Quinta-feira, 25 de Outubro de 2007

Haja Memória!

    Agora que se discute se a PIDE matou muito ou pouco aqui ficam estes dados para conhecimento e reflexão de todos sobre o que foi o regime fascista de Salazar e Caetano que oprimiu o nosso país de 28 de Maio de 1928 a 25 de Abril de 1974.

   

1931
O estudante Branco é morto pela PSP, durante uma manifestação no Porto;

1932
Armando Ramos
, jovem, é morto em consequência de espancamentos; Aurélio Dias, fragateiro, é morto após 30 dias de tortura; Alfredo Ruas, é assassinado a tiro durante uma manifestação em Lisboa;

1934, 18 de Janeiro
Américo Gomes, operário, morre em Peniche após dois meses de tortura; Manuel  Vieira Tomé, sindicalista ferroviário morre durante a tortura em consequência da repressão da greve; Júlio Pinto, operário vidreiro, morto à   pancada; a PSP mata um operário conserveiro durante a repressão de uma greve em Setúbal

1935
Ferreira de Abreu, dirigente da organização juvenil do PCP, morre no   hospital após ter sido espancado na sede da PIDE (então PVDE);

1936
Francisco Cruz, operário da Marinha Grande, morre na Fortaleza de Angra do Heroísmo, vítima de maus tratos, é deportado do 18 de Janeiro de 1934; Manuel Pestana Garcez, trabalhador, é morto durante a tortura;

1937
Ernesto Faustino, operário; José Lopes, operário anarquista, morre durante a tortura, sendo um dos presos da onda de repressão que se seguiu ao atentado a Salazar; Manuel Salgueiro Valente, tenente-coronel, morre em condições suspeitas no forte de Caxias; Augusto Costa, operário da Marinha Grande, Rafael Tobias Pinto da Silva, de Lisboa, Francisco Domingues Quintas, de Gaia, Francisco Manuel Pereira, marinheiro de Lisboa, Pedro Matos Filipe, de Almada e Cândido Alves Barja, marinheiro, de Castro Verde, morrem no espaço de quatro dias no Tarrafal, vítimas das febres e dos maus tratos; Augusto Almeida Martins, operário, é assassinado na sede da PIDE (PVDE) durante a tortura ; Abílio Augusto Belchior, operário do Porto, morre no Tarrafal, vítima das febres e dos maus tratos;

1938
António Mano Fernandes, estudante de Coimbra, morre no Forte de Peniche, por lhe ter sido recusada assistência médica, sofria de doença cardíaca; Rui Ricardo da Silva, operário do Arsenal, morre no Aljube, devido a tuberculose contraída em consequência de espancamento perpetrado por seis agentes da Pide durante oito horas; Arnaldo Simões Januário, dirigente anarco-sindicalista, morre no campo do Tarrafal, vítima de maus tratos; Francisco Esteves, operário torneiro de Lisboa, morre na tortura na sede da PIDE; Alfredo Caldeira, pintor, dirigente do PCP, morre no Tarrafal após lenta agonia sem assistência médica;

1939
Fernando Alcobia, morre no Tarrafal, vítima de doença e de maus tratos;

1940
Jaime Fonseca de Sousa
, morre no Tarrafal, vítima de maus tratos; Albino Coelho, morre também no Tarrafal; Mário Castelhano, dirigente anarco-sindicalista, morre sem assistência médica no Tarrafal;

1941
Jacinto Faria Vilaça;
Casimiro Ferreira; Albino de Carvalho; António Guedes Oliveira e Silva; Ernesto José Ribeiro, operário, e José Lopes Dinis morrem no Tarrafal;

1942
Henrique Domingues Fernandes
morre no Tarrafal; Carlos Ferreira Soares, médico, é assassinado no seu consultório com rajadas de metralhadora, os agentes assassinos alegam legítima defesa (?!); Bento António Gonçalves, secretário-geral do P. C. P. Morre no Tarrafal; Damásio Martins Pereira, fragateiro, morre no Tarrafal; Fernando Óscar Gaspar, morre tuberculoso no regresso da deportação; António de Jesus Branco morre no Tarrafal;

1943
Rosa Morgado
, camponesa do Ameal (Águeda), e os seus filhos, António, Júlio e Constantina, são mortos a tiro pela GNR; Paulo José Dias morre tuberculoso no Tarrafal; Joaquim Montes morre no Tarrafal com febre biliosa; José Manuel Alves dos Reis morre no Tarrafal; Américo Lourenço Nunes, operário, morre em consequência de espancamento perpetrado durante a repressão da greve de Agosto na região de Lisboa; Francisco do Nascimento Gomes, do Porto, morre no Tarrafal; Francisco dos Reis Gomes, operário da Carris do Porto, é morto durante a tortura;

