Segunda-feira, 29 de Dezembro de 2008

Deixemos a História falar por si

    O último estado judeu na Palestina durou até 587 A.C., data em que foi arrasado pelos babilónios.

Ao longo dos séculos, os descendentes dos filisteus (os palestinos), viveram sempre em paz com os judeus residentes na Palestina, que constituíam uma minoria.

Em 1917, sob pressão das organizações sionistas, o governo britânico publicou a Declaração de Balfour (nome do MNE de então). Estava criado, em meia dúzia de linhas, o mais delicado e complexo problema dos nossos dias! 

O Governo de Sua Majestade é favorável ao estabelecimento de um lar nacional judaico na Palestina, e empregará todos os seus esforços para facilitar a realização deste objectivo, ficando claro que nada será feito no sentido de prejudicar quer os direitos civis e religiosos das comunidades não judaicas da Palestina, quer os direitos e o estatuto político que os judeus usufruem noutros países”.

No ano desta declaração os judeus representavam cerca de 8% dos habitantes da Palestina. Em 1931 eram 17,5%. Em 1938 atingiam os 35%, aumentando o descontentamento dos palestinos pela forma como as colónias eram implementadas. Até 1948 mais 150.000 chegam clandestinamente, fora os que o fizeram pelas vias legais. 

Em 1947 iniciam-se os confrontos armados entre judeus e palestinos. Neste mesmo ano a ONU aprova um plano de partilha do país em dois Estados: um judaico, com 1 milhão de habitantes, 510 mil dos quais árabes; um árabe, com 814 mil habitantes, 10 mil dos quais judeus. Jerusalém, cidade Santa para três religiões, ficaria com estatuto de cidade internacional. Segundo as estimativas da época, a população árabe da Palestina era de 1 milhão e 300 mil pessoas e a judaica rondava o meio milhão.

Em 1948 grupos de judeus armados destroem pelo menos duzentas e cinquenta aldeias árabes, provocando, até 1950, o exílio forçado de 900 mil palestinos. Um desses grupos (terroristas?), o Irgoun, era chefiado por Menahem Begin, futuro 1º Ministro de Israel (o primeiro não membro do Partido Trabalhista), que assinou os chamados acordos de Camp David com o Egipto em 1978. Outro, o Lehi, por Itzhak Shamir, igualmente futuro 1º Ministro. Ambos são confessadamente responsáveis pelo massacre de 250 habitantes da aldeia palestina de Deir Yassine a 10 de Abril de 1948 (a tradição já vem de longe...).

    A 15 de Maio de 1948 David Ben Gurion proclama o nascimento do Estado de Israel. Com uma fronteira radicalmente diferente da aprovada pela ONU. Com um território 1/3 superior ao acordado ! A “Grande Israel” estava em marcha. O Estado Palestino era um nado-morto.

No seguimento destes acontecimentos a ONU aprova, em 1949, a resolução 194 que decide permitir aos refugiados que o desejem o regresso às suas casas com direito a compensações pela destruição dos seus bens. Só que em 1948, David Ben Gurion, então 1º ministro, declarou: “Devemos impedir o seu regresso a qualquer preço”. Hoje são mais de 3 milhões e um dos complexos problemas a resolver no âmbito dos acordos de paz.

Os estados Árabes não reconhecem o Estado de Israel. Erro político crasso, que continua até aos nossos dias (excepto Egipto e Jordânia) e que tem contribuído para alimentar, de parte a parte, políticas antidemocráticas e militaristas. Além disso anexam, em 1950, a Cisjordânia e a Faixa de Gaza.

De 1948 a 1965 (a primeira acção armada da Fatah contra Israel realiza-se a 1 de Janeiro de 1965), durante 16 anos, os palestinos lutam politicamente no interior dos territórios ocupados. Ninguém os ouve. 

