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O CASTENDO

TERRAS DE PENALVA ONDE «A LIBERDADE É A COMPREENSÃO DA NECESSIDADE»

O CASTENDO

TERRAS DE PENALVA ONDE «A LIBERDADE É A COMPREENSÃO DA NECESSIDADE»

E SE NÃO EXISTISSEM PROFESSORES?

    Um amigo aqui de Viseu de seu nome Bruno Lamelas produziu para a empresa de publicidade onde trabalha, a «Celeuma», uma ideia simples e fabulosa. «Imagine um mundo sem professores». É este pensamento que quero hoje partilhar com os leitores.

Por vezes a melhor maneira de apresentar um conceito é evidenciar o seu contrário. Recorrendo à antítese como recurso estilístico para, neste caso, falarmos da importância dos professores na sociedade. Como pilares de relacionamento ou desenvolvimento. Como promotores da cultura, da palavra, do diálogo, da ciência, da gramática, da matemática. Tudo conceitos que entroncam naturalmente na educação. Conceitos indissociáveis, pois a sua perenidade depende directamente de factores educacionais. Como seria pois um mundo de «não educação»?

Imagine um mundo onde estas palavras aqui escritas não passam de riscos. Imagine um mundo sem palavras. Imagine um mundo onde os livros não se lêem. Imagine um mundo onde as palavras não têm sentido. Imagine um mundo onde ninguém se percebe. Imagine um mundo sem poesia. Imagine um mundo sem música. Imagine um mundo sem letras. Imagine um mundo sem números. Imagine um mundo onde as leis se apagaram. Imagine um mundo onde ninguém sabe trabalhar. Imagine um mundo onde ninguém faz contas. Imagine um mundo onde ninguém sabe falar. IMAGINE UM MUNDO SEM PROFESSORES.

Imagine um mundo sem português, sem física, sem química. Imagine um mundo sem memória. Então talvez possamos concluir, com o Bruno Lamelas, que Portugal precisa deles, mestres do conhecimento, na conquista do futuro.

E que talvez mereçam um pouco mais de respeito dos poderes instituídos e de todos nós. Vem isto a propósito de algumas notícias, comentários e análises que por aí circulam. Na comunicação social e na blogosfera. Nas caixas de comentários e nas cartas aos directores. Mas sobretudo oriundas dos gabinetes governamentais.

Desde logo alguns conceitos peregrinos sobre o papel das manifestações. Cem mil pessoas na rua podem derrubar governos desde que seja a leste do meridiano de Berlim e a oeste do de Tóquio. Fora disso ficámos a saber que para o engenheiro José Sócrates (e não só) sociedade civil forte sim, desde que não se expresse em movimentações sociais. Sociedade civil, sim, mas se a sua concretização se manifestar no associativismo para escutar os pássaros no alto das montanhas do Arizona, e não em manifestações por todo o país, na feliz imagem de António Costa Pinto.
Depois, difunde-se a ideia, igualmente peregrina, de que reforma boa é a que tem a oposição de uma classe (quase) inteira. Já que estamos nessa onda, que critério de avaliação é este? Não são os resultados obtidos, face ao objectivo pretendido, analisados de uma forma sistémica que contam? Não? Então é melhor alterarem os programas que nas escolas e nas Universidades andam a ser ensinados. E as consultoras que se ponham a pau. Os seus paradigmas pelos vistos estão errados de fio a pavio. A menos que o objectivo pretendido fosse pura e simplesmente destruir a escola pública…
Finalmente a desonestidade intelectual (e não só) pura e dura. Os professores não querem avaliação. Não querem alterações. Querem trabalhar pouco. Os sindicatos não têm alternativas, nem propostas concretas. Eu sei, trabalho no sector, que o infoanalfabetismo é muito grande em Portugal. Mas custa muito ir aos sites da FENPROF e sindicatos nela filiados? Está lá tudo.
Termino como comecei. IMAGINE UM MUNDO SEM PROFESSORES.


Especialista em Sistemas de Comunicação e Informação

                    

In jornal "Público" - Edição de 21 de Março de 2008

                

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