Quinta-feira, 2 de Dezembro de 2010

Quem escreveu «que a excelência de Bush na luta contra o terrorismo [no Iraque] não pode ser negada»?

A frase do título podia ter sido escrita por Barroso (o vidente!), Câncio, Aznar ou Blair. Mas não foram eles a escrevê-la.

A frase do título faz parte do início de um artigo em... chinês: «克里抓住伊拉克的现在困境大做文章,但布什在反恐上的卓越作为,绝非克里的诋毁所能抹杀。»

No artigo, o seu autor, apoia, entre outras coisas, as guerras que os Estados Unidos fizeram à Coreia e ao Vietnam / Vietname:

«历史上,现实中,美国都不是完美的国家,但它至少是最富理想主义和使命感的自由国家,它领导盟国赢得抗击法西斯主义的二战,帮助发动二战的两大罪恶国家德国和日本实现了民主化重建,领导了对抗共产极权的韩战和越战,最终赢得了长达半个世纪的自由与极权之间的冷战;美国在中东帮助埃及获得了独立,一直保护处在阿拉伯诸国包围中的以色列,如果没有美国的保护,长期受到迫害且在二战中遭遇种族灭绝的犹太人,大概又将被伊斯兰世界的仇恨所淹没,美国被阿拉伯人所仇恨和屡遭伊斯兰恐怖主义的袭击,显然与美国对以色列的长期支持高度相关。»

E, mais adiante no artigo, escreve o autor:

«对付诸如恐怖主义这样肆意践踏文明底线的极端人类公害,美国在使用武力时不应该有任何犹豫。只有果断坚决,才能制止类似9•11灾难的再次发生,减少日益国际化的恐怖主义和大杀伤力武器的威胁。»

ou seja,

«Para lidar com o terrorismo, como ameaça extrema sobre a civilização humana, os Estados Unidos não devem ter nenhuma hesitação no uso da força. É preciso determinação para impedir que um desastre semelhante ao 11 de Setembro aconteça novamente, para reduzir o crescimento do terrorismo internacional e a ameaça de armas de destruição em massa.»

Quem escreveu estas frases foi o Prémio Nobel da Paz 2010 Liu Xiaobo no China Observer em 31 de Outubro de 2004 (The Free Iraq Operation and US presidential election).

Podem ser lidas AQUI. Estão traduzidas AQUI em várias línguas.

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adaptado de um e-mail enviado pelo Jorge

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Domingo, 19 de Setembro de 2010

Nascidos para matar

Para Ler, Ver e Ouvir:

Citações apropriadas

Tente adivilhar quem disse as seguintes frases mortais e depois clique para ver se acertou:

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16 de Março de 2003

«Now, coming to our responsibility in case there is a conflict, I must say that the responsibility falls entirely on the dictator Saddam Hussein. He bears the entire responsibility because he has not respected for all of these years international law and consistently violated the UN resolutions. And in that case, if there is a conflict, I want to repeat it once more, Portugal will be next - side by side with his allies. And the fact that we are here today in the Azores with the United States, with Spain and with the UK, this is very significant

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16 de Março de 2003

Tradução parcial da anterior: «A responsabilidade é inteiramente do ditador Saddam Hussein. É dele a responsabilidade de não ter respeitado durante anos o direito internacional e de ter violado repetidas vezes as resoluções das Nações Unidas»

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12 de Maio de 2007

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18 de Novembro de 2007

«Vi os documentos, tive-os à minha frente, dizendo que havia armas de destruição maciça no Iraque. Isso não correspondeu à verdade» (ver vídeo)

[E ninguém é responsabilizado? Esta pessoa continua a ocupar o lugar destacado que tem?]

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23 de Março de 2008 (reafirmando Fevereiro de 2004)

«Ora, dito isto, preto no branco, eu partilho das razões pelas quais Bush e Blair quiseram ir para a guerra ...»