Na sequência da Guerra dos Seis Dias, em 1967, Israel ocupa o resto da Palestina (Cisjordânia, Faixa de Gaza e Jerusalém-Leste). Ao arrepio da resolução 242 do Conselho de Segurança da ONU, nesse mesmo verão a colonização dos territórios ocupados começa com a construção de novos colonatos. Lucidamente David Ben Gurion defende a não colonização, prevendo as consequências da transformação do seu país em potência ocupante. 

Em 1970 rebentam graves confrontos entre o governo jordano e a Organização de Libertação da Palestina (OLP). Há milhares de mortos. É o “Setembro negro”. A OLP é esmagada e o núcleo dirigente transfere-se para o Líbano. Uma parte da sua direcção envereda pelo terrorismo individual, opção que só terminará em 1974. Inicia-se a política de “olho por olho, dente por dente”. A cada atentado Israel responde com a liquidação física de dirigentes da resistência palestina. Em 1974 a ONU confere à OLP o estatuto de membro observador.

Mais de 34 anos depois esta política mantém-se, sem grandes resultados práticos à vista. O estado de Israel tem sido advogado de acusação, de defesa, juiz e carrasco de extremistas e de activistas palestinos. E nunca falha! Israel diz que é terrorista e está dito!

A tensão entre Israel e os estados Árabes vizinhos mantém-se. Guerra de 1973, dita do Yon Kippur. Invasões sucessivas do Líbano, a mais grave das quais em 1982, chefiada por Ariel Sharon. Este promete ao seu governo e aos seu povo conquistar Beirute em 24h. Leva 76 dias! Pelo caminho massacra milhares de refugiados palestinos indefesos. ArielSharon é considerado criminoso de guerra no seu próprio país, Israel.

A luta política e sindical prossegue ao longo de todos estes anos no interior dos territórios ocupados. Traduzindo-se, por exemplo, na eleição sucessiva de presidentes de câmaras na Cisjordânia ocupada. Em estreita aliança com as forças de esquerda de Israel, facto que é ocultado pela generalidade da comunicação social. Arrostando com incompreensões, perseguições e ostracismos, comunistas e seus aliados, de ambos os lados da barricada, são praticamente as únicas forças políticas no terreno a cooperarem mutuamente na defesa de uma solução pacífica. O PC de Israel é, espante-se, o único partido político israelita, que conta nas suas fileiras com militantes árabes e judeus. Por esse facto foi, e é, apodado de traidor. O PC Palestino (Partido do Povo Palestino) manteve sempre relações com forças políticas israelenses, defendeu sempre o direito à existência do Estado de Israel. Por esse facto estava (até 1987) proibido de integrar a OLP.

    Em 1987, dirigido pelas forças políticas do interior dos territórios ocupados, e durante alguns meses não apoiado pela OLP, inicia-se um levantamento que passaria à história como a 1ª Intifada. Os governos de Israel vêem-se confrontados com uma situação inteiramente nova, para a qual não estavam manifestamente preparados. Como resposta, para reprimir manifestações, em lugar da polícia enviam o exército. As consequências não se fazem esperar. Mortos, mortos e mais mortos.

Um convite à reflexão. Desde 1987 até hoje nunca vimos um bastão, um escudo e viseira, um canhão de água israelita a pôr fim às manifestações. Mas vimos soldados armados de metralhadoras, carros blindados e até helicanhões.

Para desacreditar a luta, os serviços secretos de Israel recorrem a todos os meios. O Hamas, movimento radical islâmico, defensor da luta terrorista e contrário ao reconhecimento do estado de Israel é legalizado em 1987. Estranha decisão! Ou talvez não, já que o Hamas, combatia com o mesmo ardor a Intifada e a direcção da OLP.

A fome, a miséria, a frustração, a humilhação, o desrespeito mais elementar do direito internacional e dos direitos humanos, conduziram, em 21 anos, à transformação do Hamas de movimento insignificante em pesadelo de Israel. Ainda por cima com apoio significativo da população palestina. Podemos fazer uma comparação com os americanos e Bin Laden: usaram-no e depois perderam-lhe o controle.

