Terça-feira, 3 de Novembro de 2009

Exclusivo! Programa do Governo para a Economia!

Desenho do artista catalão (Jaume Capdevila) KAP

  • Ver o original no blogue de KAP

adaptado de um e-mail enviado pelo Jorge

                                                                  

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«Materialismo e Empiriocriticismo» - obra de Lénine faz cem anos

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Segunda-feira, 2 de Novembro de 2009

A Bíblia é para tomar à letra, ou não? Decidam-se!

Caim, em Portugal é editado pela Caminho, no Brasil pela Companhia das Letras, na Catalunha pela Edicions 62 e em castelhano, para a Espanha e América Latina, pela Alfaguara.

Vídeo da FJSaramago:

adaptado de um e-mail enviado pelo Jorge

                                                                     

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publicado por António Vilarigues às 12:02
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Isto não é um Concurso de Beleza

     Parece mas não é. Dir-se-ia que alguns jornalistas, comentadores e analistas andam a esforçar as meninges à procura de transmitir a mensagem de «mudança». Tudo (ou quase), dizem e escrevem, no XVIII Governo Constitucional é novo.

Mais ministros técnicos e menos políticos, dizem uns. Um parêntesis: alguém me explica o que é um «ministro técnico» ou «cheio de qualidades técnicas»? Há algum ministro de um governo, em qualquer país do mundo, que não seja político?

Mais mulheres escrevem outros, referindo a presença de 5 caras femininas no elenco ministerial. Há mesmo quem vá mais longe e fale no governo constitucional mais à esquerda (???). A cereja no bolo parece ser a inclusão na pasta do Trabalho de uma mulher ainda por cima sindicalista (UGT).

José Sócrates não fica atrás e no seu discurso de tomada de posse falou em «contexto de mudanças» (como não podia deixar de ser…). E definiu as suas prioridades: «(…) combate à crise, modernização, justiça social.».

Estamos no reino do faz de conta. A forma, a aparência, prevalece sobre os conteúdos concretos. Assistimos a um claro processo de manipulação, porque quem assim fala e escreve sabe perfeitamente que a realidade é outra.

A questão não é de rostos mais ou menos bonitos, de sexo masculino ou feminino, de mais tecnocrata e menos político ou vice-versa. O cerne da questão são as políticas reais e concretas que o governo vai levar à prática.

Desde logo uma questão essencial: quem vai pagar a crise? Quem lucra com ela, ou os mesmos do costume? É sabido que Portugal enfrenta uma grave situação económica e social. Que caminhos vão ser seguidos para a superar? Vão prosseguir as políticas que conduziram o país a um inquietante declínio económico e a um insustentável aumento das desigualdades e injustiças sociais?

Os desenvolvimentos mais recentes são inquietantes e não auguram nada de bom. Há sectores políticos e económicos que parecem sentir-se com novo ânimo e alento. Referimo-nos aos sectores mais retrógrados do grande patronato. Os exemplos, infelizmente, não faltam.

Do questionamento do acordo sobre o Salário Mínimo Nacional, às arrogantes declarações do presidente do BPI a propósito das margens de negócio da banca. Do anúncio dos despedimentos na Delphi e Quimonda, ao recurso a novos Lay-off. Da eminência da destruição da produção nacional de vidro plano na Covina/Saint Gobain, ao agravamento da situação de milhares de outros trabalhadores.

Também em muitas empresas do distrito de Viseu se vive uma preocupante situação social. Continuam os Lay-off, a retirada de direitos, a redução de salários, a crescente precarização dos vínculos laborais. No sector agrícola os agricultores vêm diminuir drasticamente os seus rendimentos por falta de escoamento dos produtos (vinho, maçã, azeite, gado, leite, etc.).

A realidade do país aí está a confirmar a urgência de uma nova política de ruptura e mudança. Capaz de abrir um outro rumo assente num desenvolvimento económico e sustentado do país, no combate às injustiças e na afirmação dos direitos e conquistas sociais.

Especialista em Sistemas de Comunicação e Informação

In "Jornal do Centro" - Edição de 30 de Outubro de 2009

                                                                                            

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Domingo, 1 de Novembro de 2009

Quem disse que alguns violadores de crianças tinham tido «coragem»?

