TERRAS DE PENALVA ONDE «A LIBERDADE É A COMPREENSÃO DA NECESSIDADE»

Domingo, 12 de Novembro de 2017
12 de Novembro de 1991 – Massacre de Santa Cruz

A luta do povo timorense pela independência ficou marcada pelo massacre do Cemitério de Santa Cruz, a 12 de Novembro de 1991.

As imagens da chacina, recolhidas pelo repórter inglês Max Stahl, acordaram o mundo para a realidade que se vivia em Timor-Leste desde a invasão do território pela Indonésia, ocorrida com a cumplicidade dos EUA em Dezembro de 1975.

Nesse dia, mais de duas mil pessoas marcharam desde a igreja onde se celebrou uma missa em memória do jovem Sebastião Gomes, assassinado pelas forças indonésias, até ao cemitério, para lhe prestar homenagem.

O exército abriu fogo sobre a população, matando 271 pessoas no local e ferindo outras 127, que morreram nos dias seguintes.

Depois do massacre, a causa timorense ganhou força, com inúmeros países a reconhecer o seu direito à independência, o que se veio a concretizar em 30 de Agosto de 1999.

AQUI

 


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Segunda-feira, 30 de Janeiro de 2017
30 de Janeiro de 1972 – Domingo Sangrento na Irlanda do Norte

Domingo Sangrento

O exército britânico dispara, sem motivo e sem aviso prévio, sobre milhares de manifestantes – católicos republicanos e nacionalistas, habitantes do gueto de Derry – que participam numa marcha pacífica pela democracia, contra a discriminação de que são alvo por parte das autoridades de Londres e dos seus representantes locais (protestantes), contra a repressão da polícia norte-irlandesa, fanaticamente unionista.

A praça Free Derry Corner é o cenário dantesco do banho de sangue que enluta a Irlanda e envergonha o Reino Unido.

As imagens do massacre, captadas pelo jornalista italiano Fulvio Grimaldi, são proibidas na Grã-Bretanha mas correm o mundo.

Depois de muita polémica, em 1998 é finalmente aprovado um inquérito oficial aos acontecimentos daquele Domingo Sangrento (Bloody Sunday).

O relatório Saville, publicado em 2010, prova que de facto o Domingo Sangrento foi um massacre, que os manifestantes que não constituíam qualquer ameaça e que foram baleados sem justificação.

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Domingo, 16 de Outubro de 2016
União das Mulheres na Comuna de Paris - A organização das mulheres na primeira revolução proletária da História

Trabalho Feminino

Elas estão em todo o lado na defesa da Comuna e da revolução – nas oficinas, nas ambulâncias e cantinas, nos hospitais, clubes e associações, na redacção de jornais e comités, nas escolas e nas barricadas – Chignon, Collin, Diblanc, Dmitrieff, Jaclard, Jacquier, Lachaise, Leloup, Le Mel, Marcand, Marchais, Michel, Perrier, Reclus, Suétens, Verdure, são alguns apelidos das centenas que participaram activamente na primeira revolução proletária. Lavadeiras, costureiras, escoveiras, encadernadoras, cantineiras, sapateiras, combatentes e artilheiras, socorristas e enfermeiras, operárias, mestres, intelectuais e até aristocratas, sem excepção, foram condenadas, fuziladas, deportadas, exiladas, caluniadas.

 

Pouco dias depois da proclamação da Comuna, trabalhava-se para constituir a (também) primeira organização de mulheres da História. A União das Mulheres foi uma das maiores associações da Comuna, distinta de qualquer outro movimento feminino pela sua importância numérica, pelo recrutamento jovem e operário, pelo funcionamento rigoroso e democrático, pela orientação marxista. Tal como acontecia aos elementos da Comuna, a maioria das mulheres mais destacadas da União tinha ligações à Associação Internacional dos Trabalhadores (AIT) e estava associada ao movimento socialista francês, integrando as suas diversas correntes políticas.

