Sexta-feira, 4 de Março de 2011

Encontro Sócrates-Merkel: um acto de subserviência

O carácter decisivo atribuído ao Encontro do Primeiro-Ministro e do Ministro das Finanças com a Chanceler alemã Angela Merkel, bem como, a discussão que a seu propósito se desenvolveu em torno da erradamente chamada “ajuda” ao Estado português, são, por si só, demonstrativos do grau de subserviência e dependência do governo português face aos grandes grupos económicos e financeiros das principais potências capitalistas europeias e ao directório de potências da União Europeia, em particular a Alemanha.

Uma dependência que, resultando das políticas anti-sociais e de abdicação nacional dos sucessivos governos e do seu enfeudamento à orientação neoliberal, federalista e militarista da União Europeia, se aprofunda de dia para dia, como o comprovam mais uma vez os resultados de hoje da operação de emissão de dívida pública portuguesa.

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Domingo, 20 de Fevereiro de 2011

A Crise do Sistema Capitalista: Fim de 2011: Queda do "Muro dos petro-dólares" e choque monetário-petrolífero maior para os EUA

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Terça-feira, 13 de Julho de 2010

A marioneta...

KAP - Desenho do artista catalão (Jaume Capdevila) KAP

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Para Ler, Ouvir e Ver:

  • Sócrates para Barroso a propósito do Tratado de Lisboa: "Porreiro, pá!" (vídeo)

«Jerónimo de Sousa lançou críticas aos banqueiros. O líder do PCP diz que os donos dos bancos "ganharam à tripa forra durante anos", penalizando agora os trabalhadores. Jerónimo criticou ainda Durão Barroso, dizendo que o presidente da Comissão Europeia está contra o país e que a soberania nacional está a ser posta em causa.»

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adaptado de um e-mail enviado pelo Jorge

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Sexta-feira, 28 de Maio de 2010

A Crise do Sistema Capitalista: «Bezerro de ouro» - sacerdotes e lacaios

Na história abundam «deuses», de criação humana, feitos à imagem dos preconceitos e desígnios de uma realidade e temporalidade concreta, e cujo saldo de percurso na super-estrutura social e nas misérias do mundo é hediondo.

É o caso do episódio bíblico do «bezerro de ouro», recém recuperado por José Saramago no romance Caim, que mostra como a adoração dum totem, obviamente falso, a que se sacrificam os princípios, na esperança de todas as riquezas do mundo, termina no morticínio sangrento de milhares de inocentes.

É o caso do «bezerro de ouro» desta fase de domínio imperialista do mundo, o deus «mercado» - dito omnipresente, omnisciente e omnipotente -, ou seja, o capital financeiro multinacional «globalizado» a quem se imolam as economias mais débeis, como a nossa.

O resultado é a destruição da produção, das pequenas empresas e do mercado interno, o roubo do património do país, dos salários, direitos e prestações sociais, o desemprego, o assalto aos serviços públicos e funções sociais do Estado, a imolação dos dinheiros públicos – cujo défice é pretexto da rapina - e da soberania nacional.

À média de duas vezes por semana, o deus «mercado» ameaça e chantageia com terríveis catástrofes e é «aplacado» com novos sacrifícios, sempre dos mais fracos. E lá estão os seus sumo-sacerdotes e lacaios para garantir o repasto à infindável gula do «mercado», com a promessa de que desta feita o sofrimento terminará.

Os sumo-sacerdotes do «bezerro de ouro» são figuras como Krugman, Prémio Nobel norte americano, para quem os salários dos países da periferia da UE precisam de cair 30%, relativamente à Alemanha, ou Trichet, Presidente do BCE, que garante não existir qualquer ataque especulativo, mas apenas países prevaricadores das contas públicas que é necessário sancionar, ou um tal Barroso, papagaio de Merkel, que não se engasga ao dar voz à proposta de censura prévia da Comissão Europeia aos orçamentos de (certos) estados-membros.

E os lacaios do «bezerro de ouro» são os Migueis de Vasconcelos, do PS, PSD, e não só, que entregam à morte a independência económica e a soberania nacional, no altar do capital financeiro sem pátria e das grandes potências do directório federalista do Euro. Numa verdadeira traição nacional. A que um dia se fará justiça.

In jornal « Avante!» - Edição de 27 de Maio de 2010

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Segunda-feira, 15 de Março de 2010

Ainda a Europa e a crise económica grega

Desenho de Carlos Latuff (Latuff2 on deviantART)

                                                        

A Europa aparece aqui com uma caricatura de Angela Merkel que leva o primeiro-ministro grego George Papandreou (Γεώργιος Παπανδρέου) pela trela.

Ver neste blogue A Europa e a crise económica grega. Registe-se, apenas por curiosidade, que nesta caricatura a Grécia (representada pelo homem que foi mordido) tem uma camisola que é a bandeira grega desenhada correctamente, com a cruz branca, contrariamente ao que sucedia em A Europa e a crise económica grega em que a cruz aparecia azul.

