TERRAS DE PENALVA ONDE «A LIBERDADE É A COMPREENSÃO DA NECESSIDADE»

Sexta-feira, 25 de Novembro de 2016
Quem decide é o grande capital

A eleição de Donald Trump coloca sem dúvida interrogações quanto a eventuais desenvolvimentos da política externa dos EUA.

A prática responderá a esta questão, que não é de menor importância, dadas as ambições da principal potência imperialista e o seu envolvimento directo em conflitos e processos negociais – da decisiva batalha de Alepo aos tratados ditos de livre comércio como o TTIP – de grande impacto nas relações internacionais.

Mas por mais iconoclasta e delirante que possa parecer o discurso do seu presidente, não é dele que dependem alterações significativas na política dos EUA pois finalmente quem decide é o grande capital financeiro e especulativo, é Wall Street, é o poderosíssimo complexo militar-industrial, é o punhado de grandes multinacionais de base norte-americana que sugam a parte de leão da mais-valia criada em todo o mundo.

 

Bandeira União Europeia_2011

«As eleições nos EUA são expressão da crise do sistema. Os seus resultados contribuirão para o ulterior aprofundamento dessa crise. Nos EUA e a nível mundial.

(...)

Uma coisa é certa: seja nos EUA ou na UE, a palavra de ordem é militarizar. Os povos nada têm a esperar dos defensores do grande capital, a não ser exploração, miséria e guerra.»

 

Não se diz uma só palavra sobre as causas socioeconómicas e ideológicas desta situação...

 


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Sexta-feira, 21 de Outubro de 2016
Fascismo americano, as raízes de uma nação sob deus

EUA madison-square-garden-1939-1

Reunião no Madison Square Garden da organização Americana Nazi em 1939

 

Realizadas as Convenções dos Partidos Republicano e Democrata, somente restam na corrida para a Casa Branca dois candidatos importantes: Hillary Clinton e Donald Trump, qual deles o mais reacionário e perigoso para a humanidade.

Neste artigo, publicado em Setembro do ano passado na Revista Vermelho, António Santos comenta a influência que o pensamento fascista do III Reich teve na formação da ideologia predominante nos Estados Unidos.

Não perdeu atualidade.

 

Índice dos subcapítulos

 

Arca de Noé da Direita Americana

O fantasma de João Calvino

O mercado de Wall Street

A inspiração de Hitler

A primeira ameaça vermelha

A cultura do fascismo

Nazis e americanos, uma história de amor

A casa de Hitler nas montanhas

A segunda ameaça vermelha

Anti-comunismo sem comunistas

América Anti-intelectual

Actividades anti-americanas

O sonho americano

O actual reaccionarismo da direita estado-unidense é o produto cultural de dois séculos de desenvolvimento de capitalismo. Ao contrário da maioria dos Estados capitalistas desenvolvidos, os EUA nunca abandonaram uma noção de nação que incorpora elementos fascistas. Na verdade, ao longo destes 200 anos, a definição da ideologia americana, ou americanista, foi crescendo, até se transformar, hoje em dia, numa fina película super-estrutural muito semelhante ao fascismo, que filtra a percepção da realidade vivida por milhões de estado-unidenses.

Mais do que mero ersatz da histeria anti-comunista dos anos cinquenta, o nacionalismo estado-unidense mantém-se como um instrumento de luta de classes ao serviço do grande capital e um elemento unificador nacional que se estende da extrema-direita do Partido Republicano ao centro do Partido Democrata.

Na actualidade, a ideologia americanista é um pretexto para justificar o belicismo, a tortura, a espionagem e a repressão policial. Por outro lado, permite manter a opressão económica e social dos afro-americanos, fechar alternativas políticas ao capitalismo bicéfalo e, ao mesmo tempo, convencer os trabalhadores de que no «sonho americano», ao contrário de todos os outros países, é possível enriquecer trabalhando arduamente. Nesta perspectiva individualista, os trabalhadores que não enriquecem devem-se culpar unicamente a si próprios, aos seus genes, à sua inteligência, à sua falta de fé, ou à sua força de vontade, mas nunca ao seu patrão.

Publicado na Revista Vermelho em Setembro de 2015

 

Charlotte EUA 2016-09

Charlotte USA 2016

 

Sempre que nos EUA uma cidade explode de raiva, os principais órgãos de comunicação social vêm chorar as montras partidas, os caixotes de lixo injustamente incendiados, o papel higiénico roubado das lojas...

