TERRAS DE PENALVA ONDE «A LIBERDADE É A COMPREENSÃO DA NECESSIDADE»

Sábado, 10 de Dezembro de 2016
10 de Dezembro de 1911 – Marie Curie recebe Nobel da Química

Marie Curie

Natural de Varsóvia, na Polónia, Marie Curie estudou em Paris, numa época em que mundo universitário e científico era essencialmente masculino.

Licenciou-se em 1.º lugar em Ciências Matemáticas e Física, na Sorbonne, onde foi a primeira mulher a leccionar.

Juntamente com o marido, Pierre Curie, estudou os fenómenos da radiação, recebendo ambos o Prémio Nobel da Física, em 1903; foi a primeira mulher com tal distinção.

Em 1911, já viúva, Marie recebe o Nobel da Química «em reconhecimento (...) pela descoberta dos elementos rádio e polónio [em homenagem à Polónia], o isolamento do rádio e o estudo da natureza dos compostos deste elemento».

Numa atitude verdadeiramente altruísta, o casal Curie não registou a patente do processo de produção do rádio nem da sua aplicação no tratamento de cancro e outras doenças.

Muito do que se faz hoje na medicina nuclear deve-se ao caminho aberto por Marie Curie e da aplicação das suas descobertas ao serviço da humanidade.

AQUI

 


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Quarta-feira, 15 de Junho de 2016
15 de Junho de 1924 – 20 Poemas de Amor e uma Canção Desesperada

20-Poemas de Amor

Pablo Neruda, aliás Nefatali Ricardo Reyes, tinha apenas 20 quando editou o livro «20 Poemas de Amor uma Canção Desesperada», consensualmente considerado como uma jóia da poesia latino-americana.

Dirigidos por um homem a uma mulher – não necessariamente a mesma –, os poemas abordam a complexidade da relação amorosa, misturando a felicidade com a melancolia, a alegria da posse com a tristeza da ausência, a certeza do amor («Quero fazer contigo o que a primavera faz com as cerejeiras», poema 14), com o desespero do abandono («Posso escrever os versos mais tristes esta noite», poema 20).

Com propriedade, esta obra da juventude revela o poeta que Neruda tão bem definiu quando recebeu o Nobel de Literatura em 1971:

«Frequentemente disse que o melhor poeta é o homem que nos entrega o pão de cada dia, o padeiro mais próximo e que não se crê um deus. Ele cumpre a sua majestosa e humilde tarefa de amassar, colocar o pão no forno, dourar e entregar o pão de cada dia como uma obrigação comunitária. E se o poeta alcançar esta consciência poderá também converter-se como parte de uma colossal obra de artesão [...] e entregar com a sua mercadoria: pão, verdade, vinho e sonhos.»

AQUI

 

Pablo Neruda_Av

Pablo Neruda e Pablo Neruda

 


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Segunda-feira, 15 de Outubro de 2012
Atribuição do Prémio Nobel da Paz à União Europeia: 3 declarações

«A realidade da acção e dos propósitos enunciados pela União Europeia muito se distanciam dos valores e princípios proclamados e estabelecidos pela histórica Conferência de Helsínquia, realizada em 1975, como: o respeito da soberania; o não recurso à ameaça ou uso da força; o respeito pela integridade territorial dos Estados; a resolução pacífica dos conflitos; a não ingerência nos assuntos internos dos Estados; o respeito pelos direitos humanos e liberdades fundamentais; o direito à autodeterminação dos povos; e a cooperação entre os Estados – valores e princípios inscritos na Carta das Nações Unidas.»

«A CGTP-IN considera a atribuição do Prémio Nobel da Paz à U.E. uma profunda afronta aos trabalhadores e povos que sofrem no seu dia a dia as consequências das políticas e medidas crescentemente anti-laborais, anti-sociais e anti-populares desenvolvidas pelas estruturas dirigentes da União Europeia e por uma grande parte dos governos que a constituem. Não é aceitável que se atribua este galardão ressaltando “a luta pela paz e reconciliação, pela democracia e pelos direitos humanos”, ao mesmo tempo que se omite a profunda deriva de uma U.E. crescentemente neoliberal e orientada por princípios e práticas que lesam os interesses dos trabalhadores e dos povos, sobretudo dos países economicamente mais débeis

«Trata-se de uma inaceitável decisão, tão mais hipócrita quanto a União Europeia, pilar europeu da NATO, assume nestes dias um destacado papel nas operações de ingerência, chantagem e agressão militar na região do Médio Oriente, nomeadamente com as ameaças de agressão à Síria e a outros países soberanos da região. Simultaneamente constitui uma operação de branqueamento da história da União Europeia - marcada pela sua militarização e pela sua participação em algumas das principais guerras de agressão imperialista nos últimos 20 anos – e um vergonhoso atentado à memória dos milhões de seres humanos que deram a vida para libertar a Europa da guerra e do jugo do nazi-fascismo.»

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Sexta-feira, 1 de Abril de 2011
Souto Moura, Prémio Pritzker: «A chamada geração à rasca, está mesmo à rasca, está mesmo a sair»

O arquiteto Souto Moura acredita que só recebeu o Prémio Pritzker 2011 – que é considerado o Nobel da Arquitetura – pela sua simplicidade e capacidade de trabalhar com pouco dinheiro, o que considera ser importante em época de crise. 19 anos depois de Siza Vieira, Souto Moura é o segundo português a juntar-se à elite da arquitetura mundial, mas não esquece os problemas dos jovens arquitetos portugueses. A chamada geração à rasca está mesmo à rasca , afirmou na noite passada, numa conferência de imprensa em Lisboa, a qual foi seguida pelo repórter Nuno Carvalho.

Clique sobre o texto para ouvir a entrevista

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Para Ver e Ouvir:

adaptado de um e-mail enviado pelo Jorge

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Terça-feira, 4 de Janeiro de 2011
Thorbjørn Jagland nas suas palavras e actos

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Thorbjørn Jagland (há quem escreva Thorbjorn Jagland ou Thorbjoern Jagland) é um nome que, praticamente, nada diz aos nossos leitores...

Todavia, este norueguês é uma pessoa importante.

Thorbjorn Jagland é Secretário Geral do Conselho da Europa desde 1 de Outubro de 2009. Foi Primeiro-Ministro da Noruega de 25 de Outubro de 1996 a 17 Outubro de 1997. Foi Ministro dos Negócios Estrangeiros de 17 de Março de 2000 a 19 de Outubro de 2001. Foi Presidente do Parlamento da Noruega (Storting) de 10 de Outubro de 2005 a 1 de Outubro de 2009. E foi membro do Parlamento entre 1993 e 2009.

É um dos muitos vice-presidentes da Internacional Socialista.

Caramba, é uma pessoa mesmo importante!


Em 2009, Thorbjørn Jagland tornou-se Presidente do Comité Nobel Norueguês, aquele que distribui o Prémio Nobel da Paz.

Deu os prémios de 2009 (Obama) e 2010 ( Liu Xiaobo ).

Aqui, os nossos leitores mais ingénuos dirão que ele é uma espécie de Sua Santidade que faz beatificações e santificações ao distribuir os Prémios Nobel da Paz.

Os nossos leitores menos ingénuos quererão saber o que ele disse e o que ele fez.


