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O CASTENDO

TERRAS DE PENALVA ONDE «A LIBERDADE É A COMPREENSÃO DA NECESSIDADE»

O CASTENDO

TERRAS DE PENALVA ONDE «A LIBERDADE É A COMPREENSÃO DA NECESSIDADE»

A propósito do TARRAFAL

    A propósito do documentário exibido na RT2 na passada 2ª feira pelas 23h30m sobre o TARRAFAL, e que repete este domingo ao meio-dia, alguns blogs abordaram o tema. (Ver aqui e  aqui).

Alguns erros factuais e comentários levaram-me a intervir no debate.
Devido certamente a problemas técnicos, como informático sei o que isso é, neste blog alguns dos meus comentários ficaram «encravados».
Daí o trazer o debate para aqui.
Alguns comentários
levantam, na forma e no conteúdo, dúvidas sobre se não se inscreverão naquilo a que o meu amigo Nuno Ramos de Almeida aqui muito correctamente referiu: «Este elogio à utilidade dos campos de concentração e esse apelo à eliminação física dos adversários era usual nos fascistas dos anos 30. Quase 80 anos depois ele repete-se na direita portuguesa. É preciso elogiar a sinceridade dessas pessoas. É bom saber que para eles Salazar e Hitler são justificáveis. Assim quando eles encherem a boca com as palavras liberdade e democracia, ficamos saber que, no fundo no fundo, eles acham que só “o trabalho liberta”.» (frase que encimava os portões de entrada dos campos de concentração nazis "inaugurados" em 1934 pelos militantes do Partido Comunista Alemão).
É óbvio que tenho uma visão do mundo diferente da destes senhores. E referenciais éticos e morais também. É natural que assim seja.
Não foi o pai deles, foi o meu pai, Sérgio Vilarigues, que esteve preso sete anos (dos 19 aos 26), no Aljube, em Peniche, em Angra e no campo de concentração do Tarrafal (para onde foi com a primeira leva de presos quando já tinha a PENA TOTALMENTE CUMPRIDA); que passou trinta e dois anos na clandestinidade no interior do país. Com quem estive até aos três anos e meio. E por três vezes em encontros clandestinos de breves horas (1969/1971/1972).
Não foi a mãe deles, foi a minha mãe, Maria Alda Nogueira, que, estando literalmente de malas feitas para ir trabalhar em França com a equipa de Isabelle Curie, pegou nas mesmas malas e passou à clandestinidade; que presa passou 9 anos e dois meses nos calabouços fascistas; que durante todo esse período o único contacto físico próximo que teve com o filho (dos 5 aos 15 anos) foi de três horas por ano!
Não foi a mulher deles, foi a mãe das minhas filhas, Lígia Calapez, que, com 18 anos, foi a primeira jovem legal, menor, a ser condenada a prisão maior por motivos políticos – 3 anos em Caxias.
Não foi a filha deles, foi a minha filha mais velha, Sofia Vilarigues, que até aos dois anos e meio não soube nem o nome, nem a profissão dos pais.
Não foram eles, fui eu que aos dezassete anos, por opção minha (tive convite para ir estudar para a Hungria ou para a URSS), passei à clandestinidade no interior do país. Para não referir que logo aos 5 anos e meio fui interrogado no Colégio Princípe Perfeito, na Rua dos Lusíadas em Alcântara, por uma brigada da PIDE chefiada pelo Rosa Casaco. Muito interessado em saber por onde tinha eu andado até então. Para que houvesse paz, democracia e liberdade no nosso país. E para, entre outras coisas, estivéssemos aqui hoje a ter esta discussão.

Prisões: Aljube-Caxias-Peniche-PIDE Porto

Quanto ao resto são os mesmos argumentos estafados de sempre já respondidos:

  • Sobre os modelos de sociedade e a democracia - Aqui, Aqui e Aqui
  • Sobre o que é um Partido Comunista - Aqui, Aqui, Aqui e Aqui
  • Sobre as propostas concretas do PCP - Aqui
  • Sobre os crimes cometidos em nome do comunismo - Aqui

E muito atrevimento provocado pela ignorância, como o de que Salazar deu o voto às mulheres. Só às “chefes de família”, esclareça-se. Fica por explicar porque é que as enfermeiras e as hospedeiras, por lei, não podiam casar; porque é que Portugal podia ser um dos dois únicos países do mundo onde se podia ser filho de mãe incógnita (sabendo-se perfeitamente quem ela era...); ou o fenómeno de haver 1,2 milhões de eleitores a 25 de Abril de 1974 e cerca de 6 milhões a 25 de Abril de 1975…

Fica também por explicar por alguns senhores, que campos de concentração o PCP abriu, que centros de tortura construiu, quem neles foi torturado, preso ou morto...

   

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