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2 de Abril de 2008

«O que nós vamos fazer é empenharmo-nos mais no Afeganistão nas áreas que são críticas para o sucesso da missão (...) Estamos muito empenhados no sucesso da operação da NATO no Afeganistão porque isso é fundamental para a credibilidade da Aliança»

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25 de Agosto de 2008

«Sem a intervenção militar de 2001 e a NATO [no Afeganistão] não haveria hoje espaço humanitário para as ONG, por exemplo, poderem fazer o seu trabalho.»

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15 de Abril de 2009

«Discordo de Manuel Alegre quando este critica a decisão do governo de reforçar a presença militar portuguesa no Afeganistão.»

[Manuel Alegre critica reforço. Mas aprova a presença? E sobre a NATO, o que diz Alegre?]

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16 de Dezembro de 2009

«A Europa não pode abandonar os afegãos e não está lá porque os americanos querem. A presença internacional militar e civil continuará a ser necessária ali, por muito mais anos

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3 de Janeiro de 2010

«o Governo e os órgãos que decidem sobre esta matéria, sentiram que era preciso reforçar essa participação [na guerra do Afeganistão]»

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29 de Janeiro de 2010

«a decisão portuguesa de reforçar o contingente português no Afeganistão foi uma decisão com uma única razão: a fronteira de segurança de Portugal está hoje no Afeganistão. (...) É lá que combatemos o terrorismo e onde defendemos a nossa paz e é lá que defendemos o nosso direito de viver e com que valores queremos viver»

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29 de Agosto de 2010

«... estou ainda para ver o resultado das invasões que apoiei (afeganistão e iraque)...»

[Esta pessoa deve ser alguém que não «pensa pela sua cabeça» e que está um pouco confundida pelo «facto de integrar um colectivo que costuma falar a uma só voz (sob pena de)». Ler: Quem disse que eles falam, «não por vontade sua, mas por ordem de uma associação secreta»?]

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adaptado de um e-mail enviado pelo Jorge

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publicado por António Vilarigues às 12:09
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Domingo, 23 de Maio de 2010

Apelo por ocasião do 20 de Julho de 1968 (*)

Queridos compatriotas e combatentes em todo o país,

Há 14 anos, após a nossa vitória em Dien Bien Phu, foram assinados os acordos de Genebra, onde eram reconhecidas a independência, a soberania, a unidade e a integridade territorial da nação vietnamita. O nosso povo deveria ter efectuado eleições gerais em Julho de 1956. O nosso país deveria ter-se tornado plenamente independente, livre, pacífico e reunificado. O Norte e o Sul deveriam ter sido reunificados.

Mas os imperialistas belicistas dos EUA violaram os seus próprios compromissos e sabotaram abertamente os Acordos de Genebra. Instalaram o traiçoeiro governo fantoche e desencadearam uma guerra de agressão no Sul do nosso país. Porém, tiveram de enfrentar a resistência extremamente heróica dos nossos compatriotas e dos combatentes no Sul, e sofreram importantes derrotas. Numa tentativa de escapar do seu atolamento no Vietname do Sul, há já três anos que estão a bombardear e agredir o Norte. Minam a independência e neutralidade do Laos, e estão continuamente a ameaçar e a realizar provocações contra o Reino do Cambodja.

A guerra de agressão dos EUA contra o nosso país é uma das guerras mais cruéis da história humana. Os agressores americanos acreditam que com mais de um milhão de militares, incluindo mais de meio milhão de soldados dos EUA, e utilizando armas modernas, podem subjugar o nosso povo. Mas acontece precisamente o contrário. Os nossos heróicos compatriotas e combatentes no Sul, e todo o heróico povo vietnamita ergueram-se decididos, aos milhões, lutando com extrema coragem, derrotando todos os planos militares e políticos do inimigo e alcançando vitórias cada vez maiores.

