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O CASTENDO

TERRAS DE PENALVA ONDE «A LIBERDADE É A COMPREENSÃO DA NECESSIDADE»

O CASTENDO

TERRAS DE PENALVA ONDE «A LIBERDADE É A COMPREENSÃO DA NECESSIDADE»

Luta de classes nos conceitos

    Anda pela blogosfera uma luta de classes acesa no que aos conceitos diz respeito. Mas não é de agora. Já vem de longe, de muito longe. Tem mais de 160 anos. Está na matriz da ideologia dominante. Expressa-se em conceitos veiculados através de decénios na comunicação social escrita, na rádio, na televisão.
O detentor do capital tem quem estude, analise, desenvolva, proponha e execute as suas políticas. Desde logo os governos, os partidos políticos,
as associações patronais, as universidades, o sector financeiro, o sector produtivo. Mas também jornalistas, comentadores, analistas, assessores, consultores e mais recentemente os chamados think tanks (em inglês é mais intelectual, é mais in).  Tudo «intelectuais de topo», pagos a peso de ouro em alguns (muitos) casos.
Já o trabalho tem os seus partidos políticos, os sindicatos, as suas associações de diverso tipo. E tem os «que não têm nada para fazer», os «que se exprimem por chavões ou cassetes», enfim os dirigente sindicais, os sindicalistas, os dirigentes partidários. Tem os seus partidos políticos, os sindicatos, as suas associações de diverso tipo. E quem nelas estude, analise, desenvolva, proponha e execute as suas políticas.

O que é curioso, ou nem por isso, é se algum  paladino do capital transpõe a fronteira para o lado do trabalho, passa logo de bestial a besta. De competente a incompetente. De trabalhador exemplar a calão e preguiçoso.

Mas se algum defensor do trabalho faz o seu caminho em direcção ao capital logo se cantam loas e hossanas à sua lucidez. De besta transmuta-se, milagre dos milagres, em bestial. Os «chavões e cassetes», por obra e graça do Espírito Santo, metamorfoseiam-se em pensamentos criativos e profundos.

Querem um exemplo? Imaginem o que sucederia se o doutorado secretário-geral da CGTP-IN se transferisse com armas e bagagens para a CIP?

                                  

Depois venham dizer que a luta de classes não existe...

                                                                                                                   

Joaquín Sabina canta Pablo Neruda: Amo el amor de los marineros


                                                                                                                             

A poesia original não corresponde exactamente à letra da canção. A vermelho estão as partes que serviram para a canção.

A letra da canção pode ser vista aqui: Amo el amor de los marineros (Pablo Neruda - Joaquín Sabina)

 

 F A R E W E L L
                                    

                        1

DESDE el fondo de ti, y arrodillado,
un niño triste, como yo, nos mira.

Por esa vida que arderá en sus venas
tendrían que amarrarse nuestras vidas.

Por esas manos, hijas de tus manos,
tendrían que matar las manos mías.

Por sus ojos abiertos en la tierra
veré en los tuyos lágrimas un día.

                      

                        2

YO NO lo quiero, Amada.

Para que nada nos amarre
que no nos una nada.

Ni la palabra que aromó tu boca,
ni lo que no dijeron las palabras.

Ni la fiesta de amor que no tuvimos,
ni tus sollozos junto a la ventana.

           

                        3

(AMO el amor de los marineros
que besan y se van.

Dejan una promesa.
No vuelven nunca más.

En cada puerto una mujer espera:
los marineros besan y se van.

Una noche se acuestan con la muerte
en el lecho del mar.

                        

                        4

AMO el amor que se reparte
en besos, lecho y pan.

Amor que puede ser eterno
y puede ser fugaz.

Amor que quiere libertarse
para volver a amar.

Amor divinizado que se acerca
Amor divinizado que se va.)

                                

                        5

YA NO se encantarán mis ojos en tus ojos,
ya no se endulzará junto a ti mi dolor.

Pero hacia donde vaya llevaré tu mirada
y hacia donde camines llevarás mi dolor.

