TERRAS DE PENALVA ONDE «A LIBERDADE É A COMPREENSÃO DA NECESSIDADE»

Segunda-feira, 28 de Novembro de 2016
28 de Novembro de 1820 – Nasce Friedrich Engels

O filósofo e político Friedrich Engels nasceu em Barmen, na província prussiana do Reno, actual Alemanha.

Para além de autor de várias obras cuja característica principal é a elaboração das teorias do materialismo histórico, Engels foi, juntamente com Karl Marx, um dos fundadores do socialismo moderno, cuja teoria, embora elaborada por ambos, passou à história com o nome de marxismo.

Engels e Marx escreveram juntos o Manifesto Comunista (1848), um dos mais importantes documentos políticos da história da humanidade.

Aí demonstram que «a história da humanidade até os nossos dias é a história da luta de classes», que «os proletários nada têm a perder a não ser os seus grilhões», e lançam o apelo «Proletários de todos os países uni-vos!».

Após a morte de Marx, além de prosseguir a elaboração teórica Engels dá continuidade ao trabalho político que ambos haviam desenvolvido e completa o segundo e terceiro volumes de O Capital (1885 e 1894).

AQUI

 


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Quarta-feira, 28 de Setembro de 2016
28 de Setembro de 1864 – Nasce a 1.ª Internacional

Marx_and_Engels_at_Hague_Congress

«... A experiência do passado ensina-nos que são necessários laços fraternais entre os trabalhadores de diferentes países para se apoiarem mutuamente em todas as suas lutas pela libertação, e que o esquecimento disso será punido pela derrota comum de suas batalhas divididas».

Este excerto consta da mensagem inaugural da Associação Internacional dos Trabalhadores (AIT), posteriormente conhecida como 1.ª Internacional, apresentada por Karl Marx no Saint Martin's Hall, em Londres.

A criação da AIT culmina um processo de intensa luta política e crescente consciencialização dos trabalhadores na Europa, em que se inclui a publicação do Manifesto Comunista, em 1848, por Marx e Engels, onde a necessidade da união dos trabalhadores foi consagrada no famoso apelo: «Proletários de todos os países, uni-vos!».

Um lema que Marx repete 16 anos depois na capital britânica.

Divergências internas, sobretudo entre marxistas e anarquistas, a derrota da Comuna de Paris e a brutal repressão que se abateu sobre a classe operária ditaram a extinção da 1ª Internacional em 1876, mas a semente não morreu.

Após a morte de Marx (1883), Engels impulsiona a fundação da 2.ª Internacional, em 1889.

AQUI

 


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Sábado, 28 de Novembro de 2015
28 de Novembro de 1820 – Nasce Friedrich Engels

Friedrich_Engels.jpg

O filósofo e político Friedrich Engels nasceu em Barmen, na província prussiana do Reno, actual Alemanha.

Para além de autor de várias obras cuja característica principal é a elaboração das teorias do materialismo histórico, Engels foi, juntamente com Karl Marx, um dos fundadores do socialismo moderno, cuja teoria, embora elaborada por ambos, passou à história com o nome de marxismo.

Engels e Marx escreveram juntos o Manifesto Comunista (1848), um dos mais importantes documentos políticos da história da humanidade. Aí demonstram que «a história da humanidade até os nossos dias é a história da luta de classes», que «os proletários nada têm a perder a não ser os seus grilhões», e lançam o apelo «Proletários de todos os países uni-vos!».

Após a morte de Marx, além de prosseguir a elaboração teórica Engels dá continuidade ao trabalho político que ambos haviam desenvolvido e completa o segundo e terceiro volumes de O Capital (1885 e 1894).

 


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Quarta-feira, 15 de Julho de 2015
Marx sobre a dívida pública

Karl_Marx1.jpg

A dívida pública tornou-se uma das mais enérgicas alavancas da acumulação original. Como com o toque da varinha mágica, reveste o dinheiro improdutivo de poder procriador e transforma-o assim em capital, sem que, para tal, tivesse precisão de se expor às canseiras e riscos inseparáveis da sua aplicação industrial e mesmo usurária. Na realidade, os credores do Estado não dão nada, pois a soma emprestada é transformada em títulos de dívida públicos facilmente negociáveis que, nas mãos deles, continuam a funcionar totalmente como se fossem dinheiro sonante. Mas também – abstraindo da classe dos que desocupados vivem de rendimentos assim criados e da riqueza improvisada dos financeiros que fazem de mediador entre governo e nação, como também da dos arrendatários de impostos, mercadores, fabricantes privados, aos quais uma boa porção de cada empréstimo do Estado realiza o serviço de um capital caído do céu – a dívida do Estado impulsionou as sociedades por acções, o comércio com títulos negociáveis de toda a espécie, a agiotagem, numa palavra: o jogo da bolsa e a moderna bancocracia.

Karl Marx

Extracto de O Capital, Primeiro Volume, Livro I, Sétima Secção, 24.º Capítulo, A chamada acumulação original, Ed. Avante, Lisboa, 1997, tomo III, pp. (852-855)

 


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Sábado, 13 de Junho de 2015
UPP: O Capital de Marx e a financeirização da economia

UPP Marx

Clicar na imagem para ampliar

 


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Terça-feira, 19 de Maio de 2015
A luta entre o capital e o trabalho e os seus resultados

Karl_Marx1.jpg

«Os Sindicatos funcionam bem como centros de resistência contra as investidas do capital. Fracassam parcialmente por um uso não judicioso do seu poder. Fracassam geralmente por se limitarem a uma guerra de guerrilha contra os efeitos do sistema existente, em vez de simultaneamente o tentarem mudar, em vez de usarem as suas forças organizadas como uma alavanca para a emancipação final da classe operária, isto é, para a abolição última do sistema de salários.» Karl Marx

 


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Terça-feira, 21 de Abril de 2015
Terá o marxismo sido derrotado?

Marx Engels Lenine

«Pois bem. Os ataques ao marxismo são feitos numa ampla frente. Cada um de vós, seguramente, conhece estas invectivas numa ou noutra variante, por isso não vou ocupar tempo a referi-las em pormenor. Espero que todos compreendam também o objectivo destes ataques. Estamos em estado de guerra informativa-intelectual, a qual está longe de ter terminado, somos vítimas de uma agressão psicológica; o inimigo necessita de nos retirar das mãos precisamente a nossa arma intelectual, de uma forma durável, garantida, digamos.