A verdade, a crua e cruel verdade!, é que Thorbjørn Jagland é, também, membro da Assembleia Parlamentar da NATO! Leia em francês

Para Ler : (a posição que ele tomou em 26 de Maio de 2003 na referida Assembleia)

Em francês:

  • «Thorbjørn Jagland (N) regrette que, en l'absence d'un accord préalable de l'ONU, la Norvège n'ait pu suivre les États-Unis sur la manière de traiter le régime irakien. La politique étrangère de Washington est incohérente : si l'administration américaine veut véritablement combattre le fondamentalisme islamiste et le terrorisme, pourquoi soutient-elle l'Arabie saoudite et n'intervient-elle pas en Syrie et en Iran? L'intervenant a demandé qu'une définition commune du terrorisme et de ses causes soit établie, de même qu'une stratégie conjointe visant à combattre les deux. À cet égard, la "feuille de route" pour le règlement du conflit israélo-palestinien est un grand pas en avant

Em inglês

  • «Thorbjørn Jagland (N) regretted that without prior UN approval Norway could not follow US leadership over how to tackle the Iraqi regime. He commented that, in his view, US foreign policy had been inconsistent and asked why, if it was serious about combating Islamic fundamentalism and terrorism, the US supported Saudi Arabia and why it did not act in Syria or Iran? He called for a common understanding of terrorism and its causes as well as a common strategy to fight both. In this respect, the "Road Map" for a solution to the Israeli-Palestinian conflict was an important step forward.»

In NATO PA - 26 May 2003 – MINUTES of the meeting of the Political Committee...

Para Ler : (algumas posições que ele tomou em 13 ou 14 de Novembro de 2004 na referida Assembleia)

Em francês:

  • «Jagland (NO) déplore l’absence de principe clair pour lutter contre les groupes terroristes. (...) M. Jagland (NO) juge "impératif " d’impliquer des pays musulmans en Irak

Em inglês

  • «Thorbjoern Jagland (NO) bemoaned the lack of a clear concept to tackle terrorist groups. (...) Mr Jagland (NO) considered it " imperative " to involve Muslim countries in Iraq

In NATO PA - 13-14 November 2004 - SUMMARY of the meeting of the Political Committee..

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Para Ler : (algumas posições que ele tomou em 26 de Novembro de 2009 na referida Assembleia)

Em francês:

  • «M. Jagland dit que si l’Alliance est en Afghanistan ce n’est pas pour son intérêt propre, mais pour mettre un terme à la tyrannie, dans le cadre d’une résolution des Nations unies visant à faire cesser le terrorisme et à empêcher des conflits futurs. Chaque défi réaffirme la nécessité, pour l’OTAN, de mettre en place des alliances et de s’adapter aux nouvelles réalités.»

Em inglês

  • «Mr Jagland said that NATO is not in Afghanistan for the sake of NATO; it is there to stop tyranny under a UN resolution to stop terrorism and future wars. Each challenge reaffirms the need for NATO to build alliances and adapt to the new realities.»

In NATO PA - Tuesday 26 May 2009 - SUMMARY of the PLENARY SITTING ..

Para Ler:

(Dois artigos que ele escreveu no jornal norueguês Aftenposten, com as respectivas traduções)

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Terça-feira, 14 de Dezembro de 2010
Liu Xiaobo nas suas próprias palavras...
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Liu Xiaobo, como se sabe, é o Prémio Nobel da Paz 2010.

Já aqui tínhamos feito referência ao que ele escreveu no China Observer em 31 de Outubro de 2004 (The Free Iraq Operation and US presidential election) - ler Quem escreveu «que a excelência de Bush na luta contra o terrorismo [no Iraque] não pode ser negada»?

No artigo, o seu autor, começa por dizer que, na campanha entre John Kerry e George W. Bush, apoia este último e lamenta que Kerry tenha feito da guerra no Iraque o grande tema. Em seguida apoia a agressão de Israel aos Palestinianos e as guerras que os Estados Unidos fizeram à Coreia e ao Vietnam / Vietname (além de apoiar a agressão ao Iraque, claro).

Mais adiante, diz Liu Xiaobo:

«Para lidar com o terrorismo, como ameaça extrema sobre a civilização humana, os Estados Unidos não devem ter nenhuma hesitação no uso da força. É preciso determinação para impedir que um desastre semelhante ao 11 de Setembro aconteça novamente, para reduzir o crescimento do terrorismo internacional e a ameaça de armas de destruição em massa.»

Hoje revelamos o texto que Liu Xiaobo escreveu em 19 de Dezembro de 2006 no Open Magazine de Hong Kong, em que faz referência a uma entrevista dada por ele em 1988 a esse mesmo jornal:

«一九八八年十一月,我結束了挪威奧斯陸大學三個月的訪學,前往美國夏威夷大學,我特意坐了途徑香港的航班。第一次踏上殖民統治造就的自由港,感覺真好!我接受金鐘先生的採訪,感覺更好!

採訪中,金鐘先生的提問很直率,我的回答可謂放言無羈,說出了一段犯眾怒的話。

金鐘問:「那甚麼條件下,中國才有可能實現一個真正的歷史變革呢?」

我回答:「三百年殖民地。香港一百年殖民地變成今天這樣,中國那麼大,當然需要三百年殖民地,才會變成今天香港這樣,三百年夠不夠,我還有懷疑。」

儘管,六四後,這句「三百年殖民化」的即興回答,變成了中共對我進行政治迫害的典型證據;時至今日,這句話仍然不時地被愛國憤青提起,以此來批判我的「賣國主義」。然而,我不會用接受採訪時的不假思索來為自己犯眾怒的言論作辯解,特別是在民族主義佔據話語制高點的今日中國,我更不想收回這句話。»

Tradução livre, feita com auxílio do tradutor do Google (confira original e traduções):

«Em Novembro de 1988 terminei uma visita de três meses à Universidade de Oslo, à Universidade do Havaí nos Estados Unidos. Deliberadamente regressei num voo via Hong Kong. Foi formidável pisar pela primeira vez um porto livre criado por regime colonial! Senti-me muito melhor quendo aceitei uma entrevista com o Sr. Jin Zhong!

Na entrevista, o Sr. Jin Zhong fez-me uma pergunta muito simples e a minha resposta pode ser descrita como completamente livre, para utilizar as palavras de alguns Fan Zhongnu [?].

Ele perguntou: "Então em que condições, os chineses podem alcançar uma mudança verdadeiramente histórica?"

Eu respondi: "Seriam necessários trezentos anos de colonialismo. Em cem anos de colonialismo, Hong Kong mudou para o que se vê hoje. Sendo a China tão grande, é claro que se exige trezentos anos de colonialismo para que ela seja capaz de se tornar naquilo que é Hong Kong actualmente, não tenho dúvidas."

A resposta dada de improviso "trezentos anos de colonização", tornou-se a prova típica para uma perseguição política comunista. Hoje, esta declaração por vezes ainda irrita certos jovens patriotas que criticam a minha "traição".

No entanto, hoje em especial, em que o discurso do nacionalismo ocupou o alto comando da China, não me preocuparei em justificar estes comentários Fan Zhongnu [?] feitos em entrevista. Eu não quero retirar essas palavras.»

Liu Xiaobo, "我與《開放》結緣十九年" (My 19 Years of Ties with "Open Magazine"), Open Magazine, December 19, 2006.

Usando as exactas palavras de um conhecido comentador: «Sem comentários. Há coisas que se comentam a si próprias.»!

