Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

O CASTENDO

TERRAS DE PENALVA ONDE «A LIBERDADE É A COMPREENSÃO DA NECESSIDADE»

O CASTENDO

TERRAS DE PENALVA ONDE «A LIBERDADE É A COMPREENSÃO DA NECESSIDADE»

Quem disse que «Portugal é um aliado sempre leal [da NATO], tem-no sido sempre»?

Não, não foi Salazar. Podia ter sido, mas não foi. Salazar podia ter dito a frase do título, já que, em 1949, aquando da formação da NATO, em pleno fascismo, afirmou que os EUA promovem a organização militar «por compreensível sentimento de solidariedade humana». Sim, é verdade, aquele que disse que «Portugal é um aliado sempre leal [da NATO], tem-no sido sempre», estava directamente a considerar-se um digno continuador da obra de Salazar naquele ramo de actividade.

Paulo Portas também não foi. Paulo Portas afirmou (em inglês e tudo, caramba!): «Portugal is a firm, ancient and loyal ally of the United States.» E, aqui, a falar diante de Donald Rumsfeld, a lealdade era tanta que a reafirmou mais duas vezes: «we believe in NATO. We think NATO gave Europe 50 years of peace. And our defense policy is based on loyalty to the Atlantic link and to a very special relationship with the United States of America. (...) I reaffirm the position of the Portuguese government of loyalty and firm belief in the transatlantic link, in the Atlantic organization.»

E, tal como  o autor da frase do título, Augusto Santos Silva, tanta lealdade de Portas deve-se ao amor ardente que ambos compartilham com Rumsfeld e com a NATO, ao povo do Afeganistão e, por extensão, a todo o mundo!

Esta coisa da lealdade à NATO foi até debatida (e enaltecida: «Portugal is, of course, an old and loyal ally within NATO») na Câmara dos Comuns aquando da visita de Marcelo Caetano a Londres, lembram-se? Tudo por causa de guerras que Portugal promovia em países longínquos...

Augusto Santos Silva! O homem que veio obscurecer a carreira de Luís Amado! Estará ele a candidatar-se a futuro secretário-geral da NATO? Aqui o vemos numa fotografia recente quando se deslocou ao Instituto da Defesa Nacional, no dia 2 de Novembro onde fez históricas declarações («Portugal do Minho a Timor», versão Augusto Santos Silva). Aqui está ele acompanhado, logicamente, pelo Alto Representante da ONU para a Aliança [Atlântica?] das Civilizações!

adaptado de um e-mail enviado pelo Jorge

«Portugal do Minho a Timor», versão Augusto Santos Silva

    Falando na abertura do ano lectivo do Instituto de Defesa Nacional (IDN), o novo ministro da Defesa disse que “Portugal é historicamente treinado no cosmopolitismo”, lembrando que os portugueses “lideraram a primeira globalização” durante os Descobrimentos.

(...)

A Defesa vira-se hoje para o espaço global, as nossas fronteiras não começam na fronteira territorial clássica, as fronteiras da nossa segurança jogam-se muitas vezes em regiões fisicamente afastadas de nós mas geo-estrategicamente próximas, a Defesa tem de ser entendida crescentemente como uma realidade multilateral que implica parcerias e partilha de responsabilidades e de capacidades”, declarou.

Perante ameaças que “não são previsíveis”, Santos Silva defendeu uma Defesa Nacional “crescentemente flexível, capaz de se adaptar permanentemente”, que “deve ser concebida num quadro mais geral de segurança que compreende vários instrumentos e meios de natureza militar e civil coordenados entre si”.  

(...) 

O novo ministro apontou Portugal como precursor do “cosmopolitismo e da globalização”, (...)  

Para nós portugueses, esta mudança de paradigma enriquece a nossa própria matriz histórica, esta mudança a que se assiste em matéria de Defesa e Segurança não rompe, antes enriquece a nossa própria matriz, acrescenta novos valores a valores que não substitui nem pode substituir”, vincou.

