TERRAS DE PENALVA ONDE «A LIBERDADE É A COMPREENSÃO DA NECESSIDADE»

Segunda-feira, 23 de Janeiro de 2017
23 de Janeiro de 1898 – Nasce Sergei Eisenstein

Sergei Eisenstein

Revolucionário, professor, escritor, cineasta, encenador, realizador, Sergei Mikhailovich Eisenstein é um dos maiores e mais inovadores cineastas de todos os tempos e o cineasta por excelência da revolução soviética.

Nascido em Riga, na Letónia, Eisenstein (1898-1948) desenvolveu novas técnicas na forma de filmagem que mantêm toda a actualidade e são motivo de estudo em todo o mundo.

No seu primeiro filme, «A Greve», sobre a revolução fracassada de 1905, a última sequência é inesquecível: mostra em paralelo um massacre de bovinos e o de trabalhadores pela polícia.

Segue-se o «Couraçado Potemkin», um estrondoso sucesso internacional que permanece um clássico do cinema.

Após um breve interregno nos EUA, onde roda «Que viva o México!», Eisenstein regressa à URSS e realiza mais duas obras-primas: Alexander Nevsky e Ivan o Terrível.

Este último, uma trilogia inacabada devido à súbita morte de Eisenstein, de ataque cardíaco, é um verdadeiro hino à nação russa.

AQUI

 


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Quarta-feira, 17 de Dezembro de 2014
UPP: Óscar Lopes, o intelectual completo (actualização)

UPP Óscar Lopes

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Adenda em 17/12/2014 às21h58m: 

UPP Cancelamento Óscar Lopes

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Segunda-feira, 25 de Março de 2013
Óscar Lopes: exemplo para os dias por vir

Sobre Óscar Lopes:

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Sexta-feira, 22 de Março de 2013
Óscar Luso de Freitas Lopes (2 de Outubro de 1917 / 22 de Março de 2013)

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Quinta-feira, 21 de Fevereiro de 2013
Salim Lamrani desmascara Yaoni Sánchez

     A propósito de Yaoni Sánchez - a bloguista, dita dissidente, cubana cuja visita ao Brasil tem sido marcada por protestos e manifestações de apoio ao regime cubano - recorde-se o que AQUI se escreveu neste blog já lá vão quase dois anos.

Garanto que vale mesmo a pena reler a entrevista de Salim Lamrani, Professor na Sorbonne IV, jornalista, especialista em relações Cuba-EUA.

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Quarta-feira, 7 de Novembro de 2012
Quando Aníbal Cavaco Silva era «apenas» um prof. de economia...

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É o professor a falar: “Quando o crescimento económico de um país abranda, a política correcta é precisamente deixar que a receita fiscal baixe automaticamente e não cortar na despesa pública. (...) Se quando um país é atingido por uma crise económica se cortasse a despesa pública, a crise ainda se agravava mais. É por isso que não se deve fazê-lo”. Em Junho de 2001, o professor está estupefacto com a ignorância económica de Guterres: “Como é que é possível que os assessores do primeiro-ministro não lhe tenham explicado que este é um caso em que não há similitude entre o comportamento correcto para as famílias e para o Estado?”.

(...) o então professor defende que só existem “dois grupos da nossa sociedade com força e capacidade para persuadir o governo a mudar de comportamento: os jornalistas e os empresários”. “Devemos todos apoiar os jornalistas e empresários nesta missão patriótica de pressionar o governo para que passe a governar. Neles está a esperança de todos os portugueses (...)”.

In Aníbal Cavaco Silva «Crónicas de uma Crise Anunciada», de 2001

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Para quem ainda tivesse dúvidas...

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Quinta-feira, 4 de Outubro de 2012
Uma invulgar capacidade para gerir o seu tempo...
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O Borges, desenho de Fernando Campos (o sítio dos desenhos)

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António Borges possui uma invulgar capacidade para gerir o seu tempo...

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Responsabilidades atribuídas por Pedro Passos Coelho:

  • Gestão das privatizações;
  • Renegociações das Parcerias Público Privadas (PPP);
  • Reestruturação do Sector Empresarial do Estado
  • Monitorização da situação da banca.
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Responsabilidades atribuídas por Alexandre Soares dos Santos:

  • Administração da Jerónimo Martins.

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Gostava de ser assim!!!...

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Segunda-feira, 1 de Outubro de 2012
António Borges é um ignorante e mentiu descaradamente

«Um dos aspectos que caracteriza o comportamento dos grandes órgãos da comunicação social em Portugal, e mesmo de certos jornalistas, é o de promoverem personalidades de direita em grandes autoridades sobre certas matérias para que depois as suas opiniões sejam aceites pela opinião pública como verdades indiscutíveis. É um processo clássico de manipulação da opinião pública, que Philippe Breton, professor na Universidade de Paris-Sorbonne, no seu livro A Palavra Manipulada designa por "argumento de autoridade" Segundo este investigador, "este argumento baseia-se na confiança depositada numa autoridade em nome do principio de que não podemos verificar por nós próprios tudo quantos nos é apresentado" (2001:pág. 94).

Tudo isto vem a propósito de Antonio Borges, conselheiro do governo para as privatizações, bem pago com dinheiro dos contribuintes, que simultaneamente também é administrador da Jerónimo Martins. A comunicação social afeta ao governo tem procurado fazer passar este "senhor", junto da opinião pública, como um grande professor de economia e um experiente gestor (formado na escola da Goldman Sachs e do FMI). Por isso interessa analisar, até pela importância que ele tem junto deste governo, a credibilidade técnica e cientifica das afirmações do referido "senhor", nomeadamente as feitas no dia 29/9/2012; portanto, não é o aspecto se são ou não convenientes.»

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Sábado, 1 de Maio de 2010
Salim Lamrani desmascara dissidente Cubana

A entrevista de Salim Lamrani, Professor na Sorbonne IV, jornalista, especialista em relações Cuba-EUA com Yoani Sanchez, uma dissidente cubana com lugar reservado nos media hegemónicos ocidentais, é esclarecedora. As suas palavras nesta entrevista explicam por que foi tão meteórica a sua ascensão e a promoção que tem.