(...)

«A Comuna representa o grande princípio proclamando a eliminação de todo o privilégio, de toda a desigualdade – e por isso, deve ter em conta as reclamações justas de toda a população, sem distinção de sexo – distinção criada e mantida pela necessidade de antagonismo sobre o qual se apoiam os privilégios das classes governantes».

O programa da União exige a educação das raparigas e a sua formação profissional, a educação gratuita e laica para todas as crianças. As revolucionárias peticionam à Comuna a criação de orfanatos laicos, de creches para ajudar as mães solteiras a não cair na prostituição, e a substituição das religiosas dos hospitais e das prisões. A prostituição considerada como «forma de exploração comercial de criaturas humanas por outras criaturas humanas» é banida pela Comuna.

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O trabalho das mulheres

Em França, as mais exploradas dos explorados representavam 33 por cento da população activa, concentradas nas manufacturas têxteis, ao domicílio e nas oficinas, em outras actividades artesanais, como o calçado e a encadernação, e também nas minas ou na construção do caminho-de-ferro, com jornadas de trabalho de 14 horas, ou mais, em condições sub-humanas e com salários de miséria. Uma miséria negra que só a prostituição ocasional poderia atenuar…

(...)

Nas barricadas contra a invasão

(...)

A 25 de Maio, depois de a Guarda Nacional ter abandonado a barricada da rua Château-d’Eau, um batalhão de 52 mulheres armadas retomou o combate com gritos «Viva a Comuna!». Cercadas e desarmadas foram de imediato fuziladas. A 600 metros, na barricada Folie Méricourt, outras 50 combatentes foram também chacinadas.

O período de 21 a 28 de Março ficará conhecido pela «semana sangrenta», homens e mulheres, crianças e velhos defendem nas últimas barricadas a bandeira vermelha da Comuna, e só os/as operários/as se mantiveram fiéis até ao fim.

Foi o massacre sistemático dos revolucionários – são mortos mais de 20 mil. Não chegava vencer a insurreição, era preciso castigar e fazer da revolução um banho de sangue. A burguesia europeia aplaude…

(...)

E às mulheres, foi reservado um destaque particular: elas foram constantemente enxovalhadas, comparadas a «lobas», «hienas», «fanáticas», «imagem do crime e do vício», «bêbedas, debochadas, viragos, gatunas, de má vida…». As «pétroleuses», mulheres incendiárias, armadas de archote numa mão e de vasilha com petróleo na outra, foi abundantemente publicada na imprensa, uma imagem inventada pela calúnia reaccionária que também serviu para esconder o efeito destrutivo das bombas incendiárias do exército de Versalhes, e para justificar o massacre e a condenação de muitas operárias.

Barricade_place_Blanche_défendue_par_des_femmes

Os ensinamentos

Ao primeiro governo operário da História coube o «mérito de ter tomado as primeiras medidas verdadeiramente a favor da emancipação da mulher» (Conferência do PCP «A Emancipação da Mulher no Portugal de Abril», 1986).

O exemplo do primeiro governo operário autenticamente popular foi particularmente valorizado por Marx, Engels e Lénine quanto à questão do Estado. A Comuna provou que «a classe operária não pode simplesmente tomar posse da máquina do Estado [que encontra] montada e pô-la em movimento para os seus objectivos próprios» (K. Marx, F. Engels, Manifesto do Partido Comunista, Prefácio à Edição Alemã, 1972) – é necessário criar um novo tipo de Estado, «transformar os meios de produção, a terra e o trabalho, em instrumentos do trabalho livre e associado».

Lénine refere a falta de uma «organização política séria do proletariado», sem grandes sindicatos ou associações cooperativas, e sobretudo a falta de tempo – a Comuna só teve tempo para pensar na sua própria defesa. Todas as medidas de carácter prático e toda a legislação social da Comuna, corresponderam ao que designou por «programa mínimo do socialismo» (A Comuna de Paris e as Tarefas da Ditadura Democrática, 1905).