Ao longo do último século, essa arma foi o marxismo-leninismo. Por conseguinte, se conseguissem obrigar-nos a reconhecer a inconsistência, a «não cientificidade» do marxismo, então teríamos simplesmente que capitular incondicionalmente na guerra informativa-intelectual: ou seja, concordar com o facto de que tudo o que foi construído ao longo de mais de 70 anos na União Soviética, não passou de construções na areia; lamentar a derrocada de tudo isto seria estúpido, e continuar a lutar com uma arma que à partida consideramos inútil, seria absurdo.»

 


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Segunda-feira, 5 de Janeiro de 2015
Sobre a autoridade

Friedrich_Engels.jpg

Engels distingue duas formas de autoridade: uma que submete os indivíduos nas sociedades onde há exploração do homem pelo homem, e outra que, implicando inevitavelmente «subordinação» à vontade de alguém, é imprescindível à vida em sociedade e ao trabalho colectivo. Como salienta Engels, «a organização social do futuro restringirá a autoridade até o limite estrito em que as condições da produção a tornam inevitável».

 


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Segunda-feira, 22 de Dezembro de 2014
Um salário justo por um dia de trabalho justo

Friedrich_Engels.jpg

Um salário justo para um dia de trabalho justo? Mas o que é um salário justo, e o que é um dia de trabalho justo? De que forma são determinados pelas leis, sob as quais a sociedade moderna existe e se desenvolve? Para responder a esta pergunta, não podemos apelar à ciência da moral ou ao direito e à equidade, nem mesmo a qualquer sentimento de humanidade, de justiça, ou até de caridade. O que é justo do ponto de vista da moral ou mesmo do direito, pode estar longe ser justo do ponto vista social. A justiça ou injustiça social só podem ser determinadas por uma única ciência: a ciência que lida com os factos materiais da produção e da distribuição – a ciência da economia política.

 


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Terça-feira, 15 de Abril de 2014
Actualidade do Manifesto Comunista

   Talvez com uma única excepção, burguesias arrogantes controlam os governos europeus. Os políticos que as representam são neoliberais, social-democratas domesticados, ou saudosistas do fascismo. Neste contexto histórico tão sombrio, ao reler o Manifesto Comunista, concluí que não perdeu actualidade.

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Sexta-feira, 25 de Janeiro de 2013
Manifesto do Partido Comunista
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Manifesto do Partido Comunista

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Comemorar 150 anos do Manifesto Comunista de Marx e Engels é falar de um documento que - pelas suas análises, o seu conteúdo ideológico, o objectivo e a possibilidade que aponta de construir uma sociedade nova - lançou e promoveu uma luta revolucionária de alcance universal: a luta dos comunistas, que marcou e determinou as principais realizações e conquistas de transformação social desde então até aos dias de hoje.

(...)

O Manifesto Comunista é um extraordinário libelo acusatório contra o capitalismo.
Não apenas indicando a situação da classe operária e das massas trabalhadoras: os salários injustos, o desemprego, o tempo e intensidade de trabalho, as discriminações e falta de direitos da mulher, o trabalho infantil, os problemas da habitação e da saúde, o alastramento da pobreza e da miséria. Não apenas apontando medidas necessárias de carácter imediato. Mas também desvendando a natureza e as leis do capitalismo e apontando a necessidade e possibilidade histórica de superá-lo.

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Álvaro Cunhal  

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Terça-feira, 8 de Janeiro de 2013
Leitura Obrigatória: «O Capital» Livro Terceiro

  «O Capital», Livro Terceiro, Tomo VI, Karl Marx 

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«No Livro Primeiro, foram investigados os fenómenos que o processo capitalista de produção, tomado por si, oferece como processo imediato de produção; aí abstraiu-se ainda de todas as influências secundárias sobre ele [operadas] por circunstâncias alheias. Mas este processo imediato de produção não esgota o curso de vida do capital. No mundo real, ele é complementado pelo processo de circulação, e este formou o objecto das investigações do Livro Segundo. Aí se mostrou — nomeadamente, na terceira secção, aquando da consideração do processo de circulação como [processo] da mediação do processo social de reprodução — que o processo capitalista de produção, considerado no [seu] todo, é unidade de processo de produção e de processo de circulação. Neste Livro Terceiro, aquilo de que se trata não pode ser de fazer reflexões gerais acerca dessa unidade. Trata-se antes, de encontrar e de expor as formas concretas que crescem a partir do processo de movimento do capital, considerado como [um] todo. No seu movimento real, os capitais enfrentam-se em formas concretas tais que para elas a figura do capital no processo imediato de produção, tal como a sua figura no processo de circulação, apenas aparecem como momentos particulares. As configurações do capital, tal como as desenvolvemos neste Livro, aproximam-se, portanto, progressivamente, da forma em que elas próprias ocorrem à superfície da sociedade, na acção dos diversos capitais uns sobre os outros, na concorrência e na consciência habitual dos próprios agentes da produção.»

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In Edições «Avante!»

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Terça-feira, 16 de Outubro de 2012
A introdução e difusão do marxismo em Portugal: Armando de Castro

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Sexta-feira, 12 de Outubro de 2012
A introdução e difusão do marxismo em Portugal: Bento de Jesus Caraça

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Publicado neste blog:

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Domingo, 30 de Setembro de 2012
Atenção: começa já amanhã

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Sexta-feira, 6 de Janeiro de 2012
A questão do horário de trabalho - A actualidade de Marx

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Na sequência do post anterior aconselha-se a leitura deste artigo de Américo Nunes:

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No VIII capítulo de O Capital – o dia de trabalho – Marx trata exaustivamente a questão da jornada de trabalho diário, a luta dos trabalhadores pela sua limitação, a evolução histórica dessa luta, e os seus resultados, até à reivindicação universal dos três 8x8X8 pela Associação Internacional dos Trabalhadores (AIT), em 1866. Oito horas de trabalho diário, oito para lazer, convívio familiar e cultura, e oito para dormir e descansar.

Tal como nas questões essenciais da sua análise da sociedade capitalista e da sua teoria económica, social e política, também nesta matéria a sua actualidade continua a ser impressionante. A leitura ou releitura deste capítulo da obra magna do grande filósofo é obrigatória para a compreensão total do significado das recentes propostas do governo de direita para o aumento de meia hora de trabalho diário, a criação dos bancos de horas e a eliminação de feriados.

Vejamos o que sobre o assunto afirma Marx em termos gerais, com o seu rigor científico e também com sua ironia acutilante:


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Terça-feira, 12 de Julho de 2011
Ler «O CAPITAL» aos 17 anos

Numa bem montada operação de marketing político ficámos todos a saber que o actual ministro das finanças, Vítor Gaspar de seu nome, leu «O Capital» de Karl Marx aos 17 anos de idade!!!. Nem mais.