1944
General José Garcia Godinho morre no Forte da Trafaria, por lhe ser recusado internamento hospitalar; Francisco Ferreira Marques, de Lisboa, militante do PCP, em consequência de espancamento e após mês e meio de incomunicabilidade; Edmundo Gonçalves morre tuberculoso no Tarrafal; assassinados a tiro de metralhadora uma mulher e uma criança, durante a repressão da GNR sobre os camponeses rendeiros da herdade da Goucha (Benavente), mais 40 camponeses são feridos a tiro.

1945
Manuel Augusto da Costa morre no Tarrafal; Germano Vidigal, operário, assassinado com esmagamento dos testículos, depois de três dias de tortura no posto da GNR de Montemor-o-Novo; Alfredo Dinis (Alex), operário e dirigente do PCP, é assassinado a tiro na estrada de Bucelas; José António Companheiro, operário, de Borba, morre de tuberculose em consequência dos maus tratos na prisão;

1946
Manuel Simões Júnior, operário corticeiro, morre de tuberculose após doze anos de prisão e de deportação; Joaquim Correia, operário litógrafo do Porto, é morto por espancamento após quinze meses de prisão;

1947
José Patuleia
, assalariado rural de Vila Viçosa, morre durante a tortura na sede da PIDE;

1948
António Lopes de Almeida, operário da Marinha Grande, é morto durante a tortura; Artur de Oliveira morre no Tarrafal; Joaquim Marreiros, marinheiro da Armada, morre no Tarrafal após doze anos de deportação; António Guerra, operário da Marinha Grande, preso desde 18 de Janeiro de 1934, morre quase cego e após doença prolongada;

1950
Militão Bessa Ribeiro
, operário e dirigente do PCP, morre na Penitenciária de Lisboa, durante uma greve de fome e após nove meses de incomunicabilidade; José Moreira, operário, assassinado na tortura na sede da PIDE, dois dias após a prisão, o corpo é lançado por uma janela do quarto andar para simular suicídio; Venceslau Ferreira morre em Lisboa após tortura; Alfredo Dias Lima, assalariado rural, é assassinado a tiro pela GNR durante uma manifestação em Alpiarça;

1951
Gervásio da Costa, operário de Fafe, morre vítima de maus tratos na prisão;

1954
Catarina Eufémia, assalariada rural, assassinada a tiro em Baleizão, durante uma greve, grávida e com uma filha nos braços;

1957
Joaquim Lemos Oliveira, barbeiro de Fafe, morre na sede da PIDE no Porto após quinze dias de tortura; Manuel da Silva Júnior, de Viana do Castelo, é morto durante a tortura na sede da PIDE no Porto, sendo o corpo, irreconhecível, enterrado às escondidas num cemitério do Porto; José Centeio, assalariado rural de Alpiarça, é assassinado pela PIDE;

1958
José Adelino dos Santos, assalariado rural, é assassinado a tiro pela GNR, durante uma manifestação em Montemor-o-Novo, vários outros trabalhadores são feridos a tiro; Raul Alves, operário da Póvoa de Santa Iria, após quinze dias de tortura, é lançado por uma janela do quarto andar da sede da PIDE, à sua morte assiste a esposa do embaixador do Brasil;

1961
Cândido Martins Capilé, operário corticeiro, é assassinado a tiro pela GNR durante uma manifestação em Almada; José Dias Coelho, escultor e militante do PCP, é assassinado à queima-roupa numa rua de Lisboa;

1962
António Graciano Adângio e Francisco Madeira, mineiros em Aljustrel, são assassinados a tiro pela GNR; Estêvão Giro, operário de Alcochete, é assassinado a tiro pela PSP durante a manifestação do 1º de Maio em Lisboa;

1963
Agostinho Fineza
, operário tipógrafo do Funchal, é assassinado pela PSP, sob a indicação da PIDE, durante uma manifestação em Lisboa;

1964
Francisco Brito
, desertor da guerra colonial, é assassinado em Loulé pela GNR; David Almeida Reis, trabalhador, é assassinado por agentes da PIDE durante uma manifestação em Lisboa;

1965
General Humberto Delgado e a sua secretária Arajaryr Campos são assassinados a tiro em Vila Nueva del Fresno (Espanha), os assassinos são o inspector da PIDE Rosa Casaco e o subinspector Agostinho Tienza e o agente Casimiro Monteiro;

