Sexta-feira, 9 de Setembro de 2016

Propaganda de guerra

Omran Daqneesh Alepo 2016-08

A foto da criança síria que alegadamente sobreviveu a um bombardeamento das forças governamentais encheu as primeiras páginas. Explorando os sentimentos que a foto naturalmente suscita, a campanha mediática adubou o terreno para maiores intervenções das potências imperialistas, responsáveis pela guerra na Síria. Mas em quase total silêncio passou a revoltante história doutra criança na Síria, degolada e decapitada por «rebeldes moderados» financiados e armados pelas potências imperialistas. Os carrascos gravaram orgulhosamente tudo em vídeo (versão legendada em inglês AQUI). No vídeo, os «combatentes pela liberdade» imperialista fazem troça da doença da criança, e quando o infeliz pede para ser morto a tiro e não degolado, afirmam em tom de chacota que «somos piores que o ISIL» e procedem à sua decapitação. A BBC referiu-se ao caso (21.7.16), mas titulando: «Conflito sírio: rapaz decapitado por rebeldes 'era combatente'» o que, convenha-se, mais parece uma tentativa de justificar a barbárie. As histórias das duas crianças têm até uma ligação directa. O fotógrafo da foto que fez manchetes tem também alegres selfies com os carrascos do jovem cuja decapitação não mereceu relevo na comunicação social de regime (off-guardian.org, 23.8.16). No início deste ano, o então ministro da Defesa de Israel, Moshe Ya'alon, deu razões para esta convivência com a barbárie: «Se na Síria a escolha é entre o Estado Islâmico [ISIL] ou o Irão, eu escolho o Estado Islâmico» (Times of Israel, 19.1.16). Há poucos dias, um professor universitário em Israel escreveu que «a continuação da existência do IS[IL] serve um objectivo estratégico. Por que se há-de ajudar o brutal regime de Assad a ganhar a guerra civil Síria?» (besacenter.org, 2.8.16). Os «valores ocidentais» convivem bem com a decapitação de crianças.

A propaganda bélica é feita de mentiras bem publicitadas. Muitos lembrar-se-ão da campanha em 2014 sobre uma alegada violação de águas territoriais suecas por um «submarino russo». Poucos saberão que no início deste Verão, o ministro da Defesa sueco confessou que «o sinal de sonar, que os militares suecos consideraram o indício crucial da presença dum submarino estrangeiro perto de Estocolmo durante as buscas de 2014, era proveniente dum 'objecto sueco'» (RT, 12.6.16). A campanha serviu no entanto para «justificar um aumento de muitos milhões de dólares nas despesas militares» e para promover a adesão da Suécia à NATO. Também o Ministério da Defesa britânico acabou por reconhecer (em resposta à Câmara dos Comuns, HCWS177, 7.9.15) que os danos a uma embarcação de pesca no Mar da Irlanda em Abril de 2015 não tinham sido, como a comunicação social na altura se encarregou de repetir, obra dum submarino russo, mas sim «dum submarino do Reino Unido». Mas, tal como na recente ilibação de Milosevic, a comunicação social de regime não encontra espaço para desmentir as falsas informações das suas manchetes.

Talvez pelas contradições nas negociações do TTIP, a revista alemã Der Spiegel (28.7.16) também se queixa das mentiras de guerra. Acusa «uma rede clandestina de agitadores ocidentais, em torno do dirigente militar da NATO [General Breedlove], de alimentar o conflito na Ucrânia», através de «fontes duvidosas» que «exageram as actividades russas». Como diz o ditado, quando se zangam as comadres, sabem-se (algumas) verdades. No fim, o artigo diz que «a saída do General Breedlove do seu cargo na NATO não acalmou ninguém […] A provável sucessora [de Obama], a democrata Hillary Clinton, é considerada da linha dura face à Rússia. Mais: [Victoria] Nuland, uma diplomata que partilha muitos dos mesmos pontos de vista de Breedlove, poderá vir a ocupar um lugar ainda mais importante após as eleições de Novembro [como] ministro dos Negócios Estrangeiros». A guerra é indissociável do imperialismo. E as mentiras são indissociáveis da propaganda de guerra.

(sublinhados meus)

AQUI

 

Para Ler:

 

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Sexta-feira, 2 de Dezembro de 2011

Dois milhões de britânicos em greve

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Mais de dois milhões de trabalhadores britânicos do sector público cumpriram no dia 30 uma greve que afectou boa parte da actividade económica do Reino Unido. Numa tentativa de intimidar e desmobilizar os grevistas, o governo conservador-liberal afirmou que a greve poderia custar cerca de 500 milhões de libras (582 milhões de euros) e causar a perda de empregos.