Esta «notícia» tem duas vertentes a partir da qual pode ser comentada: a anedótica e a preocupante.

Anedótica, porque a obra «O Capital» é composta por 4 livros (se incluirmos as «Teorias sobre a mais-valia»), subdivididos em vários tomos. Tem um total de mais de 4 mil páginas. Em alguns capítulos pressupõe conhecimentos matemáticos profundos. Acresce que ainda não há uma edição integral em português. Portanto ler «O Capital» aos 17 anos só para rir!

Mas esta «notícia», editada em todas as televisões, revistas e jornais ditos de referência de Portugal, é preocupante. Ninguém nas redacções destes órgãos de comunicação social a pôs em causa, ou a comentou sequer. Estamos perante o copiar/colar puro e simples. Onde estão os jornalistas e o jornalismo deste país?

   

É verdade. Já quase me esquecia.

O problema de Marx é que Marx não é para ser lido. É para ser estudado...

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Segunda-feira, 13 de Junho de 2011
Um Presidente, Três sondagens, Duas falácias

    1. Nunca um Presidente da República (PR) no pós 25 de Abril de 1974 tinha ido tão longe. Em mais de 40 eleições foi a primeira vez que um supremo magistrado da nação apelou descaradamente ao voto numa determinada política. Fê-lo através de uma «mensagem ao País», no chamado «dia de reflexão». Fê-lo com base na insistência da escolha sobre «quem vai governar». Fê-lo promovendo os que se identificam com a direita dos interesses e os interesses da direita.

Mas o PR foi ainda mais longe. Afirmou, categórico, que os cidadãos que não fossem votar «não têm depois autoridade para criticar as políticas públicas». E acrescentou: «Só quem vota poderá legitimamente exigir o melhor do próximo Governo». Lê-se e não se acredita! De uma penada só exorbitou os poderes que a Constituição da República Portuguesa lhe confere. Constituição que, sublinhe-se, ele jurou cumprir e fazer cumprir.

Uma coisa, legítima, é combater a abstenção, apelando aos cidadãos para que exerçam o direito de votar. Outra bem diferente, ilegítima e inadmissível, é ameaçá-los de penalizações por exercerem um direito, que a lei lhes confere, o da abstenção.

Em ambos os casos, votem ou abstenham-se, os cidadãos têm o legítimo e pleno direito de ter opinião sobre a política que o futuro governo fará. E quanto a isso, por muito que lhe custe, o actual inquilino do Palácio de Belém nada pode fazer. Felizmente não tem esses poderes. Ninguém lhos conferiu. E, em democracia, ninguém lhos pode conferir.

O cidadão Aníbal Cavaco Silva, recorde-se, é um «homem do aparelho» do PPD/PSD. Dele disse um dos seus mais próximos colaboradores, Miguel Cadilhe, «Cavaco é como um eucalipto: provoca aridez à sua volta». Durante 18 anos dos 37 que leva a democracia em Portugal assumiu responsabilidades políticas. Dois anos como Ministro das Finanças. Dez como Primeiro-ministro (pós 25 de Abril de 1974 aquele com mais tempo em funções). Seis como Presidente da República. Tempo mais do que suficiente para que consideremos as suas afirmações como «infelizes» ou um simples «deslize»…

2. Três sondagens por dia durante a recente campanha eleitoral. Um fartote. Importa recordar o que aqui escrevemos há mais de 5 anos.

As sondagens só permitem uma previsão aproximada da realidade eleitoral, ou outra. Em todos os casos no intervalo de valores determinado pela margem de erro. E isto se for utilizado o método aleatório, amostras estratificadas, criteriosamente seleccionadas e de dimensão adequada. E métodos de inquirição fiáveis. E se os procedimentos de estimação complementares – relativos à abstenção e à distribuição dos não respondentes e indecisos – estiverem conforme à realidade em análise.

A esmagadora maioria das sondagens relacionadas com as eleições para a Assembleia da República, mais uma vez, não preenchiam estes requisitos.

O tratamento jornalístico de sondagens requer conhecimentos específicos e reveste-se de bastante sensibilidade. Os seus resultados prestam-se a várias interpretações. Uma análise incompleta e pouco rigorosa dos dados de uma sondagem pode ter consequências graves e imprevisíveis, para a imagem das pessoas, ou instituições, submetidas a escrutínio. Além de enganar ou confundir aqueles que não tenham a curiosidade de verificar, em pormenor, esses dados.

Mais uma vez nada disto foi tido em atenção. E a Entidade Reguladora continua a assobiar para o lado.

3. Dizem os livros que falácia consiste em partir de uma afirmação falsa, intencionalmente, e, a partir dela, pretender retirar conclusões verdadeiras.

Os comunistas defendem a política do «quanto pior melhor», escrevem e dizem uns. Santa ignorância! Já em 1846 (há 165 anos!!!) um jovem chamado Karl Marx, num livro com o título «Miséria da Filosofia», desmistificava esta tese. E desde essa data milhares e milhares de páginas foram escritas a desmontá-la. Será que nunca mais aprendem? Ou fazem de propósito?

Os homens da troika «foram os grandes vencedores da noite: 79,4% dos eleitores votaram nos partidos que assinaram o memorando», dizem e escrevem outros. E eu a pensar que eleitores e votantes eram dois conceitos distintos…

Especialista em Sistemas de Comunicação e Informação

In jornal "Público" - Edição de 10 de Junho de 2011

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Domingo, 24 de Abril de 2011
O proletariado toma o poder

Assinalar os 140 anos da Comuna de Paris de 1871 representa mais do que a celebração de uma data de significado universal. Na primeira tentativa de instauração de um Estado proletário residem importantes ensinamentos que contribuíram para o enriquecimento da teoria que arma a classe operária e os trabalhadores de todo o mundo na luta pela superação revolucionária do capitalismo.

«Com a Comuna de Paris, a luta da classe operária com os capitalistas e o seu Estado entrou numa nova fase. Corra a coisa como correr no imediato, está ganho um novo ponto de partida de importância histórico-mundial», considerou na altura Karl Marx.

O caminho aberto pelos communards franceses teve na Revolução de Outubro de 1917 brilhante consequência. Na Rússia de Lénine, triunfou um Estado verdadeiramente democrático, a ditadura do proletariado, base do projecto que continua a ser o futuro da humanidade, o Socialismo e do Comunismo.

