Sexta-feira, 8 de Abril de 2011

Truques de um jornalista

    O jornalista do «Diário de Notícias» e bloguista Pedro Correia (ver também AQUIe AQUI) nestes 3 posts insiste na atoarda e na mentira sobre o pretenso apoio do PCP e dos comunistas portugueses a Muammar Khadafi «na guerra civil em curso na Líbia». Para isso socorre-se do jornal «Avante!».

Respondi-lhe primeiro neste post  e depois neste. Desmascarado no seu «trabalho» de manipulação informativa optou por fugir ao debate de ideias. O pretexto, pasme-se, o conteúdo de um comentário de um leitor (Frantuco), ainda por cima devidamente identificado.

Qual virgem vestal, parece ignorar o que camaradas seus de profissão escrevem e dizem: Vasco Valente Correia Guedes (Vasco Pulido Valente), Ferreira Fernandes, Alberto Gonçalves, António Ribeiro Ferreira, Miguel Sousa Tavares, Fernanda Câncio para só citar seis. Ou os conteúdos de caixas de comentários do Blasfemias, do Jugular, ou do Cinco Dias, para só citar três. Ou os mimos com que já fui tratado aqui mesmo neste blog ou no Salazarices.

Como disse e escreveu um dia um Prémio Nobel da literatura, o escritor alemão Thomas Mann, o anti-comunismo é “a maior estupidez humana”. Eu não sou tão radical…

-

sinto-me:
publicado por António Vilarigues às 14:06
link do post | comentar | ver comentários (3) | favorito
Quarta-feira, 6 de Abril de 2011

Líbia: o toucinho e a velocidade e a desonestidade intelectual

O jornalista e bloguista Pedro Correia está todo abespinhado porque afirmei:

«Já o caso de Pedro Correia é diferente. AQUI e AQUI conclui sobre o pretenso apoio do PCP e dos comunistas portugueses a Khadafi. Quando em TODOS os textos e tomadas de posição é claramente feita a distinção entre o líder líbio e o seu povo. E são claras e inequívocas as críticas a Khadafi. Ao misturar o toucinho com a velocidade e ao esconder esses factos dos seus leitores, o jornalista Pedro Correia está a entrar numa área «repugnante» (para utilizar um termo dele): a manipulação informativa e a desonestidade intelectual.»

Vamos por partes:

1. Pedro Correia manifestou-se interessado em conhecer a minha posição sobre a situação na Líbia. Satisfiz-lhe a curiosidade num extenso post de quase 6 500 caracteres. Sobre o que escrevi Pedro Correia diz nada, nepia, nickles. Ou melhor, acusa-me de «querer matar à nascença qualquer debate de ideias». Com seis mil e quinhentos caracteres? Espantoso!

2. Pedro Correia, insiste, insiste, insiste sobre a tese de que o PCP apoia Muammar Khadafi «na guerra civil em curso na Líbia». E socorre-se do jornal «Avante!». Façamos o mesmo (por ordem cronológica».

3. «É 'vendido' por aqueles que venderam a Kadhafi os programas de ajuste do FMI e que estão na origem da deterioração da situação social no país; (...)

Kadhafi está enganado quando diz que o seu povo o ama, e uma das razões reside no facto de ao abraçar a «guerra contra o terrorismo» ter voltado as costas ao seu próprio povo

e

«Longe vai o tempo em que o regime líbio se caracterizava pelo anti-imperialismo. Há anos que predomina a colaboração económica, mas também política e entre serviços secretos, com as potências imperialistas. Hoje Kadafi colecciona inimigos entre as forças progressistas do mundo árabe e Médio Oriente. Mas a sua colaboração com o imperialismo não impede que este o sacrifique.»

e

«É óbvio que uma parte da população líbia já não se revê em Kadhafi e no seu regime «unificador de todos os clãs» – o mesmo regime que (sobretudo após 1993) abraçou os programas de ajuste estrutural do FMI e a sua política de privatizações; os grandes negócios com as principais potências imperialistas e a «guerra contra o terrorismo» de Bush.»

e

«A agressão contra a Líbia é hipócrita, pois faz parte da estratégia do imperialismo de tentar subverter as aspirações democráticas, sociais e de independência nacional do movimento de libertação dos povos árabes, e simultaneamente confundir e esconder o carácter antidemocrático, explorador e opressor dos regimes ditatoriais e apátridas que durante décadas e décadas têm sido e continuam a ser alimentados, armados e protegidos pelo Ocidente para servir os seus interesses.»

e

«O dirigente líbio não me inspira hoje respeito. Acredito que muitos dos seus compatriotas que participam na rebelião da Cirenaica e exigem o fim do seu regime despótico actuam movidos por objectivos louváveis.

