Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

O CASTENDO

TERRAS DE PENALVA ONDE «A LIBERDADE É A COMPREENSÃO DA NECESSIDADE»

O CASTENDO

TERRAS DE PENALVA ONDE «A LIBERDADE É A COMPREENSÃO DA NECESSIDADE»

Levantado do chão - Ou a história da epopeia do operariado agrícola Alentejano contada ao mundo

José Saramago, Prémio Nobel da Literatura em 1998 e recentemente falecido, escreveu e publicou o essencial da sua obra nos 20 anos anteriores à conquista desse prémio. O primeiro dos romances em que se revela o seu estilo próprio de escrita é precisamente Levantado do Chão. Publicado em 1980, representa para o autor «o último romance do Neo-Realismo, fora já do tempo neo-realista» (Reis, 1998, p.118). De facto, não sendo estritamente um romance neo-realista, Levantado do Chão pode ser visto como um entroncamento para onde confluiu toda uma forma de fazer literatura em Portugal no século XX.

Nesta obra de ficção Saramago aborda, por um lado, a história da vida e morte do latifúndio, com efeito, desde a Idade Média até finais dos anos 70 e, por outro lado, num espaço histórico mais curto, a saga da família Mau-Tempo «que, em três gerações (Domingos Mau-Tempo, seu filho João e seus netos António e Gracinda, esta casada com outra personagem central, António Espada), vai conquistar a terra para as capacidades do seu trabalho, vai arrancar-se à vergonha das humilhações, vai preencher a fome de uma falta total. O romance é, assim, a história de um fatalismo desenganado, constantemente combatido pelo apontar da esperança feita luta» (Seixo, 1987, p.39). As duas ondas históricas entrelaçam-se num período de tempo que vai do final do século XIX até aos anos seguintes à Revolução de 25 de Abril de 1974. Esta articulação entre dois planos tem a vantagem de oferecer uma problematização assaz instigante do papel e do lugar do(s) indivíduo(s) no desenvolvimento histórico mais vasto.

Ler Texto Integral

-

Momento marcante da História do nosso País

     Estamos aqui, hoje, a assinalar o 35º aniversário do início da Reforma Agrária, momento marcante da História do nosso País, em que os assalariados agrícolas do Alentejo e Ribatejo - levando por diante as conclusões da I Conferência dos Trabalhadores Agrícolas do Sul, realizada pelo PCP, em Évora, em 9 de Fevereiro de 1975 - avançaram audaciosamente no caminho da construção concreta da Reforma Agrária e substituíram o desemprego e a miséria pela produção, o trabalho e o pão.

Como incisivamente afirmou, na altura, o camarada Álvaro Cunhal, «vivemos um momento histórico nos campos do Sul. Pelas mãos dos trabalhadores, a Reforma Agrária deu os primeiros passos. Do Alentejo das terras incultas, das charnecas, dos pousios, do gado raro e miserável, dos baixos rendimento das culturas; do Alentejo do desemprego, da fome a da miséria, os trabalhadores, com o apoio do Estado democrático, farão um Alentejo com uma agricultura que dará em abundância os produtos de que os trabalhadores e o País necessitam». E assim foi.

                                                   

A Irlanda e as fatais necessidades de um grande império (1), por Eça de Queirós

Outra história melancólica é a da Irlanda...

(...)

Outra história melancólica é a da Irlanda. Quem não conhece as queixas seculares da Irlanda, da Verde Erin, terra de bardos e terra de santos, onde uma plebe conquistada, resto nobre de raça céltica, esmagada por um feudalismo agrário, vivendo em buracos como os servos góticos, vai desesperadamente disputando à urze, à rocha, ao pântano, magras tiras de terra, onde cultiva em lágrimas a batata? Todo o mundo sabe isto e desgraçadamente esta Irlanda de poema e de novela é, em parte, verdadeira: além dos poucos distritos onde a agricultura é rica como em qualquer dos ubérrimos condados ingleses, além de Cork ou Belfast, que têm uma indústria forte – a Irlanda permanece o país da miséria, bem representada nessa estampa romântica em que ela está, em andrajos, à beira de um charco, com o filhinho nos braços morrendo-lhe da falta de leite, e o cão ao lado, tão magro como ela, ladrado em vão por socorro...

Os males da Irlanda, muito antigos, muito complexos, provêm sobretudo do sistema semifeudal da propriedade.

     O povo irlandês é numeroso, exageradamente prolífico (nem a emigração, nem a morte, nem as epidemias, aliviam esta ilha muito cheia), e vive numa terra pobre de cultura, estreita, apenas no seu terço trabalhada: os proprietários, lordes ingleses ou escoceses, sempre ausentes das terras, não admitindo a despesa de um xelim para as melhorar, estão em Paris, estão em Londres, comendo pêssegos em Janeiro e jogando pelos clubes o whist a libra o tento: os seus procuradores e agentes, criaturas vorazes, sem ligação com o solo nem com a raça, forçados a remeter incessantemente dinheiro a suas senhorias, interessados em conservar a procuradoria, caem sobre o rendeiro, levantam-lhe a renda, forçam-no a vendas desastrosas, enlaçam-no na usura, tributam-no feudalmente, apertam-no com desespero como a um limão meio seco, até que ele verta num gemido o último penny. Se o miserável, este ano, fatigando o torrão, sustentando-se de ervas secas, economizando o lume quando há seis palmos de neve, consegue arrancar de si a soma que sua senhoria, o lorde, reclama para oferecer uma esmeralda à loura Fanny ou à pálida Clementine, para o ano lá está enleado na dívida, sem meios de comprar a semente, com uma terra exausta a seus pés...