Fui tuyo, fuiste mía. Qué más? Juntos hicimos
un recodo en la ruta donde el amor pasó.

Fui tuyo, fuiste mía. Tu serás del que te ame,
del que corte en tu huerto lo que he sembrado yo.

Yo me voy. Estoy triste: pero siempre estoy triste.
Vengo desde tus brazos. No sé hacia dónde voy.

...Desde tu corazón me dice adiós un niño.
Y yo le digo adiós.

                         

                                                                                            

                               

Para ver e ouvir Joaquín Sabina no álbum "Neruda en el corazón" a cantar «Amo el amor de los marineros» de  Pablo Neruda clicar  AQUI  

                                                   

Maria Alda Nogueira: Uma mulher, Uma vida, Uma história de amor (VII)

   Iniciou-se no dia do 85º aniversário do seu nascimento [19/03] a transcrição integral de um texto da autoria de Helena Neves, com edição do Movimento Democrático das Mulheres (MDM) sobre Maria Alda Nogueira. Foi publicado em 1987 por ocasião da entrega pelo MDM da Distinção de Honra, numa homenagem a uma vida dedicada à defesa da igualdade, da justiça social e da paz.

       

(continuação)

Encontros e retornos de uma mulher


A CLANDESTINIDADE
       

É na Faculdade que entra para o Partido Comunista Português. A sua ânsia de transformação da vida não se esgota no estudo nem nas outras actividades de intervenção, Maria Alda sente necessidade de outros horizontes, outras formas de luta. E risco.
Em 1949 entra na clandestinidade e vai trabalhar na redacção do «Avante!».
Acredita, no entanto, que será por pouco tempo.
O seu desejo mais profundo é dedicar-se à investigação, procurando conciliá-la com a participação política. Ardentemente ausculta o passar do tempo e vai lendo obras científicas. Lê muito obras científicas para não se desactualizar.
«Pensei que era uma suspensão na minha carreira, apenas isso. E lia imensas obras da minha especialidade que pedia aos camaradas que me arranjassem. Entretanto, uni-me ao homem que amava, tive um filho. Mas sempre aguardando o momento em que eu retomaria a carreira. Senti sempre e sinto a nostalgia de não seguir a vida da investigação científica
Em 1957 no V Congresso do PCP é eleita membro suplente do Comité Central.

(continua)

                           

O PAÍS QUE BUSH HERDOU, O PAÍS QUE DEIXA ATRÁS DE SI

 

 

Documento recebido de um amigo português a residir nos EUA, em Março de 2008
Fonte ECONOMIA EM 20 DE JANEIRO DE 2001 HOJE, DEPOIS DE BUSH
1 Crescimento do PIB 4,09 % nos últimos 8 anos 2,65 % nos últimos 7 anos
2 Dívida Externa 5,7 milhões de milhões de dólares 9,2 milhões de milhões de dólares
3 Défices no Orçamento 431 milhares de milhões de dólares 734 milhares de milhões de dólares
4 Novos empregos no sector privado 1,76 milhões por ano, nos últimos 8 369 mil por ano, nos últimos 7
5 Americanos abaixo do nível de pobreza 31,6 milhões 36,5 milhões
Fonte QUALIDADE DE VIDA EM 20 DE JANEIRO DE 2001 HOJE, DEPOIS DE BUSH
6 Americanos sem seguro de saúde 38 milhões 47 milhões
6 Alteração do nível de seguro 4,5 milhões menos em 2 anos 8,5 milhões mais em 6 anos
7 Custo do prémio anual total 6.230 dólares / família 12.106 dólares / família
8 Receita familiar média 49.163 dólares 48.023 dólares
8 Alteração da receita familiar 6.000 dólares de aumento, nos últ. 8 1.100 dólares de redução, nos últimos 6
9 Preço da gasolina 1,39 dólares por galão 3,07 dólares por galão
10 Custo da universidade 3.164 dólares por ano 5.192 dólares por ano
11 Taxa de poupança individual  + 2,3 %  - 0,5 %
12 Dívida no consumo a crédito 7,65 milhões de milhões de dólares 12,8 milhões de milhões de dólares
Fonte OS EUA E O MUNDO EM 20 DE JANEIRO DE 2001 HOJE, DEPOIS DE BUSH
13 Défice domercial americano 380 milhares de milhões de dólares 759 milhares de milhões de dólares
14 Força do Dólar 1,07 Euros por Dólar 0,68 Euros por Dólar
15 Prontidão de resposta militar Todas as Divisões classificadas ao mais alto nível Nenhuma Divisão ou Brigada de Reserva preparada
16 Dependência do petróleo importado 52,75 % 60,38 %
17 Opinião ácerca dos EUA (10 países) 58,3 % favorável 39,2 % favorável
17 Idem no Reino Unido 83 % favorável 56 % favorável
17 Idem na Indonésia 75 % favorável 30 % favorável
17 Idem na Turquia 52 % favorável 12 % favorável
17 Idem na Alemanha 78 % favorável 37 % favorável
FONTES
1 Bureau of Economic Analysis
2 Department of Treasury
3 Congressional Budget Office
4 Bureau of Labor Statistics
5 United States Census Bureau
6 United States Census Bureau
7 Kaiser Study of Employer Health Care Benefits
8 United States Census Bureau
9 Energy Information Administration
10 Higher Education Coordinating Board of Washington State
11 Bureau of Economic Analysis
12 Insurance Information Institute
13 United States Census Bureau
14 OANDA.com: The Currency Website
15 Speaker of the House Fact Sheet, 11/29/07
16 Energy Information Administration
17 Testimony of Andrew Kohut, President of Pew Research Center, 3/17/07  