Communards em armas defendem o Estado proletário nas barricadas

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Sábado, 17 de Abril de 2010
Interpretar o momento (histórico) - Contributo para a transformação do mundo

Um dos trechos mais conhecidos de Marx é a sua 11.ª tese sobre Feuerbach – «Os filósofos têm apenas interpretado o mundo de maneiras diferentes; a questão, porém, é transformá-lo». Esta «tese» deveria estar sempre presente entre os que se ocupam a interpretar o mundo, a tentar perceber o que vai acontecendo, e porquê. No entanto, não menos importante é que quem tomou o partido de transformar o mundo não esqueça que, para bem o transformar, de acordo com o partido que foi tomado, há que perceber o que se passa, há que interpretar o mundo.

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Terça-feira, 21 de Julho de 2009
Os compromissos do PR com a Constituição e com os «filantropos»

     Tudo isto para dizer o quê?
Para dizer que a filantropria, palavra de origem grega associada primitivamente, numa sociedade esclavagista, ao amor à humanidade e hoje, nos dias que correm, associada à caridade, a filantropia, parafraseando Karl Marx, é tão eterna quanto as relações sociais que a criaram.
Obtenha o povo, não pela fraqueza do forte mas pela força do fraco, o controlo efectivo dos meios de produção e o poder político da gestão desses meios, e a palavra filantropia deixa de existir porque deixam de existir as relações sociais que a engendraram.
Esta visão, que é a nossa, não é compartilhada, óbvia e naturalmente, pelo Presidente da República.
O Presidente tem outros valores, em função da natureza da sua ideologia, o que explica o apoio institucional a indivíduos, parte dos quais terão de prestar contas à justiça, se a justiça funcionar para os ricos.

                                                          


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Segunda-feira, 23 de Fevereiro de 2009
Darwinismo e Marxismo: A relevância do evolucionismo para um comunista

 


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Domingo, 22 de Fevereiro de 2009
O meu Marx é diferente

     A propósito da actual crise económica e financeira do sistema capitalista a obra de Karl Marx ganhou um novo relevo. Mas muito do que se escreve e diz revela um desconhecimento (ou ignorância) atroz. Falam de Marx, mas aparentemente nunca o leram. Quanto mais estudarem-no. O resultado é uma deturpação objectiva do seu pensamento. Uma caricatura ridícula da realidade da sua acção.

É caso para dizer que o «meu» Marx é diferente.

O meu Marx é o que converteu a utopia em pensamento político e este em acção revolucionária. O que descobriu as leis objectivas do desenvolvimento social e provou cientificamente a inevitabilidade da superação do capitalismo e do triunfo do socialismo. O que analisou a vida social como algo que está em permanente movimento. O Marx determinista, mas não fatalista.

O meu Marx é o que reelaborou criticamente todas as melhores conquistas do pensamento humano no domínio da filosofia. O que considerou que na sociedade, como na natureza, existem nas situações e nos fenómenos relações objectivas de causa e efeito. É o Marx da afirmação: «Os filósofos têm apenas interpretado o mundo de maneiras diferentes, a questão é transformá-lo». Ou de «A nossa teoria não é um dogma, mas um guia para a acção». Ou, ainda, o da constatação cem por cento actual de que «as ideias dominantes de um tempo foram sempre apenas as ideias da classe dominante». É o Marx da dialéctica como método de conhecimento e transformação do mundo. Da prática como fundamento e fim do conhecimento. Do conhecimento como reflexo do mundo objectivo.

O meu Marx é o da análise do capitalismo e das leis fundamentais da reprodução do capital que se revelam de uma evidente modernidade. Como a lei do valor e a teoria da mais-valia, que esclarece os mecanismos da exploração capitalista. Como a lei da baixa tendencial da taxa de lucro, que o capital tudo faz para contrariar e que determina a financeirização crescente da economia. Como a lei da pauperização relativa, que desvenda as causas de fundo inultrapassáveis pelo capitalismo das crises de sobreprodução.

É o Marx da «globalização» teorizada em 1848: «A necessidade de um mercado em constante expansão para os seus produtos persegue a burguesia por todo o globo terrestre. Tem de se fixar em toda a parte, estabelecer-se em toda a parte, criar ligações em toda a parte.» Ou: «A burguesia, pela sua exploração do mercado mundial, deu uma forma cosmopolita à produção e ao consumo de todos os países

O meu Marx é o da a teoria do socialismo científico. O da missão histórica e papel dirigente da classe operária na transformação revolucionária da sociedade, pondo fim à milenária exploração do homem pelo homem e abrindo caminho à história verdadeiramente humana de todos os homens. O da teoria da luta de classes: «a história de toda a sociedade até aqui é a história de lutas de classes». O de «o moderno poder de Estado é apenas uma comissão que administra os negócios comunitários de toda a classe burguesa». O de «as proposições teóricas dos comunistas de modo nenhum repousam sobre ideias, sobre princípios, que foram inventados ou descobertos por este ou por aquele melhorador do mundo. Elas são apenas expressões gerais de relações efectivas de uma luta de classes existente, de um movimento histórico que se processa ante os nossos olhos.»

Como Marx refere, no prefácio à primeira edição de O Capital, «a sociedade actual não é nenhum cristal fixo, mas um organismo capaz de transformação e constantemente compreendido num processo de transformação».

Espero ter demonstrado que o meu Karl Marx (e Friedrich Engels) é efectivamente diferente das vulgatas que por aí se vão «vendendo». E que teriam levado Marx a afirmar, de novo, «se isso é marxismo, então eu não sou marxista»...

                                                                                    

Especialista em Sistemas de Comunicação e Informação

                                                                                           

In jornal "Público" - Edição de 20 de Fevereiro de 2009

                                                                                          


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Sexta-feira, 13 de Fevereiro de 2009
Darwin no Avante!


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Quinta-feira, 12 de Fevereiro de 2009
No bicentenário do nascimento de Charles Darwin: Um texto de Álvaro Cunhal

    O Poder do Homem

Foi em grande parte por se ter inspirado em Malthus que Darwin não pôde compreender o problema humano. É certo que as ideias da concorrência e da luta aplicadas à natureza viva facilitaram a descoberta da selecção natural e do processo fundamental da evolução das espécies. Mas, embora Darwin, contra o que pretendem alguns dos seus detractores, considerasse a "luta pela vida" não apenas a luta de um indivíduo com indivíduos da mesma espécie, mas também e, fundamentalmente, "com indivíduos de espécies diferentes ou com condições físicas de vida"(67), embora considerasse justamente em muitos casos a "concorrência" dentro de uma espécie não como uma guerra, mas como a simples "sobrevivência do mais apto", ou seja, a sobrevivência do mais capaz de resistir ao meio e à luta que lhe movem as outras espécies, ele não pôde sonhar a existência da ajuda mútua entre indivíduos da mesma espécie. 

