TERRAS DE PENALVA ONDE «A LIBERDADE É A COMPREENSÃO DA NECESSIDADE»

Segunda-feira, 30 de Janeiro de 2017
30 de Janeiro de 1972 – Domingo Sangrento na Irlanda do Norte

Domingo Sangrento

O exército britânico dispara, sem motivo e sem aviso prévio, sobre milhares de manifestantes – católicos republicanos e nacionalistas, habitantes do gueto de Derry – que participam numa marcha pacífica pela democracia, contra a discriminação de que são alvo por parte das autoridades de Londres e dos seus representantes locais (protestantes), contra a repressão da polícia norte-irlandesa, fanaticamente unionista.

A praça Free Derry Corner é o cenário dantesco do banho de sangue que enluta a Irlanda e envergonha o Reino Unido.

As imagens do massacre, captadas pelo jornalista italiano Fulvio Grimaldi, são proibidas na Grã-Bretanha mas correm o mundo.

Depois de muita polémica, em 1998 é finalmente aprovado um inquérito oficial aos acontecimentos daquele Domingo Sangrento (Bloody Sunday).

O relatório Saville, publicado em 2010, prova que de facto o Domingo Sangrento foi um massacre, que os manifestantes que não constituíam qualquer ameaça e que foram baleados sem justificação.

AQUI

 


sinto-me:

publicado por António Vilarigues às 00:02
link do post | comentar | favorito
|

Quarta-feira, 16 de Novembro de 2016
Donald Trump = 61.251.881 (46,79%); Hillary Cinton = 62.413.443 (47,68%)

Mapa EUA Eleitoral_2016

 

Mais de 1 milhão cento e sessenta mil votos de diferença...

 

E viva o sistema eleitoral made in USA no século...XVIII (e AQUI)

 

Nada mal para quem pretende dar lições ao mundo sobre eleições democráticas!!!

 


sinto-me:

publicado por António Vilarigues às 14:14
link do post | comentar | favorito
|

Quarta-feira, 9 de Novembro de 2016
Previsões e sondagens de um comunista português...

eleicoes_eua_eleitor_mesa_voto 2016

O ANTES:

 

«A menos de quinze dias das eleições presidenciais nos EUA, duas conclusões têm dominado o espaço mediático: esta é a campanha eleitoral mais acrimoniosa de sempre e é como se Hillary Clinton já tivesse ganho.

Ambas são igualmente precipitadas.

(...)

Com o historial de Clinton, a possibilidade de uma surpresa, um escândalo ou a revelação de segredo não deve ser excluída: é destas emoções que vive a própria democracia burguesa nos EUA.

As contradições internas do capitalismo atingiram, neste país, tal grau de volatilidade que pode dar-se um fenómeno eleitoral imprevisível e se desminta o prematuro funeral de Trump.

Afinal não há nenhum funeral em causa: só a escolha desapaixonada entre dois cancros terminais.»

 

O DEPOIS:

 

«Talvez seja altura de começarmos a questionar para que servem, afinal, as sondagens, se não para serem mais um elemento de condicionamento das escolhas.

(...)

Acredito que Trump não será a causa de coisa alguma. Trump é uma consequência de tudo o que foi e não foi dito atrás. Trump é também uma consequência do que foi Hillary na sua vida política.Trump é um produto do sistema e não creio que vá ser tão louco como foi durante a campanha.

O novo presidente não é uma ameaça para o sistema, é um produto dele.

E o que poderá acontecer, no máximo, é a troca do establishment do sistema por outros actores. O sistema eleitoral, político e económico dos EUA segue vivo e de boa saúde, para gáudio de quem vive muito bem às custas dele

(sublinhados meus)

 


sinto-me:

publicado por António Vilarigues às 21:23
link do post | comentar | favorito
|

Sistema eleitoral do século XVIII garante poder nas mãos dos mesmos

Trump-Hillary1 2016

As eleições para a Presidência, assim como para o Senado e a Câmara de Representantes, realizadas nos Estados Unidos da América expressaram profundos problemas, contradições e desigualdades que percorrem a sociedade daquele País, que são expressão do aprofundamento da crise estrutural do capitalismo que afecta particularmente a maior potência imperialista do Mundo.

O lamentável espectáculo da campanha eleitoral expressou de forma muito clara a degradação do sistema político dos EUA, facto inseparável da crise social e da desilusão provocada em vastos sectores populares pela presidência Obama que, tanto no plano interno como externo, defraudou as expectativas de mudança que falsamente foram alimentadas.

A eleição de Donald Trump como Presidente dos EUA poderá aprofundar ainda mais a política externa reaccionária e agressiva dos EUA levada a cabo por sucessivas administrações norte-americanas, e da qual a candidata derrotada foi destacada protagonista. Tal facto realça a importância da intensificação e alargamento da luta pela paz e contra as ingerências e agressões do imperialismo, nomeadamente do imperialismo norte-americano.

O PCP expressa a sua solidariedade aos comunistas, às forças e sectores progressistas dos EUA que persistem na luta pela justiça social, a democracia, o progresso e a paz, e na denúncia da verdadeira natureza de um sistema de poder contrário aos interesses dos trabalhadores e do povo dos EUA.

White_house_south.jpg

«Donald Trump foi eleito presidente dos EUA, apesar da candidata do Partido Democrata seguir à frente no voto popular. O bipartidarismo mantém o poder, mas com o pior resultado dos últimos 20 anos.

(...) o candidato eleito não necessita de receber a maioria dos votos nem de protagonizar a candidatura mais votada.

Esta deverá ser a quinta vez em que o presidente eleito não é o candidato com mais votos.

Desde o início do século XX, uma situação idêntica aconteceu por uma vez, em 2000, quando Al Gore foi o mais votado e George W. Bush foi eleito presidente.»

 

«As eleições presidenciais norte-americanas da próxima terça-feira serão as primeiras desde que foram introduzidas novas restrições ao exercício do voto em catorze estados.

(...)

As restrições ao direito de voto nos EUA incidem, particularmente, sobre a população afro-americana, hispânica e asiática.

(...)

Apesar dos alarmes lançados pela campanha de Donald Trump para uma fraude eleitoral em larga escala, organizações de defesa dos direitos civis denunciam alterações legais que podem deixar de fora muitos que queiram votar a 8 de Novembro

 

É caso para dizer:

Terminado o «big show», deixa assentar a poeira...

 


sinto-me:

publicado por António Vilarigues às 18:35
link do post | comentar | favorito
|

Sexta-feira, 21 de Outubro de 2016
Fascismo americano, as raízes de uma nação sob deus

EUA madison-square-garden-1939-1

Reunião no Madison Square Garden da organização Americana Nazi em 1939

 

Realizadas as Convenções dos Partidos Republicano e Democrata, somente restam na corrida para a Casa Branca dois candidatos importantes: Hillary Clinton e Donald Trump, qual deles o mais reacionário e perigoso para a humanidade.

