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O CASTENDO

TERRAS DE PENALVA ONDE «A LIBERDADE É A COMPREENSÃO DA NECESSIDADE»

O CASTENDO

TERRAS DE PENALVA ONDE «A LIBERDADE É A COMPREENSÃO DA NECESSIDADE»

Alternativa ou alternância

   Alternância: acto ou efeito de alternar. Alternar: fazer suceder duas coisas, revezando-as. Alternativa: opção entre duas coisas; escolha (Dicionário Ilustrado da Língua Portuguesa, Porto Editora 2001).

Ao entrarmos na última semana de campanha eleitoral a opção está claramente colocada aos portugueses: políticas alternativas ou alternância de políticas.

1. De um lado posiciona-se a troika dos partidos do chamado arco do poder (ou do «arco da velha» para utilizar a feliz expressão de Jerónimo de Sousa). PS, PSD e CDS, juntos ou a vez, (des)governaram Portugal nos últimos 35 anos. São os primeiros e principais responsáveis pela actual situação económica, financeira, social e política a que o país chegou. Servindo (e servindo-se) caninamente os interesses dos grupos económicos e financeiros seus mandantes.

Durante 35 anos PS, PSD e CDS levaram a cabo uma sistemática destruição do aparelho produtivo nacional: agricultura, pescas e indústria. Atrelaram-nos, sob falsos pretextos (onde está a tão propalada coesão económica e social?) ao carro da CEE, depois CE e agora União Europeia. Carro esse conduzido, de facto que não de jure, pelo directório das grandes potências europeias, em particular a Alemanha, a França e a Inglaterra.

O objectivo desta troika foi assegurar nos últimos 35 anos lucros fabulosos e obscenos ao capital, aos grupos económicos e financeiros portugueses e estrangeiros, mesmo que há custa de quem produz. A realidade aí está para prová-lo. Entre 1974 e 1976 a distribuição do Rendimento Nacional foi de 59,5 para o trabalho e 40,5% para o capital. Hoje a parte do trabalho está certamente perto dos 30% e a do capital ronda os 70%!!! Para aqueles que enchem a boca com o chamado «interesse nacional» uma pergunta apenas: com estas políticas o país ficou mais rico, mais justo e mais independente?

E a dança (a três) continua. Seja o tango ou o corridinho, sempre num ora danças tu, ora danço eu, ora danças tu mais eu. Mas com um dado novo e significativo que a todo o custo procuram esconder do eleitorado: PS, PSD e CDS apresentam-se a eleições com o mesmo programa de governo. O eufemísticamente chamado acordo que esta troika assinou com a outra troika, a do FMI/BCE/UE. O resto, as pretensas diferenças, não passam de fogo de vista ou de poeira deitada para os olhos dos mais incautos. Sejamos claros: se os actores e as políticas forem os mesmos os resultados não serão diferentes.

2. Do outro lado estão aqueles, nomeadamente o PCP e a CDU, que propõem políticas de ruptura com este estado de coisas e de construção de uma alternativa política de esquerda.

Políticas alternativas que dão resposta aos problemas mais prementes, mais decisivos que o nosso país enfrenta neste momento. Os brutais défices estruturais da nossa economia (energético e alimentar, por exemplo) e a não menos brutal dívida externa.

Propostas sobre a questão da dívida pública e do financiamento do Estado que são uma real alternativa às supostas inevitabilidades de FMI e União Europeia. Desde logo e à cabeça a renegociação da dívida, nos seus prazos, taxas de juro e montantes.

Políticas alternativas que visam o desenvolvimento económico, a criação de emprego, a redistribuição do rendimento e a justiça social, assumindo o carácter central da questão da produção nacional. E também o aprofundamento da democracia e a afirmação da independência e soberania nacionais.

A alternativa existe. Não é um caminho sem escolhos e dificuldades. Mas sem dúvida que estas propostas dos comunistas portugueses e dos seus aliados na CDU constituem uma saída para o país. O povo tem a palavra no dia 5 de Junho.

Nota final: achei deliciosas e ternurentas, palavra que achei, as recentes afirmações de Cavaco Silva sobre as suas capacidades de previsão a propósito da inevitabilidade da intervenção do FMI em 1983. Face à sua actuação como ministro das Finanças dos governos da AD liderada por Sá Carneiro e Freitas do Amaral, tais previsões eram mesmo… previsíveis!

In jornal "Público" - Edição de 27 de Maio de 2011

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O que se esconde: No final de 2010 a dívida do sector privado era cerca de 260% do PIB

Para português ler:

«A. Introdução e perspecivas macroeconómicas

1. A economia portuguesa enfrenta desafios consideráveis. Os indicadores de competitividade estão em baixa, o crescimento anémico e o défice da balança corrente anda na ordem dos 10% do PIB. A crise global expôs a fragilidadade orçamental e financeira com uma dívida em torno dos 90% do PIB e no final de 2010 a dívida do sector privado estava na ordem dos 260% do PIB. A banca que financiou este défice tem o maior rácio crédito/depósitos na Europa.»

(isto é apenas o nº 1 de um documento de 18 páginas do chamado "acordo" entre as troikas)

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O que se esconde: A dívida de Portugal é, sobretudo, de empresas e de particulares

O endividamento do sector privado não financeiro cifrou-se em 224% do PIB em 2010, com 129% relativos às “sociedades não financeiras” e 95% aos “particulares”, mostrando-se, à evidência, que a dívida de Portugal é, sobretudo, de empresas e de particulares.

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A banca manda e PS, PSD e CDS ajoelham

   1. Portugal foi arrastado para uma crise política que era totalmente evitável. Essa crise foi provocada no pior momento possível. Sabemos por que provocaram essa crise: por ambição de poder. Ambição de poder a qualquer custo.