Darwin viveu numa sociedade onde predominava a concorrência e a luta sem tréguas entre classes sociais. Dada a acção da base material das sociedades sobre as respectivas ideologias, compreende-se que, pela sua mão, a "lei" de Malthus, reflectindo essa concorrência e essa luta, tenha estendido a sua aplicação à natureza viva e que a organização social da Inglaterra do século XIX, com as suas ideologias e sentimentos dominantes, se apresente ingenuamente atribuída a animais e plantas. Foi preciso que homens se educassem numa sociedade sem classes para tornar possível a descoberta da ajuda mútua entre os indivíduos de uma mesma espécie, ponto concordante do mundo biológico com essa nova sociedade. E, se algum espanto ou reparo há a fazer, acerca desta descoberta, não é que ela se tenha feito sem factos bastantes em que se apoiar, mas que tenha tardado tanto a fazer-se quando agora se vê que os factos há muito a justificam. Se mesmo no domínio da biologia, a influência malthusiana limitou e prejudicou o seu trabalho, o grande erro de Darwin foi reintroduzir os princípios malthusianos no estudo das sociedades humanas, fortalecidos agora por uma pretensa comprovação na natureza e aparecendo assim como leis, universais e inelutáveis cientificamente aferidas. A concorrência, a luta de classes, o esmagamento violento de algumas camadas da população (fenómenos temporários correspondendo a uma fase do desenvolvimento da sociedade) seriam leis válidas e eternas para todas as espécies, incluindo a humana.

Darwin, a quem se deve a descoberta e provas definitivas da transformação das espécies e da origem animal do homem, não pôde compreender a evolução e transformação das sociedades humanas, das ideologias e dos sentimentos, e do próprio homem depois que emergiu da animalidade. Não pôde compreender que as sociedades, evoluindo por acção do homem, transformam o próprio homem que as faz evoluir.

Com frequência, Darwin insistiu em que "as espécies evoluem em passos muito pequenos"(69), em que a evolução é "um processo extremamente lento"(68), em que a "selecção natural não pode produzir grandes ou repentinas modificações"(70). Não pôde assim compreender como as transformações quantitativas se convertem em qualitativas, e a consequente importância dos saltos bruscos, tanto na evolução no mundo biológico como na evolução das sociedades humanas.

    Darwin definiu a selecção natural como a "preservação de diferenças e variações individuais favoráveis e a destruição das que são nocivas"(71), de onde resulta que "todos os dotes corporais e mentais tenderão a progredir para a perfeição"(72). Não pôde, assim, compreender como os progressos em um sentido são retrocessos em outros sentidos e como nas sociedades humanas a selecção, muitas vezes, determina a preservação dos piores e menos aptos.

Darwin defendeu que "as faculdades mentais do homem e dos animais inferiores não diferem em qualidade, embora difiram imensamente em grau"(73), viu nos animais inferiores sensibilidade, ideias, conceitos estéticos e morais semelhantes aos do homem e tomou geralmente como padrão de beleza, de moralidade e até de civismo (padrão para a humanidade e as outras espécies animais) o seu próprio padrão de beleza, moralidade e civismo(74). Não pôde assim compreender que as ideologias são especificamente humanas e determinadas por uma base social material, que numa mesma sociedade não há ideologia uniforme e geral, mas conceitos e sentimentos divergentes, e que a evolução da vida material dos homens determina a evolução da sua vida mental. 

Considerando o homem sob o ponto de vista puramente animal, Darwin atribuiu a causas biológicas o atraso de povos de algumas raças, aproximou-os constantemente (tanto nos seus caracteres físicos como intelectuais) dos animais inferiores e foi ao ponto de considerar alguns macacos moralmente superiores aos "selvagens"...(75) Não compreendeu, assim, a existência de razões sociais determinando o atraso desses povos nem as possibilidades actuais de superar esse atraso. 

Darwin fez aceitar pela ciência a origem do homem. A sua contribuição foi, a este respeito, decisiva. Mas foi incapaz de vislumbrar que, a partir de certo momento da sua evolução, os caracteres do homem se diferenciaram qualitativamente dos das outras espécies. 

A partir do momento em que o homem fabricou instrumentos de trabalho, a sua evolução passou a reger-se por leis diversas das que regem a evolução das outras espécies. O homem deixou de ser apenas uma espécie animal, adaptando-se ao meio e a novas circunstâncias por acção incontrolável da selecção natural. Na sua evolução, o homem não se limita a adaptar-se ao meio; ele adapta o meio a si próprio. "[...] o homem — escreve Marxage em face da matéria natural como uma força natural. [...] age sobre a natureza exterior, modifica-a e modifica ao mesmo tempo a sua própria natureza."(76) Modificando o meio com um propósito consciente, o homem, na sua luta com a natureza, não se limita a combater e eliminar outras espécies. O homem povoa o mundo com espécies por ele próprio escolhidas e ajuda e orienta a sua selecção. A "luta pela existência" do homem não toma assim apenas o carácter da destruidora e implacável "luta pela vida" de Darwin e Malthus; ela toma, também, o carácter de uma luta construtiva e criadora.   

    Darwin, que partia da selecção pela domesticação para a selecção natural, que conhecia (como ninguém) as transformações pela selecção, que em alguns casos verificou terem sobrevivido espécies graças apenas à acção do homem, sem a qual soçobrariam na natureza, não soube aí descobrir a afirmação das características específicas da espécie humana. E, embora acreditando no poder seleccionador e transformador do homem sobre outras espécies, apenas considerava a capacidade humana "pelo grande efeito produzido pela acumulação de uma mesma direcção, durante gerações sucessivas, de diferenças absolutamente inapreciáveis para olhos inexperientes"(77). Esta ideia foi ultrapassada pela história. O campo da intervenção modificadora do homem na evolução das espécies animais e vegetais alarga-se dia a dia. Quando nos lembramos de que o visconde de Coruche, justificando o atraso da agricultura, julgou ter encontrado argumento irrespondível e definitivo ao referir que "não é possível produzir hoje cereais, linho, lã, uvas, batatas ou laranjas em menos tempo do que em outras eras"(78), não podemos deixar de sorrir, porque a vida deu já um desmentido literal à fraca ironia do visconde. 

O poder do homem permite-lhe construir o seu próprio futuro. Não há qualquer lei natural, quaisquer razões biológicas ou técnicas que limitem o ritmo da produção das subsistências. Esse ritmo depende apenas da acção do homem. De há muito o homem dispõe de meios técnicos capazes de inverter as progressões nos dois termos da "lei" de Malthus.  