            

Comentários para quê?

                    

Ruy Mingas: Monangambé

            
                                                
Monangambé

Naquela roça grande
não tem chuva
é o suor do meu rosto
que rega as plantações;
Naquela roça grande
tem café maduro
e aquele vermelho-cereja
são gotas do meu sangue
feitas seiva.

O café vai ser torrado
pisado, torturado,
vai ficar negro,
negro da cor do contratado.
Negro da cor do contratado!

Perguntem às aves que cantam,
aos regatos de alegre serpentear
e ao vento forte do sertão:

Quem se levanta cedo?
quem vai à tonga?
Quem traz pela estrada longa
a tipóia ou o cacho de dendém?
Quem capina e em paga recebe desdém
fuba podre, peixe podre,
panos ruins, cinquenta angolares
"porrada se refilares"?

Quem?
Quem faz o milho crescer
e os laranjais florescer?
- Quem?
Quem dá dinheiro para o patrão comprar
máquinas, carros, senhoras
e cabeças de pretos para os motores?

Quem faz o branco prosperar,
ter barriga grande
- ter dinheiro?
- Quem?

E as aves que cantam,
os regatos de alegre serpentear
e o vento forte do sertão
responderão:

- "Monangambééé..."

Ah! Deixem-me ao menos subir às palmeiras
Deixem-me beber maruvo
e esquecer diluído
nas minhas bebedeiras

- "Monangambéé...'"

António Jacinto (Poemas, 1961)
                 

                      
NOTA:

Monangambé (O contratado) eram angolanos negros contratados para trabalhar nas roças dos brancos, na era colonial. Por vezes, em províncias de Angola bem distantes dos locais onde viviam. Deixavam as famílias para trás e iam ganhar a vida.

                              
Mais canções por Rui Mingas
                              
Para ouvir Ruy Mingas a cantar «Monangambé» clicar AQUI
                        

Maria Alda Nogueira: Uma mulher, Uma vida, Uma história de amor (VI)

   Iniciou-se no dia do 85º aniversário do seu nascimento [19/03] a transcrição integral de um texto da autoria de Helena Neves, com edição do Movimento Democrático das Mulheres (MDM) sobre Maria Alda Nogueira. Foi publicado em 1987 por ocasião da entrega pelo MDM da Distinção de Honra, numa homenagem a uma vida dedicada à defesa da igualdade, da justiça social e da paz.

