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O CASTENDO

TERRAS DE PENALVA ONDE «A LIBERDADE É A COMPREENSÃO DA NECESSIDADE»

O CASTENDO

TERRAS DE PENALVA ONDE «A LIBERDADE É A COMPREENSÃO DA NECESSIDADE»

Achada de Santo António, Cidade da Praia – Cabo Verde (1945)

Emissor onda curta radiotelegrafia 1945

Aprendiz radiotelegrafista 1945

Aqui já entrávamos na era do morse automático

 

O emissor de onda curta de radiotelegrafia e o aprendiz radiotelegrafista.

Reparem nos voltímetros e amperímetros e nas válvula do tamanho de um melão e comparem com o vosso telemóvel.

A Agência Noticiosa, «Presse Lusitânia», transmitia os noticiários à razão de 100 caracteres por minuto, no morse automático e em boas condições a velocidade não ia além dos 400 caracteres...

adaptado de um e-mail enviado pelo Cid

 

Publicar ou não publicar, eis a questão

    Sabe-se que as grandes agências de notícias internacionais determinam, em muito, as agendas e os conteúdos dos diferentes órgãos de comunicação social. Sabe-se que se vangloriam de que notícia por elas difundidas, é notícia editada em todos os países do mundo em menos de 24 horas. Sabe-se que o que se silencia é, na maior parte das vezes, tão ou mais importante do que o que se publica. Sabe-se, mas ainda ficamos chocados com algumas realidades. Três exemplos escolhidos ao acaso.

Primeiro. A «Festa da Alegria» em Braga foi o maior acontecimento político-partidário do fim-de-semana de 19/20 de Julho. Nela participaram muitos milhares de pessoas, que estiveram lá e viram É uma realidade indesmentível. Qualquer que seja o critério jornalístico. Goste-se ou não do PCP. Por mais que isso custe a quem não gosta. Os media dominantes, elucidativamente, ignoraram esse acontecimento.

Nas televisões nenhum dos canais mostrou uma imagem que fosse dos milhares de pessoas que participaram na Festa e assistiram ao comício com o secretário-geral do PCP. Do discurso de Jerónimo de Sousa nada disseram. E no final, fizeram-lhe umas perguntas sobre questões que nada tinham a ver com a sua intervenção. Nos jornais idêntico «tratamento». No «Jornal de Notícias», no «Público» e no «Correio da Manhã», nem uma linha. No «Diário de Notícias» uma linha! Apenas a imprensa regional cumpriu positivamente o seu dever de informar.

Seria de esperar uma (ou mais) excepção. Mas não. O que se passou? Não é crível que os directores em causa se tenham reunido à volta de uma mesa e decidido em conformidade. Algo de muito mais profundo se desenrola. Estamos claramente perante uma formatação de procedimentos para com quem não alinha no pensamento único. Formatação essa que vem de longe e se tem refinado ao longo dos anos. Basta, em relação a cada um dos órgãos referidos, comparar com o que nesses dias transmitiram e publicaram em relação a outras forças políticas.

Segundo exemplo. A Colômbia tem estado na ordem do dia. Seja por causa de Ingrid Betancourt, seja pela putativa presença – sempre anunciada e nunca confirmada – das FARC na Festa do «Avante!». Mas nem uma linha sobre a realidade vivida nesse país.

Álvaro Uribe, enfrenta um procedimento de impugnação em tudo semelhante ao vivido por Collor de Mello há uns anos no Brasil. O Supremo Tribunal instaurou-lhe um processo por ter comprado os votos no Congresso que permitiram a sua reeleição. Cerca de 32 senadores (a maioria do partido de Uribe), num total de 102, estão presos e/ou acusados de ligações aos cartéis da droga, aos bandos paramilitares e à venda de votos que permitiu a reeleição de Uribe. A ex-parlamentar Ydis Medina confirmou perante o Tribunal estes factos. Nada disto é notícia merecedora de edição? Nos EUA sim (basta ver, por exemplo, a CBS). Em Portugal não.

Mais. Nem uma palavra, nem uma notícia, a informar que a Colômbia é campeã do mundo em assassinatos de sindicalistas e de JORNALISTAS: mais de metade dos sindicalistas assassinados em todo o mundo. Trinta só este ano. Será porque na sua maioria são índios? Será por não terem aquele «charme discreto da burguesia» a que se referia Luís Buñuel? Porque sim para Ingrid Betancourt e porque não para Guillermo Rivera Fúquene? Porque sim para a publicação dos relatórios da Amnistia Internacional sobre a China e porque não para os sobre a Colômbia?

Terceiro exemplo. O PCP emitiu uma nota sobre a detenção da cidadã espanhola Remedios Garcia Albert. Face ao alarido em torno do PCP e das FARC seria de esperar um qualquer tratamento jornalístico. Puro engano. Alguém me explica?

Nota final: para quem não sabe o PCP difunde mais de mil posições públicas por ano (só dos seus organismos centrais ou estruturas nacionais) …
            
Especialista em Sistemas de Comunicação e Informação
                                    

In jornal "Público" - Edição de 7 de Agosto de 2008

                                              

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