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O CASTENDO

TERRAS DE PENALVA ONDE «A LIBERDADE É A COMPREENSÃO DA NECESSIDADE»

O CASTENDO

TERRAS DE PENALVA ONDE «A LIBERDADE É A COMPREENSÃO DA NECESSIDADE»

Os graves incidentes ocorridos com um candidato ao Parlamento Europeu

    (...) tensões e agressões verbais (...) autêntico campo de batalha (...) desacatos (...) «guerra» (...) não levasse os óculos precisamente a pensar em eventuais encontrões (...) confusão (...) acusarem a facção (...) de ter colocado seguranças no local para os agredirem (...) alegadas agressões (...) depois desmentidas (...) «as tristes cenas» (...) «guerra» entre as facções (...) Perante a confusão (...) tentou num primeiro momento desdramatizar a situação, comentando que «as afectividades são assim» (...) o que está em causa são as eleições europeias (...) o deputado (...) ralhava (...): «São todos culpados» (...)

(...) morreu esta manhã vítima de um ataque cardíaco (...) vivera momentos de tensão (...) desvalorizara o sucedido antes de se ter sentido indisposto (...) teve o primeiro ataque cardíaco cinco minutos depois (...) O candidato (...) sentiu-se mal ainda (...) começou a sentir-se mal, tendo ficado quase de seguida inanimado.

                                                                    

adaptado de um e-mail enviado pelo Jorge

                                                                       

O 1º de Maio de 1975

    Em Maio de 1975 Mário Soares disse algo parecido com isto:

«(...) Tentaram, então, evitar a entrada no Estádio Primeiro de Maio aos dirigentes e aos militantes socialistas e impediram que Salgado Zenha e eu próprio, ambos membros do Governo de Vasco Gonçalves, depois de atravessarmos o campo entre encontrões e injúrias, tivéssemos acesso à tribuna dos discursos... (...)

Em 1995 a confissão era esta:

«Estragámos a Festa. Entrámos no estádio de roldão, em puro confronto físico, [...] abrindo caminho ao empurrão, ao soco e aos encontrões. [...] Quando lá chegámos [à tribuna] fomos impedidos de entrar por elementos da Intersindical [...]. Impossibilitados de entrar e de usar da palavra» (entrevista concedida em 1995 a Maria João Avillez, depois editada em livro Soares. Ditadura e Revolução, págs 430-431)

Em 2009 voltámos à primeira versão

                                                                         

A (des)memória de Mário Soares é fantástica, não é?

                                                                          

Quem falou no «ódio de conhecida populaça revolucionária e dos seus responsáveis instigadores»?

    Não, não foi Vitalino Canas.

Vitalino disse que o incidente com Vital Moreira era o resultado do “ódio” instigado pelos comunistas e pela Intersindical ao longo desta legislatura.

    A frase do título foi pronunciada na 2ª sessão legislativa da VII Legislatura (1957-1961) da Assembleia Nacional.

Pode se lida no Diário das Sessões nº 114, página 0843.

Claro que, nesses tempos, os instigadores desse «ódio» eram «chamados» às sedes da PIDE para apresentarem as devidas desculpas.

                                                                    

adaptado de um e-mail enviado pelo Jorge

                                                                     
Notícias AQUI

                                                                                                                                                                                     

Vital Moreira: Ele há coisas fantásticas, não há?

    Algumas perguntas de um observador que se considera atento:

  1. A quem serve este tipo de incidentes? À CGTP-IN? Ao PCP? À CDU? Ao PS? A Vital Moreira?

  2. O que têm João Proença, a UGT, Vitalino Canas, Vital Moreira e tutti quanti na blogosfera e na comunicação social a dizer e a escrever quanto a isto e isto?

  3. Porque razão Vital Moreira, que faz questão de afirmar que não é militante do PS, estava incluído numa delegação OFICIAL do PS?

  4. Esta notícia é verdadeira? Se sim quem alterou o local e o itinerário e porquê? E porque não saiu na edição impressa do jornal?

  5. O PS, Vital Moreira e Vitalino Canas (e tutti quanti na blogosfera e na comunicação social) importam-se de cumprir as regras mínimas do lead jornalístico e de nos informar sobre o onde, o como, o quem e o porquê que os leva a acusar a CGTP-IN e o PCP?

  6. Vital Moreira (e Daniel Oliveira, e Miguel Portas, e etc.) quer fazer o favor de contar aos portugueses em quantas reuniões do PCP participou, enquanto militante deste partido, em que tivesse sido decidido agredir ou provocar militantes de outros partidos, para mais incluídos em delegações oficiais?

  7. O PS, ou o seu governo, já pediram desculpas pelas afirmações daquele  Secretário de Estado que disse que ia «trucidar» trabalhadores da função pública?

