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O CASTENDO

TERRAS DE PENALVA ONDE «A LIBERDADE É A COMPREENSÃO DA NECESSIDADE»

O CASTENDO

TERRAS DE PENALVA ONDE «A LIBERDADE É A COMPREENSÃO DA NECESSIDADE»

Maria Alda Nogueira: Uma mulher, Uma vida, Uma história de amor (IV)

   Iniciou-se no dia do 85º aniversário do seu nascimento [19/03] a transcrição integral de um texto da autoria de Helena Neves, com edição do Movimento Democrático das Mulheres (MDM) sobre Maria Alda Nogueira. Foi publicado em 1987 por ocasião da entrega pelo MDM da Distinção de Honra, numa homenagem a uma vida dedicada à defesa da igualdade, da justiça social e da paz.

       

(continuação)

Encontros e retornos de uma mulher


ADOLESCÊNCIA - A AMIZADE
          

Na adolescência, no liceu recebe influências ainda mais determinantes.

«No liceu tive como professora Maria Manuela Palma Carlos, uma mulher admirável que me despertou para as ciências humanas, para a literatura. Conheci também a Irene Alice de Oliveira, professora de História que me alargou a visão de história, do mundo e a Alice Graça, professora de Física, uma mulher republicana que tinha pertencido à Liga Republicana das Mulheres Portuguesas, uma mulher interessantíssima, muito avançada para a época e a Maria José Estanco, em Desenho. Todas elas me influenciaram. Muito

A adolescência é, também, a descoberta de amizades ainda mais profundas, enraizadas. A descoberta da amizade feminina. Da solidariedade feminina.

«No liceu, conheci a Cecília Simões, de quem me tornei muito amiga. E a Helena Magro. Passámos a andar sempre juntas. Tornou-se a minha amiga do coração. A Helena era quase como irmã, era a minha grande amiga, e acompanhou-me sempre. Ela foi para a clandestinidade primeiro que eu, mas estive a tomar a última refeição com ela. Sim, foi a minha melhor amiga cuja morte na clandestinidade eu senti muito

A amizade, a solidariedade entre mulheres, essa vivência nova, emotiva, plena, diferente, descobre-a Maria Alda neste tempo de juventude, festa, riso, conivência. Marcando-a. Definitivamente.

«Para além das amigas muito chegadas e próximas, eu gostava de viver em grupo também, de me juntar a outras colegas e amigas diferentes.

Juntas representávamos, fazíamos teatro, declamávamos, divertíamo-nos num simples encontro de todas em casa de uma de nós. Parodiávamos as professoras e a cada uma de nós. Até com os Lusíadas fizemos teatro. Assim nos divertíamos, nos conhecíamos, nos amávamos na amizade da alegria nascida.

Talvez isso correspondesse a uma necessidade (pelo menos em mim) de compensar a parte negra da vida vivida no próprio bairro, à nossa volta, por toda a parte sob o fascismo.

Ou talvez seja simplesmente porque como me disse um dia o médico, eu tenho o coração tão dilatado que cabe cá quase todo o mundo.

Aliás, esta necessidade de ter não apenas uma mas várias amigas, cada uma com o seu feitio, com as suas características, com os seus defeitos e boas qualidades, manteve-se e mantém-se uma constante da minha vida.

Ainda hoje eu amo as pessoas com os seus defeitos (e elas amam-me naturalmente com os meus), mas o que quero dizer é que sem esse grande grupo de amigas e amigos que ficam e estão (em pensamento é claro) sempre junto de mim, eu não conseguiria viver, estivesse onde estivesse.

Talvez por não ter tido nunca irmãs, talvez por encontrar nelas, e nas mulheres em geral aliás, muitos pontos de contacto, no sofrimento, na alegria, na expressão duma e doutra, ou talvez por procurar imaginar, enriquecer o conhecimento do humano na prática, neste caso o humano feminino, reflexo da imperecível imagem de minha mãe.

O meu irmão mais novo (Carlos Alberto), que nasceu quando tinha dezoito anos, foi uma nova etapa na minha vida e, nessa data, uma etapa de grande alegria. Quando pequenino eu passeava-o sempre que podia e mais tarde passeávamos, íamos à Tapada da Ajuda ali perto de casa, aos lindos jardins de Lisboa (Estrela e Conde d’Óbidos eram os mais frequentados por mais perto, mas também outros)

(continua)

                  

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