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O CASTENDO

TERRAS DE PENALVA ONDE «A LIBERDADE É A COMPREENSÃO DA NECESSIDADE»

O CASTENDO

TERRAS DE PENALVA ONDE «A LIBERDADE É A COMPREENSÃO DA NECESSIDADE»

A liberdade será sempre monumental

Já houve quem tivesse a sua Marinha Grande. Ou quem, a caminho da Europa, a tenha tentado sem sucesso. Nestas eleições, há quem busque o “caso” que inverta a queda e evite o desastre. Assim de modo organizado, comandado por alguns seniores da cidade, monta-se uma campanha, contra os que as suas próprias sondagens afirmam estarem mais fortes e que são a voz coerente e contrária aos mandadores do FMI. O “caso das escadas monumentais” explica-se assim. Podemos gostar ou não de murais e pinturas. Sabemos que são legais, mas admitamos que se não goste. Admitamos também que se não goste de outros exercícios de liberdade, da liberdade de expressão, de manifestação ou de pensamento, até. Mas democraticamente, respeite-se.

A Constituição da República e a legislação que regula a propaganda política (Lei 97/88, alterada pela Lei 23/2000 de 23 de Agosto) permitem a pintura de murais, estabelecendo taxativamente os locais vedados a estas pinturas. Admitamos, em jeito de exercício, que por questões de gosto ou estética, se é contra a pintura de degraus de escada com tinta de água que sairá depois de duas ou três chuvadas. Admitamos! Mas então se sempre se pintaram as monumentais, o que faz correr meia dúzia de indivíduos que dizendo-se estudantes nunca antes se manifestaram contra as propinas, Bolonha ou a redução e extinção de bolsas que estão a expulsar milhares de estudantes das escolas?

As escadas monumentais de Coimbra, com os seus 125 longos degraus, não têm 800 anos como um ignorante escreveu. Quando Salazar vandalizou a alta nos anos 40, a escadaria do liceu foi destruída e iniciou-se a construção destas escadas. Aí viveram-se momentos de resistência durante a crise académica de 69, com a polícia a cavalo a agredir os estudantes. Em 69 e em anos seguintes, os estudantes da academia pintaram vezes sem conta a escada. Provavelmente, também o fez o ministro da justiça, Alberto Martins. Com o 25 de Abril, as monumentais foram pintadas dezenas de vezes, por listas concorrentes à direcção geral da academia, pela própria DG, por listas partidárias ou por cidadãos. Podemos não gostar. Admitamos! Mas como entender agora esta reacção nunca antes vista? Não será uma campanha anticomunista, com recurso a grupelhos, mas com uma direcção que não engana ninguém? Não é bonito, é claramente ilegal, judicialmente punível e de tom salazarista, a acção organizada de perturbação de um comício em plena campanha eleitoral, insultando e vaiando os oradores. Não são estudantes que mobilizam uma provocação com apelos de combate aos “comunas”, aos sovietes, aos energúmenos e à escumalha comunista! Não foi edificante ver alguns jovens trajados de estudantes a fazerem a saudação nazi ao som do hino nacional e a alvejarem os participantes (com apelo à “tomatina anti-PC” no facebook).

Será que já nos arcos poderosos, em desespero, se recorre à provocação, ao estilo de Mussolini? O primado do arrivismo contra a liberdade. Mas a liberdade é e será sempre monumental!

In jornal «Diário as Beiras»

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Estamos esclarecidos ou ainda é preciso fazer um desenho?...

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