Com métodos rudimentares, apenas à custa de trabalho e da sua imaginação criadora, pôde o povo português transformar, em vastas regiões, a fisionomia agrícola de Portugal. Nas encostas nuas do Douro ergueu essa monumental escadaria onde hoje se exibem os vinhedos que dão do melhor vinho do mundo. Nas íngremes vertentes e nos vales apertados do Minho, de Trás-os-Montes, da Beira, da Estremadura, foi também dispondo e segurando em socalcos terra trazida à força de braços e foi buscar às entranhas da terra água para fazer verdejar jardins. Desde o canteiro minúsculo ao retalho rendoso, solo fértil surgiu onde ontem existiam apenas penedias. Terras minhotas, naturalmente pobres, tornaram-se terras ricas pela rega e estrumagens. Nas areias safaras da Gafanha ou da Póvoa ou nas dunas das Caldas, com adubações intensas de caranguejo, de sargaços, de moliço, nasceram belas hortas. Nas serras mais pedregosas — na Estrela, na de Aire, em tantas outras — das fendas da pedra brotaram olivais ou, nos ásperos declives, manchas lavradas. Nas charnecas alentejanas e na borda do Tejo, os seareiros romperam os matagais e obrigaram a terra a dar pão. Nos "foros" de Almeirim, Mugem, Salvaterra, culturas viçosas surgiram como oásis em campos de areia. Na generalidade dos casos, todo esse esforço gigantesco, realizado com a miragem de uma vida desafogada, revelou-se uma ilusão para os seus autores. Uns semearam, outros colheram. Mas esse esforço evidencia o poder do homem, evidencia como o homem pode impor e impõe à natureza uma direcção, como pode arrancar e arranca da terra as subsistências que ela por si só recusa, como pode modificar e modifica a terra, as espécies vivas, a paisagem. E se isto pôde fazer o nosso povo à força de braço e de imaginação, mas apegado a recursos velhos de séculos, o que não poderá ele fazer ganhando para o seu serviço a ciência e a técnica modernas? 

Quando nos dizem e repetem ser Portugal país pobre, de solo fraco, de terreno acidentado e pedregoso, de clima irregular, e quando assim pretendem amarrar o povo português a um irremediável destino de miséria — nós respondemos que não só o nosso país tem raras e favoráveis aptidões agrícolas, como pode o nosso povo transformá-lo num verdadeiro jardim da Europa à beira-mar, que só o é no entender dos poetas. 

    Centenas de milhares de hectares no Alentejo, nos incultos e nas terras áridas sem fim podem encher-se de campos vicejantes com águas levadas das bacias do Tejo e do Guadiana ou arrancadas aos lençóis subterrâneos. Os rios podem ser dominados e disciplinados, dando rega e energia, em vez de enxurradas e cheias devastadoras, alternando com secas. Grandes manchas de floresta podem levantar--se em montes descarnados, em areias nuas, em terrenos pantanosos, também junto às linhas de água, dando novos meios de vida, formando cortinas de protecção contra os ventos prejudiciais e contra as areias e torrentes, aumentando a capacidade de absorção de humidade pelos solos, diminuindo o escoamento e a evaporação, facilitando a condensação do vapor de água da atmosfera, defendendo o solo da erosão, dando até melhor ar para o homem respirar e paisagem mais bela para alegria dos olhos. 

A oliveira e a nogueira, os freixos e ulmos, o eucalipto e a acácia tornarão ricas e acolhedoras zonas hoje desérticas. A arborização de cumes rochosos de onde as torrentes trazem marés de areia salvará magníficos terrenos de aluvião da ameaça agora iminente da ruína e da esterilidade. A regulamentação do regime das águas abundantes das Beiras oferecerá prados onde se multiplicará o gado. A defesa das cheias, o enxugo, a drenagem, darão produtividade insuspeitada aos aluviões do Mondego e dos seus afluentes, às margens do Lis, às baixas dos afluentes do Tejo, particularmente do Sorraia, assim como aos "focos miasmáticos e palustres" do sul do Tejo. Os ricos fundos dos pauis e brejos numerosos podem ser roubados às águas estagnadas. Pela defesa das marés, o dessalgamento, a drenagem e a irrigação podem tornar-se fertilíssimos os aluviões marítimos e fluviais do Algarve e os vastos sapais do Ribatejo, ilhotas e esteiros no delta do Vouga e podem ser libertados da esterilidade. 

Podem fabricar-se solos ricos das terras pobres. Podem escolher-se, seleccionar-se e criar-se os tipos de plantas mais apropriados ao meio português, ou, mais exactamente, aos diversos meios portugueses. Podem obter-se plantas mais rendosas e também animais mais rendosos: podem apressar-se os prazos de maturação das plantas e de desenvolvimento dos animais. Uma planificação da agricultura permitirá um melhor aproveitamento do solo nacional. Com as máquinas e a técnica ao seu serviço, o trabalho será menos penoso e renderá incomparavelmente mais. 

Haverá mais fartura nos lares e sairá do que se produz para a compra do que se necessita. 

Temos no nosso próprio país todo um novo país a conquistar, um país mais fértil e até mais belo. Temos todas as condições naturais para uma vida desafogada para todos os portugueses. Que se chame a isto um sonho: são legítimos os sonhos de quem dá a vida para realizá-los. Mas não, não é apenas um sonho. Acrescentando-se à simples consideração dos factos nacionais, o triunfo do socialismo em grande parte do mundo dá a certeza de que tal sonho será realizado.

Se já no século XIX alguém pôde dizer ter o homem modificado de tal forma a natureza que "os efeitos da sua actividade não podem desaparecer senão com a morte geral do planeta"(79), seguindo o mesmo pensamento os mitchurianos, seguros do carácter material da vida, puderam demonstrar no século XX ser possível "obrigar cada variedade de animais ou vegetais a desenvolver-se e a modificar--se mais rapidamente e no sentido favorável ao homem". Sendo o homem guiado pela máxima de que não podemos esperar as dádivas da natureza, antes é necessário arrancar-lhas, não é possível prever quaisquer limites a essa criadora intervenção humana.

Não há qualquer lei natural, quaisquer razões biológicas ou técnicas, qualquer fraqueza de espécie humana, que forcem a agricultura ao atraso. Apenas factores sociais a isso a obrigam.

Notas:

(67) The Origin of Species by Means of Natural Selection or the Preseruation of Favored Races in the Struggle for Life, Ed. The Modern Library, New York, III, p. 53.

(68) Ibid., VII, p. 182.

(69) Ibid., X, p. 249.

(70) Ibid., XV, p. 351.

(71) Ibid., IV, p. 64.

(72) Ibid., Conclusão, p. 373.