Então o procurador, de lei em punho, vem, corre, penhora-o, vende-lhe o catre, expulsa-o do casebre, atira-lhe mulher, criancinhas e avós entrevados para as pedras do caminho... E aí vai mais um bando de desgraçados engrossar o lamentável proletariado que povoa a «verde ilha dos bardos». São milhares, são milhões! Esta população, com o ventre vazio, os pés nus sobre a geada, volta-se então para a Inglaterra, a mãe Inglaterra, que tem a lei, que tem a força, que tem a responsabilidade: a Inglaterra, comovida na sua fibra cristã, volta-se para os seus economistas, os seus políticos: estes indivíduos pousam as suas vastas frontes nas suas vastas mãos, arrancam das concavidades da sua sabedoria farisaica esta resposta, tenebrosa resposta da Meia Idade às reclamações do sofrimento humano:

— Paciência, o remédio está no céu.

     A Inglaterra, valendo-se copiosamente do clero católico da Irlanda e da religiosidade da plebe para a manter na resignação da miséria, acena-lhe com as promessas cor de ouro da bem-aventurança – é um salutar espectáculo.

Sejamos porém justos: a Inglaterra manda também, aos milhões de esfomeados, farinha e dois ou três xelins: e o Punch faz-lhes honra de lhes dedicar pilhérias.

De tudo isto que resulta? Que o Irlandês, vendo que a fome está nele, a Inglaterra ocupada com o Dr. Tanner, o Punch muito divertido e o céu muito longe – faz uma trouxa dos seus andrajos, vai à vila mais próxima, apresenta-se ao comité dos Fenians ou à secção de Mollie Maguire e diz simplesmente: «Aqui estou!...»

(...)

In AFEGANISTÃO E IRLANDA, Cartas de Inglaterra, Texto Integral das Obras de Eça de Queirós

    

Ver também: Cartas de Inglaterra by José Maria Eça de Queirós - Project Gutenberg

  • Irlanda: a grande fome de 1845                                                            

adaptado de um e-mail enviado pelo Jorge

                                                                     

Karl Marx

    Nunca é demais insistir na célebre máxima de Lénine, «sem teoria revolucionária não há movimento revolucionário». Haverá «movimento» sem dúvida, porque essa é essência da vida e das sociedades. Haverá resistência, indignação, protesto, revolta. Haverá sonho, aspiração, utopia.

Haverá espontaneidade generosa e heróica mas inconsequente. Haverá avanços temporários e reformas mas sem pôr em causa o sistema, sem erradicar as raízes da exploração, da opressão e da guerra. E luta de classes haverá sempre. O que não haverá é movimento consciente apontado à transformação revolucionária da sociedade.
Como órgão do PCP, partido cuja teoria inspiradora foi fundada por Marx, O Militante não podia deixar de assinalar o 190.º aniversário do nascimento de Marx e o 160.º aniversário do Manifesto do Partido Comunista, «este pequeno livrinho – que no dizer de Léninevale por tomos inteiros: ele inspira e anima o proletariado organizado e combatente do mundo civilizado».
Com a publicação de um destacável sobre Marx, desdobrado pelas suas edições de Maio e Julho, O Militante procura estimular o estudo de uma obra que, desvendando as leis do desenvolvimento histórico e fundamentando o papel do proletariado como coveiro do capitalismo, deu fundamento científico à luta e ao projecto dos comunistas.
Em tempos de violenta (contra)ofensiva do capital contra os trabalhadores e contra os povos, quando ao movimento comunista e revolucionário está imposta uma batalha de vida ou de morte no plano das ideias, mais importante se torna evocar a vida e a obra do genial fundador (com Engels) do comunismo científico e mostrar que, apesar das extraordinárias mudanças que o mundo conheceu, os princípios e as teses centrais do Manifesto mantêm uma impressionante actualidade, 160 anos depois.
(sublinhados meus)

                                              

In revista "O Militante" nº 294 - Edição Maio/Junho 2008

                               

O que faz falta é informar a malta

    Desde há mais de 160 anos, ininterruptamente, dia após dia, políticos, analistas, comentadores e outros que tais, vêm repetindo a mesma lenga-lenga. A luta de classes acabou dizem. Outros vão mais longe e sentenciam que pura e simplesmente nunca existiu. Qual cassete estragada proclamam que o marxismo e/ou o marxismo-leninismo está morto e enterrado. Qual velho disco de vinil riscado, afirmam que o capitalismo é o «fim da história».

