Sexta-feira, 23 de Outubro de 2015

O meu pai era «Amílcar»? (entrevista à TSF)

Sérgio Vilarigues 1940

Sérgio Vilarigues, quando foi libertado do Tarrafal em 1940

(a foto que a PIDE se esqueceu de tirar...)

 

Maria Alda Nogueira.jpg

António Vilarigues é filho de dois históricos comunistas: Sérgio Vilarigues e Maria Alda Nogueira. Tem memórias curtas, de apenas quatro anos e meio de vida em família.

 

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Domingo, 8 de Março de 2015

Direitos da mulher - Defesa da democracia e luta contra o fascismo

Maria Alda Nogueira.jpg   Maria Alda Nogueira nasceu a 19 de Março, faz agora 92 anos. Lembremos resumidamente o percurso desta destacada militante comunista empenhada na luta pela democracia e emancipação do povo português. Luta que atravessou o fascismo, a Revolução de Abril, o processo revolucionário que se seguiu, e o processo de recuperação capitalista iniciado a partir de 1976, e em que Maria Alda sempre interveio integrando a defesa dos direitos das mulheres e a sua aspiração de emancipação social.

Alda Nogueira deixou-nos a 5 de Março de 1998, mas o seu exemplo perdura vivo e afirma a actualidade da luta no presente em prol das gerações futuras.

Ler texto integral

 

Publicado neste blog:

As suas cinzas foram lançadas à terra, como era seu desejo expresso, a 8 de Março de 1998


19 de Março de 1923 - 5 de Março de 1998

 

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Segunda-feira, 12 de Maio de 2014

Convite - «Por teu livre pensamento» em Lisboa - 15/5 22h00 na Plataforma Revólver

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Caríssimos,

Em plenas celebrações dos 40 anos da nossa querida revolução de Abril, que teima em deixar-nos saudosistas é com um enorme prazer, vos convido para a abertura no próximo dia 15 para a exposição "Por teu livre pensamento" de onde resultou o meu primeiro livro em co-autoria com o Rui Daniel Galiza, onde retratamos 25 ex-presos politicos portugueses.

Este trabalho foi exposto apenas no Centro Português de Fotografia, no Porto em 2007 e na Point of View Gallery em Nova Iorque em 2008, e por isso achei que seria uma boa altura para o mostrar pela primeira vez em Lisboa, e a Plataforma Revólver aceitou de imediato a ideia.

A inauguração será no dia 15 de Maio às 22h na Rua da Boavista nº84 em Santos, Lisboa.

Espero poder contar com a vossa presença, e estarei lá para vos receber.

Um grande abraço do outro lado do Atlântico.

Joao Pina

Actualmente no Brasil

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Quarta-feira, 10 de Setembro de 2008

A Fuga de Caxias

    No dia 4 de Dezembro de 1961, oito destacados militantes comunistas evadiram-se do Reduto Norte da prisão de Caxias num carro blindado, perante o olhar impotente dos carcereiros.

 

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Segunda-feira, 30 de Junho de 2008

Hino de Caxias

                                                                                   

"Esta música, cuja letra e música é da autoria colectiva dos presos políticos em Caxias é um dos hinos da Resistência ao fascismo, aqui cantada numa Festa Comício do PCP em 1977".

                           

                                                                                                

Para ver e ouvir o «Hino de Caxias» clicar AQUI      

                                                                                                 

 

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Sexta-feira, 28 de Março de 2008

Maria Alda Nogueira: Uma mulher, Uma vida, Uma história de amor (X)

   Conclui-se hoje o que se iniciou no dia do 85º aniversário do seu nascimento [19/03]: a transcrição integral de um texto da autoria de Helena Neves, com edição do Movimento Democrático das Mulheres (MDM) sobre Maria Alda Nogueira. Foi publicado em 1987 por ocasião da entrega pelo MDM da Distinção de Honra, numa homenagem a uma vida dedicada à defesa da igualdade, da justiça social e da paz.

       

(conclusão)

Encontros e retornos de uma mulher


ABRIL E DIAS QUE DE SI VÊM

          

É na clandestinidade, mas ausente na Bélgica, com o estatuto de refugiada política, que Alda Nogueira recebe a nova de seu país liberto, a notícia do povo nas ruas, das armas depostas na guerra, da paz a nascer nos rostos, no sono tranquilo das manhãs tranquilas, nas vozes soltas das mulheres, no tempo de todas as esperanças e alegrias consentidas.

Alda Nogueira regressa então. Ao país. Ao bairro, ao Largo de Alcântara. A casa. Revê a escola, a rua onde a avó a aguardava e detinha em cada tarde, o prédio onde vivia essa amiga tão querida, a Helena. A casa está quase vazia de gente, mas a memória habita-a, recheia-a, rompe os silêncios, a solidão. E no bairro, há de novo um outro som, uma outra agitação, a da fala, a do encontro sem cautelas.

Alda Nogueira regressa para a luta. Pelos direitos da mulher. E por um outro tempo que este apenas avizinha.

Membro do C.C. do PCP, é deputada de 1975 a 1985, Presidente da Comissão Parlamentar da Condição Feminina de 1983 a 1985, ela permanece activa, interveniente, inquieta.

