc.. No mínimo exige-se dos seus adversários que respeitem a sua memória.

Querem apagar da História o papel que cada Aliado desempenhou na II Guerra Mundial. A desproporção quer nos meios envolvidos, quer nos consequentes resultados, é evidente. Na URSS os hitlerianos destruíram 1.710 cidades, 70.000 aldeias, 32.000 empresas industriais, 100.000 empresas agrícolas. Desapareceram 65.000 km de vias-férreas, 16.000 automotoras, 428.000 vagons. As riquezas nacionais da URSS foram reduzidas em mais de 30%. No território dos EUA, excepção feita a Pearl Harbour, não caiu uma só bomba, não se disparou um único tiro.

Querem apagar da História que até começos de 1944 na frente sovietico-alemã operaram, em permanência, de 153 a 201 divisões nazis. Na frente ocidental, no mesmo período, de 2 a 21. Em 1945 a mesma proporção era de 313 para 118. De Junho a Agosto de 1944, ou seja, desde o início da Operação Overlord, as tropas fascistas perderam, entre mortos, feridos e desaparecidos, 917.000 na frente Leste e 294.000 na frente ocidental.

Querem apagar da História que a Alemanha perdeu na sua guerra contra a URSS o correspondente a 3/4 das suas baixas totais. Na frente soviética o exército japonês perdeu cerca de 677.000 homens (na sua maioria prisioneiros). Morreram, recorde-se, em todos os cenários da II Guerra, 250.000 norte americanos, 600.000 britânicos, mais de 25.000.000 de soviéticos (3 milhões dos quais membros do Partido Comunista).

Assistimos a um autêntico assassínio da verdade histórica. Querem apagar a natureza de classe das ditaduras nazi-fascistas, ignorar os seus crimes e a cumplicidade das grandes potências capitalistas. Querem silenciar e ocultar que essas mesmas potências fecharam os olhos às agressões à Etiópia, à Espanha republicana, à Áustria, à Checoslováquia. Querem esconder que a Segunda Guerra Mundial foi inseparável e consequência da crise do capitalismo e da ascensão do fascismo como resposta de classe a essa mesma crise. Querem apagar o papel da União Soviética e da resistência dos povos na derrota do nazifascismo.

Bem podem recorrer aos filmes de Hollywwod e às séries de Televisão. Ou, aos documentários (mais ou menos científicos) e às análises escritas e faladas. A realidade, essa «chata», não se deixa apagar.

É por isso que, como já foi dito, a defesa da verdade histórica é parte integrante das lutas que é hoje necessário travar.

 


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Domingo, 26 de Abril de 2015
70.º Aniversário da Vitória sobre o nazi-fascismo

Soldado Bandeira URSS Reichstag Berlin 1945

Em 2 de Maio de 1945, culminando o imparável avanço do Exército Vermelho, a bandeira da União Soviética foi hasteada no Reichstag em Berlim e poucos dias depois a Alemanha nazi assinava a sua capitulação incondicional. O dia 9 de Maio de 1945, cujo 70.º aniversário este ano comemoramos, passou a ser conhecido como o «Dia da Vitória», porque ele simboliza a vitória sobre o nazi-fascismo e o seu sinistro projecto de exploração e opressão dos povos com a instauração da «nova ordem» hitleriana e o fim da maior carnificina da História da Humanidade que foi a 2.ª Guerra Mundial.

Uma guerra em que pereceram mais de 60 milhões de pessoas, na sua grande maioria civis, em que as hordas fascistas semearam o terror e praticaram os piores crimes nos territórios invadidos, em que o bombardeamento indiscriminado de centros urbanos conduziu ao massacre de populações inteiras. Nos campos de concentração nazis, de trabalho escravo para os monopólios alemães e de extermínio em massa, morreram milhões de homens, mulheres e crianças, quatro milhões dos quais em Auschwitz.

Uma guerra em que os povos dos países invadidos pelos nazis, enfrentando a mais cruel repressão e as retaliações mais brutais, resistiram corajosamente às forças de ocupação, provocando-lhes pesadas baixas e em que, na frente de batalha como na organização e na acção da Resistência, os comunistas, com outros anti-fascistas, escreveram páginas de grande heroísmo.

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Sexta-feira, 3 de Outubro de 2014
EUA: Um estado inimigo da Humanidade

mapa eua_geographic

Qual o desfecho da perigosa crise de civilização que ameaça a própria continuidade da vida na Terra?

Vivemos um tempo, após a transformação da Rússia num país capitalista, em que as forças da direita governam com arrogância em quase toda a Europa. Em Portugal sofremos um governo em que alguns ministros são mais reacionários que os de Salazar.

Mas a Historia é há milénios marcada pela alternância do fluxo e do refluxo. O pessimismo não se justifica. A maré da contestação ao capitalismo está a subir.

Não esqueço que Marx, após a derrota na Alemanha da Revolução de 1848-49, quando uma vaga de desalento corria pela Europa, criticou com veemência o oportunismo de esquerda e o de direita, que contaminava a Liga dos Comunistas. Dirigindo-se à classe operária, afirmou que os trabalhadores poderiam ter de lutar 15, 20 ou mesmo 50 anos antes de tomarem o poder. Mas isso não era motivo para se desviarem dos princípios e valores do comunismo.

A revolução socialista tardou 70 anos. E não eclodiu na Alemanha ou na França, mas na Rússia autocrática e atrasada.

O ensinamento de Marx permanece válido. Mas neste inicio do seculo XXI não será necessário esperar tanto tempo.

A vitória final depende das massas como sujeito da História.

A advertência de Rosa Luxemburgo - Socialismo ou Barbárie - não perdeu atualidade. Ou o capitalismo, hegemonizado pelo imperialismo norte-americano, empurra a humanidade para o abismo, ou a luta dos povos o erradica do planeta. A única alternativa será então o socialismo.

