Segunda-feira, 19 de Dezembro de 2011

José Dias Coelho (19 de Junho de 1923 / 19 de Dezembro de 1961)

José Dias Coelho

Artista militante e militante revolucionário

-

-

sinto-me:
publicado por António Vilarigues às 00:01
link do post | comentar | favorito
4 comentários:
De António Carvalho a 19 de Dezembro de 2011 às 23:49
JOSÉ DIAS COELHO

ARTISTA MILITANTE
E MILITANTE REVOLUCIONÁRIO


Nº 315 - Nov/Dez 2011 • PCP








O fascismo e as suas vítimas - Dias Coelho foi assassinado há 50 anos

Revista «O Militante»



A sujeição de Portugal a uma ditadura fascista acarretou, durante 48 anos, enormes sacrifícios e sofrimentos à maioria dos portugueses e em particular aos trabalhadores e aos resistentes antifascistas, pagando os comunistas um pesado tributo pela sua determinação de tudo fazerem para libertar Portugal da negra noite fascista.




Este domínio fascista de quase cinco décadas traduziu-se na ausência das mais elementares liberdades, baixos níveis de vida, brutal exploração, obscurantismo cultural, repressão das mais simples manifestações de descontentamento, prisões, torturas e assassinatos de dezenas de resistentes e de comunistas em particular.

O 25 de Abril de 1974, coroando a longa e tenaz luta de resistência, veio finalmente derrubar a ditadura fascista e permitir que o povo português alcançasse a liberdade, a par de importantes conquistas democráticas no plano político, económico, social e cultural, conquistas contra as quais os sucessivos governos vêm há mais de 30 anos desferindo machadada após machadada.

Assumindo o carácter de desforra das classes dominantes, tal política de destruição faz-se acompanhar de mais e mais limitações a direitos e liberdades e, em simultâneo, de um silenciamento e revisionismo histórico sobre o que foi o fascismo, visando apagar da memória colectiva o que representou para a maioria dos portugueses e para quantos o combateram.
O próprio termo fascismo foi praticamente remetido para o baú dos chamados anacronismos político-ideológicos por parte dos poderes instituídos e partidos do chamado arco governativo – PS, PSD e CDS –, com a prestimosa colaboração de plumitivos de serviço e mesmo de «respeitados» académicos que teimam em querer demonstrar que em Portugal o fascismo nem sequer existiu, mas tão só um regime autoritário, ainda que a bitola com que medem uma e outra realidade seja pura elocubração teórica.

Criando nas suas cabeças um modelo puro e único duma realidade que definem como fascismo e despojando-a de aspectos essenciais e ignorando a diversidade de cada país quanto à agudeza da luta de classes e o nível de desenvolvimento do movimento operário; centrando as suas teorizações quase exclusivamente na organização política, fugindo como o diabo da cruz a abordar a questão da fusão do Estado fascista com o poder económico, num sistema único ao serviço da concentração e centralização do capital, assente num aparelho policial e na repressão como forma de garantir níveis brutais de exploração, fácil se torna negarem ter havido fascismo em Portugal.

A desvalorização da dimensão da repressão em Portugal e a actuação do aparelho repressivo quando comparadas com a Alemanha de Hitler, ou a Itália de Mussoline, ignorando as situações concretas e diferenciadas de cada país, é um outro argumento que utilizam para demonstrar não ter havido fascismo em Portugal. Os portugueses quase que se podiam considerar uns felizardos por em Portugal só ter existido um regime autoritário pois o número de presos e de mortos não teve comparação com aqueles países, nem a acção da milícia fascista «Legião Portuguesa» se compara às milícias alemãs ou italianas!

Do mesmo modo que Engels na sua polémica com os idealistas – que negavam o conhecimento de coisas concretas – argumentava que para provar a existência de pudim bastava comê-lo, nós dizemos aos nossos «especialistas» em «Estado novo» que lhes bastaria conhecer um pouco do que significou para dezenas de milhares de portugueses a repressão do seu regime dito não fascista, assente num sistema policial, judicial e carcerário como corpo único criado por Salazar e Caetano, para perceberem as razões da força e da extensão do grito que ecoou de Norte a Sul do país após o 25 de Abril: FASCISMO NUNCA MAIS!

