Terça-feira, 22 de Janeiro de 2013

Um inaceitável e condenável processo

   A propósito do pedido de reforma de Ana Teresa Vicente, Presidente da Câmara de Palmela, a par de interrogações e discordâncias, tem-se desenvolvido um inaceitável e condenável processo marcado pela má fé e pelo insulto que exige resposta.

Os factos.

A presidente da Câmara de Palmela, Ana Teresa Vicente vai reformar-se. De acordo com o que foi publicado no Diário da República, no dia 8 de janeiro, Ana Teresa Vicente, passará a receber uma pensão da Caixa Geral de Aposentações no valor de 1859,67 euros que, como esclareceu o gabinete da presidência da Câmara estão "… sujeitos ainda aos descontos legais e, portanto, não acumuláveis com o seu actual vencimento, nem com o de funções públicas que venha a desempenhar no futuro.

Ana Teresa Vicente, que não pode recandidatar-se ao cargo que ocupa nas próximas eleições autárquicas, vai levar o seu mandato até ao fim. O comunicado da Presidência da Câmara refere também que Nesse sentido, e reunindo os requisitos legais exigidos, após 26 anos de trabalho, entendeu requerer a aposentação, que usufruirá apenas quando cessar funções, no final do presente mandato.

Esta iniciativa está conforme com os critérios que a lei consagra. Para se poder reformar recorre ao preceito legal que, até um determinado limite de anos, conta a dobrar o tempo de exercício de mandato executivo, permitindo assim atingir os 36 anos de descontos necessários. Este regime foi eliminado na Assembleia da República em 2005 com o voto do PCP, passando apenas a contar na aplicação do critério o tempo que decorre entre o inicio do mandato e esse ano de 2005.

No entanto ao contrário do que tem sido dito e diferentemente de casos de membros de conselhos de administração de grandes empresas que exercem funções dois ou três anos e recebem pensões milionárias sem fazerem os descontos correspondentes, Ana Teresa Vicente, como outros eleitos autárquicos que recorram ao referido preceito legal, tem de pagar os descontos também a dobrar para ser efectivo esse direito à reforma.

Cabe também sublinhar que o valor da sua pensão tendo como referência os valores dos seus vencimentos ao longo dos anos é fortemente penalizado por ter apenas 48 anos. Também ao contrário do que tem sido propalado, a pensão que vai receber não é a pensão completa, se aguardasse mais anos o valor da pensão seria claramente superior.

Apesar de tudo isto, e de uma clara cobertura legal, o recurso a tal preceito implica uma cuidada ponderação, levando em conta múltiplos factores, nomeadamente a idade em que se processa a reforma e o quadro geral em que se verifica.

O PCP através do gabinete de imprensa deu a conhecer a sua posição referindo: Perante uma decisão pessoal, com as responsabilidades individuais daí decorrentes quanto ao seu esclarecimento, independentemente das prerrogativas que resultem da aplicação de critérios legais em vigor, o PCP afirma a sua oposição a regimes legais como aquele que facultou a contagem a dobrar de tempo para efeitos de reforma no exercício de funções políticas".

Mas se é de admitir que sejam feitas opções diferentes, não é tolerável o insulto que tem sido promovido para atingir quer a Ana Teresa Vicente, quer o PCP.

Ana Teresa Vicente integrada nas equipas da CDU no Município de Palmela tem desenvolvido um trabalho de grande valor ao serviço do concelho e da população. A sua ligação ao Município de Palmela inicia-se 1994, como adjunta da Presidência, em 1997 é eleita vereadora e em 2001 é eleita Presidente da Câmara. São 19 anos de grande dedicação e empenho ao serviço da população de Palmela, que articulou com outras funções, nomeadamente a vice-presidência da Junta Metropolitana de Lisboa e a presidência da Associação de Municípios da Região de Setúbal.

É de uma profunda má fé tentar colocar Ana Teresa Vicente, como alguns estão a fazer, certamente tomando o exemplo de si próprios, no plano dos boys ou das girls que por aí pululam. Mas, mais do que isso, é insultuoso e profundamente injusto, face às condições em que tem feito o seu exercício autárquico, ultrapassando todas as adversidades que se lhe depararam. Alguém que responde e cumpre assim os seus deveres, mesmo que não precise que isso seja feito, merece essa referência.

Quanto ao PCP e à CDU, não prescindindo da sua intervenção na afirmação constante dos seus valores distintivos, tem na obra colectiva no poder local, concretizada por milhares de eleitos e activistas, um trabalho notável ao serviço do desenvolvimento e da melhoria das condições de vida das populações. Assim é no concelho de Palmela, no distrito de Setúbal e no País.

