TERRAS DE PENALVA ONDE «A LIBERDADE É A COMPREENSÃO DA NECESSIDADE»

Domingo, 6 de Novembro de 2016
Instrumento de reforço do Partido

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No distrito de Viseu, pode dizer-se que a campanha de difusão do Avante! começou mais cedo.

Em 2015, na Assembleia da Organização Regional do Partido, contava-se entre as decisões assumidas o aumento de 50 por cento no número de jornais vendidos no distrito e a criação de novos pontos de distribuição do Avante! em mais concelhos e freguesias.

Hoje, estes objectivos estão prestes a ser concretizados, confessou ao Avante! João Abreu, responsável pela organização partidária no distrito de Viseu e membro do Comité Central.

 

Nos últimos meses, o Avante! passou a chegar a concelhos e freguesia onde nunca antes chegara ou onde há muito não chegava: a Penalva do Castelo, a Carregal do Sal, a Canas de Senhorim, Nelas, Santiago de Besteiros e ainda na última semana passou a ser enviado para Moimenta da Beira. Na calha, adianta o responsável, pode estar a criação de novos pontos de distribuição da imprensa do Partido em Mangualde, Tondela, Cinfães e Armamar. A Viseu e Lamego há muito que o Avante! já chega, acrescentou João Abreu.

(...)

Mas é o papel que o Avante! desempenha na formação política, ideológica e cultural dos militantes do Partido e no fortalecimento da coesão e unidade internas que o membro do Comité Central mais realça, até tendo em conta a realidade da organização regional, onde 60 por cento dos militantes foram recrutados na última década. Este peso impressionante de «novos» militantes se por um lado foi decisivo para a renovação dos organismos e organizações do Partido no distrito de Viseu – e em alguns casos inclusivamente para o seu ressurgimento –, ele significa, por outro, a relativa impreparação política e ideológica de muitos militantes e quadros.

Como adiantou João Abreu, o aumento da difusão do Avante! integra-se num movimento de reforço da organização do PCP no distrito de Viseu, mas também de alargamento da sua influência entre os trabalhadores e as populações. Nos últimos meses, para não recuar mais, os militantes e organizações do Partido têm dedicado uma especial atenção aos problemas regionais e locais, sobre os quais tomam posição pública, apontam soluções e estimulam a organização e protesto populares. O prestígio do Partido é hoje considerável, valoriza o responsável, para quem há ainda muito a fazer para colmatar as debilidades ideológicas que ainda persistem em muitos militantes do Partido e o Avante! «é fundamental para isso», conclui.

 


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Domingo, 18 de Setembro de 2016
Terramotos, guerras e prioridades

 

Quem observasse a expressão compungida do primeiro-ministro italiano, Matteo Renzi, durante as visitas aos escombros do recente terramoto em Itália e nos funerais das vítimas poderia antever um enorme esforço do governo de Roma para amenizar os efeitos de uma tão terrível catástrofe nacional. O momento é muito grave, pelo que grave era também o rosto de Renzi, modestamente perdido entre os que assistiam às exéquias. Havia que esperar resposta a contento.

É certo que são muitos os que conhecem os dotes teatrais deste enfant terrible da moderna política, que aliás os vem exportando com notável habilidade para as estruturas europeias, o que se percebe pelas performances, com inebriante perfume atlantista, da alta representante para a política externa da União, Federica Mogherini. Expoentes como são dessa mistela política que dá pelo nome de «Partido Democrático» e serviu para extinguir os Partidos Socialista e Comunista da cena política italiana ainda mais americanizada, os seus comportamentos merecem atenção; no entanto, a situação decorrente do terramoto é tão dramática que seria de admitir um certo pudor humanista por parte de tão proeminentes responsáveis.

Em breve começaram a chover notícias sobre os milhões para as vítimas do terramoto e a reconstrução das zonas habitacionais afectadas. A citação de milhões, porém, às vezes tem o seu quê de traiçoeira, pode dar a sensação de zelo, empenho e grandes quantias, as quais, afinal, talvez não signifiquem o suficiente perante as necessidades e correspondam até a investimentos ínfimos quando comparados com despesas alocadas, por exemplo, a rubricas causadoras de outra espécie de terramotos, com são as da guerra e das invasões militares.

Ficámos a saber que o governo italiano desviou para socorro aos efeitos do terramoto o jackpot do Totoloto nacional, cerca de 130 milhões de euros; além disso, o governo comprometeu-se com mais 50 milhões, a que se juntam 10 milhões da chamada «solidariedade por SMS» – que além de gratificar os destinatários se somará também ao contínuo jackpot dos operadores de telecomunicações. Arredondando: 200 milhões.

Ao comum dos mortais que em Portugal e em Itália, como noutros lados, convive com as parcelas niveladas pela austeridade, 200 milhões de euros parecem uma fartura; mas sê-lo-ão sabendo que a Itália gasta cem vezes mais por ano – vinte mil milhões de euros – na contribuição para a NATO e suas guerras?

Quer isto dizer que a Itália de Renzi contribui com 55 milhões de euros por dia para a NATO, mais cinco milhões do que a verba total reservada pelo próprio governo para acudir às consequências do terramoto. Aliás, a soma das verbas recolhidas para responder à catástrofe – 200 milhões – é inferior ao valor que a Itália desvia para a NATO em menos de quatro dias.

Lendo a imprensa italiana nestes tempos percebe-se também a abundância de críticas relacionadas com a tradicional falta de fundos para responder às catástrofes naturais, a inexistência de planos de protecção civil a longo prazo, a ineficácia do processo para dotar o país com construções antissísmicas. Além da falta de efectivos, de meios e dos baixos salários dos bombeiros profissionais. Uma tragédia recorrente em cima da catástrofe pontual.

Entretanto, antes do terramoto, durante o terramoto e depois dele continuam a sair de Pisa aviões militares de transporte C-130 carregados de armas e abastecimentos para as forças especiais italianas e da NATO exportadas para cenários de guerra, entre eles o da destruição do país que se chamava Líbia. Não existem números públicos associados às despesas destas operações, uma vez que elas são secretas: dependem apenas do primeiro-ministro Renzi, à revelia do Parlamento e respectivas comissões. Ficamos apenas a saber que a verba de 20 mil milhões anuais de Itália para a NATO em 2016 – mais 2300 milhões do que em 2015, num país arrasado pela austeridade e as «reformas estruturais» – deve ser avaliada por baixo.

Não sejamos, contudo, cépticos perante as atribulações desta história, que poderá acabar bem. Tudo isto porque o primeiro-ministro Renzi garantiu, com ar menos compungido, mas ainda assim sério, sem se rir, que todo o processo de reconstrução e de combate aos efeitos do recente terramoto em Itália será conduzido «com a maior transparência».

(sublinhados meus)

AQUI

 


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Quinta-feira, 8 de Setembro de 2016
O imperialismo por toda a parte enfrenta a resistência e a luta dos trabalhadores e dos povos

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«Desde as primeiras horas do dia, milhares de pessoas concentram-se nas ruas da capital venezuelana, em defesa da paz e da Revolução Bolivariana, e para dizer «não aos golpistas».»