Qualquer comentário é desnecessário...

Yoani Sánchez é a nova personalidade da oposição cubana. Desde a criação de seu blog, Generación Y, em 2007, obteve inúmeros prêmios internacionais: o prêmio de Jornalismo Ortega y Gasset (2008), o prêmio Bitacoras.com (2008), o prêmio The Bob's (2008), o prêmio Maria Moors Cabot (2008) da prestigiada universidade norte-americana de Colúmbia. Do mesmo modo, a blogueira foi escolhida como uma das 100 personalidades mais influentes do mundo pela revista Time (2008), em companhia de George W. Bush, Hu Jintao e Dalai Lama.

Seu blog foi incluído na lista dos 25 melhores do mundo do canal CNN e da Time (2008). Em 30 de novembro de 2008, o diário espanhol El País a incluiu na lista das 100 personalidades hispano-americanas mais influentes do ano (lista na qual não apareciam nem Fidel Castro, nem Raúl Castro). A revista Foreign Policy, por sua vez, a considerou um dos 10 intelectuais mais importantes do ano, enquanto a revista mexicana Gato Pardo fez o mesmo para 2008.

Esta impressionante avalanche de distinções simultâneas suscitou numerosas interrogações, ainda mais considerando que Yoani Sánchez, segundo suas próprias confissões, é uma total desconhecida em seu próprio país. Como uma pessoa desconhecida por seus vizinhos - segundo a própria blogueira - pode integrar a lista das 100 personalidades mais influentes do ano?

Ler Texto Integral

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Sexta-feira, 2 de Abril de 2010
Sinais de Fogo: A Revolta dos Marinheiros de 8 de Setembro de 1936 (3)

(...)

Saí, atirando com a porta que logo se abriu para a minha mãe me lançar maldições lacrimosas, entremeadas de aterrorizados avisos pelos riscos que eu corria; e, do alto do patamar, os clamores seguiram-me até à rua. Na rua, não tinha para onde ir, e fui des­cendo a caminho da Baixa.

Não se sentia nas pessoas e nas coisas alteração alguma. Talvez em tudo um ar de acontecimento, certa movimentação à porta das mercearias e outras lojas, pessoas que ostensivamente paravam na rua de jornal aberto (para darem ênfase à atmosfera que pressen­tiam ou que desejavam pressentir) e depois procuravam os olhos dos restantes transeuntes, em busca de tácito calor comunicativo. Mas, e seria talvez impressão minha, os outros olhares furtavam-se. Era como se dois pares de olhos se levantassem de um jornal, ou se cruzassem para comunicar um silencioso acordo ou um começo de conversa, e logo recuassem a refugiar-se numa cauta reserva. Subitamente, senti que a solidão que era a minha, a de saber que sabia e não sabia o quanto sabia, não era senão um caso parti­cular de outra solidão maior que se abatera sub-reptícia sobre tudo e todos, e a que todos se sujeitavam sub-repticiamente. Não era que as pessoas fossem coniventes de uma revolução falhada, uma rebelião, uma «intentona», como eu me lembrava de ouvir dizer quando era pequeno, e temessem denunciar-se com um gesto ou uma palavra. Algumas, por certo, leriam o jornal com o mesmo ansiado prazer de a ordem e a disciplina serem mantidas, que houvera na voz de minha mãe. E, todavia, essas mesmas sentiam-se sós e incomuni­cáveis, por terem aceitado que a ordem e a disciplina fossem uma coisa exterior a elas, defendida por outros, em nome de um governo que tomara sobre si o defini-las e se atribuía a omnisciência mesmo de revoluções que chegavam a sair e causavam mortos e feridos. Ainda que se entusiasmassem umas às outras, seria sempre um entusiasmo triste, como forçado pela necessidade de compensar o que nem saberiam haver perdido ou abandonado.

Jorge de Sena, Sinais de fogo

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adaptado de um e-mail enviado pelo Jorge

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Quinta-feira, 1 de Abril de 2010
Sinais de Fogo: A Revolta dos Marinheiros de 8 de Setembro de 1936 (2)

(...)

Vesti outra vez o pijama, fui tomar café. Sentada à mesa, minha mãe lia atentamente o jornal. Debrucei-me por cima do ombro dela, para ler também.

— Senta-te e come primeiro, que são mais do que horas — por­que embirrava que alguém lesse por cima do ombro dela, e nem o sensacionalismo do caso lhe alterava o reiterado hábito.

Enquanto eu comia, ia-me recitando excertos de noticiário. Mas eu detestava ouvir ler por fracções: — Leia, que eu leio depois.

Mas minha mãe prosseguiu apaixonadamente: — «Uma revolta a bordo do navio Afonso de Albuquerque e do contratorpedeiro Dão...» Ora aí está. «Algumas dezenas de cabos e marinheiros tomaram conta dos navios»... Coisa de gente ordinária... Marinheiros, ui que gente!... Ah, espera, «marinheiros, representando uma pequena parte das guarnições daqueles barcos, tomaram conta dos navios»... Foram poucos, está-se a ver... «prenderam os oficiais de serviço»... Prender os oficiais, que indisciplina... «e tentaram sair a barra para se irem juntar à esquadra marxista espanhola»... Para onde é que eles iam?

—  Juntar-se à esquadra espanhola, à do governo.

—  Qual governo, aquilo não é governo, estás a ver o resultado dos maus exemplos? Ouve, espera. «Um fogo violento e certeiro das baterias de Almada e do Alto do Duque reduziu os rebeldes à impotência»... Bem feito, foi a tempo... «Em poucos minutos»... Durou pouco, por isso não chegámos a ouvir nada... «obrigando-os a arvorar a bandeira branca, quando os navios estavam já a meter água»... Meter água? (Ir ao fundo — expliquei eu). «À parte estes dois navios, toda a esquadra se manteve absolutamente disciplinada.» Afinal foram só dois navios. E não mataram os oficiais (havia na voz de minha mãe como que uma decepção inconsciente que a levou a percorrer o jornal com precipitada atenção). Não, não dizem nada de terem matado os oficiais.

—  Só podiam matar dois, um em cada um.

—  Essa agora! Pois não há tantos em cada navio?