  8. «Estragámos a festa. Entrámos (no Estádio 1º de Maio) de roldão, em puro confronto físico, (...) abrindo caminho ao empurrão, ao soco e aos encontrões. (...) Quando lá chegámos (à tribuna) fomos impedidos de entrar pelos elementos da Intersindical (...) Impossibilitados de entrar e de usar da palavra». Vital Moreira e Vitalino Canas desconheciam isto?
  9. Alguém que explicar estes «esquecimentos»?

Notícias AQUI e AQUI

                                                                                                                                        

O 1º de Maio, os incidentes registados em Lisboa e as manobras e calúnias do PS

 

(...) O PCP saúda os trabalhadores portugueses e a CGTP-IN pela sua participação e realização do 1º de Maio e, ao mesmo tempo que manifesta a sua discordância e lamenta os incidentes verificados em Lisboa – num acto isolado de alguns manifestantes – não pode deixar de rejeitar as acusações, insultos e calúnias dirigidas pelo PS contra o PCP.

Estas atitudes do PS, instrumentalizando estes actos isolados que só podem responsabilizar os próprios e que são inseparáveis da situação de desespero em que milhares de trabalhadores se encontram, constituem uma manobra de carácter eleitoralista que, procurando a vitimização, pretende fugir à discussão dos grandes problemas nacionais, às suas responsabilidades na situação do país e ao julgamento que os trabalhadores e o povo português farão da sua política.  (...)

                                  

Quatro embustes do Governo PS

Texto Vasco Cardoso

     Perante a vertiginosa degradação das condições de vida dos trabalhadores e da população, confrontado com o desmoronamento do actual quadro económico nacional e internacional e o avolumar das contradições do sistema capitalista, acossado por importantes movimentações de massas, o Governo PS ensaia uma poderosa operação de branqueamento da sua política com vista ao próximo ciclo eleitoral.
                                                                   

Ex-comunistas apoiam CDU

    O Castendo pode confirmar que está em marcha um abaixo assinado de apoio à CDU para os três actos eleitorais que se avizinham. Personalidades como Mário Soares, Manuel Alegre, Pina Moura, Zita Seabra, Raimundo Narciso, João Tunes, Vital Moreira, João Semedo, Judite de Sousa, Miguel Portas, Nuno Ramos de Almeida (ver comentário...), entre outros, encabeçam a lista dos notáveis. Todos ex-militantes do PCP ou das suas organizações juvenis. O movimento promete só parar quando conseguir o pleno de assinaturas. O Castendo também vai dar o seu contributo. Quem quiser aderir pode fazê-lo nesta caixa de comentários.

                                       

Vital Moreira e PS - faces da mesma moeda

    A apresentação de Vital Moreira como candidato do PS ao Parlamento Europeu, suportada na valorização da sua qualidade de «independente» é tão falsa quanto a independência do seu trajecto político e posições políticas. Não se trata apenas, nem sobretudo, da assunção do mandato de deputado na legislatura de 1997. Mas sim da mais esclarecedora prova de enfeudamento ao PS, às suas orientações e à sua política que a sua continuada intervenção pública (testemunhada pela mais de uma centena de artigos com que foi sublinhando e subscrevendo a acção governativa ao longo destes últimos quatro anos) inequivocamente confirma. (...)

                                                         

CONTRIBUTOS DE VITAL MOREIRA PARA «O Renovamento de Marx»

    Não há nada como (re)arrumar as estantes. Descobrem-se sempre preciosidades mais ou menos esquecidas. Mesmo para quem só arruma uma fila de livros por prateleira. Refira-se que em relação aos livros de “estudo” (por oposição aos de literatura), tenho o hábito de sublinhar a lápis lateralmente (na vertical), sempre e só com régua (!), o que me interessa. A régua, por aqueles caprichos da vida, é uma de 20cm, de massa, que me acompanha desde os 15 anos.