Desde o princípio de 1968, a guerra de resistência no Sul entrou numa nova fase: os nossos compatriotas e combatentes no Sul lançaram uma ofensiva geral e levantamentos coordenados nas cidades, alcançando vitórias que abalaram os próprios EUA e o mundo inteiro. A criação da Aliança de Forças Nacionais, Democráticas e de Paz foi um grande êxito da política de unificação de todo o povo contra os agressores dos EUA e pela salvação nacional. Ajudou a desmascarar o verdadeiro rosto dos agressores dos EUA e dos traidores, e a isolá-los ainda mais. No Norte, já foram abatidos mais de três mil aviões dos EUA. Portanto, «quer o Norte quer o Sul estão a combater bem». Os imperialistas dos EUA estão a sofrer derrotas cada vez maiores, e estão condenados ao fracasso total.

Mas «burro velho não aprende» e os agressores dos EUA contiuam muito teimosos. No Sul, continuam a intensificar a guerra, a bombardear ferozmente as cidades e a destruir regiões inteiras no campo, ao mesmo tempo que lançam ataques desesperados contra as províncias meridionais do Norte.

Nas conversações de Paris, perante a nossa atitude séria e posições justas, continuam descaradamente e da maneira mais absurda a exigir «reciprocidade». É óbvio que os imperialistas dos EUA não desistiram da sua criminosa guerra de agressão, e tentam continuar a controlar o Sul do nosso país, procurando perpetuar a partição da nossa pátria.

Perante esta situação tão grave, todo o povo, em todo o nosso país, deve persistir e intensificar a resistência à agressão dos EUA e pela salvação nacional. Pela independência e liberdade, os nossos 31 milhões de compatriotas estão decididos a superar todas as dificuldades e fazer todos os sacrifícios, decididos a lutar e a vencer. Os agressores dos EUA estão a ser postos cada vez mais na defensiva e a sofrer cada vez mais fracassos. Estão encurralados. As forças armadas e o povo de todo o nosso país detêm a iniciativa e estão na ofensiva; quanto mais lutam, maiores vitórias alcançam.

Os nossos compatriotas e combatentes no Sul, em ampla e forte unidade sob a gloriosa bandeira da Frente de Libertação Nacional, irão certamente reforçar a luta e alcançar vitórias cada vez maiores.

Os nossos compatriotas e os combatentes no Norte deverão constantemente incrementar a sua vigilância, lutar com coragem, emular no trabalho produtivo, derrotar o inimigo na sua guerra de destruição, estar prontos para desmontar quaisquer novos planos de escalada inimiga, e dar pleno apoio aos nossos compatriotas do Sul, cumprindo assim a tarefa de ser uma grande retaguarda para uma grande frente de combate.

O Norte e o Sul pensam da mesma maneira. Todo o nosso povo irá resistir decididamente e derrotar os agressores dos EUA, libertar o Sul, defender o Norte, e avançar para uma reunificação nacional pacífica.

O nosso povo ama a paz, mas a paz verdadeira só pode existir com a independência e liberdade reais. A nossa posição é justa e clara: no dia em que os imperialistas dos EUA puserem fim à sua guerra de agressão contra o nosso país, pararem de bombardear o Norte, retirarem todas as tropas dos EUA e seus satélites do Vietname do Sul e permitirem que o nosso povo resolva livremente os seus assuntos internos, esse será o dia em que a paz regressará. É este o desejo do nosso povo, como o é também das pessoas progressistas nos EUA e de todos os povos pacíficos e amantes da paz em todo o mundo. A única maneira de restaurar a paz é com a retirada total das tropas dos EUA e seus satélites. O Vietname para os vietnamitas!

Queridos compatriotas e combatentes,

O povo vietnamita está a combater a maior guerra de resistência da sua história.

Pela independência e liberdade da nossa Pátria, pelo campo socialista, pelos povos

oprimidos e a humanidade progressista, estamos a lutar e a derrotar o inimigo mais cruel da humanidade. No nosso país está-se a travar uma luta feroz entre a justiça e a injustiça, entre a civilização e a barbárie. Os povos dos países socialistas irmãos e os progressistas de todo o mundo têm os olhos postos no Vietname e felicitam calorosamente os nossos compatriotas e combatentes. Em nome do povo Vietnamita, aproveito esta ocasião para agradecer sinceramente aos países socialistas irmãos e a todos os nossos amigos nos cinco continentes pelo pleno apoio que têm prestado ao nosso povo na sua sagrada resistência contra a agressão dos EUA, e na sua luta pela salvação nacional.

