Domingo, 13 de Abril de 2008

Angola, um país em construção, livre e soberano

    «O MPLA acolhe no seu seio diversas tendências que no plano governativo e no plano do desenvolvimento económico e social continuam a ser uma incógnita. Mas existe a vontade de não transformar a sociedade angolana numa sociedade capitalista no sentido clássico é um objectivo. Consegui-lo-á? Essa é a questão.» As palavras são do Secretário-Geral do PCP, Jerónimo de Sousa, que dá conta em entrevista ao Avante! dos resultados da sua recente visita a Angola e África do Sul. Nesta edição falamos da situação em Angola. No próximo número será a vez da África do Sul. Para ambos os casos, uma conclusão comum: o PCP reforça os laços de amizade e solidariedade com os partidos que nos respectivos países têm a cargo ou partilham a responsabilidade de construir uma sociedade mais justa.

              

Quais foram os objectivos desta visita ao continente africano?
                     
Jerónimo de Sousa
– No quadro das nossas relações internacionais, das nossas relações bilaterais, damos uma grande importância a Angola para contactos e conversações com o MPLA e, em relação à África do Sul, para um reforço das fortes relações que temos com o Partido Comunista Sul-Africano e com o próprio ANC no quadro da visão política internacional que temos e no quadro da necessidade que sentimos de desenvolvimento das relações com partidos progressistas de África. Cremos que foi uma visita com êxito, de que a conclusão mais forte é o reforço das relações bilaterais , bem como um melhor conhecimento da realidade, dos problemas e da evolução política e social destes dois países, e simultaneamente a confirmação da grande admiração e respeito que estes dois partidos têm pelo Partido Comunista Português, baseada na história da luta comum contra o apartheid, contra o colonialismo, e pela liberdade e democracia nestes dois países.

                                           

Ler Texto Integral da Entrevista com Jerónimo de Sousa, Secretário-Geral do PCP

                                 