    Bem, o título está um pouco sensacionalista mas temos que nos bater pelas audiências!... Praticamos um «jornalismo» isento e moderno. E chique! 

A frase (quase) completa é:

«I think of those in ... and some of the ... who have to face these facts from their past which instinctively and quite naturally they'd rather not look at. That takes courage, and also we shouldn't forget that this account today will also overshadow all of the good that they also did». 

Quem disse esta frase não foi o Diácono Remédios.

Aqueles que seguem religiosamente este blogue, como é a obrigação de todos os bons portugueses, e nem precisam de ser do Benfica, sabem, com certeza, a resposta. Ou será que não têm lido com atenção? Vá lá, confessem... 

As melhores respostas, que têm que ser justificadas e com uma redacção a acompanhar, ganharão uma ida à Terra Santa com estadias num campo de férias nas margens do Mediterrâneo e num dos muitos hotéis especialmente preparados. Mais Informações aqui.

Solução (mas não digam a ninguém...)

                                                                   

adaptado de um e-mail enviado pelo Jorge

                                                                   

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publicado por António Vilarigues às 14:05
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Confundir o toucinho com a velocidade

   A propósito destes comentários (AQUI, AQUI, AQUI e AQUI) a um meu artigo apetece-me dizer o seguinte:

  1. Sinto-me desvelado, palavra que sinto, com a estranha unanimidade destes bloguistas sobre o meu estado de espírito ao escrever o referido artigo.

  2. Tenho a informar, para quem me lê regularmente (como é o caso) não é novidade, que NUNCA me sinto «consolado» ou «satisfeito» a falar da existência de repressão, guerra, mortes, desemprego, pobreza.

  3. Como me ensinou a minha avó materna, se há quem ponha na nossa cabeça estados de alma em que nunca pensámos, é porque os próprios assim pensam. Será este o caso?

  4. Curiosamente, ou talvez não o essencial fica de fora: durante mais de meio século toda a população do globo, comunistas incluídos (o autor destas linhas também) foram educados nos milhões de mortos nos anos da direcção de Ióssif Vissariónovich Djugashvíli - Stáline.

  5. Há 20 anos (1989) foi criada na então URSS (por Gorbatchov) uma comissão multidisciplinar, composta na sua maioria esmagadora por pessoas anti regime. A sua finalidade era elaborar o primeiro estudo documentalmente baseado das repressões do regime soviético entre 1921 e 1953.

  6. Os resultados dos seus trabalhos foram publicados em 1993 na Rússia de Iéltsine. Os relatórios finais - com cerca de 9.000 (nove mil) páginas estão há disposição de quem os quiser ler e estudar.

  7. Os números revelados não foram contestados. Mas convém contextualizá-los. De 1921 a 1953 a URSS conheceu uma guerra civil. Uma invasão por 18 países. Um quase total cerco político, militar e económico. Uma guerra (1941-45) que provocou mais de 25 milhões de mortos (quase metade do total de mortos em todo o planeta durante a II Guerra Mundial) e a destruição de 1/3 da riqueza nacional. A guerra-fria.

  8. Desde então o que sucedeu está relatado no meu artigo: em 16 anos apenas uma entrevista a um órgão de comunicação social fora da Rússia. Por sinal o direitista espanhol La Vanguardia. De resto uma ignorância absoluta, um silêncio sepulcral.

  9. Nos últimos 16 anos chefes de estado, ministros, embaixadores, políticos, comentadores, analistas, jornalistas, todos a uma só voz, repetiram até à exaustão os milhões de mortos (que desde 1993 se sabem ser falsos) de Conquest, Soljenítsine, Medvedev e outros. Na mesma falsa base foram aprovadas resoluções em areópagos internacionais e em parlamentos nacionais.

  10. O essencial da «mensagem» (chamemos-lhe assim) do meu artigo está expressa na citação de um homem de direita - Rafael Poch: «(…) a guerra-fria acabou há uma década [há 16 anos] e já é hora de a propaganda dar lugar à história, e a conjectura ao documento.»

