De Reflexivo a 28 de Agosto de 2012 às 13:04
Caro camarada,
Hoje temos que falar num conceito mais amplo do que o da prostituição, antes nos trabalhadores do sexo, onde a prostituição é apenas uma das vertentes.
Depois, devo-lhe chamar à atenção quanto à reprodução do discurso feminista radical (que para mim fez uma apropriação indevida do discurso marxista), levando a apresentar mentiras como factos. Aliás, como marxista deveria saber que o feminismo marxista se distancia do feminismo radical do mundo ocidental, uma vez que acaba por causar divisões sérias dentro do movimento dos trabalhadores, colocando mulheres contra homens sem ter uma perspectiva de mudança social revolucionária da sociedade. Sei que os números que referiu são apontados pela OIT, no entanto, em muitos países as principais vitimas são os homens, por via da exploração laboral. Veja o relatório do Observatório de Tráfico de Seres Humanos, por exemplo. Mais uma vez, aqui não se trata de colocar homens contra mulheres, mas chamar à atenção para a necessidade de políticas de género que efectivamente se dirijam para AMBOS, sob pena de a luta contra uma injustiça gerar muito mais injustiças. Não será preciso falar da inversão da tendência do desemprego, onde o masculino é hoje em Portugal maior do que o feminino (tal como aconteceu nos EUA com o inicio da crise do sector automóvel).
Voltando ao tema, a exploração sexual, onde a prostituição pode ser enquadrada, tem muitas vitimas masculinas. Se for ver os estudos na área da prostituição juvenil encontrará muita prostituição masculina virada para a homossexualidade. O discurso tem que ser inclusivo e não olhar apenas para uma parte da realidade, apenas porque se verifica mais 10 ou 20% que em outro género.
Por fim, temos que enquadrar a prostituição no âmbito das sociedades em que vivemos, ou seja, prostituição numa sociedade capitalista e numa sociedade socialista. Na capitalista e na luta pelo avanço civilizacional, o que poderemos aspirar? há sempre limitações que o Capitalismo nunca conseguirá superar.
E a verdade é que há muita gente que acredita - ou finge que acredita... - que é mesmo uma opção de vida... que tristeza!
Não posso conceber a prostituição como um trabalho ou uma opção de vida. Para mim a prostituição será sempre uma violência e uma forma de exploração imposta pelo sistema e pela chamada moral.. Temos que lutar para que essa terrível situação seja abolida do mundo, tal como a fome e o analfabetismo.
Um beijo.
De Luis Santos a 29 de Agosto de 2012 às 20:32
É verdade que a maioria das vítimas da violência doméstica são mulheres, mas há que esclarecer que isto não se deve a um conflito natural entre homens e mulheres, como pretendem fazer crer os movimentos feministas radicais no seu ataque ao patriarcado (que deve ser atacado, mas por outras razões) mas ao estado de degradação e frustração social a que conduz a exploração capitalista.
Prova? Na Europa, é nos países de sistema capitalista mais avançado (Alemanha, Áustria, Finlândia, etc.) que encontra maiores índices de femicidios e não nos países de patriarcado mais enraizado (Portugal, Espanha, Itália ou França). Na verdade, o homem que quando chega a casa agride de forma indesculpável a mulher, fá-lo não porque seja naturalmente mau, mas porque desde criança foi exposto à ignorância, à miséria, à prepotência e à violência do sistema capitalista. Na impossibilidade de agredir o chefe, o patrão ou o banqueiro, agride a mulher, refugia-se no álcool ou nas drogas.. A solução, consiste recolocá-lo lado a lado com a sua companheira contra a origem dos problemas sociais.
O seu texto não diz, mas podia ter dito, que em Portugal, todos os anos, provavelmente cerca de 50 mulheres são assassinadas às mãos dos seus companheiros ou ex companheiros. Mas também não diz que todos os anos, em Portugal, cerca de 200 homens morrem vítimas de acidentes de trabalho (contra menos de 10 mulheres) exactamente pelas mesmas razões: o sistema capitalista e não o sistema patriarcal nem uma pretensa dominação do homem sobre a mulher.
Sem descurar o apoio às mulheres e o esclarecimento dos homens explorados, não devemos perder de vista as verdadeiras causas das coisas e a luta central do nosso tempo.
O seu a seu dono:
O texto não ´e meu, mas sim, como se pode verificar clicando no texto, da Inês Zuber, deputada do PCP no Parlamento Europeu

De:
Anónimo
Data:
7 de Março de 2013 às 20:33
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