O nosso povo é sumamente heróico. A nossa orientação é muito correcta. Temos a razão do nosso lado. Inspiram-nos uma vontade e determinação inquebrantáveis para lutar e vencer. Temos a força invencível da unidade de todo o povo, e contamos com simpatia e apoio de toda a humanidade progressista.

Os imperialistas dos EUA serão certamente derrotados!

O nosso povo sairá certamente vitorioso!

Compatriotas e combatentes em todo o país, avante!

 

(*) Ho Chi Minh, Obras Escolhidas, Parte 3 (1954-1969)

In revista «O Militante» - Edição de Maio/Junho de 2010 (site em manutenção)

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Quarta-feira, 19 de Maio de 2010

Nguyễn Sinh Cung, «Ho Chi Minh» (19 de Maio de 1890 / 3 de Setembro de 1969)

Entre os grandes dirigentes históricos do movimento comunista internacional, Ho Chi Minh ocupa um lugar cimeiro. Nascido em 19 de Maio de 1890 – faz agora 120 anos – Ho Chi Minh personificou, até à sua morte em 1969, a luta do povo vietnamita pela sua emancipação nacional e social, contra o colonialismo francês e  contra os agressores japoneses e norte-americanos.

Ainda jovem, Ho Chi Minh percorreu o mundo, trabalhando como marinheiro, padeiro, cozinheiro e outros ofícios, em países como França, Inglaterra e EUA. É no contacto com o movimento operário, em especial em França, país que então colonizava a sua Indochina natal, que Ho Chi Minh conhece os partidários de Lénine e da jovem revolução bolchevique (1), cujas posições sobre a questão nacional o marcaram profundamente. «Lénine foi o primeiro a compreender e sublinhar toda a importância do envolvimento dos povos coloniais no movimento revolucionário» (2), escreveu Ho Chi Minh em 1925. Eleito em 1920 como delegado pela Indochina  ao 18.º Congresso da SFIO (Secção Francesa da Internacional Operária), Ho Chi Minh fez parte da maioria dos delegados que, nesse Congresso de Tours, decidiram pela adesão à Terceira Internacional e pela criação do que viria a ser o Partido Comunista Francês (3). Desde então, o seu nome esteve sempre ligado à história e luta dos comunistas, tendo integrado o Comité Executivo da Internacional Comunista.

Em 1930, Ho Chi Minh participa na fundação do Partido Comunista do Vietname, que mais tarde passaria a designar-se Partido Comunista da Indochina. O seu programa em 10 pontos era encabeçado pelos objectivos de «derrotar o imperialismo francês e o feudalismo e burguesia reaccionária vietnamita» e «tornar a Indochina totalmente independente» (4). Em 1940 o Sudeste asiático é ocupado pelo Japão imperial-fascista. «No Outono de 1940, quando os fascistas japoneses invadem a Indochina para estabelecer novas bases contra os aliados, os colonialistas franceses ajoelharam-se e franquearam as portas do nosso país para acolher os japoneses. Assim, após essa data o nosso povo ficou sujeito ao duplo jugo dos franceses e japoneses» (5). O PC da Indochina e a Liga para a Independência do Vietname (conhecida pelo acrónimo Viet Minh), fundada em 1941 como frente de libertação nacional contra o colonialismo francês e a ocupação japonesa, desempenharam o papel determinante na resistência vietnamita que culminou, em Agosto de 1945, com a libertação do país e a proclamação da independência do Vietname, do qual Ho Chi Minh se torna Presidente. Mas os colonialistas franceses reocuparam o país após o fim da II Guerra Mundial, com o apoio cada vez mais explícito e importante do imperialismo norte-americano. A grande derrota militar das tropas coloniais francesas em Dien Bien Phu, em 1954, às mãos do exército de libertação nacional comandado pelo grande comunista vietnamita Vo Nguyen Giap, representou o fim dos sonhos imperiais franceses na Indochina e o princípio do envolvimento militar directo dos EUA, com a divisão do Vietname e a ocupação do Sul pelos EUA. A libertação nacional do Vietname ainda haveria de exigir mais duas décadas de luta e de terríveis sacrifícios, como resultado da barbárie do novo agressor imperialista. É desse período (Julho de 1968) o texto de Ho Chi Minh que O Militante agora reproduz.