Em tom de ameaça, o secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros, Francis Maude, afirmou, dia 24, que «se perdermos uma boa parte da produção é difícil ver como é que isso não se traduzirá em perda de empregos».

O exercício foi de imediato desvalorizado pelo secretário-geral do Trades Union Congress (TUC), Brendan Barber, qualificando-o de «fantasia económica».

A poderosa estrutura, que representa 58 dos principais sindicatos do país, esperava uma adesão massiva à paralisação. De facto esta afectou escolas, hospitais, aeroportos e a generalidade dos serviços públicos. Realizaram-se mais de mil manifestações em todo o Reino Unido.

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Quarta-feira, 1 de Dezembro de 2010

Muros, valas, arame farpado e barreiras electrificadas: Israel começou a construir uma barreira com o Egipto


«Em Israel, começaram os trabalhos para a construção de uma barreira de alta tecnologia, a ser instalada ao longo da Península do Sinai, nos mais de 200 quilómetros que separam o país do Egipto.

A divisão será erguida apenas nos locais de fácil acesso a pé e custará 271 milhões de euros, de acordo com o projecto anunciado em 2008, que contempla a instalação de radares

adaptado de um e-mail enviado pelo Jorge

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Segunda-feira, 15 de Novembro de 2010

Mais contributos para o assassinato da democracia

Timisoara, Roménia, no final de 1989: «Pela primeira vez na história da humanidade, cadáveres acabados de enterrar ou alinhados nas mesas das morgues foram desenterrados à pressa e torturados para, em frente das câmaras, simular o genocídio que devia legitimar o novo regime. O que o mundo inteiro teve debaixo dos olhos em directo nos ecrãs da televisão, como sendo verdade era a não verdade absoluta; e embora a falsificação por vezes fosse evidente, era de qualquer modo autenticada como uma verdade pelo sistema mundial dos meios de comunicação, para que se tornasse claro que a verdade passara a ser apenas um momento do movimento necessário da falsidade». Palavras de Giorgio Agamben, filósofo, que não é propriamente um crítico da ideologia dominante. O chamado «massacre de Timisoara» ficará nos anais da história como o exemplo de mais uma página vergonhosa da actuação da comunicação social dominante.

Mas a saga não pára! Sabemos que o que se silencia é, na maior parte das vezes, tão ou mais importante do que o que se publica. A palavra de ordem do momento é «o que não se sabe é como se não existisse».

Honduras 28 de Julho de 2009, um golpe de estado militar derruba o presidente democraticamente eleito Manuel Zelaya. Uma consulta sem força de lei foi transformada em referendo. A CNN e a BBC difundem para todo o mundo que o golpe era legal porque o referendo (que era consulta) era ilegal. Assunto encerrado e quanto menos se falar dele melhor. O bloqueio informativo estava montado. Desde o golpe, em 17 meses, foram assassinados mais de mil hondurenhos. Dos quais 10 eram jornalistas. Onde estava a comunicação social dominante?

Colômbia 2010, só durante os primeiros 75 dias de mandato do novo presidente, Juan Manuel Santos, 22 activistas políticos e sociais, um jornalista e um juiz foram assassinados no país. Em 2010, já foram assassinados 37 sindicalistas, 201 foram ameaçados, 5 encontram-se desaparecidos, 1 foi detido e 20 foram alvo de atentados. Cerca de 60 por cento dos sindicalistas assassinados no mundo são colombianos. A maior vala comum da América Latina foi encontrada neste país, em Macarena. Ali estavam depositados mais de 2 mil cadáveres. Suspeita-se que sejam de jovens aliciados para trabalhar e, posteriormente, executados pelo exército e apresentados à comunicação social como se de guerrilheiros das FARC se tratasse. Na Colômbia existem mais de 7500 presos políticos.

E se estes acontecimento tivessem ocorrido em Cuba, ou na Venezuela, ou na Bolívia, ou …?

Portugal 2010. Um órgão de comunicação social, dito de referência, não comparece em qualquer iniciativa do PCP entre as eleições autárquicas de 2009 e Abril 2010. Nem a uma! De silêncios e omissões é feita a discriminação do PCP na generalidade da comunicação social dominante. E nem o facto de 4 jovens raparigas, menores, militantes de JCP terem sido integralmente despidas numa esquadra da PSP em Lisboa parece alterar os «critérios jornalísticos» em prática.