Neste artigo, publicado em Setembro do ano passado na Revista Vermelho, António Santos comenta a influência que o pensamento fascista do III Reich teve na formação da ideologia predominante nos Estados Unidos.

Não perdeu atualidade.

 

Índice dos subcapítulos

 

Arca de Noé da Direita Americana

O fantasma de João Calvino

O mercado de Wall Street

A inspiração de Hitler

A primeira ameaça vermelha

A cultura do fascismo

Nazis e americanos, uma história de amor

A casa de Hitler nas montanhas

A segunda ameaça vermelha

Anti-comunismo sem comunistas

América Anti-intelectual

Actividades anti-americanas

O sonho americano

O actual reaccionarismo da direita estado-unidense é o produto cultural de dois séculos de desenvolvimento de capitalismo. Ao contrário da maioria dos Estados capitalistas desenvolvidos, os EUA nunca abandonaram uma noção de nação que incorpora elementos fascistas. Na verdade, ao longo destes 200 anos, a definição da ideologia americana, ou americanista, foi crescendo, até se transformar, hoje em dia, numa fina película super-estrutural muito semelhante ao fascismo, que filtra a percepção da realidade vivida por milhões de estado-unidenses.

Mais do que mero ersatz da histeria anti-comunista dos anos cinquenta, o nacionalismo estado-unidense mantém-se como um instrumento de luta de classes ao serviço do grande capital e um elemento unificador nacional que se estende da extrema-direita do Partido Republicano ao centro do Partido Democrata.

Na actualidade, a ideologia americanista é um pretexto para justificar o belicismo, a tortura, a espionagem e a repressão policial. Por outro lado, permite manter a opressão económica e social dos afro-americanos, fechar alternativas políticas ao capitalismo bicéfalo e, ao mesmo tempo, convencer os trabalhadores de que no «sonho americano», ao contrário de todos os outros países, é possível enriquecer trabalhando arduamente. Nesta perspectiva individualista, os trabalhadores que não enriquecem devem-se culpar unicamente a si próprios, aos seus genes, à sua inteligência, à sua falta de fé, ou à sua força de vontade, mas nunca ao seu patrão.

Publicado na Revista Vermelho em Setembro de 2015

 

Charlotte EUA 2016-09

Charlotte USA 2016

 

Sempre que nos EUA uma cidade explode de raiva, os principais órgãos de comunicação social vêm chorar as montras partidas, os caixotes de lixo injustamente incendiados, o papel higiénico roubado das lojas...

Ficasse Charlotte na Venezuela e estava pintado um bonito quadro de legítima revolta popular, contra a escassez de produtos básicos e um regime;

fosse em Cuba e já haveria Organizações Não-Governamentais a organizar concertos e campanhas pela libertação dos presos políticos durante os protestos;

fosse a Carolina do Norte a Coreia do Norte e choveriam notícias sobre a brutal ditadura que usa o exército para reprimir e matar o seu próprio povo.

Mas não sendo Charlotte na Venezuela, não veremos as fotografias de dezenas de pessoas, carregadas de papel higiénico, a sair de supermercados incendiados;

não sendo em Cuba, nunca saberemos os nomes das dezenas de pessoas presas durante os protestos,

e não sendo a Carolina do Norte a Coreia do Norte, ninguém falará em direitos humanos.

Keith Lamont Scott não foi o terceiro nem o quarto caso: de acordo com o The Guardian, Keith Lamont Scott foi o 193.º(!!!) negro a morrer às mãos da polícia nos EUA desde o início do ano.

No caso de Charlotte, o orçamento camarário para a polícia ultrapassa os 16 milhões de dólares anuais, mais do que a verba da cidade para a saúde e quase tanto como para a educação.

AQUI

 

German_American_Bund_NYWTS

 

Capitalismo, fascismo, racismo, isto anda tudo ligado (quod erat demonstrandum)

 


sinto-me:

publicado por António Vilarigues às 12:36
link do post | comentar | favorito
|

Sábado, 18 de Junho de 2016
O monstro do ódio entra na campanha

Pulse nightclub in 2006

Antes do massacre, o atirador de Orlando terá dito que agia em nome do Estado Islâmico, mas é provável que tivesse ligações tão fortes a Trump como a al-Baghdadi.

Mateen adquiriu a sua metralhadora AR15 como um bom republicano; tinha fama de machista como prescrevem os fundamentalistas cristãos; fazia gala, como os paleo-conservadores, do seu amor pela brutalidade policial e, como toda a extrema-direita, odiava homossexuais.

Seria, afinal, o descendente de afegãos um «radical islâmico» ou outra coisa?

A verdade é que, na barbárie como nas ideias, a normalidade político-ideológica dos EUA anda há muito de braço dado com as fátuas do Estado Islâmico na mesma sopa de ódio primordial onde se geram os fascismos: o capitalismo em crise.

O monstro de Orlando jurou ódio à humanidade – e lealdade a Trump.

AQUI

 


sinto-me:

publicado por António Vilarigues às 14:30
link do post | comentar | favorito
|

Quarta-feira, 14 de Janeiro de 2015
O novo orçamento federal nos EUA

White_house_south.jpg

Na sua última sessão de 2014 em Dezembro passado, o Senado dos EUA aprovou o novo orçamento federal, um pacote no valor de 1,1 biliões [milhões de milhões - 1.100.000.000.000] de dólares. Sob a ameaça de uma nova paralisação do governo, o Partido Democrata, em minoria em ambas as câmaras do Congresso, estabeleceu um acordo com o seu congénere Republicano, permitindo prolongar o funcionamento das chamadas «funções não vitais» do Estado federal. Em contrapartida, foram aprovadas duas leis que comprometem as reformas de milhões de pensionistas e abrem caminho à privatização da segurança social.

Por um lado, o governo federal compromete-se legalmente com o resgate de bancos que apresentem prejuízos causados pelos chamados contratos derivativos e outros produtos financeiros altamente incertos. A nova lei, desenhada à medida dos donos do Citigroup, transforma em lei as operações de resgate de 2008, nacionalizando os prejuízos dos capitalistas sempre que os seus negócios falham. Por outro lado, a segunda lei agora aprovada, garante que quando esses negócios correm bem, os prejuízos também são nacionalizados. Passo a explicar.