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Sexta-feira, 10 de Dezembro de 2010
Henry Kissinger, prémio Nobel da Guerra e do Genocídio (II)

Prémio Nobel da Paz 1973  - Henry Kissinger foi premiado conjuntamente com Le Duc Tho. Le Duc Tho recusou.

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(continuação)

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«Nesta fase, iniciada com as agressões no Médio Oriente e Ásia Central, o imperialismo estado-unidense encontrou situações históricas muito diferentes da que precedeu o seu envolvimento no Vietname e a humilhante derrota que ali sofreu. Nos EUA somente uma minoria percebeu que a guerra estava perdida quando Giap desfechou a ofensiva do Tet. A resposta de Johnson e Kissinger, cedendo aos generais do Pentágono, foi a ampliação da escalada. A agressão alastrou para o Laos e Washington enviou mais tropas para a fornalha vietnamita, semeando a morte a devastação no Sudeste Asiático

«Anote-se de passagem que esta visita de Rice a Tblissi nas vésperas do ataque à Ossétia me lembrou, mas admito que apenas a mim, a visita de Kissinger a Jacarta nas vésperas da invasão indonésia de Timor

Na Casa Branca reúnem-se o presidente da Pepsi, Donald Kendall, Nixon, que tinha sido advogado daquela empresa, Henry Kissinger, Conselheiro de Segurança Nacional, John Mitchell, procurador-geral, o director da CIA, Richard Helms, e claro, Edwards.

Das notas de Helms percebe-se que o grupo está disposto a gastar o necessário. «Dez milhões de dólares disponíveis. Há mais se for preciso», acertam. Querem os melhores homens disponíveis com o objectivo de «fazer gritar de dor a economia chilena».

No mesmo dia, o presidente Nixon informou o director da CIA, Richard Helms, que um governo de Allende não era aceitável para os Estados Unidos e instruiu a secreta para que tivesse um papel directo na organização de um golpe militar no Chile.

Nove semanas antes do golpe, Nixon telefonou a Kissinger para dizer que «o rapaz do Chile pode ter alguns problemas.» Kissinger responde: «creio que definitivamente está em dificuldades».

Henry Kissinger, no prefácio do «Desafio da América», escrito e publicado na Alemanha já depois do 11 de Setembro de 2001, afirma que «na guerra contra o terrorismo o objectivo não é detectar terroristas», e que é sobretudo necessário «não deixar escapar esta ocasião excepcional de redesenhar o sistema internacional» («Die Herausforderung Amerikas» – versão alemã de «Does América need a Foreign Policy?»).

Quando o Xá mandava e fazia as piores tropelias com o apoio de Washington, o secretário de Estado era Henry Kissinger. O autor intelectual do golpe de Estado contra Salvador Allende mantinha então que a «introdução de energia nuclear» era importante para cobrir «as crescentes necessidades da economia iraniana», e explicava que essa opção libertava «as restantes reservas de petróleo para a exportação ou transformação em produtos petroquímicos». Bem pensado, poderia dizer-se. Mas... mudam-se os tempos, mudam-se as verdades. Hoje «para um produtor petrolífero como o Irão, a energia nuclear constitui um desperdício de recursos». Quem o diz? Kissinger! Há nisto alguma contradição? O mesmo Kissinger responde. Antes o Irão «era um país aliado (...) de modo que, em consequência, tinha uma genuína necessidade de energia nuclear».

Que personagens do calibre de Henry Kissinger (no ano seguinte ao golpe fascista no Chile por ele inspirado) ou Menachem Begin surjam na lista não é certamente prestigiante para um tal prémio e mancha indelevelmente um elenco de premiados entre os quais se encontram figuras como Nelson Mandela, Albert Schweitzer, Adolfo Pérez Esquível, Martin Luther King.

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Emblema da Escola das Américas.

Operação Condor

Kissinger aprovou assassinatos

A organização The National Security Archive (NSA) revelou uma nova peça do puzzle que desvenda o envolvimento do ex-secretário de Estado americano, Henry Kissinger, na Operação Condor.

Diz a NSA que, em 1976, Kissinger impediu que os diplomatas norte-americanos em países da América Latina se pronunciassem contra os assassinatos de opositores aos regimes militares fascistas praticados no estrangeiro. Dias depois, um atentado em Washington matou o então dirigente político chileno Orlando Letelier.

Kissinger terá instruído os diplomatas para que não manifestassem repúdio pelo assassinato de «subversivos», quer nos seus próprios países quer no exterior.

Na década de 70 do século passado, os serviços secretos dos EUA auxiliaram as polícias políticas do Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai, Chile e Bolívia na eliminação de opositores aos respectivos regimes.

«A Operação Condor representou um esforço cooperativo de inteligência e segurança entre muitos países do Cone Sul para combater o terrorismo e a subversão», revela um relatório da CIA desclassificado em 1978.

Durante o período de intensas lutas sociais em meados dos anos 70 – perto da altura em que, apoiado pelos EUA, ocorria o golpe militar fascista no vizinho Chile, em Setembro de 1973 – elementos governamentais da Argentina, em especial militares e polícias, criaram organizações para-legais que hoje seriam equivalentes aos «esquadrões da morte». Estes grupos levavam a cabo os raptos e assassínios de esquerdistas. Alguns grupos reagiram com actos de guerrilha urbana.

Com o total apoio do governo norte-americano e do seu secretário de Estado Henry Kissinger, um grupo de generais e polícias tomaram o poder na Argentina. Este grupo fez uma razia não apenas contra a guerrilha urbana esquerdista mas também contra activistas e dirigentes sindicais de todo o espectro político. Os presos eram levados secretamente, torturados e cerca de 30 000 foram mortos.

A 11 de Setembro de 1973, a reacção interna chilena e os seus algozes, apoiados e inspirados por o imperialismo norte-americano, lograram pôr termo, brutalmente, ao governo da Unidade Popular de Salvador Allende, mergulhando o país nas trevas da ditadura sangrenta que perdurou 17 anos. A marca da CIA e o envolvimento de Kissinger e Nixon são irrefutáveis.

Para o grande capital, os mecanismos formalmente democráticos servem apenas como formas de legitimação do seu domínio de classe, a nível nacional e internacional. Se entrarem em contradição com essa dominação, o imperialismo não hesita em liquidá-los. Foi assim há 30 anos, no Chile, como agora se comprova na documentação oficial que vai sendo publicada. Nessa altura, os círculos governantes dos EUA decidiram que havia que pôr termo ao governo democraticamente eleito da Unidad Popular, pois como explicava o então responsável pela política externa dos EUA, Kissinger: «o exemplo bem sucedido de um governo Marxista eleito no Chile teria seguramente um impacto – e serviria até de precedente – para outras partes do globo, especialmente Itália; o efeito de imitação de fenómenos desse tipo teria, por sua vez, um efeito significativo sobre o equilíbrio mundial e a nossa posição no seu seio» (actas de um encontro Kissinger-Nixon, publicadas no National Security Archive). E assim surgiu Pinochet e se pôs termo à democracia burguesa chilena. Também para que servisse de lição. Esta é, e sempre foi, parte integrante da natureza das «democracias ocidentais». O resto são cantos de sereia.