No nosso país, mais de uma centena de órgãos de comunicação social estão nas mãos de cinco grandes grupos económicos. Será que o intrigante facto de nenhum órgão de comunicação social, nem os especializados em assuntos de economia, dissecar os agora omnipresentes e omnipotentes «mercados financeiros» tem alguma coisa a ver com este facto?...

Não lhes interessa o conteúdo e a forma do conceito que papagueiam acriticamente todos os dias? Porque não dão a conhecer os rostos e os nomes dos administradores e accionistas dos bancos, seguradoras, empresas de especulação financeira, aqueles que, de jure e de facto, constituem «os mercados»? E dos accionistas de referência dessas mesmas empresas? Porquê?

Nota final: para quem não sabe recorde-se que o PCP difunde mais de mil posições públicas por ano (só dos seus organismos centrais ou estruturas nacionais)…

Especialista em Sistemas de Comunicação e Informação

In jornal "Público" - Edição de 12 de Novembro de 2010

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Terça-feira, 11 de Maio de 2010

Quer entender a trafulhice dos círculos uninominais? Pergunte a Bagão Félix!

No programa da Antena 1 «CONSELHO SUPERIOR» intitulado «Bagão Félix analisa o complexo sistema eleitoral britânico» pode ser ouvida a voz «autorizada» do ex-ministro. Ouça logo o início em wma, ou em mp3.

[Mas, passada a explicação inicial, logo tece elogios ao sistema britânico! Coerências...]

Resultados das eleições no Reino Unido:

  • Conservadores: 47,8% dos deputados com 36,1% dos votos.

  • Trabalhistas: 39,8% dos deputados com 29,0% dos votos.

  • Liberais Democratas: 8,8% dos deputados com 23,0% dos votos.

  • Outros: 4,3% dos deputados com 11,9% dos votos.

Todos os resultados:

Por isso Salazar dizia, a propósito das eleições de 18 de Novembro de 1945: « não fazemos eleições por ser moda ... e as eleições são absolutamente livres, tão livres como na livre Inglaterra». Capisce?

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adaptado de um e-mail enviado pelo Jorge

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Terça-feira, 23 de Março de 2010

Sr. Bispo (...) vimos humildemente pedir a V. Exª (...) que açame os seus padres!

      A frase do título foi "roubada" ao seguinte texto de Eça de Queirós 

Uma Campanha Alegre (Volume II: Capítulo IV: Epístola ao sr. bispo do Porto, a respeito dos maus sacerdotes), por Eça de Queirós.

Vem isto a propósito de quê? Dos persistentes casos de pedofilia que envolvem padres católicos ao longo de décadas e décadas até aos dias de hoje.

     Ouçamos o que tem para nos dizer o o bispo auxiliar de Lisboa, D. Carlos Azevedo:

Bispo Auxiliar de Lisboa afirma que abusos sexuais a menores envergonham a Igreja Católica.

Ouviram «a maior parte das situações que são referidas são de há 20 anos, de há 30 anos»? Desculpe a franqueza, sr. bispo, mas as suas palavras mostram que, nesta matéria, a Igreja Católica continua a mentir e não ter vergonha nenhuma.

Nas seguintes declarações à LUSA o bispo persiste: 

D. Carlos Azevedo diz que abusos sexuais «envergonham» a Igreja.

 «A maior parte das situações é de há 30 ou 40 anos», ressalva D. Carlos Azevedo. Mas, sr. bispo, só em 2007 há, pelo menos, seis padres denunciados:

MP indiciou 10 padres por pedofilia entre 2003 e 2007 O estudo ‘Abusadores Sexuais – Uma perspectiva Neuropsicológica’ revela que entre 2003 e 2007 podem ter sido cometidos 10 crimes de pedofilia por padres, em Portugal. É este o número de sacerdotes indiciados pelo Ministério Público nesse período, revelado pela edição de hoje do i (...) O número é apontado por um estudo de Nuno Pombo, da Policia Judiciária (PJ), que investigou os 5128 casos denunciados nesses cinco anos. (...) Se em 2004 não há registo de qualquer denúncia relativa a padres, 2007 é o ano em que foram indiciados mais sacerdotes: seis.