Neste sentido, o responsável pela pasta da Defesa, “o novo quadro que regula hoje as questões da Segurança e da Defesa é um paradigma” que os portugueses “conhecem há séculos” (...)
In Santos Silva sublinha importância de “pôr no terreno” reformas da Defesa (Público)
                     

Ouvir aqui os noticiários das «Emissoras Nacionais»: 

 Aqui o jornalista da TSF entusiasma-se ao ponto de terminar assim a sua reportagem:

«O novo Ministro da Defesa ressalva que o paradigma da defesa nacional está muito para além das fronteiras do país e os portugueses já estão habituados a adaptarem-se a novas situações ou não fossem eles os primeiros a saírem para o mundo no tempo das cascas de noz por esses mares fora».

     Pedimos a Zeca Afonso para comentar tudo isto:

A Nau de António Faria
             (José Afonso)

Vai-se a vida e vem a morte
o mal que a todos domina
Reina o comércio da China
às cavalitas da sorte

Dinheiro seja louvado
A cruz de Cristo nas velas
Soprou o diabo nelas
deu à costa um afogado

A guerra é coisa ligeira
tudo vem do mal de ofício
Não pode haver desperdício
nesta vida de canseira

Demanda o porto corsário
no caminho faz aguada
Ali findou seu fadário
morreu de morte matada

A nau de António Faria
Leva no bojo escondida
A cabeça de uma corsário
que lhes quis tirar a vida

Aljofre pérola rama
eis os pecados do mundo
Assim vai a nau ao fundo
Sem arte a honra e a fama

Entre cristãos e gentios
Em gritos e altos brados
Para ganhar uns cruzados
Lançam-se mil desafios

Em vindo de veniaga
com a vela solta ao vento
Um mouro é posto a tormento
por não dizer quem lhe paga

Vou-me à costa à outra banda
já vejo o rio amarelo
Foi no tempo do farelo
agora é o rei quem manda

Faz-te à vela marinheiro
rumo ao reino de Sião
Antes do fim de Janeiro
hás-de ser meu capitão.

Sobre este tema Ler ainda neste blogue:

adaptado de um e-mail enviado pelo Jorge

                                                                   

A duas vozes

    A realidade, essa «chata», é que o país está ao rubro em torno dos temas da educação. Por isso, e não por outra qualquer razão, os dois maiores partidos (PS e PSD) começam a dar sinais de desorientação. E a falar a várias vozes, mesmo nos círculos das suas direcções. Assim terminámos a «conversa da treta» da edição de 7 de Março.
Por um lado, o inenarrável secretário de Estado Valter Lemos dispara em todas as direcções. Desde logo contra os sindicatos: «A FENPROF parece ter enveredado pelo sindicalismo cautelar.». Como se num Estado de Direito, em democracia e no respeito pela legalidade democrática, o recurso aos tribunais não fosse uma afirmação de cidadania e de responsabilidade. Depois contra a sua antecessora nos Governos Guterres, Ana Benavente, a quem acusa de ter «cedido aos interesses das estruturas sindicais» e de ser defensora e causadora do clima de facilitismo vivido nas escolas.
Por outro, Augusto Santos Silva, que foi um dos ministros da Educação de Guterres, contrapõe as «dificuldades» que os governantes daquele tempo tiveram para levar a cabo o seu programa. Tudo «devido à oposição de várias organizações sindicais» e à falta de uma maioria absoluta. Argumentos que coincidem com a resposta de Ana Benavente a Valter Lemos. E a deputada do PS Teresa Alegre Portugal afirma: «Não sei até onde a corda aguenta esticar, mas ela pode quebrar. Gostaria, por isso, que houvesse um sinal e um sinal socialista só pode ser o do caminho do diálogo
Por um lado, o CDS/PP deita mais achas para a fogueira das contradições e proclama pela voz do presidente do grupo parlamentar do CDS-PP, Diogo Feio: «O que a Educação necessita é estabilidade e de paz social à sua volta e estamos cientes que são o Ministério da Educação e o Governo os principais factores de instabilidade, a que se junta agora o PS com a suas divergências».
Por outro, o grupo parlamentar do PSD diverge sobre a atitude do Presidente da República. O líder parlamentar Pedro Santana Lopes afirma que as críticas do seu vice-presidente, Pedro Duarte, à «condescendência» do Presidente da República foram feitas a «título pessoal». O que logo serve de pretexto para o secretário nacional do PS, Augusto Santos Silva falar da «desorientação» social-democrata. Afirmando que Santana Lopes «desautorizou» o «porta-voz para a educação nomeado» pelo líder do partido, Luís Filipe Menezes.
Por um lado, o PS lança «toque a rebate» aos militantes e marca comício nacional para uma semana depois da Marcha da Indignação dos professores. Objectivo proclamado: «mobilizar o PS e, através dele, dirigir-se à sociedade portuguesa, tendo em conta o futuro e a agenda reformista do Governo». Apesar de toda a aparência de reacção às manifestações quer do PCP (1 de Março), quer de professores (8 de Março), Augusto Santos Silva nega que assim seja: «o PS não anda a reboque de outros, tem a sua própria agenda de modernização e das reformas necessárias ao país».
Por outro, o secretariado do PS analisa as críticas internas às políticas da educação, cada vez mais visíveis, mas Santos Silva desdramatiza: «o PS preza a pluralidade de opiniões e a unidade de acção em torno dos órgãos nacionais».
Neste clima de desorientação será que o Primeiro-ministro percebeu finalmente que a contestação às políticas do ME e do Governo não é uma invenção das organizações sindicais? E que quanto à situação que se vive actualmente no ensino, não há diferenças entre o que pensam e dizem os professores e o que pensam e dizem os dirigentes dos Sindicatos?