E, no entanto, o que nos mostra a realidade, essa «chata»? Essa realidade que é sempre mil vezes, um milhão de vezes, mais rica e criadora que o melhor dos sonhos, ou o mais criativo dos projectos?
Mostra-nos que na relação de exploração que se estabeleceu entre burguesia e proletariado, entre classes dominantes e classes dominadas, há uma constante disputa. Disputa que irrompe a cada momento pela nossa actualidade. Tenhamos ou não consciência dela. Nem o facto de estes últimos anos serem de ascenso, imposição e reinstalação hegemónica de uma ordem capitalista altera esta realidade.
Esta dinâmica de luta conhece muitos sucessos e retrocessos. Com diferentes correlações de força entre capital e trabalho. Numa constante relação dialéctica.
A burguesia criou e desenvolveu o salário, o despedimento, a jornada de trabalho, o seu Estado. Os trabalhadores responderam concebendo e desenvolvendo a greve, os contratos de trabalho, o horário de trabalho e as horas extraordinárias, o Estado socialista.
Os trabalhadores criaram e desenvolveram os sindicatos de classe, a unidade e a solidariedade, o materialismo dialéctico e histórico, os partidos de classe, os partidos comunistas. A burguesia logo respondeu concebendo e desenvolvendo os sindicatos divisionistas, o individualismo do salve-se quem poder, as concepções idealistas e mesmo religiosas da realidade, a proibição, perseguição e esmagamento dos partidos comunistas e revolucionários.
Hoje, como ontem, ou amanhã, os objectivos das classes dominantes são cristalinos: perpetuarem-se no poder, continuando a agravar a exploração da força de trabalho, aumentando a mais-valia extraída do trabalho.
O capitalismo mantém as suas características essenciais, como sistema de exploração, opressão e agressão, marcado por injustiças, desigualdades e flagelos sociais. Um sistema onde há classes que constituem uma minoria da população que concentra em si a riqueza e a usufrui em excesso e classes que constituem a maioria esmagadora da população que vive com graves carências e que, em vastíssimos sectores, vive numa zona social sombria de pobreza e miséria. Os resultados aí estão: exploração, fome, doenças, miséria, guerras e morte para milhares de milhões de seres humanos. As 280 maiores fortunas do planeta concentram em si mais riqueza que 2 mil milhões de pessoas.

                    

                                                         

Estado dos trabalhadores
                            
A necessidade de um estado dos trabalhadores, de um estado socialista, nasce das contradições do sistema capitalista. O capitalismo criou as premissas materiais necessárias para a passagem da humanidade a um sistema sócio-económico superior.
A necessidade da transição para socialismo é gerada pelo próprio capitalismo, onde os produtos do trabalho organizado socialmente constituem a propriedade privada capitalista. Isto apesar da socialização a uma escala sem precedentes do trabalho e da produção.
Esta contradição é a matriz de todos os fenómenos de crise das sociedades capitalistas contemporâneas.
A Revolução russa de Outubro 1917 e a criação da URSS foram acontecimentos de dimensão histórica. O século XX ficará marcado na história precisamente por esse empreendimento gigantesco de transformação social que foi a concretização da sociedade socialista.
A Revolução de Outubro foi a primeira revolução socialista vitoriosa. Pela primeira vez a classe operária e seus aliados conquistaram o poder. Criaram um estado dos operários e camponeses. Reestruturaram a sociedade no interesse dos trabalhadores e da esmagadora maioria do povo.
Trata-se de uma realização pioneira, sem precedente histórico. Pela primeira vez em milénios de sociedade humana, o sonho, a utopia, a aspiração tornavam-se projecto político e empreendimento concreto de edificação de uma sociedade nova, sem classes sociais antagónicas, livre da exploração do homem pelo homem.
A Revolução de Outubro, correspondendo às exigências do desenvolvimento social, inaugurou uma nova época histórica – a época da passagem do capitalismo ao socialismo.
Desde 1917 o capitalismo internacional foi obrigado a ter em consideração a existência duma força agindo como contrapeso e que iria ser o elemento mais determinante na escolha da sua linha de actuação
.
Graças à Revolução Socialista de Outubro surgiram as condições para fixar direitos, algo que o mundo do trabalho jamais tinha visto antes, mesmo nos países capitalistas mais desenvolvidos.
As conquistas dos trabalhadores e dos camponeses sob o poder soviético tiveram igualmente efeitos positivos para o mundo do trabalho dos países capitalistas. Foram um factor fundamental para obrigar os partidos no poder, fossem eles conservadores, liberais ou social-democratas a fazerem concessões à classe operária.

