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O CASTENDO

TERRAS DE PENALVA ONDE «A LIBERDADE É A COMPREENSÃO DA NECESSIDADE»

O CASTENDO

TERRAS DE PENALVA ONDE «A LIBERDADE É A COMPREENSÃO DA NECESSIDADE»

Quando os Lobos Uivam

    Quando os Lobos Uivam (Aquilino Ribeiro)

 

Edição comemorativa do 50.º aniversário da 1.ª edição
Prefácio inédito de Álvaro Cunhal
20 Ilustrações de João Abel Manta

«O romance teve um sucesso fulminante. Quando a polícia correu a apreendê-lo, dos 9000 exemplares da primeira tiragem restavam apenas 32 nas livrarias. Os fascistas não se contentaram porém com impedir nova edição. Aquilino foi processado e enviado ao mesmo "odioso" Tribunal Plenário, que corajosamente desmascarara no seu romance.»

Álvaro Cunhal in Prefácio

             

In Edições «Avante!»

 

 

Mensagem dos presos políticos do Forte de Peniche a Aquilino Ribeiro


«Senhor Aquilino Ribeiro
 

Neste ano de 1963, em que perfaz meio século de labor literário, queira escutar mais esta voz que se vem juntar ao coro amigo que o saúda – voz que chega do fundo duma prisão, falando pela boca de mais de uma centena de portugueses encarcerados, há longos anos, pelo único crime de muito amarem a liberdade do seu povo, o progresso da sua Pátria, a Paz no mundo. 

Outros dirão dos méritos do escritor, da pujança do seu estilo, da verdade das personagens que criou, da seiva espessa que lhe sobe das raízes mergulhadas no povo e na terra, e vai florescer em fecunda alegria de viver nas páginas dos eus livros, Outros dirão ainda do acordo exemplar entre o homem e o artista, e da íntima comunhão da sua vida com as vicissitudes da vida nacional nos últimos 50 anos. Outros dirão – e nós estamos também entre os que celebram a glória do escritor, sem dúvida uma das figuras cimeiras da nossa história literária. 

Mas outra é a especial saudação que o nosso coração e o nosso pensamento nos ditam e aqui lhe trazemos. 

Queremos saudar o cidadão corajoso e íntegro, que não se vendeu nem dobrou aos poderosos e aos tiranos, que denunciou com desassombro a torpe mentira dos tribunais políticos e a ferocidade da repressão policial, que exaltou a revolta popular, e que soube fazer frente, com o cajado firme da sua pena de escritor, aos lobos fascistas que assolam os povoados da nossa terra. 

Queremos saudar o intelectual generoso e lúcido, que tantas vezes soube erguer alto a sua voz em defesa da paz, contra o furor dos fautores da guerra. Queremos saudar o homem viril e fraterno, pela sua inabalável confiança nas forças populares e no destino dos homens, nas suas conquistas científicas e no seu progresso moral, e confiança que o leva, em meio da noite fascista e ao cabo de setenta anos duma vida tantas vezes dura, a saber ainda olhar em frente, olhar para o sol, e apontar aos companheiros a visão estimulante do futuro radioso da humanidade. 

Senhor Aquilino Ribeiro: Longa vida lhe desejamos! Para que possa prosseguir por muitos anos ainda no seu belo trabalho criador. Para que a sua figura altiva de lutador se possa manter presente na frente de combate pela Democracia, a Justiça e a Paz.

E para que, sobretudo, em breve possa ver o sol esplendoroso da Liberdade brilhar de novo e para sempre sobre o nosso querido Portugal.»

 
Os presos políticos do Forte de Peniche

                                                 

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