                                         

In "Jornal do Centro" - Edição de 4 de Abril de 2008

                        

Falar verdade na RTP = Processo Disciplinar para Despedimento

    Pedro Jorge, electricista e dirigente sindical, interveio no Programa Prós e Contras de 28/1/2008.

Motivo invocado esta semana pelos seus patrões, empresa Cerâmica Torreense, para lhe mover um processo disciplinar para despedimento: dizer a verdade em público!

No vídeo (clicar AQUI) reproduzimos as 4 intervenções de Pedro Jorge no programa. São um libelo ao tipo de liberdade que nos têm destinada as classes dominantes: a liberdade de vender a força de trabalho, de oprimidos, de escravos.

É esta a liberdade de que falam José Sócrates e Augusto Santos Silva?

As liberdades defendem-se exercendo-as!

                                                   

Anedota da Semana (IX)

    O cidadão e ministro Augusto Santos Silva disse ontem, no seguimento disto, perante as câmaras da RTP1 algumas inverdades e outras tantas meias verdades.

  • A propósito do «essencial» o ministro escondeu factos. Porquê? Sabe perfeitamente que o secretário geral do PCP, Jerónimo de Sousa, quando de outros incidentes semelhantes, salvo erro em Castelo Branco, telefonou ao 1º Ministro José Sócrates. Sabe que assegurou que o PCP nada tinha a ver com manifestações à porta de reuniões do PS. O mesmo foi reafirmado na Assembleia da República, num debate com o 1º ministro, pelo presidente do grupo parlamentar do PCP, Bernardino Soares. E por Jerónimo de Sousa. O ministro dos Assuntos Parlamentares estava presente. Esqueceu-se ou a insinuaçãozinha rasca dá jeito?...
  • Mário Soares foi militante do PCP até finais dos anos 40. Salgado Zenha foi militante do PCP até finais dos anos 60. Manuel Alegre foi militante do PCP até finais dos anos 60.
  • O PS foi fundado em 19 de Abril 1973.
  • Manuel Alegre só aderiu ao PS DEPOIS do 25 de Abril de 1974.
  • Significa que a maior parte da actividade de resistência à ditadura fascista de Salgado Zenha e Manuel Alegre, e uma boa parte da de Mário Soares, foi feita nas fileiras do Partido Comunista Português.
  • Isto são factos. E factos são factos. Não implicam nenhum juizo de valor.
  • O cidadão Augusto Santos Silva tinha obrigação de estar mais bem informado sobre os militantes do seu partido...

Não há dúvida que a ignorância é atrevida...

                        

Carta Aberta ao Senhor Ministro dos Assuntos Parlamentares

    Exmº Senhor Ministro Augusto Santos Silva,

Venho por este meio informá-lo que me sinto insultado pelas suas afirmações proferidas ontem à noite, em Chaves e dadas hoje à estampa na comunicação social escrita.

