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O CASTENDO

TERRAS DE PENALVA ONDE «A LIBERDADE É A COMPREENSÃO DA NECESSIDADE»

O CASTENDO

TERRAS DE PENALVA ONDE «A LIBERDADE É A COMPREENSÃO DA NECESSIDADE»

Festa do «Avante!» 2009 - Os Artistas da Festa

Estes são os artistas da Festa do «Avante!» 2009

 

XVI Bienal de Artes Plásticas 2009 - Bartolomeu Cid dos Santos

    Bartolomeu dos Santos é na gravura um dos artistas mais importantes a nível mundial no séc. XX, tanto pela sua obra como pela sua actividade como professor na Slade School, em Londres, que alterou radical e universalmente o ensino dessa disciplina artística.

Bartolomeu, o «Barto» como era conhecido pelos amigos, era um homem extraordinário que quase até ao fim da sua vida a viveu com a mesma energia de um jovem acabado de entrar em rompante vigoroso na idade adulta. Extraordinário pelas memórias que não deixava armazenadas nas prateleiras, recuperando-as e transformando-as em sucessos na hora e no dia em que estava sentado e que partilhava entusiasmado para que nada se repetisse, tudo se transfigurasse e que muitas vezes acabasse por adquirir o registo de obra de arte. Extraordinário pela cultura, na sua acepção mais ampla, e erudição que inscrevia discreta e naturalmente no seu quotidiano, pontuando o que dizia, o que produzia. Extraordinário pela alegria de viver com que contaminava os lugares por onde passava, onde estava, abrindo janelas para as festas que espontaneamente aconteciam à sua volta que partilhava com os amigos, os muitos amigos que o acompanhavam nas suas aventuras qualquer que fosse a aventura, desde beber um copo, ouvir uma sinfonia, sonhar um projecto artístico, simplesmente falar de um acontecimento familiar, introduzindo sempre algo de invulgar mesmo na mais plana das trivialidades.

Extraordinário porque à sageza de saber que poucas coisas são essenciais à vida fazia da vida coisa essencial que merecia ser vivida. Extraordinário pela obra artística que realizou e que contribuiu decisivamente para a autarcia mundial da gravura, pelo seu trabalho de mestre baseado em Londres de onde partia para as mais consideradas escolas de artes das quatro partidas do mundo.

A sua obra é de grande singularidade. Percorre-a uma inquietação sem limites que o faz mergulhar na aventura do mundo para o interrogar e questionar em todos os azimutes. Propõe questões que problematizam as relações entre o mundo colectivo e o mundo individual, e se olha para o seu mundo interior perscrutando-o. A crítica política violenta esteve sempre presente na sua obra desde o combate ao fascismo à denúncia feroz do imperialismo norte-americano.

Bartolomeu dos Santos é o gravador português mais importante de sempre e um dos maiores gravadores da História de Arte Contemporânea.

In jornal «Avante!» - Edição de 16 de Julho de 2009

                                                                            

XVI Bienal de Artes Plásticas 2009 - Luís Ralha

    «Toda a arte tem uma função social, toda a proposta contém uma ideia sobre o mundo e sobre a espécie humana» dizia repetidamente Luís Ralha.

A sua actividade, desde que tinha terminado o curso de pintura na Escola Superior de Belas-Artes de Lisboa (ESBAL) tinha sido dirigida sobretudo para a área do design, onde se notabilizou como profissional e como professor.

Esse exercício deu-lhe um rigor de execução, de atenção ao pormenor, ao acabamento, ao cuidado colocado no projecto, no enunciado do projecto que transpôs para a pintura quando pintar voltou a ocupar mais espaço na sua actividade.

Depois de uns anos em Moçambique, onde a marca da sua passagem continua a ser visível, volta a Portugal em 1984 e dois anos depois, sem nunca abandonar o design, começa a expor uma pintura de minúcias e detalhes preciosos, cores luxuosas nos lances poéticos da «Menina dos Balões», na indisfarçável angústia nas multidões que caminhavam para algum lado ou lado nenhum sob céus em fogo, no rigor de paisagens urbanas e industriais definidas em planos muito precisos, nas naturezas mortas com pormenores inusuais. Olhando-se para a pintura de Luís Ralha rapidamente nos apercebemos que existe uma ideia motora, que existe um projecto que antecede o desenvolvimento formal que se vai resolver no combate final com a tela, espalhando tintas, delimitando formas, colocando figuras humanas, vegetais ou minerais, registando ambientes, criando texturas dentro de um enquadramento de linhas que nunca são óbvias mas que se vão pouco a pouco descobrindo, dramatizando situações, colocando sinais, orientando olhares, dando sentido e significado à obra quando o artista a dá por finda para se iniciar o enunciado da fala do pintor com o(s) seu(s) interlocutor(es).