Ler texto integral

 


sinto-me:

publicado por António Vilarigues às 06:36
link do post | comentar | favorito
|

Quarta-feira, 18 de Setembro de 2013
A Crise do Sistema Capitalista: três fagulhas e um barril de pólvora

-

Clicar na imagem para visualizar a ligação

-

-


sinto-me:

publicado por António Vilarigues às 01:50
link do post | comentar | favorito
|

Quinta-feira, 8 de Novembro de 2012
Obama wins, struggle begins

«O País continua mergulhado numa crise profunda. A dívida pública interna aumentou para um nível astronómico. A dívida externa é a maior do mundo. O défice da balança comercial é colossal. Os EUA são hoje um estado parasita que consome muito mais do que produz e mantém a hegemonia mundial em consequência do seu enorme poderio militar. A política financeira de Obama, concebida para favorecer as grandes transnacionais e a banca, contribuiu para agravar o desemprego e manteve na miséria dezenas de milhões de famílias

«The significance of the re-election of the first African-American president should not be lost as we move into the post-election landscape. It says a lot about the desire of a huge section of the Black, white and Latino/a masses, both the workers and some in the middle class, and especially the youth, to work together to solve the dire and mounting problems that face them: layoffs, low wages, crushing debts, lack of health care, growing climate disasters, and — especially for the oppressed Black, Latino/a and Native communities — unbridled police terror against the poor.»

«O sistema político faz a sua parte, impedindo na prática a participação de outras forças políticas que não os dois partidos do sistema na gestão dos destinos dos EUA. Mas não é apenas o sistema político e eleitoral que garante a permanência das «duas cabeças» de um mesmo poder na Casa Branca. O financiamento das campanhas eleitorais tem aqui um papel fundamental. Nestas eleições os dois partidos juntos terão gasto nada mais nada menos do que seis mil milhões de dólares. Uma soma astronómica que demonstrando na prática quem está por detrás da «democracia» norte-americana funciona também como «filtro decantador» relativamente a quaisquer eventuais alternativas políticas.»

-


sinto-me:

publicado por António Vilarigues às 17:17
link do post | comentar | ver comentários (2) | favorito
|

Quarta-feira, 5 de Setembro de 2012
A Crise do Sistema Capitalista: EUA - ricos prosperam com a miséria da maioria
  • As eleições deste ano serão as mais caras de sempre, movimentando qualquer coisa como 5,8 mil milhões de dólares, calculou o Center for Responsive Politics. De acordo com os dados relativos à angariação de fundos, as presidenciais e legislativas agendadas para Novembro vão bater o recorde de dinheiros gasto em campanha, quer por Barack Obama e Mitt Romney, quer pelos partidos Democrata e Republicano.

  • A organização alerta, no entanto, que o montante exacto é difícil de calcular, já que as verbas canalizadas para os movimentos de apoio às candidaturas são ilimitados e alvo de menor escrutínio quanto à sua origem, podendo fazer disparar a quantia estimada para perto dos nove mil milhões.

  • De acordo com um relatório do Centro de Pesquisas do Congresso dos EUA, divulgado dia 19 de Julho, metade da população dos EUA detém apenas 1,1 por cento do total da riqueza. Em contraste, a fracção mais restrita da burguesia nacional possuía 34,5 por cento de toda a riqueza.
  • Alargando a amostra, continua a sobressair a desigualdade abissal cavada pelo capitalismo entre grandes possidentes e a restante massa de pequenos proprietários e proletários, já que, em 2010, 10 por cento dos primeiros arrebatavam 74,5 por cento de toda a riqueza dos EUA.

  • Segundo o mesmo texto, a situação tem vindo a agravar-se nos últimos anos do século XX e na primeira década do século XXI. Em 1995, metade da população norte-americana detinha 3,6 por cento da riqueza, mas em 2001 esse índice era já só de 2,8 por cento. Em 2010, como já foi referido, a percentagem situou-se nos 1,1 pontos.

  • A situação não escapa ao povo norte-americano. Isso mesmo parece confirmar um inquérito recente elaborado pelo Instituto Público de Pesquisas Religiosas, que afirma que 79 por cento dos inquiridos considera que a desigualdade nos EUA tem vindo a aumentar. A mesma sondagem, citada pela Associated Press, relata que 67 por cento dos questionados manifesta-se contra os cortes federais e estatais nos programas de assistência, destinados a mitigar a miséria dos mais desfavorecidos.

  • Um em cada seis norte-americanos, cerca de 47 milhões de pessoas, viviam, em 2011, abaixo do limiar da pobreza.

  • A estimativa de 15,1 por cento da população em situação de pobreza extrema, relativa ao ano passado, deve no entanto ter sido já ultrapassada, admitem os peritos, que notam ainda que, por este caminho, o país prosseguirá a passos largos a aproximação ao índice observado em 1959, quando mais de 22 por cento dos norte-americanos viviam abaixo do mínimo admitido como sustentável.

  • A média dos rendimentos não pára de cair, afirmam, por outro lado, os dados oficiais, cujos números reportam, igualmente, um estancamento na criação de postos de trabalho. No mês de Junho terão sido criados pouco mais de 80 mil novos empregos, valor incapaz de absorver a massa de desempregados no território.

  • Muitos dos desempregados, salientam também os especialistas considerados pela AP, pura e simplesmente desistiram de manter a inscrição nos centros de emprego, factor que deverá contribuir para a actual taxa de desemprego oficial indicada: 8,2 por cento.

  • A verdade é que, ainda assim, a taxa de desemprego oficial registou uma subida em 27 estados norte-americanos, com as percentagens mais elevadas de 11,6 e 10,9 no Nevada e em Rhode Island, respectivamente.

  • Paralelamente, nos EUA avolumam-se as preocupações sobre a situação económica. A Associação Nacional de Agentes Imobiliários afirma que durante o mês de Junho as vendas de casas usadas caiu 5,4 por cento e que o preço médio dos imóveis continua a trajectória descendente que o fez decrescer, já este ano, 7,9 por cento face a 2011. O sector foi um dos que mais expressivamente ilustrou a dimensão da actual crise capitalista. A sua evolução e estado é, por isso, um barómetro.

  • Entre o capital financeiro, prossegue a rearrumação de posições, com os mais pequenos e débeis a sucumbirem à imposição do grande capital financeiro no terreno dos negócios. Só este ano já faliram 33 instituições de crédito nos EUA.

  • O número está, ainda assim, longe dos 90 bancos que declararam bancarrota em 2011; dos 175 em 2010; dos 140 em 2009.

  • De acordo com o Washington Post, o custo das falências bancárias para a economia dos EUA rondou, em 2011, os 88 mil milhões de dólares.
  • Num mero exercício ilustrativo da situação declínio em que se encontram os EUA, se o Departamento do Tesouro dos EUA implementasse um plano de pagamento da dívida pública, acumulada para salvar a banca, recorde-se –, e o programa determinasse a transferência de um dólar por segundo para os credores, então os EUA demorariam 450 anos a saldar as contas.