Quando do massacre de My Lai, a imoralidade que consistia em enviar a juventude americana para assassinar um inimigo que nem se distinguia da própria população, tornou-se evidente. E o papel de figuras como as de Robert McNamara e Henry Kissinger tornou-se, pelo menos, repugnante. O drama do Vietname terminou há 31 anos. Estamos a ver os criminosos bombardeamentos aéreos sobre Hanoi e Haiphong, a luta por Danang e Hué, a entrada do Vietcong em Saigão. Parece que os americanos esqueceram as lições recebidas e é por isso que estão a repetir a história dos seus incomensuráveis fracassos no Iraque.

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Para Ler :

  • National Security Study Memorandum 200 National Security Study Memorandum 200: Implications of Worldwide Population Growth for U.S. Security and Overseas Interests (NSSM200) was completed on December 10, 1974 by the United States National Security Council under the direction of Henry Kissinger.
adaptado de um e-mail enviado pelo Jorge

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Quinta-feira, 9 de Dezembro de 2010
Henry Kissinger, prémio Nobel da Guerra e do Genocídio (I)

Kissinger e Obama (Prémio Nobel da Paz 1973 e Prémio Nobel da Paz 2009, respectivamente) na Casa Branca

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Henry Kissinger foi premiado conjuntamente com Le Duc Tho.

Le Duc Tho recusou.

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Shultz, Obama e Kissinger

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«O que é ilegal nós fazemos imediatamente; o que é inconstitucional demora um pouco mais de tempo» [risada] - Henry Kissinger

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Kissinger e Pinochet

(continua)

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adaptado de um e-mail enviado pelo Jorge

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Quinta-feira, 2 de Dezembro de 2010
Quem escreveu «que a excelência de Bush na luta contra o terrorismo [no Iraque] não pode ser negada»?

A frase do título podia ter sido escrita por Barroso (o vidente!), Câncio, Aznar ou Blair. Mas não foram eles a escrevê-la.

A frase do título faz parte do início de um artigo em... chinês: «克里抓住伊拉克的现在困境大做文章,但布什在反恐上的卓越作为,绝非克里的诋毁所能抹杀。»

No artigo, o seu autor, apoia, entre outras coisas, as guerras que os Estados Unidos fizeram à Coreia e ao Vietnam / Vietname:

«历史上,现实中,美国都不是完美的国家,但它至少是最富理想主义和使命感的自由国家,它领导盟国赢得抗击法西斯主义的二战,帮助发动二战的两大罪恶国家德国和日本实现了民主化重建,领导了对抗共产极权的韩战和越战,最终赢得了长达半个世纪的自由与极权之间的冷战;美国在中东帮助埃及获得了独立,一直保护处在阿拉伯诸国包围中的以色列,如果没有美国的保护,长期受到迫害且在二战中遭遇种族灭绝的犹太人,大概又将被伊斯兰世界的仇恨所淹没,美国被阿拉伯人所仇恨和屡遭伊斯兰恐怖主义的袭击,显然与美国对以色列的长期支持高度相关。»

E, mais adiante no artigo, escreve o autor:

«对付诸如恐怖主义这样肆意践踏文明底线的极端人类公害,美国在使用武力时不应该有任何犹豫。只有果断坚决,才能制止类似9•11灾难的再次发生,减少日益国际化的恐怖主义和大杀伤力武器的威胁。»

ou seja,

«Para lidar com o terrorismo, como ameaça extrema sobre a civilização humana, os Estados Unidos não devem ter nenhuma hesitação no uso da força. É preciso determinação para impedir que um desastre semelhante ao 11 de Setembro aconteça novamente, para reduzir o crescimento do terrorismo internacional e a ameaça de armas de destruição em massa.»

Quem escreveu estas frases foi o Prémio Nobel da Paz 2010 Liu Xiaobo no China Observer em 31 de Outubro de 2004 (The Free Iraq Operation and US presidential election).

Podem ser lidas AQUI. Estão traduzidas AQUI em várias línguas.

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adaptado de um e-mail enviado pelo Jorge

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Segunda-feira, 2 de Novembro de 2009
A Bíblia é para tomar à letra, ou não? Decidam-se!

Caim, em Portugal é editado pela Caminho, no Brasil pela Companhia das Letras, na Catalunha pela Edicions 62 e em castelhano, para a Espanha e América Latina, pela Alfaguara.

Vídeo da FJSaramago:

adaptado de um e-mail enviado pelo Jorge

                                                                     


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Domingo, 28 de Dezembro de 2008
Harold Pinter sobre a guerra no Iraque (2005)

     Nobel Prize-winning playwright Harold Pinter, who has died at the age of 78, strongly opposed the war in Iraq, calling it ''a bandit act.'' In a speech he gave in Sweden, he said President George W Bush and UK Prime Minister Tony Blair should be tried as war criminals for instigating the invasion.

Ver vídeo e ler:              

  • Notícia da BBC                              

 

Transcrição:

The invasion of Iraq was a bandit act, an act of blatant state terrorism, demonstrating absolute contempt for the concept of international law. The invasion was an arbitrary military action inspired by a series of lies upon lies and gross manipulation of the media and therefore of the public; an act intended to consolidate American military and economic control of the Middle East masquerading - as a last resort - all other justifications having failed to justify themselves - as liberation. A formidable assertion of military force responsible for the death and mutilation of thousands and thousands of innocent people. 

We have brought torture, cluster bombs, depleted uranium, innumerable acts of random murder, misery, degradation and death to the Iraqi people and call it 'bringing freedom and democracy to the Middle East'.  

How many people do you have to kill before you qualify to be described as a mass murderer and a war criminal? One hundred thousand? More than enough, I would have thought. Therefore it is just that Bush and Blair be arraigned before the International Criminal Court of Justice. But Bush has been clever. He has not ratified the International Criminal Court of Justice. Therefore if any American soldier or for that matter politician finds himself in the dock Bush has warned that he will send in the marines. But Tony Blair has ratified the Court and is therefore available for prosecution. We can let the Court have his address if they're interested. It is Number 10, Downing Street, London.

(...)

Early in the invasion there was a photograph published on the front page of British newspapers of Tony Blair kissing the cheek of a little Iraqi boy. 'A grateful child,' said the caption. A few days later there was a story and photograph, on an inside page, of another four-year-old boy with no arms. His family had been blown up by a missile. He was the only survivor. 'When do I get my arms back?' he asked. The story was dropped. Well, Tony Blair wasn't holding him in his arms, nor the body of any other mutilated child, nor the body of any bloody corpse. Blood is dirty. It dirties your shirt and tie when you're making a sincere speech on television.

 

Em francês:

L'invasion de l'Irak était un acte de banditisme, un acte de terrorisme d'État patenté, témoignant d'un absolu mépris pour la notion de droit international. Cette invasion était un engagement militaire arbitraire inspiré par une série de mensonges répétés sans fin et une manipulation flagrante des médias et, partant, du public ; une intervention visant à renforcer le contrôle militaire et économique de l'Amérique sur le Moyen-Orient et se faisant passer – en dernier ressort – toutes les autres justifications n'ayant pas réussi à prouver leur bien-fondé – pour une libération. Une red outable affirmation de la force militaire responsable de la mort et de la mutilation de milliers et de milliers d'innocents.

Nous avons apporté au peuple irakien la torture, les bombes à fragmentation, l'uranium appauvri, d'innombrables tueries commises au hasard, la misère, l'humiliation et la mort et nous appelons cela « apporter la liberté et la démocratie au Moyen-Orient».