Mas invocar a personalidade e os desmandos de Muamar Khadafi no esforço para apresentar como exigência de princípios e valores da humanidade a criminosa agressão ao povo de um país soberano é o desfecho repugnante de uma ambiciosa estratégia imperialista.»

Chega ou quer mais? Pedro Correia não sabe ler? Não consegue distinguir o apoio por parte do PCP à luta do povo líbio?


4. E o que diz o PCP sobre o assunto (também por ordem cronológica):

«O PCP condena a repressão que se faz sentir em países como o Iémen, Bahrein, Argélia, Marrocos e Líbia.»

e

«Longe de corresponder a qualquer genuíno sentimento de solidariedade para com o povo da Líbia e de defesa dos seus legítimos direitos, a Resolução adoptada pelo CS da ONU visa dar cobertura aos objectivos das grandes potências ocidentais de intervenção directa nos assuntos internos deste Estado soberano e de controlo geoestratégico e dos recursos naturais da Líbia.»

e

Nota da Comissão Política do Comité Central do PCP. Nem uma linha sobre Muammar Khadafi.

Percebido? Ou é preciso fazer um desenho? Onde é que Pedro Correia enxerga o apoio do PCP ao «camarada»  Khadafi? (já agora: Khadafi, não é, nem nunca foi, camarada do PCP)

Isto é ou não  manipulação informativa e a desonestidade intelectual? Ao leitor de decidir...

5. E como não quero que falte nada ao Pedro Correia aqui vai um conselho (à borla) de leitura sobre a temática em apreço: Cravo de Abril.

-

sinto-me:
publicado por António Vilarigues às 14:01
link do post | comentar | ver comentários (2) | favorito
Terça-feira, 22 de Março de 2011

Líbia: o toucinho e a velocidade

Os jornalistas e bloguistas Daniel Oliveira e Pedro Correia estão curiosos sobre a minha posição sobre a situação na Líbia. Por uma vez vou satisfazer-lhes a curiosidade.

1. A minha posição, como comunista, como marxista-leninista, parte de uma posição de classe: a quem serve a actual escalada política e militar neste país?

Dois objectivos motivaram o ataque à Líbia: por um lado, o saque dos recursos naturais – petróleo e gás. Por outro, a necessidade de controlar através do medo, o rumo das rebeliões populares que na Tunísia e no Egipto derrubaram as ditaduras de Ben Ali e Mubarak, ambos aliados de Washington.

2. É óbvio que uma parte da população líbia já não se revê em Kadhafi e no seu regime «unificador de todos os clãs». O mesmo regime que (sobretudo após 1993) abraçou os programas de ajuste estrutural do FMI e a sua política de privatizações. Que abraçou os grandes negócios com as principais potências imperialistas e a «guerra contra o terrorismo» de Bush.

Kadhafi está enganado quando diz que o seu povo o ama. E uma das razões reside precisamente no facto de ao abraçar a «guerra contra o terrorismo» ter voltado as costas ao seu próprio povo.

Mas também há dados que nos indicam continuar a haver sectores que apoiam o actual regime, seja do ponto de vista político e militar, seja popular.

3. Estamos pois perante um conflito interno que se desenrola num país com características muito particulares e em que os clãs, e o acesso que têm ao armamento, pesaram determinantemente no facto de o conflito ter rapidamente resvalado para um confronto militar interno, com as terríveis consequências que isso acarreta.

4. É conhecida a formidável capacidade de espionagem nesta zona por parte dos EUA e das antigas potências coloniais europeias, bem como de Israel, do Egipto, da Arábia Saudita e dos Emiratos Árabes Unidos. É extremamente significativo que não tenham conseguido divulgar durante estas semanas informações e imagens credíveis sobre genocídios da parte governamental. Nem sobre a verdade das operações realizadas que tornaram Benghazi a zona rebelde por excelência.

A invasão do Iraque teve como pretexto uma enorme mentira. Nada está a ficar diferente no ataque à Líbia.

5. A captura de militares holandeses em território Líbio pelas forças leais a Kadhafi e a captura de militares britânicos pelos próprios rebeldes foram dois acontecimentos elucidativos. Estes dois factos, por si só, tornaram clara a estratégia da NATO e das suas principais potências. Tratava-se de desenvolver, num quadro de uma situação de conflito interno, uma ilegal e criminosa acção de ingerência, espionagem, incitamento, treino e armamento de alguns sectores rebeldes. Tratava-se de criar o «caos humanitário» no País e, finalmente, abrir o campo ao grande objectivo: a intervenção militar e domínio sobre aquele imenso território.


6. Perante este cenário qual deveria ter sido a actuação da chamada comunidade internacional?

A atitude do Conselho de Segurança das Nações Unidas e do Secretário Geral da ONU deveria, à luz da Carta das Nações Unidas, ser a de promover e apoiar iniciativas diplomáticas de países como a Venezuela e de organizações, como a União Africana, visando uma resolução pacífica do conflito interno na Líbia.