       

(continuação)

Encontros e retornos de uma mulher


OS AMORES
        

Dos amores, dos primeiros e definitivos, nos fala Maria Alda. Do seu eclodir e dos ocasos, quando já resta somente a saudade do que foi e a dor pelo que já não mais será, vazia a emoção, indiferente o corpo, mas ainda presente a ternura, a memória.

Fala com o sentido de humor, meio irónico, meio terno que usa tanto nas palavras, nas frases, no desfilar dos sentimentos.

«O meu primeiro amor foi uma coisa muito complicada e simultaneamente uma coisa inesquecível. O primeiro amor…»

A paixão viria mais tarde «e foi uma paixão à primeira vista. Olhei-o e pensei “Se não tiver mais ninguém, este há-de ser o meu companheiro”…»

Sê-lo-ia. Durante anos. Uma vivência comum de luta, na clandestinidade. Uma ternura imensa. Um amor cheio de sobressaltos, de ausências, de retornos, de insegurança. Um folho.

«Queríamos ter um filho. Era um desejo partilhado. Era difícil economicamente, mas ousámos. Vivíamos privados de muita coisa mas porque, muitas vezes, estabelecíamos residência em zonas piscatórias ou agrícolas, sempre conseguíamos viver menos-mal. Recordo-me que numa das casas que tivemos, todos os dias passava um pescador a dar-nos peixe fresco só porque eu lhe dera umas calças velhas e uma camisola

Um filho. E muitas outras coisas que se não palpam, não têm corpo e deram corpo a tanto sonho, projecto, gestos juntos.

(continua)
                                  

O monopólio mediática da Prisa

   « Na sociedade da globalização neoliberal, exige uma informação globalizada, de sentido único que informe de acordo os interesses dessa mesma sociedade. Os grandes grupos mediáticos assumem nesta sociedade uma importância vital. “Um dos mais alardeados baluartes pelo capitalismo é a sua liberdade de expressão”, mas verdade é que em grupos económicos como a Prisa, os jornalistas têm cada vez mais toda a liberdade de escrever o que o patrão pensa

               
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Relação de empresas do grupo PRISA
:
  
                                                                                        

ESPANHA
                    

Imprensa:

Diario El País, S.L., Diario El País Internacional, S.A., Diario As, Estructura, Diario Cinco Días, Promotora general de revistas S.A., Box News Comunicaciones S.L., Eje de Editores Media, Dominical, Espacio Editorial Andaluza, Holding S.L., Diario Jaén S.A., El Correo de Andalucía S.L., Novotécnica S.A. (La Voz de Almería), Odiel Press S.L., El Correo de la Costa del Sol S.L., Redprensa S.A., Gestión de Medios de Prensa S.A.   

Revistas:

Rolling Stone, Cinemanía, Claves, Gentleman, Foreign Policy               

Televisão local:

Promotora de Emisoras de Televisión SA, Televisión Medios y Publicidad, Canal 4 Navarra SL, Localia TV Madrid S.A., Promociones Audiovisuales Sevillanas S.A., Productora de TV de Córdoba, Productora Audiovisual de Mallorca, Prodimesa, Productora Audiovisual de Badajoz, Productora Extremeña de Televisión, Productora Comunicación de Toledo, Málaga Altavisión, Gipuzkoa Televisión, Socater (TV autonómica de Canarias), Promotora Audiovisual de Zaragoza S.L.        

Rádio:

Sociedad Española de Radiodifusión S.A., SER Convencional, 40 Principales, Cadena Dial, M80, Radiol., Máxima FM, Sociedad de Servicios, Radiofónicos Unión Radio, S.A., Corporación Canaria de Información y Radio S.A., Sogecable Música S.L.        