Poucos momentos haverá em que a leviandade política e o calculismo partidário provocaram danos tão graves e tão profundos no interesse nacional. Poucos momentos haverá em que são tão evidentes as consequências devastadoras para a vida das pessoas, da irresponsabilidade e da sofreguidão pelo poder.

Não, lamento. O caso é demasiado grave. Não há fuga possível às responsabilidades políticas por esta crise!

Não podíamos estar mais de acordo! Estas palavras foram retiradas do discurso de José Sócrates no encerramento do Congresso do PS. Elas aplicam-se que nem uma luva ao seu autor e ao seu Governo. Nada, mesmo nada, obrigava o Governo a demitir-se. Na Assembleia da República não foi aprovada nenhuma moção de censura. Foi o primeiro-ministro que, pelas razões por ele próprio enunciadas acima, se autodemitiu.

Abandonado hipocritamente por PSD e CDS, que sempre apoiaram, e apoiam, as medidas dos PEC e do Orçamento do Estado (OE), mas quiseram sacudir responsabilidades na sua aplicação. Todos os três partidos do «pote», na feliz expressão do líder do PSD. Esse tão apetecido «pote» que, como disse Jerónimo de Sousa, há mais de três décadas alimenta as concubinadas clientelas dos grandes interesses económicos e das elites de PS e PSD e no qual CDS-PP molha também a colher. E cuja disputa os levou a construir e desencadear a presente crise governativa.

Esta realidade expressa bem como a mentira, a manipulação e o cinismo são elaboradas, planeadas e sistematizadas por estes senhores. A 5 de Junho saberemos quem se enganou nos cálculos. E o tempo nos dirá quem enganou quem.

2. A banca manda e o Governo obedece, PS, PSD e CDS ajoelham! Os banqueiros vieram dizer ao país que já não aguentavam mais sacrifícios. Mentira descarada. Qual é a realidade?

Contas feitas pelo economista Eugénio Rosa indicam que, segundo os dados do Banco de Portugal, no período 2000-2010, a dívida total líquida externa do país aumentou em 269 por cento. A dívida líquida externa do Estado cresceu 122,6 por cento, menos de metade do crescimento da dívida do país. Mas a dívida líquida da banca e das empresas ao estrangeiro aumentou 629,2 por cento (!!!), isto é, cinco vezes mais do que o aumento percentual da dívida externa do Estado.

Uma das características da actual crise é a transformação da dívida privada, contraída pelo sistema financeiro com as suas trampolinices e «lixos tóxicos» em dívida pública a ser paga por todos nós.No caso de Portugal, os dados são esclarecedores.

Desde 2008 (em euros) a banca portuguesa recebeu quatro mil milhões dados pelo Governo; 20 mil milhões em avales; cerca de 7,7 mil milhões (ou quase cinco por cento do PIB de Portugal) enterrados no BPN, dos quais dois mil milhões já aparecem nas contas públicas; cerca de 450 milhões no BPP; cerca de quatro mil milhões (2008 a 2010) só em juros roubados dos nossos impostos no esquema de "eu (banco português) vou ao BCE pedir a um por cento e empresto-te a 4, a 5, a 6, a 7, a 8, a 9... por cento"; pagamento do IRC a rondar em média os 10 por cento (quando a taxa é de 25 por cento); no OE para 2011 avales no valor de 20,181 milhões e ajudas para aumentos de capital de 9,146 milhões; lucros líquidos em 2010 iguais aos de 2009 - cinco milhões de euros dia - pagando metade dos impostos. E dizem que já não aguentavam mais sacrifícios?!

Entretanto, o comissário europeu para os Assuntos Económicos relevou que é «quase certo» que parte dos 80 mil milhões da chamada ajuda para Portugal será canalizada para a banca portuguesa. Para, nas suas palavras, «assegurar a estabilidade financeira da banca» ...

Os portugueses não estão condenados a ter que aceitar as saídas daqueles que até hoje conduziram o país para a dependência e para o crescente endividamento. São necessárias e possíveis outras soluções. Que garantam o desenvolvimento do país com uma nova política patriótica e de esquerda!

Especialista em Sistemas de Comunicação e Informação

In jornal "Público" - Edição de 15 de Abril de 2011

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Políticas Erradas, Sacrifícios Inúteis!

Tempo de protesto e não de medo ou silêncio

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Renegociar a dívida pública - Desenvolver a produção nacional

Como há muito o PCP vem denunciando o endividamento externo líquido do país é uma das consequências mais visíveis da política de desastre nacional que PS, PSD e CDS impuseram nos últimos 35 anos. Uma dívida, pública e privada, em que a dívida privada é maior que a dívida pública, que assume hoje a colossal dimensão de mais de 107% do PIB e que é inseparável de um processo de desindustrialização, do abandono da produção nacional, das privatizações, da submissão às imposições da UE e ao grande capital nacional e estrangeiro.

Uma dívida que resultou, não de um povo “a viver acima das suas possibilidades”, mas de um processo de aprofundamento da dependência externa e de subordinação aos grupos económicos e financeiros.

Com o endividamento do país ganharam aqueles que nos impuseram a liquidação do aparelho produtivo – como a França e a Alemanha – e a quem passámos a comprar aquilo que o país deixou entretanto de produzir.

Com o endividamento do país ganharam e ganham os bancos da Alemanha, da Inglaterra, da Espanha, da Holanda, da França e também de Portugal, que de forma escandalosa se financiam junto do BCE a taxas de juro de cerca de 1%, para depois adquirirem dívida pública cobrando 6%, 7% e até 8% ao estado português, numa ilegítima usurpação de recursos nacionais.

(sublinhados meus)

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