-


sinto-me:

publicado por António Vilarigues às 11:58
link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito
|

Quarta-feira, 23 de Março de 2011
A Crise do Sistema Capitalista: Implosão do mercado dos Títulos do Tesouro dos EUA no 2º semestre de 2011

Clicar na imagem para visualizar a ligação

-

-


sinto-me:

publicado por António Vilarigues às 12:05
link do post | comentar | favorito
|

Quarta-feira, 15 de Dezembro de 2010
Capital norte-americano engorda enquanto os trabalhadores definham

-

A taxa de desemprego e a pobreza avançam nos EUA enquanto os lucros do grande capital batem recordes. A situação assume contornos criminosos quando Democratas e Republicanos aliviam a carga fiscal sobre a grande burguesia e a transferem para os trabalhadores, a quem cortaram ainda o subsídio de desemprego e outros benefícios.

A taxa de desemprego oficial nos EUA subiu para 9,8 por cento em Novembro, o mais alto índice em sete meses e o 19.º mês consecutivo com uma taxa acima dos 9 pontos percentuais, o mais longo período desde a Segunda Grande Guerra Mundial.

O total de trabalhadores admitidos como desempregados cifra-se, assim, acima dos 15 milhões, dos quais cerca de 40 por cento se encontram desocupados há mais de meio ano. Em média, um trabalhador necessita de quase 34 semanas para encontrar um novo posto de trabalho.

Ler Texto Integral

-


sinto-me:

publicado por António Vilarigues às 00:03
link do post | comentar | favorito
|

Sexta-feira, 29 de Janeiro de 2010
Supremo liberaliza financiamento das campanhas eleitorais

     O Supremo Tribunal dos EUA considerou inconstitucional a imposição de limites no financiamento das campanhas eleitorais por parte das empresas. Para os magistrados estava em causa a «liberdade de expressão» das corporações.

Por 5 votos contra 4, a maioria dos juízes com assento no máximo órgão judicial norte-americano decidiu invalidar uma lei federal que restringia o pagamento de despesas de campanha por parte de empresas, escancarando, ainda mais, as portas a um reforço do domínio do grande capital sobre o poder político no país.

                                                                                 


sinto-me:

publicado por António Vilarigues às 12:06
link do post | comentar | favorito
|

Sexta-feira, 6 de Novembro de 2009
Revolução de Outubro foi há 92 anos - Lénine e a Revolução

«Só quando “os de baixo” não querem o que é velho e “os de cima” não podem continuar como dantes, só então a revolução pode vencer.»
                                         


sinto-me:

publicado por António Vilarigues às 00:05
link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito
|

Segunda-feira, 21 de Setembro de 2009
Guantánamo e a falta de vergonha

Cierre de Guantanamo, por Martirena

                  

- ...não há dinheiro para fechar Guantánamo...

- O que não há é vergonha!

                                                    

Neste blogue:

adaptado de um e-mail enviado pelo Jorge

                                                                   


sinto-me:

publicado por António Vilarigues às 12:05
link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito
|

Terça-feira, 16 de Junho de 2009
Miguel Torga: NÃO PASSARÃO

NÃO PASSARÃO

                               

Não desesperes, Mãe!
O último triunfo é interdito
Aos heróis que o não são.
Lembra-te do teu grito:
Não passarão!

Não passarão!
Só mesmo se parasse o coração
Que te bate no peito.
Só mesmo se pudesse haver sentido
Entre o sangue vertido
E o sonho desfeito.

Só mesmo se a raiz bebesse em lodo
De traição e de crime.
Só mesmo se não fosse o mundo todo
Que na tua tragédia se redime.

Não passarão!
Arde a seara, mas dum simples grão
Nasce o trigal de novo.
Morrem filhos e filhas da nação,
Não morre um povo!

Não passarão!
Seja qual for a fúria da agressão,
As forças que te querem jugular
Não poderão passar
Sobre a dor infinita desse não
Que a terra inteira ouviu
E repetiu:
Não passarão!

Miguel Torga

"A onda de tirania submergia os cinco continentes.” “O fascismo em Espanha completava o cerco à liberdade” e “o grito simbólico duma causa”, emitido pela Passionária (Dolores Ibarruri) em Madrid cercada pelos nacionalistas, estivera até na origem das “estrofes candentes” do poema “Não Passarão” que o autor veio a reunir com outros, em 1952, sob o título Alguns Poemas Ibéricos (refundidos e acrescentados, mais duma década depois, como Poemas Ibéricos).

“Português hispânico”, respirando o “ar peninsular”, Torga atravessou a Espanha franquista em armas e pôde “presenciar, ao vivo, alguns dos horrores” do “fratricídio intolerante” da Guerra Civil, tomar conhecimento, in loco, do cortejo de desgraças perpretadas contra os republicanos por caudilhos nacionalistas, com “esquadrões marroquinos, batalhões nazis e divisões fascistas”, deplorando que o mesmo fascismo totalitário se tivesse instalado em Portugal sem a “força afirmativa do povo espanhol”: Morrem filhos e filhas da Nação, / Não morre um Povo.”

In Miguel Torga 1907 - 1995 :: A Voz do Chão :: Adolfo Rocha

Clicar nas imagens para ampliar

                                                                   

adaptado de um e-mail enviado pelo Jorge

                                                                   


sinto-me:

publicado por António Vilarigues às 12:07
link do post | comentar | favorito
|

Terça-feira, 17 de Fevereiro de 2009
Notícias dos EUA: A política externa

     A Secretária de Estado, Hillary Clinton, está a realizar a sua primeira visita oficial. A parte da Ásia (Japão, Indonésia, Coreia do Sul e China). 

É uma novidade. É a primeira vez que um Secretário de Estado americano não começa por visitar a Europa.

Mas é, também, um sinal de mudança. Depois de uma era de fixação obsessiva no "terrorismo", no mundo árabe, na necessidade de conseguir apoios europeus para as suas agressões militares, no apoio a Israel e à sua política expansionista e desestabilizadora e no desconhecimento do mundo (abandono de África, desprezo pela América Latina, ocupação do Médio Oriente, controlo do Paquistão), sopram ventos de mudança na política externa.

Estaremos para ver.

Anunciada que está a retirada do Iraque, ainda está por se saber se se confirma uma mudança estratégica no Afeganistão, com um enfoque especial, mais no desenvolvimento e no apoio às populações e menos nas acções militares.

A questão dos dois Estados, Israel e Palestina, está em cima da mesa. Como irão evoluir as relações com o Irão, a Síria, o Egipto?

Os crimes do Darfur continuam. Será que África vai continuar a ser ocupada por interesses chineses e desinteresses generalizados?

O bloqueio de Cuba continua. E, como a história mostra, essa acção tem servido para reforçar o apoio internacional e, principalmente, regional a essa mesma Cuba. Como irá evoluir a Organização dos Estados Americanos? Permanecerá a relação privilegiada com a Colômbia, em detrimento de todos os outros estados da região?