Educação e formação:

Santillana, Grupo Santillana de Ediciones S.A., Alfaguara, Taurus, Aguilar, Altea, Richmond, Alamah, Canal de editores S.A., Suma de Letras S.L., Editora Moderna (Brasil), Santillana Formación, Instituto Universitario de Postgrado

Música:

Gran Vía Musical Discos, Muxxic, Horus, SunnyLuna, Freequency, Gran Vía Musical Eventos, Gran Vía Musical Distribución, Gran Vía Musical Editoras, Nova, Lirics & Music, Plural, Entertainment, Plural Luna, Tesela

Unidade de meios internacionais:

Grupo Caracol (Colombia), Sistema Radiópolis (México)

Participaciones de Radio Latino-americanas:

Chile, Costa Rica, Panamá, EUA, Francia, Progresa México, Rolling Stone México, Investissements Presse Regionale, Presse Europe Regions, Midi Libre

Recursos:

Gerencia de Medios, S.A. (GDM), Dédalo Grupo Gráfico, S.L.

Cabo:

Gran Vía Musical, Eventos, Canal Satélite Digital S.L., DTS, Distribuidora de TV Digital, S.A., Gestión de Derechos, Audiovisuales y Deportivos S.A., Audiovisual Sport, S.L., Euroleague, Marketing, S.L., Sociedad General de Cine, S.A., Sogepaq, Canal+ Investment Us Inc., StudioCanal Spain, S.L., Compañía Independiente de Televisión, S.L., Fox Kids España, S.L., Sogecable Fútbol, S.L., Cinemanía, S.L., Compañía Independiente de Noticias de Televisión, S.L. (CNN+)

Filmes patrocinados pela PRISA:

Los Otros, Abre los Ojos, Tesis, El Día de la Bestia, Lucia y el Sexo, Año Mariano, Secretos del corazón, Los amantes del circulo polar, El Barrio, La gran aventura de Mortadelo y Filemón, El espinazo del diablo, El Milagro de P. Tinto, Nadie conoce a nadie, 800 Balas, La caja 507, Los Lunes al Sol, Secretos del corazón

                  

PORTUGAL

                

Revistas:

Lux, Lux Deco, Lux Woman, Super Maxim, PC World, Computer World, Briefing, Casas de Portugal, Revista de Vinhos TVI;    

Televisão

TVI, RETI (Rede de Emissores de Televisão Independente);

Rádio:

Rádio Comercial, Rádio Clube Português, Cidade, Best RockFM, Romântica, Nacional, Mix;

Internet:        

Cotonete Internet (portal IOL, Portugal Diário, Mais Futebol, agênciafinanceira.com);

Recursos:          

Grupo NBP (principal produtor de telenovelas), Produção discográfica e de concertos, Empresas de outdoor – publicidade externa.

      

Nota: estes dados estão em constante mutação e não se incluem áreas de negócios não directamente ligadas com os média.

                
El País fabrica informação falsa, Carta do Secretário-geral da OEA
                                

Maria Alda Nogueira: Uma mulher, Uma vida, Uma história de amor (V)

   Iniciou-se no dia do 85º aniversário do seu nascimento [19/03] a transcrição integral de um texto da autoria de Helena Neves, com edição do Movimento Democrático das Mulheres (MDM) sobre Maria Alda Nogueira. Foi publicado em 1987 por ocasião da entrega pelo MDM da Distinção de Honra, numa homenagem a uma vida dedicada à defesa da igualdade, da justiça social e da paz.

       

(continuação)

Encontros e retornos de uma mulher


A LUTA DE MULHERES
         

Aos 17 anos Maria Alda Nogueira está na faculdade de Ciências. Será uma aluna brilhante. «Num curso quase exclusivamente feminino». Talvez porque implicava trabalho de laboratório e culturalmente as mulheres ligam-se à cozinha.

Algumas alunas desistiram pelo caminho. Só uma seguiu a investigação. A maioria foi para o ensino.

«Embora inicialmente eu seguisse para o ensino com o tempo entusiasmei-me com a investigação.»

Ao mesmo tempo que participa nas lutas académicas, como em 1942/43 contra o aumento das propinas, Maria Alda intensifica a intervenção, a actividade social e política. Envolve-se no combate pela paz espontaneamente.

Era o tempo das aldeias à míngua de cereais, as populações carentes dos géneros que iam para alimento das tropas nazis, as longas bichas de racionamento, as bandeiras negras, ondulantes de revolta nas mãos de mulheres, nas manifestações populares.