Em Setembro de 1993 Israel e OLP reconhecem-se mutuamente. Quarenta e seis anos depois das resoluções da ONU! São assinados os Acordos de Oslo. Com o assassinato de Itzhak Rabin em 1995 e a chegada de Benjamin Nétanyahou ao poder em 1996 os Acordos passam a letra morta. E assim continuam até hoje.

    Esta é uma questão de fundo. Israel não tem cumprido os acordos que celebra com os palestinos. Hoje existem mais de 200 mil colonos instalados em colonatos nos territórios ocupados. Contrariando as resoluções da ONU. Contrariando os compromissos por si assumidos.

Durante o consulado de Nétanyahou são assassinados, em manifestações 85 palestinos. Mais de 1.200 ficam feridos. Não há nenhum atentado terrorista por parte dos palestinos.

A 28 de Setembro de 2000 o chefe do Likoud, Ariel Sharon, desloca-se provocatoriamente escoltado por dois mil (!!!) soldados, à esplanada das Mesquitas em Jerusalém, terceiro lugar sagrado do Islão. No dia seguinte dão-se os primeiros confrontos, surgem as primeiras vítimas. Inicia-se a 2ª Intifada com as consequências conhecidas.

A chamada comunidade internacional omite que, quer na sociedade israelita, quer na sociedade palestina, há forças socais e políticas bem diferenciadas. Esconde que há radicais dos dois lados da barricada. E moderados. E forças consequentes. Fala do terrorismo palestino. Mas aceita de bom grado chefes de governo que afirmam alto e bom som que primeiro há que matá-los (os palestinianos) para só depois negociar. Aceita governos onde participam partidos, com vários ministérios, que pura e simplesmente negam TODOS os direitos aos palestinos.

Recorde-se que o Estado de Israel tem um dos melhores - em capacidade, competência e experiência - exércitos do mundo. Os palestinos não têm exército, só polícia. O Estado de Israel tem uma poderosa e eficaz força aérea. Os palestinos não têm força aérea. O Estado de Israel tem um dos mais competentes e eficazes serviços secretos do mundo: Os palestinos não.  Israel é um Estado soberano. A Palestina não.  

Sociedade israelita  

Composta por 5 milhões de judeus, 1 milhão de árabes e 250.000 imigrantes não judeus. Ao contrário do que se procura fazer crer, é profundamente dividida.

Antes de mais existe uma divisão étnica que marginaliza os sefarditas, ou “orientais” (judeus oriundos do mundo árabe) e os falashas (judeus da Etiópia), relegando-os para o escalão mais baixo da pirâmide social. 

Divisão que se sobrepõe mesmo ao fosso religiosos/laicos e às rivalidades entre as diferentes comunidades de imigrantes.

Acrescente-se a existência de 1 milhão de palestinos, cidadãos israelenses, que beneficiam apenas de direitos parciais pois não são judeus (a ONU recenseou dezassete leis que discriminam os cidadãos árabes israelenses).

O inimigo exterior parece ser, por quanto tempo ainda (?), o único factor de coesão. 

Sociedade palestiniana  

Se etnicamente é mais coesa politicamente é igualmente dividida. Alguns dos movimentos extremistas mais conhecidos sofrem mesmo da influência exterior oriunda de diferentes países árabes (Irão, Síria, Iraque, etc.), que tentam contabilizar a seu favor e influir politicamente na Resistência Palestiniana.

A população da Cisjordânia e Faixa de Gaza eleva-se a 3 milhões de habitantes, dos quais metade são refugiados dentro do seu próprio território, vivendo 600 mil em campos que são autênticos guetos. Outros 3 milhões de refugiados (recenseados pela ONU), vivem espalhados por diferentes países árabes. Onde constituem um factor de perturbação social e política permanente, nomeadamente pela sua cultura, pela sua tolerância religiosa e pela sua atitude em relação ao papel da mulher na sociedade. Daí o desejo desses países em verem-se livre deles.

Este carácter progressista dos palestinos face ao mundo árabe mais retrógrado, é algo que a dita comunidade internacional parece não ter, ou não querer, entender.