—  Há, mas vão ficar a casa. E como nos quartéis. E é o que aí diz, não é? «Prenderam os oficiais de serviço.» O que quer dizer que só estavam lá os oficiais de serviço.

—  É... não mataram os oficiais de serviço... Mas não diz aqui se os navios foram ao fundo... Foram só dois, porque aqui diz que «dos vinte e um navios que ontem se encontravam surtos no Tejo apenas dois se sublevaram, capitaneados por pequenos comités». Aqui está... «Desembarque dos mortos, dos feridos e dos presos...» Vês?... Houve mortos e feridos.

— Os marinheiros e os cabos.

— Ah, espera... o governo já sabia (estremeci). «O governo, que já conhecia as intenções dos sublevados, tinha tomado as providências necessárias para os reduzir imediatamente à obediência.» Olha, e vão castigar «os oficiais e sargentos que não tenham empregado todos os esforços para dominar a insubordinação».

—   Como é que é isso?

—   Como é? Claro que devem ser castigados.

—   Mas, se eles não estavam a bordo, porque só estavam os oficiais de serviço, é porque não sabiam de nada, e o governo também não. Ou o governo sabia e eles não, e como é que agora pagam pelo que não sabiam?

—   Não me perguntes isso a mim. Mas que confusões estás tu a fazer? Olha, sabes que mais? Quem manda manda. O governo lá tem as suas razões. Oh, que horror... Tinham a bordo exemplares, diz aqui, do Marinheiro Vermelho. Que horror.

—   Horror porquê? A mãe já viu esse jornal alguma vez?

—   Nem preciso, basta o nome. Marinheiro já é gente de bebe­deira e facada, homens cheios de vícios, ainda por cima «vermelho»! Onde é que tu vais?!

—   Vou ver navios.

—   Tu não sais daqui! Bem basta que o teu pai tenha saído, por obrigação. Quem o mandou telefonar para o escritório?! Claro que logo disseram que não havia nada, aquela gente não perdoa nem uma revolução. Mas tu não tens nada que fazer. A tua obrigação é ficares em casa para defenderes a tua mãe.

—   Defender de quê? — e a discussão eternizava-se, com vai­ vém de razões em círculo e a minha mãe dramaticamente já na porta da rua, de braços abertos, e a criada atrás de mim, supli­cando que eu não saísse, a senhora estava tão aflita, eu não me dava conta?

Saí, atirando com a porta que logo se abriu para a minha mãe me lançar maldições lacrimosas, entremeadas de aterrorizados avisos pelos riscos que eu corria; e, do alto do patamar, os clamores seguiram-me até à rua. Na rua, não tinha para onde ir, e fui des­cendo a caminho da Baixa.

(...)

Jorge de Sena, Sinais de fogo

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adaptado de um e-mail enviado pelo Jorge
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Quarta-feira, 31 de Março de 2010
Sinais de Fogo: A Revolta dos Marinheiros de 8 de Setembro de 1936 (1)

(...)
Minha mãe mandou a criada para a cozinha, arrastou-me para a sala de jantar e fechou a porta.
—   Valha-nos Deus! O coração bem me dizia! E agora?
— E agora o quê? A mãe não entende. Eu não estou metido nisto, em revolução nenhuma, é outra coisa.
— Que outra coisa? Eu logo vi que toda esta vadiagem havia de acabar mal.
— Não faça misturas nem confusões (e eu sentia que em mim tudo era mistura e confusão), deixe-se de romances. Já disse que não tenho nada que ver com coisa nenhuma e — foi uma inspiração — acha que, se tivesse, tinha ficado em casa esta noite?
O argumento impressionou-a: — Não sei... Talvez não... Juras que não andas com gente perigosa?
— Juro — e, ao mesmo tempo, perguntava-me quem seria ou não perigoso.
— Tem cuidado, não te desgraces, nem nos desgraces a nós.
Fui para a casa de banho, a pensar naquela filosofia: «não te desgraces, nem a nós», como se desgraçar voluntariamente ou por inadvertência, ou por inesperada consequência, os outros fosse decidi­damente secundário. Tremi, reconhecendo naquilo o pior dos egoísmos, sem dúvida. O egoísmo da inocência, da ignorância, do conformismo, o egoísmo pavoroso dos que se querem, e querem os outros, inocentes, ignorantes, e conformados, cada um fechado sossegadamente na sua paz, e defendendo, pior que com ferocidade, com bondade e até honesta doçura, as fronteiras invioláveis do seu primeiro, segundo ou terceiro andar, mais as pratas e os filhos, contra a invasão de qualquer grito de angústia. Estendido no banho, deixando-me embebedar de ensaboado calor, não me sen­tia lavado ou repousado. E o próprio parcial flutuar na banheira dava-me uma sensação de horror. Mas recusava-me a recordar fosse o que fosse, a fazer ligações entre os acontecimentos e as pessoas. De súbito, levantei-me, ou uma ideia levantou-me: se o forte, um dos fortes que tinham entretanto afundado os navios, estava de prevenção na véspera, era porque o governo sabia o que ia acon­tecer — e ou não sabia a extensão do que ia acontecer, e esperara pela saída da revolução, para agir depois, ou sabia perfeitamente a extensão dela, e deixara que tudo acontecesse, porque isso muito melhor servia os seus fins. E navios iam ao fundo, pessoas eram mortas, por um frio cálculo de vantagens políticas. Estava eu, porém, isento de ter feito cálculos semelhantes? E tinha sequer a desculpa de um plano de acção, que, por idealismo ou por reles cálculo, ou mesmo por obediência a sórdidos interesses que tivesse por missão defender, me justificasse? Mas justificar era afinal o mesmo que estar dentro da justiça e da razão? Mas que justiça e que razão não serviam para justificar tudo?
(...)
Jorge de Sena, Sinais de fogo
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adaptado de um e-mail enviado pelo Jorge
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Quarta-feira, 24 de Fevereiro de 2010
Sinais de Fogo: há os originais e há os que copiam

Há os originais...

RTP:

Sinais de Fogo - Grandes Livros

Sinais de Fogo (1995)

... e há os que copiam...

