Segunda-feira, 8 de Setembro de 2008

Bloco de Esquerda: Um neo-reformismo de fachada socialista (IV)

Texto de José Manuel Jara

    (continuação)

3- A maioridade parlamentar e o eleitoralismo

Desde a sua fundação em 1999, o BE artilhou sempre as suas baterias políticas para os actos eleitorais, sempre com a maior abertura possível. Os congressos, que tomam na sua terminologia original a designação de «convenções», antecedem quase sempre os actos eleitorais. No manifesto inaugural, «Começar de Novo» (1999), este propósito é claramente formulado: «O desafio que colocamos à sociedade portuguesa é o da emergência de uma nova iniciativa política. Formalmente, ela será um partido para se poder apresentar às eleições

Na primeira «Convenção» (29/30.01.00), o lema é «Novos tempos/Nova esquerda», um slogan claramente propagandístico, que visa o terreno eleitoral. O seu cartão de identidade (Debates, n.º 3, p. 31), definido no ponto 5.1.2 sintetiza-se assim: «O Bloco de Esquerda quer ser um novo movimento e não mais um partido

Esta «lógica de movimento» visa claramente atrair pela inovação, procurando um consumidor para o novíssimo «produto», nunca visto, up to date, coisa do século XXI, empacotado com belas palavras, no que de modo muito geral poderemos chamar o mercado eleitoral, neste mundo em que tudo se vende. Aliás a própria informalidade é um chamariz: «(…)a experiência deste ano indica que o Bloco se pode continuar a desenvolver como movimento desde que todos e todas nele actuem em base individual, com igualdade de direitos e deveres.» (idem, p.31). Aqui encontramos o modelo nítido da clientela, em que a pessoa é chamada como «indivíduo», guindada de modo fictício a uma posição nivelada pelos líderes, que, de tão democráticos, comungam com as bases, tanto como os «aderentes» se «apresentam» ao vivo às cúpulas. A supressão simulada da distinção entre dirigentes e dirigidos, promessa sui generis do movimento, tem como modelo a condição formalmente reconhecida de um voto a cada cidadão. Como o Bloco é fundamentalmente uma formação eleitoralista, em que o fim principal é aumentar sempre os votos, está decifrado o seu verdadeiro código em acto. Só que, por limitações de casting, tal como para os outros partidos, os eleitos são uns tantos, as mesmas caras, sendo a maioria dos eleitores anónimos, tanto em Lisboa como em Freixo de Espada à Cinta.

    O eleitoralismo é a imagem de marca do Bloco. A publicidade e a propaganda eleitoral os traços mais salientes no seu modus operandi. O estilo psicológico dos seus líderes pauta-se pela desenvoltura autoconvencida e o auto-elogio engraçado e pedante. É como se estivessem sempre a repetir até à saciedade, «nós é que somos os bons», «nós os inteligentes». O toque professoral e o tique de predicador inscrevem-se neste esquema. Veja-se o estilo do comentador do BE, Daniel de Oliveira, no Expresso, onde não perde pitada para zurzir no PCP, do alto do seu posto na imprensa burguesa.

As grandes palavras, as frases bombásticas, têm por destinatário o eleitor, clamando para o voto. Na III Convenção do Bloco, pré-eleitoral como sempre, o lema sublime é a frase, «Da política da crise à política do socialismo». As «propostas» (ao eleitor!) são o «pleno emprego», a «modernização democrática» (por oposição à chamada «modernização conservadora (!), a «reforma fiscal» («referência fundadora» do Bloco) e a «globalização alternativa» (resposta verbal à «globalização neoliberal»). Vê-se muito bem que os dirigentes escolheram o menu para satisfazer gostos diversificados, para pescar votos em várias classes, gerações e outras condições como o género e minorias.

Não admira que, com a embalagem obtida em algum sucesso eleitoral, o cartaz se tenha aprimorado, com slogans triunfalistas, vertidos em enunciados como «Tempo de viragem», «Novo ciclo de política», «Uma esquerda de confiança», «Dez prioridades para cem dias de mudança». Este último «programa», para as eleições parlamentares de 2005, calendariza-se, pasme-se, «para os primeiros cem dias do novo parlamento», como se fosse uma agenda de governo pré-formado. Independentemente da justeza de algumas propostas, como a alteração da lei do aborto, é óbvio que o cardápio do «contrato parlamentar» faz parte, no essencial, de um propósito eleitoralista, baseado em temas concretos para aliciar votos.

A partir da V Convenção (2007), o Bloco parece querer dar um grande salto em frente. Assim, em vez de repisar que é o «socialismo de esquerda», passa a identificar-se como «a esquerda socialista». O grande filão eleitoral, depois das desilusões do Governo de Sócrates, estaria no eleitorado «socialista». Então, que melhor remédio para o direitismo do PS do que a alternativa «esquerda socialista»? Os bons propósitos bloquistas vão então combinar as reivindicações sociais de largo espectro com bombásticas «declarações de guerra» à «casta de administradores» e ao «sistema social de corrupção». Radicalismo verbal, para dar o tom… (Moção A da V Convenção, aprovada).

