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O CASTENDO

TERRAS DE PENALVA ONDE «A LIBERDADE É A COMPREENSÃO DA NECESSIDADE»

O CASTENDO

TERRAS DE PENALVA ONDE «A LIBERDADE É A COMPREENSÃO DA NECESSIDADE»

Líbia: o toucinho e a velocidade

Os jornalistas e bloguistas Daniel Oliveira e Pedro Correia estão curiosos sobre a minha posição sobre a situação na Líbia. Por uma vez vou satisfazer-lhes a curiosidade.

1. A minha posição, como comunista, como marxista-leninista, parte de uma posição de classe: a quem serve a actual escalada política e militar neste país?

Dois objectivos motivaram o ataque à Líbia: por um lado, o saque dos recursos naturais – petróleo e gás. Por outro, a necessidade de controlar através do medo, o rumo das rebeliões populares que na Tunísia e no Egipto derrubaram as ditaduras de Ben Ali e Mubarak, ambos aliados de Washington.

2. É óbvio que uma parte da população líbia já não se revê em Kadhafi e no seu regime «unificador de todos os clãs». O mesmo regime que (sobretudo após 1993) abraçou os programas de ajuste estrutural do FMI e a sua política de privatizações. Que abraçou os grandes negócios com as principais potências imperialistas e a «guerra contra o terrorismo» de Bush.

Kadhafi está enganado quando diz que o seu povo o ama. E uma das razões reside precisamente no facto de ao abraçar a «guerra contra o terrorismo» ter voltado as costas ao seu próprio povo.

Mas também há dados que nos indicam continuar a haver sectores que apoiam o actual regime, seja do ponto de vista político e militar, seja popular.

3. Estamos pois perante um conflito interno que se desenrola num país com características muito particulares e em que os clãs, e o acesso que têm ao armamento, pesaram determinantemente no facto de o conflito ter rapidamente resvalado para um confronto militar interno, com as terríveis consequências que isso acarreta.

4. É conhecida a formidável capacidade de espionagem nesta zona por parte dos EUA e das antigas potências coloniais europeias, bem como de Israel, do Egipto, da Arábia Saudita e dos Emiratos Árabes Unidos. É extremamente significativo que não tenham conseguido divulgar durante estas semanas informações e imagens credíveis sobre genocídios da parte governamental. Nem sobre a verdade das operações realizadas que tornaram Benghazi a zona rebelde por excelência.

A invasão do Iraque teve como pretexto uma enorme mentira. Nada está a ficar diferente no ataque à Líbia.

5. A captura de militares holandeses em território Líbio pelas forças leais a Kadhafi e a captura de militares britânicos pelos próprios rebeldes foram dois acontecimentos elucidativos. Estes dois factos, por si só, tornaram clara a estratégia da NATO e das suas principais potências. Tratava-se de desenvolver, num quadro de uma situação de conflito interno, uma ilegal e criminosa acção de ingerência, espionagem, incitamento, treino e armamento de alguns sectores rebeldes. Tratava-se de criar o «caos humanitário» no País e, finalmente, abrir o campo ao grande objectivo: a intervenção militar e domínio sobre aquele imenso território.


6. Perante este cenário qual deveria ter sido a actuação da chamada comunidade internacional?

A atitude do Conselho de Segurança das Nações Unidas e do Secretário Geral da ONU deveria, à luz da Carta das Nações Unidas, ser a de promover e apoiar iniciativas diplomáticas de países como a Venezuela e de organizações, como a União Africana, visando uma resolução pacífica do conflito interno na Líbia.

A realidade foi outra. Assistimos, isso sim, a uma actuação de apoio a uma estratégia que visou iniciar mais uma guerra imperialista de agressão. Guerra essa que, inevitavelmente, agravará o conflito interno e provocará ainda maior instabilidade em toda a região do Magrebe e Médio Oriente.

De sublinhar a abstenção na votação dos quatro países do chamado BRIC: Brasil, Rússia, Índia e China. Bem como a idêntica posição por parte da Alemanha.

7. EUA, Inglaterra e França preparam-se para «salvar» o povo Líbio do «ditador louco». Apesar das sucessivas declarações dos rebeldes contra uma intervenção militar estrangeira no conflito Líbio. O discurso da «intervenção humanitária» volta às parangonas. É «vendido» pelos mesmos que venderam a Kadhafi os programas de ajuste do FMI e que estão na origem da deterioração da situação social no país.

Enquanto invocam a defesa da liberdade e da democracia e motivos humanitários para bombardear a Líbia, os EUA apoiam as matanças praticadas pela ditadura feudal do Iémen e incentivaram a monarquia islamista da Arábia Saudita a invadir o Bahrein, sede da V Esquadra da US Navy – para reprimir a insurreição do seu povo.

A contradição ilumina bem o farisaísmo de Washington. Aliás como sempre ao longo da sua história (ver The National Security Archive).