Vídeo:

adaptado de um e-mail enviado pelo Jorge

                                                                   


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Domingo, 14 de Fevereiro de 2010
Manuel Bandeira: Porquinho-da-Índia

Porquinho-da-Índia

                                               
Quando eu tinha seis anos
Ganhei um porquinho-da-índia.
Que dor de coração me dava
Porque o bichinho só queria estar debaixo do fogão!
Levava ele prá sala
Pra os lugares mais bonitos mais limpinhos
Ele não gostava:
Queria era estar debaixo do fogão.
Não fazia caso nenhum das minhas ternurinhas . . .
                                       
— O meu porquinho-da-índia foi minha primeira namorada.

(Manuel Bandeira)

                                                            

adaptado de um e-mail enviado pelo Jorge

                                                                          


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Terça-feira, 2 de Fevereiro de 2010
Manuel Bandeira: Poema tirado de uma notícia de jornal / Tragédia brasileira

Poema tirado de uma notícia de jornal

                                                                       

João Gostoso era carregador de feira livre e morava no morro da Babilônia num barracão sem número
Uma noite ele chegou no bar Vinte de Novembro
Bebeu
Cantou
Dançou
Depois se atirou na lagoa Rodrigo de Freitas e morreu afogado.

(Manuel Bandeira)

Tragédia brasileira

                                                  

Misael, funcionário da Fazenda, com 63 anos de idade.

Conheceu Maria Elvira na Lapa – prostituída, com sífilis, dermite nos dedos, uma aliança empenhada e os dentes em petição de miséria.

Misael tirou Maria Elvira da vida, instalou-a num sobrado no Estácio, pagou médico, dentista, manicura... Dava tudo quanto ela queria.

Quando Maria Elvira se apanhou de boca bonita, arranjou logo um namorado.

Misael não queria escândalo. Podia dar uma surra, um tiro, uma facada. Não fez nada disso: mudou de casa.

Viveram três anos assim.

Toda vez que Maria Elvira arranjava namorado, Misael mudava de casa. Os amantes moraram no Estácio, Rocha, Catete, Rua General Pedra, Olaria, Ramos, Bonsucesso, Vila Isabel, Rua Marquês de Sapucaí, Niterói, Encantado, Rua Clapp, outra vez no Estácio, Todos os Santos, Catumbi, Lavradio, Boca do Mato, Inválidos...

Por fim na Rua da Constituição, onde Misael, privado de sentidos e de inteligência, matou-a com seis tiros, e a polícia foi encontrá-la caída em decúbito dorsal, vestida de organdi azul. 

adaptado de um e-mail enviado pelo Jorge

                                                                    


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Segunda-feira, 1 de Fevereiro de 2010
Manuel Bandeira: Irene no céu

Irene no céu

                     

Irene preta
Irene boa
Irene sempre de bom humor.
                                     
Imagino Irene entrando no céu:
— Licença, meu branco!
E São Pedro bonachão:
— Entra, Irene. Você não precisa pedir licença.

(Manuel Bandeira)

adaptado de um e-mail enviado pelo Jorge

                                                                   


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Sábado, 27 de Junho de 2009
Faleceu o Professor Ruy Eugénio Pinto

   

«O bioquímico português Ruy Eugénio Pinto, considerado um dos pais da primeira licenciatura em Bioquímica do País, morreu ontem aos 84 anos em Lisboa, vítima de doença prolongada.
O cientista e professor catedrático jubilado da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa eraum espírito livre e uma pessoa sem fronteirascontou ao Ciência Hoje Miguel Castanho, professor e presidente da Sociedade Portuguesa de Bioquímica».

O Professor Ruy Eugénio Pinto era um antifascista de longa data e militante do Partido Comunista Português nos últimos 35 anos

                                                                                                                                


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Sexta-feira, 10 de Abril de 2009
António Gedeão: Minha aldeia

Minha aldeia

 

Minha aldeia é todo o mundo.
Todo o mundo me pertence.
Aqui me encontro e confundo
com gente de todo o mundo
que a todo o mundo pertence.

Bate o sol na minha aldeia
com várias inclinações.
Ângulo novo, nova ideia;
outros graus, outras razões.
Que os homens da minha aldeia
são centenas de milhões.

Os homens da minha aldeia
divergem por natureza.
O mesmo sonho os separa,
a mesma fria certeza
os afasta e desampara,
rumorejante seara
onde se odeia em beleza.

Os homens da minha aldeia
formigam raivosamente
com os pés colados ao chão.
Nessa prisão permanente
cada qual é seu irmão.
Valência de fora e dentro
ligam tudo ao mesmo centro
numa inquebrável cadeia.
Longas raízes que imergem,
todos os homens convergem
no centro da minha aldeia.

António Gedeão (pseudónimo de Rómulo de Carvalho)

Para Ler:

adaptado de um e-mail enviado pelo Jorge                                      

                                                                       


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Domingo, 21 de Dezembro de 2008
Monumento em homenagem «ao professor e à educação» em Vila do Conde

    (...) Eu quería moito a aquel mestre. Ao principio, os meus pais non podían crelo. Quero dicir que non podían entender como eu quería ao meu mestre. (...)

Non, o mestre don Gregorio non pegaba. Pola contra, case sempre sorría coa súa cara de sapo. Cando dous pelexaban no recreo, el chamábaos, "parecedes carneiros", e facía que se deran a man. Logo, sentábaos no mesmo pupitre. Así foi como fixen o meu mellor amigo, Dombodán, grande, bondadoso e torpe. Había outro rapaz, Eladio, que tiña un lunar na meixela, no que mallaría con gusto, pero nunca o fixen por medo a que o mestre me mandara darlle a man e que me cambiara de xunto a Dombodán. O xeito que tiña don Gregorio de mostrar un grande enfado era o silencio. 

"Se vós non calades, terei que calar eu". 

