Quinta-feira, 2 de Dezembro de 2010

Ana Gomes teve um ataque de ciúmes a propósito de Luís Amado: «Mais depressa se apanha um acariciado do que um coxo»!

Ana Gomes, que apoia a NATO (1) e a guerra no Afeganistão (2) (e, consequentemente, apoia todas as atrocidades que aí se cometem) mas que, por desfastio, é contra os voos da CIA, teve um ataque de ciúmes. Também não admira: teve conhecimento de uma missiva que uma amiga comum enviou usando ternas palavras sobre o seu Amado (Luís)!

E vai daí, toca de vir a público dizer, com despeito: «Mais depressa se apanha um acariciado do que um coxo»!

Neste blogue podemos gabar-nos de tanto acariciarmos Ana Gomes como Luís Amado!

Clique nos nomes para ver tudo o que se tem publicado neste blogue sobre Ana Gomes e Luís Amado.

E Luís Amado já se demitiu?

(«Se me provar isso, demito-me no dia seguinte» - Luís Amado)

(1) Ler:

(2) Citações de Ana Gomes:

25 de Agosto de 2008:


15 de Abril de 2009:

[Manuel Alegre critica reforço. Mas aprova a presença? E sobre a NATO, o que diz Alegre?]

16 de Dezembro de 2009:

Excerto da (parte final da) «missiva» da Embaixada dos EUA relativa a Luís Amado que despertou os ciúmes de Ana Gomes:

«Right now, it would be to our advantage to stroke him [Luís Amado] a lot.» [Agora, seria vantajoso para nós acariciá-lo muito]

-

Publicado neste blog:
adaptado de um e-mail enviado pelo Jorge

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Quarta-feira, 9 de Junho de 2010

Afasta de mim este cálice

CÁLICE

-

Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue...(2x)

Como beber
Dessa bebida amarga
Tragar a dor
Engolir a labuta
Mesmo calada a boca
Resta o peito
Silêncio na cidade
Não se escuta
De que me vale
Ser filho da santa
Melhor seria
Ser filho da outra
Outra realidade
Menos morta
Tanta mentira
Tanta força bruta...

Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue...

Como é difícil
Acordar calado
Se na calada da noite
Eu me dano
Quero lançar
Um grito desumano
Que é uma maneira
De ser escutado
Esse silêncio todo
Me atordoa
Atordoado
Eu permaneço atento
Na arquibancada
Prá a qualquer momento
Ver emergir
O monstro da lagoa...

Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue...

De muito gorda
A porca já não anda
(Cálice!)
De muito usada
A faca já não corta
Como é difícil
Pai, abrir a porta
(Cálice!)
Essa palavra
Presa na garganta
Esse pileque
Homérico no mundo
De que adianta
Ter boa vontade
Mesmo calado o peito
Resta a cuca
Dos bêbados
Do centro da cidade...

Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue...

Talvez o mundo
Não seja pequeno
(Cálice!)
Nem seja a vida
Um fato consumado
(Cálice!)
Quero inventar
O meu próprio pecado
(Cálice!)
Quero morrer
Do meu próprio veneno
(Pai! Cálice!)
Quero perder de vez
Tua cabeça
(Cálice!)
Minha cabeça
Perder teu juízo
(Cálice!)
Quero cheirar fumaça
De óleo diesel
(Cálice!)
Me embriagar
Até que alguém me esqueça
(Cálice!)

Chico Buarque / Gilberto Gil

Para ver e ouvir a canção « CÁLICE » de Chico Buarque e Gilberto Gil:

Para Ler, Ver e Ouvir:

 

«Respecto a la frase «Padre, aparta de mí este Cáliz», que usa Chico Buarque, no es por influencia vallejiana. Ambos poetas la extrajeron probablemente del Nuevo Testamento. Es lo que Jesús le dice a su padre (presumiblemente Dios) cuando se debate entre si asume o no el terrible destino de tortura y crucifixión que le espera

In Carta de Silvio Rodriguez a la lista Ojala-L.

"Prefiero que los piratas callejeros divulgaran mi música, a que los

(...)
32  E foram a um lugar chamado Getsêmani, e disse aos seus discípulos: Assentai-vos aqui, enquanto eu oro.
33  E tomou consigo a Pedro, e a Tiago, e a Joäo, e começou a ter pavor, e a angustiar-se.
34  E disse-lhes: A minha alma está profundamente triste até a morte; ficai aqui, e vigiai.
35  E, tendo ido um pouco mais adiante, prostrou-se em terra; e orou para que, se fosse possível, passasse dele aquela hora.
36  E disse: Aba, Pai, todas as coisas te säo possíveis; afasta de mim este cálice; näo seja, porém, o que eu quero, mas o que tu queres.

(...)

In Biblia - Marcos 14

Abu Ghraib, Iraque

Afasta de mim este cálice

-

Bagram, Afeganistão

Afasta de mim este cálice

-

adaptado de um e-mail enviado pelo Jorge

 

 

 
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Terça-feira, 6 de Abril de 2010

O caminho da "entrega extraordinária" até à liberdade (The New York Times)

Vídeo em duas versões:

Muhammad Saad Iqbal was seized by the C.I.A. after 9/11, interrogated in a secret prison in Egypt, then sent on to Bagram Airbase and Guantanamo. This is a firsthand account of torture and rendition.