    Depois de um século XX marcado pelo fim dos impérios tradicionais, pelo início do neo-colonialismo, pela que parecia ser a eterna disputa entre dois sistemas políticos e militares, pela globalização e as euforias bolsistas das novas sociedades da comunicação, entrámos numa nova era. 

É difícil perceber o que se passa porque estamos, precisamente, dentro da arena. Somos mais participantes do que espectadores. Mas uma coisa é certa, na minha opinião. Faltam, a nível mundial e regional, políticas e líderes que apontem novos caminhos de entendimento e desenvolvimento universais.

Uma vez mais falta valorizar as utopias, os sonhos, as práticas culturais e políticas baseadas no respeito pelas diferenças e na valorização dos objectivos comuns.

Um abraço para todos,

(sublinhados meus)

           

Fernando

                 

Notícias AQUI

                            


sinto-me:

publicado por António Vilarigues às 15:24
link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito
|

Notícias dos EUA: A crise económica

    Para além de diversas questões importantes que foram imediatamente abordadas por Obama logo que tomou posse (encerramento da prisão de Guantánamo, regulamentação das obrigações dos membros do gabinete impedidos que estão de participar em actividades de lobbying, informação on-line a todos os cidadãos das actividades do governo) o foco tem sido posto nas medidas de combate à crise: desemprego assustadoramente crescente (mais de 3 milhões de empregos perdidos no período de um ano); continuada crise no sector da habitação (sub-prime, especulação, etc); desastre em que se encontram as infraestruturas (estradas, pontes, maios de comunicação); calamidade na educação (principalmente nas escolas oficiais, completamente degradadas); sistema de saúde que deixa de fora dezenas de milhões de cidadãos, enquanto privilegia o escasso número de famílias que podem pagar, através do negócio das seguradoras e dos hospitais; necessidades de investimento em sectores fundamentais (informática e comunicação, novas formas de energia, educação a todos os níveis); e, claro, suporte para um sistema financeiro que ruiu como baralho de cartas provocando um imenso e universal tsunami!

O pacote de medidas de início de reanimação da economia foi aprovado, com muita polémica à mistura e muita baixa política e muita ignorância e muita manipulação, com grande maioria na House of Representatives e a maioria necessária no Senado (61 votos, num total de 100). Como o Partido Democrático tinha 58 Senadores eleitos (ainda faltava o tal senador de Minnesota) foi preciso que 3 Senadores do Partido Republicano votassem favoravelmente. Tudo isto depois de semanas de discussões, especulações, chantegens e ameaças. Finalmente o pacote foi aprovado. Cerca de 800 mil milhões de dólares!   

     Tudo isto irá conduzir ao agravamento acentuado da dívida externa americana que, no passado recente, tem tido a contribuição "generosa" dessa pátria da democracia que dá pelo nome de República Popular da China. Só que esta, por sua vez, a conta com crescentes problemas internos, já anunciou que os 600 mil milhões de dólares que tinha reservados para investir no estrangeiro seriam aplicados dentro do país e que, por outro lado, não compraria mais títulos da dívida pública americana.  

Estamos, pois, perante um problema tradicional, desde que se inventaram as mantas e os cobertores. Tapa-se a cabeça, destapam-se os pés. Aquecem-se os pés, arrefecem os braços. Usa-se crédito e fica-se sem ele. Não se usa o crédito e morre-se de fome...  

Assim vão os frutos do ultraliberalismo económico e financeiro e da desregulamentação e descontrolo iniciados na era Reagan e que arrastaram na sua queda parte importante do sistema financeiro global. Se houvesse alternativa à vista ainda se poderia desejar "paz à sua alma"... O problema é que, nos últimos anos, todo o mundo tem andado distraído com outros assuntos (o futebol, soccer, ou o futebol americano, o "terrorismo", o petróleo e os petro-dólares, as criancinhas que desaparecem, os acidentes de aviação ou comboio, os desastres, o crime organizado, o frio no inverno e o calor no verão, as enchentes e as secas, os incêndios, os casamentos das princesas da Hola, os filhos das artistas de cinema, etc), enquanto os comuns dos mortais tratam da sua própria e difícil sobrevivência...

(sublinhados meus)

           

Fernando

                 


sinto-me:

publicado por António Vilarigues às 14:26
link do post | comentar | favorito
|

Notícias dos EUA: A lentidão do processo

     Como se sabe as eleições presidenciais realizaram-se em 4 de Novembro passado. Até agora decorreram 104 dias, mais de 3 meses! Esta é a primeira nota. "Alguma coisa está podre no reino da Dinamarca!". Como é possível que na maior potência militar da actualidade e no centro do Império se passe tanto tempo antes de se criarem condições de governabilidade?

Não sei se sabem, ou se o assunto é comentado por aí, mas o Senado ainda não está constituído porque falta eleger um Senador (no Estado de Minnesota)! Houve recontagem da totalidade dos mais de 3 milhões de votos!, muita discussão!, muito trabalho!, e o caso acabou nos tribunais! Parece que hoje terá havido uma decisão (que não sei se poderá ser sujeita a mais um recurso, ou mais uma manobra dilatória) no sentido de reconhecer a vitória do candidato do Partido Democrático (Al Franken), com mais 225 votos do que o seu principal opositor e até agora Senador Coleman, do Partido Republicano. Com esta decisão a composição do Senado será de 59 Senadores do Partido Democrático e 41 do Partido Republicano. O Partido Democrático fica a um voto de conseguir a maioria qualificada de dois terços que lhe permitiria governar sem temer bloqueios por parte da oposição.

O que importa referir, na minha opinião, são as razões que estão por detrás deste longo caso.

    Primeira. O processo eleitoral precisa de ser revisto e melhorado. De dois em dois anos há eleições simultâneas para eleger os mais diversos representantes e, até, para fazer referendos. Tudo no mesmo boletim de voto, um enorme "linguado" difícil de preencher. Não quero especular dizendo que isso é feito de propósito para desmotivar a participação cívica nos actos eleitorais. Mas não estarei longe da verdade se afirmar que, de facto, essa é uma razão histórica. Por aqui é hábito haver afluências às urnas de 10 a 20% dos eleitores inscritos, sendo que, como a inscrição nos cadernos eleitorais não é obrigatória, isso significa uma participação popular inferior a 10% dos cidadãos com capacidade eleitoral! A única excepção é a das eleições presidenciais em que a participação tem rondado os 50%! Se no nosso país houvesse uma abstenção de 50% o que não se diria! Justificadamente!