 

«Beneficiando dos seus justamente intocáveis direitos e garantias, a imprensa internacional lá estará – muita exibindo o músculo da manipulação, renunciando sem pudor a qualquer compromisso sério com a verdade e o equilíbrio informativo

 

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«Além de São Paulo, também o Rio de Janeiro, Salvador e Curitiba foram palco, ontem, de manifestações em que se denunciou o golpe de Estado, se exigiu a renúncia do presidente Michel Temer e a realização de eleições gerais.»

 

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«Entre 200 e 300 milhões de trabalhadores aderiram, sexta-feira, à greve geral convocada por dez sindicatos na Índia. Em causa estão os planos governamentais de privatizar sectores estratégicos da economia, bem como a exigência de melhores salários e pensões.»

 


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Segunda-feira, 15 de Fevereiro de 2016
Para trás de nós não ficou apenas o PCUS

Estátua Vera Mukhina3

 

Tudo o que foi dito não é, naturalmente, mais um «bota-abaixo» do socialismo, do PCUS, etc.

Mas também é excessiva a presunção política, a certeza de que supostamente não foi a estrutura socialista que sofreu um fiasco mas, sim os diversos desvios no seu seio e as pessoas que protagonizaram esses desvios.

Seguramente que hoje isto também está fora de propósito.

São precisamente esses desvios que estão hoje na crista da onda, quanto ao socialismo como tal nem vê-lo.

Isto aconteceu porque os desviacionistas, e juntamente com eles o inimigo externo, infiltraram-se através de fissuras reais, fracturas e pontos de ruptura abertos no desenvolvimento socialista, em resultado da não resolução ao longo de muito tempo de contradições internas objectivas do regime socialista.

 


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Segunda-feira, 25 de Janeiro de 2016
Exposição: «Ricos, Pobres e Indignados»

ACERT Ricos Pobres Indignados

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Domingo, 20 de Dezembro de 2015
Ele há despedimentos e despedimentos...

Despedimentos

AQUI dia 18 de Dezembro de 2015

 


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Segunda-feira, 29 de Junho de 2015
Nova lei da rolha

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A discriminação e o silenciamento, como temos vindo a denunciar, são a norma com que a imprensa tem tratado o PCP e a CDU. O período de campanha eleitoral, enquadrado em lei, era até hoje excepção. A recente aprovação do projecto-de-lei que revoga o quadro legal que vigora, substituindo-o por um novo regime jurídico que pretende regular a cobertura jornalística em período eleitoral, vem alterar substancialmente esta realidade. PS, PSD e CDS, promotores do novo regime jurídico, dão assim corpo a uma ambicionada pretensão dos grupos económicos detentores dos principais órgãos de comunicação social e asseguram, em benefício próprio, a «legitimação» para um afunilamento e empobrecimento da pluralidade na vida política.

 


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Sábado, 9 de Maio de 2015
Pelo direito à informação. Não à discriminação e ao silenciamento

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1. O PCP alerta e denuncia as iniciativas em desenvolvimento para estabelecer a confusão entre a liberdade de imprensa e a total discricionaridade na cobertura jornalística das campanhas eleitorais e introduzir alterações legislativas que possam justificar a violação de princípios de pluralismo e não discriminação político-eleitorais. Este processo, a pretexto do caminho desbravado por PS, PSD e CDS, com o acordo a que tinham chegado sobre a cobertura jornalística das eleições, contra a qual o PCP se pronunciou, e cujos problemas não se limitaram à norma que foi mais mediatizada e criticada, o chamado plano prévio de cobertura, não só não parou, como assume particular gravidade para o regime democrático. Um processo que visa um domínio ainda maior de posições e protagonistas políticos do PS, PSD e CDS-PP no espaço mediático.

PCP sublinha que o regime jurídico em vigor reúne os elementos e disposições necessárias ao enquadramento da cobertura jornalística de campanhas eleitorais. É certo que nem sempre conseguindo prevenir entorses e incumprimentos, como se pode constatar em muitas das coberturas noticiosas e que têm sido objecto de fundamentados protestos, designadamente do PCP, sobre silenciamentos ou discriminações ocorridas. Mas também é verdade que as múltiplas tentativas e práticas de discriminação e tratamento desigual colidem com o regime legal que, por si só, contém instrumentos que a serem melhor efectivados podem não só funcionar como instância de recurso, como contribuir para a aplicação dos princípios de respeito pelo direito à informação e esclarecimento.

Sem prejuízo de correcções ou precisões que a própria evolução do quadro mediático podem justificar, o que importa sublinhar é que a legislação em vigor tem vindo a permitir regular a matéria em questão. Ao contrário do que tem sido alimentado, é falso que a legislação obrigue a tratar igual o que não é igual; o que a lei obriga, e não pode prescindir disso, é que a iniciativas ou matérias de relevância idêntica seja dado idêntico tratamento. Ao contrário do que se afirma, a legislação em vigor não anula o exercício de critérios editoriais; o que garante, e não pode deixar de garantir, é que em nome desses critérios não se subordine ou anule o direito dos cidadãos eleitores a serem informados, e não se legitime o favorecimento ou discriminação desta ou daquela força política em função dos interesses em presença. Ao contrário do que se afirma, a actual legislação não ataca a liberdade de imprensa; o que assegura é que essa liberdade não seja pretexto para discriminação e silenciamento de uns a favor da promoção e projecção de outros. Ao contrário do que se diz, a actual legislação não limita o direito de informar; o que assegura, e não pode deixar de assegurar, é que em nome de alegadas disputas de audiências concebidas a partir de grelhas de promoção artificial de uma ou outra candidatura, não se condicionem deliberadamente as opções eleitorais que livremente cada cidadão tem o direito de assumir. Para o PCP, e também para a própria Lei, a liberdade de informação, não pode nem deve ser confundida com a liberdade de silenciar e discriminar, designadamente aqueles que se opõem consequentemente ao rumo de desastre nacional que está em curso. Nesta consideração, para o PCP, independentemente de apreciações críticas que justamente tem formulado, não está em causa a apreciação de opções, atitudes ou condutas de editores mas sim a existência de regras que sirvam para salvaguardar princípios democráticos fundamentais face a práticas que os ponham em causa.

2. As declarações do Presidente da República Cavaco Silva, carregadas de rancor e intolerância para o que o 25 de Abril representou e representa, evidenciam que o que alguns aspiram é, também neste domínio, atacar e destruir valores democráticos, como os da pluralidade e igualdade. Tais declarações revelam em toda a sua amplitude que, em nome da liberdade de imprensa, o que está em preparação é um dos mais severos ataques ao regime democrático.

Como ainda recentemente as eleições regionais da Madeira evidenciaram, com a ostensiva e ilegítima operação de promoção das candidaturas do PS, do PSD e do CDS, e, sobretudo com a exclusão da CDU, dos debates e entrevistas promovidos pelos canais públicos de rádio e televisão em período eleitoral, percebem-se as reais consequências que resultariam da ambicionada rasura de princípios de igualdade, imparcialidade e isenção que deve presidir à realização de actos eleitorais. São estes princípios que a defesa do regime democrático exige que sejam preservados, num quadro de compatibilização entre o direito à opinião e liberdade de edição, com o dever principal de informar com rigor e objectividade, assegurar a igualdade de tratamento e de não discriminação em que se devem basear eleições livres e democráticas.

