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O CASTENDO

TERRAS DE PENALVA ONDE «A LIBERDADE É A COMPREENSÃO DA NECESSIDADE»

O CASTENDO

TERRAS DE PENALVA ONDE «A LIBERDADE É A COMPREENSÃO DA NECESSIDADE»

Um retrato de PENALVA DO CASTELO

   Contributo da Comissão Concelhia do PCP de Penalva do Castelo para o Encontro/Debate, realizado no passado dia 13 de Outubro, na Escola Secundária Emídio Navarro, em Viseu, subordinado ao tema «Distrito de Viseu -  Outro Rumo, Nova Política ao Serviço do Povo e do País», que contou com a participação de Jerónimo de Sousa, Secretário-Geral do PCP.(ver aqui e aqui)


1. Penalva do Castelo é um dos mais pobres concelhos do país de acordo com os indicadores de desenvolvimento social das Nações Unidas.

Penalva tem cerca de 130 km2 e perto de 9 000 habitantes. É constituído por 13 freguesias e 75 lugares. No nosso concelho verifica-se uma baixa taxa de natalidade e uma elevada taxa de mortalidade. Contraditoriamente a população tem crescido, ainda que de forma ligeira, nos últimos anos. Isto é devido ao regresso de emigrantes e de reformados. O que contribui ainda mais para o envelhecimento progressivo da população (o índice de envelhecimento é de 155 por 100).

Segundo os dados do censo de 2001, cerca de 18% da população é analfabeta, o que representa quase o dobro da média nacional. Não é pois de estranhar que 20,8% não tenha completado nenhum grau de ensino. Que mais de 70% possua o ensino básico, dos quais 47% tem apenas o 1º ciclo. Que só 5% detenha um nível médio ou superior.

No mesmo ano, a distribuição da população revelava que 16% trabalhava no sector primário, 47% no secundário e 37% no comércio e serviços. O maior número de empresas concentra-se no comércio e na construção civil. Mas a sua dimensão é muito reduzida – a esmagadora maioria tem menos de 5 trabalhadores.

A distribuição do emprego e dos estabelecimentos evidencia que em Penalva do Castelo se destacam os sectores da construção e da indústria extractiva, apresentando valores claramente superiores aos outros sectores de actividade.


2. A maçã Bravo Esmolfe, os vinhos do Dão e o queijo da Serra são os três produtos que têm contribuído para a criação de uma «imagem de marca» do concelho. É a chamada «trilogia de excelência produtiva».

A Maçã Bravo Esmolfe é um produto com Denominação de Origem Protegida (DOP), cuja produção extravasa em muito o concelho. Neste momento abrange 7 900 hectares, cerca de 3 mil produtores (apenas 3% [95] estão certificados) e estende-se por 31 concelhos.

Relativamente à produção de vinhos o concelho está integrado na área geográfica de Origem Controlada Dão (OCD), sub-região de Castendo. Existem cerca de 400 produtores.

Penalva do Castelo pertence à área demarcada do Queijo da Serra e faz parte da Associação de Pastores e Produtores de Queijo da Serra da Estrela. Existem menos de 80 produtores.

Nestas actividades calcula-se que mais de 70% das mais-valias geradas sejam retidas pelo sector da distribuição. Sector onde estão, de facto, concentrados os grandes lucros. Este dado é um dos que obsta a que os produtores vão mais longe nos processos de certificação.

Um bom exemplo é o que se passa com a maçã Bravo Esmolfe. Segundo as associações do sector, existe potencial para decuplicar (multiplicar por 10), com facilidade a sua actual produção. Acresce que esta variedade de maçã é portuguesa e única no mundo. Mas está para resolver a "guerra" entre as empresas que distribuem o produto e as grandes superfícies. Com estas últimas a reivindicar, para aceitarem vender a maçã, que esta surja com a sua (delas) marca. O que prejudica todos os outros a montante do processo entre a produção e a intermediação.


3. O quadro geral do concelho é de estagnação e mesmo retrocesso económico, social e cultural. Para o que contribuem quer as políticas dos sucessivos governos, quer as maiorias de direita, nomeadamente do PSD e do CDS/PP, na autarquia.

Mas existem alternativas. E são necessárias e possíveis outras políticas. Os comunistas de Penalva do Castelo têm propostas concretas ancoradas no sentir mais profundo da população do concelho.

Desde logo é necessário construir uma zona industrial que cative empresas a instalarem-se e que garantam continuidade e futuro no concelho.

É necessário incentivar e apoiar as produções da denominada «trilogia de excelência produtiva», para que ela passe a ser «produtiva» e lucrativa para os produtores. Que de «excelência» já ela é como todos nós por esse país fora e no estrangeiro podemos comprovar.

O turismo no nosso concelho não existe. Está no nível zero. Meia dúzia de placas alusivas ao tema e nada mais.

É preciso apostar forte nesta área, visto que o nosso concelho tem um valioso património ambiental/paisagístico, histórico e cultural.

O nosso atraso não é uma inevitabilidade como nos querem fazer crer. Sim, é possível outro caminho. Um novo rumo para o concelho de Penalva do Castelo e para o distrito de Viseu.

   

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