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O CASTENDO

TERRAS DE PENALVA ONDE «A LIBERDADE É A COMPREENSÃO DA NECESSIDADE»

O CASTENDO

TERRAS DE PENALVA ONDE «A LIBERDADE É A COMPREENSÃO DA NECESSIDADE»

Quem disse que «organizações como a NATO só servem para nos associar à injustiça»?

     Não foi Augusto Santos Silva, claro! Nem podia ser! Augusto Santos Silva foi aquele que disse que «Portugal é um aliado sempre leal [da NATO], tem-no sido sempre», lembram-se?

Também não foi Jorge Sampaio que disse a frase. Jorge Sampaio está mais a meio caminho entre o «não me comprometa!» e o «eu estou comprometido mas NEGO, N-E-G-O». Aqui e aqui o vemos ao lado de Augusto Santos Silva quando ele pronunciou a frase «Portugal é um aliado sempre leal [da NATO], tem-no sido sempre», e não parece nada incomodado... Aqui pode ver-se Jorge Sampaio ao lado de Jose Luis Rodríguez Zapatero, Tayyip Erdoğan e Ban Ki-moon participando num forum da UNAOC (Aliança das Civilizações das NU), na Turquia. Sem que Sampaio se mostre incomodado «Zapatero ofrece a la OTAN la ayuda de la Alianza de Civilizaciones» ... Sampaio diz sempre qualquer coisa como «é de referir o elevado nível de participação que Portugal tem assegurado no seio das forças internacionais de paz da ONU, da NATO e da UE...», ou como «On the one hand, we have the intense but up till now incipient efforts to reform the major international organisations – UN, NATO, IMF, to mention just the more salient ones – that attest to the need to find answers that are better adjusted to the realities of our times.» [Traduzir isto? Não vale a pena. É uma daquelas frases de Jorge Sampaio que não aquecem nem arrefecem...]

    Cavaco Silva a dizer a frase do título? Nem pensar! Pois se «Cavaco Silva disse que o falhanço da NATO no Afeganistão será grave»...

Também não adianta pensar na hipótese de ter sido Sócrates: José Sócrates anunciou reforço militar português no Afeganistão...  

Está visto, portanto, que nem Santos Silva, nem Sampaio, nem Zapatero, nem Cavaco Silva, nem Sócrates, poderiam alguma vez ter dito a frase do título.

    Bem, deixemos os disparates. Passemos a uma hipótese séria: terá sido o PCP a afirmar o que está no título?

Não, não foi o PCP. Podia ter sido, mas não foi. O PCP disse (e diz) na Resolução Política do seu XVIII Congresso:

Os objectivos, métodos e evolução da NATO comprovam o seu carácter de «polícia de choque» do imperialismo e reforçam, de acordo com a própria Constituição da República Portuguesa, a exigência de dissolução desta organização agressiva, de cuja estrutura militar Portugal deve progressivamente desvincular-se.

O que está no texto original (de Bertrand Russell) que inclui a frase do título é:

The most useful contribution that we could make to educating world opinion about the evil of America’s military adventures would be to promote a serious campaign to force our own leaders to abandon their alliances with the USA. Bodies such as NATO serve only to associate us with injustice.

[A contribuição mais útil que poderia ser dada para educar a opinião pública mundial acerca da maldade das aventuras militares da América seria promover uma séria campanha para forçar os nossos próprios dirigentes a abandonar as suas alianças com os EUA. Organizações como a NATO só servem para nos associar à injustiça.]

    O PCP diz:

As declarações de inquietação com o investimento militar por parte de países em desenvolvimento são cabalmente desmascaradas pelo facto de os EUA e a NATO dominarem quase hegemonicamente as capacidades militares mundiais, incluindo a produção e o comércio de armas. Só o orçamento militar dos EUA representa cerca de metade das despesas militares mundiais, envolvendo 761 bases e outras instalações militares em território estrangeiro.

      O texto de Bertrand Russell afirma mais adiante: 

A long tradition of instinctive sympathy with oppressed peasants has been virtually wiped out by the present government with its servility to bankers and Washington, its sale of weapons to barbarous regimes, its ‘responsible’ anti-communism and its NATO-dominated view of Britain’s place in the world.

[Uma longa tradição de simpatia natural com os camponeses oprimidos tem sido virtualmente varrida pelo governo actual com a sua subserviência aos banqueiros e a Washington, com a sua venda de armas a regimes bárbaros, com o seu anti-comunismo 'responsável' e com a sua visão, dominada pela NATO, do lugar do Reino Unido no mundo.]

Neste blogue:

adaptado de um e-mail enviado pelo Jorge

                                                                  

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