Segunda. O sistema não está preparado, nem para uma participação plural e democrática das inúmeras organizações políticas e partidárias que por aqui pululam, nem para "empates técnicos" como o que se verificou, agora, em Minnesota e, com grande escândalo e repercussão, nas eleições de 2000 na Florida em que Al Gore foi roubado e, depois das quais, foi declarada a vitória fraudulenta de George W. Bush! O primeiro aspecto tem a ver com uma ditadura, não do Partido Único, mas dos dois Partidos Quase Únicos. Ninguém fala dos outros! Até parece que não existem! O segundo aspecto tem a ver com a própria forma de preencher os boletins de voto, de os contar e, eventualmente, recontar. As experiências que têm sido feitas com a utilização do voto electrónico (sem possibilidade de controlo) e os votos por correspondência são um cancro no sistema.

Mas, quando me refiro a lentidão, não estou apenas a referir o caso de Minnesota (em 2008) ou da Florida (em 2000). Quero, sobretudo, salientar o tempo demasiado que decorre entre o dia 4 de Novembro e o dia da tomada de posse do novo Presidente (que aqui tem as funções, também, de Presidente do Governo) em 20 de Janeiro. Depois disso, o imenso tempo que leva a constituir o Governo. Não sei se é surpresa para vós, mas o Governo ainda não está constituído! Falta preencher, entre outros casos menores, a importante pasta do Comércio! O primeiro nome (Governador de New Mexico) indicado por Obama saiu da corrida por haver uma acusação de fraude e corrupção que está em processo de análise e o segundo (membro do Partido Republicano) desistiu do lugar depois de ter andado a desenvolver acções de lobbying para o conseguir! Apresentou como justificação que não poderia ocupar o cargo porque viria a ter muitas divergências e discussões com o Presidente...

Cada membro do Governo e outros nomeados (Presidente da CIA, por exemplo) têm de prestar contas, caso-a-caso, perante o Senado, em processos longuíssimos e em que se analisam as contas bancárias, os escândalos sexuais e outros pormenores de grande importância para o futuro da humanidade.

(sublinhados meus)

           

Fernando

                 


sinto-me:

publicado por António Vilarigues às 13:25
link do post | comentar | favorito
|

Terça-feira, 10 de Fevereiro de 2009
E a prisão era pior que a morte - porque era a tortura requintada e monstruosa

    (...) 

Um homem, ainda hoje vivo, constitucional, tinha sido ferido. De miséria em miséria, conseguira recolher-se, esconder-se num povoado, em casa de umas pobres mulheres velhas. Boa gente, piedosa, assustada, consumida pelos terrores do tempo. O homem convalescia.   

Começava a erguer-se, a vir à porta, ao sol, tiritar debilmente a sua fraqueza. Um dia as duas mulheres apareceram numa grande aflição. Tinha chegado ao povoado o Batalhão Sagrado. O homem fora denunciado. 

O Batalhão Sagrado era composto de padres armados de clavinas e foices. Era a guerrilha idiota do assassínio. Longe das suas igrejas, desembaraçados dos votos, na liberdade da serra e dos caminhos, ávidos como animais soltos, de clavina ao ombro, iam estes sacerdotes levando através das povoações - uns a cólera bestial do seu fanatismo, outros a violência animal da sua sensualidade, todos uma lúgubre e temerosa opressão. Eram temidos mais que todos os flagelos. Matavam e prendiam. E a prisão era pior que a morte - porque era a tortura requintada e monstruosa. As duas mulheres tremiam ao pé do doente. 

— Bem - disse ele - vossemecês em todo o caso não têm que temer. Se os padres vierem eu cá estou. Apresento-me, digo que estava aqui contra a vontade das senhoras. Atiram-me para um canto e acabou-se. Estou fraco, não me há-de custar muito morrer. Se dessem busca à casa e me achassem para aí escondido, davam cabo de mim da mesma maneira, e vossemecês padeciam. Assim é melhor. Eu cá estou. 

As mulheres choravam, queriam escondê-lo; o homem recusou com a indiferença de um vencido. Daí a pouco o Batalhão Sagrado, com grande ruído de armas, aparecia ao pé da casa, de batina arregaçada, cruz na mão, foice ao ombro. 

O homem saiu e disse tranquilamente: 

— Aqui estou, sou eu. - Então dois padres, aproximaram-se: cada um o tomou por um lado do rosto, pelas barbas, rindo, e com um empuxão terrível arrancaram-lhas! O homem caiu no chão. Os padres amarraram-no com cordas em cima de um macho, e partiram com ele vitoriosamente, cantando o Bendito, para as prisões de Almeida. A jornada durou dias. Era no Verão. Os ásperos caminhos ardiam de sol. O homem levava o rosto em chaga, com um contínuo suor de sangue. A poeira, o sol, calcinavam-lhe as feridas. Levava as mãos amarradas, e as moscas picavam-lhe a carne viva. Quando chegavam às tabernas, os padres atiravam ao homem um pedaço de pão. De vez em quando, por desfastio, espancavam-no, picavam-no com as pontas das baionetas. A inflamação fazia-lhe nas feridas uma dor pungente, que o pobre homem, domando o orgulho, pedia que lhe mitigassem com água fresca. Os padres então, com grandes risadas... Não pode ninguém escrever o que faziam os padres do Batalhão Sagrado, para refrescar aquelas feridas! Ao chegar à cadeia, atiraram-no para cima de uma esteira. 

Quando voltou a si, um homem estava debruçado sobre ele. Era um enfermeiro de acaso, um preso também, um compadecido daquela desgraça. Esse preso piedoso não era um vencido político. Era um assassino. - E foi ele que curou as chagas feitas pelos senhores padres do Batalhão Sagrado. 

In [Uma Campanha Alegre (Volume II: Capítulo XXVI- Guerrilhas carlistas. Batalhões sagrados), por Eça de Queirós]

 

 

                                                                        

adaptado de um e-mail enviado pelo Jorge

                                       


sinto-me:

publicado por António Vilarigues às 12:04
link do post | comentar | favorito
|

Segunda-feira, 9 de Fevereiro de 2009
Há tanto tempo nos separamos da inteligência - que devíamos por fim...

     (...)

Este oficial (...) levava o preso desarmado, e 20 homens, com as espingardas carregadas. Teve ainda receios (...).  

Exigiu que o algemassem. É necessário ter visto o sofrimento das algemas. Os braços inertes incham, adormecem, os pulsos arroxeiam, a respiração dificulta-se, um entorpecimento febril enerva, e os mais duros, os mais fortes, os mais concentrados, não marcham a pé duas léguas, com os pulsos encadeados, sem que a dor lhes faça correr as lágrimas em fio.

(...)