3. Para o PCP, a questão decisiva que se coloca no plano da cobertura pela comunicação social para os próximos actos eleitorais, bem como para o conjunto da actividade política na vida nacional, passa por impedir a concretização dos objectivos desta ofensiva e pela garantia de uma cobertura informativa plural destas eleições, e não comprometida com os grandes interesses – o que, entre outros aspectos, implica assegurar: o reforço do papel do serviço público de rádio e televisão garantindo a sua desgovernamentalização; o respeito pelos direitos e o trabalho dos jornalistas e demais profissionais; o reforço da capacidade de intervenção da Comissão Nacional de Eleições, mas também da Entidade Reguladora para a Comunicação Social no seu papel de garantir o pluralismo, a isenção, o rigor e o direito à liberdade de informação. A questão que se coloca é assegurar um papel da comunicação social como uma importante peça na vida democrática no nosso País.

(sublinhados meus)

 


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publicado por António Vilarigues às 07:52
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Segunda-feira, 16 de Fevereiro de 2015
Viseu assinalou o 84° aniversário do jornal «Avante!»

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Um dia para celebrar 84 anos do «Avante!», dar a conhecer momentos importantes da história do PCP, da história do país

 


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publicado por António Vilarigues às 16:20
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Terça-feira, 10 de Fevereiro de 2015
Viseu vai comemorar 84º Aniversário do «Avante!» com Utilização de Prelo Clandestino

Dias Coelho

Num momento em que se discute acaloradamente a liberdade de imprensa e o papel da comunicação social no rescaldo do ataque terrorista ao Charlie Hebdo, assinalar o 84º aniversário do «Avante!», “o jornal que nunca foi à censura”, é afirmar o lado consequente da imprensa de combate e o seu papel na defesa dos direitos dos trabalhadores e dos povos.

Lembrar o papel e importância do Jornal «Avante!» através dos tempos é, pois, o objectivo da Comissão Concelhia de Viseu do PCP,  que programou para dia 14 de Fevereiro, véspera do 84º aniversário do Jornal, um conjunto de iniciativas.

Assim, pelas 10,30 horas de dia 14, no Rossio, vai estar presente um herói das tipografias clandestinas do PCP, acompanhado do seu Prelo. Quem passar pelo local, pode assistir ao vivo ao modo como era composto e impresso o «Avante!» clandestino e levar consigo um exemplar em papel Bíblia. Para os que pretenderem adquirir o Avante comemorativo do 84º Aniversário, funcionará no local uma banca animada pelos “ardinas” da Comissão Concelhia do PCP.

Pelas 14,30 horas, Domingos Mealha, redactor do «Avante!» é o convidado para o Colóquio na sede do PCP, na Rua 21 de Agosto, Bloco 5B, 2ºA, aberto à participação de todos os interessados. O tema proposto é: A Importância Histórica do Jornal «Avante!» na Luta pela Democracia e as Transformações Sociais”.

Prelo clandestino

PEQUENA NOTA HISTÓRICA DO JORNAL «AVANTE!»

Foi no dia 15 de Fevereiro de 1931 que o «Avante!» se publicou pela primeira vez, com um apelo "Ao Proletariado de Portugal", "chamando os que sofrem a incorporarem-se nas fileiras revolucionárias". Nesta altura, já o Partido Comunista Português, de que passou a ser o órgão central, se encontrava na clandestinidade, após o golpe reaccionário de 1926. Durante dez anos, a saída do jornal foi irregular, reflectindo as grandes dificuldades impostas pela repressão. A partir de 1941, porém, o «Avante!» passou a ser editado com regularidade, pelo menos uma vez por mês. Reorganizado o Partido, o «Avante!» resiste melhor às investidas da polícia fascista e, apesar dos assaltos às tipografias, das prisões, torturas e mesmo assassinatos de alguns dos militantes que participavam na sua feitura - sempre no interior do País -, a voz do PCP chegou regularmente aos trabalhadores e aos antifascistas.

A Revolução de Abril, para a qual tanto contribuiu organizando a resistência, a luta e a unidade, abriu ao «Avante!» as portas da legalidade. Em 17 de Maio de 1974, o primeiro «Avante!» em liberdade anuncia a participação dos comunistas no Governo Provisório. Semanário a partir de então, o «Avante!» reflectiu nas suas páginas uma outra realidade - a de uma revolução democrática e nacional em movimento, as lutas com que os trabalhadores e o povo fizeram as suas conquistas.

Prelo impressão

A realidade mudou desde então. E o «Avante!» não deixou, como sempre, de a mostrar com verdade. Não apenas reflectindo a vida mas transportando em si a voz do Partido e ajudando a transformá-la, levando aos seus leitores o ponto de vista dos comunistas, os seus ideais de liberdade e de democracia, as perspectivas da construção do socialismo e do comunismo. Aniversário é momento para recordar o tempo que passou, mas também de olhar o futuro e de o preparar, afirmando a necessidade de uma alternativa política, patriótica e de esquerda.

 


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Quarta-feira, 16 de Julho de 2014
Será verdade?

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Na págª 22 da edição da passada quinta-feira, dia 10 de Julho, do jornal «Correio da Manhã», deu à estampa esta notícia (?), informação (?), comentário (?), creio que da responsabilidade de Miguel Alexandre Ganhão, sub-chefe de redação do referido diário.

Lê-se e não se acredita! Esperei, esperei, esperei. Pesquisei, pesquisei, pesquisei. Nada. Nicles. Nepias. Zero. Nem uma palavra sobre o assunto.

Então o senhor Governador do Banco de Portugal, Carlos Costa de seu nome, comporta-se (de acordo com o texto acima) como um autêntico O Padrinho e a comunicação social dominante cala-se?

Ou os referidos «dossiês comprometedores» existem, ou são fruto da imaginação do jornalista (o que não é crível). Se existem, e continham matéria susceptível de «dar origem a uma série de investigações», qual a razão para o comportamento de chantagista (não encontro melhor termo) de Carlos Costa? Porque não avançaram as investigações a Ricardo Salgado? Porque...

Como cidadão exijo saber toda a verdade...

E, em sensacional exclusivo de «O CASTENDO», veja como tudo isto termina:

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Terça-feira, 20 de Novembro de 2012
A União Soviética e o processo revolucionário em Portugal depois do 25 de Abril

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Sexta-feira, 16 de Novembro de 2012
A União Soviética e o colonialismo português

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Sexta-feira, 2 de Novembro de 2012
A revolução russa de 1917 e o seu impacto em Portugal

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Terça-feira, 12 de Junho de 2012
Conferências Seara Nova: Comunicação Social e Poder

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Sexta-feira, 23 de Julho de 2010
Artigo 38.º: Livre, mas pouco

«O Estado assegura a liberdade e a independência dos órgãos de comunicação social

perante o poder político e o poder económico.»

in Constituição da República Portuguesa.