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Sexta-feira, 29 de Agosto de 2014
Nos 75 anos do início da Segunda Guerra Mundial: Nunca mais!

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A 1 de Setembro de 1939, as tropas nazis invadiram a Polónia. Dois dias depois, a Inglaterra e a França declararam guerra à Alemanha, dando início à Segunda Guerra Mundial. Quando, em Maio de 1945, se dá a capitulação alemã às mãos do Exército Vermelho (a capitulação japonesa ocorre em Agosto do mesmo ano), terminou aquele que foi o mais brutal conflito militar que a humanidade já conheceu: 50 milhões de mortos, um incontável número de feridos, estropiados e traumatizados, milhares de vilas e cidades arrasadas, destruições incalculáveis na economia e nas riquezas naturais de numerosos países – tal foi o preço que custou a derrota do nazifascismo. A União Soviética pagou a maior parte.

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Domingo, 29 de Setembro de 2013
Do derrubamento de Mossadegh à ofensiva contra a Síria

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Recordar os acontecimentos do Irão há 60 anos ajuda a compreender a atual estratégia dos EUA para o Médio Oriente. O discurso em que Obama anunciou que decidira bombardear a Síria inseriu-se numa política de dominação universal concebida no final da II Guerra Mundial.

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Quinta-feira, 14 de Março de 2013
A Crise do Sistema Capitalista: As despesas militares
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Os gastos militares dos Estados Unidos aparecem subestimados nas estatísticas oficiais:

  • Em 2012 os gastos do Departamento da Defesa chegaram a uns 700 mil milhões de dólares.

  • Se aos mesmo forem adicionados os gastos militares que integrados (diluídos) em outras áreas do Orçamento (Departamento de Estado, USAID, Departamento da Energia, CIA e outras agências de segurança, pagamentos de juros, etc) chegar-se-ia a um número próximo dos 1,3 milhões de milhões de dólares.

  • Esse número equivale a quase 9% do Produto Interno Bruto, a 50% das receitas fiscais previstas, a 100% do défice fiscal.

  • Esses gastos militares reais representaram quase 60% das despesas militares globais.

  • Se lhes somarmos os dos seus sócios da NATO e de alguns países vassalos extra-NATO, como a Arábia Saudita, Israel ou Austrália, chegar-se-ia no mínimo a 75%

Se centrarmos a análise na relação entre gastos militares, PIB e emprego constataremos o seguinte:

  • Os gastos militares passaram de US$2800 milhões em 1940 para US$91 mil milhões em 1944 o que impulsionou o PIB nominal de US$101 mil milhões em 1940 para US$214 mil milhões em 1944 (duplicou em apenas quatro anos),

  • a taxa de desemprego baixou apenas de 9% em 1939 para 8% em 1940 mas em 1944 havia caído para 0,7%,

  • o primeiro salto importante nos gastos militares verificou-se entre 1940 e 1941 quando passaram de US$2800 milhões para US$12799 milhões equivalente a 10% do PIB,

  • proporção bastante parecida à de 2012 (US$1,3 milhões de milhões, aproximadamente 9% do PIB).

  • Isto significa que o gasto militar de 1944 equivalia a umas sete vezes o de 1941.

  • Se transferirmos esse salto para números actuais isso significa que o gasto militar real dos Estados Unidos deveria chegar em 2015 a uns US$9 milhões de milhões equivalentes por exemplo a sete vezes o défice orçamental de 2012.

A sucessão de saltos na despesa pública entre 2012 e 2015 acumularia uma gigantesca massa de défice que nem os poupadores norte-americanos nem os do resto do mundo estariam em condições de cobrir com a compra de títulos de dívida de um império enlouquecido.

  • Os poupadores norte-americanos compraram durante a Segunda Guerra Mundial US$186 mil milhões de dólares em títulos da dívida pública equivalente a 75% da totalidade das despesas do governo federal entre 1941 e 1945. Essa "proeza" é hoje impossível.

Fontes: Chris Hellman, "$ 1,2 Trillon: The Real U.S. National Security Budget No One Wants You to Know About", Alert Net, March 1, 2011.
SIPRI, Banco Mundial y cálculos proprios.

Vance T. N, "The Permanent War Economy", New International, Vol 17, Nº 1, January-February 1951

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Segunda-feira, 8 de Outubro de 2012
Falsificadores da história

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Falsificadores da história

(Resenha histórica) - Bureau Soviético de Informação 1948

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Terça-feira, 13 de Março de 2012
A Alemanha não foi desmembrada em 1945 graças à União Soviética (e a Stáline...)

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Na Conferência de Ministros dos Negócios Estrangeiros (Moscovo, 19-30 Outubro de 1943) foram discutidos os problemas mais importantes da organização do pós-guerra, em primeiro lugar a questão alemã.

As delegações dos Estados Unidos da América (EUA) - chefiada por Cordel Hull - e da Grã-Bretanha - chefiada por Anthony Eden- pronunciaram-se pelo desmembramento da Alemanha.

Os representantes da União Soviética (URSS) - delegação chefiada por Vyacheslav Molotov - defenderam o princípio do total extermínio do fascismo e a implantação de um controlo sobre a Alemanha que assegurasse uma paz firme e duradoura na Europa. A URSS não apoiou os planos de desmembramento da Alemanha.

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Na Conferência de Teerão (28 de Novembro a 1 de Dezembro de 1943), onde de encontraram pela primeira vez os líderes das três grandes potências da coligação anti-fascista – Iosif Stáline, Franklin Roosevelt e Winston Churchill – o problema alemão mereceu grande atenção.