Continua
De António Carvalho a 19 de Dezembro de 2011 às 23:59
Continuação

Mas a tese dos referidos «especialistas» tem uma outra consequência, e porventura a razão fundamental das elocubrações teóricas, que é esta: se não existiu fascismo então é um absurdo, é um mito, falar-se em resistência antifascista e em vítimas de fascismo, ainda que estas (apesar de todos os esforços para a sua ocultação), bem como as sedes da PIDE e as cadeias de Caxias, Peniche, Aljube, Penintenciária de Lisboa, Angra do Heroísmo e Campo de Concentração do Tarrafal, perdurem como libelo acusatório aos crimes do regime fascista e às prisões de longos anos de cadeia, às torturas até a morte, aos assassinatos nas ruas e nas próprias casas, às arbitrariedades do sistema policial e judicial.

Este ano assinalam-se 75 anos da inauguração do Campo de Concentração do Tarrafal (29 de Outubro de 1936), data da entrada da primeira leva de prisioneiros, englobando 152 antifascistas transferidos de várias prisões políticas do continente e da Fortaleza de S. João Baptista (Angra do Heroísmo, Açores).

O Campo de Concentração do Tarrafal, tristemente celebrizado como Campo da Morte Lenta, não foi meramente uma das várias prisões fascistas por onde passaram dezenas de milhares de presos políticos portugueses, desde o primeiro ao último momento da ditadura.

A criação deste campo de concentração no Tarrafal foi em grande parte determinada pelo clima adverso do local, pelas condições precárias de vida no seu interior (sem água potável, falta de assistência médica, alimentação imprópria, instalação em tendas, etc.), pelo sistema de violência e arbitrariedade que presidia no regulamento prisional, e pela evolução da situação nacional e internacional – consolidação do fascismo em Portugal e na Europa, ofensiva repressiva contra as forças democráticas e o movimento operário e comunista.

O Campo de Concentração do Tarrafal, onde imperava a violência organizada e sistemática com o objectivo de aniquilar os preso, foi a expressão mais acabada de brutalidade da repressão fascista em Portugal. Para lá foram enviados os presos com as mais longas condenações, tendo o tempo de prisão dos 340 antifascistas que para lá foram desterrados atingido um total de mais de 20 séculos (dois mil anos, onze meses e cinco dias). O tempo de prisão para além das condenações, ou mesmo sem sequer haver qualquer condenação, soma muitas centenas de anos. Só ali foram assassinados 32 antifascistas.

Destes, salientamos o nome de seis camaradas pelo facto de passar este ano o 70.º aniversário do seu assassinato, indicando-se entre parêntesis a data da sua morte: Jacinto de Melo Faria Vilaça (3/1/1941), marinheiro, participante na «Revolta dos Marinheiros, condenado a 16 anos; Casimiro Júlio Ferreira (23/9/1941), operário, participante na jornada de 18 de Janeiro, condenado a 12 anos; Albino António de Oliveira de Carvalho (22/10/1941), empregado comercial, participante na revolta de 7 de Fevereiro de 1927, condenado a 20 anos. Libertado em 1935 por ter sido inculpado é novamente enviado para o Tarrafal em 1937 porque a polícia não se conformou com a sua libertação; António Guedes de Oliveira e Silva (3/11/1941), motorista, participante em várias acções de carácter revolucionário contra o auxílio salazarista a Franco, condenado a 11 anos; Ernesto José Ribeiro (8/12/1941), operário, participante na jornada do 18 de Janeiro, condenado a 14 anos; João Lopes Diniz (12/12/1941), operário, preso no processo de preparação do 1.º de Maio de 1932, condenado a 10 anos; em resultado do mesmo processo, a 28/8/41 já havia morrido na prisão de Angra do Heroísmo, Manuel Francisco da Silva, operário (de quem não possuímos foto).
Só as condenações destes sete camaradas somavam 97 anos e, em 1941, o tempo de prisão sofrida já ultrapassava os 39 anos.

