Sexta-feira, 2 de Janeiro de 2015

Terrorismo organizado

Guantanamo-Base Militar5.jpg

O Senado norte-americano discutiu um relatório de 6000 páginas - das quais apenas 524 foram desclassificadas - sobre um assunto que mereceria a maior atenção de todo o Mundo. O pouco que se conhece do relatório confirma aquilo que já se sabia: a CIA, sob as ordens do presidente Bush, desenvolveu um chamado «programa de detenção e interrogatório» que incluía «técnicas reforçadas de interrogatório», ou seja as mais abjectas torturas praticadas em Guantanamo e em vários outros campos de detenção espalhados pelo mundo. No sumário do relatório é possível identificar práticas como tortura do sono durante semanas a fio, alimentação e hidratação forçada por via rectal, simulação de afogamento, isolamento, iminência de assassinato, humilhações de variada espécie, estátua, entre outras. Técnicas de tortura, algumas das quais muitos comunistas e outros democratas portugueses conhecem bem e que, no tempo da ditadura fascista, eram já inspiradas nas «ordens» do «Big Brother».

Este relatório apenas vem confirmar aquilo que já se sabia: o carácter criminoso de um regime político de uma grande potência capitalista, que se coloca acima da lei e de quaisquer obrigações do direito internacional. Vem também reforçar a exigência de se apurar toda a verdade quer no que toca à tortura, quer relativamente aos raptos, aos chamados «voos da CIA» e à verdadeira dimensão dos campos de detenção, nomeadamente na Europa, todos eles elementos de uma estratégia brutal.

Mas vem sobretudo colocar a questão da responsabilização e da culpa. Tudo foi feito para adiar e esconder a apresentação do conteúdo deste relatório. Após a divulgação do seu sumário executivo o esforço foi direccionado para alimentar um criminoso e falso dilema que se poderia resumir numa frase: «vale a pena torturar?».

A História dos EUA está feita de crimes similares em que a culpa, directa e política, morre solteira. Estamos a falar de brutais crimes, de terrorismo de Estado, de crimes contra a Humanidade que numa outra qualquer situação já teriam sido motivo de várias resoluções do Conselho de Segurança da ONU e muito possivelmente de uma agressão militar em nome da «liberdade» e contra a «ditadura». Da nossa parte tão somente exigimos que os responsáveis – executivos e políticos – sejam punidos, que as vítimas sejam compensadas e que por todo o Mundo se retire a lição: um dos factores de maior perigo na situação internacional são os EUA, o seu governo, as suas forças armadas e as suas agências de terrorismo organizado.

Abu Ghraib1.jpg

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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ABU GHRAIB3.jpg

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Quarta-feira, 9 de Junho de 2010

Afasta de mim este cálice

CÁLICE

-

Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue...(2x)

Como beber
Dessa bebida amarga
Tragar a dor
Engolir a labuta
Mesmo calada a boca
Resta o peito
Silêncio na cidade
Não se escuta
De que me vale
Ser filho da santa
Melhor seria
Ser filho da outra
Outra realidade
Menos morta
Tanta mentira
Tanta força bruta...

Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue...

Como é difícil
Acordar calado
Se na calada da noite
Eu me dano
Quero lançar
Um grito desumano
Que é uma maneira
De ser escutado
Esse silêncio todo
Me atordoa
Atordoado
Eu permaneço atento
Na arquibancada
Prá a qualquer momento
Ver emergir
O monstro da lagoa...

Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue...

De muito gorda
A porca já não anda
(Cálice!)
De muito usada
A faca já não corta
Como é difícil
Pai, abrir a porta
(Cálice!)
Essa palavra
Presa na garganta
Esse pileque
Homérico no mundo
De que adianta
Ter boa vontade
Mesmo calado o peito
Resta a cuca
Dos bêbados
Do centro da cidade...

Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue...

Talvez o mundo
Não seja pequeno
(Cálice!)
Nem seja a vida
Um fato consumado
(Cálice!)
Quero inventar
O meu próprio pecado
(Cálice!)
Quero morrer
Do meu próprio veneno
(Pai! Cálice!)
Quero perder de vez
Tua cabeça
(Cálice!)
Minha cabeça
Perder teu juízo
(Cálice!)
Quero cheirar fumaça
De óleo diesel
(Cálice!)
Me embriagar
Até que alguém me esqueça
(Cálice!)