O presidente dos EUA e o 1º ministro britânico propuseram dividir a Alemanha em diversos Estados. Roosevelt defendia cinco Estados alemães independentes e/ou  sob o controlo das Nações Unidas ou de todos os países europeus. Churchill apresentou o seu plano de desmembramento da Alemanha. Consistia em isolar a Prussia do resto da Alemanha e separar as províncias meridionais deste país - Baviera, Baden e outras - desde o Sarre até à Saxonia inclusive. Churchill propunha-se criar assim uma chamada «Federação do Danúbio».

A delegação soviética não apoiou estes planos pelo que a questão da estrutura da Alemanha no pós-guerra foi remetida para um estudo mais minucioso da Comissão Consultiva Europeia.

Na Conferência de Ialta (4-11 de Fevereiro de 1945) foi estipulada a divisão da Alemanha em três zonas de ocupação. Para Berlim ficou prevista a introdução de Forças Armadas das três potências. Roosevelt e Churchill apresentaram de novo as suas propostas de desmembramento da Alemanha. Na sua opinião tal medida era necessária para a segurança internacional. A União Soviética rechaçou energicamente estas propostas.

Nos princípios básicos do programa para a solução do problema alemão apresentados pela URSS estavam previstos a destruição do potencial da indústria de guerra da Alemanha; total supressão do fascismo e do nazismo; castigo dos criminosos de guerra; o ressarcimento por parte da Alemanha dos danos causados aos povos da Europa; a criação de uma Alemanha democrática, independente e pacífica.

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Na Conferência de Potsdam (17 de Julho a 2 de Agosto de 1945) as potências ocidentais insistiram pela enésima vez nos planos de desmembramento da Alemanha. O novo presidente dos EUA, Harry Trumam, apresentou uma proposta de criação de três Estados alemães: Sul, com capital em Viena; o do Norte, cuja capital seria Berlim; e o do Oeste que abarcaria as regiões do Ruhr e do Sarre.

Mais uma vez Stáline rechaçou estes planos. A delegaçao soviética manteve-se firme na defesa de que os interesses da segurança e da independência dos povos exigiam uma profunda e ampla democratização da Alemanha e não o seu regresso aos tempos da dispersão política. Graças à posição soviética ficou assente em definitivo que no pós-guerra a Alemanha deveria ser considerada como um todo único económico.

In A grande Guerra Pátria da União Soviética, em castelhano, Editorial Progresso, 1975

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Domingo, 29 de Janeiro de 2012
Uma «notícia» (???!!!...) que é um caso de estudo

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Esta notícia do Jornal das 8 da TVI do dia 13 de Agosto de 2011, sobre o aniversário da construção do chamado Muro de Berlim (a partir do minuto 46) merece ser vista e analisada. Pelas mentiras que contém. Pelo que não diz. Pela linguagem.

  • O muro não dividia dois estados: a RFA (República Federal Alemã) da RDA (República Democrática Alemã).

  • Dividia a cidade de Berlim (o que, convenhamos, não é bem a mesma coisa...), capital da RDA, bem no interior deste país, como se pode ver pelo mapa.

  • Na parte oeste da cidade, Berlim Ocidental, estavam presentes Forças Armadas dos EUA, do Reino Unido e da França.
  • Berlim Ocidental tinha, à luz do direito internacional, um estatuto especial. Era uma entidade jurídica própria: nem pertencia à RFA (cuja capital era Bona), nem à RDA.

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C-I-N-Q-U-E-N-T-A anos depois dos acontecimentos é eslarecedor verificar que a linguagem da chamada guerra-fria não desapareceu.

E a propósito: quantos espectadores da TVI sabem que a Alemanha existe como estado porque os dirigentes da União Soviética se opuseram de uma forma inflexível às propostas dos EUA, do Reino Unido e da França durante a II Guerra Mundial, visando o seu desmembramento? Mas isso será motivo para um outro post...

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Domingo, 12 de Dezembro de 2010
O caso Kátine: E no entanto, ela move-se…

Como se a verdade histórica dependesse de uma decisão parlamentar, a Duma russa, cuja maioria é constituída por partidos burgueses, decidiu [26.11] que foram os soviéticos quem executou os oficiais polacos, enterrados numa vala comum em Kátine. Uma curiosa demonstração da grande semelhança que existe entre a visão da verdade das supostas democracias capitalistas e a da Igreja Católica do Renascimento.

Tal como já Galileu Galilei tinha comprovado, quando para salvar a vida teve de renunciar à defesa da sua descoberta científica de que a Terra se movia em torno do Sol e não o contrário, a ciência continua a estar subordinada à ideologia oficial e, no caso de Kátine, por muito que Goebbels reconheça no seu diário que os alemães estavam a conseguir lançar a culpa do massacre sobre os soviéticos, seus inimigos, o dogma impõe hoje que o Sol tenha que girar em torno da Terra, ou seja, que os maus são com toda a certeza os comunistas.

Todavia, como também se diz que afirmou o cientista italiano, depois do que poderia ter sido a votação da Duma da altura: «No entanto, ela move-se».

O caso Kátine foi uma das armas a que o aparelho de propaganda nazi dedicou maior capacidade de manipulação durante a Segunda Guerra Mundial. Nesse período, tanto os ingleses como os norte-americanos, e o resto dos aliados, estavam convencidos de que os verdadeiros assassinos foram os soldados alemães, após o ataque à URSS e o abandono pelo Exército Vermelho dos campos de prisioneiros polacos, que foram tomados pelos alemães.

No entanto, depois da vitória do Exército Vermelho na II Guerra Mundial, com a tomada de Berlim, os outros vencedores rapidamente aproveitaram tudo o que puderam dos seus inimigos militares, mas irmãos ideológicos. E para além de salvarem milhares de nazis da prisão para os colocar ao serviço do novo império, ao qual podemos chamar IV Reich, adoptaram as técnicas da propaganda de Goebbels e continuaram a defender as suas mentiras com o objectivo de desprestigiar a poderosa União Soviética.

