TERRAS DE PENALVA ONDE «A LIBERDADE É A COMPREENSÃO DA NECESSIDADE»

Quinta-feira, 8 de Dezembro de 2016
Crónicas do País da fome, do medo e da ignorância

Retalhos da vida de um médico

 

Em Retalhos da Vida de Um Médico, percorremos os itinerários do país salazarento, interior, doente, matreiro e desconfiado, país das homílias da conformação, das leiras da fome, das casas celtiberas, da insalubridade quase medieval, da rudeza elementar e da transcendência. O jovem médico, acantonado em Monsanto, nessa que foi, no desvario folclórico do fascismo, a aldeia mais portuguesa de Portugal, percorre veredas, socalcos, caminhos abertos nas faldas da serra por onde as mulas, os burros e os carros de bois se esgueiram entre ventos e chuva, para socorrer os pacientes que o procuram quase sempre em situação extrema, quando desenganados de charlatães, bruxedos e mezinheiros, muitas vezes para apenas confirmar o óbito. Um povo triste e desamado.

(...)

Retalhos da Vida de Um Médico é um exemplo do texto clássico do neo-realismo e uma das obras fundamentais da literatura portuguesa do século XX. Um documento raro, sensível e lúcido sobre a realidade profunda do Portugal fascista; país de silêncios, de medos e de revoltas crescendo no meio dos trigais que Namora, sem contemplações, põe a nu – país de ocultas misérias denunciado pela pena de um autor que nestes textos se revela indignado com o sofrimento dos seus concidadãos, e é esse modo de dizer a revolta, de a tornar humana e lídima, que torna estes textos actuais e de uma indefectível universalidade.

AQUI

 


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Sábado, 9 de Maio de 2015
UPP: Visita de estudo ao Ribatejo

UPP Ribatejo

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Terça-feira, 7 de Abril de 2015
UPP: Alves Redol

UPP Alves Redol

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Sexta-feira, 9 de Dezembro de 2011
António Alves Redol (29 de Dezembro de 1911 / 29 de Novembro de 1969)

Um escritor comprometido com o povo e a sua cultura

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(...)

Como escritor, Alves Redol ficará na história, em primeiro lugar, como o autor do primeiro romance do neo-realismo português – Gaibéus – e, depois, por uma vasta e diversificada obra literária: romances, contos, teatro, histórias infantis, ensaios, que marcaram impressivamente a nossa literatura e fazem dele um nome maior da história da cultura portuguesa.

Com Gaibéus, Fanga, Avieiros, Vindimas de Sangue, Uma Fenda na Muralha, A Barca dos Sete Lemes, Barranco de Cegos, entre outras obras, Redol trouxe para a literatura os problemas dos trabalhadores, os seus anseios, as suas aspirações, as suas lutas. Nos seus romances, nos seus contos, nas suas peças de teatro, ele toma partido: com o seu talento, com a sua inteligência, com a sua sensibilidade, toma inequivocamente o partido dos explorados, dos oprimidos, dos humilhados e ofendidos, contra os exploradores e os opressores. E sabemos as implicações decorrentes de tal opção naquele tempo de ausência total de liberdade.

Não foi por acaso que Alves Redol conheceu por duas vezes a brutalidade da PIDE – como não foi obra do acaso o facto de ele ter sido o único escritor português obrigado a submeter os seus romances à censura prévia dos esbirros fascistas.

(...)

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Para Ouvir e Ver:

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Sexta-feira, 18 de Março de 2011
Alves Redol e Manuel da Fonseca em selo

Image 6993

Alves Redol, fundador do neo-realismo e Manuel da Fonseca, o escritor que retratou o Alentejo na primeira metade do século XX, são lembrados pelos CTT – Correios de Portugal – numa emissão filatélica intitulada «Vultos da História e da Cultura», lançada na segunda-feira.

O design do selo de Alves Redol, com o valor facial de 0,32 euros, é de Sofia Martins, baseado numa fotografia de Augusto Cabrita, da colecção de António Mota Redol, e em ilustrações de Manuel Ribeiro de Pavia, a partir da edição da Popular/Inquérito de «Gaibéus». Com o valor de 0,47 euros, o selo que retrata Manuel da Fonseca baseia-se numa fotografia e num manuscrito do escritor, pertencentes ao Museu do Neo-Realismo, em Vila Franca de Xira, com design de Sofia Martins.

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Domingo, 7 de Novembro de 2010
30 anos: «Levantado do Chão» - a terra a quem a trabalha

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Quarta-feira, 21 de Julho de 2010
Levantado do chão - Ou a história da epopeia do operariado agrícola Alentejano contada ao mundo

José Saramago, Prémio Nobel da Literatura em 1998 e recentemente falecido, escreveu e publicou o essencial da sua obra nos 20 anos anteriores à conquista desse prémio. O primeiro dos romances em que se revela o seu estilo próprio de escrita é precisamente Levantado do Chão. Publicado em 1980, representa para o autor «o último romance do Neo-Realismo, fora já do tempo neo-realista» (Reis, 1998, p.118). De facto, não sendo estritamente um romance neo-realista, Levantado do Chão pode ser visto como um entroncamento para onde confluiu toda uma forma de fazer literatura em Portugal no século XX.

Nesta obra de ficção Saramago aborda, por um lado, a história da vida e morte do latifúndio, com efeito, desde a Idade Média até finais dos anos 70 e, por outro lado, num espaço histórico mais curto, a saga da família Mau-Tempo «que, em três gerações (Domingos Mau-Tempo, seu filho João e seus netos António e Gracinda, esta casada com outra personagem central, António Espada), vai conquistar a terra para as capacidades do seu trabalho, vai arrancar-se à vergonha das humilhações, vai preencher a fome de uma falta total. O romance é, assim, a história de um fatalismo desenganado, constantemente combatido pelo apontar da esperança feita luta» (Seixo, 1987, p.39). As duas ondas históricas entrelaçam-se num período de tempo que vai do final do século XIX até aos anos seguintes à Revolução de 25 de Abril de 1974. Esta articulação entre dois planos tem a vantagem de oferecer uma problematização assaz instigante do papel e do lugar do(s) indivíduo(s) no desenvolvimento histórico mais vasto.