1967
Manuel Agostinho Góis
, trabalhador agrícola de Cuba, more vítima de tortura na PIDE;

1968
Luís António Firmino, trabalhador de Montemor, morre em Caxias, vítima de maus tratos; Herculano Augusto, trabalhador rural, é morto à pancada no posto da PSP de Lamego por condenar publicamente a guerra colonial; Daniel Teixeira, estudante, morre no Forte de Caxias, em situação de incomunicabilidade, depois de agonizar durante uma noite sem assistência;

1969
Eduardo Mondlane
, dirigente da Frelimo, é assassinado através de um atentado organizado pela PIDE;

1972
José António Leitão Ribeiro Santos
, estudante de Direito em Lisboa e militante do MRPP, é assassinado a tiro durante uma reunião de apoio à luta do povo vietnamita e contra a repressão, o seu assassino, o agente da PIDE Coelha da Rocha, viria a escapar-se na "fuga-libertação" de Alcoentre, em Junho de 1975;

1973
Amilcar Cabral
, dirigente da luta de libertação da Guiné e Cabo Verde, é assassinado por um bando mercenário a soldo da PIDE, chefiado por Alpoim Calvão;

1974, 25 de Abril
Fernando Carvalho Gesteira
, de Montalegre, José James Barneto, de Vendas Novas, Fernando Barreiros dos Reis, soldado de Lisboa, e José Guilherme Rego Arruda, estudante dos Açores, são assassinados a tiro pelos pides acoitados na sua sede na Rua António Maria Cardoso, são ainda feridas duas dezenas de pessoas.

A PIDE acaba como começou, assassinando. Aqui não ficam contabilizadas as inúmeras vítimas anónimas da PIDE, GNR e PSP em outros locais de repressão.

  • Mais ainda: podemos referir, duas centenas de homens, mulheres e crianças massacradas a tiro de canhão durante o bombardeamento da cidade do Porto, ordenada pelo coronel Passos e Sousa, na repressão da revolta de 3 de Fevereiro de 1927.  
  • Dezenas de mortos na repressão da revolta de 7 de Fevereiro de 1927 em Lisboa, vários deles assassinados por um pelotão de fuzilamento, à ordens do capitão Jorge Botelho Moniz, no Jardim Zoológico.  
  • Dezenas de mortos na repressão da revolta da Madeira, em Abril de 1931, ou outras tantas dezenas na repressão da revolta de 26 de Agosto de 1931.  
  • Um número indeterminado de mortos na deportação na Guiné, Timor, Angra e no Cunene
  • Um número indeterminado de mortos devido à intervenção da força fascista dos "Viriatos" na guerra civil de Espanha e a entrega de fugitivos aos pelotões de fuzilamento franquist as.  
  • Dezenas de mortos em São Tomé, na repressão ordenada pelo governador Carlos Gorgulho sobre os trabalhadores que recusaram o trabalho forçado, em Fevereiro de 1953.  
  • Muitos milhares de mortos durante as guerras coloniais, vítimas do Exército, da PIDE, da OPVDC, dos "Flechas", etc..

(A lista de mortes do fascismo, é adaptada de um texto da autoria da Comissão "Abril Revolucionário e Popular")

  

In Blog "Salazarices"

    

sinto-me:
publicado por António Vilarigues às 12:24
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9 comentários:
De Miguel a 31 de Outubro de 2007 às 07:35
O KGB e a STASI também não foram santinhas nenhumas pois não?