 

Uma mentira recuperada

 

A partir de então, as valas comuns de Kátine, objectivo principal da manipulação dos nazis, converteram-se no centro da manipulação dos media de propaganda capitalistas, e, subitamente, os aliados assumiram a opinião defendida por Hitler e pelos nazis a respeito do fuzilamento dos oficiais polacos – num ápice os assassinos passaram a ser os soviéticos. E tudo isto, claro, apesar dos milhares de testemunhos de camponeses da zona, apesar de se encontrarem entre os restos dos esqueletos postais com data posterior à invasão nazi, e, porventura mais evidente, mesmo tendo lido no diário de Goebells, o seu grande mestre, que as acusações contra os soviéticos eram criação da propaganda nazi.

Tanto fazia, pois neste caso, como para a Igreja da época de Galileu, não importava se os factos e as provas mostravam quem eram os verdadeiros assassinos, já que o essencial era manter a ordem das coisas, de que a Terra era o centro do Universo ou que os capitalistas são boa gente e os comunistas a pior espécie.

Com a queda da União Soviética, a coisa tornou-se muito mais fácil. Subitamente, com Gorbatchov, Iéltsine e toda a ralé de traidores que venderam o povo soviético e entregaram os seus direitos e riquezas nas mãos de mafiosos, os arquivos do KGB abriram-se e começaram a aparecer provas «definitivas» e «inquestionáveis» sobre todos os crimes dos comunistas. Assim, até o próprio Stáline teria enviado uma nota manuscrita a Béria, apoiando a sua ideia de se livrar de todos os oficiais polacos sem julgamento.

Incrivelmente, os comunistas eram tão inocentes que punham por escrito os seus crimes para que fossem conhecidos no futuro pela humanidade inteira (apesar de, no entanto, curiosamente, não se conhecer nenhum documento assinado por Hitler que o relacione com a campanha sistemática de eliminação das minorias étnicas, políticas e religiosas – será porque até os nazis e os EUA, os maiores genocidas da história, sabem que ordens como a que supostamente teria dado Stáline, isto é, condenar milhares de pessoas sem julgamento prévio, não se põem por escrito?).


 

O dogma e a dominação

 

Vinte anos depois, em pleno processo de desintegração do capitalismo, quando a oligarquia entusiasmada de há 20 anos vê que afinal o fim da história não chegou, a cuidadosa construção do dogma, indicando claramente quem é Deus e quem é o Diabo, parece mais necessária do que nunca. É a maneira de evitar que os ateus e os hereges continuem a multiplicar-se e que o status quo, que custou tantos anos a recuperar, volte a inverter-se, que o poder e a riqueza passem para as mãos dos que a produzem e se acabe de novo com as negociatas da oligarquia e de outros parasitas, que hoje voltaram a governar a União Soviética e continuam governando a maior parte do mundo.

O sabbat normativo teve lugar na Duma russa, naquela que antes foi a Assembleia dos Sovietes, que representavam todos os trabalhadores e camponeses da URSS, ou seja, os que produzem toda a riqueza, e hoje é, sobretudo, o lugar onde se reúnem delegados das mafias, empresas e lobbys, cujo fim principal, pelo contrário, é manter os trabalhadores e camponeses bem domesticados. Assim, apesar das demonstrações que o Partido Comunista da Federação Russa tem vindo a fazer sobre as falsificações dos arquivos soviéticos na época do alcoólico, assassino e fascista Boris Iéltsine, o parlamento russo decidiu que os trabalhadores soviéticos, isto é, que o seu Estado foi o culpado pelo massacre de Kátine, como dizia Goebbels (ao fim e ao cabo este está muito mais próximo dos interesses da oligarquia russa do que os soviéticos), e que os nazis estavam inocentes.

Como se em questões científicas a democracia (este simulacro de democracia) tivesse autoridade para transformar as provas e resultados em verdades absolutas, à semelhança da época de Galileu, em que o voto de seis, suponhamos, sobre o de quatro converteu em algo de inquestionável que a Terra era e seria para todo o sempre o centro do Universo, também a Duma russa deu a sua achega para consolidar o dogma ideológico, que assegura que os trabalhadores continuem ajoelhados e resignados, fechando para isso os olhos às provas que demonstram o contrário (se bem que os factos e os argumentos nunca convencerão os que justificam o seu poder com base em mentiras convertidas em dogmas).

 

Um instrumento de fé

 

Definitivamente, a Duma russa do capitalismo votou que a Terra é o centro do Universo e que o Sol gira em seu torno, demonstrando, como sabiam os antifascistas que lutaram contra os nazis, franquistas e fascistas italianos durante a Segunda Guerra Mundial, que o capitalismo e o fascismo são apenas duas faces da mesma moeda. Deu razão a Goebbels, apesar dele próprio (o lhe teria seguramente provocado um êxtase assassino não tivesse já sido comido pelos vermes, a menos que lhes tenha provocado asco). Para isso não se hesitou em usar a democracia como instrumento a favor da fé na verdade oficial (o dogma), em vez de um instrumento de luta a favor do bem-estar do povo ou da justiça. Na realidade há pouca diferença entre a democracia burguesa e a Igreja da Inquisição (ao fim e ao cabo ambas defendem as mesmas coisas).

Não obstante, como bem sabia Galileu, o Sol continuará sendo o centro do sistema solar, apesar das decisões das igrejas ou daqueles que usam a democracia para justificar as supostas verdades que favorecem a sua dominação. Apesar de hoje vivermos tristes momentos da história, e talvez haver agora mais fascistas pululando pelo mundo do que nunca antes, como já nos demonstrou o génio italiano – «…ela move-se».

Tradução e subtítulos da responsabilidade da Redacção do Avante!. Texto publicado no blog do autor em 27.11

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Sexta-feira, 25 de Junho de 2010
Paul Verlaine / Léo Ferré: Chanson d'automne

Chanson d'automne

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Les sanglots longs
Des violons
De l'automne
Blessent mon cœur
D'une langueur
Monotone.