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Que os órgãos de comunicação social são independentes e plurais é algo que os seus patrões gostam de apregoar. Mas uma análise mais fina dos conteúdos das notícias, reportagens e comentários publicados ou transmitidos não permite tirar outra conclusão senão a de que, regra geral, aquilo que é publicado ou transmitido é o que melhor serve aos grandes grupos económicos e financeiros e à sua sanha de acumulação de lucro.

Um exemplo significativo disto que se acaba de afirmar ocorreu na semana passada. A Associação Portuguesa de Bancos publicou o seu relatório anual onde divulgava este dado tão espantoso quanto escandaloso – os impostos pagos pelo sector financeiro em 2009 foram inferiores em 40 por cento ao registado no ano anterior. Esta notícia, que à luz dos critérios jornalísticos tinha tudo para ser uma verdadeira «bomba» – com sonantes primeiras páginas, aberturas de telejornais e fóruns na televisão e rádio – não teve praticamente expressão nos principais órgãos de comunicação social. À excepção do jornal i, os restantes órgãos de informação censuraram este aspecto do relatório da APB.

Melhor sorte não teve o comunicado do Gabinete de Imprensa do PCP sobre este assunto, emitido no dia 6 (e tratado na página 9 desta edição do Avante!), que pouca visibilidade teve nos media nacionais...

Mas este não foi o único exemplo. No dia anterior, o PCP realizou uma conferência de imprensa sobre uma das questões mais candentes e actuais no País – a saúde, nomeadamente o aumento do preço dos medicamentos ou o encerramento de serviços. Na ocasião, um dirigente do Partido denunciou a política do Governo e os seus resultados desastrosos e apresentou propostas sustentadas para um novo rumo na política de saúde. Para além da Agência Lusa e da Rádio Renascença mais nenhum órgão de informação se referiu ao assunto, que tanto deu – e dá – que falar todos os dias.

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Calar uns, dar voz a outros

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O tratamento jornalístico dado ao Dia Nacional de Protesto e Luta, promovido pela CGTP-IN no dia 8 de Julho, revela também a natureza e opções de classe dos órgãos de comunicação social, pouco interessados em dar visibilidade à luta organizada contra a política de direita e por um novo rumo para o País. Nos dois principais jornais de referência, Diário de Notícias e Público, o assunto é remetido para os suplementos de Economia (significativamente chamado de Bolsas no caso do primeiro), sem qualquer chamada de primeira página.

O Público dá ao assunto poucas linhas de uma coluna dedicada à greve dos ferroviários realizada no mesmo dia 8 – e no âmbito da luta geral. A dimensão de massas do protesto e o seu carácter nacional, com dezenas de acções por todo o País, é algo que dificilmente se depreende ao ler as notícias.

Já o ridículo protesto do partido fascista PNR na praia do Tamariz, no concelho de Cascais, teve honras de primeiras páginas em alguns jornais, para além de uma considerável cobertura televisiva. Particularmente chocante é o facto de a RTP – canal público – ter amplificado o discurso xenófobo e racista deste partido, prestando desta forma um péssimo serviço à democracia. São estas as opções dos media dominantes...

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In Jornal «Avante!» - Edição de 15 de Julho de 2010

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Domingo, 30 de Maio de 2010
Artigo 38.º: Silêncios e preconceitos

«O Estado assegura a liberdade e a independência dos órgãos de comunicação social

perante o poder político e o poder económico.»

in Constituição da República Portuguesa.

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Na semana passada, muitos militantes e amigos do PCP devem ter ficado surpreendidos com a quantidade de notícias e comentários envolvendo o Partido, devido à apresentação da moção de censura. Mas desengane-se quem pensar que isto vai ser sempre assim e que tal cobertura representa uma mudança de atitude e critérios por parte da generalidade da comunicação social – ou melhor, de quem nela manda. Aliás, mal tinha terminado a discussão da moção de censura e já tudo parecia voltar à normalidade...

A cobertura noticiosa do 9.º Congresso da JCP, realizado no sábado e no domingo, é já um exemplo disto mesmo. Durante dois dias, mais de 500 delegados debateram aprofundadamente a situação da juventude portuguesa e aprovaram as propostas da JCP para a educação, para o emprego, para a habitação – em resumo, para o seu futuro. Tratou-se de uma grande realização do Partido e de uma iniciativa ímpar no quadro das organizações juvenis portuguesas.

Mas a TVI, a TSF e a imprensa escrita não deram qualquer atenção a este grande Congresso – certamente para melhor poder alimentar o preconceito em torno de um partido que afirmam (e desejam) envelhecido e sem qualquer poder de atracção para a juventude, para dar consistência à tese presidencial de uma juventude alheada da luta pelos seus direitos e aspirações... A força demonstrada no grande desfile de sábado à noite, com largas centenas de jovens, somada à que emanou do Congresso, eram, por si só, suficientes para derrubar qualquer uma destas teses. Mas também aí a estação de Queluz de Baixo não esteve lá para ver, acompanhada, nesta ausência, pela estação pública.

Como já tinha acontecido noutras tomadas de posição sobre o mesmo assunto, a sessão pública sobre «Nacionalizações e Democracia Económica», realizada no dia 18 em Setúbal, não mereceu qualquer cobertura informativa. Talvez como nenhuma outra, a proposta do PCP de afirmar o controlo público dos sectores estratégicos da economia – banca, energia, telecomunicações, transportes… – é totalmente silenciada, certamente porque para os centros de decisão do grande capital, com a influência que têm naquilo que é publicado ou difundido, é tema que não interessa.

Não é difícil de imaginar como seria complicado justificar as novas privatizações se fosse claro para todos que, por exemplo, e como disse Jerónimo de Sousa, a dívida pública tivesse passado de 57,8 para 77,2 por cento do PIB dezoito anos depois da primeira vaga de privatizações...

Entretanto, Marcelo Rebelo de Sousa, o comentador oficial da política de direita, fez a sua reentré televisiva, agora na TVI, e não encontrou melhor do que defender e justificar a política do Governo e atacar o Partido que mais intransigentemente a combate, o PCP. Mas à falta de motivos sérios, fê-lo recorrendo a questões laterais e provocatórias da entrevista de Jerónimo de Sousa à TSF e ao DN, no caso sobre futebol. A continuar assim (como sempre foi, aliás) espera-lhe certamente uma longa vida de comentador de televisão.

O livro de Carlos Brito, que ainda nem foi lançado, tem merecido parangonas em jornais e revistas e vários minutos de televisão. Não falando do facto de se atacar quem já cá não está para se defender, isto prova sobretudo uma coisa: que o rótulo de ex-comunista é uma via segura para as luzes da ribalta.

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In Jornal «Avante!» - Edição de 27 de Maio de 2010

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Sábado, 15 de Maio de 2010
Artigo 38.º: «Pluralidade» a uma só voz

«O Estado assegura a liberdade e a independência dos órgãos de comunicação social

perante o poder político e o poder económico.»

in Constituição da República Portuguesa.

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Gaba-se a generalidade da comunicação social da pluralidade de opiniões dos seus colaboradores, articulistas ou comentadores. Enquanto uns são oriundos do PS outros vêm do PSD, não faltando os quadros do banco X ou do grupo económico Y. E povoam as páginas dos jornais e os programas de rádio ou televisão, todos muito «frente a frente», uns «prós» e outros «contras»...