Tal como a emancipação da classe operária não poderá ter lugar no quadro do capitalismo (Karl Marx), também «a emancipação da mulher, como a de todo o género humano, só se tornará realidade no dia em que o trabalho se emancipar do capital» (Clara Zetkin).

(sublinhados meus)

Les_conseils_de_guerre

 

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Domingo, 7 de Agosto de 2016
Alemanha reconhece genocídio na Namíbia 110 anos depois...

Hererós sobreviventes massacre deserto Omaheke 19

A Alemanha vai pedir desculpas oficiais à Namíbia pelo genocídio dos povos herero e nama cometido pelas tropas imperiais alemães, no começo do século XX.

A Alemanha demorou 110 anos a reconhecer o genocídio.

O que se conhece desta história trágica confirma a desumanidade do crime perpetrado.

Desapossados pelos colonialistas alemães das suas terras, do seu gado e de todos os meios de subsistência, hereros e namas revoltaram-se em Janeiro de 1904 e mataram 123 colonos.

A repressão da administração colonial foi bárbara. A violência culminou em Agosto, com a batalha de Waterberg, a cerca de 200 quilómetros da capital. Derrotados, os rebeldes retiraram-se para Leste, com as suas famílias, tentando alcançar o Botswana vizinho. Foram perseguidos, através do deserto do Kalahari, pelas tropas alemãs, que não pouparam mulheres e crianças e chegaram a envenenar poços de água para matar à sede os inimigos desarmados.

Das 80 mil pessoas que iniciaram a fuga, apenas 15 mil sobreviveram.

Em Outubro, o comandante militar da colónia, general Lothar von Trotha – que já tinha dado provas, na África Oriental e na China (Guerra dos Boxers, de 1899 a 1901), de uma brutalidade sem limites – decidiu exterminar os dois povos rebeldes, decretando que «dentro das fronteiras [coloniais] alemãs todo o herero, com ou sem arma, com ou sem gado, deve ser abatido». Repetiu a «ordem de exterminação» em Abril do ano seguinte.

Oitenta por cento dos hereros e metade dos namas foram aniquilados.

Dois corajosos chefes da revolta, Hendrik Witbooi e Samuel Maharero, são hoje admirados como heróis do povo namibiano. Povo que continuou a resistir até que em 1990 conquistou a independência, lutando contra a África do Sul do apartheid, potência administrante do Sudoeste Africano após a I Guerra Mundial.

Em 2011, a Alemanha restituiu à Namíbia dezenas de crânios de guerreiros hereros e namas que tinham sido enviados para Berlim, após o genocídio, para experiências «científicas» visando provar a superioridade dos brancos sobre os negros.

AQUI

 

Hoje, não é tarde para dar a conhecer e denunciar estes e outros crimes hediondos do colonialismo.

 

Mapa Namíbia2

 


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Domingo, 17 de Novembro de 2013
«The act of Killing», um extraordinário documento

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Um realizador norte-americano empreendeu a tarefa de documentar a chacina anti-comunista levada a cabo na Indonésia em 1965. O monstruoso massacre de um milhão de homens e mulheres, encorajado e saudado pelo imperialismo, surge reencenado por um dos seus principais perpetradores, pessoalmente responsável por mais de mil mortes. O filme foi estreado em Espanha a 30 de Agosto. Esperemos que venha a ser visto em Portugal.

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Um realizador de cinema pede a um assassino que recrie, em filme, as torturas e crimes que cometeu na vida real. Este, encantado com a oferta, dispõe-se a isso com entusiamo e diligência. O resultado da experiência é uma alucinação cinematográfica que adquire proporções épicas quando se descobre que o criminoso é um dos líderes mais sanguinários dos esquadrões da morte na Indonésia, bandos de carniceiros que, em 1965, acabaram com a vida de um milhão de pessoas em menos de um ano. «The Act of Killing», de Joshua Oppenheimer, é a consequência desse assustador delírio de fama dos genocidas indonésios que, no entanto, hoje vivem como heróis no seu país. O filme estreou em 30 de Agosto em Espanha.