 

Partido Comunista Português

Os comunistas portugueses, desde 1947, que defendem o direito à existência do Estado de Israel. “A questão palestiniana assume particular importância neste quadro. Só com a retirada do exército israelita para as posições anteriores às ocupações de 1967 e a destruição do muro sionista; só com o desmantelamento de todos o sistema de colonatos israelitas que tornam a vida deste povo insuportável; só com o fim do cerco a Gaza; com o reconhecimento, plasmado em inúmeras resoluções da ONU, do direito do povo palestiniano à edificação do seu Estado, livre, independente e viável com capital em Jerusalém Leste, lado a lado com Israel e com a solução da questão dos refugiados palestinianos de acordo com as resoluções da ONU. Só verificadas todas estas condições é que poderemos falar de uma real paz justa e duradoura na região.

A realidade é que “ (…) Falamos de “feridas” ao nível da convivência pacífica dos povos e do intercâmbio de valores culturais e civilizacionais que poderão demorar décadas, senão mais, a sarar. É tempo de parar, de reflectir nas consequências que terá para toda a humanidade a prossecução destas políticas. É tempo de dar espaço à paz, à resolução política dos conflitos e à vontade genuína dos povos.” (PCP em 2006/07/25)

 

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sinto-me:
publicado por António Vilarigues às 12:10
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16 comentários:
De Paladino da Língua a 29 de Dezembro de 2008 às 12:25
Deixe-mos não, Deixemos, sim!
De António Vilarigues a 29 de Dezembro de 2008 às 12:33
Caro Paladino,
Muito obrigado.
Quanto ao erro nem sei o que lhe diga...
De Gonçalo a 29 de Dezembro de 2008 às 12:47
Caro amigo,

parto então do princípio - malgrado o tom da sua narrativa, habilmente redigido em tom "informativo" - que concorda com a ética de actuação da Fatah, Hamas, Hezbollahas e quejandos, certo?

Se sim, estamos conversados...
De António Vilarigues a 29 de Dezembro de 2008 às 12:55
Caro Gonçalo,
Percebeu mal.
Sobre o Hamas os dois parágrafos são esclarecedores, digo eu:
Para desacreditar a luta, os serviços secretos de Israel recorrem a todos os meios. O Hamas, movimento radical islâmico, defensor da luta terrorista e contrário ao reconhecimento do estado de Israel é legalizado em 1987. Estranha decisão! Ou talvez não, já que o Hamas, combatia com o mesmo ardor a Intifada e a direcção da OLP.
A fome, a miséria, a frustração, a humilhação, o desrespeito mais elementar do direito internacional e dos direitos humanos, conduziram, em 21 anos, à transformação do Hamas de movimento insignificante em pesadelo de Israel. Ainda por cima com apoio significativo da população palestina. Podemos fazer uma comparação com os americanos e Bin Laden: usaram-no e depois perderam-lhe o controle.
Quanto ao terrorismo:
Escrevi n vezes, neste blog e na comunicação social, que «São ilegítimas e indefensáveis acções violentas visando civis inocentes. Nunca, em parte alguma do mundo, se resolveram conflitos quer a nível político, quer a nível militar, assassinando civis. Pelo contrário, só se agravaram e contribuíram para o aumento de influência dos sectores mais extremistas e retrógrados. E este não foge à regra.»
De Gonçalo a 29 de Dezembro de 2008 às 19:04
Caro António,

infelizmente, temo ter percebido muito bem. Os parágrafos são, realmente esclarecedores, tal como o é o resto do texto. Se é certo que os "serviços secretos de Israel recorrem a todos os meios" não o é menos que a comunicação social ocidental (e alguns opinion makers) exerce uma considerável força de contra-informação sobre as massas - habituadas a ser "informadas" de forma acrítica e tendencialmente hostil a tudo a que "cheire" a americano.

Repare que, muito honestamente, acredito que o faça de boa fé e que, realmente, considere indefensáveis as acções violentas que visem civis inocentes. Mas o título algo profético desta entrada de blog não me deixa muita margem para dúvidas...