Mas uma análise mais atenta ao conteúdo do que escrevem ou dizem não permite falar em pluralidade e, na grande maioria dos casos, lá está a unanimidade acerca do que é estruturante – a continuidade e agravamento da política de direita. O tratamento do recente comunicado da Comissão Política do Comité Central, emitido no dia 4 de Maio, é disto um claro exemplo.

Aí, analisava-se profundamente a ofensiva especulativa contra a economia nacional, considerando-a um «inaceitável e criminoso processo de concentração e centralização capitalista operado em conjunto pelo grande capital transnacional e pelas maiores potências capitalistas mundiais». Sobre a situação na Grécia, afirmava-se estar em causa uma manobra para aumentar a exploração dos trabalhadores e dos povos.

Nesse comunicado, acusava-se ainda o PS e o PSD de assumirem uma «condenável atitude de capitulação» e de pretenderem dar «novos e mais gravosos passos na ofensiva contra os direitos dos trabalhadores e as condições de vida do povo». Ao mesmo tempo, garantia que há outro caminho, nomeadamente uma «forte afirmação da nossa soberania», o combate à especulação, a aposta no aparelho produtivo, a valorização dos salários e a dinamização do investimento público.

Tratando-se de temas actuais, todos os dias extensamente abordados, seria de esperar – pelos critérios apregoados e não por qualquer ingenuidade da nossa parte – que jornais, rádios e televisões (para além de vários articulistas ou comentadores) se referissem às análises expressas neste comunicado. Ora sucedeu precisamente o contrário: nem um artigo, nem um comentário, nada. E os media nacionais continuaram com a sua normal pluralidade...

Também a nota de imprensa do PCP dando conta da posição conjunta de 53 partidos comunistas e operários sobre os 65 anos da vitória sobre o nazi-fascismo na Segunda Guerra Mundial mereceu o chumbo da comunicação social dominante.

Como tem sido hábito, as formas de deturpação das propostas e análises do Partido vão muito para além do silenciamento. Uma dessas formas é o envio de jornalistas a iniciativas do PCP para recolher depoimentos sobre um tema previamente escolhido, sem qualquer relação com as questões aí abordadas.

Isto sucedeu na passada sexta-feira, quando os comunistas assinalavam os 65 anos da vitória sobre o nazi-fascismo; no sábado, na Assembleia da Organização Regional de Braga do Partido, que abordou a difícil situação social daquela região; ou na segunda-feira, no debate sobre a Estratégia UE 2020 que reuniu em Lisboa deputados de vários países... Já na sessão pública sobre os 120 anos do 1.º de Maio, realizada semanas antes, sucedera o mesmo.

Em semana de Grande Entrevista com Jerónimo de Sousa, onde o dirigente do PCP abordou diversas questões relacionadas com a situação social e com a actualidade política, a RTP deu como certo, nos noticiários seguintes, o apoio do Partido a Manuel Alegre nas eleições presidenciais. Ou seja, dizendo precisamente aquilo que o Secretário-geral do PCP não disse!

(sublinhados meus)

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In Jornal «Avante!» - Edição de 13 de Maio de 2010

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Segunda-feira, 26 de Abril de 2010
Artigo 38.º: Calar o que não interessa que se saiba

«O Estado assegura a liberdade e a independência dos órgãos de comunicação social

perante o poder político e o poder económico.»

in Constituição da República Portuguesa.

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Desde a publicação do último Artigo 38.º que a comunicação social dominante foi «generosa» ao dar-nos motivos para preenchermos este espaço. O difícil é mesmo escolher.

Confrontado com a perspectiva de novos aumentos do preço dos combustíveis, o PCP tomou posição acerca deste assunto no dia 14, através de uma conferência de imprensa em que participou um membro da Comissão Política. E foi o primeiro partido a abordar este assunto, de inegável importância e com sérias implicações na vida dos portugueses. Apesar disto, nos jornais do dia seguinte, nem uma linha!

Este silenciamento foi ainda mais amplo quando o PCP tomou posição acerca das «ajudas» financeiras à Grécia, afirmando estar-se perante «não uma política de solidariedade para com a Grécia, mas um apoio ao grande capital». Nenhum órgão de comunicação social «pegou» nesta posição, ao passo que outras forças políticas tiveram a oportunidade de dizer de sua justiça...

No que respeita ao silenciamento do PCP, a RTP, com as responsabilidades acrescidas que lhe cabem como estação pública de televisão, ocupa um lugar destacado. Apesar de a RTP/Açores ter acompanhado os trabalhos do Congresso Regional do Partido (realizado no fim-de-semana e que contou com a presença de Jerónimo de Sousa), este não existiu nos noticiários nacionais da estação. Nem do telejornal de domingo nem no noticiário das 22 horas do Canal 2. Nem tão-pouco na RTPN ou no Jornal da Tarde do dia seguinte. Já ao Congresso do PS/Açores esta exclusão não se aplicou, tendo tido uma apreciável cobertura noticiosa nos vários canais da RTP.

Na semana anterior, a visita de Jerónimo de Sousa à Madeira também não teve qualquer repercussão nos noticiários nacionais da RTP, apesar da cobertura feita pela RTP Madeira. Ao contrário do que sucedeu com outros dirigentes partidários, a visita do Secretário-geral do PCP às duas regiões autónomas não teve qualquer cobertura nacional. Também o encontro entre os secretários-gerais do Partido Comunista Português e do Partido Comunista de Espanha, no dia 19, não existiu para a RTP.

O PCP enviou já um protesto à direcção da RTP em que denuncia estes três casos, considerando-os parte de um longo percurso marcado por critérios que, distantes das obrigações de serviço público, constituem um factor de condicionamento da opinião e vida democrática do País. Também outra estação de televisão, a SIC, conseguiu fazer a cobertura do debate quinzenal com o primeiro-ministro ignorando o PCP e as suas posições.

Mas não só de silenciamento é feita a discriminação do PCP na generalidade da comunicação social. O tratamento dado às conclusões da última reunião do Comité Central do PCP, realizada nos dias 10 e 11 de Abril, é disto exemplo. Ignorando por completo o diagnóstico à situação do País e o rico corpo de propostas aí reafirmado, os media limitaram-se a informar da decisão do PCP de apresentar um candidato próprio às próximas eleições. Curto, muito curto, em relação ao que ali se decidiu.

(sublinhados meus)

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In Jornal «Avante!» - Edição de 22 de Abril de 2010

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Domingo, 11 de Abril de 2010
Artigo 38.º: Silenciar e baralhar

«O Estado assegura a liberdade e a independência dos órgãos de comunicação social

perante o poder político e o poder económico.»

in Constituição da República Portuguesa.

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O silenciamento das propostas do PCP marcou mais uma vez a semana informativa. Quer quando se tratou de assuntos trazidos para a ordem do dia pelo Partido quer quando o tema, tratado por este, assumiu contornos de actualidade. Foi o caso da passagem à reforma de centenas de médicos desde o princípio do ano, que povoou os noticiários e debates de quinta-feira, dia 18.