A realidade foi outra. Assistimos, isso sim, a uma actuação de apoio a uma estratégia que visou iniciar mais uma guerra imperialista de agressão. Guerra essa que, inevitavelmente, agravará o conflito interno e provocará ainda maior instabilidade em toda a região do Magrebe e Médio Oriente.

De sublinhar a abstenção na votação dos quatro países do chamado BRIC: Brasil, Rússia, Índia e China. Bem como a idêntica posição por parte da Alemanha.

7. EUA, Inglaterra e França preparam-se para «salvar» o povo Líbio do «ditador louco». Apesar das sucessivas declarações dos rebeldes contra uma intervenção militar estrangeira no conflito Líbio. O discurso da «intervenção humanitária» volta às parangonas. É «vendido» pelos mesmos que venderam a Kadhafi os programas de ajuste do FMI e que estão na origem da deterioração da situação social no país.

Enquanto invocam a defesa da liberdade e da democracia e motivos humanitários para bombardear a Líbia, os EUA apoiam as matanças praticadas pela ditadura feudal do Iémen e incentivaram a monarquia islamista da Arábia Saudita a invadir o Bahrein, sede da V Esquadra da US Navy – para reprimir a insurreição do seu povo.

A contradição ilumina bem o farisaísmo de Washington. Aliás como sempre ao longo da sua história (ver The National Security Archive).

8. A presença na dita coligação de Marrocos, Qatar, Emiratos Árabes Unidos, Jordânia e Iraque, tudo, como se sabe, regimes que são extremosos defensores dos «direitos humanos» é elucidativa. Como elucidativa é a afirmação arrogante do embaixador francês que o Conselho de Segurança «não é um quartel-general» e que «este Conselho deve dar autorização política e depois os países devem trabalhar juntos para a [a dita «zona de exclusão aérea»] impor».

A promessa de Berlusconi, outro impoluto humanista, de se juntar aos agressores, só arrastará ainda mais esta agressão pela lama da ignomínia.

9. Na Líbia, como na Palestina, no Líbano, na Jugoslávia, no Iraque, no Afeganistão e em tantos outros lugares, as potências imperialistas acenam cinicamente com preocupações de «direitos humanos» e defendem a dita «ingerência humanitária». Mas, na prática, apenas semeiam a morte e a destruição como forma de assegurar a exploração dos povos e dos seus recursos.

O verdadeiro amor ao povo Líbio passa neste momento por impedir mais um crime «humanitário» do imperialismo e afirmar sem tibiezas que lhe caberá decidir do seu próprio destino.


Para terminar, apenas duas notas:

Este texto de Daniel Oliveira enferma de demasiados erros factuais (ler os comentários). Erros esses que servem de fundamento a algumas das conclusões. O jornalista Daniel Oliveira deveria saber que quando as premissas estão erradas as conclusões também.

Já o caso de Pedro Correia é diferente. AQUI e AQUI conclui sobre o pretenso apoio do PCP e dos comunistas portugueses a Khadafi. Quando em TODOS os textos e tomadas de posição é claramente feita a distinção entre o líder líbio e o seu povo. E são claras e inequívocas as críticas a Khadafi. Ao misturar o toucinho com a velocidade e ao esconder esses factos dos seus leitores, o jornalista Pedro Correia está a entrar numa área «repugnante» (para utilizar um termo dele): a manipulação informativa e a desonestidade intelectual.

-

sinto-me:
publicado por António Vilarigues às 13:13
link do post | comentar | favorito
Quarta-feira, 12 de Janeiro de 2011

Jogos Diplomáticos em Alterações Climáticas

«(…) Os países industrializados ou não dispõem de [dessas] fontes de energia ou neles estas já se encontram em avançada fase de esgotamento (casos dos EUA e do Reino Unido), então o capitalismo internacional, que anteriormente colhia as rendas a montante, à boca da mina ou do poço, nos países produtores e através das corporações transnacionais, procura agora extrair as rendas a jusante do ciclo de vida dos combustíveis fósseis, no consumo final, na forma de «taxas de carbono» ou outras. Para que esta estratégia passe desapercebida nos seus intentos, importa não admitir a escassez dos recursos fósseis ao nível da sua extracção, mas sim fazer valer o constrangimento ao nível da sua utilização final – as emissões de CO2. (…) E como táctica esquemática, dividir as pessoas que tenham opinião entre optimistas e pessimistas (quanto aos recursos), ou entre cépticos e crentes (quanto às emissões); tudo matéria de opinião; sobre que os políticos decidem a favor dos poderes económicos.»