8. A presença na dita coligação de Marrocos, Qatar, Emiratos Árabes Unidos, Jordânia e Iraque, tudo, como se sabe, regimes que são extremosos defensores dos «direitos humanos» é elucidativa. Como elucidativa é a afirmação arrogante do embaixador francês que o Conselho de Segurança «não é um quartel-general» e que «este Conselho deve dar autorização política e depois os países devem trabalhar juntos para a [a dita «zona de exclusão aérea»] impor».

A promessa de Berlusconi, outro impoluto humanista, de se juntar aos agressores, só arrastará ainda mais esta agressão pela lama da ignomínia.

9. Na Líbia, como na Palestina, no Líbano, na Jugoslávia, no Iraque, no Afeganistão e em tantos outros lugares, as potências imperialistas acenam cinicamente com preocupações de «direitos humanos» e defendem a dita «ingerência humanitária». Mas, na prática, apenas semeiam a morte e a destruição como forma de assegurar a exploração dos povos e dos seus recursos.

O verdadeiro amor ao povo Líbio passa neste momento por impedir mais um crime «humanitário» do imperialismo e afirmar sem tibiezas que lhe caberá decidir do seu próprio destino.


Para terminar, apenas duas notas:

Este texto de Daniel Oliveira enferma de demasiados erros factuais (ler os comentários). Erros esses que servem de fundamento a algumas das conclusões. O jornalista Daniel Oliveira deveria saber que quando as premissas estão erradas as conclusões também.

Já o caso de Pedro Correia é diferente. AQUI e AQUI conclui sobre o pretenso apoio do PCP e dos comunistas portugueses a Khadafi. Quando em TODOS os textos e tomadas de posição é claramente feita a distinção entre o líder líbio e o seu povo. E são claras e inequívocas as críticas a Khadafi. Ao misturar o toucinho com a velocidade e ao esconder esses factos dos seus leitores, o jornalista Pedro Correia está a entrar numa área «repugnante» (para utilizar um termo dele): a manipulação informativa e a desonestidade intelectual.

-

Os 20 anos da Guerra do Golfo

(...)

Se, como o PCP teve oportunidade de afirmar há duas décadas atrás, a violação de resoluções das Nações Unidas e a invasão do Kuwait pelo Iraque eram inaceitáveis, a realidade demonstrou claramente que a estratégia do imperialismo norte-americano em torno da Crise do Golfo não visava a defesa da legalidade internacional e da independência e soberania dos povos do Médio Oriente, mas tão só o desencadear de um conflito militar que servisse os seus interesses económicos e geoestratégicos.

Desencadeada num quadro de recessão da economia norte-americana e de manifestação de contradições inter-imperialistas, nomeadamente no plano económico, a Guerra do Golfo foi inseparável das profundas e trágicas mudanças associadas ao desmantelamento da União Soviética e à liquidação do socialismo no Leste da Europa, tendo sido uma peça fundamental para a concretização, neste quadro, dos confessos objectivos dos EUA de instauração de «uma nova ordem mundial» de domínio hegemónico do imperialismo que, no Médio Oriente, passava e passa pelo domínio dos enormes recursos naturais da região, pelo estrangulamento da luta popular, nacional e progressista dos povos do Médio Oriente e pelo contínuo apoio à criminosa política de Israel contra os povos da região.

Esta autêntica guerra de rapina, desencadeada hipocritamente em nome da legalidade internacional, foi o prelúdio de 20 anos de agressões, invasões e subversões imperialistas em larga escala em que a invasão e ocupação do Iraque em 2003 ocupa lugar de destaque como um dos maiores crimes imperialistas cometidos na História do Médio Oriente que se prolonga até aos dias de hoje.

A agressão ao Iraque em 1991 marcou uma nova corrida armamentista em que pontificaram o desenvolvimento de armas, sistemas e tecnologias militares cada vez mais mortíferas - e inclusive o uso de armas proibidas em conflitos militares - tendo igualmente marcado um salto qualitativo no envolvimento mais directo das potências capitalistas europeias na estratégia de domínio imperialista no Médio Oriente e na adopção de políticas supranacionais no quadro da União Europeia de carácter militarista e federalista, nomeadamente no quadro da chamada «política externa e de defesa comum».

Do Golfo à Jugoslávia, do Afeganistão ao Iraque, ao Líbano e Palestina, o imperialismo procurou nestas duas décadas impor a sua dominação global, assegurar o controlo directo dos principais recursos energéticos mundiais, aniquilar a soberania dos povos e submeter todo o planeta aos interesses de exploração e lucro dos grandes grupos económicos e financeiros. Crimes hediondos, cujos responsáveis continuam inaceitavelmente impunes, foram cometidos contra os povos da região e muito em particular contra o povo iraquiano. Esta ofensiva militarista e belicista alimentou os ataques aos direitos sociais, económicos e políticos dos povos – mesmo nos centros do imperialismo – e agravou as contradições entre potências imperialistas.

