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O CASTENDO

TERRAS DE PENALVA ONDE «A LIBERDADE É A COMPREENSÃO DA NECESSIDADE»

O CASTENDO

TERRAS DE PENALVA ONDE «A LIBERDADE É A COMPREENSÃO DA NECESSIDADE»

Eu semeio vento na minha cidade, vou pra rua e bebo a tempestade

Bom conselho
-

Ouça um bom conselho
Que eu lhe dou de graça
Inútil dormir que a dor não passa
Espere sentado
Ou você se cansa
Está provado, quem espera nunca alcança

 

Venha, meu amigo
Deixe esse regaço
Brinque com meu fogo
Venha se queimar
Faça como eu digo
Faça como eu faço
Aja duas vezes antes de pensar

 

Corro atrás do tempo
Vim de não sei onde
Devagar é que não se vai longe
Eu semeio vento na minha cidade
Vou pra rua e bebo a tempestade

Chico Buarque/1972

Para o filme Quando o carnaval chegar de Cacá Diegues

Para ver e ouvir a canção « Bom conselho » de Chico Buarque :

«Eu semeio vento na minha cidade, vou pra rua e bebo a tempestade»

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Ver no sítio do PCP:

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adaptado de um e-mail enviado pelo Jorge
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Vou pra rua e bebo a tempestade

Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta...

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Meu Caro Amigo

-

Meu caro amigo me perdoe, por favor
Se eu não lhe faço uma visita
Mas como agora apareceu um portador
Mando notícias nessa fita
Aqui na terra 'tão jogando futebol

Tem muito samba, muito choro e rock'n' roll

Uns dias chove, noutros dias bate sol
Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta
Muita mutreta pra levar a situação
Que a gente vai levando de teimoso e de pirraça
E a gente vai tomando, que também, sem a cachaça
Ninguém segura esse rojão

Meu caro amigo eu não pretendo provocar
Nem atiçar suas saudades
Mas acontece que não posso me furtar
A lhe contar as novidades

Aqui na terra 'tão jogando futebol

Tem muito samba, muito choro e rock'n' roll

Uns dias chove, noutros dias bate sol
Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta

É pirueta pra cavar o ganha-pão
Que a gente vai cavando só de birra, só de sarro
E a gente vai fumando que, também, sem um cigarro
Ninguém segura esse rojão

Meu caro amigo eu quis até telefonar
Mas a tarifa não tem graça
Eu ando aflito pra fazer você ficar
A par de tudo que se passa

Aqui na terra 'tão jogando futebol

Tem muito samba, muito choro e rock'n' roll

Uns dias chove, noutros dias bate sol
Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta


Muita careta pra engolir a transação
E a gente tá engolindo cada sapo no caminho
E a gente vai se amando que, também, sem um carinho
Ninguém segura esse rojão

Meu caro amigo eu bem queria lhe escrever
Mas o correio andou arisco
Se me permitem, vou tentar lhe remeter
Notícias frescas nesse disco

Aqui na terra 'tão jogando futebol

Tem muito samba, muito choro e rock'n' roll

Uns dias chove, noutros dias bate sol
Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta

A Marieta manda um beijo para os seus
Um beijo na família, na Cecília e nas crianças
O Francis aproveita pra também mandar lembranças
A todo pessoal
Adeus

(Francis Hime / Chico Buarque)

Para ver e ouvir a canção «Meu Caro Amigo » de Chico Buarque e Francis Hime:


adaptado de um e-mail enviado pelo Jorge

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José Luís Tinoco - ALMA DE ARTISTA

Fotografia cedida pelo blogue Jazz no País do Improviso

    Fiel a um velho hábito, José Luís Tinoco, nascido há 74 anos em Leiria (27 de Dezembro de 1932), continua a deitar-se muito de madrugada e a levantar-se muito de tarde - mas sempre a muito boas horas. Arquitecto, pintor, ilustrador, cartoonista, músico e letrista, é um autor multifacetado com uma característica muito própria: em tudo o que se mete sai qualidade.  

"Nasci num meio musical, mas a arquitectura e a pintura também estavam muito presentes na minha família" - começou por dizer à "Autores". Assim, foi com naturalidade que estudou arquitectura, começando no Porto, na ESBAP e acabando o curso sem sobressaltos já em Lisboa, na ESBAL. 

Na capital, foi elemento activo do movimento de renovação da arquitectura portuguesa, tendo sido nomeado na década de 50 para um Prémio Valmor que nesse ano (não se lembra exactamente qual), por motivos que ainda hoje ignora, não foi atribuído. "Não me perguntem porquê, pois eu sei muito pouca coisa sobre mim próprio" - alertou sorridente. 

Do que se lembra bem é que montou o seu ateliê e assim foi continuando até que as coisas começaram a correr mal na arquitectura. "Quando tive que abandonar a arquitectura, zangado com ela, virei-me para a pintura a tempo inteiro, fazendo também ilustrações e cartoons, actividades que sempre havia praticado nos meus tempos livres, devagarinho mas com paixão..." - recordou. 

E a verdade é que José Luís Tinoco, alma de artista, dedicou-se, com êxito, à pintura, à ilustração, a figurinos para bailado e ao design e artes gráficas (capas de livros e discos; colaboração assídua com os Correios de Portugal traduzida em mais de uma centena e meia de selos). E até fez um filme de animação e adaptou ao cinema ao livro de Dinis Machado "O que diz Molero"... 

Como pintor expôs pela primeira vez em 1956. E até hoje tem participado em numerosas exposições colectivas e individuais. Das primeiras, destaca a II Exposição de Artes Plásticas da Gulbenkian e as Bienais dos Açores, Leiria e Óbidos, onde participou por convite; das segundas, salienta as que efectuou na Gulbenkian em 1986, no Palácio Galveias em 1988 (exposição antológica, repetida na Galeria 57 em Leiria) e no Palácio Nacional da Ajuda. A última que fez terminou no passado dia 4 de Março, em Sintra.

Por outro lado, pouco depois de Abril, lançou as bases, para a Secretaria de Estado da Cultura, do Levantamento da Arte Portuguesa Contemporânea (dos anos 40 aos anos 70), que dirigiu durante dois anos. "Sabe, nesse período assistia, arrepiado, à saída para o estrangeiro, em catadupa, de obras de pintura portuguesas. Era uma verdadeira hemorragia. Senti então que era preciso fazer um alerta: aquelas obras estavam a perder-se! Fiz uma proposta à SEC, estabeleci uma metodologia, constituí uma equipa que dirigi durante dois anos, e foi uma tarefa exaltante: mil e muitos slides com reprodução de obras que estavam espalhadas por casas de coleccionadores, ateliês de artistas, galeristas, instituições várias. Apaixonei-me por aquela tarefa - mas acabou. Era para ser continuada pela SEC, mas ao que sei nunca mais se fez nada. Uma pena" - concluiu. 

(copiado de AQUI)

 

adaptado de um e-mail enviado pelo Jorge  
                       

 

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