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O CASTENDO

TERRAS DE PENALVA ONDE «A LIBERDADE É A COMPREENSÃO DA NECESSIDADE»

O CASTENDO

TERRAS DE PENALVA ONDE «A LIBERDADE É A COMPREENSÃO DA NECESSIDADE»

Dia Internacional para a Eliminação da Discriminação Racial (21 de Março)

    (...) O PCP continuará ao lado dos imigrantes e das suas associações na luta pelo seu direito a uma integração plena na sociedade portuguesa e contra todas as discriminações para que possamos dizer, cumprindo o nobre desejo e o sentir de António Gedeão expressos nesse poema que nos deixou e que diz:

"Minha aldeia é todo o mundo.
Todo o mundo me pertence.
Aqui me encontro e confundo
com gente de todo o mundo
que a todo o mundo pertence.
"

(...)

                                

Luís de Camões - «OS LUSÍADAS» (Canto IV) "A branca areia as lágrimas banhavam"


                                                         

88

«A gente da cidade, aquele dia,

(Uns por amigos, outros por parentes,

Outros por ver somente) concorria,

Saüdosos na vista e descontentes.

E nós, co a virtuosa companhia

De mil Religiosos diligentes,

Em procissão solene, a Deus orando,

Pera os batéis viemos caminhando.

 

89

«Em tão longo caminho e duvidoso

Por perdidos as gentes nos julgavam,

As mulheres cum choro piadoso,

Os homens com suspiros que arrancavam.

Mães, Esposas, Irmãs, que o temeroso

Amor mais desconfia, acrecentavam

A desesperação e frio medo

De já nos não tornar a ver tão cedo.

 

90

«Qual vai dizendo: – «Ó filho, a quem eu tinha

Só pera refrigério e doce emparo

Desta cansada já velhice minha,

Que em choro acabará, penoso e amaro,

Porque me deixas, mísera e mesquinha?

Porque de mi te vás, o filho caro,

A fazer o funéreo encerramento

Onde sejas de pexes mantimento?»

 

91

«Qual em cabelo: – «Ó doce e amado esposo,

Sem quem não quis Amor que viver possa,

Porque is aventurar ao mar iroso

Essa vida que é minha e não é vossa?

Como, por um caminho duvidoso,

Vos esquece a afeição tão doce nossa?

Nosso amor, nosso vão contentamento,

Quereis que com as velas leve o vento? »

 

92

«Nestas e outras palavras que diziam,

De amor e de piadosa humanidade,

Os velhos e os mininos os seguiam,

Em quem menos esforço põe a idade.

Os montes de mais perto respondiam,

Quási movidos de alta piedade;

A branca areia as lágrimas banhavam,

Que em multidão com elas se igualavam.

 

93

«Nós outros, sem a vista alevantarmos

Nem a mãe, nem a esposa, neste estado,

Por nos não magoarmos, ou mudarmos

Do propósito firme começado,

Determinei de assi nos embarcarmos,

Sem o despedimento costumado,

Que, posto que é de amor usança boa,

A quem se aparta, ou fica, mais magoa.

 

Canto IV

                            

Os Lusíadas, Luís de Camões

                                                   

                               

Ver e Ouvir:

  • Vídeo Camões (2007)

    "Excerto do programa "Grandes Portugueses- Luís Vaz de Camões".
    Leitura de Canto IV de "Os Lusíadas" por Helder Macedo.
    Montagem - Paulo Milhomens
    Música - Fernando Lopes-Graça"
          

                             

       

                                                     

Conselho Permanente da Conferência Nacional dos Bispos Brasileiros

    Publicamos hoje a Análise da Conjuntura feita pela Conferência Nacional dos Bispos Brasileiros, na sua 66ª Reunião Ordinária do Conselho Permanente.

                                              

Apresentação

Atendendo solicitação do CONSEP de que fosse abordada a questão das drogas e não havendo na equipe pessoa suficientemente preparada para isso, foi convidado o Deputado Antonio Biscaya, que tratará o tema na segunda parte desta sessão. Na primeira parte, analisaremos os avanços na superação do passado colonial latino-americano e a reação dos “donos do poder”. Ênfase especial será dada ao projeto de reforma tributária que, se aprovado, solaparia algumas das principais conquistas da Constituição cidadã, cujo vigésimo aniversário agora celebramos. Como de hábito, esta parte conclui-se com temas de interesse no Congresso Nacional.

I . Sinais de superação do passado colonial e ameaça de fome

Multiplicam-se os sinais de uma lenta, mas real, evolução político-social na América do Sul. Exceto Colômbia e Peru, os povos da região elegeram governantes com propostas de mudança na sociedade, especialmente pela luta contra a miséria. Em vários países ouve-se a voz dos povos indígenas em defesa das suas identidades, terras e culturas; contrariando a vontade hegemônica dos EUA, a Nossa América trilha os caminhos da soberania, em busca de formas sociais mais justas e democráticas. Essas boas-notícias para os pobres, porém, contrastam com a volta da inflação – agora de origem externa – a ameaça da fome e o endurecimento dos poderosos.