Ho Chi Minh morreu no dia 3 de Setembro de 1969. A guerra de libertação nacional ainda haveria de durar mais cinco anos e meio. Mas, após a ofensiva do Tet, em Fevereiro de 1968, tornou-se evidente que o imperialismo norte-americano não haveria de vencer a guerra. No seu Testamento, escrito poucos meses antes de falecer, Ho Chi Minh expressou a sua certeza na vitória: «Embora a luta do nosso povo contra a agressão dos EUA e pela salvação nacional possa ter de enfrentar mais privações e sacrifícios, alcançaremos a vitória total. Isso é seguro. Quando chegar esse dia [...] visitarei os países fraternais do campo socialista e os países amigos de todo o planeta para lhes agradecer pelo seu apoio integral e pelo seu auxílio à luta patriótica do nosso povo contra a agressão dos EUA». Ho Chi Minh não chegou a ver o dia da libertação total do Vietname. Mas, tal como previra, esse dia chegou, em 30 de Abril de 1975 – há 35 anos.

A derrota do imperialismo norte-americano teve uma influência profunda na situação internacional. A luta do povo vietnamita, sob a direcção dos comunistas e do grande patriota Ho Chi Minh, mostrou que mesmo a mais poderosa e bem armada potência imperialista pode ser derrotada pela luta de um povo determinado a conquistar a sua libertação. Uma lição que é de grande actualidade e de enorme importância nos dias de hoje.

Notas

(1) Veja-se o artigo de Ho Chi Minh «O caminho que me levou ao Leninismo», de 1960. Para consultar (em inglês) este e os restantes textos de Ho Chi Minh aqui citados pode-se aceder ao arquivo do PC do Vietname na Internet, neste endereço

(2) Em «Lénine e os povos coloniais» (1925).

(3) O seu «Discurso no Congresso de Tours» (1920).

(4) «Apelo por ocasião da fundação do Partido Comunista da Indochina» (18 Fevereiro, 1930). Saliente-se que entre os objectivos estava o de «conquistar a igualdade entre o homem e a mulher».

(5) Da «Declaração da Independência da República Democrática do Vietname» (1945).

In «Ho Chi Minh – um grande dirigente comunista», revista «O Militante» - Edição de Maio/Junho de 2010 (site em manutenção)

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publicado por António Vilarigues às 20:09
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Quarta-feira, 27 de Janeiro de 2010

O Martin Luther King que a televisão não nos mostra (2)

Transcrição:

- Financial hypocrisy of racist America

«(...) "If you respect my dollar, you must respect my person." It simply says that we will no longer spend our money where we can not get substantial jobs. [applause]»

- American sin, and Black Love

«I am a man with dignity and honor. (Go ahead) I have a rich and noble history, however painful and exploited that history has been. Yes, I was a slave through my foreparents (That’s right), and now I’m not ashamed of that. I'm ashamed of the people who were so sinful to make me a slave. (Yes sir) Yes [applause], yes, we must stand up and say, "I'm black (Yes sir), but I'm black and beautiful." (Yes) This [applause], this self-affirmation is the black man's need, made compelling (All right) by the white man's crimes against him. (Yes)»

In Where Do We Go From Here

- Negroes prevented from reaping fruits of their hard labor

«This man was a fool because he said "I" and "my" so much until he lost the capacity to say "we" and "our." (Yes) He failed to realize that he couldn’t do anything by himself. This man talked like he could build the barns by himself, like he could till the soil by himself. And he failed to realize that wealth is always a result of the commonwealth. (...)