Obviamente, há aqui um notório enviesamento da dita história.

- Inicialmente, previa-se a criação de dois governos soberanos, após o vazio Otomano (e os ingleses a não quererem muitas chatices). Balfour menciona a criação de um estado hebraico, mas, como deverá saber, a liga árabe, sempre pró-Califado, nem sequer admitia a hipótese. A partição da cisjordânia e da transjordânia também não deixa margem para dúvidas acerca da "parte de leão" (se bem que, concedo, a Jordânia seja, quase toda ela, um vasto deserto, mas também o era o território hoje ocupado por Israel).

- Disse que chegaram 150.000 judeus "ilegalmente". Sim, contra todas as barreiras impostas. Desde a operação "tapete voador" - refugiados do Iemen, em aviões atacados por caças egípcios - à famosa proibição soviética de migrações de judeus (para evitar uma sangria de capital - num país então muito frágil economicamente - e intelectual).

- Já falei há pouco dos engulhos que a criação de dois estados causava à Liga Árabe, mas é com alguma revolta que leio os seus
comentários. Parece que se "esqueceu" dos massacres que haviam sido perpetrados, pelos árabes, em Jerusalém e em Hebron (e expulsão dos colonos e habitantes judeus). E que o Irgoun foi criado CONTRA a ocupação inglesa.

- Falou na Guerra dos 6 dias e nas suas consequências, mas não falou no que a originou. Quem lhe deu origem? Foi Israel? Nem sequer foram os palestinianos, mas sim os interesses dos países vizinhos, como bem sabe.

- E a do Suez? Quem começou o conflito?

- Já para não falar do Yon Kipur. Insiste-se em falar por alto destas guerras e de afastar a suposta "criminosa anexação dos territórios" desta questão. Claro está, os territórios ocupados - Golan et alli - foram ganhos militarmente, na sequencia de uma contra-ofensiva. Até hoje esses territórios ocupados são, essencialmente, uma zona tampão estratégica.

- O mesmo se pode dizer das OLPs (conflitos com a Síria, Jordânia, Líbano) Intifadas e tudo o mais. Setembros Negros, Muniques, Arafats, Suicidas e até desenhos animados (convido-o a ver o rato mickey a pregar o ódio e o islamismo http://www.youtube.com/watch?v=lZEGsnWZKh8).

Mas enfim. É inegável (e censurável) a brutalidade das táticas e da ethos militar Israelita. Pelo menos aos nossos olhos cristãos (por mais laicos que sejamos), eivados de séculos de "dar a outra face" (teoricamente, se bem que a hipocrisia a todos toque) em detrimento da lei de Talião (já agora judia e, à luz do respeito e tolerância religiosa universais, perfeitamente aceitável - perdoe-me aqui o tom irónico). São inegáveis as acções erradas, por vezes criminosas e indiscriminadas do estado de Israel. Mas... caramba, não serão 60 anos de cerco intenso e contínuo suficientes para tornar cínicas e brutais quaisquer relações?

Israel nasceu de um conflito, cresceu em conflito e vive, constantemente, em conflito. Que poderiamos esperar? Diálogo? Tolerância? Fronteiras abertas? O que mais se pode pedir a alguém que SABE que todos os vizinhos o odeiam? Que mais se pode pedir a um país marcado pela guerra e constantemente sobre a ameaça de destruição?