                           
    A União Soviética foi o primeiro país do mundo a instaurar a jornada de trabalho de 8 horas (a partir de 1956 foram implementados os dias de trabalho de 7 horas e de 6 horas, bem como a semana de 5 dias). O primeiro a assegurar o direito do homem a um trabalho permanente e fixo. O primeiro a liquidar o desemprego (1930) e a assegurar o pleno emprego. O primeiro a estabelecer um ensino gratuito. O primeiro a fornecer cuidados de saúde gratuitos e a assistência social. O primeiro país do mundo a construir uma habitação de baixo preço e a garantir os direitos políticos e sociais fundamentais para a maioria da população.
Períodos de lazer eram assegurados a todos os trabalhadores. O seu conteúdo variava também em função das infra estruturas criadas pelo poder soviético: casas de repouso, instalações hoteleiras ou de campismo. Uma vasta rede de teatros e de cinemas, de associações artísticas e desportivas, de conjuntos musicais e de livrarias cobria toda a União Soviética. Até nas mais pequenas aldeias e mesmo nos cantos mais longínquos da Sibéria. Cujas vastas extensões foram exploradas e literalmente transformadas graças ao trabalho heróico de milhares de trabalhadores, entre os quais numerosos voluntários.
A segurança social foi uma preocupação prioritária para o Estado Soviético. A reforma era universal e foi fixada aos 55 anos para as mulheres e aos 60 para os homens. Os fundos da segurança social eram financiados pelo Orçamento de Estado e pelas contribuições provenientes das empresas. Existiu igualmente uma preocupação semelhante nos outros países socialistas da Europa. Os trabalhadores nunca conheceram a insegurança, os problemas e as angústias que sofrem os trabalhadores, os jovens e as camadas laboriosas dos países capitalistas.
O poder soviético construiu os alicerces para a abolição da discriminação e da opressão das mulheres. Concedeu-lhes plenos direitos legais. Protegeu a maternidade como um dever social e não como um dever privado ou familiar. Aliviou as mulheres de numerosas responsabilidades nas tarefas familiares ao criar um sistema gratuito de benefícios sociais gerido pelo Estado. Desde os primeiros momentos da sua criação ocupou-se dos preconceitos velhos de vários séculos, bem como de toda a espécie de dificuldades objectivas enormes. Dedicou um interesse particular aos casais jovens. Se bem que isto não signifique que todas as formas de desigualdade entre o homem e a mulher tenham sido eliminadas, é um facto que o poder soviético ajudou as mulheres a sair do seu estatuto de esquecidas, de seres humanos de segunda.
O esforço para elevar o nível de instrução pública em todos os níveis foi um componente constante e integral da política soviética. Mais de três quartos dos trabalhadores da URSS tinham uma educação de nível universitário ou de nível secundário completo e, ao mesmo tempo, o analfabetismo, que em 1917 atingia 73% da população, foi rapidamente erradicado.
Os resultados expressaram-se através do desabrochar das ciências, do primeiro voo espacial por Youri Gagarine. Expressaram-se pelo aparecimento de cientistas de renome mundial em domínios tão diversos como a física, as matemáticas, a química, a medicina, a engenharia, a psicologia e outros, criando assim um imenso reservatório de conhecimentos científicos.

                                                                                 
    A construção da base económica socialista e a formação de um estado dos trabalhadores tornaram-se o fundamento e o instrumento a partir dos quais se ia moldar o homem novo, o criador da cultura socialista. A sua influência foi universal e abrangeu todos os povos e nações desse vasto país. As realizações da cultura socialista em todos os domínios tornaram-se propriedade das grandes massas do povo enquanto que benefício social do Estado.
O Estado fornecia os recursos para a educação artística desde a infância, a fim de ajudar ao desenvolvimento da criatividade artística. Na União Soviética, não foram só os grandes artistas que se distinguiram em todos os domínios da estética, mas antes de mais o alto nível cultural das massas populares em geral.
A mesma atenção foi dada para proteger e difundir pela humanidade as melhores realizações intelectuais jamais conhecidas. Ao mesmo tempo que nasciam as obras de arte socialistas e a cultura socialista em geral, milhões de cidadãos soviéticos estiveram em condições de estudar e assimilar as grandes obras da cultura humana. Depois do Louvre e do Vaticano, o museu do Ermitage possuía a melhor colecção de obras de arte do mundo e ela era acessível a todos. O povo soviético não tardou a ter um sólido conhecimento das criações culturais. E isto desde os primeiríssimos momentos da revolução de Outubro e durante a guerra civil, numa época em que as pessoas tinham fome, frio e morriam frequentemente de cólera ou nos campos de batalha.
Os progressos realizados pelos povos da União Soviética e dos outros países socialistas provam a superioridade do modo de produção socialista em relação ao capitalista. Eles adquirem um valor ainda maior, se tivermos em consideração quer a herança da assimetria capitalista, quer as destruições provocadas por duas invasões estrangeiras - 1918-1921 (9 milhões de mortos) e 1941-1945 (27 milhões de mortos), quer ainda o atraso à época da revolução em comparação com os Estados Unidos, mas também com a Grã-Bretanha, a França, a Alemanha e o Japão.
A Revolução de Outubro de 1917 transformou a atrasada Rússia semi-feudal na segunda potência económica do mundo num tempo historicamente curto. Em praticamente todos os países onde se verificaram revoluções socialistas foi impressionante o desenvolvimento das forças produtivas nomeadamente na indústria e agricultura.
As evoluções negativas verificadas, fruto de erros internos e da acção externa do capital e do imperialismo, que se traduziram nos reveses contra-revolucionários dos anos 1989-1991 não contradizem estes factos.
           