E ía cara ao ventanal, coa mirada ausente, perdida no Sinaí. Era un silencio prolongado, desacougante, como se nos deixara abandonados nun estraño país. Sentín pronto que o silencio do mestre era o peor castigo imaxinable. Porque todo o que tocaba era un conto engaiolante. O conto podía comezar cunha folla de papel, despois de pasar polo Amazonas e a sístole e diástole do corazón. Todo enfiaba, todo tiña sentido. A herba, a ovella, a la, a miña friaxe. Cando o mestre se dirixía ao mapamundi, ficabamos atentos como se se iluminara a pantalla do cine Rex. Sentiamos o medo dos indios cando escoitaron por vez primeira o rincho dos cabalos e o estoupido do arcabuz. Iamos ao lombo dos elefantes de Aníbal de Cartago polas neves dos Alpes, camiño de Roma. Loitamos con paos e pedras en Ponte Sampaio contra as tropas de Napoleón. Pero non todo eran guerras. Faciamos fouces e rellas de arado nas ferrerías do Incio. Escribimos cancioneiros de amor en Provenza e no mar de Vigo. Construímos o Pórtico da Gloria. Plantamos as patacas que viñeran de América. E a América emigramos cando veu a peste da pataca. (...)                                                       

In A lingua das bolboretas, Manuel Rivas (do seu libro "¿Que me queres, amor?)

Ver neste blog AQUI

                                                          

adaptado de um e-mail enviado pelo Jorge

                                                               

Notícias AQUI

             


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Sexta-feira, 28 de Novembro de 2008
Calculadoras no ensino da Matemática

      O estudo das funções do cérebro no domínio da cognição tem revelado a forma como diversos componentes da nossa mente se desenvolvem e articulam para permitir os desempenhos de que somos capazes.

O capítulo da aprendizagem começa a ter que ser considerado como parceiro orientador dos programas de ensino e, bem assim, aquele que se dedica ao estudo das capacidades de cálculo merece também atenção particular. Vem isto a propósito da discussão sobre a introdução do uso de calculadoras em fase precoce do ensino da matemática que nos parece uma medida contrária ao normal desenvolvimento da aprendizagem desta importante componente cognitiva.

A nossa constituição biológica natural fornece-nos instrumentos cognitivos básicos que utilizamos no início da vida de forma intuitiva. A capacidade de cálculo é um desses instrumentos. Os bebés de seis meses são capazes de fazer operações de cálculo, tal como alguns seres de outras espécies. O papel da escolarização é trazer para o domínio do pensamento consciente essas capacidades e dominá-las no contexto de uma nova lógica de representação simbólica com potencial desenvolvimento criativo, adaptado aos problemas que a vida do Universo levanta.

O cálculo intuitivo, inconsciente, das idades pré-escolares depende de operadores cerebrais localizados no hemisfério direito. A sua tradução para uma forma de representação simbólica implica o recurso a funções sedeadas no hemisfério esquerdo. O domínio da representação simbólica dos dígitos, da representação, no espaço, das operações e a memorização de competências elementares (como a tabuada), entre outros, são instrumentos preciosos e fundamentais para alicerçar um progresso no conhecimento da matemática.

Estas operações elementares são não só instrumentos básicos de futura combinação, mas são também matrizes de pensamento que são chaves de acesso ao intuitivo inconsciente que importa recrutar no processo de aprendizagem. Ou, por outras palavras, a escolarização deve ter por objectivo a construção de uma matriz primária de conhecimento, constituída por regras aprendidas e de fácil acesso mental (guardadas em memória) que sirva de interface entre o que é intuitivo, e constitui o potencial individual para esta competência, e o que hoje informa o corpo do saber neste domínio. 

É evidente que estou a falar da matemática tal como hoje a entendemos e, por isso, julgo que entregar uma calculadora a um aluno que está em fase precoce de aprendizagem se pode equiparar a dar um automóvel a uma criança que está a começar a andar para que o não faça e se movimente mais facilmente. Admito que muita coisa vai mudando no nosso processo adaptativo ao mundo, e admito também que o progresso do conhecimento nos vai tornando cada vez mais dependente das máquinas que fomos capazes de criar.

Talvez seja cedo, contudo, para criar a dependência das máquinas numa idade em que o nosso cérebro é, sem dúvida, a máquina mais competente para resolver os problemas, desde que o saibamos informar adequadamente. Se assim não fizermos, vamos continuar na cauda do mundo no que respeita a competências cognitivas, e seremos capazes de nunca vir a inventar máquinas que nos ajudem quando as operações exigem capacidades que o nosso cérebro não tem.

As calculadoras não precisam de ir à Escola, mas os meninos e as meninas precisam, e a Escola deve saber o que fazer com eles e elas.

 

Fonte: Público [Alexandre Castro Caldas - Professor de Neurologia - 24/07/2007]

 

In Matemática na Net - Calculadoras no ensino da Matemática

 

adaptado de um e-mail enviado pelo Jorge  
                                                  


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Terça-feira, 11 de Março de 2008
Faleceu Rogério Ribeiro

    Faleceu Rogério Fernando da Silva Ribeiro destacado professor e artista plástico. Abraçou desde jovem a luta antifascista pela liberdade e a democracia. Em nota, o Secretariado do Comité Central do PCP evoca Rogério Ribeiro como «uma das figuras maiores da arte portuguesa, (...) ao legado da sua imensa obra plástica junta-se (...) o do combatente político pelas causas da emancipação humana, o do resistente e dirigente comunista».

                                      

Ler Texto Integral

                                                        

Ver AQUI seis serigrafias de Rogério Ribeiro para o romance «Até amanhã, camaradas» de Manuel Tiago

                       


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Quinta-feira, 10 de Janeiro de 2008
Por que muda a gestão das escolas? Porque sim!

    O que Sócrates disse no último debate parlamentar de 2007 não me surpreendeu. Fazia sentido esse fechar de ciclo de genuflexão dos professores. Para analisar o diploma agora posto à discussão pública, vou socorrer-me de dois excertos do discurso com que Sócrates fez o anúncio ao país. "Chegou agora o momento de avançar com a alteração da lei de autonomia, gestão e administração escolar." Mas Sócrates não explicou porquê. Para suprir a lacuna fui ler o novo diploma, compará-lo com o anterior, e tirei estas conclusões:

1. Os dois diplomas apregoam autonomia mas castram toda e qualquer livre iniciativa das escolas. Nada muda. Apenas se refina o cinismo, na medida em que muito do anteriormente facultativo (o pouco que não estava regulamentado) passa agora a obrigatório. Não há uma só coisa que seja importante na vida da escola que o órgão de gestão possa, autonomamente, decidir. Um e outro são uma ode ao centralismo asfixiante.

