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O CASTENDO

TERRAS DE PENALVA ONDE «A LIBERDADE É A COMPREENSÃO DA NECESSIDADE»

O CASTENDO

TERRAS DE PENALVA ONDE «A LIBERDADE É A COMPREENSÃO DA NECESSIDADE»

Os irmãos siameses

    Em 33 anos de governos constitucionais assistimos a uma partilha quase simétrica do poder executivo em Portugal: 17 anos de governos dirigidos pelo PPD/PSD e 16 anos de governos PS. Com ou sem o CDS/PP.

Com o PS no governo e o PPD/PSD na oposição, ouvimos o governo a argumentar que a culpa, no passado, foi do PPD/PSD. Com o PPD/PSD no governo invertem-se os papéis e a culpa é do PS porque, entretanto, foi governo no passado.

E esta cena repete-se há mais de 30 anos. É o conhecido lema de ora governas tu, ora governo eu, ora governas tu mais eu. No entanto, há algo de comum: as orientações políticas, económicas, sociais e culturais têm sido, no fundamental, as mesmas. Algumas diferenças de estilo não alteram o essencial: os dois partidos são os principais responsáveis pelo estado a que o País chegou.

O retrato de Portugal está bem patente na evolução do conjunto dos sectores de actividades económicas nacionais, no 1.º trimestre deste ano. A produção industrial com uma quebra de 10,5%. A produção agrícola com uma quebra de 5,8%. A construção com uma quebra de 15,2%. Comércio, restaurantes e hotéis com uma quebra de 2,3%. Transportes e comunicações com uma quebra de 8,9%. Tudo para se salvar o único sector que, no meio de uma profunda crise, continua a crescer: a actividade financeira que deu mais um salto, para cima de 4,2%.

Entre 2005 e 2008 as actividades produtivas definharam. Mas a especulação imobiliária e a «financeirização» da economia tiveram um crescimento médio anual de 2,6%. E assim tem continuado em 2009.

Não é por acaso que os lucros líquidos dos cinco maiores grupos financeiros, em tempo de crise profunda, ascenderam, neste 1.º trimestre de 2009, a 523,9 milhões de euros. E os lucros dos 17 principais grupos económicos, no mesmo período, ultrapassaram os 1 172 milhões de euros.

Portugal atingiu pela primeira vez, em 2007, uma taxa de desemprego que ultrapassou a taxa média da União Europeia. E, hoje, ultrapassa já 10% de desemprego em sentido lato. São 625 000 pessoas, das quais mais de 300 000 não recebem qualquer subsídio de desemprego.

Ao que acresce a precariedade no trabalho para mais 110 000 trabalhadores nestes quatro anos. Um expressivo aumento que eleva para 31,3% os trabalhadores com um trabalho precário. 

São dois problemas que, pela sua dimensão, se transformaram num enorme flagelo social. Que atinge particularmente os jovens com uma taxa de desemprego de mais de 20% e que as políticas laborais deste Governo espoliaram de direitos.

Perante este estado de coisas de novo está montado o cíclico e recorrente esquema que ilude e esconde a responsabilidade de sucessivos governos do PS e do PPD/PSD atrás da mudança do líder.

Mudança que deixa intocáveis as políticas. É preciso lembrar o passado recente. O então Primeiro-Ministro Cavaco Silva, o «homem do leme», abandonou o barco quando surgiram as dificuldades. Guterres, quando lhe passou a paixão, foi-se embora. Durão Barroso, perante os sinais da crise, zarpou para Bruxelas deixando Santana Lopes e Paulo Portas a escangalhar o resto. Mudam de actores, mas mantêm a política de direita.

É tempo de mudar de rumo e de romper com esta situação.

Especialista em Sistemas de Comunicação e Informação

                                                                                      

In "Jornal do Centro" - Edição de 17 de Julho de 2009

                                                                                         

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