sinto-me:
publicado por António Vilarigues às 12:38
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6 comentários:
De al kantara a 13 de Abril de 2008 às 14:57
Caro Castendo, por estas e por outras é que o diálogo se torna difícil. Quando é que o PCP compreende que não é possível justificar o injustificável ? A verdade é que Angola é uma cleptocracia em andamento, onde os milionários são generais do MPLA e/ou familiares do presidente, onde o suborno e a corrupção fazem parte do dia-a-dia da realidade económica, à custa do sub-desenvolvimento sócio-económico da esmagadora maioria da população. Fazer um diagnóstico benevolente e optimista da situação, como o faz o seu secretário-geral é prestar fraco serviço à causa socialista. Palavra de honra que gostaria de ser mais cordato, mas garanto-lhe que no caso em apreço, não sou mesmo capaz...
De António Vilarigues a 13 de Abril de 2008 às 19:48
Caro Al Kantara,
Deixando a questão de Angola para outra oportunidade, com mais tempo, porque é que o diálogo se torna difícil?
Opiniões divergentes todos temos. Ou passa-lhe pela cabeça que, por exemplo, entre as dezenas de milhares de militantes do PCP pensamos todos da mesma maneira sobre todos os assuntos?
Eu sei que os nossos adversários e inimigos se esforçam por passar essa mensagem,por vezes com sucesso, mas espero que seja mais perspicaz.
De al kantara a 13 de Abril de 2008 às 21:48
Caro Castendo, penso ter a perspicácia e a experiência de saber que as dezenas de milhar de militantes do PCP não pensam todos da mesma forma sobre todos os assuntos. Tenho, no entanto, a surpresa de ler a entrevista laudatória de Jerónimo de Sousa para com um regime absolutamente abstruso (com toda certeza pelas melhores razões de estratégia internacional) e verificar que (pelo menos em público) nenhuma voz se levanta para dizer que Angola é aquilo que eu disse que era. Pelo contrário, até o caro Castendo se sente impelido (provavelmente por um sentido de lealdade que posso respeitar mas com o qual discordo) a colocar no seu blog um post sobre essa entrevista do secretário-geral do PCP ao jornal Àvante, não levantando sobre ela qualquer objecção. De qualquer forma, o "é por isso que o diálogo é difícil" não resulta da falta de inteligência argumentativa dos militantes e dirigentes do PCP. Era mais um desabafo a constatar o jeito que o partido tem (e se calhar sempre teve) para, no plano internacional, fazer escolhas polémicas que se vêm a revelar desastrosas e que têm retirado credibilidade, no plano interno, à acção política.
De António Vilarigues a 14 de Abril de 2008 às 10:02
Caro Al Kantara,
Antes de mais justificar o atraso na colocação do seu comentário. Tenho activa a moderação de comentários, mas só para anónimos. Vá-se lá saber porquê o SAPO considera anónimos 3 ou 4 visitas habituais, devidamente identificadas. Já reportei e estou à espera que me resolvam o problema,
Quanto a Angola quarta-feira falamos (tenho um trabalho urgente para terminar imperetrivelmente amanhã).
De António Vilarigues a 14 de Abril de 2008 às 18:51
Sempre arranjei um tempinho. Alguns conceitos:
1. Para nós comunistas não há «políticas nacionais», mas sim políticas de classe. Não há uma política europeia. Há uma política das classes dominantes e outra das classes dominadas.Não há OE bons. Há OE que são bons para os interesses dominantes e maus para os trabalhadores, ou vice-versa;
2. Para nós comunistas, tudo é dialéctico. Com multifacetadas realidades que devem sempre ser analisadas, sob pena de caminharmos para o erro;
3. Em Angola há corrupção, como há em Portugal. Como há em todo o mundo capitalista. Como há em países que edificam o socialismo (embora com formas e conteúdos diversos e diferentes);
4. Mas não há SÓ corrupção. Há muito mais vida para além da corrupção. Creio que é isso que Jerónimo de Sousa procura salientar;
5. Algumas ideias que me parecem relevantes:
«o PCP e o MPLA, apesar das suas relações de longa data, seguiram nos últimos anos caminhos políticos que estão longe de ser convergentes.»;
Os problemas de fundo da Guerra de 30 anos (tente imaginar como estaria Portugal numa situação semelhante), de Luanda e da perda dos aliados dos países socialistas;
O reconhecimento da corrupção «É um facto» e da existência de sectores que a combatem;
«o MPLA não é um partido comunista, é um partido que acolhe no seu seio comunistas, progressistas, social-democratas, numa grande frente nacional patriótica»;
Sobre a soberania: «É claro que podemos questionar os caminhos dessa soberania…»;
Sobre o poder: «É evidente que o poder atrai sempre, mas o que se sente por parte dos militante é o empenhamento sincero nos objectivos originais do movimento, é a recusa da guerra e um grande desejo de paz que hoje é assumido pelo MPLA como um grande objectivo. O povo angolano está cansado da guerra e quer a justiça social. »;
Sobre o Zimbawe: «E a grande lição a tirar é que não basta conquistar o poder, não basta conquistar a liberdade e a democracia, é preciso depois efectivá-las, e o governo de Mugabe não foi capaz de responder a esses anseios do povo.»;
Sobre o MPLA: «Traduzido no plano ideológico não é fácil. O MPLA afirma ser uma força que quer rever-se nos objectivos pioneiros da revolução libertadora, que olha para o mundo com preocupação, tendo em conta a globalização capitalista e este esforço do imperialismo de reavivar algumas teses e objectivos neocolonialistas. É aqui que se coloca o grande ponto de interrogação, ou seja, trata-se de saber o que é flexibilidade táctica ou estratégica e o que é cedência com consequências profundamente negativas, designadamente no plano ideológico.
Como já referi, o MPLA acolhe no seu seio diversas tendências, que depois no plano governativo e no plano do desenvolvimento económico e social continuam a ser uma incógnita. Mas existe a vontade de não transformar a sociedade angolana numa sociedade capitalista no sentido clássico é um objectivo. Consegui-lo-á? Essa é a questão.»
6. Para o PCP «ser solidário» não é sinónimo de estar de acordo com tudo;
Esta é a minha "leitura" da entrevista.
De al kantara a 14 de Abril de 2008 às 20:30
Caro Castendo,
Agradeço-lhe genuinamente o tempo que gasta a trocar comigo ideias que nos aproximam às vezes, e que nos afastam outras tantas. Sobre a sua "leitura" da entrevista, deixe-me explanar-lhe umas quantas objecções :
1 - Tomando como sempre bom o conceito de luta de classes, em Angola existe uma classe dominante que detém o poder e privilégios obscenos e não está obviamente disposta a abrir mão deles. Pressentir que essa classe dominante está preparada para combater a corrupção que a enriqueceu é, no mínimo, ingénuo. Não compreendo que sectores do poder é que Jerónimo de Sousa entende como interessados em combatê-la.
2- A simples manifestação de vontade do MPLA em não transformar a sociedade angolana numa sociedade capitalista é bem pouco comparada com o enorme fosso sócio-económico que não soube ou não quis evitar entre os possidentes (já que nem se pode falar de burguesia pois não estamos a falar só de detentores dos meios de produção. Estamos a falar de uma casta que se apropriou política e militarmente das riquezas naturais de Angola e que, através do suborno e da corrupção, continua a engordar) e a grande maioria da população.
3 - Quanto ao prestígio que Jerónimo de Sousa encontra em Eduardo dos Santos, lamento que o seu secretário-geral se junte às dezenas de tontinhos pertencentes ao lumpen-jet-set português, sempre pronto a tudo por um croquete grátis, que lhe encontram tal prestígio. (Veja lá que, quando do casamento faraónico da filha do presidente angolano, disputaram rijamente o convite e o lugarzinho no avião para assistirem a tão urbano e cívico acontecimento!)
4 - Quanto a mim, ser solidário não é sinónimo de estar de acordo com tudo. Mas é sinónimo de pressentir alguma decência . O que não me parece ser o caso.
Por isso, o meu diagnóstico da situação angolana é muito menos benevolente que aquele que Jerónimo de Sousa transmite. A História decidirá quem tem razão...

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