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O CASTENDO

TERRAS DE PENALVA ONDE «A LIBERDADE É A COMPREENSÃO DA NECESSIDADE»

O CASTENDO

TERRAS DE PENALVA ONDE «A LIBERDADE É A COMPREENSÃO DA NECESSIDADE»

McCain Palin 0 - Obama Biden 3

    1. Concluídos que estão 3 dos quatro debates entre os principais candidatos a Presidente dos EUA, pode dizer-se que o resultado, neste momento, é de 3-0. Dois debates ganhos por Obama; Um ganho por Biden.

2. Quanto ao debate de ontem [7/10], vale a pena referir algumas sondagens.

a) Fox News. Vista pelo eleitorado mais conservador e radical do Partido Republicano. McCain 82%; Obama 14%. Esta sondagem não tem qualquer crédito. No entanto, é interessante notar que Obama conseguiu um resultado extraordinariamente alto (14%), tendo em conta o universo dos eleitores.

b) MSNBC. McCain 13,2%; Obama 83,3%; Empate 1,7%; Indecisos 1,8%. As pessoas que vêem a MSNBC são, na sua maioria, mais democratas e menos republicanos, sendo certo que os radicais e conservadores de direita não assistem às emissões da MSNBC. Os dados a salientar são o número reduzido de "empates" e de "indecisos" e a óbvia tendência dos chamados "independentes" (swing voters) em optarem por Obama.

c) CNN. Das 3 estações será a que abrange um leque mais alargado de espectadores. Poderá dizer-se que cerca de 30% dos espectadores serão votantes habituais dos 2 principais partidos e os restantes 40% estarão no "grande centro" (independentes, swing voters) ou nos extremos (em pequeníssima proporção). A sondagem tem uma margem de erro de mais ou menos 4%. O resultado geral dá uma vitória a Obama de 51% contra 38%. O aspecto mais interessante é o da votação dos independentes: 54% favoráveis a Obama, contra 28% favoráveis a McCain. Também é interessante referir que, entre os democratas, os valores são de 85%, contra 5% (o que deita por terra o estafado argumento que as eleitoras de Clinton votariam McCain) enquanto, entre os republicanos, 64% preferiram McCain, contra 16% que preferiram Obama.

    3. Ainda a sondagem da CNN. É interessante analisar mais de perto esta sondagem:

  • Melhor performance no debate (McCain 30% - Obama 54%);
  • Líder mais forte (M 34% - O 54%);
  • Mais simpático (M 28% - O 65%);
  • Mais inteligente (M 25% - O 57%);
  • Opiniões mais claramente expressas (M 30% - O 60%);
  • Respostas mais directas (M 37% - O 50%);
  • Mais atenção às questões colocadas (M 36% - O 50%). 

E, finalmente, o que McCain não gostaria que acontecesse. Qual o mais parecido com um político tradicional (pela carga negativa que a questão tem, particularmente, neste momento):

  • McCain 50% - Obama 34%.

4. Quando as Primárias começaram os assuntos mais importantes eram o Iraque e a política de saúde. A economia aparecia depois. 

Isto explica porque foi McCain o escolhido pelos republicanos - tão obcecados estavam com as questões de segurança que preferiram escolher um militar que gosta de encontrar soluções militares para as questões políticas. Arrumaram rapidamente com Romney, pensando, eventualmente, que ele poderia ser escolhido por McCain para Vice-Presidente. Enganaram-se duas vezes. McCain, como qualquer "militar americano que se preze" não ia escolher para Vice-Presidente alguém que lhe fizesse sombra.

Do lado democrático, as coisas começaram a pender para Obama por várias razões (melhor organização e planeamento do que a da equipa Clinton, mais modéstia e trabalho de campo, mais visão nas palavras de ordem e nos objectivos, mais carisma do candidato, etc) mas, sobretudo por duas:

1) Porque os Clinton foram para as Primárias convencidos que se trataria de uma coroação inevitável;

2) Porque a posição de Obama acerca da guerra no Iraque era clara, mesmo antes da invasão começar, e Clinton ter permitido com o seu voto que a invasão ocorresse.

    5. Com a hecatombe dos mercados financeiros, a derrocada do ultraliberalismo económico, a identificação da crise sistémica global, as coisas mudaram radicalmente. Hoje, de longe, o principal assunto que preocupa os americanos é a economia e tudo o que com ela está relacionado: habitação, saúde, desemprego, inflação, insegurança. Agora, mais do que nunca, é fácil para Obama defender o seu programa e as suas propostas e, obviamente, é mais difícil do que nunca para McCain ver-se livre dos seus fantasmas: Bush  a seu lado, ignorância reconhecida na área económica, falta de capacidade de comunicação, imagem de Palin (a quem já se chama - não pretendo atingir as mulheres louras, tanto mais que as que conheço são tão ou mais inteligentes do que as restantes - a morena mais loura dos Estados Unidos da América).

6. Parece assim traçado o futuro próximo, se alguma coisa de muito grave ou estranho (não quero referir o quê) não vier a acontecer.

Os republicanos votarão McCain na sua esmagadora maioria; Os democratas votarão Obama na sua esmagadora maioria; Os independentes votarão Obama na sua larga maioria.

Se isto acontecer, como é previsível agora que aconteça, no dia 4 de Novembro iremos ver os Estados tradicionalmente democráticos a votarem maioritariamente em Obama, alguns dos Estados tradicionalmente republicanos a poderem mudar de cor e a maior parte dos chamados "swing States" a darem a vitória a Obama.

Se tal acontecer Obama vai ter uma vantagem confortável no Colégio Eleitoral e, no dia 20 de Janeiro do próximo ano, tomará posse o primeiro Presidente dos EUA de origem afro-americana! Michelle será a primeira-dama! 

E a História vai deixar de ser o que sempre foi.

Não se espere uma revolução. Mas uma mudança será inevitável. O que se passar nos meses e anos próximos nos dirá se passará a haver mais justiça no mundo, mais participação cívica, mais educação, mais alegria.

(sublinhados meus)

             

Fernando

            

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