Quando há extremismos há sempre falta de democracia e excessos combinados. Nem Salazar, nem Hitler nem URSS. Democracia para todos enão só para alguns como é neste Portugal que já deixou de ser de Abril há muito tempo.
De António Vilarigues a 31 de Outubro de 2007 às 09:49
Caro Miguel,
O que está em discussão é Portugal. Sobre o resto pode ter a certeza que também lá irei...
De João Gundersen a 31 de Outubro de 2007 às 11:28
Catarina Eufémia não estava grávida e não era militante do PCP. Amílcar Cabral foi assassinado por membros do próprio partido num quadro de luta interna. Isto não diminui a brutalidade que foi o regime de Salazar, mas são imprecisões há muito esclarecidas e que alguma esquerda, nomeadamente o PCP, insiste em repetir...
De António Vilarigues a 31 de Outubro de 2007 às 11:57
Caro João Gundersen,
1. A lista deste post não foi elaborada pelo PCP, mas sim pela Comissão "Abril Revolucionário e Popular". Se pretender uma lista elaborada pelo PCP pode adquirir o livro «PCP — 60 Anos de Luta ao Serviço do Povo e da Pátria — 1921-1981» aqui: http://www.pcp.pt/publica/edicoes-avante/index.htm
2. Catarina Eufémia era efectivamente militante do PCP, digam o que disserem.
Aliás esta história faz-me lembrar duas outras. Uma de alguém que saíu do PCP e que vem dizer e escrever que tem dúvidas sobre se Bento de Jesus Caraça alguma vez foi do PCP. Só que esse "alguém" pertencia ao mesmo organismo, na clandestinidade, do PCP que Bento Jesus Caraça...
Ou Mário Soares que conta uma estória sobre o que o PCP lhe teria ordenado a propósito da candidatura de Norton de Matos, estória que Sérgio Vilarigues desmentiu e corrigiu nas páginas do Público. Confrontado pela jornalista São José Almeida Mário Soares disse que não se lembrava bem... (pode pesquisar no Público de 2001/07/30). O que não o impediu de continuar a vender a sua versão...
3. Amilcar Cabral foi assassinado no ambito de uma operação planeada pelos então CEMGFA e Vice-CEMGFA, respectivamente Costa Gomes e António Spínola. Se consultar os Avantes de 1973 até lá vem o local onde foi a reunião e o que aí se discutiu. Que elementos do PAIGC ao serviço do regime fascista de Marcelo Caetano tenham participado não invalida o essencial. Aliás aconselho-o a ler o que Costa Gomes disse e escreveu sobre o assunto...
4. Entenda estes reparos apenas como esclarecimentos adicionais sobre "verdades" adulteradas pela propaganda. Como muito bem diz «Isto não diminui a brutalidade que foi o regime de Salazar».
5. Sobre verdades adulteradas pode ler neste blog aqui: http://ocastendo.blogs.sapo.pt/search?q=O+atrevimento
e aqui: http://ocastendo.blogs.sapo.pt/search?q=contributo+da+comunica%C3%A7%C3%A3o+social
De João Gundersen a 31 de Outubro de 2007 às 15:09
Existe uma quantidade de testemunhos e estudo que afirmam o que eu disse. Não tenho tempo para ser exaustivo , nem sequer minimamente sintético, mas existe por exemplo o de Natália Santos sobre a desconstrução do mito de Catarina Eufémia e quanto a Amílcar Cabral, a operação "mar verde" de Novembro de '70 falhou, e foi assassinado por um grupo de membros do PAIGC, supostamente liderado por Inocêncio Kani . Estes incidentes em cuja participação do presidente Séku Turé é inicialmente dúbia e depois claramente contra os revoltosos é referida comparada à noite das facas longas, dado que implicou a morte e captura de muitos outros dirigentes. De qualquer em ambos os casos há pontas algumas soltas e estórias " diferentes.
De Anónimo a 24 de Fevereiro de 2008 às 17:59
Caro Vilarigues:
Já que tem acesso a tantos dados históricos, não seria oportuno construir um blogue biográfico rigoroso sobre o que foi o percurso de muitos homens e mulheres no combate ao fascismo até 25 de Abril de 1974? Até porque a memória está a ser reconstruída pelos "vencedores": veja-se o caso das Memórias de Edmundo Pedro. Embora sejam muito importantes, o que acabou por as motivar foi o profundo anticomunismo que passou a movê-lo, bem patente em todo o seu prcurso pós 25 de Abril e em cada página do livro. Os bons são aqueles que ele aprecia, os maus são todos os comunistas que não viraram.
De Ana a 17 de Agosto de 2013 às 00:41
http://paginaglobal.blogspot.pt/2012/12/mocambique-massacre-de-wiriyamu.html
De Maria João Brito de Sousa a 19 de Agosto de 2013 às 16:15
Obrigada, António Vilarigues! É a primeira vez que encontro o nome do meu tio Manuel Salgueiro Valente entre as vítimas da PIDE!

Claro que partilho!


Abraço!
De José Gomes a 15 de Janeiro de 2016 às 01:06
Volvidos todos estes anos 'e de lamentar todas estas mortes, sobretudo se realizarmos que se hoje tivessemos gente de coragem como estes malogrados certamente esta nova ditadura do depois de abril no teria vingado e destruido este lindo e maravilhoso pais,realm ente 'e de lamentar a oportunidade que deixa'mos fugir e em minha opiniao, para sempre....

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