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O CASTENDO

TERRAS DE PENALVA ONDE «A LIBERDADE É A COMPREENSÃO DA NECESSIDADE»

O CASTENDO

TERRAS DE PENALVA ONDE «A LIBERDADE É A COMPREENSÃO DA NECESSIDADE»

Mil e uma razões

    A política de austeridade que nos está a ser imposta pela troika estrangeira do FMI/União Europeia (U.E.)/Banco Central Europeu (BCE) e pelo Governo PSD/CDS, não só não resolve os nossos problemas, como está a encaminhar o país para o precipício económico e social.

Qualquer que seja o parâmetro usado, o balanço não pode deixar de ser outro. De programa em programa, de austeridade em austeridade, os sacrifícios sucedem-se sem fim à vista. O país definha economicamente. A pobreza alastra.

Isso está bem patente nas sucessivas revisões em baixa da evolução prevista para o PIB. Entre a assinatura do pacto de agressão em Maio do ano passado e os nossos dias, a previsão de queda do PIB em 2012, quase duplicou tendo passado de -1,8% para -3,3%.

E também no facto de em Março de 2010, quando foi aprovado o PEC I, os juros eram de 4% nos empréstimos a 10 anos. Hoje ultrapassam os 13%. Ou seja, um aumento de 200% (!!!). Na prática, estamos perante um processo de agiotagem puro e duro em que, quanto mais pagamos, mais devemos.

Pedro Passos Coelho afirma que o programa da troika é para cumprir, «custe o que custar». Só que ele sabe, e nós também, que o que importa é saber quem vai pagar a factura! Quanto pagam os que arrecadam dezenas de milhões de euros de lucros por ano (os lucros líquidos das 20 principais empresas cotadas na bolsa, entre 2009 e 2011, atingiram 20.628 milhões de euros)? Quanto pagam os que desviam para os paraísos fiscais a suas sedes e os seus lucros para fugir aos impostos (em 20011 saíram do país mais de mil milhões de euros por mês)? Quanto pagam os que transaccionaram 326 mil milhões de euros na Bolsa no espaço de 2 anos e meio? O que é feito para combater a fraude e evasão fiscal e a economia paralela, que atinge cerca de 40 mil milhões de euros ao ano?

Quem está a pagar são sempre os mesmos. Quem paga são os trabalhadores do sector público e privado e as suas famílias. Os reformados e pensionistas. Os micro, pequenos e médios empresários da indústria e do comércio. Os pequenos e médios agricultores.

Os pacotes sucessivos de austeridade e sacrifícios não criam riqueza. Nem resolvem nenhum dos grandes problemas nacionais. E os resultados estão à vista.

A criação de riqueza caiu para níveis inferiores a 2001. Prossegue, sem fim à vista, o encerramento de inúmeras empresas (mais de 40 mil em 2011) e a destruição massiva de postos de trabalho (157.600 empregos no 2.º semestre de 2011). A dívida pública, só no último ano, aumentou 19 pontos percentuais, atingindo os 110% do PIB. E não pára de crescer!

Mas os representantes da troika que vêm a Portugal para fazer uma «avaliação» da implementação do chamado memorando de entendimento e do seu impacto, não hesitam em cobrar, só em comissões por estas avaliações, 655 milhões de euros (mais, muito mais, que os cortes no abono de família que abrangeram 1.830.522 crianças e jovens nos últimos 2 anos).

O desemprego e o sub-emprego atingem hoje 20% da população activa. São jovens quase meio milhão de desempregados.

O custo de vida aumenta, mas os salários diminuem. Os cerca de 400 mil trabalhadores que auferem o salário mínimo nacional, depois de deduzidos os descontos para a Segurança Social, recebem um salário líquido de 432 euros. Um valor abaixo do limiar da pobreza, que é de 434 euros! Mais de 2,7 milhões de portugueses vivem abaixo deste limiar da pobreza e em situação de exclusão social.

Em Portugal empobrece-se a trabalhar! Portugal é hoje o país mais desigual da U.E.. Um país onde os 10% mais ricos têm um rendimento 10,3 vezes superior aos 10% mais pobres. E onde esta diferença está a aumentar, como conclui um estudo recente da própria Comissão Europeia.

Portugal precisa que o deixem trabalhar e criar riqueza para melhorar as condições de vida dos trabalhadores e das famílias, para desenvolver o país. Portugal precisa de uma economia assente em trabalho com direitos, trabalho qualificado, empregos estáveis e salários justos.

Mil e uma razões para participar no próximo dia 22 de Março na Greve Geral convocada pela CGTP-IN.

Especialista em Sistemas de Comunicação e Informação

In "Jornal do Centro" - Edição de 9 de Março de 2012

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