Werner Herzog, um dos realizadores mais talentosos do cinema documental, revelou publicamente o seu assombro perante The Act of Killing. «Não vi um filme tão poderoso, surreal e aterrador em pelo menos uma década», disse, acertando em cheio nos cinco adjectivos e na ordem com que os empregou. Tão impressionante, tão demente é a história deste filme, que a primeira reacção perante o mesmo é de surpresa. Uma espécie de estupefacção que se transforma em perturbação e confusão, antes de se transformar em espanto e, finalmente, em algo muito parecido com a angústia física.

Ler texto integral

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Quarta-feira, 21 de Novembro de 2012
Europa imperialista
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Fotografia de vítimas da «Lei» do Rei Leopoldo II da Bélgica, proprietário PESSOAL do «Estado Livre do Congo».

Uma «quinta» 76 (setenta e seis) vezes maior que a Bélgica. Um exemplo de outros crimes.

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No passado 17 de Outubro, o presidente Hollande fez um tímido reconhecimento oficial (42 palavras) do massacre policial de centenas de argelinos em Paris, em 1961. O massacre não foi coisa menor: cerca de 30 mil argelinos exigiam nas ruas a independência da então colónia francesa. A polícia de Paris, sob a chefia de Maurice Papon respondeu com ferocidade: «entre 300 e 400 mortos por balas, à coronhada ou por afogamento no rio Sena, 2400 feridos, e 400 desaparecidos» (Algérie Patriotique, 17.10.12). Foi preciso mais de meio século para que a França oficial admitisse sequer que o massacre existiu. Mas nem 51 anos chegaram para que reconhecesse o número de vítimas, abrisse os ficheiros policiais ou apontasse responsáveis. Fosse na Síria e outro Hollande cantaria.

Papon foi colaboracionista dos nazis durante a II Guerra Mundial e viria a ser condenado em 1998 por «cumplicidade em crimes contra a humanidade, tendo colaborado na deportação de judeus sob o regime de Vichy» (FranceInter, 17.10.12). Mas como em muitos outros países, a restauração burguesa e imperialista na França após 1947 foi feita com a pior escória fascista. Durante décadas Papon teve numerosos cargos oficiais. Em 8 de Fevereiro de 1962 participou noutro massacre de Estado em Paris: durante uma manifestação sindical contra o terrorismo fascista da OAS, nove membros da CGT e do PCF foram assassinados pela polícia na estação de metro de Charonne. Papon foi ministro sob os presidentes gaullistas Barre e Giscard d'Estaing (1978-81). E o massacre de 1961 passou em silêncio durante a presidência do socialista Mitterrand, ele próprio implicado na brutal repressão colonial na Argélia. Mitterrand era ministro da Justiça de França no início de 1957, quando o General Massu e os seus paraquedistas (imortalizados no filme de Gillo Pontecorvo, A Batalha de Argel) receberam plenos poderes policiais na capital argelina, desencadeando uma feroz repressão, com tortura e assassinatos, que esmagou temporariamente o movimento de libertação nacional argelino. O sangue de centenas de milhares de argelinos manchou as mãos de toda a classe dirigente francesa, antes que – fez este ano meio século – a Argélia conquistasse a sua independência.