Tomar um militar, um vencido, um hóspede, um homem que se entrega aos respeitos da lei e às protecções da piedade, fatigado, desarmado, inútil - levá-lo, fazê-lo atravessar as imundícies e as fomes das (...) cadeias, maltratá-lo, arremessá-lo para a negrura de um aljube, não lhe dar sequer o caldo da enxovia, impor-lhe a fome, fazê-lo esperar longas horas às grades a chegada do pão, impeli-lo à humilhação de pedir, esfomeado, metê-lo numa escolta de 20 homens, algemar-lhe os pulsos, e impeli-lo para um destino escuro, como um boi que se encurrala - é bem digno deste País, que por isso que tem a inépcia, não podia deixar de ter a maldade.

(...)

Há tanto tempo nos separamos da inteligência - que devíamos por fim encontrar-nos com a vileza.

(...) 

In [Uma Campanha Alegre (Volume II: Capítulo XXX: Singulares aventuras de um soldado espanhol internado em Portugal), por Eça de Queirós]

  • Publicado neste blog                                                                        

adaptado de um e-mail enviado pelo Jorge

                                       


sinto-me:

publicado por António Vilarigues às 12:58
link do post | comentar | favorito
|

Quarta-feira, 4 de Fevereiro de 2009
Diego Garcia: O roubo de uma nação

Para Ver e Ouvir:

To watch this documentary online in full screen High Quality. STEALING A NATION (John Pilger, 2004) is an extraordinary film about the plight of people of the Chagos Islands in the Indian Ocean - secretly and brutally expelled from their homeland by British governments in the late 1960s and early 1970s, to make way for an American military base. The base, on the main island of Diego Garcia, was a launch pad for the invasions of Afghanistan and Iraq. Stealing a Nation has won both the Royal Television Society's top award as Britain's best documentary in 2004-5, and a 'Chris Award' at the Columbus International Film and Video Festival. A brochure of the film is available. On April 8, 2008, the Chagos Islanders have launched a national Campaign for Resettlement of their islands. For more information and updates on the plight of the Chagossians, visit the website of the UK Chagos Support Association.   

Para Ler, Ver e Ouvir:

 

Ver e Ouvir ainda: 

British ministers have blocked the release of secret military papers about an Indian Ocean island where the US may be holding prisoners without charge. Diego Garcia is British territory but home to a US military base believed to house so called 'rendition prisoners'. Al Jazeera's Mark Seddon reports.

 

Um paraíso... para os militares


Para LER:

adaptado de um e-mail enviado pelo Jorge                                                          

                                                                            

Notícias AQUI

                                                


sinto-me:

publicado por António Vilarigues às 12:11
link do post | comentar | favorito
|

Sexta-feira, 23 de Janeiro de 2009
Obama, Luther King e a guerra

      "This is a war that we have to win," Obama said in remarks prepared for delivery at the International Trade Center in Washington.

[Referindo-se à guerra no Afeganistão]

In Obama: We Have To Win Afghanistan War                                                            

«Sometimes we have to send our young men and women into war and other dangerous situations to protect our country-but when we do, I want to make sure that it is only for a very good reason, that we try our best to settle our differences with others peacefully, and that we do everything possible to keep our servicemen and women safe. And I want every child to understand that the blessings these brave Americans fight for are not free-that with the great privilege of being a citizen of this nation comes great responsibility.»

In Barack Obama's letter to his daughters                                                                 

«In the course of our history, only a handful of generations have been asked to confront challenges as serious as the ones we face right now. Our nation is at war. Our economy is in crisis. Millions of Americans are losing their jobs and their homes; they're worried about how they'll afford college for their kids or pay the stack of bills on their kitchen table. And most of all, they are anxious and uncertain about the future - about whether this generation of Americans will be able to pass on what's best about this country to our children and their children

In Barack Obama's Lincoln Memorial speech

    [Martin Luther King referindo-se à guerra no Vietnam]  

Even when pressed by the demands of inner truth, men do not easily assume the task of opposing their government's policy, especially in time of war.

(…) and I knew that I could never again raise my voice against the violence of the oppressed in the ghettos without having first spoken clearly to the greatest purveyor of violence in the world today -- my own government.

...

What do they think as we test out our latest weapons on them, just as the Germans tested out new medicine and new tortures in the concentration camps of Europe?

… 

(...) we are met by a deep but understandable mistrust. To speak for them is to explain this lack of confidence in Western words, and especially their distrust of American intentions now.

"This way of settling differences is not just."

A nation that continues year after year to spend more money on military defense than on programs of social uplift is approaching spiritual death.

Somehow this madness must cease. We must stop now.

...

I speak as one who loves America, to the leaders of our own nation: The great initiative in this war is ours; the initiative to stop it must be ours.
...

In Martin Luther King, Jr. Papers Project Speeches: "Beyond Vietnam"

                                                                 

adaptado de um e-mail enviado pelo Jorge                                                          

                                

Notícias AQUI

                                                   


sinto-me:

publicado por António Vilarigues às 12:21
link do post | comentar | favorito
|

Quinta-feira, 22 de Janeiro de 2009
Ajudando o Presidente Obama: Diego Garcia (Oceano Índico)

Para LER:

 

 

 

adaptado de um e-mail enviado pelo Jorge                                                          

                                 

sinto-me:

publicado por António Vilarigues às 12:08
link do post | comentar | favorito
|

Quarta-feira, 21 de Janeiro de 2009
Ajudando o Presidente Obama: mais prisões (Norte de África)

    Recapitulando. Já tomamos conhecimento com as tenebrosas designações "black sites" e "ghost detainees". Para quem duvidava da existência de fantasmas aqui tem! Mas também, nos EUA "tudo é possível". Relacionada com estas temos as não menos sinistras "extraordinary renditions".   

O Presidente Obama sabia que "The CIA was granted permission to use rendition in a presidential directive signed by President Bill Clinton in 1995, and the practice has grown sharply since the September 11 terrorist attacks"? E então vai nomear a senhora H. Clinton? Isso não se faz! E mantém o Gates? E põe lá o Jones? Que desilusão (para quem estava iludido...).  

Resumindo. Não é só Guantánamo que é necessário fechar! Há muita outra sujeira a precisar de limpeza. Faça o que qualquer um pode fazer: informe-se! E por aqui se termina esta questão das prisões porque o fedor é insuportável.

Vamos ao cinema?

Para LER:

Para Ver e Ouvir:


Para LER:

adaptado de um e-mail enviado pelo Jorge                                                          

                                 

sinto-me:

publicado por António Vilarigues às 12:12
link do post | comentar | favorito
|

Terça-feira, 20 de Janeiro de 2009
Ajudando o Presidente Obama: a prisão de SZYMANY (Polónia)

 

    Aeroporto

     Um guarda fecha o portão para o aeroporto de Szymany no nordeste da Polónia. Este aeroporto foi identificado pela Human Rights Watch como um potencial local de uma alegada prisão da CIA em 2005.