Foi o comunista do meu pai, Sérgio Vilarigues, que esteve preso 7 anos (dos 19 aos 26) no Aljube, em Peniche, em Angra e no campo de concentração do Tarrafal para onde foi enviado já com a pena terminada. Que foi libertado por «amnistia» em 1940, quatro anos depois de ter terminado a pena. Que passou 32 anos na clandestinidade no interior do país, o que constitui um recorde europeu. Não foi ao seu pai, e ainda bem, que tal sucedeu.

Foi a comunista da minha mãe, Maria Alda Nogueira, que, estando literalmente de malas feitas para ir trabalhar em França com a equipa de Irène Joliot-Curie, pegou nas mesmas malas e passou à clandestinidade em 1949. Que presa em 1958 passou 9 anos e 2 meses nos calabouços fascistas. Que durante todo esse período o único contacto físico próximo que teve com o filho (dos 5 aos 15 anos) foi de 3 horas por ano (!!!). Que, sublinhe-se, foi condecorada pelo Presidente da República Mário Soares com a Ordem da Liberdade em 1988. Não foi à sua mãe, e ainda bem, que tal sucedeu.

Foi a mãe das minhas filhas, Lígia Calapez Gomes, quem, em 1965, com 18 anos, foi a primeira jovem legal, menor (na altura a maioridade era aos 21 anos), a ser condenada a prisão maior por motivos políticos – 3 anos em Caxias. Não foi à sua esposa, e ainda bem, que tal sucedeu.

Foi a minha filha mais velha, Sofia Gomes Vilarigues, quem até aos 2 anos e meio não soube nem o nome, nem a profissão dos pais, na clandestinidade de 1971 a 1974. Não foi à sua filha, e ainda bem, que tal sucedeu.

Fui eu, António Vilarigues, quem aos 17 anos, em Junho de 1971, passou à clandestinidade. Não foi a si, e ainda bem, que tal sucedeu.

Foi o caso do primeiro Comité Central do Partido Comunista Português eleito depois do 25 de Abril de 1974. Dos 36 membros efectivos e suplentes eleitos no VII Congresso (Extraordinário) do PCP em 20 de Outubro de 1974, apenas 4 não tinham estado presos nas masmorras fascistas. Dois tinham mais de 21 anos de prisão. Com mais de 10 anos de prisão eram 15, entre eles Álvaro Cunhal (13 anos).

São casos entre milhares de outros (Haja Memória) presos, torturados e até assassinados pelo fascismo. Para que houvesse paz, democracia e liberdade no nosso país.

Para que o senhor ministro pudesse insultar em liberdade. Falta-lhe a verticalidade destes homens e mulheres. Por isso sei que não se retratará, nem muito menos pedirá desculpas. As atitudes ficam com quem as praticam.

                    

Penalva do Castelo, 8 de Março de 2008

António Nogueira de Matos Vilarigues

                        

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Links

  •  
  • A

    B

    C

    D

    E

    F

    G

    H

    I

    J

    K

    L

    M

    N

    O

    P

    Q

    R

    S

    T

    U

    V

    W

    X

    Y

    Z

    Arquivo

    1. 2020
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2019
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2018
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2017
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2016
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2015
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2014
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    92. 2013
    93. J
    94. F
    95. M
    96. A
    97. M
    98. J
    99. J
    100. A
    101. S
    102. O
    103. N
    104. D
    105. 2012
    106. J
    107. F
    108. M
    109. A
    110. M
    111. J
    112. J
    113. A
    114. S
    115. O
    116. N
    117. D
    118. 2011
    119. J
    120. F
    121. M
    122. A
    123. M
    124. J
    125. J
    126. A
    127. S
    128. O
    129. N
    130. D
    131. 2010
    132. J
    133. F
    134. M
    135. A
    136. M
    137. J
    138. J
    139. A
    140. S
    141. O
    142. N
    143. D
    144. 2009
    145. J
    146. F
    147. M
    148. A
    149. M
    150. J
    151. J
    152. A
    153. S
    154. O
    155. N
    156. D
    157. 2008
    158. J
    159. F
    160. M
    161. A
    162. M
    163. J
    164. J
    165. A
    166. S
    167. O
    168. N
    169. D
    170. 2007
    171. J
    172. F
    173. M
    174. A
    175. M
    176. J
    177. J
    178. A
    179. S
    180. O
    181. N
    182. D