(...)

(sublinhados meus)

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Crimes macabros ocultados pelo Ocidente

A Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa irá debater, no próximo dia 25, um relatório que implica directamente o primeiro-ministro do Kosovo, Hashim Thaçi, na extracção e tráfico de órgãos humanos.

O documento de 28 páginas, já aprovado em Comissão em meados de Dezembro, confirma que os principais responsáveis do chamado Exército de Libertação do Kosovo (UÇK) se dedicaram ao tráfico de órgãos retirados a prisioneiros sérvios entre 1998 e 2000.

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Onze anos depois do ataque à Jugoslávia - NATO é uma ameaça à paz mundial

Lisboa acolhe em Novembro a cimeira da Aliança Atlântica onde vai ser formalmente adoptado o novo conceito estratégico da NATO. A iniciativa ocorre 11 anos depois do ataque à Jugoslávia, uma agressão apresentada ao mundo como «humanitária» mas que assinalou de facto o início de uma nova etapa do papel da NATO enquanto instrumento de guerra à escala global. A escolha da capital portuguesa para sede da cimeira confirma o persistente e crescente envolvimento do País na política belicista da NATO, contrariando os princípios consagrados na Constituição da República Portuguesa e na Carta das Nações Unidas. É pois a hora de todos os que almejam a paz e a segurança internacional se juntarem à campanha «Paz sim! NATO não!».

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Harold Pinter sobre a guerra da NATO na Sérvia: «We are bandits guilty of murder»

     «THE Nato war is a bandit action, committed with no serious consideration of the consequences, confused, ill thought, miscalculated, an act of deplorable machismo. Yet, according to opinion polls most British people support this war, believing we may have a moral duty to intervene and the moral authority to do so.   

What is moral authority? Where does it come from? How do you achieve it? Who bestows it upon you? How do you persuade others that you possess it? You don't. You don't have to bother. What you have is power. Bombs and power. And that's your moral authority. »

 

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adaptado de um e-mail enviado pelo Jorge

 

Tomo II das Obras Escolhidas de Álvaro Cunhal

     Publicamos hoje a intervenção de Francisco Melo, director da Editorial Avante, no lançamento do II Tomo das Obras Escolhidas de Álvaro Cunhal.

 

Os textos publicados neste tomo II são produto de três períodos distintos da vida e actividade políticas de Álvaro Cunhal: um, que vai desde a sua viagem à União Soviética, via Jugoslávia (onde chegou no começo de Dezembro de 1947), até à sua prisão em 25 de Março de 1949; outro, respeitante aos anos de prisão na Cadeia Penitenciária de Lisboa e na Cadeia do Forte de Peniche; e outro, compreendido entre a data da sua evasão, em 3 de Janeiro de 1960, e a publicação de Rumo à Vitória, em Abril de 1964, obra que é um marco do pensamento político marxista-leninista no nosso país.

Organizado o Partido à escala nacional, como o IV Congresso, realizado em 1946, mostrou, era natural que se colocasse à Direcção do Partido a tarefa de restabelecer as relações, interrompidas em 1938, com o movimento comunista internacional. Coube a Álvaro Cunhal a realização dessa tarefa.

   

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Obras Escolhidas (Tomo II) de Álvaro Cunhal

     «Os textos publicados neste tomo II são produto de três períodos distintos da vida e actividade políticas de Álvaro Cunhal: um, que vai desde a sua viagem à União Soviética, via Jugoslávia (onde chegou em 2-3 de Dezembro de 1947), até à sua prisão em 25 de Março de 1949; outro, respeitante aos anos de prisão na Cadeia Penitenciária de Lisboa (na qual deu entrada em 4-4-1949) e na Cadeia do Forte de Peniche (para onde foi transferido em 27-7-1956); e outro, compreendido entre a data da sua evasão, em 3 de Janeiro de 1960, e a publicação de Rumo à Vitória, em Abril de 1964, obra que é um marco do pensamento político marxista-leninista no nosso país, na sua tripla vertente de síntese histórica, de análise conjuntural e de prospectiva do processo revolucionário em Portugal

In Edições «Avante!»

 

    Este segundo volume de Obras Escolhidas de Álvaro Cunhal, lançado pela Editorial “Avante!” e acompanhada empenhadamente por Francisco Melo, refere um período histórico de grandes acontecimentos nacionais, internacionais e partidários entre 1947 e 1964. É parte importante mas indissociável do período antecedente deste, a fundação do Partido, e não separável da contribuição de Álvaro Cunhal até ao final da sua vida, contribuição que ajuda à compreensão do entendimento do Partido que temos e do Partido que somos.

Sublinhe-se também, e como ele próprio afirmou posteriormente, estes materiais não podem ser lidos como um romance para que se possa dizer mais tarde que já se leram. Será necessário lê-los e relê-los, é necessário compreendê-los.

 

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