Tout suffocant
Et blême, quand
Sonne l'heure,
Je me souviens
Des jours anciens
Et je pleure

Et je m'en vais
Au vent mauvais
Qui m'emporte
Deçà, delà,
Pareil à la
Feuille morte.

Paul Verlaine - Léo Ferré

Para ver e ouvir  «Chanson d'automne» de Paul Verlaine e Léo Ferré:

Chanson d'automne est un des plus fameux poèmes de Paul Verlaine. Il a paru dans Poèmes saturniens. Sa première strophe a été utilisé par Radio Londres peu avant le débarquement de Normandie pour informer les résistants que celui-ci aurait lieu dans les heures suivantes:

Les sanglots longs
Des violons
De l'automne
Blessent mon cœur
D'une langueur
Monotone.

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adaptado de um e-mail enviado pelo Jorge

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Segunda-feira, 7 de Junho de 2010
Emmanuel d'Astier de la Vigérie ("Bernard") / Anna Marly: La Complainte du Partisan

LA COMPLAINTE DU PARTISAN

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Les All'mands étaient chez moi
On m'a dit: "Résigne-toi",
Mais je n'ai pas pu.
Et j'ai repris mon arme.

Personne ne m'a demandé
D'ou je viens et où je vais
Vous qui le savez,
Effacez mon passage.

J'ai changé cent fois de nom
J'ai perdu femme et enfant
Mais j'ai tant d'amis
Et j'ai la France entière.

Un vieil homme dans un grenier
Pour la nuit nous a cachés
Les All'mands l'ont pris
Il est mort sans surprise

Hier encore nous étions trois
Il ne reste plus que moi
Et je tourne en rond
Dans la prison des frontières

Le vent passe sur les tombes
Et la liberté reviendra
On nous oubliera!
Nous rentrerons dans l'ombre.

Paroles: Emmanuel d'Astier de la Vigérie dit "Bernard"

Musique : Anna Marly

écrit en 1943, à Londres.

THE PARTISAN

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When they poured across the border
I was cautioned to surrender,
This I could not do;
I took my gun and vanished.

I have changed my name so often,
I've lost my wife and children
But I have many friends,
And some of them are with me.

An old woman gave us shelter,
Kept us hidden in the garret,
Then the soldiers came;
She died without a whisper.

There were three of us this morning
I'm the only one this evening
But I must go on;
The frontiers are my prison.

Oh, the wind, the wind is blowing,
Through the graves the wind is blowing,
Freedom soon will come;

Then we'll come from the shadows.

Paroles: Hy Zaret, adapte d'Emmanuel d'Astier de la Vigérie dit "Bernard"

Musique: Anna Marly


Para Ver e Ouvir «LA COMPLAINTE DU PARTISAN» de Anna Marly e Emmanuel d'Astier de la Vigérie:

adaptado de um e-mail enviado pelo Jorge

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Quinta-feira, 27 de Maio de 2010
Um rio de pessoas, vermelho e emocionante

O Vídeo

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Quarta-feira, 26 de Maio de 2010
A Grécia mais uma vez ocupada!

Greece under occupation again - Desenho de Carlos Latuff (Latuff2 on deviantART)

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E. U. são as iniciais (em inglês) de União Europeia

ΔΝΤ são as iniciais, em grego, de Διεθνές Νομισματικό Ταμείο (Fundo Monetário Internacional, FMI)

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A Grécia foi ocupada pelas tropas nazis na primavera de 1941:
adaptado de um e-mail enviado pelo Jorge

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publicado por António Vilarigues às 12:05
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Segunda-feira, 17 de Maio de 2010
O que querem apagar da história?

Decorreram 65 anos desde o fim da II Guerra Mundial. Passaram 21 anos sobre a queda do Muro de Berlim e 19 anos desde o fim da URSS. Neste mês de Maio de 2010 o que querem apagar da História os poderes dominantes?

Querem apagar da história que a política da «solução final» não abrangeu apenas os judeus. Alargou-se aos ciganos e aos eslavos. Em apenas 3 anos (1941-43) 1/3 da população masculina da Bielo-Rússia foi aniquilada. Refira-se dois factos, entre inúmeros outros, nunca citados na historiografia dominante: noventa e nove por cento dos mais de mil campos de concentração nazis foram construídos a LESTE de Berlim! E aí morreram mais de 4 milhões de cidadãos soviéticos.

Querem apagar da história que foram os comunistas que tiveram o triste privilégio de inaugurar os campos de concentração hitlerianos e de neles serem literalmente quase exterminados. O PC Alemão em 1933 tinha centenas de milhares de membros. Em 1945 eram pouco mais de mil.

Querem apagar da história que nos países ocupados pela Alemanha e pelo Japão os comunistas desempenharam um papel essencial, muitas vezes decisivo, na condução da Resistência. De 1940 a 1944, setenta e cinco mil comunistas franceses morreram torturados, fuzilados ou em luta directa com o ocupante. A história repetiu-se em Itália, na Grécia, na Checoslováquia, na Polónia, na Albânia, na Jugoslávia (1 milhão de mortos), na Hungria, na Bulgária, nas Repúblicas Bálticas. Na China, no Vietname, nas Filipinas, etc., etc., etc.

Querem apagar da história o papel que cada Aliado desempenhou na II Guerra Mundial. A desproporção quer nos meios envolvidos, quer nos consequentes resultados, é evidente. Na URSS os hitlerianos destruíram 1.710 cidades, 70.000 aldeias, 32.000 empresas industriais, 100.000 empresas agrícolas. Desapareceram 65.000 km de vias-férreas, 16.000 automotoras, 428.000 carruagens. As riquezas nacionais da URSS foram reduzidas em mais de 30%. No território dos EUA, excepção feita a Pearl Harbour, não caiu uma só bomba, não se disparou um único tiro.