Francisco Lopes 18-01-2013

-

sinto-me:
publicado por António Vilarigues às 15:05
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8 comentários:
De Caetano a 22 de Janeiro de 2013
Não pondo em causa o trabalho desenvolvido pela autarca assalta-me no entanto uma dúvida: não pode, ou porque não pode a autarca regressar ao seu posto de trabalho? Existe impedimento, proibição? Será que a entrada no selecto clube dos políticos é obrigatoriamente um caminho sem regresso? Terá Francisco Assis razão quando diz que um Clio não se coaduna com a actividade política? E porque não uma pedra sobre o assunto? Quanto mais se mexe na dita...
De António Vilarigues a 22 de Janeiro de 2013
Caro Caetano,
Leu o artigo? Ana Teresa Vicente esteve 26 (vinte e seis) anos como autarca a tempo inteiro!!!
Para responder à sua questão «não pode, ou porque não pode a autarca regressar ao seu posto de trabalho?» outras questões se colocam.
Desde logo: 26 anos depois o seu antigo posto de trabalho ainda existe? A empresa ainda existe? E aí por diante....
Percebido?
De Caetano a 22 de Janeiro de 2013
Desculpe-me ter de voltar ao assunto, mas aqui vai: Sou daqueles que já podiam reformar-se, ter subsídio vitalício, e não o faço, prefiro estar aqui nesta tarefa, a lutar pelo país, pelo meu povo, o meu partido, sem vantagem ou privilégio porque também aqui, no plano ético, os políticos não são todos iguais.
Não, as palavras não são minhas, são de Jerónimo de Sousa e caramba quando comparamos as idades de um e de outro...
De António Vilarigues a 23 de Janeiro de 2013
Duas questões:
1. Jerónimo de Sousa é funcionário do PCP e deputado NO ACTIVO na Assembleia da República. Recebe o vencimento de deputado que entrega na íntegra ao PCP. Como funcionário tem um vencimento de cerca de 750 euros.
2. Ana Teresa Vicente não é funcionária do PCP. Em Outubro termina as suas funções em Palmela. Não tem direito a subsídio de desemprego. Enquanto não encontrar trabalho vai viver do ar???
De geacieterietsch a 22 de Janeiro de 2013
Tudo serve a esta gente para atacar o PCP, mesmo quando se utilizam as leis que eles aprovaram!!!

Um beijo.
De domingos estanislau a 23 de Janeiro de 2013
Os outros roubam descaradamente e andam por ai como grandes senhores, Ana Teresa Vicente, utilizou a lei, repito utilizou a lei, que muitos outros têm utilizado e depois são colocados como comentadores aqui e acolá, mas é claro representam outras forças, Ana Vicente por ser comunista cometeu um crime. Sinal dos tempos, o anticomunismo ainda não foi arredado da nossa sociedade.
De Anónimo a 23 de Janeiro de 2013
nao milito em qualquer partido da coligaçao mas voto e geralmente sou fiel ao voto na cdu..partilho o direito a liberdade e o direito a igualdade,sendo os sistemas de segurança social diversificados para o cidadao comum entre quem e politico,f.publico,perivado,etc tal como discordo de reformas de 171 mil €,tambem discordo do direito a diferença por atividade ou funçao ,tal como dirigente pcp dizia entao em relaçao privatizaçao das aguas perdemos um bom autarca nao perdemos a coeirencia ,entendo que as criticas das pessoas vao nesse sentido e' e deve ser esse o nosso caminho enquanto muito cidadao comum trabalha ate aos 65 anos com 80 p cento do vencimento com 40 anos de desconto ,nao sendo aceite qualquer tipo de reforma com essa idade ao cidadao comum discordo plenamente dessa diferença,nao e por acaso que recordo unhas de pes e maos deformadas pelas torturas do facismo em familiares e amigos proximos e no presente cada vez mais vejo consciencias deformadas pela tortura fascizante da democracia entre pessoas, bem mais moderno mas nao menos eficaz nos seus propositos,e que nos vai pouco a pouco minando e virando uns contrra os outros,quando vejo pessoas com pes de rasto no lixo ou a pedir esmola porque levam para casa 300€ de reforma e trabalharam 30 \40 anos no duro,privaram-se da sua liberdade contra o facismo e hoje privam-se da sua consciencia numa ditadura economica que se chama democracia em que palmadinhas nas costas, nao passam dum ajudar uma tosse mais profunda os tempos sao diferentes as situaçoes sao iguais.Finalizando pela igualdade de direitos e deveres que a falta de coeirencia dos outros dentro ou fora da coligaçao nao nos leve a tomar posiçoes diferentes daquelas que nos teem unido o direito a ter direitos iguais...obrogado.. andre rosa ..faro
De Pedro Namora a 23 de Janeiro de 2013
O exemplo de Ana Teresa Vicente foi lançado por canalhas que apenas pretendem reforçar a ideia de que os políticos são todos iguais. Quem conhece a autarca e a terrível doença que teve que enfrentar, sabe bem que lhe bastaria invocar isso para ser reformada. Mas preferiu, cumprindo a lei, desencadear o processo de aposentação apesar de saber que será duplamente penalizada: vai ter que pagar as contribuições em falta correspondentes ao tempo de descontos em falta e por ter 48 anos ficará com uma reforma muito inferior ao que teria direito caso se aposentasse mais tarde.
Deixo aqui a minha solidariedade para com a autarca competente, trabalhadora e honestíssima.

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