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O CASTENDO

TERRAS DE PENALVA ONDE «A LIBERDADE É A COMPREENSÃO DA NECESSIDADE»

O CASTENDO

TERRAS DE PENALVA ONDE «A LIBERDADE É A COMPREENSÃO DA NECESSIDADE»

Fantasia ou Verdade?

 

     Em Fevereiro de 2005, quando o Partido Socialista ganhou as eleições, estavam inscritos nos Centros de Emprego do Distrito (Lamego, São Pedro do Sul, Tondela e Viseu) 17.413 desempregados. Em Novembro de 2009 o desemprego registado cifrava-se em 17.572, dos quais 9602 eram mulheres. Ou seja, a variação é quase nula. Conhecendo a realidade do país – só no último ano (entre o 3º trimestre de 2008 e o 3º trimestre de 2009), foram destruídos mais de 178 mil postos de trabalho – como é possível?

Vem-nos imediatamente à memória a frase de Eça de Queirós: «Sobre a nudez crua da Verdade, o manto diáfano da Fantasia». Estamos pois perante a Fantasia ou a Verdade?

Sabe-se que os dados dos desempregados divulgados mensalmente pelo Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP) não abrangem a totalidade dos desempregados. Só incluem os desempregados que tomaram a iniciativa de se inscreverem nos Centros de Emprego. Todos os desempregados que não se inscreveram nos Centros de Emprego, e são ainda muitos, não estão considerados nos números do desemprego registado divulgados mensalmente pelo IEFP.

A estes há que acrescentar os que, mensalmente, são eliminados dos ficheiros por iniciativa do próprio Instituto. Este é um «estranho fenómeno» (a «culpa», para variar, começou por ser atribuída à informática) que sucede todos os meses no IEFP. E apesar de ser um «fenómeno» recorrente, o seu presidente tem-se recusado sistematicamente a explicar as suas causas.

Um exemplo retirado de um estudo recente do economista Eugénio Rosa é deveras esclarecedor.

No último dia de Outubro de 2009, existiam registados nos ficheiros dos Centros de Emprego 517.526 desempregados, de acordo com o próprio IEFP. Durante o mês de Novembro inscreveram mais 61.204 desempregados, e os Centros de Emprego colocaram (arranjaram emprego) para 5.549 desempregados. Portanto, se somarmos aos 517.526 desempregados que transitaram de Outubro para Novembro o número de desempregados que se inscreveram durante o mês de Novembro (61.204) e se depois retirarmos à soma assim obtida aqueles que os Centros de Emprego arranjaram emprego (5.549), obtém-se 573.181, que era o número de desempregados que devia existir no fim de Novembro de 2009.

No entanto, o IEFP divulgou na sua «Informação Mensal do Mercado do Trabalho» que estavam inscritos nos Centros de Emprego no fim do mês de Novembro apenas 523.680 desempregados. O que significa que desapareceram dos ficheiros dos Centros de Emprego 49.501 desempregados (573.181-523.680), sem que o IEFP apresente qualquer justificação na «Informação» que divulgou.

Acresce que em Viseu há Centros de Emprego que, em vários concelhos, durante meses a fio não colocaram um só desempregado. No distrito de aumentou em cerca de 42% o número dos desempregados portadores de habilitações de nível superior e em cerca de 20% o dos desempregados portadores de habilitações ao nível do ensino secundário. Constata-se a existência de um número significativo de pessoas inscritas sem qualquer habilitação literária. Este facto, muitas vezes conjugado com a faixa etária elevada, impossibilita na prática o seu (re)ingresso no mercado de trabalho. A taxa de satisfação dos postos de trabalhos vagos é diminuta.

Repetimos a pergunta: Fantasia ou Verdade?

Especialista em Sistemas de Comunicação e Informação

In "Jornal do Centro" - Edição de 08 de Janeiro de 2010

                                                                                            

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