And oh my friends, I don’t want you to forget it. No matter where you are today, somebody helped you to get there. (Yes) (...)

In a larger sense we’ve got to see this in our world today. Our white brothers must see this; they haven’t seen it up to now. The great problem facing our nation today in the area of race is that it is the black man who to a large extent produced the wealth of this nation. (All right) And the nation doesn’t have sense enough to share its wealth and its power with the very people who made it so. (All right) And I know what I’m talking about this morning. (Yes, sir) The black man made America wealthy. (Yes, sir)

(...) that’s why I tell you right now, I’m not going anywhere. They can talk, these groups, some people talking about a separate state, or go back to Africa. I love Africa, it’s our ancestral home. But I don’t know about you. My grandfather and my great-grandfather did too much to build this nation for me to be talking about getting away from it. [applause] Before the Pilgrim fathers landed at Plymouth in 1620, we were here. (Oh yeah) Before Jefferson etched across the pages of history the majestic words of the Declaration of Independence, we were here. (All right) Before the beautiful words of the "Star Spangled Banner" were written, we were here. (Yeah) For more than two centuries, our forebearers labored here without wages. They made cotton king. With their hands and with their backs and with their labor, they built the sturdy docks, the stout factories, the impressive mansions of the South. (My Lord)

Now this nation is telling us that we can’t build. Negroes are excluded almost absolutely from the building trades. It’s lily white. Why? Because these jobs pay six, seven, eight, nine and ten dollars an hour, and they don’t want Negroes to have it. [applause] And I feel that if something doesn’t happen soon, and something massive, the same indictment will come to America—"Thou fool!"»  

In Why Jesus Called A Man A Fool Sermon delivered at Mount Pisgah Missionary Baptist Church, Chicago, Illinois, on 27 August 1967.

 

- American arrogance

«(...) because nations are caught up with the drum major instinct. "I must be first." "I must be supreme." "Our nation must rule the world." (Preach it) And I am sad to say that the nation in which we live is the supreme culprit. And I'm going to continue to say it to America, because I love this country too much to see the drift that it has taken.

God didn't call America to do what she's doing in the world now. (Preach it, preach it) God didn't call America to engage in a senseless, unjust war as the war in Vietnam. And we are criminals in that war. We’ve committed more war crimes almost than any nation in the world, and I'm going to continue to say it. And we won't stop it because of our pride and our arrogance as a nation.

But God has a way of even putting nations in their place. (Amen) The God that I worship has a way of saying, "Don't play with me." (Yes) He has a way of saying, as the God of the Old Testament used to say to the Hebrews, "Don’t play with me, Israel. Don't play with me, Babylon. (Yes) Be still and know that I'm God. And if you don't stop your reckless course, I'll rise up and break the backbone of your power." (Yes) And that can happen to America. (Yes) Every now and then I go back and read Gibbons' Decline and Fall of the Roman Empire. And when I come and look at America, I say to myself, the parallels are frightening».

In Martin Luther King, Jr.,The Drum Major Instinct, 4 February 1968 Transcript of speech in A Knock at Midnight

 

- White America's disease of racism

«I must say this morning that racial injustice is still the black man’s burden and the white man’s shame.

It is an unhappy truth that racism is a way of life for the vast majority of white Americans, spoken and unspoken, acknowledged and denied, subtle and sometimes not so subtle—the disease of racism permeates and poisons a whole body politic».

- Reparations

«(...) at the same time the nation failed to do anything for the black man, though an act of Congress was giving away millions of acres of land in the West and the Midwest. Which meant that it was willing to undergird its white peasants from Europe with an economic floor.