                                       

Ler Texto Integral

                                      

Ruy Mingas: Os meninos do Huambo

 

                       

Os meninos do Huambo

                  
Com fios feitos de lágrimas passadas
Os meninos do Huambo fazem alegria
Constroem sonhos com os mais velhos de mãos dadas
E no céu descobrem estrelas de magia

Com os lábios de dizer nova poesia
Soletram as estrelas como letras
E vão juntando no céu como pedrinhas
Estrelas letras para fazer novas palavras

Os meninos à volta da fogueira
Vão aprender coisas de sonho e de verdade
Vão aprender como se ganha uma bandeira
Vão saber o que custou a liberdade

Com os sorrisos mais lindos do planalto
Fazem continhas engraçadas de somar
Somam beijos com flores e com suor
E subtraem manhã cedo por luar

Dividem a chuva miudinha pelo milho
Multiplicam o vento pelo mar
Soltam ao céu as estrelas já escritas
Constelações que brilham sempre sem parar

Os meninos à volta da fogueira
Vão aprender coisas de sonho e de verdade
Vão aprender como se ganha uma bandeira
Vão saber o que custou a liberdade

Palavras sempre novas, sempre novas
Palavras deste tempo sempre novo
Porque os meninos inventaram coisas novas
E até já dizem que as estrelas são do povo

Assim contentes à voltinha da fogueira
Juntam palavras deste tempo sempre novo
Porque os meninos inventaram coisas novas
E até já dizem que as estrelas são do povo
           
Manuel Rui Monteiro (letra e música)

          

Ver também: AQUI, AQUI, AQUI, AQUI, AQUI e AQUI

       

Ver: Poesia Angolana, Poesia de São Tomé e Príncipe


                


                     

Mais canções por Ruy Mingas
                                   
Para ouvir Ruy Mingas a cantar «Os Meninos de Huambo» de Manuel Rui Monteiro clicar AQUI e AQUI

                                      

Ruy Mingas: Poema da Farra

                                                                         

Poema da Farra

                 

(Mário António Oliveira / Ruy Mingas)

                 

Quando li Jubiabá
me cri Antônio Balduíno.
Meu Primo, que nunca o leu
ficou Zeca Camarão.

      

Eh Zeca!

      

Vamos os dois numa chunga
Vamos farrar toda a noite
Vamos levar duas moças
para a praia da Rotunda!
Zeca me ensina o caminho:
Sou Antônio Balduíno.

              

E fomos farrar por aí,
Camarão na minha frente,
Nem verdiano se mete:
Na frente Zé Camarão,
Balduíno vai no trás.

            

Que moça levou meu primo!
Vai remexendo no samba
que nem a negra Rosenda;
Eu praqui olhando só!

               

Que moça que ele levou!
Cabrita que vira os olhos.
Meu Primo, rei do musseque:
Eu praqui olhando só!

                 

Meu primo tá segredando:
Nossa Senhora da Ilha
ou que outra feiticeira?
A moça o acompanhando.

                 

Zé Camarão a levou:
E eu para aqui a secar.
E eu para aqui a secar.

                              

Jubiabá - Jorge Amado e Resumo Jubiabá

                                        

                                              

Mais canções por Rui Mingas

Para ouvir Ruy Mingas a cantar «Poema da Farra» clicar AQUI

                                                  

Ruy Mingas: Adeus à hora da partida (Adeus à hora da largada)


                                                                   

Adeus à hora da largada

Minha Mãe
(todas as mães negras
cujos filhos partiram)
tu me ensinaste a esperar
como esperaste nas horas difíceis

Mas a vida
matou em mim essa mística esperança

Eu já não espero
sou aquele por quem se espera

Sou eu minha Mãe
a esperança somos nós
os teus filhos
partidos para uma fé que alimenta a vida

Hoje
somos as crianças nuas das sanzalas do mato
os garotos sem escola a jogar a bola de trapos
nos areais ao meio-dia
somos nós mesmos
os contratados a queimar vidas nos cafezais
os homens negros ignorantes
que devem respeitar o homem branco
e temer o rico
somos os teus filhos
dos bairros de pretos
além aonde não chega a luz elétrica
os homens bêbedos a cair
abandonados ao ritmo dum batuque de morte
teus filhos
com fome
com sede
com vergonha de te chamarmos Mãe
com medo de atravessar as ruas
com medo dos homens
nós mesmos

Amanhã
entoaremos hinos à liberdade
quando comemorarmos
a data da abolição desta escravatura

Nós vamos em busca de luz
os teus filhos Mãe
(todas as mães negras
cujos filhos partiram)
Vão em busca de vida.