-

sinto-me:
publicado por António Vilarigues às 00:09
link do post | comentar | favorito
Quinta-feira, 18 de Novembro de 2010

A patente do açafrão: A apropriação monopolista da ciência, do conhecimento e da cultura

Se há quem possa ter ficado intrigado com o título desta comunicação, é porque lhe passaram despercebidos os Relatórios do Desenvolvimento Humano de 2001 e 20041. Nessas insuspeitas publicações consta a informação de que o açafrão da Índia e o feijão enola do México foram objecto de registo de patente nos EUA (embora no segundo caso a patente viesse a ser anulada), respectivamente em 2002 e 1999.

E porquê destacar esta questão relativamente marginal? O açafrão e o feijão enola já eram mercadoria muitos séculos antes de existir capitalismo. O que este registo e esta tentativa de registo de patente enunciam é um outro facto: o que o capitalismo transforma deste modo em mercadoria é, não o açafrão ou o feijão enola, mas o conhecimento secular, colectivamente gerado e preservado tradicionalmente por comunidades humanas, que conduziu à selecção e produção dessas espécies.

Ler Texto Integral

-

sinto-me:
publicado por António Vilarigues às 00:08
link do post | comentar | favorito
Quinta-feira, 23 de Setembro de 2010

Pelo mundo: unidade do trabalho contra o capital

-

sinto-me:
publicado por António Vilarigues às 00:03
link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito
Domingo, 21 de Março de 2010

Que Programa? Que Estabilidade? Que Crescimento?

     A proposta do chamado Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC) foi concebida com o objectivo de impor uma redução do défice para um valor inferior a 3% até 2013. Primeira grupo de perguntas se impõe: porquê o limite de 3% do PIB para o défice das contas públicas em três anos? Qual é a lei económica que dita tal barbaridade? Que justificação têm PS, PPD/PSD, CDS/PP e tuti quanti para esta opção de redução drástica do défice em tão curto espaço de tempo? Estarão os 16 países da Zona Euro, com a sua obrigatoriedade do défice abaixo dos 3%, certos? E será que todos os restantes 180 países do Planeta (EUA, Inglaterra, Suiça, Japão, Brasil, China, Rússia, Índia, etc.) onde tal obrigatoriedade não se coloca, errados?

Este Programa prevê a manutenção de altas taxas de desemprego e em 2013 uma taxa de 9,3%. A perspectiva mais optimista que tem de crescimento económico é um valor de 1,7% nesse mesmo ano. É um PEC de credibilidade zero porque ninguém acredita que seja possível passar de 9,3% de défice em 2009 para 2,8% em 2013. A menos que se queira comprometer o futuro do país e destruir a vida de muitos milhares de portugueses.

O PEC constitui uma repetição de agravadas receitas, medidas e orientações que tantos sacrifícios, desigualdades e injustiças, têm imposto à maioria do povo português. O congelamento dos salários reais. A continuação da destruição do emprego no sector público. A imposição do aumento da idade da reforma na administração pública, dos 62,5 para os 65 anos. Novos cortes nas prestações sociais. Alterações no subsídio de desemprego. Novos cortes também no investimento público. Novos aumentos dos preços. Novas limitações das deduções à colecta com despesas de saúde e educação.

Um PEC com um perverso programa de privatizações que atinge sectores estratégicos e monopólios naturais onde intervém o Estado. Para um valor que esperam realizar de 6 mil milhões de euros, falam em 32 privatizações, e vão para lá de tudo o que algum dia tinham admitido na REN, EDP, GALP, TAP, ANA e CTT. A presença do Estado é assim eliminada em empresas estratégicas. Isto quando se sabe que cerca de 50.000 milhões de euros entraram nos últimos 25 anos para os cofres do Estado, oriundos das privatizações. E a verdade é que o país está mais injusto, mais desigual e mais dependente.

O Governo fala de «distribuição equitativa do esforço de consolidação orçamental». Este PEC anuncia a «tributação das mais-valias mobiliárias». Mas só quando for oportuno!

Este é um programa que agrava os sacrifícios para os trabalhadores e o Povo português, mas traz novas benesses e privilégios para o grande capital. Este não é um programa de estabilidade, nem de crescimento, mas sim um programa de instabilidade, de retrocesso e declínio nacional. Este chamado Programa de Estabilidade é sobretudo uma opção pelos mais ricos e poderosos, contra o Povo e o país. Ao contrário do que dizem PS, PPD/PSD e CDS/PP, este caminho não é inevitável.

Este é um Programa que hipoteca o futuro do país. Que não responde à principal questão estrutural da economia portuguesa: o brutal nível do endividamento externo. Não se responde ao endividamento travando o crescimento do produto nacional. Não há futuro sólido, sustentado e soberano sem uma aposta na produção nacional, na industrialização do país, no desenvolvimento da agricultura e das pescas.