Nada teríamos a apontar ao destaque dado a este importante assunto se as posições do Partido, expressas numa conferência de imprensa realizada na véspera, não tivessem sido totalmente apagadas. Nessa conferência de imprensa, que apenas a Agência Lusa tratou, sem nenhum seguimento de qualquer outro órgão, o dirigente do PCP Jorge Pires considerou estar-se perante uma ofensiva contra o Serviço Nacional de Saúde, através de uma «gestão ruinosa dos recursos humanos». Tudo para favorecer os poderosos grupos privados que operam no sector.

Na ocasião, foram também apresentadas as propostas essenciais do PCP para este sector, que tiveram o mesmo tratamento das análises – nenhum! Praticamente despercebido na comunicação social passou também a reunião nacional do PCP sobre as questões da saúde, realizada no último sábado, que analisou a situação do sector e onde foram apresentadas 10 medidas urgentes para a defesa do Serviço Nacional de Saúde.

No dia 23, Jerónimo de Sousa interveio numa audição sobre a precariedade, promovida no âmbito da campanha Com o PCP – Lutar contra as injustiças, Exigir uma vida melhor. Nessa iniciativa vieram relatos sobre as precárias condições em que trabalham um milhão e 400 mil pessoas no nosso País. Mas, e com a excepção da Antena 1, ninguém pegou nesta iniciativa e só quando a audição foi dada como encerrada é que os jornalistas abordaram Jerónimo de Sousa, em busca de um comentário seu a um qualquer assunto.

No dia 19, a Comissão Política do Comité Central do Partido emitiu uma nota acerca dos 35 anos das nacionalizações. Avaliando o seu significado histórico, o PCP destacou então que «trinta e cinco anos depois das nacionalizações de Abril um Sector Empresarial do Estado forte e dinâmico, ao serviço da democracia e do desenvolvimento, constitui factor imprescindível para responder aos problemas do País». Tal como sucedera semanas antes, aquando de semelhante iniciativa do Partido sobre a Reforma Agrária, o silenciamento foi total.

Mas nem só de silenciamento se faz a batalha mediática contra o PCP. No dia 29, o Diário de Notícias tratou as posições do PCP sobre o PEC, inserindo na peça uma referência desenvolvida sobre o posicionamento da associação Renovação Comunista. Numa carta dirigida à direcção do jornal, o PCP questiona esta opção, que «só pode ter como objectivo a criação de dúvidas e confusões entre os leitores do DN». Na missiva, os comunistas consideram «inaceitável que, no futuro, se possa voltar a repetir uma situação que fere princípios elementares de uma informação rigorosa e objectiva».

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In Jornal «Avante!» - Edição de 1 de Abril de 2010

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Sábado, 10 de Abril de 2010
Artigo 38.º: O aniversário que não aconteceu

«O Estado assegura a liberdade e a independência dos órgãos de comunicação social

perante o poder político e o poder económico.»

in Constituição da República Portuguesa.

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Oitenta e nove anos na vida de um partido político é algo de notável, sobretudo se se tiver em conta que 48 destes foram passados na mais rigorosa clandestinidade, com os seus militantes e dirigentes a terem de enfrentar perseguições, prisões e torturas. Por vezes assassinatos.

Apesar disto, as estações televisivas e as rádios nacionais não fizeram qualquer referência ao 89.º aniversário do PCP no dia em que se assinalava a efeméride – 6 de Março. Não tanto pelo que o PCP foi, mas pelo que é hoje e pela carga de futuro que a sua acção e as suas propostas transportam.

E nem precisavam de «inventar» matérias, pois o PCP realizou, nesse mesmo dia, um comício comemorativo, na Aula Magna, em Lisboa, ao qual compareceram mais de duas mil pessoas, fazendo desta a maior iniciativa partidária desse fim-de-semana. Nos noticiários desse dia, tal iniciativa simplesmente não aconteceu.

O breve registo de Jerónimo de Sousa sobre o PEC, recolhido por uma das estações de televisão, não compensa esse apagamento – sobretudo tendo em conta a intervenção realizada pelo Secretário-geral do PCP onde este abordou os principais problemas do País e do mundo, adiantou a análise do PCP sobre a actual situação política e apresentou um conjunto de propostas de ruptura e mudança para o País.

Aliás, está a tornar-se uma regra a falta de enquadramento e de contextualização das imagens que passam relativas às iniciativas do PCP. Nomeadamente a falta de informação sobre o local e o tipo de realizações, o que contribui para o esbatimento da visibilidade das iniciativas e realizações do Partido. Por vezes, os jornalistas dirigem-se às iniciativas apenas e só para recolherem depoimentos sobre o «assunto do dia».

Nos protestos enviados às direcções das estações televisivas, o PCP reclamou uma alteração de critériosde forma a que sejam garantidos os deveres de pluralismo e isenção a que estão obrigados. A começar, desde logo, pelos restantes comícios de aniversário do Partido. Um deles, realizado na Maia no dia 13, foi ignorado pelo Jornal de Notícias, um dos principais órgãos de informação no Norte do País. O mesmo que fez, aliás, no ano passado. Já o Público não comparece em qualquer iniciativa do PCP desde as eleições autárquicas.

Também a acção do PCP sobre o centésimo aniversário da proclamação do Dia Internacional da Mulher, no dia 8, foi completamente silenciada pela comunicação social – televisões, rádios e jornais. Predominou, assim, sem contraditório, a visão desse dia despido de todo o seu conteúdo reivindicativo e revolucionário. Sobram os convites para jantar seguido de uma ida ao cinema. Isto se os horários de trabalho e os salários aguentarem tal «luxo».

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In Jornal «Avante!» - Edição de 18 de Março de 2010

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Quinta-feira, 25 de Março de 2010
Alfredo Dinis, «Alex» (29 de Março de 1917 / 4 de Julho de 1945)

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Sexta-feira, 19 de Março de 2010
Honduras: Jornalistas assassinados

      Sem que o governo de facto das Honduras dê qualquer explicação ou tome uma posição pública, prossegue a onda de assassinatos perpetrados por grupos armados no país, os quais, aparentemente, actuam com total impunidade.

Na noite de domingo, na cidade de Tocoa, a vítima foi o director de notícias da estação local de televisão, Bahún Palacios Arteaga. Segundo informações divulgadas segunda-feira, o carro de Arteaga foi interceptado por dois outros veículos donde foram disparados 42 tiros. O jornalista teve morte imediata.

Três dias antes, em La Ceiba, também o jornalista David Meza foi abatido a tiro por desconhecidos, isto depois de ter recebido diversos telefonemas anónimos que o avisavam para «ter cuidado com os assuntos que cobria».

Já na segunda-feira, o Alto Comissariado para os Direitos Humanos da ONU recomendou que sejam levadas a cabo investigações sérias sobre as denúncias de violações dos direitos humanos no país – desaparecimentos e assassinatos, raptos e torturas, elevado número de detenções arbitrárias, repressão policial – e considerou que, desde o golpe de Estado de 28 de Junho, as liberdades e garantias não têm sido respeitadas nas Honduras.

(sublinhados meus)

In jornal «Avante!» - Edição de 18 de Março de 2010

                                                                                        


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Terça-feira, 2 de Março de 2010
Uma posição estranha...