(73) The Descent of Man and Selection in Relation to Sex, Ed. The Modern Library, VI, p. 513.

(74) Ibid., III, pp. 467-468; VIII, pp. 570-571; XIII, p. 697; IV, pp. 480-481; V, p. 498; etc.

(75) Ibid., Conclusão, pp. 919-920.

(76) Marx, O Capital, t. 1, 3.ª secção, V, 1.

(77) The Origin of Species, 1, p. 30.

(78) Visconde de Coruche, A Agricultura e o País, p. 7.

(79) Engels, Dialéctica da Natureza, Introdução.

In «Contribuição para o Estudo da Questão Agrária», Edições «Avante!», 1976, Vol. 1, págª 125-132

Transcrito de AQUI

Para Ler:

adaptado de um e-mail enviado pelo Raimundo e pelo Jorge

                                        


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Sábado, 8 de Novembro de 2008
Exposição 190º Aniversário do Nascimento de Marx

  1. Cartaz Apresentação

  2. Introdução

  3. Passagem para o Materialismo e o Comunismo

  4. Passagem para o Materialismo e o Comunismo

  5. Passagem para o Materialismo e o Comunismo

  6. Manifesto Partido Comunista

  7. Da Liga dos Comunistas...

  8. ... à Internacional

  9. O Capital

  10. A Comuna de Paris

  11. Lénine sobre Marx e Engels

  12. O PCP e a divulgação do Marxismo


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Segunda-feira, 3 de Novembro de 2008
Os bruxos estão bem e recomendam-se

    1. No artigo de 3 de Outubro «A teoria de Pavlov aplicada à política» recordei a Resolução Política aprovada, em Novembro de 2004, no XVII Congresso do PCP: «No mercado imobiliário, cujos preços têm vindo a subir a níveis demasiado elevados, subsistem riscos de um ajustamento abrupto com consequências de expressão mundial.» E acrescentei que como se costuma dizer «O PCP previu e preveniu» … 

A propósito desta citação um leitor escreveu-me insinuando que a mesma era falsa. E, ironizando, questionava se os comunistas eram bruxos. Continuando no mesmo tom diria que não sei se os comunistas são bruxos ou não, mas lá que parece, parece.

Que dizer desta referência na Resolução Política do XV Congresso, em Dezembro de 1996: «Pelo seu volume desmedido, pela tendência a empolar-se cada vez mais, pelo risco aleatório do seu movimento, esse capital fictício financeiro-especulativo faz pairar sobre a economia dos países e do mundo a instabilidade monetária e o perigo de colapsos bolsistas devastadores.» E assistimos à crise «asiática» de 1997/98.

De novo em Dezembro de 2000, no XVI Congresso, o PCP afirmava: «Os constantes fluxos de capital-dinheiro, especialmente de curto prazo e de alto risco, provocam uma acrescida instabilidade no funcionamento do sistema financeiro e monetário internacional (…). Mercados bolsistas e imobiliários irracionalmente inflacionados são alimentados por uma insustentável expansão do crédito que potencia o perigo e a dimensão de desastres. (…)». E veio a crise económica de 2001/03.

Mas a «bruxaria» já vem de há 160 anos, quando dois «feiticeiros» alemães, de seu nome Karl Marx e Friedrich Engels, escreveram um livrinho intitulado «O Manifesto do Partido Comunista». Aí se fala de mercado mundial, desenvolvimento da burguesia, multiplicação dos seus capitais, necessidade da destruição de forças produtivas excedentárias como condição de sobrevivência do sistema, crise económica como realidade inerente ao capitalismo, o socialismo como sociedade alternativa, etc., etc., etc. É esta validade das análises e das propostas propiciadas pelo marxismo-leninismo que dói aos «críticos».

2. Confesso, caros leitores, que por estes dias ando com o ego em alta. Há pouco mais de um ano referi nesta coluna que não tinha aderido à «revolução» semântica dos conservadores e neo-conservadores. Nos anos oitenta do século XX eles «revolucionaram», com sucesso, a terminologia política e económica. O capitalismo passou a ser designado como «economia de mercado». Mais recentemente trocaram o imperialismo por «globalização». É sempre gratificante verificar como os conceitos por nós identificados e apreendidos voltam a ganhar significado. E como por estes dias todos escrevem e falam sobre a palavra pretensamente deitada para o caixote do lixo da história: «capitalismo».

Capitalismo esse responsável, só nas últimas semanas, pela supressão de mais de 200 mil postos de trabalho em Wall Street e outros centros financeiros. São sempre os mesmos a pagar a factura…

3. Em 21 Junho de 2005 escrevi neste espaço (mais um exercício de «memórias» …) que: «O Vasco Valente Correia Guedes, depois do seu artigo “Crescer com o Álvaro” [14 de Junho], (que me recuso a comentar por o considerar inqualificável do ponto de vista ético e moral) deveria, em coerência, deixar de assinar Vasco Pulido Valente. A memória de resistente antifascista e intelectual de vulto do seu avô assim o exige.».

Mais de três anos passados não alteraram a minha opinião. O artigo de 19 de Outubro sobre José Saramago é mais uma confirmação. Aí se repetem quase ipsis verbis os chavões e as falsidades de 2005. Já agora: no ano de 1940 não se publicou nenhum número do jornal «Avante!» como se pode confirmar no sítio do PCP na Internet…

Especialista em Sistemas de Comunicação e Informação

                      
In jornal "Público" - Edição de 31 de Outubro de 2008

                                 


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Terça-feira, 15 de Julho de 2008
Os pobres aumentam e estão cada vez mais pobres

Texto de Anselmo Dias

    No passado dia 17 de Junho, numa entrevista na SIC Notícias, a uma pergunta da entrevistadora, o ministro Silva Pereira considerou que, no presente, meados de 2008, o nível de vida da população é melhor do que o existente à data da tomada de posse pelo actual executivo.

A jornalista ao fazer a pergunta, embora sem o expressar, deu a entender que tinha presente o estudo do Eurostat onde Portugal, no conjunto dos países da UE, aparecia em último lugar, a par de um país báltico, no que concerne à distribuição da riqueza, tendo como parâmetros os rendimentos dos 20% da população mais rica e o rendimento dos 20% mais pobres, isto para além de outras notícias reiterando que, em Portugal, há cerca de 2 milhões de pobres.

O ministro respondeu à pergunta sem se rir.

Vejamos, a este propósito, se a resposta foi sincera ou, mefistofélica, ou seja, refinadamente desdenhosa, manhosa e sarcástica.

                           

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Domingo, 22 de Junho de 2008
Karl Marx: Breves notas sobre uma vida exaltante

    Sem nos mover a pretensão de apresentarmos uma exaustiva e completa biografia de Marx, limitarmo-nos a deixar aqui, aos nossos leitores, algumas breves notas.