Assassinados à queima-roupa

Mas as forças fascistas também assassinavam resistentes antifascistas que encabeçavam a luta de massas nas ruas ou nos campos, ou militantes clandestinos no decurso da sua actividade militante. E, também aqui, os comunistas foram os mais sacrificados.

Assinala-se este ano o 50.º aniversário do assassinato dos militantes comunistas Cândido Martins (Capilé), operário corticeiro, e de José Dias Coelho, artista plástico e funcionário do PCP, ambos assassinados na via pública.

Continua
De António Carvalho a 20 de Dezembro de 2011 às 00:14
Continuação



Assassinados à queima-roupa

Mas as forças fascistas também assassinavam resistentes antifascistas que encabeçavam a luta de massas nas ruas ou nos campos, ou militantes clandestinos no decurso da sua actividade militante. E, também aqui, os comunistas foram os mais sacrificados.

Assinala-se este ano o 50.º aniversário do assassinato dos militantes comunistas Cândido Martins (Capilé), operário corticeiro, e de José Dias Coelho, artista plástico e funcionário do PCP, ambos assassinados na via pública.

Cândido Capilé foi assassinado em Almada a 11 de Novembro de 1961, quando encabeçava uma manifestação de massas contra a burla eleitoral fascista e a exigência de liberdades democráticas.

Cândido Capilé iniciou a sua actividade política ainda muito jovem, em Silves, sua terra natal, como membro do MUD Juvenil e posteriormente integra o Comité Local de Silves do PCP. Obrigado a abandonar a sua terra para evitar a prisão, retoma a actividade partidária em Almada, onde se refugiara e onde viria a ser assassinado.

Passado pouco mais de um mês, a 19 de Dezembro, a PIDE localiza José Dias Coelho numa rua de Alcântara e dispara sobre ele à queima-roupa.

José Dias Coelho inicia a sua actividade política apenas com 15 anos. Pertenceu ao Bloco Académico Antifascista, ao MDU Juvenil, e adere ao PCP em 1945. Destacou-se pela sua intervenção nas lutas estudantis, na luta contra a guerra, na campanha Norton de Matos, na organização e dinamização de sectores intelectuais, em particular dos artistas plásticos, tendo integrado a Direcção da Organização Regional de Lisboa. Realizou inúmeras tarefas e assumiu elevadas responsabilidades partidárias como funcionário do PCP.

Artista talentoso que tudo sacrificou pela liberdade e em defesa do seu Partido, Dias Coelho executa o seu último trabalho para o «Avante!», uma gravura que representava o assassinato de Cândido Capilé, com a seguinte legenda: «De todas as sementes deitadas à terra, é o sangue derramado pelos mártires que faz levantar as mais copiosas searas».

A 19 de Dezembro de 1961, com o assassinato de Dias Coelho, a lista dos nossos mártires aumentou e assim continuaria até à conquista da liberdade, para a qual deram o maior dos tributos: o sacrifício da própria vida. Honrar a sua memória é um dever de todos nós.




REVISTA «O MILITANTE»



























































De:
Anónimo
Data:
9 de Março de 2013 às 01:54

Comentar post

.mais sobre mim


. ver perfil

. seguir perfil

. 27 seguidores

.pesquisar

.Novembro 2019

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30

.Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

.posts recentes

. VISEU: Apresentação do li...

. Roteiro Antifascista: É p...

. O atrevimento da ignorânc...

. Manifestação 10 de Julho ...

. Manifestação 10 de Julho ...

. Autarcas querem a regiona...

. Qual o país que conseguir...

. Donald Trump = 62 984 825...

. João Ferreira 1.º candida...

