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O CASTENDO

TERRAS DE PENALVA ONDE «A LIBERDADE É A COMPREENSÃO DA NECESSIDADE»

O CASTENDO

TERRAS DE PENALVA ONDE «A LIBERDADE É A COMPREENSÃO DA NECESSIDADE»

A arte de pôr a realidade a fazer o pino

Quando a Banca sentiu apertar o garrote da crise, o Governo foi obrigado a pedir ajuda e a acabar com a pantomina patriótica de Sócrates. Não há nenhuma tese conspirativa: quem financia esta política e este Estado disse basta e a festa acabou. Venha, portanto, o FMI para fazer o trabalho que há muito deveria ter sido feito pelo Governo sem tanta dor.

Esta citação, escolhida ao acaso na Internet, é paradigmática da campanha em curso na comunicação social dominante sobre a situação económica e financeira de Portugal. O editorialista do jornal diário de maior tiragem,  Eduardo Dâmaso, consegue a proeza de pôr a realidade de pernas para o ar.

Recordemos o que se passou nesta década a partir da adesão do nosso país à União Económica e Monetária (UEM) e ao euro:

1. A política do Euro forte significou logo à partida uma significativa perda da competitividade das nossas exportações que se estima em cerca de 20%.

2. Com a mudança qualitativa operada no enquadramento comunitário que impôs a Portugal graves limitações da sua soberania na política económica, orçamental e monetária, o país ficou crescentemente manietado na definição de políticas de defesa e promoção das actividades produtivas nacionais, elas próprias já secundarizadas por opções de política interna de favorecimento e restauração do capital monopolista e de consolidação do seu domínio dos sectores básicos e estratégicos da economia do país.

3. Com a adesão à moeda única, a viragem operada, concretizada por parte de sucessivos governos nacionais, passou a conformar um quadro de políticas contrárias ao desenvolvimento económico, à criação de emprego e ao combate às injustiças sociais, e, da mesma forma, favoráveis à concentração e acumulação capitalistas, ao ataque às funções do Estado e aos serviços públicos, à liquidação de capacidade produtiva e agravamento da exploração e à soberania económica.

4. Os seus reflexos na vida do país não se fizeram esperar. Portugal viu agravados todos os seus problemas e assistiu ao acumular dos seus défices crónicos e estruturais. O processo de desindustrialização ganhou um novo ritmo e a amputação do aparelho produtivo e da produção nacional ganhou uma nova dimensão.

5. Portugal vê o peso dos seus sectores eminentemente produtivos – agricultura, pescas e indústria – substancialmente reduzidos, nomeadamente a favor do sector das actividades financeiras e imobiliárias que, em meados da última década, superavam já o peso da indústria na produção nacional. A defesa da soberania alimentar desce para um perigoso patamar de segurança com uma nova regressão operada na produção agrícola e pesqueira.

6. A década que findou e que coincide com os primeiros anos de permanência na UEM foi atravessada por uma persistente situação de estagnação económica com taxas médias de crescimento anual de 0,4%, enquanto a taxa de desemprego duplicava fixando-se no último trimestre de 2010 em 11,1%. Como resultado desta destruição dos sectores produtivos, o nosso défice da balança de mercadorias situa-se hoje nos 10% do PIB. Em resultado desta evolução o país assistiu ao aumento exponencial da sua dívida externa. Uma evolução altamente preocupante, já que o endividamento externo líquido, em percentagem do PIB, saltou de cerca de 32% para cerca de 107%, entre 1999 e 2010.

7. Nesta altura convém recordar alguns dados:

8. Treze biliões de euros (13 000 000 000 000€) !!!. Mais de 55 vezes o PIB de um país como Portugal. Ou 33 apartamentos com 150 metros quadrados de área cheios de notas de 500€ até ao tecto. Tal é a verba injectada pelos bancos centrais e pelos governos, SÓ NO SISTEMA FINANCEIRO, desde Agosto de 2007. Apesar das injecções massivas de biliões de euros e de dólares no sistema bancário e nos mercados, a crise está longe de ser debelada. 

9. E Portugal não foge à regra. Uma das características da actual crise é a transformação da dívida privada, contraída pelo sistema financeiro com as suas trampolinices e «lixos tóxicos», em dívida pública a ser paga por todos nós. Então é assim (desde 2008 e em euros):

  • 4 mil milhões dados pelo governo ao sistema bancário;
  • 20 mil milhões em avales do governo ao sistema bancário;
  • Cerca de 7,7 mil milhões (ou quase 5 por cento do PIB de Portugal) enterrados no BPN, dos quais 2 mil milhões já aparecem nas contas públicas;
  • Cerca de 450 milhões no BPP;
  • Cerca de 4 mil milhões (2008 a 2010) SÓ EM JUROS gamados dos nossos impostos no esquema de «eu (banco português) vou ao BCE pedir a 1% e empresto-te a 4 a 5, a 6, a 7, a 8, a 9… por cento»

10. Num estudo recente do próprio FMI, publicado em Outubro de 2010, conclui-se que «em dois anos, uma consolidação fiscal [orçamental] equivalente a 1% do PIB tende a reduzir o PIB em aproximadamente 0,5%, aumenta o desemprego em cerca de 0,3%, e reduz a procura interna (consumo e investimento) em aproximadamente 1%».

11. A recessão económica será inevitável (entre -2% e -3% já em 2011). E sem crescimento económico os chamados «mercados» (bancos, companhias de seguro e fundos) continuarão com a chantagem dos juros elevados sobre Portugal. Só o governo e os defensores da sua politica é que não conseguem prever isso.

Afinal quem, na realidade, financia esta política?

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