Num documento publicado pela Mesa Nacional do BE (Março de 2006), intitulado «O rumo estratégico do Bloco», diz-se, sem rebuços: «A nossa resposta é, por isso, que o campo de crescimento do Bloco é muito grande, precisamente porque quer representar a maioria.»

O Partido que se chama «bloco» atingiu a maioridade, quer ser maior, quer ser o maior. Basta-lhe a propaganda mimética «socialista», na caça ao voto.

    Daí a lenga-lenga: «O Bloco quer transformar-se num grande partido político» (Louçã, JN, 9.05.03), «O Bloco quer destruir o actual mapa político português» (DN - Louçã, 16.08.07), «Quero conquistar a maioria» (Louçã, Expresso, 07.06), «Representamos uma alternativa ao governo socialista» (Louçã, Público, 21.07.05). Como se define o BE, pergunta o jornalista (Público, idem): «Socialista, socialista no século XXI», diz FL.

Num momento de grande lucidez, o porta-voz do BE (Focus, 2007), diz querer ir ao fundo dos (seus) objectivos, de «criar uma nova esquerda social e uma nova política para o país». E acrescenta: «E isso não se faz com palavras, faz-se com a resposta à grande exigência que é a criação de novas redes sociais.» Que são, diz: «Redes que faltam na imigração, nos mais explorados, nos call-centers, nos trabalhadores precários, jovens licenciados desprezados; temos que ter um movimento sindical que seja representativo e unitário

A «rede» do Bloco, que pesca à rede, e que tem uma grande dor de cotovelo por não ter na sociedade civil e no movimento sindical e nas classes trabalhadoras a almejada equiparação ao PCP. Por isso alimenta as suas ideias de grandeza na promoção parlamentarista, no eleitoralismo e na conversa de jornal.

(continua)

                                    

In jornal "Avante!" - Edição de 28 de Agosto de 2008

                       

sinto-me:
publicado por António Vilarigues às 00:01
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7 comentários:
De almaatéalmeida a 8 de Setembro de 2008 às 11:41
Caro Vilarigues:

Está a perder tempo com ruim defunto! O BE anda á pesca em águas turvas.
Abraço
De António Vilarigues a 9 de Setembro de 2008 às 21:51
Caro almaatéalmeida
Uma boa análise política nunca é perda de tempo.
Daí aliás o lema deste blog «A LIBERDADE É A COMPREENSÃO DA NECESSIDADE»
De antonio m p a 8 de Setembro de 2008 às 16:33
«Veja-se o estilo do comentador do BE, Daniel de Oliveira, no Expresso, onde não perde pitada para zurzir no PCP, do alto do seu posto na imprensa burguesa». Mas então querem que o Daniel, mais pedante que burguês, talvez, se exprima em que imprensa? No Avante? Ou será que os jornais burgueses só devem aceitar artigos da esquerda que se quer única?

Quanto aos tiques populistas de F. Louçã, o PCP que se mire bem naquilo em que pode tornar-se se continua a fechar-se ao largo património social que herdou de outras direcções.
De António Vilarigues a 9 de Setembro de 2008 às 22:02
Caro antonio m p
A expressão do JM Jara não terá sido das mais explicitas. Para quem lhe conhece o estilo a ideia resulta clara. Mas o leitor comum pode tirar a sua conclusão. Uma crítica que os comunistas têm feito ao longo dos anos à comunicação social dominante é precisamente de os seus militantes serem sistematicamente excluídos de alguns media.
Diga-me de onde retira a ideia de que o PCP é uma «esquerda que se quer única»?
O PCP a fechar-se? Olhe que não, olhe que não... Felizmente todos os dados apontam precisamente para o contrário. Mais militantes, mais organismos, mais quadros envolvidos na actividade quotidiana, mais influência social. E muitos problemas ainda por resolver. Ou não fosse a vida uma expressão concreta da dialéctica.
Brevemente as Teses para o XVIII Congresso vão actualizar esses dados.
De antonio m p a 10 de Setembro de 2008 às 01:23
Caro António Vilarigues:

Dou de barato esse “olhe que não”. Nem eu sou o mentiroso do Mário Soares nem você é Álvaro Cunhal. Tendo em conta o seu cumprimento inicial, admito que não esteja a insultar-me.

Tal como eu, você não chegou ao PCP ingenuamente atraído pela euforia dos rituais partidários num súbito e ingénuo impulso de adolescente. E mesmo que assim tivesse sido já tinha aprendido que não são os rituais, nem mesmo os congressos, que fazem o Partido, mas sim a vontade exclusiva de meia dúzia de dirigentes inatacáveis e inamovíveis que tudo decidem, nomeadamente sobre os conteúdos e as conclusões dos próprios congressos, por mais “participados” que sejam.