Especialista em Sistemas de Comunicação e Informação

In "Jornal do Centro" - Edição de 19 de Março de 2010

                                                                                             

sinto-me:
publicado por António Vilarigues às 00:08
link do post | comentar | favorito
Segunda-feira, 1 de Março de 2010

«Portugal não é um país pequeno», na versão do nosso bem-AMADO governo

Onde estão as fronteiras de segurança de Portugal?

Esta é uma pergunta a que tentaremos agora responder pela voz sempre autorizada e clarividente dos nossos governantes. Eis as angustiantes respostas que fariam roer-se de inveja os governantes (fascistas...) de outrora.

 

1. Nuno Severiano Teixeira, Junho de 2006 e 30 de Outubro de 2006: 

Porque o conceito de segurança do nosso tempo não pára nas fronteiras nacionais, nem nas fronteiras regionais. Extravasa essas fronteiras, porque se trata de uma segurança global. (...) Hoje as sociedades são abertas, as fronteiras são fluidas, multiplicam-se os actores nacionais (empresas,organizações da sociedade civil, redes científicas, associações profissionais, etc.) que se relacionam, interna e externamente, sem recurso à intervenção do Estado. (...) No passado, a fronteira da segurança europeia estava em Berlim. Hoje, transferiu-se para o Médio Oriente. É lá que está o centro de gravidade dos conflitosinternacionais e das ameaças à segurança europeia. E ontem como hoje, na guerra fria como nos nossos dias, a fronteira da segurança portuguesa é a fronteira da segurança europeia. (...) A presença portuguesa na Bósnia-Herzegovina significa que a defesa nacional é, hoje, inseparável da defesa europeia e que as fronteiras da segurança portuguesa são as fronteiras da segurança europeia. (...) A iniciativa do Presidente Medvedev sobre segurança colectiva no espaço euro-atlântico é, à partida,um passo no bom sentido, que pode e deve consolidar o status quo na região,no respeito pela soberania de todos os Estados e pelas fronteiras estabelecidas no fim da Guerra Fria. A NATO continuará a ser o principal garante da segurança dacomunidade euro-atlântica. (...) Os militares portugueses estão presentes na ISAF, sem caveats que prejudiquem o seu emprego como forças combatentes, porque a fronteira de segurança nacional está no Afeganistão. (...) Temos o dever, em momentos solenes como o que vivemos hoje, de evocar a história do Exército português, que se confunde com a história da fundação do Estado, com a definição e a defesa das fronteiras de Portugal. Somos um dos mais antigos Estados da Europa; um dos Estados europeus que soube preservar, durante mais tempo, as suas fronteiras externas, sem nunca olhar a sacrifícios. Soubemos garantir a nossa independência, porque nunca desistimosd e lutar pela nossa liberdade. (...) A política de Defesa Nacional tem o dever de garantir a integridade do território português, mas os seus objectivos não estão confinados aos estritos limites das fronteiras do Estado. A nossa independência, a nossa credibilidade e os nossos interesses defendem-se em fronteiras de segurança que não coincidem, hoje, com as fronteiras geográficas do Estado nacional. (...) Para além disso, a UE tem a obrigação de assumir crescentes responsabilidades na segurança e na defesa não só dentro das suas fronteiras, no território europeu,mas também na produção de estabilidade na designada “vizinhança próxima”, em particular em África e no Mediterrâneo. (...) É um sinal de que a fronteira entre a paz e a guerra se esbateu. (...)

In Contributos para uma politica de defesa

[Baralhados? Mas quem não estaria? No mínimo este homem é um grande teórico e um valentaço... O problema é se os do Médio-Oriente, os bósnios, os afegãos, os africanos, etc., acharem também que "as fronteiras são fluidas" e que "a fronteira entre a paz e a guerra se esbateu", e decidirem que as fronteiras de segurança deles passam por Portugal...]

2. Nuno Severiano Teixeira, 5 de Dezembro de 2006:

«Mas é preciso reconhecer que a fronteira de segurança de Portugal já não é a sua fronteira geográfica. É a fronteira de segurança europeia. E essa fronteira está hoje no Médio Oriente.» 

In Portal do Governo

3. Nuno Severiano Teixeira, 28 de Abril de 2009:

O ministro da Defesa considerou hoje que as fronteiras de segurança de Portugal "jogam-se na África subsaariana e no Mediterrâneo", razões pelas quais é "estratégico" reforçar áreas de cooperação novas como a economia da defesa. "O que é importante perceber é que de um lado, na África subsaariana, e do outro, no Mediterrâneo, se jogam as nossas fronteiras de segurança e Portugal, naturalmente, tem interesse em ter aí relações fortes no plano multilateral", disse Nuno Severiano Teixeira.

In Defesa: Economia de defesa é estratégica para região do Norte de África

  

4. Luís Amado, 26 de Março de 2009:

Luís Amado defende "recentramento" no Atlântico e sublinha papel de Portugal pelas relações com África e Brasil

Nessa lógica, o chefe da diplomacia portuguesa salientou o papel que Portugal pode vir ... "no desenvolvimento de um sistema de segurança" neste espaço. ... "Há aqui um erro gravíssimo e uma fronteira que temos de gerir", ..