               
A actuação do capital

Foi a força desta realidade que tornou possíveis importantes conquistas por parte da classe operária, dos camponeses e demais trabalhadores em muitos países capitalistas desenvolvidos. Questões hoje dadas como adquiridas por todos nós, só o foram, e são, porque existiam países que tentavam edificar uma nova sociedade. E porque havia, e há, quem em todo o mundo lute por essa causa.
Direito de voto para todos (um homem, um voto). Ensino e saúde gratuitos. Igualdade da mulher e do homem (na democrática Suíça só nos anos 80 do século XX...). Contratação colectiva, horário de trabalho e horas extraordinárias remuneradas. Salário igual para trabalho igual. Libertação e independência dos povos do chamado Terceiro Mundo oprimidos pelas potências coloniais. Direito à greve e à manifestação. Liberdade política e sindical. Fim da discriminação por questões de raça (nos EUA só em 1964...). Férias pagas. Segurança Social. Etc., etc., etc.
A força do exemplo funcionava. A luta mundial entre os sistemas capitalista e socialista actuou como um factor de restrição sobre a classe dominante, nos Estados Unidos e na Europa Ocidental. Em particular no modo de tratamento dos trabalhadores e dos oprimidos. Durante esses 70 anos pode-se afirmar que a URSS e os países socialistas estabeleceram os padrões mundiais quanto aos direitos da classe trabalhadora. Códigos de Trabalho, aumento da idade da reforma, precariedade nas relações laborais, destruição dos serviços públicos, nomeadamente de saúde e de ensino, só começaram a surgir de forma ampla e generalizada com o desaparecimento dos estados dos trabalhadores no leste da Europa.
Segundo Marx, a quantidade dos meios de subsistência necessários aos trabalhadores foi determinada historicamente em cada país. Isso dependeu do grau de necessidades (conforto) ao qual a classe operária, e a sociedade em geral, estavam habituadas, segundo o grau de desenvolvimento económico do país e do desenrolar da luta de classes. Em cada caso os patrões pagavam mais, ou menos, segundo as condições particulares de cada país.

                                                 
    O nível dos salários da classe operária, nos países capitalistas mais desenvolvidos, sob a pressão exercida pela concorrência mundial estabelecida pelos grandes monopólios, é cada vez mais influenciado pelo nível salarial dos países onde eles são mais baixos.
Os salários permanecem estagnados, mas a jornada de trabalho torna-se mais intensa. O trabalho da fábrica é organizado para não haver nenhuma ruptura na produção real. Do ponto de vista dos patrões, um trabalhador com direito aos serviços de saúde, a uma pensão, férias e a um salário decente, é demasiado caro em relação ao mercado mundial do trabalho. De um ponto de vista marxista, o patrão considera que o salário pago ao trabalhador é superior ao valor da força de trabalho socialmente necessário.
Após o desaparecimento da URSS, a classe capitalista não se sentiu mais obrigada a limitar a exploração capitalista e a repressão. Os capitalistas consideram que não têm que se preocupar mais com a possibilidade da sua própria classe trabalhadora se voltar contra o capitalismo, como sistema. E que essa luta seja inspirada pela existência de países socialistas. O desaparecimento da URSS retirou toda a pressão sobre os patrões de terem que encontrar qualquer padrão de segurança no trabalho, salários decentes, férias, tratamento de saúde, pensões, etc.
A todo este processo de liquidação de direitos laborais, à liberdade de fazer do trabalhador um indivíduo escravo dos ditames do lucro, o capital dá-lhe o nome de flexibilidade. Ao indivíduo reduzido a si mesmo, o indivíduo trabalhador disponível a toda a hora e a todo o momento para executar as tarefas produtivas definidas o capital chama de liberdade.
Em tempos de acção e luta, em tempos do XVIII Congresso há que «informar a malta», parafraseando a canção de Zeca Afonso. A luta pelo socialismo também passa pela necessidade de desmontar as teses congeladoras da história que a classe dominante procura inculcar nas massas.
Há que desmascarar que as propostas ideológicas do chamado neo-liberalismo não são nem modernas, nem high-tech. Pelo contrário são um ideário do século XIX, quando quase não havia direitos sociais para os operários e trabalhadores.
A divulgação, estudo e análise da memória histórica das tentativas de construção do socialismo na URSS e nos outros países socialistas da Europa não nos deve envergonhar. Aprendendo com os seus sucessos e com os seus erros e desaires estaremos certamente em melhores condições para prosseguir a luta rumo a uma sociedade sem exploradores e sem explorados.