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Também neste último mês, do outro lado do Canal da Mancha, se confessou bárbaros crimes. Um tribunal de Londres reconheceu a três quenianos vítimas da ferocidade colonial, ao fim de seis décadas, o direito a apresentar (!) pedidos de indemnização. Um deles foi castrado pelas autoridades coloniais (BBC, 5.10.12). Como informa a notícia, «milhares de pessoas foram mortas durante a revolta Mau Mau contra a dominação britânica do Quénia nos anos 50 e 60». O governo inglês recorreu da sentença e com um cinismo inexcedível «alegou que a responsabilidade de compensações por torturas infligidas pelas autoridades coloniais foi transferida para a República do Quénia após a independência em 1963». Escreve o Guardian (18.4.12): «milhares de documentos relatando alguns dos mais vergonhosos actos e crimes cometidos nos anos finais do Império britânico foram sistematicamente destruídos para impedir que caíssem nas mãos de governos pós-independência» e «os documentos que escaparam à destruição foram discretamente transferidos para a Grã Bretanha, onde ficaram escondidos durante 50 anos, num ficheiro secreto do Foreign Office». Alguns documentos «pormenorizam a forma como suspeitos insurrectos foram espancados até à morte, queimados vivos, castrados […] e agrilhoados durante anos», enquanto «ministros e altos funcionários públicos tinham total conhecimento dos abusos e do assassinato horrendo e sistemático de detidos […] mas declaravam repetidamente ao público britânico que tal não estava a acontecer».

Há quem esteja surpreendido com o comportamento dos dirigentes troikeiros da UE. Mas esta sempre foi a natureza das potências imperialistas que estão por detrás do «projecto europeu». Podem pintar a cara de azul com estrelinhas amarelas e trautear Beethoven. Mas a UE reflecte a natureza de classe do sistema imperialista que a gerou: criminoso, explorador, agressivo. E que hoje procura novas colónias.

In jornal «Avante!» - Edição de 16 de Novembro de 2012

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Terça-feira, 26 de Junho de 2012
Tambores de guerra na Síria?

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Ron Paul, congressista republicano, duas vezes candidato à presidência dos Estados Unidos, médico de profissão, cirurgião da força aérea durante a guerra de Vietname e autor de vários livros, considerado padrinho espiritual do conservador Tea Party e que frequentemente choca com as posições dos seus colegas de partido e também com as dos democratas, acaba de publicar, em Information Clearing House, um polémico artigo sobre a Síria, no qual avança com várias verdade «incómodas», que começam com o título desta nota.

Sobre um dos massacres mais recentes (o artigo é de 5 de Junho) registado de forma manipulada pelos media, Ron Paul comenta que, «tal como seria de esperar numa administração (a do seu país) com uma política declarada de ‘mudança de regime’ na Síria, a reacção foi atirar as culpas só para cima do governo da Síria», expulsar o pessoal diplomático e «anunciar que os EUA poderiam atacar a Síria mesmo sem a aprovação da ONU». Sem negar que o ataque possa ter sido perpetrado pela forças governamentais, o congressista recorda que «bombardeamentos e ataques recentes foram obra dos rebeldes, que têm relações com a Al Qaeda» e que num caso tão sensível «faria sentido esperar por uma investigação completa (...) a menos que a verdade seja menos importante que agitar as emoções a favor de um ataque dos EUA».

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Domingo, 17 de Junho de 2012
A real agenda Síria
O massacre de Al-Houla na Síria foi, como cada vez mais provas apontam, um hediondo crime, concebido e executado por grupos terroristas armados a partir do exterior, com o objectivo de ser atribuído às forças militares e de segurança sírias. O seu propósito foi apenas um, subir um degrau mais na escalada de violência interna e prosseguir a agenda, claramente gerida por Washington, de destruição do plano Annan. Um plano que – apesar de sustentado numa linha de ingerência externa e de não reconhecimento e condenação do papel dos grupos terroristas – tinha a virtude de retirar campo, no imediato, à chamada «solução militar» e de reconhecer a legitimidade do governo sírio.
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«Os observadores das Nações Unidas ainda não foram capazes de determinar os contornos e a autoria do mais recente massacre na Síria. Não obstante, o governo sírio continua sob intensa pressão mediática e diplomática por parte do imperialismo.»