Publicado no jornal «Avante!»:

adaptado de um e-mail enviado pelo Jorge

                                                                     

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Terça-feira, 9 de Março de 2010

A Europa e a crise económica grega

Desenho de Carlos Latuff (Latuff2 on deviantART) 

                                                                                                                              

A Europa aparece aqui com uma caricatura de Angela Merkel. A beijar-lhe os pés está o primeiro-ministro grego George Papandreou (Γεώργιος Παπανδρέου).

Publicado no jornal «Avante!»:

adaptado de um e-mail enviado pelo Jorge

                                                                     

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Sexta-feira, 4 de Dezembro de 2009

Ministro alemão demite-se

     O actual ministro do Trabalho alemão, Franz Josef Jung, demitiu-se, dia 27, após o Bild ter revelado na véspera que a sua implicação, enquanto ministro da Defesa, no encobrimento de um bombardeamento, em 4 de Setembro, na região de Kunduz, no Norte do Afeganistão, que terá provocado pelos menos a morte de 142 pessoas, entre as quais pelo menos 30 civis.

Na altura, Jung negou a existência de vítimas civis, consciente de que as tropas alemãs têm o compromisso de se abster de acções que ponham em perigo a vida de civis. Porém, a imprensa descobriu que as perdas civis foram ocultadas pelo seu Ministério à opinião pública e à procuradoria federal que abriu uma investigação sobre o caso.
A revelação já provocou também a destituição do chefe do estado-maior do exército Wolfgang Schneiderhan, e do secretário de Estado da Defesa, Peter Wichert.

In jornal «Avante!» - Edição de 3 de Dezembro de 2009

Ler neste blogue:

                                   

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Quarta-feira, 2 de Dezembro de 2009

Quem disse que «o ataque aéreo [que matou 142 afegãos] foi apropriado»?

     Esta frase, ou outras idênticas, não são novas. Foi assim no Vietnam, foi assim antes da guerra do Vietnam, é assim depois da guerra do Vietnam. Por exemplo, em Abril de 2007, pelo menos 130 pessoas foram massacradas por um ataque aéreo em Shindand, Afeganistão. «O comandante dos EUA que dirigiu o ataque, agiu de forma apropriada», disse o general Perry Wiggins:

«WASHINGTON, May 16 (Reuters) - The U.S. commander who led a strike against the Taliban in the Afghan town of Shindand last month acted appropriately, the military has concluded after an investigation into an incident that Afghan officials say killed dozens of civilians.

Brig. Gen. Perry Wiggins, deputy director for regional operations in the Pentagon's Joint Chiefs of Staff, on Wednesday said the probe determined the commander, who has not been identified, applied the correct level of force in response to enemy fire.

Afghan officials say more than 50 civilians were killed and hundreds made homeless in U.S.-led raids in the western town of Shindand at the end of April. But U.S. officials have said all of the more than 130 killed were Taliban insurgents.»

In US general: Force in Afghan strike was appropriate | Reuters

      No início de Maio de 2009 mais um tremendo massacre, mais de 120 mortos na província de Farah, que vitimou mulheres e crianças. Neste vídeo, Hillary Clinton «lamenta» o sucedido:

«'120 die' as US bombs village

Afghan outrage after strike targeting Taliban fighters hits women and children

A misdirected US air strike has killed as many as 120 Afghans, including dozens of women and children. The attack is the deadliest such bombing involving civilian casualties so far in the eight years since the US-led invasion of Afghanistan.

Families in two villages in Farah province in western Afghanistan were digging for bodies in the ruins of their mudbrick houses yesterday. "There were women and children who were killed," said Jessica Barry, a Red Cross spokeswoman. "It seemed they were trying to shelter in houses when they were hit." Survivors said the number of dead would almost certainly to rise as the search for bodies continued

In The Insider - US air strike in Afghanistan kills 120 civilians -- mainly women and children

Hillary Clinton «lamentou» em Maio mais um massacre que resultou de um ataque aéreo seguramente «apropriado», mas ataques aéreos continuaram... Já em Novembro de 2009, mais umas quantas pessoas morreram, incluindo crianças. Eis aqui um caso: 

«Nine civilians and two alleged militants are dead after two separate air strikes in Afghanistan and Pakistan.

An overnight air strike by international forces in Afghanistan killed nine civilians, including at least three children, villagers said Thursday. Afghan authorities said they had no reports of civilian deaths

In CBC News - World - Afghan air strike kills 9 civilians, villagers say

     A frase do título foi dita a propósito do ataque aéreo em Kunduz em 4 de Setembro de 2009, ordenado pelo comandante alemão no terreno e executado pela aviação dos EUA. Já agora, clicando em "ataque aéreo em Kunduz em 4 de Setembro de 2009", pode ouvir e ver, na reportagem da RTP, qual a força política que não apoia a presença de tropas alemãs no Afeganistão e quais as forças políticas que apoiam.

Mas, quem disse, afinal, a frase do título?

     Um dos que disse a frase do título foi o General Wolfgang Scheniderhan inspector geral da Bundeswehr: «de acordo com a minha avaliação, o ataque aéreo foi apropriado».