                         

In jornal «Avante!» - Edição de 29 de Maio de 2008

                            

Genial teórico e dirigente revolucionário - Karl Marx nasceu há 190 anos

    Teórico notável, Karl Marx, sempre com a próxima colaboração do seu amigo e colaborador Friedrich Engels, foi também um eminente dirigente proletário. Nestas páginas, lembramos alguns momentos fundamentais da vida e da obra destes dois geniais pensadores revolucionários, cujo contributo para a luta revolucionária do proletariado é único.

Karl Marx nasceu a 5 de Maio de 1818, em Trier, na província renana da Prússia, filho do advogado Heinrich Marx e de Henriette Pressburg. Dois anos e meio depois, na mesma província, mas em Barmen, nascia aquele que se tornaria seu fiel amigo e próximo colaborador, Friedrich Engels, filho do industrial têxtil Friedrich Engels e de Elisabeth van Haar.
Entre 1830 e 1835 Marx estuda no liceu em Trier. Em Outubro do ano seguinte, vai para a Universidade de Berlim, onde se inscrevera na Faculdade de Direito. Mas é a filosofia que o atrai e, em 1841, recebe o título de doutor em Filosofia, pela Faculdade de Iena. A sua tese de doutoramento é intitulada Diferença da Filosofia da Natureza de Demócrito e Epicuro.
Nos escritos e no percurso do jovem Marx, é já possível antever a sua fidelidade à causa revolucionária, que marcaria os anos seguintes da sua vida. Em 1835, em Reflexões de um jovem perante a escolha de uma profissão, escreve: «Se tivermos escolhido a posição na vida na qual mais podemos fazer pela humanidade, não haverá dificuldades que nos possam vergar, porque são sacrifícios para o bem de todos; não desfrutamos de pequenas alegrias limitadas e egoístas, pelo contrário, a nossa felicidade pertence a milhões de homens

                     

Ler Texto Integral

                 

A Revolução de Outubro e a construção do socialismo

    A publicação de Lénine e a Revolução de Outubro de Jean Salem, por ocasião dos 90 anos da Revolução de Outubro, pretende ser uma contribuição da Editorial Avante! para estimular o debate em torno dos setenta anos de socialismo real, pois pensamos, como o autor do livro, que «uma [sua] reabilitação muito mais que parcial» «acompanhará como condição necessária o ascenso do próximo movimento revolucionário.» Pelo meu lado, limitar-me-ei a algumas observações em torno da derrota do socialismo na URSS e nos países do Leste europeu.

Intervindo no XIII Congresso Extraordinário, realizado em Maio de 1990, antes ainda do desaparecimento da URSS, resumia assim o camarada Álvaro Cunhal os cinco principais traços negativos presentes na construção do socialismo real: «A substituição do poder popular por uma forte centralização do poder político, cada vez mais afastado das aspirações, opinião e vontade do povo; a democracia política sofrendo graves limitações ao mesmo tempo que se verificava a acentuação do carácter repressivo do Estado e a infracção da legalidade; a edificação de uma economia com centralização excessiva da propriedade estatal, a eliminação de outras formas de propriedade e de gestão, o desprezo pelo papel do mercado e a desincentivação do empenhamento e produtividade dos trabalhadores; o estabelecimento no partido de uma direcção altamente centralizada, de um sistema de centralismo burocrático, com o afastamento progressivo dos trabalhadores e das massas populares e a imposição administrativa das decisões tanto no partido como no Estado dada a fusão e confusão das funções do Estado e do Partido; e finalmente a dogmatização e instrumentalização do marxismo-leninismo e sua imposição como ideologia do Estado
Ao apontar estes aspectos negativos, o nosso Partido não deixou, porém, de salientar que, com a Revolução de Outubro de 1917, pela primeira vez na história foi empreendida a construção de uma sociedade liberta da exploração do homem pelo homem – a sociedade socialista; que extraordinários avanços e conquistas revolucionárias foram alcançados pelo povo soviético, os quais se traduziram também em poderoso estímulo e apoio solidário à luta dos trabalhadores dos países capitalistas, assim como à dos povos pela sua independência; que as realizações da URSS e do campo socialista em benefício dos seus povos e dos povos de todo o mundo – nos domínios económico, social, cultural, político, diplomático e militar – são factos que marcaram indelevelmente toda a história do século XX.
Nós, PCP, não alinhamos, pois, na «moda», como dizia Arismendi, de apresentar «os anais do comunismo como um itinerário de erros e tragédias», de fazer uma «história maniqueia ao contrário», nas palavras do mesmo Arismendi, que refere ainda que para essa história contribuíram também «pretensos renovadores que sepultaram com isso a sua própria identidade de comunistas». Não nos revemos, pois, naquilo que com razão Domenico Losurdo diz de «sectores inteiros do movimento comunista internacional»: «é como se um Hiroshima ideológico [lhes] tivesse devastado a capacidade de pensar de maneira autónoma».
Não, foi com toda a autonomia que, quer no nosso Programa aprovado no XII Congresso (Dezembro de 1988) quer no aprovado no XIV Congresso (Dezembro de 1992), «partindo da realidade portuguesa e da experiência revolucionária portuguesa nos seus múltiplos aspectos e assimilando criticamente a experiência revolucionária mundial» «apontamos ao povo português, como seu objectivo, a futura construção da sociedade socialista», da qual consideramos como características essenciais o poder efectivo do povo, a democracia política e as liberdades e direitos dos cidadãos, a propriedade social de sectores básicos em articulação com estruturas económicas diversificadas e a empenhada participação dos trabalhadores na actividade económica, a democracia interna do Partido e a sua estreita ligação aos trabalhadores e às massas, e o desenvolvimento criativo da teoria.
Foi contra «narcisismos da derrota» de proporções quase epidémicas mas sem auto-satisfações utopistas que reafirmámos que «a liquidação da exploração capitalista, o desaparecimento geral e efectivo de discriminações, desigualdades, injustiças e flagelos sociais é tarefa histórica que só com a revolução socialista é possível realizar».