Ficasse Charlotte na Venezuela e estava pintado um bonito quadro de legítima revolta popular, contra a escassez de produtos básicos e um regime;

fosse em Cuba e já haveria Organizações Não-Governamentais a organizar concertos e campanhas pela libertação dos presos políticos durante os protestos;

fosse a Carolina do Norte a Coreia do Norte e choveriam notícias sobre a brutal ditadura que usa o exército para reprimir e matar o seu próprio povo.

Mas não sendo Charlotte na Venezuela, não veremos as fotografias de dezenas de pessoas, carregadas de papel higiénico, a sair de supermercados incendiados;

não sendo em Cuba, nunca saberemos os nomes das dezenas de pessoas presas durante os protestos,

e não sendo a Carolina do Norte a Coreia do Norte, ninguém falará em direitos humanos.

Keith Lamont Scott não foi o terceiro nem o quarto caso: de acordo com o The Guardian, Keith Lamont Scott foi o 193.º(!!!) negro a morrer às mãos da polícia nos EUA desde o início do ano.

No caso de Charlotte, o orçamento camarário para a polícia ultrapassa os 16 milhões de dólares anuais, mais do que a verba da cidade para a saúde e quase tanto como para a educação.

AQUI

 

German_American_Bund_NYWTS

 

Capitalismo, fascismo, racismo, isto anda tudo ligado (quod erat demonstrandum)

 


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Segunda-feira, 21 de Janeiro de 2013
A Crise do Sistema Capitalista: Estados Unidos, Março-Junho de 2013

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Segunda-feira, 23 de Abril de 2012
A Crise do Sistema Capitalista: França 2012-2014

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Segunda-feira, 19 de Março de 2012
A Crise do Sistema Capitalista: Eurolândia 2012-2016

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Terça-feira, 24 de Janeiro de 2012
A Crise do Sistema Capitalista: O ano da grande perturbação geopolítica mundial

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Terça-feira, 22 de Novembro de 2011
A Crise do Sistema Capitalista: Fase de desconto generalizado das dívidas ocidentais

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Quinta-feira, 20 de Outubro de 2011
A Crise do Sistema Capitalista: Dizimação dos bancos ocidentais*

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* A dizimação era um castigo militar romano. Consistia em punir com a morte um legionário em cada dez quando o exército havia dado provas de covardia no combate, de desobediência ou de comportamento inaceitável. O sistema romano da dizimação funcionava por escolha ao acaso.

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Sexta-feira, 14 de Outubro de 2011
Protesto por todos os EUA

 Protesto por todos os EUA

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Sexta-feira, 7 de Outubro de 2011
Manifestações de «Indignados» de Wall Street recebidas com simpatia...

Bartoon, jornal «Público» - Edição de 3 de Outubro de 2011

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Protestos duram há quase três semanas: Indignação alastra nos EUA

Razões para protestar:

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No centro da maior crise capitalista mundial, os EUA são o espelho das profundas contradições do sistema. Alguns dados oficiais divulgados nos últimos dias pela Telesur, Press TV, PSL News e agênciais de notícias ilustram a existência de condições objectivas concretas para a eclosão de protestos e revoltas sociais no território.

  • Mais de 40 milhões de norte-americanos encontram-se desempregados e é o próprio presidente da Reserva Federal, Ben Bernake, quem admite que o número de desempregados há mais de 6 meses é muito preocupante.
  • 41 por cento do total dos empregos são classificados como de baixos rendimentos.
  • O salário médio nos EUA tem vindo a cair progressivamente desde 2006. Quando os trabalhadores a tempo parcial são incluídos, o cenário piora com uma queda no rendimento médio na ordem dos 28 por cento face ao valor real praticado em 1970.
  • 15 executivos de grandes empresas financeiras e imobiliárias dos EUA arrecadaram, cada um, mais de 100 milhões de dólares em compensações e dividendos em 2010.
  • No ano passado, um gestor numa empresa ganhava em média 343 vezes mais do que um trabalhador.
  • Metade dos norte-americanos mais pobres dispõem de apenas 2,5 por cento da riqueza.
  • Um terço das famílias jovens com filhos são pobres.
  • A pobreza nos EUA atinge níveis recorde. Em 2010, 15,1 por cento da população ou 46,2 milhões de pessoas eram consideradas pobres, o valor mais alto desde que se iniciou a recolha estatística. Outros 8,6 milhões de pessoas só se mantêm acima do limiar da pobreza devido ao recebimento de prestações sociais, isto considerando que, de acordo com os estritos padrões oficiais, uma família de quatro pessoas com um rendimento anual de 22 351 dólares (cerca de 15 mil euros/ano, ou seja, 1250 euros/mês) não é considerada pobre.
  • 700 mil norte-americanos são sem-abrigo, número que não está incluído nas estatísticas da pobreza, as quais também não cotejam os dados com o custo de vida real para cada cidade.
  • Em 2010, pelo menos 45 mil pessoas morreram nos EUA por incapacidade de acesso a assistência médica.
  • A máquina de guerra imperialista absorve anualmente 700 mil milhões de dólares, a maior cifra na história do país. No auge da Guerra do Vietname, o orçamento da Defesa gastou naquele conflito 390 mil milhões. As Nações Unidas estimam em 200 mil milhões de dólares o custo anual dos programas que permitiriam alimentar famintos de todo o planeta.