«Gen. Wolfgang Scheniderhan, who is the general inspector of the Bundeswehr, or German army, told reporters Thursday he had read the report that was prepared on the Sept. 4 incident. A German colonel called in an air strike against the tanker trucks, fearful that insurgents would use them to mount a suicide attack on his troops near Kunduz.

Schneiderhan said the report, prepared by NATO, was classified but "according to my evaluation, the air strike was appropriate."»

In The Weekly Standard

     E o novo ministro da defesa alemão (o barão Karl-Theodor zu Guttenberg, um jovem e prometedor político!) secundou o general defendendo o massacre de Kunduz dizendo que foi «militarmente apropriado».

«Guttenberg defended this atrocity, the bloodiest incident in the post-World War II history of the German armed forces, without waiting for the outcome of ongoing investigations. At a press conference in the defence ministry, he declared that the bombardment of the trucks near Kunduz was “militarily appropriate.”»

In German defence minister defends Kunduz massacre

     E a chanceler Angela Merkel? Angela Merkel «rejeita críticas ao ataque aéreo»... Veja-a falando no Bundestag na reportagem da RTP atrás citada.

«"We will not gloss over anything, but we will not accept any premature condemnation. I refuse to tolerate that, either from Germany or from abroad," she said on Tuesday

In German Chancellor Defends Afghanistan Bombing - ABC News

Merkel addressed the German Parliament 

    Nesta fotografia vê-se Rahmatullah, de 19 anos, severamente queimado, num hospital de Kabul, vítima do bombardeamento.

Este ataque aéreo é que é «repugnante», e Merkel, não sendo responsável pelo Holocausto, é uma das pessoas responsáveis pelo massacre de Kunduz, não é?

     Guido Westerwelle, novo Ministro alemão dos Negócios Estrangeiros, à esquerda, Karl-Theodor zu Guttenberg, novo Ministro da Defesa (ou será «Ministro do Ataque»?), ao centro, e a Chanceler Angela Merkel, em 28 de Outubro de 2009. Contentes, como se vê.

 

Ler ainda:

Vídeo:

Ler neste blogue:

adaptado de um e-mail enviado pelo Jorge

                                                                       

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Terça-feira, 7 de Abril de 2009

Quem disse que os EUA promovem a NATO «por compreensível sentimento de solidariedade humana»?

(...)

A iniciativa dos Estados Unidos e do Canadá ao promoverem o Pacto do Atlântico Norte veio dar o apoio de força indispensável a uma tal ou qual eficiência da defesa da Europa, ao mesmo tempo que se procurou reanimar a respectiva economia com os auxilios directos dos capitais e da técnica americana. Fazem-no os Estados Unidos por compreensível sentimento de solidariedade humana; fazem-no em virtude das responsabilidades na direcção política do Mundo que a grandeza do seu esforço de guerra lhes granjeou e a alteração do valor relativo das grandes potências inegavelmente lhes impôs; fazem-no ainda por bem conduzido cálculo dos seus interesses materiais e morais. Subvertida a Europa e com esta a África, enfrentada e delimitada a América nos dois oceanos pela potência russa e seus aliados, a América veria uma nova concepção monroísta aplicada de fora para dentro, e, na melhor hipótese, teria de aceitar viver, sem influência ou projecção exterior, no seu próprio continente. O Mundo afigurar-se-lhe-ia por demais reduzido e, no seu conceito, o homem dolorosamente amputado em atributos indispensáveis à beleza e dignidade da vida.

É a esta luz que me parece dever encarar-se o Pacto do Atlântico e ver-se nele fonte provável de outros desenvolvimentos futuros. A hesitação da doutrina, a fluidez dos preceitos, o impreciso de certas fórmulas, que saltam ao exame minucioso do texto, não se devem considerar filhos da falta de clareza na visão dos problemas, mas da natural indecisão dos começos, do desejo de evitar as maiores reacções internas ou externas ou até da inadaptação da máquina constitucional ao exercício de tão vasta acção. Mas as realidades mandam e impor-se-ão fatalmente nos momentos decisivos da história euroamericana, que para os próximos decénios se me afigura comum.

(...)

A. O. Salazar na Assembleia Nacional em 25 de Julho de 1949

60 anos depois, 4 de Abril de 2009

Mas uns dias antes tinha Luís Amado dito: «Não vejo condições nas actuais circunstâncias para a NATO ser o polícia do mundo, um noção que foi perspectivada por muitos líderes europeus (...) a ideia de defendermos os nossos valores é diferente de lutar por impor esses valores».

Vamos lá a ver:

vai ser reforçada a presença militar portuguesa no Afeganistão para que a NATO deixe de ser o polícia do mundo? [«polícia» é eufemismo...]

Será para ir «ensinar" aos afegãos quais são os «atributos indispensáveis à beleza e dignidade da vida»?

Ler:

etc., etc., etc.
 

Hoje, como há 60 anos, estão todos movidos por

um compreensível sentimento de solidariedade humana!

                                                                     

adaptado de um e-mail enviado pelo Jorge                                      

                                                                   

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