Convido-o a olhar para Israel de um outro prisma. Esqueça o apoio americano. Já sei que é, normalmente, razão suficiente para nos causar rejeição. Agora olhe para Israel como um pequeno país que enfrenta alguns dos regimes mais abjectos e dictatoriais do mundo. Que inspira o ódio daqueles que mais odeiam os valores que prezamos. Um pequeno país nascido, como tantos outros, de uma reunião administrativa mas que, nem por isso, não deixa de ter razão para existir.
De António Vilarigues a 29 de Dezembro de 2008 às 19:37
Caro Gonçalo,
1. Uma solução de paz, justa e duradoura para o Médio Oriente passa obrigatoriamente pelo reconhecimento do direito de TODOS os povos do Médio Oriente à sua soberania e independência, livres de ingerências externas, pela retirada do exército israelita de todos os territórios ocupados da Palestina.
2. A questão palestiniana assume particular importância neste quadro. Só com a retirada do exército israelita para as posições anteriores às ocupações de 1967 e a destruição do muro sionista; só com o desmantelamento de todos o sistema de colonatos israelitas que tornam a vida deste povo insuportável; só com o fim do cerco a Gaza; com o reconhecimento, plasmado em inúmeras resoluções da ONU, do direito do povo palestiniano à edificação do seu Estado, livre, independente e viável com capital em Jerusalém Leste, LADO A LADO com Israel e com a solução da questão dos refugiados palestinianos de acordo com as resoluções da ONU. Só verificadas todas estas condições é que poderemos falar de uma real paz justa e duradoura na região.
3. Falamos de milhares de milhões de Euros de infraestruturas arrasadas, de patrimónios históricos e culturais, partes importantes da história da nossa civilização destruídos. Falamos de “feridas” ao nível da convivência pacífica dos povos e do intercâmbio de valores culturais e civilizacionais que poderão demorar décadas, senão mais, a sarar. É tempo de parar, de reflectir nas consequências que terá para toda a humanidade a prossecução destas políticas. É tempo de dar espaço à paz, à resolução política dos conflitos e à vontade genuína dos povos.
4. Fruto desta escalada de violência israelita - que conta com a conivência e o apoio dos EUA e União Europeia - a situação no já explosivo Médio Oriente é hoje uma das mais tensas e perigosas das últimas décadas e o alastramento do conflito é um perigo cada vez mais real que, a consumar-se, teria consequências imprevisíveis para a região e para todo o mundo.
5. Lamento mas não posso esquecer o papel dos EUA e das potências ocidentais europeias no Médio Oriente, visando a rapina dos recursos naturais, o controlo do fluxo de matérias primas energéticas e a consolidação de posições geo-estratégicas na região o que está na origem primeira das guerras em curso no Afeganistão, Iraque, Palestina e Líbano.
6. Mas mesmo sem esquecer esse papel, para mim a situação concreta no terreno OBRIGA à convivência dos dois povos. A alternativa é a guerra e o extermínio. Já agora, recordo-lhe que já escrevi várias vezes que uma coisa é a política dos sucessivos governos de Israel. Outra, bem diferente, é o seu povo. Há poucos anos tive uma luz de esperança quando a comunicação social referiu que vários elementos da Mossad e de amplos sectores políticos estavam na África do Sul a estudar como tinha sido possível, numa situação igualmente explosiva e de confronto aberto, a transição para um regime pluriracial. Até hoje sem resultados...
De CRN a 29 de Dezembro de 2008 às 16:05
António,
excelente compilação e soberba investigação. Em adenda, apenas o facto de Ariel Sharon ter sido o responsável do Ebol, um grupo terrorista que pressionou os ingleses através de atentados à bomba, na Palestina, um país que foi usurpado junto com a vida dos seus nativos.
Curiosamente, no passado remoto, comparti casa com um amigo que hoje mantenho, um Palestino, que se licenciou em belas artes em Leningrado, professor hoje, numa universidade em Madrid. Este dizia que enquanto existisse o hamas nunca a sua terra deixaria de ser justificadamente ocupada.