Combien de gens vous faut-il tuer avant d'avoir droit au titre de meurtrier de masse et de criminel de guerre ? Cent mille ? Plus qu'assez, serais-je tenté de croire. Il serait donc juste que Bush et Blair soient appelés à comparaître devant la Cour internationale de justice. Mais Bush a été malin. Il n'a pas ratifié la Cour internationale de justice. Donc, si un soldat américain ou, à plus forte raison, un homme politique américain, devait se retrouver au banc des accusés, Bush a prévenu qu'il enverrait les marines. Mais Tony Blair, lui, a ratifié la Cour et peut donc faire l'objet de poursuites.Nous pouvons communiquer son adresse à la Cour si ça l'intéresse. Il habite au 10 Downing Street, Londres.

(...)

Aux premiers jours de l'invasion une photo a été publiée à la une des journaux britanniques ; on y voit Tony Blair embrassant sur la joue un petit garçon irakien. « Un enfant reconnaissant » disait la légende. Quelques jours plus tard on pouvait trouver, en pages intérieures, l'histoire et la photo d'un autre petit garçon de quatre ans qui n'avait plus de bras. Sa famille avait été pulvérisée par un missile. C'était le seul survivant. « Quand est-ce que je retrouverai mes bras ? » demandait-il. L'histoire est passée à la trappe. Eh bien oui, Tony Blair ne le serrait pas contre lui, pas plus qu'il ne serrait dans ses bras le corps d'un autre enfant mutilé, ou le corps d'un cadavre ensanglanté. Le sang, c'est sale. Ça salit votre chemise et votre cravate quand vous parlez avec sincérité devant les caméras de télévision.

 

O discurso completo:

                                                       
adaptado de um e-mail enviado pelo Jorge

 

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Adenda em 28/12 às 16h45m:

                               


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Sábado, 27 de Dezembro de 2008
Harold Pinter sobre a guerra da NATO na Sérvia: «We are bandits guilty of murder»

     «THE Nato war is a bandit action, committed with no serious consideration of the consequences, confused, ill thought, miscalculated, an act of deplorable machismo. Yet, according to opinion polls most British people support this war, believing we may have a moral duty to intervene and the moral authority to do so.   

What is moral authority? Where does it come from? How do you achieve it? Who bestows it upon you? How do you persuade others that you possess it? You don't. You don't have to bother. What you have is power. Bombs and power. And that's your moral authority. »

 

Ler Texto Integral

                                                       
adaptado de um e-mail enviado pelo Jorge

 


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Sexta-feira, 26 de Dezembro de 2008
Faleceu Harold Pinter


Ler texto do discurso:

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adaptado de um e-mail enviado pelo Jorge

 

Adenda em 28/12 às 16h45m:

                          


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Terça-feira, 19 de Agosto de 2008
Alexander Soljenítsin: Rússia

   Podíamos escrever sobre o apoio de Alexander Soljenítsin ao ditador fascista chileno Augusto Pinochet. Ou sobre o seu revisionismo histórico dos pogroms na Rússia czarista. Mas os posts anteriores testemunham das razões porque Soljenítsin desapareceu cada vez mais dos discursos públicos durante os seus 18 anos de exilio nos EUA e uma das causas por que os governos capitalistas não lhe deram total apoio político. Para os capitalistas foi uma benção dos céus poder utilizar um homem como Soljenítsin na guerra suja de propaganda contra o socialismo, mas tudo tem os seus limites. Na nova Rússia capitalista o que decide o apoio do chamado mundo ocidental aos grupos politicos é pura e simplesmente a possibilidade de fazer bons negócios com bons lucros ao abrigo da política desses grupos. O fascismo como alternativa política para a Rússia não é considerado como politica que estimule os negócios. Por isso o projecto político de Soljenítsin para a Rússia foi letra morta no que diz respeito a apoio do chamado mundo ocidental. Alexander Soljenítsin queria como futuro político para a Rússia a volta do regime autoritário dos Czares em ligação com a igreja tradicional russa-ortodoxa! Nem os imperialistas mais arrogantes estavam interessados em apoiar uma estupidez política destas.

                                                     


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Segunda-feira, 18 de Agosto de 2008
Alexander Soljenítsin: Em apoio do fascismo de Franco

    Depois da morte de Franco em 1975 o regime fascista espanhol começou a perder o controle da situação politica e no começo de 1976 os acontecimentos em Espanha tomaram um novo carácter. Greves e demonstrações exigiam democracia e liberdade e o herdeiro de Franco, o rei Juan Carlos, foi obrigado a iniciar uma liberalização do regime.Neste momento importante para a vida politica espanhola, aparece Alexander Soljenítsin em Madrid e dá uma entrevista ao programa «Directíssimo» um sábado à noite, em 20 de Março, na melhor hora televisiva (jornais ABC e Ya de 21 de Março de 1976). Soljenítsin que tinha recebido as perguntas previamente, utilizou a oportunidade para fazer todo o tipo de declarações reaccionárias. A sua intenção não foi de dar um apoio à chamada liberalização do rei. Pelo contrário. Soljenítsin prevenia as pessoas contra as reformas democráticas!

Na sua intervenção na televisão declarou que «Cento e dez milhões de russos morreram vítimas do socialismo» e comparou «a escravidão a que estavam submetidos os soviéticos à liberdade que se desfrutava em Espanha». Soljenítsin acusou também os «círculos progressistas» de «utópicos» por considerarem Espanha como uma ditadura. Os progressistas, entenda-se, eram toda a oposição democrática de liberais a social-democratas e comunistas. «No Outono passado» disse Soljenítsin, «a opinião pública mundial estava preocupada com a sorte dos terroristas espanhóis [Os cinco antifascistas condenados à morte e executados pelo regime de Franco]. Cada vez mais a opinião pública progressista exige reformas políticas imediatas, ao mesmo tempo que apoia os actos terroristas». «Os que querem reformas democráticas rápidas, saberão o que virá a suceder amanhã ou depois de amanhã? A Espanha, amanhã poderá ter democracia, mas depois de amanhã, saberá não cair no totalitarismo depois da democracia?» Às perguntas cuidadosas dos jornalistas se tais declarações não podiam ser vistas como um apoio a regimes de países onde não existia liberdade respondeu Soljenítsin que «Eu conheço somente um sítio onde não há liberdade, esse sítio é a Rússia». As declarações de Soljenítsin na televisão espanhola foram um apoio directo ao fascismo espanhol.

                                  


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Quinta-feira, 14 de Agosto de 2008
Alexander Soljenítsin: União Soviética

   Como referimos o ponto principal dos discursos de Alexander Soljenítsin era sempre a guerra contra o socialismo. Os jornalistas americanos que tinham ousado escrever sobre paz entre os EUA e a União Soviética eram acusados por Soljenítsin nos seus discursos como sendo traidores potenciais. Soljenítsin fazia também propaganda por um aumento da capacidade militar dos EUA contra a União Soviética, que ele dizia ser mais poderosa em «tanques e aviões, de cinco a sete vezes mais que os EUA» e em armas atómicas que «em breve» seriam «duas, três e por fim cinco» vezes mais potentes que as dos EUA. Os discursos de Solzhenitsyn nos EUA eram a voz da extrema-direita, mas ele iria ainda mais longe, mais à direita, em apoio público ao fascismo.     