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Domingo, 12 de Dezembro de 2010
O caso Kátine: E no entanto, ela move-se…

Como se a verdade histórica dependesse de uma decisão parlamentar, a Duma russa, cuja maioria é constituída por partidos burgueses, decidiu [26.11] que foram os soviéticos quem executou os oficiais polacos, enterrados numa vala comum em Kátine. Uma curiosa demonstração da grande semelhança que existe entre a visão da verdade das supostas democracias capitalistas e a da Igreja Católica do Renascimento.

Tal como já Galileu Galilei tinha comprovado, quando para salvar a vida teve de renunciar à defesa da sua descoberta científica de que a Terra se movia em torno do Sol e não o contrário, a ciência continua a estar subordinada à ideologia oficial e, no caso de Kátine, por muito que Goebbels reconheça no seu diário que os alemães estavam a conseguir lançar a culpa do massacre sobre os soviéticos, seus inimigos, o dogma impõe hoje que o Sol tenha que girar em torno da Terra, ou seja, que os maus são com toda a certeza os comunistas.

Todavia, como também se diz que afirmou o cientista italiano, depois do que poderia ter sido a votação da Duma da altura: «No entanto, ela move-se».

O caso Kátine foi uma das armas a que o aparelho de propaganda nazi dedicou maior capacidade de manipulação durante a Segunda Guerra Mundial. Nesse período, tanto os ingleses como os norte-americanos, e o resto dos aliados, estavam convencidos de que os verdadeiros assassinos foram os soldados alemães, após o ataque à URSS e o abandono pelo Exército Vermelho dos campos de prisioneiros polacos, que foram tomados pelos alemães.

No entanto, depois da vitória do Exército Vermelho na II Guerra Mundial, com a tomada de Berlim, os outros vencedores rapidamente aproveitaram tudo o que puderam dos seus inimigos militares, mas irmãos ideológicos. E para além de salvarem milhares de nazis da prisão para os colocar ao serviço do novo império, ao qual podemos chamar IV Reich, adoptaram as técnicas da propaganda de Goebbels e continuaram a defender as suas mentiras com o objectivo de desprestigiar a poderosa União Soviética.

 

Uma mentira recuperada

 

A partir de então, as valas comuns de Kátine, objectivo principal da manipulação dos nazis, converteram-se no centro da manipulação dos media de propaganda capitalistas, e, subitamente, os aliados assumiram a opinião defendida por Hitler e pelos nazis a respeito do fuzilamento dos oficiais polacos – num ápice os assassinos passaram a ser os soviéticos. E tudo isto, claro, apesar dos milhares de testemunhos de camponeses da zona, apesar de se encontrarem entre os restos dos esqueletos postais com data posterior à invasão nazi, e, porventura mais evidente, mesmo tendo lido no diário de Goebells, o seu grande mestre, que as acusações contra os soviéticos eram criação da propaganda nazi.

Tanto fazia, pois neste caso, como para a Igreja da época de Galileu, não importava se os factos e as provas mostravam quem eram os verdadeiros assassinos, já que o essencial era manter a ordem das coisas, de que a Terra era o centro do Universo ou que os capitalistas são boa gente e os comunistas a pior espécie.

Com a queda da União Soviética, a coisa tornou-se muito mais fácil. Subitamente, com Gorbatchov, Iéltsine e toda a ralé de traidores que venderam o povo soviético e entregaram os seus direitos e riquezas nas mãos de mafiosos, os arquivos do KGB abriram-se e começaram a aparecer provas «definitivas» e «inquestionáveis» sobre todos os crimes dos comunistas. Assim, até o próprio Stáline teria enviado uma nota manuscrita a Béria, apoiando a sua ideia de se livrar de todos os oficiais polacos sem julgamento.

Incrivelmente, os comunistas eram tão inocentes que punham por escrito os seus crimes para que fossem conhecidos no futuro pela humanidade inteira (apesar de, no entanto, curiosamente, não se conhecer nenhum documento assinado por Hitler que o relacione com a campanha sistemática de eliminação das minorias étnicas, políticas e religiosas – será porque até os nazis e os EUA, os maiores genocidas da história, sabem que ordens como a que supostamente teria dado Stáline, isto é, condenar milhares de pessoas sem julgamento prévio, não se põem por escrito?).