     «Está de acordo em que, nas eleições gerais de Novembro de 2009, seja instalada uma quarta urna para decidir sobre a convocação de uma Assembleia Nacional Constituinte destinada a elaborar uma nova Constituição política?» 

Foi esta tentativa de consulta popular a 28 de Junho – sem força de lei sublinhe-se – apoiada pelas assinaturas de mais de quatrocentos mil cidadãos, que serviu de pretexto ao golpe de estado militar nas Honduras.

A partir daqui a actuação da comunicação social dominante ficará nos anais da história como o exemplo de mais uma página vergonhosa (a par da BBC em 1965 na Indonésia, da TV pública francesa em Timissoara na Roménia, ou da maioria da comunicação social australiana aquando da invasão de Timor Leste em 1975, para só citar estes).

Uma consulta sem força de lei foi transformada em referendo. O facto de, eventualmente, se realizar um refendo em Novembro para a formação de uma Assembleia Constituinte, foi metamorfoseado em pretensão de segundo mandato presidencial. Escamoteando que o refendo decorreria em simultâneo com a eleição presidencial, o que impossibilitava tal facto.

Mas o mote estava lançado, com CNN e BBC a difundirem para todo o mundo que o golpe era legal porque o referendo (que era consulta) era ilegal. Assunto encerrado e quanto menos se falar dele melhor. O bloqueio informativo, na feliz expressão do Presidente da Nicarágua Daniel Ortega, estava montado.

Um presidente violentamente sequestrado durante a madrugada por militares encapuzados, seguindo à letra as normas do Manual de Operações da CIA e da Escola das Américas para os esquadrões da morte. Agressões a embaixadores de estados soberanos. Uma carta de renúncia apócrifa divulgada a fim de enganar e desmobilizar a população (e que foi de imediato retransmitida para todo o mundo pela CNN sem confirmar previamente a veracidade da notícia). A reacção do povo que sai às ruas para deter os tanques e os veículos do Exército e exigir o retorno de Manuel Zelaya à presidência. O corte da energia eléctrica para impedir o funcionamento da rádio e da televisão e semear a confusão e o desânimo. A instalação pelos golpistas de um novo presidente: Roberto Micheletti.

A estes factos chamou a CNN uma «sucessão forçada»… 

Multidões nas ruas. Brutal repressão. Condenação unânime do golpe na Assembleia-geral da ONU e na reunião da Organização dos Estados Americanos (OEA). Silenciamento dos jornais, rádios e televisões. Tentativa de regresso às Honduras do presidente eleito acompanhado pelo Presidente da Assembleia-geral da ONU. Marcha pacífica de apoio. Repressão, prisões, mortos.  

Sobre tudo isto em Portugal, a comunicação social em geral e os jornais em particular, passaram como gato sobre brasas. Umas linhitas. Algumas fotografias (poucas). Nada de grandes títulos. Houve mesmo uma rádio nacional que em que o povo nas ruas foi reduzido a «alguns populares», a carga da tropa sobre cidadãos desarmados que provocou mortos apelidada de «confronto», os militares golpistas promovidos a «forças da ordem». 

Quanto aos comentadores e analistas de serviço, quase que não produziram comentários ou análises. 

Especialista em Sistemas de Comunicação e Informação

(sublinhados acrescentados em 2 de Março de 2010)

                                                                                                                                                                       

In jornal "Público" - Edição de 10 de Julho de 2009

                                                                                        

É esta realidade que Tomás Vasques (e não só) esquece, ou ignora, ou sobre a qual tem «uma posição estranha».

                                                                                                                                


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Segunda-feira, 13 de Julho de 2009
Um contributo da imprensa para o assassinato da democracia

    «Está de acordo em que, nas eleições gerais de Novembro de 2009, seja instalada uma quarta urna para decidir sobre a convocação de uma Assembleia Nacional Constituinte destinada a elaborar uma nova Constituição política?» 

Foi esta tentativa de consulta popular a 28 de Junho – sem força de lei sublinhe-se – apoiada pelas assinaturas de mais de quatrocentos mil cidadãos, que serviu de pretexto ao golpe de estado militar nas Honduras.

A partir daqui a actuação da comunicação social dominante ficará nos anais da história como o exemplo de mais uma página vergonhosa (a par da BBC em 1965 na Indonésia, da TV pública francesa em Timissoara na Roménia, ou da maioria da comunicação social australiana aquando da invasão de Timor Leste em 1975, para só citar estes).

Uma consulta sem força de lei foi transformada em referendo. O facto de, eventualmente, se realizar um refendo em Novembro para a formação de uma Assembleia Constituinte, foi metamorfoseado em pretensão de segundo mandato presidencial. Escamoteando que o refendo decorreria em simultâneo com a eleição presidencial, o que impossibilitava tal facto.

Mas o mote estava lançado, com CNN e BBC a difundirem para todo o mundo que o golpe era legal porque o referendo (que era consulta) era ilegal. Assunto encerrado e quanto menos se falar dele melhor. O bloqueio informativo, na feliz expressão do Presidente da Nicarágua Daniel Ortega, estava montado.

Um presidente violentamente sequestrado durante a madrugada por militares encapuzados, seguindo à letra as normas do Manual de Operações da CIA e da Escola das Américas para os esquadrões da morte. Agressões a embaixadores de estados soberanos. Uma carta de renúncia apócrifa divulgada a fim de enganar e desmobilizar a população (e que foi de imediato retransmitida para todo o mundo pela CNN sem confirmar previamente a veracidade da notícia). A reacção do povo que sai às ruas para deter os tanques e os veículos do Exército e exigir o retorno de Manuel Zelaya à presidência. O corte da energia eléctrica para impedir o funcionamento da rádio e da televisão e semear a confusão e o desânimo. A instalação pelos golpistas de um novo presidente: Roberto Micheletti.

A estes factos chamou a CNN uma «sucessão forçada»… 

Multidões nas ruas. Brutal repressão. Condenação unânime do golpe na Assembleia-geral da ONU e na reunião da Organização dos Estados Americanos (OEA). Silenciamento dos jornais, rádios e televisões. Tentativa de regresso às Honduras do presidente eleito acompanhado pelo Presidente da Assembleia-geral da ONU. Marcha pacífica de apoio. Repressão, prisões, mortos.  

Sobre tudo isto em Portugal, a comunicação social em geral e os jornais em particular, passaram como gato sobre brasas. Umas linhitas. Algumas fotografias (poucas). Nada de grandes títulos. Houve mesmo uma rádio nacional que em que o povo nas ruas foi reduzido a «alguns populares», a carga da tropa sobre cidadãos desarmados que provocou mortos apelidada de «confronto», os militares golpistas promovidos a «forças da ordem». 

Quanto aos comentadores e analistas de serviço, quase que não produziram comentários ou análises. 