   

              

Humanamente exaltante

   

Penso, porém, que não evitámos ser levados nas nossas análises a pôr uma tónica excessiva nas deformações e na derrota do socialismo real e nas suas causas internas – a utilização de conceitos como o de implosão, de colapso ou de «modelo» (ainda que este entre aspas…) revela-o – e fizemo-lo em detrimento da transmissão, sobretudo aos jovens, do que houve de humanamente exaltante e de civilizacional e culturalmente progressivo na tarefa histórica inédita da construção de uma sociedade liberta da exploração; não evitámos a permanência de grandes lacunas na contextualização histórica, interna e externa, da construção do socialismo e na reposição da verdade histórica dessa construção; não evitámos as fraquezas da nossa intervenção ideológica na luta contra as falsificações e caricaturas em catadupa bolsadas pelos nossos inimigos de classe.
Trata-se de debilidades e omissões que não devem ser minimizadas e muito menos deixadas em silêncio. É preciso, isso sim, crítica e revolucionariamente - como é da essência da dialéctica (Marx) - superá-las, sob pena de permitirmos a introjeção nas nossas fileiras das calúnias dos detractores do socialismo e do comunismo, com o consequente desânimo, paralisação, deserção, divisão e integração no statu quo das forças sociais e políticas que podem e devem ser a base de uma transformação revolucionária da sociedade capitalista, necessidade exigida pelas próprias leis que lhe são inerentes.

     

A vaga persecutória anticomunista

    

A participação do camarada Barata-Moura nesta sessão fez com que me lembrasse, a propósito do que anteriormente referi, do que ele em Janeiro de 1992 escreveu a propósito da campanha anticomunista então (e hoje) em curso que visava (e visa) objectivos ambiciosos. Ele caracterizava-os assim:
«- uma erradicação do comunismo da consciência e do sentir dos homens, atrelando-os à simbólica representação de um sonho que se desvaneceu,
«- um embotamento da capacidade de luta daqueles que continuam a sofrer e a rejeitar a fatalidade da exploração,
«- uma oclusão e um estreitamento do próprio leque de perspectivas que a humanidade diante de si tem para as tarefas de configuração do seu futuro
Eu hoje acrescentaria um quarto objectivo (penso que o Barata-Moura estará de acordo comigo) que é uma criminalização das concepções e da acção histórica dos comunistas preparando o terreno para uma vaga persecutória contra eles, à medida que se agudizem as contradições inerentes ao modo de produção capitalista e sobrevenham tempos de crise.
Mas voltemos ao texto de Barata-Moura.
«O que a gravidade dos tempos nos impõe», escrevia ele, é «questionar comunistamente o comunismo». O que significava, e passo a citar:
«- empreender um estudo concreto (multilateralmente informado e reflectido) dos processos (e respectivas inflexões) ao longo das quais estas experiências históricas de reconfiguração socialista do viver se materializaram e vão des-construindo;
«- investir com seriedade e urgência numa investigação aprofundada e prospectiva do novo quadro mundial (e diversificadamente nacional também), no sentido de melhor compreender – não só a sua essência geral, mas as formas determinadas (económicas, políticas, sociais, culturais) que manifesta – e de nele descortinar o leque reajustado de possíveis que continua a pro-jectar;
«- não capitular, nem abrandar, na frente do esclarecimento e mobilização das forças sociais que estão objectivamente em condições – pelos seus interesses, pelas suas aspirações, pela sua luta – de influenciar e de protagonizar desenvolvimentos que apontam ao revolucionamento estrutural do modo actualmente vigente de produzir e reproduzir o viver conjunto da humanidade
Julgo que nenhum de vocês negará o acerto e a pertinência destas palavras. Vale a pena lê-las desenvolvidamente no seu livro «Materialismo e Subjectividade. Estudos em torno de Marx

(sublinhados meus)

                  

Intervenção de Francisco Melo proferida na sessão de lançamento do livro de Jean Salem

      

Um livro contra a corrente

    Foi lançado na segunda-feira, 26 de Novembro, em Lisboa, o mais recente livro das «Edições Avante!», Lénine e a Revolução, de Jean Salem. A apresentação esteve a cargo de José Barata Moura e Francisco Melo.