[Há um erro gravíssimo... lá isso, há... Há muitos erros gravíssimos...] 

5. Luís Amado, 28 de Janeiro de 2010:

«Fronteira da segurança de Portugal está no Afeganistão» Luís Amado diz que há uma «batalha a travar» para explicar o envio de tropas para o território

[Este, além de ir dar tiros para o Afeganistão ainda pretende "travar uma batalha" connosco para nos explicar isso! Não se incomode, senhor ministro, nós já percebemos!]

Por este andar o próximo governo vai editar um mapa intitulado "Portugal não é um país pequeno" e vai proclamar que a fronteira da segurança de Portugal está na Índia. Voltaremos a ouvir aos microfones da Emissora Nacional que “os sinos da Velha Goa e as bombardas de Diu serão sempre portugueses”!!!

                                                                   

adaptado de um e-mail enviado pelo Jorge

                                                                     

sinto-me:
publicado por António Vilarigues às 00:07
link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito
Segunda-feira, 4 de Janeiro de 2010

O Afeganistão e as fortes necessidades de um grande império (por Eça de Queirós)

Os Ingleses estão experimentando, no seu atribulado império da Índia, a verdade desse humorístico lugar-comum do século XVIII: «A história é uma velhota que se repete sem cessar

O Fado ou a Providência, ou a Entidade qualquer que lá de cima dirige os episódios da campanha do Afeganistão, em 1847, está fazendo simplesmente uma cópia servil, revelando assim uma imaginação exausta.

Em 1847, os Ingleses – «por uma razão de estado, uma necessidade de fronteiras científicas, a segurança do império, uma barreira ao domínio russo da Ásia...» e outras coisas vagas que os políticos da Índia rosnam sombriamente retorcendo os bigodes – invadem o Afeganistão, e aí vão aniquilando tribos seculares, desmantelando vilas, assolando searas e vinhas: apossam-se, por fim, da santa cidade de Cabul; sacodem do serralho um velho emir apavorado; colocam lá outro de raça mais submissa, que já trazem preparado nas bagagens, com escravas e tapetes; e logo que os correspondentes dos jornais têm telegrafado a vitória, o exército, acampado à beira dos arroios e nos vergéis de Cabul, desaperta o correame e fuma o cachimbo da paz... Assim é exactamente em 1880.

No nosso tempo, precisamente em 1847, chefes enérgicos, messias indígenas, vão percorrendo o território, e com grandes nomes de pátria, de religião, pregam a guerra santa: as tribos reúnem-se, as famílias feudais correm com os seus troços de cavalaria, príncipes rivais juntam-se no ódio hereditário contra o estrangeiro, o homem vermelho, e em pouco tempo é todo um rebrilhar de fogos de acampamento nos altos das serranias, dominando os desfiladeiros que são o caminho, a entrada da Índia... E quando por ali aparecer, enfim, o grosso do exército inglês, à volta de Cabul, atravancado de artilharia, escoando-se espessamente por entre as gargantas das serras, no leito seco das torrentes, com as suas longas caravanas de camelos, aquela massa bárbara rola-lhe em cima e aniquila-o.

Foi assim em 1847, é assim em 1880. Então os restos debandados do exército refugiam-se em alguma das cidades da fronteira, que ora é Gasnat ora Candaar: os Afegãos, correm, põem o cerco, cerco lento, cerco de vagares orientais: o general sitiado, que nessas guerras asiáticas pode sempre comunicar, telegrafa para o vice-rei da Índia, reclamando com furor «reforços e chá e açúcar!» (Isto é textual; foi o general Roberts que soltou há dias este grito de gulodice britânica; o Inglês, sem chá, bate-se frouxamente.) Então o governo da Índia, gastando milhões de libras como quem gasta água, manda a toda a pressa fardos disformes de chá reparador, brancas colinas de açúcar e dez ou quinze mil homens. De Inglaterra partem esses negros e monstruosos transportes de guerra, arcas de Noé a vapor, levando acampamentos, rebanhos de cavalos, parques de artilharia, toda uma invasão temerosa... Foi assim em 47, assim é em 1880.