(Sagrada esperança)

Agostinho Neto

      
Mais canções por Rui Mingas
Para ouvir Ruy Mingas a cantar «Adeus à hora da partida» clicar AQUI

Ruy Mingas: Monangambé

            
                                                
Monangambé

Naquela roça grande
não tem chuva
é o suor do meu rosto
que rega as plantações;
Naquela roça grande
tem café maduro
e aquele vermelho-cereja
são gotas do meu sangue
feitas seiva.

O café vai ser torrado
pisado, torturado,
vai ficar negro,
negro da cor do contratado.
Negro da cor do contratado!

Perguntem às aves que cantam,
aos regatos de alegre serpentear
e ao vento forte do sertão:

Quem se levanta cedo?
quem vai à tonga?
Quem traz pela estrada longa
a tipóia ou o cacho de dendém?
Quem capina e em paga recebe desdém
fuba podre, peixe podre,
panos ruins, cinquenta angolares
"porrada se refilares"?

Quem?
Quem faz o milho crescer
e os laranjais florescer?
- Quem?
Quem dá dinheiro para o patrão comprar
máquinas, carros, senhoras
e cabeças de pretos para os motores?

Quem faz o branco prosperar,
ter barriga grande
- ter dinheiro?
- Quem?

E as aves que cantam,
os regatos de alegre serpentear
e o vento forte do sertão
responderão:

- "Monangambééé..."

Ah! Deixem-me ao menos subir às palmeiras
Deixem-me beber maruvo
e esquecer diluído
nas minhas bebedeiras

- "Monangambéé...'"

António Jacinto (Poemas, 1961)
                 

                      
NOTA:

Monangambé (O contratado) eram angolanos negros contratados para trabalhar nas roças dos brancos, na era colonial. Por vezes, em províncias de Angola bem distantes dos locais onde viviam. Deixavam as famílias para trás e iam ganhar a vida.

                              
Mais canções por Rui Mingas
                              
Para ouvir Ruy Mingas a cantar «Monangambé» clicar AQUI
                        

Dia Internacional para a Eliminação da Discriminação Racial

    1. O PCP assinala o 21 de MarçoDia Internacional para a Eliminação da Discriminação Racial – proclamado pelas Nações Unidas em 1966, no seguimento do massacre de Sharpville na África do Sul que visa denunciar e chamar a atenção para um flagelo que viola os Direitos Humanos e que ainda marca tão dramaticamente o mundo e as sociedades contemporâneas.
2. O PCP considera fundamental a implantação de medidas eficazes tendo como base as recomendações da ONU com vista à prevenção e combate contra o racismo, a xenofobia e a discriminação.
3. O PCP lembra que, tal como a Carta das Nações Unidas, também a nossa Constituição da República estabelece que todos devem poder usufruir dos direitos humanos e das liberdades fundamentais sem distinção de cor, língua ou religião, para que todas as crianças, mulheres e homens possam viver numa situação de dignidade, igualdade e paz.
4. O PCP exige que  o Governo tome medidas consequentes para lutar contra todas as práticas discriminatórias, racistas e xenofobas quer no plano laboral quer na aplicação das leis, a começar pela educacão que deve e pode favorecer a tomada de consciência dos mais novos para uma cultura de tolerância.
5. O PCP defende a ratificação por Portugal da Convenção da ONU sobre “Protecção dos Direitos de Todos os Migrantes e membros das suas famílias”, tendo apresentado na AR um projecto de resolução nesse sentido.
6. Para o PCP, a dignidade da pessoa humana é incompatível com qualquer tipo de exclusão ou preconceito devido à cor, origem, religião ou condição social a que continuam sujeitos os trabalhadores migrantes que procuram formas de vida mais dignas e um futuro mais esperançoso.

 
 
 

        

In Nota da Direcção da Organização na Emigração do PCP  Grupo de Trabalho do PCP para a Imigração

                 

Leitura Obrigatória (XXXI)

    Relatório sobre a Manifestação de 15 de Abril no Porto contra a Carestia de Vida (DORN do PCP)

A manifestação de 15 de Abril de 1972 ocorreu num momento político particular, no qual se tornava evidente o avolumar de contradições e dificuldades no interior do regime fascista. A situação social apresentava sinais de acelerada degradação. A base de descontentamento popular alargava-se. A intervenção e a luta dos trabalhadores crescia e o movimento sindical dava importantes passos na sua organização e intervenção contra o regime. Registava-se uma ampla mobilização social e política da juventude contra o fascismo e crescia o protesto contra as guerras coloniais. Na situação marcavam também presença, contraditoriamente, atitudes paralisantes em alguns sectores da oposição que ainda manifestavam ilusões em relação à chamada «primavera marcelista» ou que acreditavam num processo de desagradação automática da ditadura.

As repercussões desta importante jornada de luta foram de grande importância para animar e dar confiança ao movimento antifascista no qual os comunistas desempenhavam um papel decisivo.

  

In Edições «Avante!»

  

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