                                                                    

adaptado de um e-mail enviado pelo Jorge
                                                      

Notícias AQUI, AQUI, AQUI, AQUI, AQUI e AQUI

                                       


sinto-me:

publicado por António Vilarigues às 12:08
link do post | comentar | favorito
|

Segunda-feira, 19 de Janeiro de 2009
Ajudando o Presidente Obama: a prisão de ABU GHRAIB (Iraque)

Para LER:

Para VER:

(As imagens podem ser chocantes)

 

adaptado de um e-mail enviado pelo Jorge

                                                

Notícias AQUI, AQUI, AQUI e AQUI

                         


sinto-me:

publicado por António Vilarigues às 12:08
link do post | comentar | favorito
|

Domingo, 18 de Janeiro de 2009
Ajudando o Presidente Obama: a prisão de BAGRAM (Afeganistão)

Para LER:

Para LER:

Três irmãos de Dilawar, que morreu há meses quando estava sob custódia dos Estados Unidos, rezam junto ao seu túmulo em  Yaqubi, Afeganistão.

In US abuse of Afghan prisoners 'widespread'

Um desenho que mostra como Dilawar estava algemado ao tecto na sua célula. O autor, Thomas V. Curtis, é um ex-sargento na reserva da United States Army Military Police Corps.

In U.S. Report, Brutal Details of 2 Afghan Inmates' Deaths


Um caso ligado a BAGRAM: sabe quem é Aafia Siddiqui?

Aafia e o seu filho de 12 anos Ahmad, ao serem interrogados, perante a comunicação social, por oficias afegãos. Ghazni, Afeganistão 17 de Julho de 2008.

Para LER:

Para Ver e Ouvir:

adaptado de um e-mail enviado pelo Jorge


Notícias AQUI


sinto-me:

publicado por António Vilarigues às 12:03
link do post | comentar | favorito
|

Sábado, 17 de Janeiro de 2009
Ajudando o Presidente Obama: panorama geral das prisões

Cá estamos de novo! Sabe o que é um black site e um ghost detainee? Aqui aprenderá o significado destas e doutras palavras sinistras.

 

adaptado de um e-mail enviado pelo Jorge

                                                                    

Notícias AQUI

                


sinto-me:

publicado por António Vilarigues às 12:11
link do post | comentar | favorito
|

Sexta-feira, 16 de Janeiro de 2009
Ajudando o Presidente Obama: há mais prisões além de Guantánamo

      Engrossando a corrente dos voluntários que graciosamente querem contribuir para que "os EUA recuperem o seu estatuto moral no mundo" cá estamos de novo! Esta frase sobre o estatuto moral dos EUA foi retirada da entrevista de Barack Obama à CBS: 

 (...)

Kroft: There are a number of different things that you could do early pertaining to executive orders. One of them is to shutdown Guantanamo Bay. Another is to change interrogation methods that are used by U.S. troops. Are those things that you plan to take early action on?

Mr. Obama: Yes. I have said repeatedly that I intend to close Guantanamo, and I will follow through on that. I have said repeatedly that America doesn't torture. And I'm gonna make sure that we don't torture. Those are part and parcel of an effort to regain America's moral stature in the world. (...) 

In Obama On Transition (CBS) 

Por esta entrevista ficamos a saber que fechar Guantánamo e acabar com a tortura praticada pelos EUA são apenas "uma parte e uma parcela" para que aquele "estatuto moral" seja recuperado.

Das outras parcelas já sabemos que não faz parte acabar com todas as guerras que os EUA fazem a milhares de quilómetros de casa, como é o caso da do Afeganistão, como é reclamado por todos aqueles que anseiam por um mundo pacífico.

    Quais poderão ser então as outras parcelas? Vão deixar de torturar. Muito bem! Mas, vão deixar de mandar outros torturar? Vão deixar de ensinar outros a torturar? Vão fechar o Western Hemisphere Institute for Security Cooperation (WHISC ou WHINSEC), outrora chamado School of the Americas (SOA; em espanhol: Escuela de las Américas) . Ora aqui estão umas sugestões dadas gratuitamente! Acabe com isso, homem!

Quanto a Guantánamo. Fechem a prisão, fechem a base e desocupem o território! Boa ideia, não é? Vocês estão lá ilegalmente! O vosso "estatuto moral" nas Américas, e no resto do mundo, vai subir muito, garantidamente.

Por falar em Guantánamo, as outras prisões (as secretas e não só) fazem parte das outras parcelas, não é? Para ajudar, aqui vão (nos próximos posts) algumas referências sobre as vossas prisões pelo mundo fora.

Desfaça todas estas malfeitorias, não insista nas guerras, e terá o aplauso geral. Os aplausos são como os prognósticos - só no fim. Mas é natural que o mundo esteja céptico, não é? 

Recordando o que foi publicado neste blog:

adaptado de um e-mail enviado pelo Jorge

                               


sinto-me:

publicado por António Vilarigues às 12:09
link do post | comentar | favorito
|

mais sobre mim
pesquisar
 
Fevereiro 2017
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4

5
6
7
8
9
11

12
18

20
21
22
24
25

26
27
28


posts recentes

30 de Janeiro de 1972 – D...

Donald Trump = 61.251.881...

Previsões e sondagens de ...

Sistema eleitoral do sécu...

Fascismo americano, as ra...

O monstro do ódio entra n...

O novo orçamento federal ...

A Crise do Sistema Capita...

Obama wins, struggle begi...

A Crise do Sistema Capita...

A Crise do Sistema Capita...

Capital norte-americano e...

Supremo liberaliza financ...

Revolução de Outubro foi...

Guantánamo e a falta de v...

arquivos
tags

álvaro cunhal

assembleia da república

autarquia

avante!

bce

benfica

blog

blogs

capitalismo

caricatura

cartoon

castendo

cds

cdu

cgtp

cgtp-in

classes

comunicação social

comunismo

comunista

crise

crise do sistema capitalista

cultura

cultural

democracia

desemprego

desenvolvimento

desporto

dialéctica

economia

economista

eleições

emprego

empresas

engels

eua

eugénio rosa

exploração

fascismo

fmi

futebol

governo

governo psd/cds

grupos económicos e financeiros

guerra

história

humor

imagens

imperialismo

impostos

jerónimo de sousa

jornal

josé sócrates

lénine

liberdade

liga

lucros

luta

manifestação

marx

marxismo-leninismo

música

notícias

parlamento europeu

partido comunista português

paz

pcp

penalva do castelo

pensões

poema

poesia

poeta

política

portugal

precariedade

ps

psd

recessão

revolução

revolucionária

revolucionário

rir

salários

saúde

segurança social

sexo

sistema

sistema capitalista

slb

socialismo

socialista

sociedade

sons

trabalhadores

trabalho

troika

união europeia

vídeos

viseu

vitória

todas as tags

LIGAÇÕES A CASTENDO
Visitantes
eXTReMe Tracker
Google Analytics
blogs SAPO
subscrever feeds