     E o Vaticano está metido até ao pescoço no encobrimento desta porcaria, desde o papa Wojtila (João Paulo II), pelo menos, com o total envolvimento do actual papa Ratzinger (Bento XVI). E são estes dois que muita gente quer fazer passar por santos! Isto vem tudo no documentário do programa Panorama BBC de 2006:

Em português:

Este programa passou no último fim-de semana (20/21) na SIC Notícias. 

Publicado neste blogue:

adaptado de um e-mail enviado pelo Jorge

                                                                    

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Terça-feira, 2 de Março de 2010

Uma posição estranha...

     «Está de acordo em que, nas eleições gerais de Novembro de 2009, seja instalada uma quarta urna para decidir sobre a convocação de uma Assembleia Nacional Constituinte destinada a elaborar uma nova Constituição política?» 

Foi esta tentativa de consulta popular a 28 de Junho – sem força de lei sublinhe-se – apoiada pelas assinaturas de mais de quatrocentos mil cidadãos, que serviu de pretexto ao golpe de estado militar nas Honduras.

A partir daqui a actuação da comunicação social dominante ficará nos anais da história como o exemplo de mais uma página vergonhosa (a par da BBC em 1965 na Indonésia, da TV pública francesa em Timissoara na Roménia, ou da maioria da comunicação social australiana aquando da invasão de Timor Leste em 1975, para só citar estes).

Uma consulta sem força de lei foi transformada em referendo. O facto de, eventualmente, se realizar um refendo em Novembro para a formação de uma Assembleia Constituinte, foi metamorfoseado em pretensão de segundo mandato presidencial. Escamoteando que o refendo decorreria em simultâneo com a eleição presidencial, o que impossibilitava tal facto.

Mas o mote estava lançado, com CNN e BBC a difundirem para todo o mundo que o golpe era legal porque o referendo (que era consulta) era ilegal. Assunto encerrado e quanto menos se falar dele melhor. O bloqueio informativo, na feliz expressão do Presidente da Nicarágua Daniel Ortega, estava montado.

Um presidente violentamente sequestrado durante a madrugada por militares encapuzados, seguindo à letra as normas do Manual de Operações da CIA e da Escola das Américas para os esquadrões da morte. Agressões a embaixadores de estados soberanos. Uma carta de renúncia apócrifa divulgada a fim de enganar e desmobilizar a população (e que foi de imediato retransmitida para todo o mundo pela CNN sem confirmar previamente a veracidade da notícia). A reacção do povo que sai às ruas para deter os tanques e os veículos do Exército e exigir o retorno de Manuel Zelaya à presidência. O corte da energia eléctrica para impedir o funcionamento da rádio e da televisão e semear a confusão e o desânimo. A instalação pelos golpistas de um novo presidente: Roberto Micheletti.

A estes factos chamou a CNN uma «sucessão forçada»… 

Multidões nas ruas. Brutal repressão. Condenação unânime do golpe na Assembleia-geral da ONU e na reunião da Organização dos Estados Americanos (OEA). Silenciamento dos jornais, rádios e televisões. Tentativa de regresso às Honduras do presidente eleito acompanhado pelo Presidente da Assembleia-geral da ONU. Marcha pacífica de apoio. Repressão, prisões, mortos.  

Sobre tudo isto em Portugal, a comunicação social em geral e os jornais em particular, passaram como gato sobre brasas. Umas linhitas. Algumas fotografias (poucas). Nada de grandes títulos. Houve mesmo uma rádio nacional que em que o povo nas ruas foi reduzido a «alguns populares», a carga da tropa sobre cidadãos desarmados que provocou mortos apelidada de «confronto», os militares golpistas promovidos a «forças da ordem». 

Quanto aos comentadores e analistas de serviço, quase que não produziram comentários ou análises. 

Especialista em Sistemas de Comunicação e Informação

(sublinhados acrescentados em 2 de Março de 2010)

                                                                                                                                                                       

In jornal "Público" - Edição de 10 de Julho de 2009

                                                                                        

É esta realidade que Tomás Vasques (e não só) esquece, ou ignora, ou sobre a qual tem «uma posição estranha».

                                                                                                                                

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Sexta-feira, 1 de Janeiro de 2010

Norte-americanos pagam crise - Governo dá milhões ao capital

     Neste contexto, não é de estranhar que os lucros do capital batam recordes dos últimos cinco anos. Segundo o Departamento do Comércio, os lucros das empresas deverão subir este ano 10,8 por cento. A contribuir para o sucesso do capital, está, igualmente, a pressão sobre os salários dos trabalhadores e o aumento da exploração. Estimativas oficiais asseguram que o custo do factor trabalho diminuiu, em média, 2,5 por cento em 2009, ao passo que a produtividade cresceu 8,1 por cento.