«O dever do revolucionário é converter em actualidade as boas questões.» O desafio foi lançado por José Barata Moura na apresentação do livro de Jean Salem Lénine e a Revolução, que decorreu na segunda-feira, nas instalações das Edições Avante!. Em sua opinião, foi isso que Salem fez ao escrever esta obra.
Para Barata Moura, Lénine e a Revolução é também um acto de coragem, ao ter sido publicado «numa conjuntura abertamente hostil às ideias de Lénine e quando se procura criminalizar o projecto comunista». Desde a década de oitenta – com Reagan à frente dos Estados Unidos da América e Thatcher do Reino Unido – que se verifica uma «reversão da ideologia capitalista às teses mais retrógradas e trogloditas, do liberalismo do século XVIII», lembrou.
Apresentando a biografia do autor da obra, José Barata Moura destacou o percurso de Jean Salem pela filosofia clássica, nomeadamente da Grécia, onde aprofundou o estudo da ética e do materialismo. E explicou o desenvolvimento dos seus estudos e a relação destas correntes com o pensamento de Marx e Lénine.
Jean Salem, lembrou José Barata Moura, estudou na União Soviética, numa escola para filhos de revolucionários de todo o mundo no momento em que o seu pai, Henri Alleg, esteve preso na Argélia. O livro, adiantou, será também uma homenagem ao Outubro soviético, que lhe permitiu estudar e «descobrir o mundo e a vida».

Intervir na batalha ideológica

Da sua parte, Francisco Melo, responsável pelas Edições Avante! e membro do Comité Central, realçou que a publicação de Lénine e a Revolução pretende ser uma contribuição para «estimular o debate em torno dos setenta anos de socialismo real». Tal como o autor, o editor considera que «uma [sua] reabilitação muito mais que parcial» acompanhará como condição necessária o ascenso do próximo movimento revolucionário
Lembrando que o PCP tem já um vasto património de análise acerca da evolução do socialismo no Leste da Europa, nomeadamente no XIII e XIV Congressos, Francisco Melo realçou que o Partido não deixou de salientar que «com a Revolução de Outubro, pela primeira vez na história, foi empreendida a construção de uma sociedade liberta da exploração do homem pelo homem».
No PCP, reafirmou, «não alinhamos» na moda de apresentar «os anais do comunismo como um itinerário de erros e tragédias». Até porque, para a história da derrota do socialismo real, contribuíram também «pretensos renovadores que sepultaram com isso a sua própria identidade de comunistas».
Mas realçou, «não evitámos ser levados nas nossas análises a pôr uma tónica excessiva nas deformações e na derrota do socialismo real e nas suas causas internas». Daí a utilização de conceitos como o de «implosão», «colapso» ou «modelo», destacou.
E, acrescentou, «fizemo-lo em detrimento da transmissão, sobretudo aos jovens, do que houve de humanamente exaltante e de civilizacional e culturalmente progressivo na tarefa histórica inédita da construção de uma sociedade liberta da exploração, não evitamos a permanência de grandes lacunas na contextualização histórica, interna e externa, da construção do socialismo e na reposição da verdade histórica dessa construção; não evitamos as fraquezas da nossa intervenção ideológica na luta contra as falsificações e caricaturas em catadupa bolsadas pelos nossos inimigos de classe».

(sublinhados meus)

  

In jornal "Avante!" - Edição de 29 de Novembro de 2007

               

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Links

  •  
  • A

    B

    C

    D

    E

    F

    G

    H

    I

    J

    K

    L

    M

    N

    O

    P

    Q

    R

    S

    T

    U

    V

    W

    X

    Y

    Z

    Arquivo

    1. 2020
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2019
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2018
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2017
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2016
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2015
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2014
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    92. 2013
    93. J
    94. F
    95. M
    96. A
    97. M
    98. J
    99. J
    100. A
    101. S
    102. O
    103. N
    104. D
    105. 2012
    106. J
    107. F
    108. M
    109. A
    110. M
    111. J
    112. J
    113. A
    114. S
    115. O
    116. N
    117. D
    118. 2011
    119. J
    120. F
    121. M
    122. A
    123. M
    124. J
    125. J
    126. A
    127. S
    128. O
    129. N
    130. D
    131. 2010
    132. J
    133. F
    134. M
    135. A
    136. M
    137. J
    138. J
    139. A
    140. S
    141. O
    142. N
    143. D
    144. 2009
    145. J
    146. F
    147. M
    148. A
    149. M
    150. J
    151. J
    152. A
    153. S
    154. O
    155. N
    156. D
    157. 2008
    158. J
    159. F
    160. M
    161. A
    162. M
    163. J
    164. J
    165. A
    166. S
    167. O
    168. N
    169. D
    170. 2007
    171. J
    172. F
    173. M
    174. A
    175. M
    176. J
    177. J
    178. A
    179. S
    180. O
    181. N
    182. D