Querem apagar da história que até começos de 1944 na frente sovietico-alemã operaram, em permanência, de 153 a 201 divisões nazis. Na frente ocidental, no mesmo período, de 2 a 21. Em 1945 a mesma proporção era de 313 para 118. De Junho a Agosto de 1944, ou seja, desde o início da Operação Overlord (Dia D), as tropas fascistas perderam, entre mortos, feridos e desaparecidos, 917.000 na frente Leste e 294.000 na frente ocidental.

Querem apagar da história que a Alemanha perdeu na sua guerra contra a URSS o correspondente a ¾ das suas baixas totais. Na frente soviética o exército japonês perdeu cerca de 677.000 homens (na sua maioria prisioneiros). Morreram, recorde-se, em todos os cenários da II Guerra, 250.000 norte americanos, 600.000 ingleses, 26.600.000 de soviéticos (mais de 3 milhões dos quais membros do Partido Comunista).

Assistimos a um autêntico assassínio da verdade histórica. Querem apagar a natureza de classe das ditaduras nazi-fascistas, ignorar os seus crimes e a cumplicidade das grandes potências capitalistas. Querem silenciar e ocultar que essas mesmas potências fecharam os olhos às agressões à Etiópia, à Espanha republicana, à Áustria, à Checoslováquia. Querem esconder que a Segunda Guerra Mundial foi inseparável e consequência da crise do capitalismo e da ascensão do fascismo como resposta de classe a essa mesma crise. Querem apagar o papel da União Soviética e da resistência dos povos na derrota do nazifascismo.

Bem podem recorrer aos filmes de Hollywwod e às séries de Televisão. Ou, aos documentários (mais ou menos científicos) e às análises escritas e faladas. A realidade, essa «chata», não se deixa apagar. É por isso que, como já foi dito, a defesa da verdade histórica é parte integrante das lutas que é hoje necessário travar.

Especialista em Sistemas de Comunicação e Informação

In jornal "Público" - Edição de 14 de Maio de 2010

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Segunda-feira, 10 de Maio de 2010
Comemoremos os 65 anos da Vitória!

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Sábado, 7 de Novembro de 2009
Nas estepes da Mongólia: Uma vitória transcendente do internacionalismo

    Na historiografia ocidental são raras as referências à batalha travada junto ao rio Khalkhin-Gol entre Maio e Setembro de 1939. A severa derrota ali infligida pelas tropas conjuntas da Mongólia Popular e da União Soviética ao exército de Kwantung do Japão imperialista permanece amplamente ignorada, tal como o significado da curta mas intensa guerra de Khalkhin-Gol. Facto ainda mais sonante porque contrasta com a vastíssima campanha ideológica de deturpação e revisão da história do século XX, visando extirpá-la dos seus avanços revolucionários e libertadores e denegrir e apagar o papel dos comunistas e da URSS, hoje empreendida. Campanha de cariz anticomunista que ultrapassa todos os limites imagináveis num passado recente, chegando ao ponto de pôr em causa as próprias decisões do Tribunal de Nuremberga.

(sublinhados meus)

                  


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publicado por António Vilarigues às 00:04
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Sábado, 10 de Outubro de 2009
Prémio igNobel da Paz atribuido a Obama

O Prémio igNobel da Paz acaba de se atribuido ao presidente do «maior fautor de violência no mundo».

Veja neste blogue as razões do Comité igNobel para a atribuição do prémio a  (clique em  claro!).

adaptado de um e-mail enviado pelo Jorge

                                                                   

Notícias AQUI, AQUI, AQUI, AQUI e AQUI

                                                                    


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Sexta-feira, 31 de Julho de 2009
Quem disse que os EUA são «o maior fautor de violência no mundo»?

   

O PS nunca diria tal coisa! O PCP podia ter dito, mas não, não foi o PCP!

O PCP disse na Resolução Política do XVIII Congresso do PCP de 1 de Dezembro de 2008:

(...)

A superioridade militar, o potencial científico e tecnológico e a hegemonia dos EUA nos mecanismos de criação e difusão da ideologia dominante, são inegáveis. Mas o seu poderio económico e a sua posição privilegiada como principal centro financeiro mundial estão enfraquecidos, com expressão na desvalorização e descredibilização do dólar e do seu papel de moeda de reserva internacional, papel este que já está a ser abertamente contestado. A economia norte-americana confirmou-se como o principal factor de instabilidade e crise da economia mundial.

(...)

De facto, o que está a verificar-se [na União Europeia], e com uma inquietante rapidez, é a intensificação e refinamento das políticas neoliberais orientadas para o aumento da exploração e do poder do grande capital e, no imediato, quer directamente quer via NATO, o reforço da aliança estratégica com os EUA e um intervencionismo cada vez mais agressivo e ambicioso.

(...)

Ao mesmo tempo, desenvolvem-se alianças e processos de cooperação e integração regional que, situando-se em geral numa lógica de expansão das relações capitalistas de produção, tendem ainda assim (como nos casos do MERCOSUL, da UNASUR - a União das Nações Sul Americanas, ou da Organização da Alternativa Bolivariana para as Américas - ALBA, impulsionado pela Venezuela, ou da Organização de Cooperação de Xangai) a contrariar as pretensões hegemónicas dos EUA e das duas outras grandes potências da «Tríade», a UE e o Japão. Estes processos, que expressam o desenvolvimento desigual do capitalismo e geram contradições inter-imperialistas, têm pesado positivamente na arrumação de forças no plano internacional e na resistência dos povos ao imperialismo.

(...)