(sublinhados meus)

                                                                          

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Terça-feira, 22 de Dezembro de 2009

Obama recusa direitos constitucionais a detidos no Afeganistão...

...e expande a prisão de Bagram!

«As the US moves to shut down Guantanamo Bay, another detention facility at Afghanistan's Bagram airbase is being expanded amid fears that Washington is likely to press ahead with off-shore detention of "enemy combatants".»

Um desenho que mostra como Dilawar estava algemado ao tecto na sua célula. O autor, Thomas V. Curtis, é um ex-sargento na reserva da United States Army Military Police Corps.

In U.S. Report, Brutal Details of 2 Afghan Inmates' Deaths

adaptado de um e-mail enviado pelo Jorge


Nota: Embora datado de 21 de Fevereiro de 2009 este post mantém plena actualidade.

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Segunda-feira, 7 de Dezembro de 2009

Quem disse que «os EUA deviam continuar o seu esforço de guerra e acabar o trabalho»?

     Foi George Brown, político britânico dos anos 60 que chegou a Ministro dos Negócios Estrangeiros, aquele que disse a frase do título há mais de 40 anos e a propósito da guerra do Vietnam: «Immediately after the news of the My Lai massacre broke into the headlines in the United States and Great Britain, Mr George Brown gave an interview, on the BBC’s The World at One, in which, as a former Foreign Secretary, he defended the Americans and urged them to ‘finish the job’ in Vietnam.»

Eis um fragmento da resposta de Bertrand Russell escrita há 40 anos exactos:

«Mr Brown revealed all too clearly his attitude to the war: 1. The United States should continue its war effort and finish the job. (With Goldwater, Mr Brown asks: ‘Why not victory?’) Any interruption of this task is described as American ‘weeping’ and must be stopped. 2. A US defeat in Vietnam would be a threat to freedom’. Mr Brown wants a ‘free South Vietnam; free, I mean, to choose its own decisions’. How grotesque!» 

Em resumo, para George Brown, os EUA deviam continuar o seu esforço de guerra e «acabar o trabalho» no Vietnam, porque uma derrota significaria uma ameaça para a paz. «Que grotesco!», comentou Bertrand Russell.

As palavras de George Brown são repetidas agora, letra por letra, a propósito do Afeganistão, por muito «boa gente». Que grotesco!

     Mais recentemente, foi o Prémio Nobel da Paz de 2009, Barack Obama, que disse que queria «acabar o trabalho» no Afeganistão... Nem uma só vez pronunciou a palavra «guerra», mas é disso que se trata: enviar mais tropas e intensificar os massacres no Afeganistão e no Paquistão. Não é deste Prémio Nobel da Paz que necessitamos... 

In BBC News - Obama says he wants to 'finish the job' in Afghanistan

President Obama on Afghanistan (tem a transcrição da conferência de imprensa)

O vídeo seguinte mostra o momento em que Obama manifesta a sua intenção de «acabar o trabalho», começando e acabando com o seu costumeiro e forjado sorriso(1). Será que para anunciar que vai continuar a bombardear o Afeganistão, que vai mandar para lá mais soldados, que vai matar mais gente (em suma, que vai «acabar o trabalho»), tem de fazê-lo a sorrir porque «é preciso que haja algum humor»

Pedro Méndez Suárez - humor gráfico IV

 

Cangalheiro 1: Diz-se que o presidente duplicará as tropas no Iraque.

Cangalheiro 2: Temos de estar preparados para triplicar o nosso serviço.

Isto era no Iraque. No Afeganistão a proporção deve ser idêntica...

      (1) O riso estudado de Obama:

«Jornalista da CBS: O senhor está aqui sentado. E o senhor - - ri-se. O senhor ri-se de alguns destes problemas. As pessoas vão olhar para isto e dizer: "Pois, ele está ali sentado só a fazer piadas sobre dinheiro". Como é que o senhor responderia, quer dizer, explicaria... 

OBAMA: Bem...

Jornalista da CBS: ...a sua disposição e as suas gargalhadas.

OBAMA: Sim, quer dizer, é preciso que haja...

Jornalista da CBS: O senhor perdeu o juízo?

OBAMA: Não, não. É preciso que haja algum humor (RISOS) ao longo de um dia

In Transcript: President Obama, Part 2 - CBS News 

Neste blogue:

adaptado de um e-mail enviado pelo Jorge

                                                                      

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