But not only did it give the land, it built land-grant colleges to teach them how to farm. Not only that, it provided county agents to further their expertise in farming; not only that, as the years unfolded it provided low interest rates so that they could mechanize their farms. And to this day thousands of these very persons are receiving millions of dollars in federal subsidies every years not to farm. And these are so often the very people who tell Negroes that they must lift themselves by their own bootstraps».

«Now, when we come to Washington in this campaign, we are coming to get our check».

In Remaining Awake Through a Great Revolution Sermon delivered at the National Cathedral, Washington, D.C., on 31 March 1968. Congressional Record, 9 April 1968.

Publicado neste blog:

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Sexta-feira, 7 de Agosto de 2009

O Martin Luther King que a televisão não nos mostra (1)

Vídeo:

 

Transcrição:

- Silence during moral crisis

«Now, I've chosen to preach about the war in Vietnam because I agree with Dante, that the hottest places in hell are reserved for those who in a period of moral crisis maintain their neutrality. There comes a time when silence becomes betrayal».

- Government tactics against dissent

«(...) there are those who are seeking to equate dissent with disloyalty. It's a dark day in our nation when high-level authorities will seek to use every method to silence dissent. But something is happening, and people are not going to be silenced. The truth must be told, (...)».

- Blacks killing Vietnamese for liberties they themselves don't have

«We were taking the black young men who had been crippled by society and sending them eight thousand miles away to guarantee liberties in Southeast Asia which they had not found in Southwest Georgia and East Harlem. So we have been repeatedly faced with a cruel irony of watching Negro and white boys on TV screens as they kill and die together for a nation that has been unable to seat them together in the same school room. So we watch them in brutal solidarity, burning the huts of a poor village. But we realize that they would hardly live on the same block in Chicago or Atlanta. (...)

As I have walked among the desperate, rejected, and angry young men, I have told them that Molotov cocktails and rifles would not solve their problems. (...) for they ask and write me, "So what about Vietnam?" They ask if our nation wasn't using massive doses of violence to solve its problems (...) and I knew that I could never again raise my voice against the violence of the oppressed in the ghettos without first having spoken clearly to the greatest purveyor of violence in the world today: my own government».

- The hypocrisy of the Press

«America and most of its newspapers applauded me in Montgomery. And I stood before thousands of Negroes getting ready to riot when my home was bombed and said, we can't do it this way. They applauded us in the sit-in movement -- we non-violently decided to sit in at lunch counters. The applauded us on the Freedom Rides when we accepted blows without retaliation. (...) Oh, the press was so noble in its applause, and so noble in its praise when I was saying, "Be non-violent toward Bull Connor" (...). There's something strangely inconsistent about a nation and a press that will praise you when you say, "Be non-violent toward Jim Clark", but will curse and damn you when you say, "Be non-violent toward little brown Vietnamese children". There's something wrong with that press!»

- U.S. support of Hitler sympathiser

«And who are we supporting in Vietnam today? It's a man by the name of general Ky [Air Vice Marshal Nguyen Cao Ky] who fought with the French against his own people, and who said on one occasion that the greatest hero of his life is Hitler. This is who we are supporting in Vietnam today. Oh, our government and the press generally won't tell us these things, but God told me to tell you this morning. The truth must be told».

- Poor Americans, and Vietnamese soldiers

«And you may not know it, my friends, but it is estimated that we spend $500,000 to kill each enemy soldier, while we spend only fifty-three dollars for each person classified as poor, and much of that fifty-three dollars goes for salaries to people that are not poor».

- Spiritual death of America

«A nation that continues year after year to spend more money on military defense than on programs of social uplift is approaching spiritual death».

- American arrogance

«And don't let anybody make you think that God chose America as his divine, messianic force to be a sort of policeman of the whole world. God has a way of standing before the nations with judgment, and it seems that I can hear God saying to America, "You're too arrogant! And if you don't change your ways, I will rise up and break the backbone of your power, and I'll place it in the hands of a nation that doesn't even know my name. Be still and know that I'm God."»

In Martin Luther King, "Why I Am Opposed to the War in Vietnam", April 30, 1967, Riverside Church, New York

 

«I could never again raise my voice against the violence of the oppressed in the ghettos without first having spoken clearly to the greatest purveyor of violence in the world today: my own government».