•    5 de Maio de 1818 – Nasce Karl Marx, em Trier, na Prússia renana, filho de um advogado, homem culto que partilhava as ideias progressistas dos filósofos do Século das Luzes, admirador de Voltaire e Rousseau.
•    1830 – Marx entra no liceu, que termina apresentando uma dissertação de fim de curso intitulada «Reflexões de um jovem perante a escolha de uma profissão». Recebe um diploma onde o júri que o examina escreveria: «graças às suas capacidades justificar-se-ão as esperanças nele depositadas
•    1835 – Entra na Universidade de Bona, no curso de Direito, transferindo-se um ano depois para a Universidade de Berlim. As obras de Kant, Fichte, Hegel, Feuerbach são os pontos de partida para o aprofundamento dos seus conhecimentos. Conclui o curso de Filosofia em Abril de 1841, tendo-lhe sido conferido o título de doutor em Filosofia.
•    Outubro de 1842 – Marx torna-se chefe de redacção da Gazeta Renana, onde divulga as suas ideias progressistas e assume a defesa dos interesses das massas trabalhadoras. Em 1843, o governo prussiano reaccionário proíbe o jornal e em Outubro de 1843 Marx parte para Paris, então centro político e cultural da Europa. Antes de partir casa-se com Jenny von Westphalen, sua amiga de infância.
•    1844 – Em Paris, ligado aos mais destacados dirigentes do movimento operário francês, publica, em Fevereiro, a revista Anais Franco-Alemães, onde, pela primeira vez, formula a ideia do papel histórico universal da classe operária.
•    Agosto de 1844 – Se em 1842 Karl Marx e Friedrich Engels já se haviam encontrado em Colónia, quando Engels a caminho da Inglaterra passou pela redacção da Gazeta Renana, foi o seu histórico encontro em Paris, nos finais de Agosto de 1844, que marcaria o início de uma fecunda colaboração e profunda amizade, que se prolongariam durante toda a existência de Marx.
Comungando dos mesmos pontos de vista na análise da sociedade capitalista, herdeiros dos conhecimentos mais avançados naquela época em vários domínios, designadamente nos da filosofia, da história, da economia política, Marx e Engels legaram-nos uma gigantesca obra científica e revolucionária cujo valor e actualidade perduram até aos nossos dias e influenciarão seguramente os séculos vindouros.
•    Nesse mesmo ano de 1844 publicam a sua primeira obra conjunta A Sagrada Família.
•    1845 – Marx fixa-se em Bruxelas e em Setembro desse mesmo ano, conjuntamente com Engels, escreve A Ideologia Alemã, onde apresentam pela primeira vez os fundamentos do materialismo dialéctico e histórico, concepção do mundo da classe operária
•    1847 – Foi constituída a primeira organização internacional dos trabalhadores: a Liga dos Comunistas, cujo II Congresso, em Novembro-Dezembro desse ano, encarrega Marx e Engels de redigirem um «manifesto» dirigido aos trabalhadores de todos os países.
•    Fevereiro de 1848 – É publicado o Manifesto do Partido Comunista, cujo 160.º aniversário se assinala este ano e cujas análises e conclusões, assim como as suas palavras finais «Proletários de todos os países, uni-vos!» mantêm todo o sentido e actualidade nos tempos que vivemos. Estavam lançadas as bases do comunismo científico e das ideias que mudariam o curso da história.
A publicação do Manifesto coincide com o princípio das revoluções burguesas de 1848-1849 na Europa.
•    Ainda em 1848, Marx e Engels partem para a Alemanha e fundam, em Junho, a Nova Gazeta Renana, de que Marx é redactor-chefe e que será o primeiro jornal do proletariado alemão.
•    Maio de 1849 – Marx é expulso da Alemanha pela contra-revolução vitoriosa e parte para a França.
É expulso de Paris e vai para Londres, onde viverá até ao fim da sua vida.
•    28 de Setembro de 1864 – Marx e Engels encontram-se entre os principais fundadores da Associação Internacional dos Trabalhadores – a I Internacional, que existiu até 1876.
É também neste período que Marx inicia a sua obra principal O Capital, publicando o primeiro volume em 1867.
•    1871 – Marx vive o histórico acontecimento revolucionário que foi a Comuna de Paris e saúda com emoção o proletariado de Paris que se lançara ao «assalto do céu». Após a Comuna de Paris, inicia-se o processo de formação dos partidos operários em numerosos países, elevando a um novo nível o desenvolvimento do movimento operário mundial.
É neste período que Marx escreve a sua obra A Guerra Civil em França.
•    14 de Março de 1883 – Vencido pela doença que o atormentava havia anos, Marx, esse homem cujo grande objectivo da sua vida foi a luta pela libertação da classe operária, morreu na sua residência, em Londres.

Perseguido, caluniado, preso, expulso de vários países, as autoridades reaccionárias alemãs impediram-no de regressar à sua pátria.
Marx e a sua família passaram por grandes dificuldades e duras provações, conseguindo sobreviver graças à ajuda fraternal de Engels e aos fortes laços que os uniam.

                  

In revista "O Militante" - Edição Maio/Junho 2008

                                                                          


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Sábado, 21 de Junho de 2008
Karl Marx e o nosso tempo

    Extracto da intervenção de Álvaro Cunhal na Conferência Científica Internacional, Berlim (RDA), 13 de Abril de 1983

 
1

Com a elaboração dos fundamentos do materialismo dialéctico e do materialismo histórico, com as suas descobertas no domínio da filosofia e da economia, Marx, em estreita colaboração com Engels, deu à classe operária, aos povos, a todas as forças do progresso, um poderoso instrumento de  análise e uma arma de luta e combate.
As causas profundas da evolução da sociedade tornaram-se conhecimentos científicos com as descobertas de Marx sobre o carácter fundamental de base económica, a interacção das infra-estruturas e das superestruturas e o papel da luta de classes.

O desenvolvimento e o carácter transitório do capitalismo e a passagem ao socialismo revelaram-se como inevitabilidades históricas com a descoberta das leis do modo de produção capitalista, designadamente da mais-valia e da acumulação, e do papel da classe operária, força motora da liquidação do capitalismo e da construção de uma sociedade sem exploradores nem explorados.

E porque, no mundo actual, estão presentes profundas transformações revolucionárias que comprovam as descobertas e as teorias de Marx, pode dizer-se que a própria realidade do mundo em que vivemos constitui uma homenagem objectiva universal ao fundador do socialismo científico.

                                             

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