«Quando eu estava na Faculdade, ali na Rua da Escola Politécnica, soube que havia perto uma sede da Associação Feminina para a Paz, que enviava géneros par os prisioneiros dos campos de concentração nazis, que lutava pela paz e pelos direitos das mulheres e das crianças, e dirigi-me lá!

Tornei-me activista da Associação, conheci mulheres fantásticas, combativas, inteligentes, a Maria Valentina Trigo de Sousa, a Maria Helena Pulido Valente, a Glafina Lemos, assistente da faculdade, a Maria Letícia, a Francine Benoit, que dirigia o orfeão da Associação, a Manuela Porto

Com estas mulheres insubmissas e através delas, Maria Alda aprenderá muito.

«Aprendi imenso. Tínhamos muita correspondência a nível internacional, recebíamos filmes das embaixadas que fazíamos passar nos cinemas, para arranjar fundos para o socorro dos refugiados da guerra, aos perseguidos pelo fascismo, no estrangeiro e entre nós. Enviámos mesmo algum socorro para o Tarrafal. Simultaneamente a esta actividade funcionavam cursos de alfabetização, cursos de primeiros socorros.

Pela própria composição da Associação, pelas mulheres que a animavam, mas também pelas notícias que nos vinham dos países envolvidos no conflito, onde as mulheres ocupavam todos os postos de trabalho, começou a gerar-se a ideia de que os direitos da mulher estavam entrelaçados com a defesa da democracia, com a própria luta contra o fascismo

É a consciência ganha deste entrelaçar que a leva a escolher a movimentação, a luta feminina.

«Eu queria trabalhar com mulheres e pelas mulheres…»

Em 1945 conhece Maria Lamas e com ela, apoiando-a, o Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas renasce para um período apaixonante de actividade, de desenvolvimento. «O Conselho estava organizado só aqui em Lisboa e a Maria, tal como muitas de nós, considerava que era necessário alargá-lo a todo o país. Como eu dava aulas mas tinha uma vida bastante disponível, fui destacada para ir ao Algarve e lá consegui organizar várias delegações do Conselho, em Faro, Olhão, Silves, Montachique. Depois fui o Porto… Enfim, enraizámo-nos de facto. Tínhamos delegações na Figueira da Foz, em Coimbra, no Porto, na Marinha, nas Caldas.

Tínhamos várias actividades. Entre elas, os cursos de alfabetização. Recordo-me que em Olhão foi distribuída uma tarjeta pelas fábricas informando que no Conselho se ensinava a ler e a escrever e o largo onde eu morava e funcionava o Conselho, ficou pejado de mulheres, umas 200 ou 300, querendo vir às aulas. Foi um trabalho esgotante este, mas maravilhoso. Aprendi muito com a Maria e também ela aprendeu connosco – foi belo!»

Esta é a época do amadurecimento, em que Maria Alda se excede e se descobre nesse excesso, capaz de muito fazer e agir. Colabora nas “Mãos de Fada”, na revista “Modas & Bordados”, nas “Quatro Estações”, faz conferências sobre a mulher e a ciência. Vive. Apaixonada. Intensamente. E tal será sempre o seu modo de estar.

(continua)

                       

                       

No centenário do nascimento de José Gregório - Destacado dirigente do PCP

   «Em 19 Março faz cem anos que nasceu José Gregório, operário, militante e destacado  dirigente do Partido Comunista Português.

Filho da Marinha Grande, terra de operários, José Gregório deixou com o seu exemplo de comunista e revolucionário uma marca profunda que perdura até aos dias de hoje.

Temperado pelo trabalho, onde ingressou quando tinha apenas 8 anos, e pela luta pela melhoria das condições de vida dos trabalhadores, em que se destacou desde os 14 anos com a luta dos jovens trabalhadores vidreiros, a vida de José Gregório fica marcada pela luta contra o fascismo e pelo objectivo da construção de uma sociedade livre da exploração do homem pelo homem, pelo socialismo e comunismo

                 

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Maria Alda Nogueira: Uma mulher, Uma vida, Uma história de amor (IV)

   Iniciou-se no dia do 85º aniversário do seu nascimento [19/03] a transcrição integral de um texto da autoria de Helena Neves, com edição do Movimento Democrático das Mulheres (MDM) sobre Maria Alda Nogueira. Foi publicado em 1987 por ocasião da entrega pelo MDM da Distinção de Honra, numa homenagem a uma vida dedicada à defesa da igualdade, da justiça social e da paz.