[MLK]

                                                                   

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Quarta-feira, 28 de Janeiro de 2009

Para que não se perca o legado de Martin Luther King

«Too often, we are treated to a view of a romanticized and whitewashed Dr. King in order to fit the man and his struggle neatly within the prevailing political and economic power structures in a largely uncritical and non-threatening manner. This portrayal of Dr. King has been mass marketed as an accommodationist figure and is now so pervasive in our schools, media, etc. that it threatens to neutralize and placate the most ambitious, daring and challenging of King's critique along with his struggle to confront and organize against not only racism, but economic exploitation and militarism-imperialism as well.» 

«The link in the public discourse between the careers of Barack Obama and much our black political elite is a marraige of convenience, with all the convenience on one side.  Forty years in his grave, Dr. King's words and legacy call into question those who have modified his story, deleted his opposition to war, to empire and militarism, and counseled patience with injustice in his name.  Dr. King and the movement he led were always impatient with injustice, and never shrank from bold and even impolite opposition to economic injustice at home or war in our names abroad.» 

                                                                      

adaptado de um e-mail enviado pelo Jorge

                                      

Notícias AQUI          

                                                                

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Sexta-feira, 23 de Janeiro de 2009

Obama, Luther King e a guerra

      "This is a war that we have to win," Obama said in remarks prepared for delivery at the International Trade Center in Washington.

[Referindo-se à guerra no Afeganistão]

In Obama: We Have To Win Afghanistan War                                                            

«Sometimes we have to send our young men and women into war and other dangerous situations to protect our country-but when we do, I want to make sure that it is only for a very good reason, that we try our best to settle our differences with others peacefully, and that we do everything possible to keep our servicemen and women safe. And I want every child to understand that the blessings these brave Americans fight for are not free-that with the great privilege of being a citizen of this nation comes great responsibility.»

In Barack Obama's letter to his daughters                                                                 

«In the course of our history, only a handful of generations have been asked to confront challenges as serious as the ones we face right now. Our nation is at war. Our economy is in crisis. Millions of Americans are losing their jobs and their homes; they're worried about how they'll afford college for their kids or pay the stack of bills on their kitchen table. And most of all, they are anxious and uncertain about the future - about whether this generation of Americans will be able to pass on what's best about this country to our children and their children

In Barack Obama's Lincoln Memorial speech

    [Martin Luther King referindo-se à guerra no Vietnam]  

Even when pressed by the demands of inner truth, men do not easily assume the task of opposing their government's policy, especially in time of war.

(…) and I knew that I could never again raise my voice against the violence of the oppressed in the ghettos without having first spoken clearly to the greatest purveyor of violence in the world today -- my own government.

...

What do they think as we test out our latest weapons on them, just as the Germans tested out new medicine and new tortures in the concentration camps of Europe?

… 

(...) we are met by a deep but understandable mistrust. To speak for them is to explain this lack of confidence in Western words, and especially their distrust of American intentions now.

"This way of settling differences is not just."

A nation that continues year after year to spend more money on military defense than on programs of social uplift is approaching spiritual death.

Somehow this madness must cease. We must stop now.

...

I speak as one who loves America, to the leaders of our own nation: The great initiative in this war is ours; the initiative to stop it must be ours.
...

In Martin Luther King, Jr. Papers Project Speeches: "Beyond Vietnam"

                                                                 

adaptado de um e-mail enviado pelo Jorge                                                          

                                

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Quinta-feira, 15 de Janeiro de 2009

Martin Luther King nasceu há 80 anos

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Quarta-feira, 26 de Novembro de 2008

The Quiet American

    The Quiet American (2002) um filme de Phillip Noyce baseado num romance de Graham Greene.

                              

 

«Sooner or later, Mr. Fowler, one has to take sides, if one is to remain human.»

adaptado de um e-mail enviado pelo Jorge  
                                         

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