Dando corpo a um revanchista e violento processo de ajuste de contas com a luta dos trabalhadores e dos povos, e com a História do século XX, o imperialismo procura por todos os meios perverter o edifício legal saído da II Guerra Mundial, de natureza fundamentalmente pacífica e antifascista, que, apesar dos retrocessos e alterações verificadas, nomeadamente no mapa político da Europa, continua a ser um obstáculo às pretensões hegemónicas do imperialismo dos EUA e seus aliados.

(...)

    Insere-se nesta linha [de crescente centralização do poder político e da sua submissão ao poder económico e às estratégias de militarização das relações internacionaisa evolução na União Europeia que corresponde a uma nova fase da intervenção imperialista da Alemanha e de outras grandes potências europeias que se constituem como um bloco político, económico e militar, intimamente coordenado com a NATO, um pólo imperialista que, não obstante reais rivalidades e contradições inter-imperialistas, concerta e partilha com os EUA zonas de influência e intervenção. Apresentado como um «espaço de democracia» e de «defesa dos direitos humanos», trata-se na realidade de um centro político-ideológico do imperialismo, profundamente antidemocrático na sua essência e desrespeitador dos direitos dos trabalhadores e dos povos de todo o mundo.

(...)

O rasgar de tratados internacionais essenciais para o equilíbrio estratégico (como o Tratado ABM); a agressão e desmantelamento da Jugoslávia; a instalação do chamado «sistema de defesa anti-míssil» norte-americano na Europa e a expansão da NATO e das bases militares do EUA para as fronteiras da Rússia; a militarização da Alemanha; a ofensiva política e militar nos países da bacia do mar Cáspio e no Cáucaso; as provocações contra a China; o «regresso a África» de várias potências militares, com destaque para os EUA, e a instalação do comando militar AFRICOM; a reactivação da IV Esquadra norte-americana na América Latina; o rearmamento do Japão e a revisão militarista da sua Constituição; os acordos nucleares com a Índia e as manobras de desestabilização e ingerência em Timor Leste, por parte da Austrália e EUA, são exemplos elucidativos do carácter global da ofensiva militar e geo-estratégica do imperialismo e dos intentos recolonizadores que lhe estão associados.

(...)

O Médio Oriente e o continente asiático mantêm-se como os principais focos de instabilidade. O prosseguimento da ocupação imperialista do Iraque e dos crimes sionistas de Israel na Palestina; a intensificação da guerra no Afeganistão e o seu progressivo alastramento ao Paquistão; as provocações e ameaças de intervenção ou provocação militar contra o Irão e a Síria por parte de Israel e dos EUA; as ingerências e agressões no Líbano; as ameaças à República Popular Democrática da Coreia; a instabilidade política provocada no Sri Lanka, Bangladesh e Myanmar, configuram um perigoso cenário para a paz mundial, que assume dimensões potencialmente explosivas com a recente escalada bélica no Cáucaso por parte de uma Geórgia totalmente enfeudada ao imperialismo e por este instrumentalizada.

    A realidade evidencia que é dos centros políticos e militares do imperialismo que emanam a insegurança e os perigos que caracterizam a situação internacional. O facto de as despesas militares mundiais terem aumentado, desde 1998, cerca de 45%, e de os orçamentos militares dos EUA e dos principais aliados da NATO atingirem valores recorde, demonstram bem a aposta numa nova corrida armamentista que alimenta os fabulosos lucros da sua indústria - como o comprova o aumento superior a 100% das vendas das 100 maiores empresas do complexo militar industrial na última década (74 das quais de Estados membros da NATO) - e de um conjunto de empresas de recrutamento de mercenários e de logística que florescem num novo fenómeno de «privatização» dos conflitos militares.

As declarações de inquietação com o investimento militar por parte de países em desenvolvimento são cabalmente desmascaradas pelo facto de os EUA e a NATO dominarem quase hegemonicamente as capacidades militares mundiais, incluindo a produção e o comércio de armas. Só o orçamento militar dos EUA representa cerca de metade das despesas militares mundiais, envolvendo 761 bases e outras instalações militares em território estrangeiro.

(...)

A principal potência imperialista mundial - os EUA - confirmou-se nos últimos quatro anos como a ponta de lança do militarismo e belicismo imperialistas com a política fascizante da Administração Bush. Esse papel não será abandonado sem uma profunda alteração da correlação de forças no plano mundial, em favor da paz e do progresso social e sem uma profunda alteração do sistema económico e político dominantes na sociedade norte-americana. A eleição de Obama e a projecção internacional que lhe foi atribuída, suportada numa intensa e sofisticada campanha mediática, não pode ser dissociada da operação que, a propósito das eleições presidenciais norte-americanas, se desenvolveu para procurar reverter o crescente isolamento e descrédito dos EUA no plano internacional. Reflectindo a ampla rejeição popular das políticas da Administração Bush, a eleição de Obama está longe de corresponder às expectativas que, no plano interno e internacional, em torno dela se geraram quanto a uma possível alteração substancial das orientações, conteúdos e objectivos da política dos EUA.

(...)

A frase do título (os EUA são «o maior fautor de violência no mundo») nunca poderia ser lida no programa eleitoral do PS de 29 de Julho. É inútil procurar aí, porque no programa eleitoral do PS só se pode ler cumplicidades com os EUA,  «o maior fautor de violência no mundo». Ora vejamos:

(...)

No plano bilateral, o Governo do PS manterá as relações com os seus aliados tradicionais, em primeiro lugar com os Estados Unidos da América a que o liga um Acordo de Cooperação e Defesa, mas também com os parceiros europeus da NATO e da União Europeia e, em especial com os países africanos de expressão portuguesa aos quais o ligam diferentes Acordos de Cooperação Técnico Militar que quer desenvolver e aprofundar. De igual modo, deve proceder em relação a outros países que se inserem em áreas regionais de interesse estratégico para Portugal, designadamente no Magrebe e na margem sul do Mediterrâneo.

(...)