Esta hoste desembarca no Indostão, junta-se a outras colunas de tropa hindu e é dirigida dia e noite sobre a fronteira em expressos a quarenta milhas por hora; daí começa uma marcha assoladora, com cinquenta mil camelos de bagagens, telégrafos, máquinas hidráulicas e uma cavalgada eloquente de correspondentes de jornais. Uma manhã avista-se Candaar ou Gasnat – e num momento é aniquilado, disperso no pó da planície, o pobre exército afegão com as suas cimitarras de melodrama e as suas veneráveis colubrinas de modelo das que outrora fizeram fogo em Diu. Gasnat está livre! Candaar está livre! Hurra! Faz-se imediatamente disto uma canção patriótica; e a façanha é por toda a Inglaterra popularizada numa estampa, em que se vê o general libertador e o general sitiado apertando-se a mão com veemência, no primeiro plano, entre cavalos empinados e granadeiros belos como Apolos, que expiram em atitude nobre! Foi assim em 1847; há-de ser assim em 1880.

No entanto, em desfiladeiro e monte, milhares de homens, que ou defendiam a pátria ou morriam pela fronteira científica, lá ficam, pasto de corvos o que não é, no Afeganistão, uma respeitável imagem de retórica: aí, são os corvos que nas cidades fazem a limpeza das ruas, comendo as imundícies, e em campos de batalha purificam o ar, devorando os restos das derrotas.

E de tanto sangue, tanta agonia, tanto luto, que resta por fim? Uma canção patriótica, uma estampa idiota, nas salas de jantar, mais tarde uma linha de prosa numa página de crónica...

Consoladora filosofia das guerras!

No entanto a Inglaterra goza por algum tempo a «grande vitória do Afeganistão» com a certeza de ter de recomeçar daqui a dez anos ou quinze anos; porque nem pode conquistar e anexar um vasto reino, que é grande como a França, nem pode consentir, colados à sua ilharga, uns poucos de milhões de homens fanáticos, batalhadores e hostis. A «política», portanto, é debilitá-los periodicamente, com uma invasão arruinadora. São as fortes necessidades de um grande império. Antes possuir apenas um quintalejo, com uma vaca para o leite e dois pés de alface para as merendas de Verão...

(...)

In AFEGANISTÃO E IRLANDA, Cartas de Inglaterra, Texto Integral das Obras de Eça de Queirós

Ver também: Cartas de Inglaterra by José Maria Eça de Queirós - Project Gutenberg

A primeira edição (1905)

 

Descobrimos este texto ao espreitar aqui:

Por sua vez ODiario.info foi espreitar aqui:

Neste "post" pergunta Eduardo Maia Costa: "Alguém será capaz de traduzir estas páginas para Obama?"

Coisa feita! Está aqui:

Pode-se encomendar pela internet e mandar entregar directamente na Casa Branca.

A dificuldade está em explicar "O Afeganistão e as fortes necessidades de um grande império" a Augusto Santos Silva e Luís Amado tão entretidos que andam a malhar um no outro, para mostrarem internacionalmente qual dos dois é melhor a ajudar a malhar nos afegãos!

adaptado de um e-mail enviado pelo Jorge

sinto-me:
publicado por António Vilarigues às 16:28
link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito
Quarta-feira, 15 de Julho de 2009

«Campanhas de pacificação» e «missões de paz»

    Não confundamos as coisas. Ora vamos lá a uma lição de História de quem não tem lições para dar.

    No fim do século XIX, princípios do século XX é que havia «campanhas de pacificação». Era o nome que se dava às primeiras guerras coloniais! Querem ver um bom e definitivo instrumento de pacificação? Aqui: Maxim (metralhadora)

    Foram sobretudo em África. Ver AQUI que não estou a inventar. Normalmente os povos, então como agora, não gostavam muito de ser «pacificados».

    Também houve campanhas em Cuba, China, Filipinas, Madagáscar, etc.  E Afeganistão, Índia, etc.

    Bem, a coisa continuou pelo século XX, sempre pura e bem intencionada, passámos pelas segundas guerras coloniais (Argélia, Angola, etc.), sempre a «pacificar».

     Agora, no fim do século XX, princípios do século XXI a «coisa» modernizou-se e também fez uma operação estética ao nome - pasou a chamar-se «missões de paz». Todos as conhecemos. Há «missões de paz» em todos os sítios e para todos os gostos.

    É assim que é possível ouvir um ilustre político (é este mas podia ser outro) dizer "A missão do Afeganistão é uma missão de risco, não podemos esquecer, mas está a contribuir para missão de paz na região, para a redução, assim esperamos, do terrorismo no mundo e também no combate ao narcotráfico", Não era Salazar que falava aproximadamente assim? 

    Podemos dizer que estas «missões de paz» fazem parte das terceiras guerras coloniais? Se calhar, podemos.

                                                                   

adaptado de um e-mail enviado pelo Jorge

                                                                   

sinto-me:
publicado por António Vilarigues às 12:08
link do post | comentar | favorito

.mais sobre mim


. ver perfil

. seguir perfil

. 27 seguidores

.pesquisar

.Julho 2019

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31

.Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

.posts recentes

. Um por cento dos adultos ...

. O imperialismo por toda a...

. A Crise do Sistema Capita...

. A Crise do Sistema Capita...