                                                       


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Quarta-feira, 13 de Agosto de 2008
Alexander Soljenítsin: Vietname

   O ponto principal dos discursos de Soljenítsin nos EUA (e não só) era sempre a guerra contra o socialismo. Entre outras coisas bateu-se por novos ataques ao Vietname depois da vitória deste sobre os EUA. Defendeu a suposta existência de  dezenas de milhares de americanos presos e escravizados no Vietname do Norte! Foi esta ideia de Soljenítsin de americanos utilizados como escravos no Vietname do Norte que deu origem aos filmes Rambo sobre a guerra do Vietname.

                                                                                             


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Terça-feira, 12 de Agosto de 2008
Alexander Soljenítsin: Portugal

   Nos Estados Unidos, Soljenítsin foi convidado muitas vezes para fazer intervenções em reuniões importantes. Ele foi por exemplo o principal orador no congresso dos sindicatos AFL-CIO em 1975 e em 15 de Julho de 1975 foi convidado para fazer um discurso sobre a situação no mundo no Senado dos EUA. Os discursos de Soljenítsin eram de uma agitação violenta e provocatória, argumentando e fazendo propaganda pelas ideias mais reaccionárias. Um exemplo: depois de 48 anos de fascismo em Portugal, quando os oficiais do Movimento das Forças Armadas, tomaram o poder na revolução popular de 1974, Soljenítsin começou a fazer propaganda por uma intervenção militar dos EUA em Portugal, que, dizia ele, iria ser membro do tratado de Varsóvia se os EUA não interviessem! Nos seus discursos, Soljenítsin  lamentava sempre a libertação das colónias portuguesas em África.

                                                                         


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Segunda-feira, 11 de Agosto de 2008
Alexander Soljenítsin: II Guerra Mundial

   Segundo Soljenítsin a luta contra a Alemanha nazi na segunda guerra mundial tinha sido uma luta desnecessária e todos os sofrimentos impostos ao povo soviético pelos nazis podiam ter sido evitados se o governo soviético tivesse feito um compromisso com Hitler. Soljenítsin acusou também o governo soviético e Stáline de serem ainda piores que Hitler e, como ele dizia, pelos terríveis resultados da guerra para o povo da União Soviética. Soljenítsin não escondia a sua simpatia pelos nazis.

                                                         


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Segunda-feira, 14 de Julho de 2008
Enrique Morente canta Pablo Neruda: Quienes se amaron como nosotros


                                       

SONETO XCV

Quiénes se amaron como nosotros? Busquemos
las antiguas cenizas del corazón quemado
y allí que caigan uno por uno nuestros besos
hasta que resucite la flor deshabitada.

Amemos el amor que consumió su fruto
y descendió a la tierra con rostro y poderío:
tú y yo somos la luz que continúa,
su inquebrantable espiga delicada.

Al amor sepultado por tanto tiempo frío,
por nieve y primavera, por olvido y otoño,
acerquemos la luz de una nueva manzana,

de la frescura abierta por una nueva herida,
como el amor antiguo que camina en silencio
por una eternidad de bocas enterradas.

                                                           
SONETO XCVI

Pienso, esta época en que tú me amaste
se irá por otra azul sustituida,
será otra piel sobre los mismos huesos,
otros ojos verán la primavera.

Nadie de los que ataron esta hora,
de los que conversaron con el humo,
gobiernos, traficantes, transeúntes,
continuarán moviéndose en sus hilos.

Se irán los crueles dioses con anteojos,
los peludos carnívoros con libro,
los pulgones y los pipipasseyros.

Y cuando esté recién lavado el mundo
nacerán otros ojos en el agua
y crecerá sin lágrimas el trigo.

                  

1959

                                                                     

 

                                                                        

Para ouvir (em MP3) Enrique Morente no álbum "Neruda en el corazón" a cantar «Quienes se amaron como nosotros» de  Pablo Neruda clicar AQUI          

Para ver e ouvir Estrella Morente a cantar «Quienes se amaron como nosotros» de  Pablo Neruda clicar AQUI         

                                          


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Sexta-feira, 4 de Julho de 2008
Carmen París canta Pablo Neruda: Para que tú me oigas


                                        

Poema 5 (Para que tú me oigas)

                              

PARA que tú me oigas
mis palabras
se adelgazan a veces
como las huellas de las gaviotas en las playas.

Collar, cascabel ebrio
para tus manos suaves como las uvas.

Y las miro lejanas mis palabras.
Más que mías son tuyas.
Van trepando en mi viejo dolor como las yedras.

Ellas trepan así por las paredes húmedas.
Eres tú la culpable de este juego sangriento.

Ellas están huyendo de mi guarida oscura.
Todo lo llenas tú, todo lo llenas.

Antes que tú poblaron la soledad que ocupas,
y están acostumbradas más que tú a mi tristeza.

Ahora quiero que digan lo que quiero decirte
para que tú las oigas como quiero que me oigas.

El viento de la angustia aún las suele arrastrar.
Huracanes de sueños aún a veces las tumban.
Escuchas otras voces en mi voz dolorida.
Llanto de viejas bocas, sangre de viejas súplicas.
Ámame, compañera. No me abandones. Sígueme.
Sígueme, compañera, en esa ola de angustia.

Pero se van tiñendo con tu amor mis palabras.
Todo lo ocupas tú, todo lo ocupas.

Voy haciendo de todas un collar infinito
para tus blancas manos, suaves como las uvas.
                                                   

                                                      

 

                                                      

Para ver e ouvir Carmen París no álbum "Neruda en el corazón" a cantar «Para que tú me oigas» de  Pablo Neruda clicar AQUI  

                        


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Segunda-feira, 26 de Maio de 2008
Miguel Rios canta Pablo Neruda: Oda a la tristeza


                                                                                  

ODA A LA TRISTEZA

                          

TRISTEZA, escarabajo
de siete patas rotas,
huevo de telaraña,
rata descalabrada,
esqueleto de perra:
Aquí no entras.
No pasas.
Ándate.
Vuelve
al Sur con tu paraguas,
vuelve
al Norte con tus dientes de culebra.
Aquí vive un poeta.
La tristeza no puede
entrar por estas puertas.
Por las ventanas
entra el aire del mundo,
las rojas rosas nuevas,
las banderas bordadas
del pueblo y sus victorias.
No puedes.
Aquí no entras.
Sacude
tus alas de murciélago,
yo pisaré las plumas
que caen de tu manto,
yo barreré los trozos
de tu cadáver hacia
las cuatro puntas del viento,
yo te torceré el cuello,
te coseré los ojos,
cortaré tu mortaja
y enterraré tus huesos roedores
bajo la primavera de un manzano.

             

                                                               

                                                               

Para ver e ouvir Miguel Rios no álbum "Neruda en el corazón" a cantar «Oda a la tristeza» de  Pablo Neruda clicar AQUI e AQUI     

                                           


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Quarta-feira, 9 de Abril de 2008
Víctor Manuel canta Pablo Neruda - Plenos poderes

                                                                                                                                               

PLENOS PODERES


Pablo Neruda


A PURO sol escribo, a plena calle,
a pleno mar, en donde puedo canto,
sólo la noche errante me detiene
pero en su interrupción recojo espacio,
recojo sombra para mucho tiempo.

           

El trigo negro de la noche crece
mientras mis ojos miden la pradera
y así de sol a sol hago las llaves:
busco en la oscuridad las cerraduras
y voy abriendo al mar las puertas rota
hasta llenar armarios con espuma.