A revolução é hoje!
De Filipe a 29 de Dezembro de 2008 às 16:18
Boa tarde, este post tem vários erros históricos. O primeiro, e mais evidente, é que o estado hebraico da Antiguidade foi destruído pelos Romanos em 70 d.C. e não em 587 a.C., como refere. O segundo é que as terras atribuídas a Israel, em 1947 (com o apoio dos EUA e da URSS) foram as de maioria judaica. E quem deu início às hostilidades foram os árabes, que não aceitaram esta divisão, embora, como disse, as terras atribuídas a Israel fossem de maioria judaica. É importante referir isto, porque foi nesta altura que começaram os problemas. O próprio Arafat reconhecia este facto, como atesta a célebre anedota (no sentido que Suetónio dava ao termo, não as do Fernando Rocha) que dá conta de uma conversa que o líder da OLP teve com o presidente da Bósnia. "Deram-lhe terra? Então aceite-a!!!"
De António Vilarigues a 29 de Dezembro de 2008 às 19:04
Caro Filipe,
1. Podia citar-lhe a História Universal da Unesco,mas fico-me por aqui: http://en.wikipedia.org/wiki/History_of_the_Jews_in_the_Land_of_Israel
e aqui: http://en.wikipedia.org/wiki/History_of_the_Jews_in_the_Land_of_Israel
2. O terrorismo sionista – espero que perceba a diferença – começou por volta de 1936. O terrorismo sionista foi utilizado como uma estratégia militar para acelerar a fundação de um Estado Judeu independente.
A sua violência foi dirigida quer contra as autoridades britânicas que governavam a Palestina, quer contra pessoal da Nações Unidas, quer contra as populações autóctones da Palestina.
3. Em 29 de Novembro de 1947, a Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou a Resolução 181, que determinava o estabelecimento de dois estados, com o território de Jerusalém a ser administrado directamente pelo Conselho de Administração das NU enquanto a cidade de Jaffa formaria um enclave árabe em território do Estado Judaico.
Esta resolução foi desde logo aceite pela Agência Judaica mas não pelos Estados Árabes não só porque entendiam que estava em contradição com os princípios da Carta das Nações no que respeita ao direito dos povos decidirem o seu próprio destino, mas porque concedia um estatuto especial a uma minoria, ao garantir mais de 50% do território à população judaica.
De acordo com o censo realizado pela UNSCOP (Report of UNSCOP — 1947) os árabes representavam 67% da população e os judeus apenas 33%,
De Renato Seara a 29 de Dezembro de 2008 às 16:43
Muito bom o post...alias dou lhe os parabens...o assassinato do PM que tinha assinado acordos de paz historicos mostra tudo aquilo que sao os judeus...ou seja nao sao os santos que muita gente gosta de fazer crer que sao...quer o Hamas quero Hezbollah quer Fath quer israel todos eles tem as maos cobertas de sangue...todos eles!!!
De Gonçalo a 29 de Dezembro de 2008 às 19:14
Já agora, como pequena adenda... fala na "divisão" da sociedade palestina, mas não menciona a Fatah e o "rift" com o Hamas. Pode, talvez, informar-nos acerca do estado actual das relações entre os dois. O que os motiva, o que os torna tão diferentes e exactamente que tipo de acordo havia entre as 3 partes.

Ah, e não vale dizer que os tipos da Fatah são fantoches nas mãos dos sionistas e dos americanos ;)