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Quarta-feira, 21 de Setembro de 2011
A Crise do Sistema Capitalista: Fusão implosiva dos activos financeiros mundiais

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Sexta-feira, 5 de Agosto de 2011
A Crise do Sistema Capitalista: As previsões do GEAB

GEAB

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Quinta-feira, 23 de Junho de 2011
A Crise do Sistema Capitalista: O choque do Outono de 2011

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Sexta-feira, 22 de Abril de 2011
A Crise do Sistema Capitalista: Orçamento/Títulos do Tesouro/Dólar, as três crises americanas

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Quinta-feira, 6 de Janeiro de 2011
Refresca-me a memória... o que se passou exactamente entretanto?

Entremedias, Desenho de Manel Fontdevila

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-  Refresca-me a memória... desde "olha-me para estes imbecis de Wall Street a perder massa com as hipotecas sub-prime"... até "não sei como vamos pagar o recibo da luz de Janeiro"... o que se passou exactamente entretanto?

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Publicado neste blog:
adaptado de um e-mail enviado pelo Jorge
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Quinta-feira, 21 de Outubro de 2010
A Crise do Sistema Capitalista: Mergulho colectivo

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Quarta-feira, 22 de Setembro de 2010
A Crise do Sistema Capitalista: Benvindo ao United States of Austerity

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Terça-feira, 22 de Junho de 2010
A Crise do Sistema Capitalista: A contracção dos EUA

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Quinta-feira, 27 de Maio de 2010
Um rio de pessoas, vermelho e emocionante

O Vídeo

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Quarta-feira, 26 de Maio de 2010
A Grécia mais uma vez ocupada!

Greece under occupation again - Desenho de Carlos Latuff (Latuff2 on deviantART)

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E. U. são as iniciais (em inglês) de União Europeia

ΔΝΤ são as iniciais, em grego, de Διεθνές Νομισματικό Ταμείο (Fundo Monetário Internacional, FMI)

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A Grécia foi ocupada pelas tropas nazis na primavera de 1941:
adaptado de um e-mail enviado pelo Jorge

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Quinta-feira, 20 de Maio de 2010
Grécia (6): A Grécia e o rolo compressor do Fundo Monetário Internacional

Greece and IMF B - Desenho de Carlos Latuff (Latuff2 on deviantART)

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Quem conduz o cilindro é a chanceler Merkel

ΔΝΤ são as iniciais, em grego, de Διεθνές Νομισματικό Ταμείο (Fundo Monetário Internacional, FMI)

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Propostas do KKE a fim de encontrar uma solução para a crise

Para Ler e Ver :

adaptado de um e-mail enviado pelo Jorge

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Terça-feira, 18 de Maio de 2010
Grécia (5): A Grécia e o abutre do Fundo Monetário Internacional

Greece and IMF A - Desenho de Carlos Latuff (Latuff2 on deviantART)

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ΔΝΤ são as iniciais, em grego, de Διεθνές Νομισματικό Ταμείο (Fundo Monetário Internacional, FMI)

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Propostas do KKE a fim de encontrar uma solução para a crise

Para Ler e Ver :

adaptado de um e-mail enviado pelo Jorge

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Segunda-feira, 17 de Maio de 2010
A tragédia grega

, Rebelión de 15 de Maio de 2010

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A TRAGÉDIA GREGA

[Máscara da esquerda: Corretores de Wall Street]

[Máscara da direita: o povo da Grécia]

(proximamente na tua terra)

[Patrocinadores]

FMI (Fundo Monetário Internacional) BM (Banco Mundial) BCE (Banco Central Europeu)

Propostas do KKE a fim de encontrar uma solução para a crise

Para Ler e Ver :

adaptado de um e-mail enviado pelo Jorge

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Sexta-feira, 13 de Novembro de 2009
O resgate do «sistema»

Rebelión de 8 de Novembro

As gigantescas firmas de Wall Street provavelmente teriam fechado se os contribuintes não tivessem dado biliões de dólares em fundos de resgate e apoio (...). Agora, (…) um ano passado sobre o resgate, estes executivos atrevem-se a pagarem a si mesmos somas recorde de remunerações extraordinárias. Estes pagamentos obscenos de Wall Street deveriam ter dado uma sacudidela no Congresso e levarem a apertadas regulações, já que são o resultado das mesmas práticas que levaram o sector à crise."