          

Y no me canso de ir y de volver;
no me para la muerte con su piedra,
no me canso de ser y de no ser.

           

A veces me pregunto si de donde
si de padre o de madre o cordillera
heredé los deberes minerales,

                

los hilos de un océano encendido
y sé que sigo y sigo porque sigo
y canto porque canto y porque canto.

No tiene explicación lo que acontece
cuando cierro los ojos y circulo
como entre dos canales submarinos,
uno a morir me lleva en su ramaje
y el otro canta para que yo cante.

 

Así pues de no ser estoy compuesto
y como el mar asalta el arrecife
con cápsulas saladas de blancura
y retrata la piedra con la ola,
así lo que en la muerte me rodea
abre en mí la ventana de la vida
y en pleno paroxismo estoy durmiendo.
A plena luz camino por la sombra.

                                             

               


                                                                      

Para ver e ouvir Víctor Manuel no álbum «Neruda en el corazón» a cantar «Plenos poderes »  de Pablo Neruda clicar AQUI    

                                  


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Segunda-feira, 7 de Abril de 2008
Julieta Venegas canta Pablo Neruda - A callarse

                                                                                                                                               
POEMA DE NERUDA

A callarse


Pablo Neruda


Ahora contaremos doce
y nos quedamos todos quietos.
Por una vez sobre la tierra
no hablemos en ningun idioma,
por un segundo detengamonos,
no movamos tanto los brazos.

 

Seria un minuto fragante,
sin prisa, sin locomotoras,
todos estariamos juntos
en una inquietud instantanea.

    

Los pescadores del mar frio
no harian danio a las ballenas
y el trabajador de la sal
miraria sus manos rotas.

   

Los que preparan guerras verdes,
guerras de gas, guerras de fuego,
victorias sin sobrevivientes,
se pondrian un traje puro
y andarian con sus hermanos
por la sombra, sin hacer nada.

    

No se confunda lo que quiero
con la inaccion definitiva:
la vida es solo lo que se hace,
no quiero nada con la muerte.

   

Si no pudimos ser unanimes
moviendo tanto nuestras vidas,
tal vez no hacer nada una vez,
tal vez un gran silencio pueda
interrumpir esta tristeza,
este no entendernos jamas
y amenazarnos con la muerte,
tal vez la tierra nos ensenie
cuando todo parece muerto
y luego todo estaba vivo.

    

Ahora contare hasta doce
y tu te callas y me voy.

 

               

                                      

LETRA DA CANÇÃO

A Callarse

Julieta Venegas      

A callarse
A callarse
A callarse

Seria un minuto fragante,
sin prisa, sin locomotoras,
todos estariamos juntos
en una inquietud instantánea, instantanea.

Tal vez no hacer nada
por solo solo una vez
tal vez un gran silencio
pueda interrunpir esta tristeza.

Por una vez sobre la tierra
no hablemos en ningún idioma,
por un segundo detengamonos,
no movamos tanto los brazos.

Los que preparan guerras
victorias sin sobrevivientes,
(que no hay ninguno)
se pondrian un traje puro
y andarian con sus hermanos, sus hermanos.

No se confunda lo que quiero
con la inacción...
La vida es solo lo que se hace...

A callarse
A callarse
A callarse

Ahora contaremos doce
y nos quedamos quietos.
Ahora contaremos hasta doce
y tú te callas y me voy.

Ahora contaremos doce
y nos quedamos quietos.
Ahora contaremos hasta doce
y tú te callas y me voy.

Si no pudimos ser unánimes
moviendo tanto nuestra vidas,
tal vez no hacer nada una vez,
tal vez un gran silencio pueda
interrumpir esta tristeza, esta tristeza
este no entendernos jamás
amenazarnos con la muerte. eheh

Por una vez sobre la tierra
no hablemos en nigún idioma
por un segundo detengamonos,
no movamos tanto los brazos
no movamos tanto los brazos
no movamos tanto los brazos

A callarse
A callarse
A callarse
A callarse
A callarse
A callarse
A callarse
A callarse

                                   

Para ver e ouvir Julieta Venegas  no álbum «Neruda en el corazón» a cantar «A callarse»  de Pablo Neruda clicar AQUI   

                                  


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Quinta-feira, 3 de Abril de 2008
Joan Manuel Serrat canta Pablo Neruda - Puedo escribir los versos...

                                                                                                                                                
Poema 20
                     

PUEDO escribir los versos más tristes esta noche.

Escribir, por ejemplo: "La noche está estrellada,
y tiritan, azules, los astros, a lo lejos".

El viento de la noche gira en el cielo y canta.

Puedo escribir los versos más tristes esta noche.
Yo la quise, y a veces ella también me quiso.

En las noches como ésta la tuve entre mis brazos.
La besé tantas veces bajo el cielo infinito.

Ella me quiso, a veces yo también la quería.
Cómo no haber amado sus grandes ojos fijos.

Puedo escribir los versos más tristes esta noche.
Pensar que no la tengo. Sentir que la he perdido.

Oir la noche inmensa, más inmensa sin ella.
Y el verso cae al alma como al pasto el rocío.

Qué importa que mi amor no pudiera guardarla.
La noche está estrellada y ella no está conmigo.

Eso es todo. A lo lejos alguien canta. A lo lejos.
Mi alma no se contenta con haberla perdido.

Como para acercarla mi mirada la busca.
Mi corazón la busca, y ella no está conmigo.

La misma noche que hace blanquear los mismos
           árboles.
Nosotros, los de entonces, ya no somos los mismos.

Ya no la quiero, es cierto, pero cuánto la quise.
Mi voz buscaba el viento para tocar su oído.

De otro. Será de otro. Como antes de mis besos.
Su voz, su cuerpo claro. Sus ojos infinitos.

Ya no la quiero, es cierto, pero tal vez la quiero.
Es tan corto el amor, y es tan largo el olvido.

Porque en noches como ésta la tuve entre mis
          brazos,
mi alma no se contenta con haberla perdido.

Aunque éste sea el último dolor que ella me causa,
y éstos sean los últimos versos que yo le escribo.

                                                                        

                                                                                                   

                                                                                                                               


Para ver e ouvir Joan Manuel Serrat no álbum «Neruda en el corazón» a cantar «Puedo escribir los versos...»  de Pablo Neruda clicar AQUI

                                                                            


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Quinta-feira, 27 de Março de 2008
Antonio Vega canta Pablo Neruda: No te quiero sino porque te quiero

                                                                                                                                             
No te quiero sino porque te quiero
                
Poema LXVI
            

NO TE QUIERO sino porque te quiero
y de quererte a no quererte llego
y de esperarte cuando no te espero
pasa mi corazón del frío al fuego.

                   

Te quiero sólo porque a ti te quiero,
te odio sin fin, y odiándote te ruego,
y la medida de mi amor viajero
es no verte y amarte como un ciego.

              

Tal vez consumirá la luz de enero,
su rayo cruel, mi corazón entero,
robándome la llave del sosiego.

                

En esta historia sólo yo me muero
y moriré de amor porque te quiero,
porque te quiero, amor, a sangre y fuego.