The New York Times


Para Ver e Ouvir:

As the US moves to shut down Guantanamo Bay, another detention facility at Afghanistan's Bagram airbase is being expanded amid fears that Washington is likely to press ahead with off-shore detention of "enemy combatants".

-

adaptado de um e-mail enviado a 2009-02-24 pelo Jorge
_
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Terça-feira, 22 de Dezembro de 2009

Obama recusa direitos constitucionais a detidos no Afeganistão...

...e expande a prisão de Bagram!

«As the US moves to shut down Guantanamo Bay, another detention facility at Afghanistan's Bagram airbase is being expanded amid fears that Washington is likely to press ahead with off-shore detention of "enemy combatants".»

Um desenho que mostra como Dilawar estava algemado ao tecto na sua célula. O autor, Thomas V. Curtis, é um ex-sargento na reserva da United States Army Military Police Corps.

In U.S. Report, Brutal Details of 2 Afghan Inmates' Deaths

adaptado de um e-mail enviado pelo Jorge


Nota: Embora datado de 21 de Fevereiro de 2009 este post mantém plena actualidade.

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Sábado, 19 de Dezembro de 2009

Um táxi para o inferno

      Dilawar era motorista de táxi nas montanhas do Afeganistão. Preso pelos militares em 2002, nunca mais regressou a casa. Morreu na prisão de Bagram, ao fim de cinco dias, sucumbindo à tortura. Partindo deste facto, Alex Gibney segue as pistas para dénunciar os actos de tortura sobre as pessoas suspeitas de «terrorismo», cometidas pelo exército dos EUA no Afeganistão, no Iraque ou em Gantánamo.

O filme lembra que a tortura, com os respectivos manuais, sempre fizeram parte dos métodos da CIA desde que esta foi criada há mais de 50 anos e explica que, mais recentemente, se estendeu de Bagram para Abu Ghraib e para Guantánamo (e outras prisões). Novos métodos foram ensaiados e Guantánamo passou a ser uma espécie de laboratório principal.

Este filme ganhou um óscar para o melhor documentário em 2007.

As versões aqui apresentadas têm durações diferentes.

Versão 1 (dobrado em castelhano)

Versão 2 (dobrado em francês)

    Um desenho que mostra como Dilawar estava algemado ao tecto na sua célula. O autor, Thomas V. Curtis, é um ex-sargento na reserva da United States Army Military Police Corps.

In U.S. Report, Brutal Details of 2 Afghan Inmates' Deaths

                                                                                              

Versão 3

Versão 4

Para Ver e Ouvir:

Para Ler: 

 Neste blogue:

adaptado de um e-mail enviado pelo Jorge

                                                                  

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Domingo, 30 de Agosto de 2009

Quem disse: «Eu quero que só um governo possua armas nucleares [os EUA]»?

    A frase no inglês original é «I only want one government to have nuclear weapons» e foi proferida mesmo no fim de uma entrevista em 29 de Julho de 2009.

Lembremos o tempo em que só os EUA possuiam armas nucleares:

Quem acertar no autor da frase e fizer uma redacção adequada sobre a mesma pode ganhar uma magnífica viagem (1) a um país exótico num hotel especialmente preparado para o acolher! O hotel está a ser inteiramente remodelado.

(1) Sim, mesmo com a mudança de administração a companhia não faliu. Veja aqui um folheto em português.

                                                                  

adaptado de um e-mail enviado pelo Jorge

                                                                      

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Sexta-feira, 28 de Agosto de 2009

Quem disse «os que usaram a tortura a mando da Casa Branca não devem ser perseguidos»?

Hipnosis - Josetxo Ezcurra

Não, não foi Obama. Em Obamês a frase do título traduz-se assim:

Não penso que seja apropriado perseguir aqueles que levaram a cabo algumas destas operações estritamente dentro das opiniões ou instruções legais que lhes foram fornecidas pela Casa Branca.

«For those who carried out some of these operations within the four corners of legal opinions or guidance that had been provided from the White House, I do not think it’s appropriate for them to be prosecuted. With respect to those who formulated those legal decisions, I would say that that is going to be more of a decision for the attorney general within the parameters of various laws, and—and I don’t want to prejudge that. I think that there are a host of very complicated issues involved there».


 

Resumindo, Obama disse a frase que está no título mas na sua própria linguagem rebuscada!

                                                                  

adaptado de um e-mail enviado pelo Jorge

                                                                    

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Sexta-feira, 21 de Agosto de 2009

As eleições farsa

     (...) porque mesmo à luz das «boas práticas democráticas», tão defendidas pelos EUA e a NATO para a realização de eleições «livres», estas «eleições» são uma anedota. Boletins de voto que são folhas A4 escritas à mão e que podem ser levantadas às dezenas por um único «eleitor»; «observadores internacionais» escolhidos a dedo e fechados nos complexos militares da NATO; a venda de oito mil cartões de registo falsos por 20 dólares; 220 postos de votação encerrados numa única província, são apenas alguns exemplos do insulto à inteligência e dignidade que são estas «eleições».