2. O novo diploma diminui o peso dos professores da escola nos órgãos de gestão dessa escola. Esclareço a aparente redundância trazida pela insistência no vocábulo "escola" na construção deste parágrafo. É que o novo diploma torna possível que um professor de qualquer escola, mesmo que seja privada, concorra a director de qualquer outra, pública, mediante "um projecto de intervenção na escola". Que estranho conceito de escola daqui emana! Como pode alguém que não viveu numa escola, que não se envolveu com os colegas e com os alunos dessa escola, que não sofreu os seus problemas nem respirou o seu clima, conceber "um projecto de intervenção na escola"? Não é de intervenção que eles falam. É de subjugação! É a filosofia ASAE transposta para as escolas. Não faltarão os comissários, os "boys" e os "laranjas" deste "centralão" imenso em que a oligarquia partidária transformou o país, a apresentar projectos de intervenção "eficazes", puros, esterilizadores de maus hábitos e más memórias. E este é o único critério, o critério oculto que Sócrates não explicitou: domar o que resta, depois de vexar os professores com um estatuto indigno, de os funcionalizar com uma avaliação de desempenho própria de amanuenses, de os empobrecer com cotas e congelamentos, de os dividir em castas de vergonha. Tinha razão o homem: "Chegou agora o momento de avançar com a alteração da lei de autonomia, gestão e administração escolar." "A nossa visão para a gestão das escolas assenta em três objectivos principais. O primeiro é abrir a escola, reforçando a participação das famílias e comunidades na sua direcção estratégica. O segundo objectivo é favorecer a constituição de lideranças fortes nas escolas. O terceiro é reforçar a autonomia das escolas", disse Sócrates na Assembleia da República.

Mas que está por baixo do celofane? A "abertura" é uma falácia. O Conselho Geral, com a participação da comunidade, já existe, com outro nome. Chama-se Assembleia. Porém, os casos em que esta participação teve relevância são raros. E quem está nas escolas sabe que não minto. Ora não é por mudar o nome que mudam os resultados. A participação da comunidade não se decreta. Promove-se. Se as pessoas acreditarem que podem mudar algo, começam a interessar-se. Mas o despotismo insaciável que este Governo trouxe às escolas não favorece qualquer tipo de participação. Para que as pessoas possam participar, há décadas que Maslow deu o tom: têm que ter necessidades básicas resolvidas. Aqui, as necessidades básicas são não terem fome, terem tempo e terem uma cultura mínima.

Ora, senhor primeiro-ministro, o senhor que empobreceu os portugueses (tem dois milhões de pobres e outros dois milhões de assistidos), que tem meio milhão no desemprego, está à espera que acorram à sua "abertura"? Sabe quem vai acorrer? Os ricos que o senhor tem inchado? Não! Esses estão-se borrifando para a Escola Pública. São os oportunistas e os caciques, para quem a sua "abertura" é de facto uma nova oportunidade.

O senhor, que tem promovido uma política de escola-asilo, porque as pessoas não têm tempo para estar com os filhos, acredita que as famílias portuguesas, as mais miseráveis da Europa, têm disponibilidade para a sua abertura? Não! Conte com os pais interessados de uma classe média que o senhor tem vindo a destruir e são, por isso, cada vez em menor número, e com os autarcas empenhados a quem o senhor dá cada vez menos dinheiro. De novo, repito, terá os arrivistas. Julga que é com os diplomas de aviário das novas oportunidades que dá competência à comunidade para participar na gestão das escolas? Não! Os que conseguiram isso começaram há um século a investir no conhecimento da comunidade e escolheram outros métodos. Porque, ao contrário do senhor, sabem que gerir uma escola é diferente de gerir um negócio ou uma rede de influências partidárias.

A sua visão de escola ficou para mim caracterizada quando o ouvi dizer que tinha escolhido a veneranda Universidade Independente por uma razão geográfica e me foi dada a ler a sua prova de Inglês Técnico, prestada por fax. O que politicamente invocou a propósito deste diploma, que agora nos impõe, está muito longe de limpar essa péssima imagem que me deixou. A mim e a muitos portugueses, pese embora serem poucos os que têm a oportunidade ou a independência para o dizer em público. Disse impõe, e disse bem. Porque a discussão pública é outra farsa. O senhor quer que alguém acredite nisto? Depois de ver o conceito que o seu governo tem do que é negociar e os processos que a sua ministra da Educação tem usado para lidar com os professores? Em plenas férias escolares (mais uma vez) lança a discussão de um diploma deste cariz e dá para tal um mês? Acha isso sério? Se o senhor estivesse de facto interessado em discutir, era o primeiro a promover e a dinamizar esse debate, através do Ministério da Educação. Mas o que o senhor tem feito tem sido cercear todas as hipóteses de participação dos professores em qualquer coisa que valha a pena: retirando-lhe todas as vias anteriormente instituídas e afogando-os em papéis ridículos e inúteis.

Dizem, ou disse o senhor, vá lá a gente saber, que cursou um MBA. Não lhe ensinaram lá que as mudanças organizacionais sérias estabelecem com clareza as razões para mudar? Cuidam de expor aos implicados essas razões e dar-lhes a oportunidade para as questionar? Devem assentar numa avaliação criteriosa do que existia e se quer substituir? Quando podem originar convulsões antecipáveis, devem ser precedidas de ensaios e simulações prudentes? Já reparou que terá que constituir mais de 10 mil assembleias a 20 elementos cada? Que tal como a lei está, são escassos os que podem ser adjuntos do director? Que fecha a porta a que novos professores participem nas tarefas de gestão? Que exclui, paradoxalmente, um considerável número de professores titulares? Que, goste dela ou não, existe uma Lei de Bases que torna o que propõe inconstitucional e como tal já foi chumbado pelo Tribunal Constitucional?