 

O dogma e a dominação

 

Vinte anos depois, em pleno processo de desintegração do capitalismo, quando a oligarquia entusiasmada de há 20 anos vê que afinal o fim da história não chegou, a cuidadosa construção do dogma, indicando claramente quem é Deus e quem é o Diabo, parece mais necessária do que nunca. É a maneira de evitar que os ateus e os hereges continuem a multiplicar-se e que o status quo, que custou tantos anos a recuperar, volte a inverter-se, que o poder e a riqueza passem para as mãos dos que a produzem e se acabe de novo com as negociatas da oligarquia e de outros parasitas, que hoje voltaram a governar a União Soviética e continuam governando a maior parte do mundo.

O sabbat normativo teve lugar na Duma russa, naquela que antes foi a Assembleia dos Sovietes, que representavam todos os trabalhadores e camponeses da URSS, ou seja, os que produzem toda a riqueza, e hoje é, sobretudo, o lugar onde se reúnem delegados das mafias, empresas e lobbys, cujo fim principal, pelo contrário, é manter os trabalhadores e camponeses bem domesticados. Assim, apesar das demonstrações que o Partido Comunista da Federação Russa tem vindo a fazer sobre as falsificações dos arquivos soviéticos na época do alcoólico, assassino e fascista Boris Iéltsine, o parlamento russo decidiu que os trabalhadores soviéticos, isto é, que o seu Estado foi o culpado pelo massacre de Kátine, como dizia Goebbels (ao fim e ao cabo este está muito mais próximo dos interesses da oligarquia russa do que os soviéticos), e que os nazis estavam inocentes.

Como se em questões científicas a democracia (este simulacro de democracia) tivesse autoridade para transformar as provas e resultados em verdades absolutas, à semelhança da época de Galileu, em que o voto de seis, suponhamos, sobre o de quatro converteu em algo de inquestionável que a Terra era e seria para todo o sempre o centro do Universo, também a Duma russa deu a sua achega para consolidar o dogma ideológico, que assegura que os trabalhadores continuem ajoelhados e resignados, fechando para isso os olhos às provas que demonstram o contrário (se bem que os factos e os argumentos nunca convencerão os que justificam o seu poder com base em mentiras convertidas em dogmas).

 

Um instrumento de fé

 

Definitivamente, a Duma russa do capitalismo votou que a Terra é o centro do Universo e que o Sol gira em seu torno, demonstrando, como sabiam os antifascistas que lutaram contra os nazis, franquistas e fascistas italianos durante a Segunda Guerra Mundial, que o capitalismo e o fascismo são apenas duas faces da mesma moeda. Deu razão a Goebbels, apesar dele próprio (o lhe teria seguramente provocado um êxtase assassino não tivesse já sido comido pelos vermes, a menos que lhes tenha provocado asco). Para isso não se hesitou em usar a democracia como instrumento a favor da fé na verdade oficial (o dogma), em vez de um instrumento de luta a favor do bem-estar do povo ou da justiça. Na realidade há pouca diferença entre a democracia burguesa e a Igreja da Inquisição (ao fim e ao cabo ambas defendem as mesmas coisas).

Não obstante, como bem sabia Galileu, o Sol continuará sendo o centro do sistema solar, apesar das decisões das igrejas ou daqueles que usam a democracia para justificar as supostas verdades que favorecem a sua dominação. Apesar de hoje vivermos tristes momentos da história, e talvez haver agora mais fascistas pululando pelo mundo do que nunca antes, como já nos demonstrou o génio italiano – «…ela move-se».

Tradução e subtítulos da responsabilidade da Redacção do Avante!. Texto publicado no blog do autor em 27.11

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