                  

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publicado por António Vilarigues às 00:09
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O estranho caso Zemskov

     Víktor Nikoláievitch Zemskov é russo e historiador. Tem do mundo uma visão profundamente conservadora e anti-socialista: «E antes de isso [a Revolução de Outubro de 1917 na Rússia], ainda que a Rússia fosse da periferia europeia, tinha sido um país civilizado. Isto é, quanto mais civilizado é um país, tanto menos desejável é a revolução pelas terríveis consequências que esta tem».

Em 1989, cumprindo uma directiva do Bureau Político de Mikhail Gorbatchov, a Academia de Ciências criou uma equipa, na qual, a par de Zemskov, participaram outros reputados historiadores russos como A.N. Dúgine e O.V. Khlévniuk. O objectivo era esclarecer as reais dimensões da repressão stalinista.

Zemskov e a sua equipa tiveram pela primeira vez acesso a um dos sectores mais secretos dos arquivos do Ministério do Interior (MDV-MGB) e da polícia de Estado (OGPU-NKVD). Os resultados do seu trabalho foram publicados na URSS e na Rússia entre 1990 e 1993, num trabalho com cerca de 9 000 (nove mil) páginas.

Os relatórios de investigação russos dão resposta a uma quantidade muito grande de perguntas. O que era o sistema correccional soviético? Qual era o número de presos, políticos e de delito comum? Quantos mortos houve nos campos de trabalho? Quantos foram os condenados à morte até 1953 e em especial durante as depurações de 1937-38? Qual era em geral o tempo de prisão?

Zemskov documentou que entre 1921 e 1953 foram «reprimidas» quatro milhões de pessoas. De entre elas, o regime soviético fuzilou por motivos políticos cerca de 800 mil pessoas, em concreto 799 455.

Longe, muito longe, dos milhões, dezenas de milhões, mais de 100 milhões, referidos por Conquest, Soljenítsine, Medvedev e outros. Seria como se de repente nos viessem demonstrar que nos campos de concentração nazis não morreram cerca de doze milhões de pessoas (mais de 3,5 milhões eram soviéticos), mas sim 1,2 milhões ou mesmo 120 mil.

Como termo de comparação refira-se que de acordo com o relatório intitulado «Prisioneiros em 2005», havia 2 193 789 pessoas presas nos Estados Unidos em Dezembro de 2005. Mais 4,1 milhões estavam presos temporariamente e cerca de 800.000 em liberdade condicional. Estes números totalizam mais de 7 milhões de pessoas — o que representa 1 em cada 32 norte-americanos adultos — que estariam sob algum tipo de supervisão do sistema prisional dos EUA. (AQUI).

Estamos, qualquer que seja o prisma de análise, perante uma verdadeira «bomba atómica» política, ideológica, jornalística merecedora de profundo debate e discussão. Mas a realidade é outra.

Sobre esta importantíssima investigação (já com mais de dezasseis anos!!!) abateu-se um silêncio de chumbo. Os meios de comunicação social votaram-na ao esquecimento. A única excepção parece ser a entrevista ao jornal espanhol, assumidamente de direita, La Vanguardia, edição de 3 de Junho de 2001, de onde são retiradas as citações (publicada no blog em português «Para a História do Socialismo»). Na Internet encontramos, literalmente, uma meia dúzia de referências. Nos meios académicos estas investigações passaram quase totalmente desapercebidas. Os relatórios foram publicados em revistas científicas de pouca venda e praticamente desconhecidas do grande público: em França na revista L'Histoire em Setembro de 1993, nos EUA na revista The American Historical Review. Conhecem-se uns escassos livros (apesar de alguns dos investigadores russos hoje viverem e trabalharem nos EUA).

Como diz o jornal La Vanguardia na edição referida: «(…) a guerra-fria acabou há uma década e já é hora de a propaganda dar lugar à história, e a conjectura ao documento.».

Especialista em Sistemas de Comunicação e Informação 

In jornal "Público" - Edição de 30 de Outubro de 2009

                                                                                      

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publicado por António Vilarigues às 00:06
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