Lideranças fortes? Deixe-me rir enquanto não proíbe o riso. O senhor que só quer uma liderança forte, a sua, que até o seu partido secou e silenciou, quer lideranças fortes na escolas? É falso o que digo? Prove-o! Surpreenda uma vez e permita que professores independentes discutam publicamente o deserto em que está a transformar a Escola Pública e para que este diploma é o elo que faltava.

                      

Professor Universitário

                                

In jornal "Público" - Edição de 8 de Janeiro de 2008
                         

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Quarta-feira, 2 de Janeiro de 2008
Governo quer pôr fim ao que resta...
    Confirmou-se o que os professores e educadores temiam – o Governo apresentou o seu projecto de acabar com o que resta da participação democrática na gestão das escolas.
Neste projecto o Governo quer:
  • acabar com o processo de participação alargada e directa na eleição dos órgãos de gestão das escolas e agrupamentos;
  • colocar os professores em clara minoria no Conselho Geral;
  • impedir que os professores possam exercer a função de presidente do Conselho Geral;
  • criar um órgão unipessoal de gestão – o Director;
  • reforçar, obsessivamente, a concentração de poderes no Director;
  • permitir que um docente do ensino privado possa ser director de uma escola ou agrupamento público;
  • impor a nomeação, pelo director, de todos responsáveis pelas funções de gestão intermédia (coordenadores de departamentos, conselho de docentes, directores de turma, coordenadores de estabelecimento, etc…).
As dificuldades das escolas e os problemas com os resultados escolares dos alunos não resultam do seu modelo de direcção e gestão. As escolas portuguesas não precisam de gestores de carreira.
As escolas precisam de:
(...)
           
Ler Texto Integral
             
Ver AQUI o projecto do Ministério da Educação
   

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publicado por António Vilarigues às 10:14
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Sexta-feira, 14 de Dezembro de 2007
O fim anunciado da democracia na gestão das escolas

    O PCP considera que os últimos anos foram marcados por sucessivos ataques aos princípios da colegialidade e da eleição dos órgãos de gestão dos estabelecimentos de ensino e da sua autonomia e sublinha que o anúncio feito ontem pelo Primeiro-Ministro «de que o Governo se prepara para alterar o modelo de gestão das escolas do ensino não superior, acabando com a eleição para os órgãos de gestão das escolas que hoje é feita pelos professores, pais, estudantes (no ensino secundário) e pessoal não docente era há muito esperado» confirmando, nesta matéria, a sintonia de opiniões com o PSD e o CDS-PP.

  

In Nota da Comissão Nacional do PCP para as Questões da Educação e Ensino
            


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Quinta-feira, 29 de Novembro de 2007
Carta educativa de Penalva do Castelo aprovada

Texto de António Figueiredo

    O Ministério da Educação homologou a carta educativa do concelho de Penalva do Castelo, anunciou a câmara municipal. Em comunicado, a autarquia recorda que a homologação era uma condição prévia para apresentação de candidaturas para o financiamento da requalificação dos estabelecimentos escolares do 1.º ciclo e pré-escolar, no âmbito do programa operacional da região centro, referente ao QREN 2007/2013.
Segundo o estudo, e dados estatísticos apresentados na carta educativa, espera-se que no concelho de Penalva do Castelo exista, até ao ano lectivo de 2013/2014, uma "tendência positiva no pré-escolar, uma estabilização no 1.º ciclo, e uma tendência negativa nos 2.º e 3.º ciclos e no ensino secundário".
De acordo com as tendências populacionais, a autarquia considera ser possível apontar para a "estabilização em quatro pólos educativos: Penalva do Castelo, Castelo de Penalva, Roriz e Sezures". O presidente da câmara lembra que, mesmo antes de aprovada a carta educativa, estão a decorrer "as obras de remodelação da escola da Corga, num investimento total aproximado de 120 mil euros, assim como em Castelo de Penalva, onde se vão gastar quase 126 mil euros". Para o executivo, "estão a ser criadas as condições para um ensino de qualidade, abrindo novos horizontes às crianças e jovens do concelho, tendo como principio uma escola de proximidade".

(sublinhados meus)

           

In "Diário as Beiras" - Edição de 28 de Novembro de 2007

      


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Terça-feira, 6 de Novembro de 2007
O Atrevimento da Ignorância (IV)

    Nesta série de posts intitulada «O Atrevimento da Ignorância» têm lugar as falsas verdades. Mentiras ditas e escritas com foros de verdade. Agradecemos as dicas e as sugestões dos nossos leitores. Desde já o nosso obrigado.

   

As Escolas Privadas são melhores que as Escolas Públicas

  

De há seis anos a esta parte é elaborado a partir dos dados fornecidos pelo Ministério da Educação um ranking das escolas, com base nos resultados dos exames do final do Ensino Secundário. Esclareça-se que o Ministério não fornece tabelas ordenadas das escolas: apenas disponibiliza, neste endereço, uma base de dados em bruto. Todas as médias, assim como os critérios para obter essas médias escola a escola, devem depois ser calculadas pelos órgãos de comunicação social.

E de há seis anos a esta parte que políticos, analistas, comentadores e jornalistas falam e escrevem sobre os perigos de uma educação pública (ou "estatizada"). Não há liberdade de escolha. O ensino é pior. Uma balda onde ninguém é avaliado.

Trata-se de mais uma inverdade recorrente. Repetida milhares de vezes com o maior dos atrevimentos.