Ler Texto Integral

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Quarta-feira, 31 de Março de 2010
Leitura Obrigatória (CXCVIII)

Engrenagem (Soeiro Pereira Gomes)

É em Engrenagem que o estudo da evolução da consciência social dentro das condições determinadas de trabalho, de relações de produção e de luta de classes, adquire proporções e uma profundidade nunca atingidas na literatura portuguesa. Aí a obra de Pereira Gomes é radicalmente revolucionária, veio abrir novos caminhos. É como se um laboratório (mas laboratório da vida) submetesse à experiência a consciência social de pessoas que, de súbito, entram num ambiente de trabalho que inteiramente desconheciam – o das relações de produção industriais.

Augusto da Costa Dias


In Edições «Avante!»

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Quarta-feira, 9 de Dezembro de 2009
Unidade e diversidade no neo-realismo português

                   


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Quinta-feira, 29 de Outubro de 2009
Leitura Obrigatória (CLXXIII)

Esteiros (Soeiro Pereira Gomes)   

A obra de Soeiro Pereira Gomes nasceu do seu empenhamento na luta ao lado dos trabalhadores, de todos os explorados.

Nasceu da sua militância no Partido, ao qual consagrou por completo a vida.

A beleza dessa obra, o seu rigor, a sua força mobilizadora que convidam à solidariedade e à luta os que o lêem, são fruto, em grande parte, de tal empenhamento e tal militância.

Por isso é uma obra de liberdade e libertadora.
                             
Augusto Costa Dias

                                                     

In Edições «Avante!»

                               

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Sábado, 30 de Maio de 2009
Leitura Obrigatória (CLIII)

     Contos Vermelhos e Outros Escritos (Soeiro Pereira Gomes)

Pereira Gomes teve de deixar casa e família para mergulhar na noite clandestina. Era um intelectual, mas sem verniz. A rudeza da vida na clandestinidade, as mil carências e perigos, a exigência de tarefas complexas, temperaram o militante e moldaram o dirigente.

Membro do Comité Central, a sua actividade desdobrou-se numa escala mais vasta. Mesmo assim o escritor que ele era não morreu. A sua pena debruçou-se sobre a modesta elegia dos seus companheiros de luta e deu-nos quadros de tocante humanidade. Os seus Contos Vermelhos falam dos heróis anónimos que cimentaram o Partido e não perderam a fisionomia de homens e proletários.

Dias Lourenço 

                                                     

In Edições «Avante!»

                                       

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Terça-feira, 19 de Maio de 2009
Soeiro Pereira Gomes - Um militante que era escritor

     Soeiro Pereira Gomes é o nome de um escritor que era militante comunista ou de um militante comunista que era escritor? Soeiro Pereira Gomes foi alguém, um indivíduo concreto, que foi indissociavelmente uma e outra coisa, que construíu com a sua vida essa unidade íntima de duas qualidades distintas, num período histórico difícil mas exaltante.

Joaquim Soeiro Pereira Gomes nasceu há 100 anos, em 14 de abril de 1909, em Gestaçô, concelho de Baião, no distrito do Porto. Morreu há 60, em 5 de Dezembro de 1949, em Lisboa. Morreu relativamente jovem, alguns meses depois de ter feito 40 anos.


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Sexta-feira, 8 de Maio de 2009
100º Aniversário do nascimento de Soeiro Pereira Gomes

    A vida e obra de Soeiro Pereira Gomes constituem um todo no qual está sempre presente o seu ideal de justiça social, de liberdade e de paz, e cuja perspectiva é sempre a do derrubamento do fascismo, da conquista da liberdade e da construção de uma sociedade sem exploradores nem explorados.

                                                                             


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Quinta-feira, 23 de Abril de 2009
Centenário do nascimento de Soeiro Pereira Gomes - Exposição

    Soeiro Pereira Gomes: intelectual, escritor, resistente antifascista, dirigente do Partido Comunista Português.

No centenário do seu nascimento, o PCP elaborou uma exposição que retrata a  sua vida e a sua obra, que testemunham um profundo compromisso com a luta pela libertação dos explorados e dos oprimidos, pela democracia e pelo socialismo.  

                                                       


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Terça-feira, 14 de Abril de 2009
Soeiro Pereira Gomes nasceu há 100 anos

    Joaquim Soeiro Pereira Gomes (Gestaçô, 14 de Abril de 1909 - Lisboa, 5 de Dezembro de 1949)

Para Ver e Ouvir:

adaptado de um e-mail enviado pelo Jorge                                      

                                                                    


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Quarta-feira, 11 de Março de 2009
Manuel da Fonseca (15 de Outubro de 1911 — 11 de Março de 1993)

     Manuel Lopes Fonseca

                                                                                                                                           


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Sexta-feira, 18 de Abril de 2008
Neo-realismo, uma legítima opção estética, um contributo para a modernidade

Texto de Margarida Tengarrinha

    «O neo-realismo, as exposições gerais de artes plásticas e a contribuição que deram à luta pela modernidade da arte, em Portugal, têm sido persistentemente votados ao esquecimento, atacados ou deturpados. É altura de reabilitar e conferir a sua real dimensão a essa fase tão importante da História da Arte Contemporânea, ligada indissoluvelmente à luta anti-fascista em Portugal»

                     

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