                     

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Sábado, 15 de Agosto de 2009

O Afeganistão tem História

    A guerra no Afeganistão intensifica-se. As tropas anglo-americanas e da NATO são cada dia mais numerosas e as operações militares atingem cada vez mais dramaticamente as populações civis. Ao mesmo tempo aumenta a resistência às forças de ocupação que no último mês sofreram o maior número de baixas de sempre. A braços com a crescente oposição à guerra nos seus próprios países, os invasores procuram convencer o mundo que agem no interesse do povo afegão. A escalada militarista em que, pela mão do Governo do PS e do Presidente da República, Portugal está a ser inquietantemente envolvido, é conduzida a pretexto da «segurança» das próximas «eleições». É sabido que tais afirmações não têm a mínima credibilidade. O que de há muito transformou o Afeganistão em alvo fundamental do imperialismo é a sua posição geo-estratégica e o petróleo da região. Mas nem por isso pode abrandar a desmistificação dos propagandistas da guerra.

 

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Terça-feira, 10 de Fevereiro de 2009

E a prisão era pior que a morte - porque era a tortura requintada e monstruosa

    (...) 

Um homem, ainda hoje vivo, constitucional, tinha sido ferido. De miséria em miséria, conseguira recolher-se, esconder-se num povoado, em casa de umas pobres mulheres velhas. Boa gente, piedosa, assustada, consumida pelos terrores do tempo. O homem convalescia.   

Começava a erguer-se, a vir à porta, ao sol, tiritar debilmente a sua fraqueza. Um dia as duas mulheres apareceram numa grande aflição. Tinha chegado ao povoado o Batalhão Sagrado. O homem fora denunciado. 

O Batalhão Sagrado era composto de padres armados de clavinas e foices. Era a guerrilha idiota do assassínio. Longe das suas igrejas, desembaraçados dos votos, na liberdade da serra e dos caminhos, ávidos como animais soltos, de clavina ao ombro, iam estes sacerdotes levando através das povoações - uns a cólera bestial do seu fanatismo, outros a violência animal da sua sensualidade, todos uma lúgubre e temerosa opressão. Eram temidos mais que todos os flagelos. Matavam e prendiam. E a prisão era pior que a morte - porque era a tortura requintada e monstruosa. As duas mulheres tremiam ao pé do doente. 

— Bem - disse ele - vossemecês em todo o caso não têm que temer. Se os padres vierem eu cá estou. Apresento-me, digo que estava aqui contra a vontade das senhoras. Atiram-me para um canto e acabou-se. Estou fraco, não me há-de custar muito morrer. Se dessem busca à casa e me achassem para aí escondido, davam cabo de mim da mesma maneira, e vossemecês padeciam. Assim é melhor. Eu cá estou. 

As mulheres choravam, queriam escondê-lo; o homem recusou com a indiferença de um vencido. Daí a pouco o Batalhão Sagrado, com grande ruído de armas, aparecia ao pé da casa, de batina arregaçada, cruz na mão, foice ao ombro. 

O homem saiu e disse tranquilamente: 

— Aqui estou, sou eu. - Então dois padres, aproximaram-se: cada um o tomou por um lado do rosto, pelas barbas, rindo, e com um empuxão terrível arrancaram-lhas! O homem caiu no chão. Os padres amarraram-no com cordas em cima de um macho, e partiram com ele vitoriosamente, cantando o Bendito, para as prisões de Almeida. A jornada durou dias. Era no Verão. Os ásperos caminhos ardiam de sol. O homem levava o rosto em chaga, com um contínuo suor de sangue. A poeira, o sol, calcinavam-lhe as feridas. Levava as mãos amarradas, e as moscas picavam-lhe a carne viva. Quando chegavam às tabernas, os padres atiravam ao homem um pedaço de pão. De vez em quando, por desfastio, espancavam-no, picavam-no com as pontas das baionetas. A inflamação fazia-lhe nas feridas uma dor pungente, que o pobre homem, domando o orgulho, pedia que lhe mitigassem com água fresca. Os padres então, com grandes risadas... Não pode ninguém escrever o que faziam os padres do Batalhão Sagrado, para refrescar aquelas feridas! Ao chegar à cadeia, atiraram-no para cima de uma esteira. 

Quando voltou a si, um homem estava debruçado sobre ele. Era um enfermeiro de acaso, um preso também, um compadecido daquela desgraça. Esse preso piedoso não era um vencido político. Era um assassino. - E foi ele que curou as chagas feitas pelos senhores padres do Batalhão Sagrado. 

In [Uma Campanha Alegre (Volume II: Capítulo XXVI- Guerrilhas carlistas. Batalhões sagrados), por Eça de Queirós]

 

 

                                                                        

adaptado de um e-mail enviado pelo Jorge

                                       

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