Chico Buarque / Gilberto Gil

Para ver e ouvir a canção « CÁLICE » de Chico Buarque e Gilberto Gil:

Para Ler, Ver e Ouvir:

 

«Respecto a la frase «Padre, aparta de mí este Cáliz», que usa Chico Buarque, no es por influencia vallejiana. Ambos poetas la extrajeron probablemente del Nuevo Testamento. Es lo que Jesús le dice a su padre (presumiblemente Dios) cuando se debate entre si asume o no el terrible destino de tortura y crucifixión que le espera

In Carta de Silvio Rodriguez a la lista Ojala-L.

"Prefiero que los piratas callejeros divulgaran mi música, a que los

(...)
32  E foram a um lugar chamado Getsêmani, e disse aos seus discípulos: Assentai-vos aqui, enquanto eu oro.
33  E tomou consigo a Pedro, e a Tiago, e a Joäo, e começou a ter pavor, e a angustiar-se.
34  E disse-lhes: A minha alma está profundamente triste até a morte; ficai aqui, e vigiai.
35  E, tendo ido um pouco mais adiante, prostrou-se em terra; e orou para que, se fosse possível, passasse dele aquela hora.
36  E disse: Aba, Pai, todas as coisas te säo possíveis; afasta de mim este cálice; näo seja, porém, o que eu quero, mas o que tu queres.

(...)

In Biblia - Marcos 14

Abu Ghraib, Iraque

Afasta de mim este cálice

-

Bagram, Afeganistão

Afasta de mim este cálice

-

adaptado de um e-mail enviado pelo Jorge

 

 

 
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Sábado, 19 de Dezembro de 2009

Um táxi para o inferno

      Dilawar era motorista de táxi nas montanhas do Afeganistão. Preso pelos militares em 2002, nunca mais regressou a casa. Morreu na prisão de Bagram, ao fim de cinco dias, sucumbindo à tortura. Partindo deste facto, Alex Gibney segue as pistas para dénunciar os actos de tortura sobre as pessoas suspeitas de «terrorismo», cometidas pelo exército dos EUA no Afeganistão, no Iraque ou em Gantánamo.

O filme lembra que a tortura, com os respectivos manuais, sempre fizeram parte dos métodos da CIA desde que esta foi criada há mais de 50 anos e explica que, mais recentemente, se estendeu de Bagram para Abu Ghraib e para Guantánamo (e outras prisões). Novos métodos foram ensaiados e Guantánamo passou a ser uma espécie de laboratório principal.

Este filme ganhou um óscar para o melhor documentário em 2007.

As versões aqui apresentadas têm durações diferentes.

Versão 1 (dobrado em castelhano)

Versão 2 (dobrado em francês)

    Um desenho que mostra como Dilawar estava algemado ao tecto na sua célula. O autor, Thomas V. Curtis, é um ex-sargento na reserva da United States Army Military Police Corps.

In U.S. Report, Brutal Details of 2 Afghan Inmates' Deaths

                                                                                              

Versão 3

Versão 4

Para Ver e Ouvir:

Para Ler: 

 Neste blogue:

adaptado de um e-mail enviado pelo Jorge

                                                                  

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Sexta-feira, 28 de Agosto de 2009

Quem disse «os que usaram a tortura a mando da Casa Branca não devem ser perseguidos»?

Hipnosis - Josetxo Ezcurra

Não, não foi Obama. Em Obamês a frase do título traduz-se assim:

Não penso que seja apropriado perseguir aqueles que levaram a cabo algumas destas operações estritamente dentro das opiniões ou instruções legais que lhes foram fornecidas pela Casa Branca.

«For those who carried out some of these operations within the four corners of legal opinions or guidance that had been provided from the White House, I do not think it’s appropriate for them to be prosecuted. With respect to those who formulated those legal decisions, I would say that that is going to be more of a decision for the attorney general within the parameters of various laws, and—and I don’t want to prejudge that. I think that there are a host of very complicated issues involved there».