"Fazendo uso da máxima de Lampedusa(*), de tudo mudar para que tudo fique na mesma, a dramatização do discurso da crise serve também para, sacudindo a água do capote e ocultando a derrota ideológica do sistema, o grande Capital vir agora legitimar a exigência de maiores e incomensuráveis sacrifícios aos mesmos de sempre. (...) As medidas de resgate do capitalismo não deixam de remeter para uma maior centralização e concentração do capital. Momentaneamente o dólar reforça-se. O seu domínio como moeda global é ainda uma realidade de última instância na arquitectura imperialista global. A par do domínio militar. A actual crise, porém, não deixará de marcar um patamar num declínio que se afigura a prazo irreversível."

(*) Ver neste blogue:

adaptado de um e-mail enviado pelo Jorge



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Terça-feira, 22 de Setembro de 2009
A «saída» da crise

    Anda muita gente atarefada em vender a ideia que o pior da crise financeira, económica e social já passou. Coincidência das coincidências esta mensagem é quase avassaladora nos países a viverem processos eleitorais, como na Alemanha ou em Portugal.

Quais as provas? A saída da recessão técnica em alguns países é um sinal seguro, dizem. Depois, escrevem, há alguns «danos colaterais», como essa coisa menor de o desemprego continuar a subir. Mas enfim, não se pode ter tudo…

Curioso é o facto de os mesmos, economistas e políticos, que foram incapazes de prever a crise, as suas causas e os seus efeitos, a sua forma e o seu conteúdo, surgirem agora, quais pitonisas, a prever o seu fim para breve.

Mas será assim?

Todos os indicadores apontam para uma não criação de emprego líquido nos meses mais próximos – segundo o «Financial Times» nas economias desenvolvidas, o índice de desemprego ultrapassará os 10% em 2010. Por outro lado, o consumo não dá sinais de reactivação. A crise social atinge mesmo os países ditos mais ricos. A crise económica generaliza-se a múltiplos sectores: da indústria automóvel à aeronáutica, dos transportes aéreos ao turismo, e por aí fora. Assiste-se a uma quebra do consumo mundial de energia, em particular de combustíveis. Mas também na energia eléctrica, sector onde em 2009 se prevê uma queda de 3,5%, a primeira vez que tal sucede desde 1945.

O sistema financeiro mundial apesar das medidas adoptadas continua totalmente arruinado. «As entidades bancárias tradicionais enfrentam perdas potenciais derivadas de empréstimos e activos no valor de biliões de dólares, para além de sofrer uma grave falta de capitalização.», escreve-se no citado jornal.

A realidade, a dura realidade, como sempre impõe-se à propaganda do fim da crise e da superação dos actuais problemas. A realidade é que nem sequer as tão propagandeadas e claramente insuficientes medidas de regulação foram adoptadas. Continua o livre curso das actividades especulativas do grande capital financeiro. Recorde-se, por exemplo, a propaganda feita em torno do fim dos off-shores e veja-se a realidade actual. Nem um, para amostra, foi encerrado. Ao contrário, sucedem-se as notícias, como em Portugal, da canalização de milhares de milhões de Euros para os paraísos fiscais.

A realidade é que não se alterou nada na economia mundial. A acumulação prossegue. A exploração aumenta. A pobreza e o desemprego alastram. É esta a dura realidade daqueles que sentem na pele os efeitos da crise do sistema capitalista. Pode-se mesmo afirmar que o sistema não se regenera, reproduz-se.

E quem paga a crise?

Não certamente, os financeiros de Wall Street e das bolsas mundiais (incluindo a portuguesa). Esses, duma forma clara, procuram criar uma nova «bolha» especulativa de lucros. A novidade é que o fazem não com dinheiros privados, mas sim com dinheiros públicos. Milhares de milhões de euros ou dólares provenientes dos impostos pagos por toda a sociedade. Dinheiros que os governos puseram de uma forma compulsiva ao serviço de um novo ciclo de rentabilidade capitalista. Não certamente o grupo restrito de multinacionais e multimilionários que multiplica a uma escala inimaginável os seus activos empresariais e as suas fortunas pessoais.