Ultima, ultima nota - ao seu convite à reflexão, contraponho: Quantos polícias armados com bastões, canhões de água e escudos já enfrentaram RPG-7, morteiros e misseis.
De António Vilarigues a 29 de Dezembro de 2008 às 19:50
Caro Gonçalo,
1. Não ponha na minha boca aquilo que eu não disse. Sou comunista e partilho as posições quer dos comunistas de Israel, quer dos comunistas da Palestina (pode ver, por exemplo, aqui: http://resistir.info/palestina/pci_27dez08.html). Sobre todas as outras organizações de que fala tenho sérias reservas. O que não me impede de ser solidário com a luta do POVO palestino pelo seu inegável direito, reconhecido em sucessivas resoluções da ONU, a ter um Estado Independente.
2. Quanto às manifs só pode estar a brincar. Até ao início do século XXI quase não havia armas nos territórios ocupados da Palestina. E nunca vi os palestinos levarem RPG ou morteiros para as suas manifestações...
De Filipe a 30 de Dezembro de 2008 às 03:00
Caro António, conheço a documentação e os factos que enuncia, mas mantenho o que disse antes: as terras atribuídas a Israel em 1947 eram as de maioria judaica, incluindo o deserto do Neguev (onde além de colonos judeus apenas existiam beduínos). Se os árabes tivessem aceite essa solução, que repito, lhes deixava os territórios de maioria árabe, muito sangue teria sido evitado. Além disso, é bom lembrar o seguinte: fala-se muito dos refugiados palestinianos, mas é frequente esquecer-se que desde 1947, cerca de 3 milhões de judeus foram expulsos ou forçados a emigrar dos países muçulmanos (de Marrocos ao Egipto), sem qualquer "direito de retorno" ou algo que o valha. Não quero de forma alguma passar uma esponja sobre os crimes cometidos por Israel (que não foram poucos), mas não aceito a visão a preto e branco, que atribui todas as culpas a Israel, que a nossa esquerda defende e que vai contra a visão que a URSS e outros países socialistas tiveram em 1947.
De António Vilarigues a 30 de Dezembro de 2008 às 13:13
Caro Filipe,
Deixando de parte a questão de 1947 vamos ao que é mais próximo e tem repercussões no terreno hoje - 1967.
1. David Ben Gurion alertou na altura, lucidamente, que Israel devia permanecer nas suas fronteiras. Caso contrário o exército de DEFESA passaria a ser um exército de OCUPAÇÃO.
2. Foi isso que sucedeu com as consequências que estão à vista: mais de 200 mil colonos instalados nos territórios ocupados.
3. OBJECTIVAMENTE, na minha opinião também subjectivamente, os sucessivos governos de Israel tudo têm feito para inviabilizar a criação de um estado Palestino.
4. Para não ir mais longe os mapas falam por si.
5. Mas não só. Os governos de Israel têm, periódica e sistematicamente, destruído as infra-estruturas estatais palestinas. Recordo-lhe Ariel Sharon e agora.
6. Em Israel há quem denuncie este estado de coisas. E apresente alternativas. Os comunistas e os seus aliados. Mas não só. O movimento «Paz Agora», o maestro Daniel Barenboim. Os militares que se recusam a disparar e a bombardear a Palestina. Itzhak Rabin que por isso mesmo foi assassinado. Etc., etc., etc..
7. Pode acusar-me de tudo menos de ter uma visão a preto e branco das coisas. Se o tivesse não seria comunista. Seria outra coisa qualquer
8. Em 2006 escrevi no Público que «Há quem seja incapaz de ver os acontecimentos de forma diferente da redutora divisão entre bons de um lado e maus de outro. Não devem ter ouvido, ou lido, o bispo católico Januário Torgal: “Neste conflito ninguém é inocente”.»
9. Como comunista procuro analisar os fenómenos do ponto de vista dialéctico, com tudo o que isso implica. Procuro fazer uma análise concreta da realidade concreta.
Relativamente ao conflito do Médio Oriente partilho inteiramente as posições do meu partido, o PCP, expressas pela última vez duma forma exaustiva aqui: http://www.pcp.pt/index.php?option=com_content&task=view&id=6276&Itemid=594
De bluewater68 a 30 de Dezembro de 2008 às 14:37
Boa tarde,
pelo Twingly do Público, acabei por vir dar aqui.
Já ganhei uma lição de história e até vou usar o primeiro mapa para responder a um comentário no meu blogue. E a propósito disso, como este será sempre um assunto onde existem dois intervenientes - estive para dizer culpados - e onde não é justo que se fale apenas de um dos lados, faço o convite para ler um texto que alguém já classificou de demagógico.
Cumprimentos
http://sol.sapo.pt/blogs/bluewater68/archive/2008/12/29/H_E1002800_m_E100_s_2900_-desgra_E700_a-a-oriente.aspx
De hb a 30 de Dezembro de 2008 às 19:45
Olá,

É um bom artigo que merece ser divulgado. Não que tenha muitos leitores, mas fiz um post a ligar aqui.

Abraço,
hb

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