       

(continuação)

Encontros e retornos de uma mulher


ADOLESCÊNCIA - A AMIZADE
          

Na adolescência, no liceu recebe influências ainda mais determinantes.

«No liceu tive como professora Maria Manuela Palma Carlos, uma mulher admirável que me despertou para as ciências humanas, para a literatura. Conheci também a Irene Alice de Oliveira, professora de História que me alargou a visão de história, do mundo e a Alice Graça, professora de Física, uma mulher republicana que tinha pertencido à Liga Republicana das Mulheres Portuguesas, uma mulher interessantíssima, muito avançada para a época e a Maria José Estanco, em Desenho. Todas elas me influenciaram. Muito

A adolescência é, também, a descoberta de amizades ainda mais profundas, enraizadas. A descoberta da amizade feminina. Da solidariedade feminina.

«No liceu, conheci a Cecília Simões, de quem me tornei muito amiga. E a Helena Magro. Passámos a andar sempre juntas. Tornou-se a minha amiga do coração. A Helena era quase como irmã, era a minha grande amiga, e acompanhou-me sempre. Ela foi para a clandestinidade primeiro que eu, mas estive a tomar a última refeição com ela. Sim, foi a minha melhor amiga cuja morte na clandestinidade eu senti muito

A amizade, a solidariedade entre mulheres, essa vivência nova, emotiva, plena, diferente, descobre-a Maria Alda neste tempo de juventude, festa, riso, conivência. Marcando-a. Definitivamente.

«Para além das amigas muito chegadas e próximas, eu gostava de viver em grupo também, de me juntar a outras colegas e amigas diferentes.

Juntas representávamos, fazíamos teatro, declamávamos, divertíamo-nos num simples encontro de todas em casa de uma de nós. Parodiávamos as professoras e a cada uma de nós. Até com os Lusíadas fizemos teatro. Assim nos divertíamos, nos conhecíamos, nos amávamos na amizade da alegria nascida.

Talvez isso correspondesse a uma necessidade (pelo menos em mim) de compensar a parte negra da vida vivida no próprio bairro, à nossa volta, por toda a parte sob o fascismo.

Ou talvez seja simplesmente porque como me disse um dia o médico, eu tenho o coração tão dilatado que cabe cá quase todo o mundo.

Aliás, esta necessidade de ter não apenas uma mas várias amigas, cada uma com o seu feitio, com as suas características, com os seus defeitos e boas qualidades, manteve-se e mantém-se uma constante da minha vida.

Ainda hoje eu amo as pessoas com os seus defeitos (e elas amam-me naturalmente com os meus), mas o que quero dizer é que sem esse grande grupo de amigas e amigos que ficam e estão (em pensamento é claro) sempre junto de mim, eu não conseguiria viver, estivesse onde estivesse.

Talvez por não ter tido nunca irmãs, talvez por encontrar nelas, e nas mulheres em geral aliás, muitos pontos de contacto, no sofrimento, na alegria, na expressão duma e doutra, ou talvez por procurar imaginar, enriquecer o conhecimento do humano na prática, neste caso o humano feminino, reflexo da imperecível imagem de minha mãe.

O meu irmão mais novo (Carlos Alberto), que nasceu quando tinha dezoito anos, foi uma nova etapa na minha vida e, nessa data, uma etapa de grande alegria. Quando pequenino eu passeava-o sempre que podia e mais tarde passeávamos, íamos à Tapada da Ajuda ali perto de casa, aos lindos jardins de Lisboa (Estrela e Conde d’Óbidos eram os mais frequentados por mais perto, mas também outros)

(continua)

                  

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