Só que a realidade é outra:

  • Em Portugal há famílias inteiras que nunca tiveram hábitos de leitura, de estudo, de trabalho intelectual individual. Os seus filhos acederam massivamente às  escolas pública desde o 25 de Abril de 1974. Para milhares de famílias, esta é a primeira geração que tem alguma escolarização.
  • O sistema público de ensino fez com que os novos alunos, desde cedo, tivessem mais conhecimentos a matemática, ou a português, ou a qualquer outra disciplina do que os seus pais. Em casa não há ninguém para os ajudar nos trabalhos de casa.
  • A massificação do ensino teve que lidar com um país que já existia antes da democracia. A educação tem o lastro cultural que a suporta. O sistema educativo, a iliteracia, o analfabetismo e as dificuldades económicas vêm de longe, de muito longe
  • O colégio São João de Brito, um exemplo, aparece sempre nas cinco primeiras posições do ranking. Uma escola com "o tipo de ensino que os ricos escolhem porque sabem que é melhor e mais exigente". 
  • O colégio São João de Brito é da Companhia de Jesus.Que tem mais duas escolas com ensino secundário. O Instituto Nun´Álvares, em Santo Tirso, e o Colégio da Imaculada Conceição, em Cernache - Coimbra. O Nun´Álvares ficou em 177.º, a Imaculada Conceição em 91º (ver aqui)
  • Os métodos de ensino, contratação e formação de professores são idênticos. Só que nestes dois casos recebem alunos de todas as classes sociais. No outro não. (ver aqui)
  • Mais de um terço dos alunos nos colégios privados são financiados por dinheiros públicos, aos quais o Estado entraga 3 343 euros por cada aluno.(ver aqui). Só no segundo semestre de 2006 os dez mais apoiados receberam mais de 26 milhões de euros.
  • Uma avaliação séria do sistema educativo e das escolas nunca poderá ser feita na base dos rankings.

  • Porque são elaborados a partir de um único indicador, sem ter em conta o contexto em que as escolas se inserem, os recursos de que dispõem, os processos que desenvolvem e os resultados que obtêm nas várias vertentes do seu trabalho.

  • Não é possível avaliar uma escola tendo apenas em conta os resultados dos alunos em exames. Não é legítimo comparar escolas cujas realidades educativas são diferentes. Não se consegue a melhoria das "piores" escolas expondo publicamente o seu alegado insucesso.

  • A facilidade com que as escolas são catalogadas de "boas" e "más", "melhores" e "piores", em função da posição relativa que ocupam no ranking representa uma atitude irresponsável e desrespeitadora do trabalho das escolas e dos professores.

  • Há países onde não há rankings, não há retenção de alunos com piores resultados, só é possível abrir uma escola privada com aprovação do Conselho de Ministros (e estão proibidas de cobrar propinas, recebem o dinheiro do Estado). Países onde existem menos de 40 escolas privadas, mas que são, ao mesmo tempo, classificados pelo insuspeito Fórum Económico Mundial como tendo o melhor ensino secundário do mundo. O país é a Finlândia  e, segundo o estudo internacional de referencia, o PISA, os seus alunos costumam ter os melhores resultados mundiais a quase todas as disciplinas.


Como escreveu no seu blog Pedro Sales: «A distopia liberal é Ideologia e preconceito contra o sistema público, baseada no aproveitamento demagógico do senso comum. Não tem nenhuma base, nacional ou internacional, que a suporte. É o preconceito de classe travestido de preocupação social. Tudo em nome da liberdade da iniciativa privada que, veja-se, só é verdadeiramente livre se for o Estado a financiá-la. E diz-se esta gente liberal

  

Inspirada pela leitura do blog "Zero de Conduta"

  

 


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publicado por António Vilarigues às 16:08
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Terça-feira, 16 de Outubro de 2007
A Quadratura do Círculo

    «O Governo consegue a extraordinária quadratura do círculo que é o anúncio do aumento do número de alunos, a diminuição do número de professores e a manutenção da qualidade pedagógica. Continua a manter precários milhares de docentes que exercem funções permanentes. Institui a prática da contratação precária e “à peça”, como acontece em geral para as impropriamente chamadas “actividades de enriquecimento curricular”, com professores contratados a três e quatro euros à hora. Entretanto continua a existir um excesso do número de alunos por turma com as consequências pedagógicas evidentes.» (Bernardino Soares).

    

É mesmo uma «Quadratura do Círculo»!!!

  


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Segunda-feira, 15 de Outubro de 2007
Homenagem a Óscar Lopes pelo seu 90º aniversário

    No encerramento da sessão pública, promovida pela Cooperativa Árvore, de homenagem a Óscar Lopes pelo seu 90º aniversário, Jerónimo de Sousa, depois de relevar a dimensão do professor, mestre, autor, investigador ensaísta, historiador e linguista, reflectiu um sentir imenso de admiração e gratidão e terminou lembrando que «a comunidade científica e intelectual deve muito a Óscar Lopes. Mais lhe devem os trabalhadores e o povo, tal como o seu Partido de sempre».

  

Ler Texto Integral

  


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Terça-feira, 9 de Outubro de 2007
Dia Mundial dos Professores

     Um programa cultural de grande qualidade, com as actuações da banda "Oppoente" e do Grupo de Etnografia e Folclore da Academia de Coimbra (GEFAC); quatro intervenções marcadas pela análise rigorosa de destacados sindicalistas de Portugal, Espanha e França; um convívio bem animado com largas centenas de educadores e professores oriundos de várias regiões do País; e uma mensagem firme e determinada, dirigida à opinião pública e aos responsáveis políticos, da parte dos professores, em defesa dos seus legítimos direitos e da Escola Pública de Qualidade - foi assim, entre nós, o 5 de Outubro, Dia Mundial do Professor. Uma jornada de quase quatro horas, vivida no histórico Coliseu dos Recreios de Lisboa, por iniciativa da FENPROF.

Convívio e festa com forte
componente reivindicativa

Sala mítica e prova de fogo para muitos artistas nacionais e estrangeiros, o sempre jovem Coliseu (foi inaugurado em 14 de Agosto de 1890) acolheu desta vez um cartaz diferente: pôs Lisboa na rota das comemorações que, pelos quatro cantos do mundo, assinalaram o Dia Mundial dos Professores, juntando o convívio, a música e a festa com "uma forte componente reivindicativa". E isto porque, como realçou o secretário-geral da FENPROF, "os professores continuam a ser vítimas de um ataque sem precedentes no Portugal de Abril, concretizado em palavras, actos e omissões, e desferido por um Governo que tem, de facto, os docentes como mal-amados". Como neste 5 de Outubro de 2007 o próprio Primeiro Ministro fez questão, uma vez mais,  de realçar.../ JPO

  

In FENPROF

  

Nota colocada a 10/09: Se pretender pronunciar-se sobre as nossas escolas faça-o neste post, nos comentários (sugestão de um leitor deste blog)

  


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publicado por António Vilarigues às 16:26
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