Em matéria do crescimento espantoso de que fala, sabe muito bem que em cada congresso se proclama a adesão de mais não sei quantos militantes e nunca se diz quantos sairam. Além disso, não há circulação aberta nem horizontal de informação no Partido para você saber o que quer que seja. Ouve, acredita e repete – mas não sabe nem tem forma de saber! “Todos os dados” não são dados nenhuns. Ou fica satisfeito com as insignificantes oscilações de eleitorado apuradas em sondagens? Seria pouca ambição para um revolucionário.

Espero publicar num dos meus blogues, muito em breve, uma reflexão sobre algunss efeitos do stalinismo no PCP (Stalinismo em desconstrução 3) que tomo a liberdade de o convidar a ver, não porque eu tenha alguma coisa a ensinar-lhe mas porque poderá compreender melhor o meu ponto de vista
sobre esta matéria.
De António Vilarigues a 10 de Setembro de 2008 às 09:53
Caro antonio m p,
É óbvio que o «olhe que não» foi uma mera brincadeira. Nunca foi minha intensão insultá-lo. Até porque não é o meu estilo, nem a minha maneira de estar na política.
Aderi ao PCP em 19 de Setembro de 1970 e não foi por um impulso adolescente. Por estranho que pareça neste ano de 2008, já estava casado há meio ano com alguém que tinha tido duas prisões num total de 3 anos e meio de Caxias. Só aderi depois de ter lido e estudado o Programa e os Estatutos e com eles ter concordado.
Os dados estão aí em números redondos e estou a citar de cabeça: perto de 100 mil inscritos, 55% dos quais contactados e com a sua situação esclarecida e 45% a contactar (dados de há dois meses). Aqui em Viseu, por curiosidade o 1º distrito a contactar e esclarecer a situação de todos os inscritos, somos perto de mil.
Quanto à circulação horizontal e vertical da informação essa é uma questão tão velha quanto a teoria e a prática do centralismo democrático elaboradas por Lénine e o Partido Bolchevique.
O PCP, na sua prática, foi muito mais longe do que essa teoria, adaptando-a à realidade dos século XX e XXI. Estou a referir-me às múltiplas estruturas e reuniões de carácter inter distrital e nacional. Muito mais há a fazer? Certamente que sim.
Mas a prática também mostra que o abandono dos princípios de organização por parte de certos partidos comunistas conduziu não ao seu reforço, mas ao seu definhamento e, em alguns casos , ao seu desaparecimento. Itália, França e Espanha aí estão para o demonstrar. Mas, infelizmente, há mais.
As eleições e os processos eleitorais são muito importantes. Mas seria um fraco revolucionário se reduzisse a actividade de um partido comunista a isso.
Fico há espera do seu texto.
Entretanto, e sobre Estalinismo, aqui fica um link para um blog, no mínimo polémico, que descobri há cerca de dois meses: http://hist-socialismo.blogs.sapo.pt/.
Chamo particularmente a atenção para o texto «A civilização soviética». Creio que pudemos aprender todos.
De antonio m p a 10 de Setembro de 2008 às 12:05
Muito obrigado pela boa atenção que deu ao meu comentário. Como eu disse, enviarei notícia da minha reflexão em blogue, pelo que evito sobrecarregar aqui o seu espaço com textos demasiado extensos. Será gratificante saber que leu. Agradeço também o site que me envia e que irei consultar.

Permita-me, no entanto, avançar algumas observações directamente sobre o que diz:
1. «Os dados estão aí». Os dados a que me referia, nomeadamente acerca dos afastamentos, não estão aí nem em lado algum. Nem estarão no congresso como nunca estiveram. Quanto aos que indica, terão sido apurados com o mesmo rigor com que se identificam as profissões dos dirigentes do Partido?
2. «O PCP, na sua prática, foi muito mais longe do que essa teoria». Não é teoria nenhuma, é uma reivindicação democrática no sentido de que as propostas e as ideias dos militantes circulem no Partido. «O PCP na sua prática» endemoniza tais propostas e seus autores em nome da teoria, isso sim, do centralismo “democrático” que canaliza as opiniões e propostas de baixo para cima sem permitir que ao lado se conheçam – tanto quanto pode controlar isso. As milhentas reuniões que se possam fazer, destinam-se a discutir a informação elaborada pela cúpula e que não reflectem aquelas ideias mas sim as da Direcção. Servem para legitimar as teses da Direcção e não para ponderar alternativas.
3. Não me fale dos modelos do “eurocomunismo” porque em matéria de modelos e amizades políticas não me faltaria para a troca, como sabe. E apesar de tudo, eu prefiro um regime “burguês” onde haja liberdade de expressão para o proletariado do que um pseudo-socialismo que a reprime.

Os melhores umprimentos.

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