. Roriz 2019

.arquivos

. Novembro 2019

. Agosto 2019

. Julho 2019

. Fevereiro 2019

. Janeiro 2019

. Dezembro 2018

. Outubro 2018

. Julho 2018

. Maio 2018

. Abril 2018

. Março 2018

. Fevereiro 2018

. Janeiro 2018

. Dezembro 2017

. Novembro 2017

. Outubro 2017

. Setembro 2017

. Agosto 2017

. Julho 2017

. Junho 2017

. Maio 2017

. Abril 2017

. Março 2017

. Fevereiro 2017

. Janeiro 2017

. Dezembro 2016

. Novembro 2016

. Outubro 2016

. Setembro 2016

. Agosto 2016

. Julho 2016

. Junho 2016

. Maio 2016

. Abril 2016

. Março 2016

. Fevereiro 2016

. Janeiro 2016

. Dezembro 2015

. Novembro 2015

. Outubro 2015

. Setembro 2015

. Agosto 2015

. Julho 2015

. Junho 2015

. Maio 2015

. Abril 2015

. Março 2015

. Fevereiro 2015

. Janeiro 2015

. Dezembro 2014

. Novembro 2014

. Outubro 2014

. Setembro 2014

. Agosto 2014

. Julho 2014

. Junho 2014

. Maio 2014

. Abril 2014

. Março 2014

. Fevereiro 2014

. Janeiro 2014

. Dezembro 2013

. Novembro 2013

. Outubro 2013

. Setembro 2013

. Agosto 2013

. Julho 2013

. Junho 2013

. Maio 2013

. Abril 2013

. Março 2013

. Fevereiro 2013

. Janeiro 2013

. Dezembro 2012

. Novembro 2012

. Outubro 2012

. Setembro 2012

. Agosto 2012

. Julho 2012

. Junho 2012

. Maio 2012

. Abril 2012

. Março 2012

. Fevereiro 2012

. Janeiro 2012

. Dezembro 2011

. Novembro 2011

. Outubro 2011

. Setembro 2011

. Agosto 2011

. Julho 2011

. Junho 2011

. Maio 2011

. Abril 2011

. Março 2011

. Fevereiro 2011

. Janeiro 2011

. Dezembro 2010

. Novembro 2010

. Outubro 2010

. Setembro 2010

. Agosto 2010

. Julho 2010

. Junho 2010

. Maio 2010

. Abril 2010

. Março 2010

. Fevereiro 2010

. Janeiro 2010

. Dezembro 2009

. Novembro 2009

. Outubro 2009

. Setembro 2009

. Agosto 2009

. Julho 2009

. Junho 2009

. Maio 2009

. Abril 2009

. Março 2009

. Fevereiro 2009

. Janeiro 2009

. Dezembro 2008

. Novembro 2008

. Outubro 2008

. Setembro 2008

. Agosto 2008

. Julho 2008

. Junho 2008

. Maio 2008

. Abril 2008

. Março 2008

. Fevereiro 2008

. Janeiro 2008

. Dezembro 2007

. Novembro 2007

. Outubro 2007

. Setembro 2007

. Agosto 2007

. Julho 2007

. Junho 2007

.tags

. álvaro cunhal

. assembleia da república

. autarquia

. avante!

. bce

. benfica

. blog

. blogs

. câmara municipal

. capitalismo

. caricatura

. cartoon

. castendo

. cds

. cdu

. cgtp

. cgtp-in

. classes

. comunicação social

. comunismo

. comunista

. crise

. crise do sistema capitalista

. cultura

. cultural

. democracia

. desemprego

. desenvolvimento

. desporto

. dialéctica

. economia

. economista

. eleições

. emprego

. empresas

. engels

. eua

. eugénio rosa

. exploração

. fascismo

. fmi

. futebol

. governo

. governo psd/cds

. grupos económicos e financeiros

. guerra

. história

. humor

. imagens

. imperialismo

. impostos

. jerónimo de sousa

. jornal

. josé sócrates

. lénine

. liberdade

. liga

. lucros

. luta

. manifestação

. marx

. marxismo-leninismo

. música

. notícias

. parlamento europeu

. partido comunista português

. paz

. pcp

. penalva do castelo

. pensões

. poema

. poesia

. poeta

. política

. portugal

. precariedade

. ps

. psd

. recessão

. revolução

. revolucionária

. revolucionário

. rir

. salários

. saúde

. segurança social

. sexo

. sistema

. slb

. socialismo

. socialista

. sociedade

. sons

. trabalhadores

. trabalho

. troika

. união europeia

. vídeos

. viseu

. vitória

. todas as tags

.links

.Google Analytics

blogs SAPO

.subscrever feeds