Quem paga a crise são aqueles, a esmagadora maioria das pessoas, a quem o processo inflacionário e de recessão gera fome, pobreza e desvalorização acentuada do poder de compra. São os sectores mais desprotegidos que sofrem na pele os chamados «ajustes» de uma crise social de efeitos imprevisíveis com despedimentos massivos.

Vivemos tempos em que se colocam grandes opções. Tempos que exigem corajosas decisões. Existem, ou não, políticas e modelos de desenvolvimento verdadeiramente alternativos? Há, ou não, forças disponíveis para encontrar os caminhos da sua concretização?

Especialista em Sistemas de Comunicação e Informação

                                                                                                                                          

In jornal "Público" - Edição de 20 de Setembro de 2009

                                                                                          


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Sábado, 1 de Agosto de 2009
Duas Crises

    Uma das maiores instituições financeiras – e também um dos maiores viveiros de governantes – dos EUA é a Goldman Sachs. No ano passado recebeu 10 mil milhões de dólares de dinheiros públicos. Agora, proclama lucros recorde no segundo trimestre de 2009, e decidiu distribuir 6,65 mil milhões de dólares em gratificações aos seus 29 400 funcionários (Bloomberg, 14.7.09). Alguns indivíduos vão meter ao bolso milhões de dólares, só neste trimestre. Escreve a Bloomberg: a Goldman Sachs «está a reverter para um modelo de negócios que os analistas consideraram irremediavelmente falido durante a crise de crédito global», aumentando as suas actividades de risco. Isto é, os multimilionários de Wall Street continuam a fazer o que sempre fizeram – e que disseram ser a causa da crise. Agora tentam-nos fazer crer que a crise está a abrandar. Querem o business as usual. Aliás, para alguns a crise nem chegou a começar. O ex-CEO da Porsche, Wendelin Wiedeking foi despedido depois de uma tentativa fracassada de comprar a Volkswagen, que deixou a Porsche com uma dívida de 10 mil milhões de euros. Mas na despedida Wiedeking recebeu uma compensação de 50 milhões de euros (Bloomberg, 23.7.09), sem contar com a remuneração de 77 milhões de euros que recebera no ano anterior, quando andava entretido a afundar a Porsche. Vários grandes bancos estão a aumentar os salários dos seus quadros dirigentes (Financial Times, 24.7.09). São factos para recordar quando vierem com a cantiga de que «todos temos que aceitar sacrifícios para sair da crise».

(sublinhados meus)

                                                                          


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Sexta-feira, 13 de Março de 2009
Putin e a «tempestade perfeita»

    (...) Apenas quero lembrar-vos que, apenas há um ano, os delegados americanos, falando desta tribuna, destacaram a profunda estabilidade e as perspectivas optimistas da economia norte-americana. Hoje, os bancos de investimento, o orgulho de Wall Street, praticamente deixaram de existir. Em apenas 12 meses registaram perdas que ultrapassam os lucros obtidos nos últimos 25 anos. Só este exemplo reflecte a situação real melhor que qualquer crítica. (...)

                              

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Segunda-feira, 27 de Outubro de 2008
Números que falam e gritam

    No artigo publicado nesta mesma coluna a 18 de Abril «É mesmo uma pipa de massa» anunciava-se uma previsível treta. Os países do chamado G7 armavam-se em fortes, «exigindo» contas aos banqueiros. Mas só para daí a 100 dias. Isto depois de terem estado os 9 meses anteriores a assobiar para o lado a ver em que é que paravam as modas.

E seis meses depois o que é que temos? Qual a realidade da crise? Deixemos os números falar (e gritar) por si.

Em Abril, recorde-se, os grandes bancos centrais (Reserva Federal Americana, Banco Central Europeu, Banco de Inglaterra, Banco do Japão) tinham injectado no sistema financeiro mil milhões de milhões de dólares. Com o único objectivo de manter a economia de casino e a especulação a funcionarem.

Hoje esse número já triplicou!!! Escreve-se 3 000 000 000 000. É um 3 seguido de doze zeros. Quase 15 vezes o PIB de um país como Portugal. Ou 9 apartamentos com 150 metros quadrados de área cheios de notas de 500€ até ao tecto. Dava e sobrava para acabar com a fome e a pobreza em todo o mundo. E não pára de aumentar todos os dias, dia após dia.