Olhando para os seus quadros poderemos legitimamente presumir que é um trabalho que avança com propositada lentidão, como pão a levedar, a ser cozinhado em forno lento para adquirir toda a paleta dos seus sabores. Poderemos imaginar o pintor experimentando o prazer da mão empunhando os pincéis que fazem crescer na tela a imagem que ele sabe ir fazer aparecer mas que adquire toques inesperados logo aceites ou rejeitados, até um dia a dar por acabada.

Contrariamente a esse exercício pictórico as esculturas que projectou, algumas foram realizadas sendo a mais conhecida a que está em Alverca, comemorando os 30 anos do 25 de Abril, é enxuta da multiplicação de sinais tendo uma leitura mais imediata, o que não é sinónimo de menor complexidade. O conhecimento dos materiais e da sua manipulação conformam e enformam a expressão artística de Luís Ralha «em permanente confronto com todas as áreas de conhecimento».

In jornal «Avante!» - Edição de 16 de Julho de 2009

                                                                            

Festa do «Avante!» 2008 - O Pavilhão Central

                                                         

    O «Pavilhão Central» ocupa uma vasta e confortável área coberta, onde não faltam zonas de descanso. Este espaço é mais do que um espaço de convívio é, sobretudo, um lugar para troca de opiniões, onde estão patentes as grandes exposições políticas e temáticas e acolhe a Bienal de Artes Plásticas.

 

AS ARTES NA FESTA FESTA E A ARTE

     Muitas vezes quando falamos das artes na “Festa do Avante!” Estamos a referir-nos à Bienal de Artes Plásticas, a esse encontro bienalmente marcado entre os visitantes da Festa e as obras de inúmeros artistas que assim  encontram um público disponível e atento. Esse encontro que é para muitos o primeiro encontro, ou o equivalente a uma experiência de renovado encontro, diz alguma coisa sobre quem o promove: um Partido que valoriza arte e o trabalho criador, assim como o direito de todos à fruição e à criação artística. Mas não é só a Bienal que nos fala disso. Coralmente, é sempre ainda disso que nos falam a música ou as músicas, desde a música erudita às várias formas de música popular; desde o teatro ao cinema; desde as feiras do livro à palavra do poema, dita em voz alta ou desenhada numa parede, à dança executada num palco ou explodindo, aqui e ali, nas ruas desta cidade que, sendo efémera, regressa ciclicamente. Dessa cidade, que é efémera e, contudo, constante; como um desafio lançado para sempre e uma promessa renovadamente mantida.
    E tudo é mas forte e profundo, porque não só as artes especializadamente profissionas têm lugar de encontro marcado na festa, mas porque todo o trabalho de construção, desde a gestão do terreno à concepção e à decoração dos espaços, tende para a festa, para a habitação desta cidade, tende para o operar segundo a beleza, tende para a arte enquanto livre jogo das forças do humano.

    Estão integrados no «Pavilhão Central» da Festa do Avante!: «o Café da Amizade»; o Fórum e "À conversa com..." - dois espaços de discussão onde se realizam debates sobre temas centrais da actualidade;

    a Loja da Festa onde o visitante do Pavilhão Central pode comprar diversas recordações da festa, vários materiais editados pelo PCP e contribuir para campanhas de solidariedade.

Neste espaço há ainda lugar reservado para a imprensa do Partido, onde o Avante! e a revista O Militante são referência s incontornáveis. 

    No «Pavilhão Central» está ainda instalado o prelo, no qual se imprimia clandestinamente, o Avante!, o Órgão Central do PCP, durante o tempo da repressão fascista. Todo o processo de construção e funcionamento do prelo pode ser compreendido através de painéis explicativos.

    O Auditório de projecção é um espaço dedicado ao cinema e ao vídeo.  

    Por último, o «Espaço das Tecnologias de Informação e Comunicação» onde se actualiza a página do PCP a partir da Festa do Avante! e onde se conjuga as tecnologias de informação na difusão da mensagem do Partido

    e o estúdio da Comunic - a rádio do PCP na Internet, que emite em directo a partir da Festa do «Avante!» durante os três dias da Festa.

                                          

                                        

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