Vem isto a propósito do colega de coluna de opinião Vital Moreira. Reler o que sublinhei há 27 anos atrás no seu livro «O Renovamento de Marx» (1979, Ed. Centelha) foi um prazer renovado. Prazer esse que me levou a querer partilhá-lo com os leitores.
Não sei se, como refere na “Nota Prévia”, Vital Moreira os “enjeitará” ou não. Para mim foram, e são, referenciais do marxismo-leninismo em Portugal. Por isso aqui ficam alguns escolhidos ao acaso e por ordem de páginas:
    Desde logo a referência a « (…) aquilo que há de mais singular no estatuto histórico da teoria marxista – a sua imediata relevância para uma praxis revolucionária». (p.8)
Depois, analisando Maximilien Ruben e a unidade do pensamento de Marx:
«A obra de Marx é uma, o pensamento de Marx foi um durante toda a sua vida: aquele que pela primeira vez se manifesta na Crítica da Filosofia do Direito de Hegel e nos Manuscritos de 44 e permanecerá inalterado até a O Capital e à Crítica do Programa de Gotha.
Toda a obra de Marx é uma clara e ilimitada adesão ao “comunismo como escala de valores”, o seu socialismo “repousa sobre premissas éticas” O Capital é uma “condenação moral, um gesto de recusa”, “a ‘crítica da economia política’ confunde-se em ultima instância, e apesar do seu amoralismo, com um ensinamento ético”». (p.26, 27)
Sobre Herbert Marcuse e a teoria marxista da revolução:
«Toda a teoria da revolução terá que definir pelo menos os seguintes pontos: (1) o que é que se revoluciona – isto é, qual é o objectivo da revolução? (2) quem é que faz, e de que modo se faz, a revolução – isto é, quem é o sujeito e qual é o processo da revolução? (3) em vista de que é que se faz a revolução – isto é qual é o fim e o resultado da revolução?» (p.64)
«Todas as dificuldades da teoria da revolução de Marcuse entroncam muito mais fundo, no próprio cerne do fundamento ontológico da revolução. O que é a revolução? Por que é que ela terá de ser efectivada pelas forças exteriores ao sistema? Por que é que ela terá de se afirmar como ruptura total?» (p.73)
Desmontando Marcuse:
«Afinal, o conceito de revolução de Marcuse tem pouco ou nada de marxista. A pretensão de a legitimar dentro dos quadros da própria teoria marxista tem de ser rejeitada.
Ela representa antes um retrocesso ao pré-marxismo, ao socialismo utópico de um Fourier. Importa a rejeição da tentativa de teorização histórica ("científica”) de Marx. Significa uma revalorização do anarquismo. Implica uma desvalorização do aspecto económico da revolução. Manifesta a substituição da teoria da luta de classes por uma teoria de elites-massas. E traduz finalmente a decisão por um idealismo voluntarista, em que à “imaginação”, à “fantasia”, “à utopia”, à opção por soluções igualmente realizáveis (“socialismo ou barbárie”) é dado o lugar que em grande medida lhes falta numa concepção materialista da história.» (p.89, 90)
«A teoria da revolução em Marcuse é, no fim, uma teoria da não revolução. (…) Esta [teoria marxista] possui os conceitos necessários para apreender a transformação da sociedade presente na sociedade que a própria teoria inscreve no curso da história.» (p.91, 92)
Polemizando com António Reis sobre Marcuse:
«Tome-se este texto [citação da “Crítica do Programa de Gotha” onde Marx explica o conceito de comunismo] por aquilo que ele efectivamente é: uma referência em concreto a uma ideia mais geral – a de que a grandiosa visão da sociedade comunista, do homem enfim liberto de todas as alienações (visão contida nos Manuscrito de 44), é aqui feita depender da abundância material, do fim tendencial do trabalho, em resumo, do fim da economia. Ela pressupõe o fim da “escravizante subordinação à divisão de trabalho”, o alargamento da “esfera da liberdade”, e a eliminação da “esfera da necessidade», como Marx dirá noutro lado.» (p.103)
Na mesma polémica atente-se bem nesta passagem:
« (…) para mim a teoria marxista da revolução socialista se integra coerentemente na teoria marxista do capitalismo, que, por sua vez é uma “aplicação” particular da teoria geral das formações sociais.» (p.109)
E nesta:
«O capitalismo não é hoje o mesmo de há cem anos. Mas, por mais transformações que tenha sofrido – e foram muitas –, elas não implicam que o capitalismo tenha deixado de ser… capitalismo; que tenha deixado de haver apropriação e utilização privada do sobre-produto social por uma classe; que tenha deixado de existir o controlo da sociedade através de um estado de classe; que as ideologias das classes dominantes tenham deixado de ser as ideologias socialmente dominantes. Sob o ponto de vista marxista, afirmar isso seria negar os princípios fundamentais da teoria.» (p.110)
 
Obrigado Vital!
 
Nota final: No anterior artigo, certamente por falta de espaço “caiu” este período. «Igualmente significativo é o facto de os novos patrões, surgidos na década de 90 em Portugal, terem, em média, apenas 7,7 anos de escolaridade.». O que atesta que se mantém um nível de escolaridade e de qualificação de muitos e muitos empresários significativamente INFERIOR ao dos seus trabalhadores.
    

Especialista em Sistemas de Comunicação e Informação

   

In jornal "Público" - Edição de 13 de Novembro de 2007

   

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