. Minudências...

. Absurdo sem limites

. A Crise do Sistema Capita...

. A Crise do Sistema Capita...

. As sanções da UE ao Irão:...

. Irão / EUA: Quem ameaça q...

.arquivos

. Julho 2019

. Fevereiro 2019

. Janeiro 2019

. Dezembro 2018

. Outubro 2018

. Julho 2018

. Maio 2018

. Abril 2018

. Março 2018

. Fevereiro 2018

. Janeiro 2018

. Dezembro 2017

. Novembro 2017

. Outubro 2017

. Setembro 2017

. Agosto 2017

. Julho 2017

. Junho 2017

. Maio 2017

. Abril 2017

. Março 2017

. Fevereiro 2017

. Janeiro 2017

. Dezembro 2016

. Novembro 2016

. Outubro 2016

. Setembro 2016

. Agosto 2016

. Julho 2016

. Junho 2016

. Maio 2016

. Abril 2016

. Março 2016

. Fevereiro 2016

. Janeiro 2016

. Dezembro 2015

. Novembro 2015

. Outubro 2015

. Setembro 2015

. Agosto 2015

. Julho 2015

. Junho 2015

. Maio 2015

. Abril 2015

. Março 2015

. Fevereiro 2015

. Janeiro 2015

. Dezembro 2014

. Novembro 2014

. Outubro 2014

. Setembro 2014

. Agosto 2014

. Julho 2014

. Junho 2014

. Maio 2014

. Abril 2014

. Março 2014

. Fevereiro 2014

. Janeiro 2014

. Dezembro 2013

. Novembro 2013

. Outubro 2013

. Setembro 2013

. Agosto 2013

. Julho 2013

. Junho 2013

. Maio 2013

. Abril 2013

. Março 2013

. Fevereiro 2013

. Janeiro 2013

. Dezembro 2012

. Novembro 2012

. Outubro 2012

. Setembro 2012

. Agosto 2012

. Julho 2012

. Junho 2012

. Maio 2012

. Abril 2012

. Março 2012

. Fevereiro 2012

. Janeiro 2012

. Dezembro 2011

. Novembro 2011

. Outubro 2011

. Setembro 2011

. Agosto 2011

. Julho 2011

. Junho 2011

. Maio 2011

. Abril 2011

. Março 2011

. Fevereiro 2011

. Janeiro 2011

. Dezembro 2010

. Novembro 2010

. Outubro 2010

. Setembro 2010

. Agosto 2010

. Julho 2010

. Junho 2010

. Maio 2010

. Abril 2010

. Março 2010

. Fevereiro 2010

. Janeiro 2010

. Dezembro 2009

. Novembro 2009

. Outubro 2009

. Setembro 2009

. Agosto 2009

. Julho 2009

. Junho 2009

. Maio 2009

. Abril 2009

. Março 2009

. Fevereiro 2009

. Janeiro 2009

. Dezembro 2008

. Novembro 2008

. Outubro 2008

. Setembro 2008

. Agosto 2008

. Julho 2008

. Junho 2008

. Maio 2008

. Abril 2008

. Março 2008

. Fevereiro 2008

. Janeiro 2008

. Dezembro 2007

. Novembro 2007

. Outubro 2007

. Setembro 2007

. Agosto 2007

. Julho 2007

. Junho 2007

.tags

. álvaro cunhal

. assembleia da república

. autarquia

. avante!

. bce

. benfica

. blog

. blogs

. câmara municipal

. capitalismo

. caricatura

. cartoon

. castendo

. cds

. cdu

. cgtp

. cgtp-in

. classes

. comunicação social

. comunismo

. comunista

. crise

. crise do sistema capitalista

. cultura

. cultural

. democracia

. desemprego

. desenvolvimento

. desporto

. dialéctica

. economia

. economista

. eleições

. emprego

. empresas

. engels

. eua

. eugénio rosa

. exploração

. fascismo

. fmi

. futebol

. governo

. governo psd/cds

. grupos económicos e financeiros

. guerra

. história

. humor

. imagens

. imperialismo

. impostos

. jerónimo de sousa

. jornal

. josé sócrates

. lénine

. liberdade

. liga

. lucros

. luta

. manifestação

. marx

. marxismo-leninismo

. música

. notícias

. parlamento europeu

. partido comunista português

. paz

. pcp

. penalva do castelo

. pensões

. poema

. poesia

. poeta

. política

. portugal

. precariedade

. ps

. psd

. recessão

. revolução

. revolucionária

. revolucionário

. rir

. salários

. saúde

. segurança social

. sexo

. sistema

. slb

. socialismo

. socialista

. sociedade

. sons

. trabalhadores

. trabalho

. troika

. união europeia

. vídeos

. viseu

. vitória

. todas as tags

.links

.Google Analytics

blogs SAPO

.subscrever feeds