A comunicação social refere que o Relógio da Dívida Nacional dos Estados Unidos já não tem dígitos suficientes para exibir o montante do défice do país. O contador digital parou em Setembro, quando a dívida chegou ao patamar dos 10 mil milhões de milhões de dólares. Este relógio está exposto numa das esquinas mais movimentadas de Manhattan, em Time Square.

As bolsas em todo o mundo mais parecem uma montanha russa. O PSI 20 da Bolsa de Lisboa valia mais de 12 mil pontos em Agosto de 2007. Hoje anda pelos 6 mil.

O impacto mundial desta crise económica e financeira do capitalismo ainda não se revelou em toda a sua extensão. Recordemos que a actual crise, com epicentro nos EUA, é um novo e mais grave episódio da crise que se arrasta desde 1994/95. Com os episódios da crise do peso mexicano, a crise «asiática» de 1997/98, a crise económica de 2001/03, e a crise do sector imobiliário norte-americano desencadeada em Agosto de 2007.

A Organização Internacional do Trabalho (OIT) considera que a actual crise financeira é «uma das mais significativas ameaças à economia mundial na história moderna». O seu director-geral, Juan Somavia, prevê mais 20 milhões de desempregados em 2009. Segundo as estimativas da OIT, o número de desempregados pode passar de 190 milhões, apurados no ano passado, para 210 milhões no final do próximo ano.

A população de trabalhadores pobres vivendo com menos de um dólar (0,75 euros) por dia pode aumentar em 40 milhões e a dos que vivem com dois dólares (1,5 euros) por dia em mais de 100 milhões, acrescenta a OIT. Juan Somavia salientou que estas projecções «podem revelar-se por baixo se os efeitos do actual abrandamento do crescimento económico e da ameaça de recessão não forem rapidamente combatidos».

Mais de 200 mil postos de trabalho já foram suprimidos em Wall Street e noutros centros financeiros com a falência de bancos ou fusões na sequência da crise financeira. São sempre os mesmos a pagar a factura…

A economia das sete maiores economias mundiais vai registar no próximo ano a maior contracção desde a Grande Depressão – anos de guerra excluídos – na sequência da crise de crédito que atinge empresas e consumidores, antecipa o Deutsche Bank.

Segundo o governo de José Sócrates «nós por cá (quase) todos bem». Não tarda nada regressamos à teoria do «Oásis»! Alguém acredita?
            
Especialista em Sistemas de Comunicação e Informação

                 

In "Jornal do Centro" - Edição de 24 de Outubro de 2008

           

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Sexta-feira, 3 de Outubro de 2008
Uma resposta da História ao Capitalismo senil

Texto de Miguel Urbano Rodrigues

     O pânico nas bolsas que acompanhou a falência de grandes bancos envolvidos em especulações, fraudes e escândalos iluminou, desmentiu e ridicularizou a religião do mercado. Agora a finança, que colocava o mercado acima do Estado, pede a este que que lhe acuda para salvar o mercado à beira do abismo.

Miguel Urbano Rodrigues reafirma neste artigo que a única alternativa ao capitalismo em crise estrutural é o socialismo.

A rejeição pela Câmara dos Representantes dos EUA do plano de salvamento do sistema financeiro proposto pelo governo Bush, aos candidatos à Presidência e às lideranças do Congresso ampliou muito a gravidade da crise do capitalismo. O afundamento das bolsas europeias e asiáticas acompanhando o pânico de Wall Street (o Dow Jones, num recorde histórico, caiu 6,98 %) conferiu à crise estadounidense proporções mundiais.

A um apelo desesperado da elite do poder politico os deputados da União responderam com um voto também de desespero. A recusa não foi determinada por respeito ao povo, nem sequer pelas vítimas do caos implantado no sistema bancário. Os motivos do Não dos legisladores são tão pouco éticos como os dos senhores que lhes imploravam a aprovação de 700 mil milhões de dólares destinados sobretudo a comprar à banca créditos podres, as famosas hipotecas dos subprimes.

Em vésperas de eleições para renovação dos seus mandatos, a maioria dos representantes – sobretudo os republicanos –, teme ser punida nas urnas se aprovar um plano que oferece o dinheiro dos contribuintes aos bancos responsáveis pelo desastre e ignora a situação angustiosa de 10 milhões de compatriotas em risco de perder as suas casas.

                     

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publicado por António Vilarigues às 00:03
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