                                 

                                         

                                                                               


Para ver e ouvir Antonio Vega no álbum «Neruda en el corazón» a cantar «No te quiero sino porque te quiero»  de Pablo Neruda clicar AQUI

                                                  


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Terça-feira, 25 de Março de 2008
Joaquín Sabina canta Pablo Neruda: Amo el amor de los marineros

                                                                                                                             

A poesia original não corresponde exactamente à letra da canção. A vermelho estão as partes que serviram para a canção.

A letra da canção pode ser vista aqui: Amo el amor de los marineros (Pablo Neruda - Joaquín Sabina)

 

 F A R E W E L L
                                    

                        1

DESDE el fondo de ti, y arrodillado,
un niño triste, como yo, nos mira.

Por esa vida que arderá en sus venas
tendrían que amarrarse nuestras vidas.

Por esas manos, hijas de tus manos,
tendrían que matar las manos mías.

Por sus ojos abiertos en la tierra
veré en los tuyos lágrimas un día.

                      

                        2

YO NO lo quiero, Amada.

Para que nada nos amarre
que no nos una nada.

Ni la palabra que aromó tu boca,
ni lo que no dijeron las palabras.

Ni la fiesta de amor que no tuvimos,
ni tus sollozos junto a la ventana.

           

                        3

(AMO el amor de los marineros
que besan y se van.

Dejan una promesa.
No vuelven nunca más.

En cada puerto una mujer espera:
los marineros besan y se van.

Una noche se acuestan con la muerte
en el lecho del mar.

                        

                        4

AMO el amor que se reparte
en besos, lecho y pan.

Amor que puede ser eterno
y puede ser fugaz.

Amor que quiere libertarse
para volver a amar.

Amor divinizado que se acerca
Amor divinizado que se va.)

                                

                        5

YA NO se encantarán mis ojos en tus ojos,
ya no se endulzará junto a ti mi dolor.

Pero hacia donde vaya llevaré tu mirada
y hacia donde camines llevarás mi dolor.

Fui tuyo, fuiste mía. Qué más? Juntos hicimos
un recodo en la ruta donde el amor pasó.

Fui tuyo, fuiste mía. Tu serás del que te ame,
del que corte en tu huerto lo que he sembrado yo.

Yo me voy. Estoy triste: pero siempre estoy triste.
Vengo desde tus brazos. No sé hacia dónde voy.

...Desde tu corazón me dice adiós un niño.
Y yo le digo adiós.

                         

                                                                                            

                               

Para ver e ouvir Joaquín Sabina no álbum "Neruda en el corazón" a cantar «Amo el amor de los marineros» de  Pablo Neruda clicar  AQUI  

                                                   


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Quinta-feira, 20 de Março de 2008
Miguel Bosé canta Pablo Neruda: Walking Around

                                                                                                                                              

Walking Around

                     

Sucede que me canso de ser hombre.

Sucede que entro en las sastrerías y en los cines

marchito, impenetrable, como un cisne de fieltro

Navegando en un agua de origen y ceniza.


El olor de las peluquerías me hace llorar a gritos.

Sólo quiero un descanso de piedras o de lana,

sólo quiero no ver establecimientos ni jardines,

ni mercaderías, ni anteojos, ni ascensores.


Sucede que me canso de mis pies y mis uñas

y mi pelo y mi sombra.

Sucede que me canso de ser hombre.


Sin embargo sería delicioso

asustar a un notario con un lirio cortado

o dar muerte a una monja con un golpe de oreja.

Sería bello

ir por las calles con un cuchillo verde

y dando gritos hasta morir de frío


No quiero seguir siendo raíz en las tinieblas,

vacilante, extendido, tiritando de sueño,

hacia abajo, en las tapias mojadas de la tierra,

absorbiendo y pensando, comiendo cada día.


No quiero para mí tantas desgracias.

No quiero continuar de raíz y de tumba,

de subterráneo solo, de bodega con muertos

ateridos, muriéndome de pena.


Por eso el día lunes arde como el petróleo

cuando me ve llegar con mi cara de cárcel,

y aúlla en su transcurso como una rueda herida,

y da pasos de sangre caliente hacia la noche.


Y me empuja a ciertos rincones, a ciertas casas húmedas,

a hospitales donde los huesos salen por la ventana,

a ciertas zapaterías con olor a vinagre,

a calles espantosas como grietas.


Hay pájaros de color de azufre y horribles intestinos

colgando de las puertas de las casas que odio,

hay dentaduras olvidadas en una cafetera,

hay espejos

que debieran haber llorado de vergüenza y espanto,

hay paraguas en todas partes, y venenos, y ombligos.

Yo paseo con calma, con ojos, con zapatos,

con furia, con olvido,

paso, cruzo oficinas y tiendas de ortopedia,

y patios donde hay ropas colgadas de un alambre:

calzoncillos, toallas y camisas que lloran

lentas lágrimas sucias.

           

Pablo Neruda

                          
                                       
Para ver e ouvir Miguel Bosé no álbum «Neruda en el corazón» a cantar «Walking Arround»  de Pablo Neruda clicar AQUI                          
                                           

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Quarta-feira, 19 de Março de 2008
Pedro Guerra canta Pablo Neruda: Antes de amarte, amor (Soneto XXV)

                                                  

SONETO XXV

                   

Antes de amarte, amor, nada era mío:

vacilé por las calles y las cosas:

nada contaba ni tenía nombre:

el mundo era del aire que esperaba.


Yo conocí salones cenicientos,

túneles habitados por la luna,

hangares crueles que se despedían,

preguntas que insistían en la arena.


Todo estaba vacío, muerto y mudo,

caído, abandonado y decaído,

todo era inalienablemente ajeno,


todo era de los otros y de nadie,

hasta que tu belleza y tu pobreza

llenaron el otoño de regalos.

                      

                                

                                 

Para ver e ouvir Pedro Guerra no álbum "Neruda en el corazón" a cantar «Antes de amarte, amor» de  Pablo Neruda clicar AQUI



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publicado por António Vilarigues às 12:07
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Sexta-feira, 14 de Março de 2008
Ana Belén canta Pablo Neruda: Tonada de Manuel Rodríguez

                                                                                  
Canto a Manuel Rodríguez
       
Pablo Neruda
         

Señora dicen que donde,

mi madre dicen, dijeron,

el agua y el viento dicen

que vieron al guerrillero.

Puede ser un obíspo

puede y no puede

puede ser sólo el viento

sobre la nieve, sí,

madre no mires,

que viene galopando

Manuel Rodríguez.


Ya viene el guerrillero

por el estero.


Saliendo por Melipilla

corriendo por Talagante

cruzando por San Fernando

amaneciendo en Pomaíre.


Pasando por Rancagua

por San Rosendo,

por Cauquenes, por Chena,

por Nacimiento, sí,

desde Chiñigue,

por todas partes viene

Manuel Rodríguez,

pásale este clavel

vamos con él.


Que se apague la guitarra

que la Patria está de duelo.

Nuestra Patria se obscurece.

Mataron al guerrillero.


En Tiltil lo mataron

los asesinos,

su espalda está sangrando

sobre el camino, sí...

Quién lo diría,

el que era nuestra sangre

nuestra alegría.


La tierra está llorando.

Vamos callando

                             


                            

                               

Para ver e ouvir Ana Belén  no álbum «Neruda en el corazón» a cantar «Tonada de Manuel Rodríguez» de Pablo Neruda clicar AQUI e AQUI

                                    


sinto-me:

publicado por António Vilarigues às 12:09
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