 

Resumindo, Obama disse a frase que está no título mas na sua própria linguagem rebuscada!

                                                                  

adaptado de um e-mail enviado pelo Jorge

                                                                    

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Terça-feira, 10 de Fevereiro de 2009

E a prisão era pior que a morte - porque era a tortura requintada e monstruosa

    (...) 

Um homem, ainda hoje vivo, constitucional, tinha sido ferido. De miséria em miséria, conseguira recolher-se, esconder-se num povoado, em casa de umas pobres mulheres velhas. Boa gente, piedosa, assustada, consumida pelos terrores do tempo. O homem convalescia.   

Começava a erguer-se, a vir à porta, ao sol, tiritar debilmente a sua fraqueza. Um dia as duas mulheres apareceram numa grande aflição. Tinha chegado ao povoado o Batalhão Sagrado. O homem fora denunciado. 

O Batalhão Sagrado era composto de padres armados de clavinas e foices. Era a guerrilha idiota do assassínio. Longe das suas igrejas, desembaraçados dos votos, na liberdade da serra e dos caminhos, ávidos como animais soltos, de clavina ao ombro, iam estes sacerdotes levando através das povoações - uns a cólera bestial do seu fanatismo, outros a violência animal da sua sensualidade, todos uma lúgubre e temerosa opressão. Eram temidos mais que todos os flagelos. Matavam e prendiam. E a prisão era pior que a morte - porque era a tortura requintada e monstruosa. As duas mulheres tremiam ao pé do doente. 

— Bem - disse ele - vossemecês em todo o caso não têm que temer. Se os padres vierem eu cá estou. Apresento-me, digo que estava aqui contra a vontade das senhoras. Atiram-me para um canto e acabou-se. Estou fraco, não me há-de custar muito morrer. Se dessem busca à casa e me achassem para aí escondido, davam cabo de mim da mesma maneira, e vossemecês padeciam. Assim é melhor. Eu cá estou. 

As mulheres choravam, queriam escondê-lo; o homem recusou com a indiferença de um vencido. Daí a pouco o Batalhão Sagrado, com grande ruído de armas, aparecia ao pé da casa, de batina arregaçada, cruz na mão, foice ao ombro. 

O homem saiu e disse tranquilamente: 

— Aqui estou, sou eu. - Então dois padres, aproximaram-se: cada um o tomou por um lado do rosto, pelas barbas, rindo, e com um empuxão terrível arrancaram-lhas! O homem caiu no chão. Os padres amarraram-no com cordas em cima de um macho, e partiram com ele vitoriosamente, cantando o Bendito, para as prisões de Almeida. A jornada durou dias. Era no Verão. Os ásperos caminhos ardiam de sol. O homem levava o rosto em chaga, com um contínuo suor de sangue. A poeira, o sol, calcinavam-lhe as feridas. Levava as mãos amarradas, e as moscas picavam-lhe a carne viva. Quando chegavam às tabernas, os padres atiravam ao homem um pedaço de pão. De vez em quando, por desfastio, espancavam-no, picavam-no com as pontas das baionetas. A inflamação fazia-lhe nas feridas uma dor pungente, que o pobre homem, domando o orgulho, pedia que lhe mitigassem com água fresca. Os padres então, com grandes risadas... Não pode ninguém escrever o que faziam os padres do Batalhão Sagrado, para refrescar aquelas feridas! Ao chegar à cadeia, atiraram-no para cima de uma esteira. 

Quando voltou a si, um homem estava debruçado sobre ele. Era um enfermeiro de acaso, um preso também, um compadecido daquela desgraça. Esse preso piedoso não era um vencido político. Era um assassino. - E foi ele que curou as chagas feitas pelos senhores padres do Batalhão Sagrado. 

In [Uma Campanha Alegre (Volume II: Capítulo XXVI- Guerrilhas carlistas. Batalhões sagrados), por Eça de Queirós]

 

 

                                                                        

adaptado de um e-mail enviado pelo Jorge

                                       

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Segunda-feira, 19 de Janeiro de 2009

Ajudando o Presidente Obama: a prisão de ABU GHRAIB (Iraque)

Para LER:

Para VER:

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adaptado de um e-mail enviado pelo Jorge

                                                

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