Nesta perspectiva, Portugal deve continuar a assumir a sua quota nas operações de paz e de segurança internacionais no contexto das várias organizações que integra, como as Nações Unidas, a NATO, a União Europeia, a OSCE ou CPLP.

(...)

Os nossos compromissos com a NATO estarão particularmente em foco ao longo do próximo ano, em que organizamos pela primeira vez uma Cimeira da Aliança, onde se deverá aprovar o novo Conceito Estratégico da Organização.

(...)

    O PS ainda se gaba de, no próximo ano, ir organizar pela primeira vez uma Cimeira da Aliança (a NATO), onde se deverá aprovar o novo Conceito Estratégico da Organização!

Quem disse então que os EUA são «o maior fautor de violência no mundo»? Foi Martin Luther King que fez esta afirmação no dia 4 de Abril de 1967. Foi assassinado exactamente um ano depois em Memphis, Tennessee. É obrigatório ler tudo o que ele disse aqui:

    O PS de Sócrates, Luís Amado e outros nunca aprovaria estas palavras «sacrílegas»!

«What do they think as we test out our latest weapons on them, just as the Germans tested out new medicine and new tortures in the concentration camps of Europe?»

«This way of settling differences is not just».

«A nation that continues year after year to spend more money on military defense than on programs of social uplift is approaching spiritual death».

In Martin Luther King - "Beyond Vietnam - A Time to Break Silence"

                                                                   

adaptado de um e-mail enviado pelo Jorge

                                                                   


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Segunda-feira, 27 de Julho de 2009
O espectro continua a andar por aí

    «Como anotavam as primeiras palavras do Manifesto, "andava pela Europa o espectro do comunismo". Ao longo do século e meio decorrido, continuou a "andar", agora pelo mundo, o mesmo espectro, a que as forças do capital chamaram "o perigo comunista". E, ao findar o século XX, ao mesmo tempo que proclamam que "o comunismo morreu", as campanhas violentas, constantes, universais, que lançam contra ele, mostram que não morreu mas está vivo e para viver.»

Esta frase foi escrita por Álvaro Cunhal, em 1 de Fevereiro de 1998, nas páginas deste jornal. Pelos vistos o «espectro» continua a andar por aí. Talvez seja oportuno recordar aqui e agora alguns factos históricos.

O fenómeno do nazi-fascismo foi, antes de mais, um acontecimento social e político relacionado com a crise profunda das sociedades que ele serviu. Na atmosfera político-social da Europa Ocidental (e não só) dos anos vinte e trinta do século XX, tornou-se possível a conquista do Poder em vários países pelos fascistas. O capital financeiro e industrial aspirava a colocar no primeiro plano um sistema que o ajudasse a unir e subjugar as grandes massas de cidadãos. Se possível a estupidificá-las e fanatizá-las.

É sabido que as ideologias racistas satisfazem sempre uma determinada «encomenda» social. É igualmente verdadeiro que quando o grande capital necessita de uma determinada política, sempre aparece um político que corresponde às exigências do momento.

Nos anos 20 e 30 do século passado a encomenda social da reacção era clara: criação duma organização de massas que pudesse combater a sempre crescente influência das ideias do socialismo. O anti-sovietismo e o anticomunismo, a luta contra a intelectualidade de esquerda e dum modo geral contra as camadas progressistas da sociedade, eram a senha das facções mais reaccionárias das sociedades capitalistas de então.

No início da década de trinta surgiu a nada santíssima trindade nacional-socialismo-militarismo-imperialismo, de que falava o principal acusador americano em Nuremberga, o general Taylor.

O resultado é conhecido. Ascensão ao poder numa série de países dos nazi-fascistas, defensores de uma sociedade de exploração, de superioridade racial, de extermínio físico de povos e raças inteiros, de repressão e opressão. A política da «solução final» não abrangeu apenas os judeus. Alargou-se aos ciganos e aos eslavos. Em apenas 3 anos (1941-43) 1/3 da população masculina da Bielo-Rússia foi aniquilada.

Sejam quais forem as tentativas de negar e subverter a verdade, a vitória sobre o nazi-fascismo ficará para sempre gravada na História como um feito para o qual o povo soviético e os comunistas na Europa e em todo o mundo deram a mais heróica e decisiva contribuição.

Foram os comunistas que tiveram o triste privilégio de inaugurar os campos de concentração hitlerianos e de neles serem literalmente quase exterminados. Aí morreram mais de 4 milhões de cidadãos soviéticos. Nos países ocupados pela Alemanha e pelo Japão desempenharam um papel essencial, muitas vezes decisivo, na condução da Resistência. De 1940 a 1944, setenta e cinco mil comunistas franceses morreram torturados, fuzilados ou em luta directa com o ocupante. A história repetiu-se em Itália, na Checoslováquia, na Polónia, na Albânia, na Jugoslávia (um milhão de mortos), na Hungria, na Bulgária, nas repúblicas Bálticas. Na China, no Vietname, nas Filipinas, etc., etc., etc.

A Alemanha perdeu na sua guerra contra a URSS o correspondente a ¾ das suas baixas totais. Na frente soviética o exército japonês perdeu cerca de 677 000 homens (na sua maioria prisioneiros). Morreram, recorde-se, em todos os cenários da II Guerra, 250 000 norte americanos, 600 000 ingleses, 25 milhões de soviéticos (três milhões dos quais membros do Partido Comunista).

Não fosse o sangue derramado pelos comunistas e seus aliados na luta pela liberdade e pela democracia e o mundo tal como o conhecemos não existiria. Pensem nisto.

Especialista em Sistemas de Comunicação e Informação

                                                                                                                                                                       

In jornal "Público" - Edição de 24 de Julho de 2009

                                                                                        


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Domingo, 19 de Julho de 2009
Comunismo=fascismo/nazismo

Teses da ideologia dominante

 


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