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O CASTENDO

TERRAS DE PENALVA ONDE «A LIBERDADE É A COMPREENSÃO DA NECESSIDADE»

O CASTENDO

TERRAS DE PENALVA ONDE «A LIBERDADE É A COMPREENSÃO DA NECESSIDADE»

O estado a que Portugal chegou, por que chegou a ele, e como sair dele

São de leitura obrigatória os estudos de Eugénio Rosa sobre a realidade económica e social de Portugal:

«Numa altura que Portugal vive a crise mais grave depois do 25 de Abril, em que está em curso uma gigantesca operação de manipulação da opinião pública, levada a cabo pelo governo, pela direita, e pelos comentadores que têm acesso privilegiado aos grandes media, para levar os portugueses a pensar que existe apenas uma “solução” – a dos PEC´s e agora a da U.E., BCE e FMI- que devem aceitar e resignar-se, é fundamental mostrar que existe uma alternativa que, para ser mobilizadora, terá de ser global, coerente, consistente e exequível, não podendo se limitar a meras palavras de ordem, ou a propostas ou reivindicações isoladas ou desarticuladas. Mas para isso é necessário saber como se chegou e por que se chegou à actual situação.

A situação actual é muito diferente da que existia aquando das intervenções do FMI em1978/79 e em 1983/84. E isto porque foi a partir da última intervenção do FMI em Portugal, que se iniciaram, com Cavaco Silva, as privatizações em larga escala das empresas públicas, perdendo o Estado instrumentos importantes de politica macroeconómica, e passando o poder económico a dominar o poder politico e a condicionar toda a politica económica do País. Pode-se mesmo dizer que a situação actual do Pais resulta de uma politica económica orientada para servir os objectivos desses grupos de elevados lucros. Para o conseguir, face ao crescimento anémico da economia portuguesa, o País, o Estado, as empresas e as famílias endividaram-se profundamente.»

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Fernando Nobre, o «Categórico»

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Veja mais enobridades neste blogue:

adaptado de um e-mail enviado pelo Jorge

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A banca manda e PS, PSD e CDS ajoelham

   1. Portugal foi arrastado para uma crise política que era totalmente evitável. Essa crise foi provocada no pior momento possível. Sabemos por que provocaram essa crise: por ambição de poder. Ambição de poder a qualquer custo.

Poucos momentos haverá em que a leviandade política e o calculismo partidário provocaram danos tão graves e tão profundos no interesse nacional. Poucos momentos haverá em que são tão evidentes as consequências devastadoras para a vida das pessoas, da irresponsabilidade e da sofreguidão pelo poder.

Não, lamento. O caso é demasiado grave. Não há fuga possível às responsabilidades políticas por esta crise!

Não podíamos estar mais de acordo! Estas palavras foram retiradas do discurso de José Sócrates no encerramento do Congresso do PS. Elas aplicam-se que nem uma luva ao seu autor e ao seu Governo. Nada, mesmo nada, obrigava o Governo a demitir-se. Na Assembleia da República não foi aprovada nenhuma moção de censura. Foi o primeiro-ministro que, pelas razões por ele próprio enunciadas acima, se autodemitiu.

Abandonado hipocritamente por PSD e CDS, que sempre apoiaram, e apoiam, as medidas dos PEC e do Orçamento do Estado (OE), mas quiseram sacudir responsabilidades na sua aplicação. Todos os três partidos do «pote», na feliz expressão do líder do PSD. Esse tão apetecido «pote» que, como disse Jerónimo de Sousa, há mais de três décadas alimenta as concubinadas clientelas dos grandes interesses económicos e das elites de PS e PSD e no qual CDS-PP molha também a colher. E cuja disputa os levou a construir e desencadear a presente crise governativa.

Esta realidade expressa bem como a mentira, a manipulação e o cinismo são elaboradas, planeadas e sistematizadas por estes senhores. A 5 de Junho saberemos quem se enganou nos cálculos. E o tempo nos dirá quem enganou quem.

2. A banca manda e o Governo obedece, PS, PSD e CDS ajoelham! Os banqueiros vieram dizer ao país que já não aguentavam mais sacrifícios. Mentira descarada. Qual é a realidade?

Contas feitas pelo economista Eugénio Rosa indicam que, segundo os dados do Banco de Portugal, no período 2000-2010, a dívida total líquida externa do país aumentou em 269 por cento. A dívida líquida externa do Estado cresceu 122,6 por cento, menos de metade do crescimento da dívida do país. Mas a dívida líquida da banca e das empresas ao estrangeiro aumentou 629,2 por cento (!!!), isto é, cinco vezes mais do que o aumento percentual da dívida externa do Estado.

Uma das características da actual crise é a transformação da dívida privada, contraída pelo sistema financeiro com as suas trampolinices e «lixos tóxicos» em dívida pública a ser paga por todos nós.No caso de Portugal, os dados são esclarecedores.

Desde 2008 (em euros) a banca portuguesa recebeu quatro mil milhões dados pelo Governo; 20 mil milhões em avales; cerca de 7,7 mil milhões (ou quase cinco por cento do PIB de Portugal) enterrados no BPN, dos quais dois mil milhões já aparecem nas contas públicas; cerca de 450 milhões no BPP; cerca de quatro mil milhões (2008 a 2010) só em juros roubados dos nossos impostos no esquema de "eu (banco português) vou ao BCE pedir a um por cento e empresto-te a 4, a 5, a 6, a 7, a 8, a 9... por cento"; pagamento do IRC a rondar em média os 10 por cento (quando a taxa é de 25 por cento); no OE para 2011 avales no valor de 20,181 milhões e ajudas para aumentos de capital de 9,146 milhões; lucros líquidos em 2010 iguais aos de 2009 - cinco milhões de euros dia - pagando metade dos impostos. E dizem que já não aguentavam mais sacrifícios?!

Entretanto, o comissário europeu para os Assuntos Económicos relevou que é «quase certo» que parte dos 80 mil milhões da chamada ajuda para Portugal será canalizada para a banca portuguesa. Para, nas suas palavras, «assegurar a estabilidade financeira da banca» ...

Os portugueses não estão condenados a ter que aceitar as saídas daqueles que até hoje conduziram o país para a dependência e para o crescente endividamento. São necessárias e possíveis outras soluções. Que garantam o desenvolvimento do país com uma nova política patriótica e de esquerda!

Especialista em Sistemas de Comunicação e Informação

In jornal "Público" - Edição de 15 de Abril de 2011

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