Especialista em Sistemas de Comunicação e Informação 

                                                                                                                                                                       

In jornal "Público" - Edição de 10 de Julho de 2009

                                                                                        


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Quinta-feira, 28 de Agosto de 2008
Leitura Obrigatória (CII)

    Jornalismo e Sociedade (Fernando Correia)

[...] Uma coisa são as novas tecnologias e as suas extraordinárias potencialidades para o bem dos homens, outra coisa é o manto dissimulador e anestesiante de uma «era da informação» encarada como uma espécie de «desígnio global da humanidade», perante o qual todos os homens teriam a mesma situação e os mesmos interesses, mas que mal dissimula motivações e objectivos de natureza diversa -mercantil, política, ideológica, sem esquecer as estratégias pessoais e de grupo.[...]

                                                        

In Edições «Avante!»     

                                                                                                                                   


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Quinta-feira, 19 de Junho de 2008
Greve - O audiovisual público em plena efervescência

Audiovisual: ontem também houve greve em França...


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Quarta-feira, 18 de Junho de 2008
A notícia da greve sem notícia

    Desde 1978 que não se verificava uma greve de jornalistas no Reino Unido. Mas 30 anos depois aconteceu sob os auspícios do governo trabalhista liderado por Gordon Brown.
Os jornalistas da imprensa local de York paralisaram durante 5 dias, de 22 a 26 de Maio.

Na comunicação social portuguesa dominante o silêncio foi a palavra de ordem. Sobre a luta dos jornalistas britânicos por salários decentes e pela liberdade de imprensa nem uma referência aos acontecimentos.

                    
Os critérios «jornalísticos» em uso não parecem contemplar jornalistas em greve...

                                                                                                                                            


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Segunda-feira, 21 de Abril de 2008
É mesmo uma pipa de massa…

    Em Novembro de 2004, na «Resolução Política» do seu XVII Congresso, o PCP alertava para os perigos da bolha especulativa do imobiliário. Em jeito de prever e prevenir a situação actual escrevia-se, «No mercado imobiliário, cujos preços têm vindo a subir a níveis demasiado elevados, subsistem riscos de um ajustamento abrupto com consequências de expressão mundial.» Na altura quase ninguém leu. E os que leram comentaram: “lá estão eles com a conversa catastrofista do costume”.

Passados três anos desta previsão/prevenção dos comunistas portugueses, no verão de 2007, a crise do chamado subprime rebentava em todo o seu esplendor nos EUA. Logo de seguida estendeu-se a Inglaterra e ao resto do globo. Os mercados financeiros foram apanhados de surpresa.
Os analistas económicos, prisioneiros das cartilhas neo-liberais, foram incapazes de a prever. Como incapazes foram de analisar o seu desenrolar. A maioria subestimou os seus efeitos devastadores. Outros procuraram, e conseguiram, esconder as suas causas, mas sobretudo as consequências. Nunca a censura (não há outro termo) na imprensa económica especializada (e não só), foi tão forte como nestes últimos nove meses. Ficará certamente para a história da comunicação social.
Subida dos juros. Falência das famílias. Casas penhoradas e famílias inteiras a viverem literalmente na rua. Cortejo de misérias. Bancos a anunciarem prejuízos de milhões e dezenas de milhões de euros. Reserva Federal dos EUA pela 1ª vez na sua história a abrir portas num domingo para permitir a compra de um banco por outro por tuta-e-meia. Títulos da dívida do tesouro americano, na posse da China e do Japão, a desvalorizarem-se a olhos vistos. A massa monetária em circulação no nosso planeta a ser quase 10 vezes superior ao PIB Mundial.
E, sobretudo, a injecção pelos grandes bancos centrais (Reserva Federal americana, Banco Central Europeu, Banco de Inglaterra, Banco do Japão) de centenas e centenas de milhões no sistema financeiro. Com o único objectivo de manter a economia de casino e a especulação a funcionarem. Sem pedir contas aos Conselhos de Administração dos bancos, todos eles actores principais desta crise financeira sem precedentes desde 1929.
Mil milhões de milhões de dólares diz o Fundo Monetário Internacional (FMI). Escreve-se 1 000 000 000 000. É um 1 seguido de doze zeros. Quase 5 vezes o PIB de um país como Portugal. Ou 3 apartamentos com 150 metros quadrados de área cheios de notas de 500€ até ao tecto.
Dava e sobrava para acabar com a fome e a pobreza em todo o mundo. E para erradicar de vez com doenças como a malária, a poliomielite, a varíola, ou a cólera.
E só a semana passada os governos dos países mais ricos, o chamado G7, se vieram armar em fortes, «exigindo» contas aos banqueiros. Mas só daqui a 100 dias. Isto depois de terem estado 9 meses a assobiar para o lado a ver em que é que paravam as modas.
A educação e o decoro impedem-me de escrever o que penso…

           

In "Jornal do Centro" - Edição de 18 de Abril de 2008

                       


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Domingo, 23 de Março de 2008
O monopólio mediática da Prisa

   « Na sociedade da globalização neoliberal, exige uma informação globalizada, de sentido único que informe de acordo os interesses dessa mesma sociedade. Os grandes grupos mediáticos assumem nesta sociedade uma importância vital. “Um dos mais alardeados baluartes pelo capitalismo é a sua liberdade de expressão”, mas verdade é que em grupos económicos como a Prisa, os jornalistas têm cada vez mais toda a liberdade de escrever o que o patrão pensa

               
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Relação de empresas do grupo PRISA
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Cabo:

Gran Vía Musical, Eventos, Canal Satélite Digital S.L., DTS, Distribuidora de TV Digital, S.A., Gestión de Derechos, Audiovisuales y Deportivos S.A., Audiovisual Sport, S.L., Euroleague, Marketing, S.L., Sociedad General de Cine, S.A., Sogepaq, Canal+ Investment Us Inc., StudioCanal Spain, S.L., Compañía Independiente de Televisión, S.L., Fox Kids España, S.L., Sogecable Fútbol, S.L., Cinemanía, S.L., Compañía Independiente de Noticias de Televisión, S.L. (CNN+)

Filmes patrocinados pela PRISA:

Los Otros, Abre los Ojos, Tesis, El Día de la Bestia, Lucia y el Sexo, Año Mariano, Secretos del corazón, Los amantes del circulo polar, El Barrio, La gran aventura de Mortadelo y Filemón, El espinazo del diablo, El Milagro de P. Tinto, Nadie conoce a nadie, 800 Balas, La caja 507, Los Lunes al Sol, Secretos del corazón

                  

PORTUGAL

                

Revistas:

Lux, Lux Deco, Lux Woman, Super Maxim, PC World, Computer World, Briefing, Casas de Portugal, Revista de Vinhos TVI;    

Televisão

TVI, RETI (Rede de Emissores de Televisão Independente);

Rádio:

Rádio Comercial, Rádio Clube Português, Cidade, Best RockFM, Romântica, Nacional, Mix;

Internet:        

Cotonete Internet (portal IOL, Portugal Diário, Mais Futebol, agênciafinanceira.com);

Recursos:          

Grupo NBP (principal produtor de telenovelas), Produção discográfica e de concertos, Empresas de outdoor – publicidade externa.

      

Nota: estes dados estão em constante mutação e não se incluem áreas de negócios não directamente ligadas com os média.

                
El País fabrica informação falsa, Carta do Secretário-geral da OEA
                                

sinto-me:

publicado por António Vilarigues às 13:41
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