Membro do Conselho Nacional de Mulheres Portuguesas, é também e ainda no combate pela libertação da mulher que se move – faz mover outras mulheres – com paixão, empenhamento constantes.

Colabora no Suplemento “A Mulher” do Diário.

Publica os livros infantis escritos ou imaginados na prisão: “Viagem numa Gota de Água” e “Viagem numa Flor” e tem no prelo “As coisas também se zangam” com ilustrações de Ana Maria Cunhal.

Tem 64 anos. E toda uma vida à frente. Basta olhá-la. Ouvi-la. Encontrá-la na Gulbenkian, no teatro ou no cinema – esse vício ganho na juventude graças a um pai liberal que autorizava a sua ida sozinha às salas escuras num tempo em que tal se não usava em meninas. Basta vê-la com a última obra de Margueritte Yourcenar, ou de Margueritte Duras, ou de Saramago, na mão. Ouvi-la discordar. Contestar. Subverter enfim.

«Considero-me feliz e realizada, embora haja lacunas. Há aspectos em que fui defraudada, mas quem não foi, quem de nós que vivemos a maior parte da nossa vida sob o fascismo?

Como mãe, o meu filho compensa-me do que eu sonharia

Como mulher, guarda recordações inesquecíveis.

«Descobri coisas que nem sequer pensava ser possível descobrir. Trabalhei e conheci pessoas extraordinárias.

Penso que só numa sociedade em que todos tenham acesso a tudo, a mulher poderá acabar com as discriminações. É um processo lento e não compensatório. Há problemas que não vão estar resolvidos tão cedo. Estou metida neste processo, não verei o seu fim, mas a minha preocupação é dar a conhecer às jovens de hoje, o que as mulheres fizeram. E tanto que foi!»

É uma mulher viva. E cheia de vida!

Tem 64 anos. Dou por mim sempre a pensar nela como se fosse uma mulher da minha geração.

              
Helena Neves
                
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Quinta-feira, 27 de Março de 2008

Maria Alda Nogueira: Uma mulher, Uma vida, Uma história de amor (IX)

   Iniciou-se no dia do 85º aniversário do seu nascimento [19/03] a transcrição integral de um texto da autoria de Helena Neves, com edição do Movimento Democrático das Mulheres (MDM) sobre Maria Alda Nogueira. Foi publicado em 1987 por ocasião da entrega pelo MDM da Distinção de Honra, numa homenagem a uma vida dedicada à defesa da igualdade, da justiça social e da paz.

       

(continuação)

Encontros e retornos de uma mulher


A LIBERDADE AINDA AUSENTE

          

A saída era como que um renascer. Mas doloroso. Dolorosamente vivido. Um reaprender dos gestos, do próprio andar, da vivência com os outros:

«O tempo tem uma contagem conforme se vive mais ou menos os acontecimentos. Ao fim de cinco anos de cadeia deixamos de ter a noção dos dias. O tempo deixa de contar. A sensação de sair liberta sozinha foi horrível. Eles tinham dito que eu saía e eu disse ao meu irmão para estar lá à minha espera. Anteciparam 24 horas e sai só, com duas malas grandes, num mundo que tinha mudado tanto.

À porta da António Maria Cardoso foi horrível, não podia com as malas. Meti-me no eléctrico até à Rua do Ouro. Aí, meti-me num táxi e disse ao homem para me levar a Alcântara, ao Largo do Calvário.

Eram destruidores, malvados até ao fim. Quando saí tinha dificuldade em andar. Lembro-me de ir na rua com o meu filho e parecia-me ter um tapete rolante que me levava a cair. Fez-me muita impressão ver as pessoas juntas num eléctrico, num autocarro. Sentia as pessoas com um ar muito triste. O primeiro filme que fui ver o “Romeu e Julieta”. Quando veio o intervalo e vi todas as pessoas juntas, fiquei agoniada e vomitei o jantar todo e tive de me vir embora.»

A vertigem dos espaços abertos. Sem grades. E o roçar da gente que vai ao nosso lado ou atrás de nós e passa à frente, e não é, afinal, um inimigo, como temíamos no coração feito pássaro de susto. Mas pode ser também a inocência no rosto apenas máscara, disfarce, armadilha.

«A maior partida não foi o amor que ma pregou, mas sim o fascismo. Se um homem andava atrás de mim, pensava logo que era PIDE.»

Em liberdade condicional, mas constantemente vigiada e perseguida, Alda vê-se forçada a retomar a clandestinidade, o risco maior da luta.

(continua)

            

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Quarta-feira, 26 de Março de 2008

Maria Alda Nogueira: Uma mulher, Uma vida, Uma história de amor (VIII)

   Iniciou-se no dia do 85º aniversário do seu nascimento [19/03] a transcrição integral de um texto da autoria de Helena Neves, com edição do Movimento Democrático das Mulheres (MDM) sobre Maria Alda Nogueira. Foi publicado em 1987 por ocasião da entrega pelo MDM da Distinção de Honra, numa homenagem a uma vida dedicada à defesa da igualdade, da justiça social e da paz.

       

(continuação)

Encontros e retornos de uma mulher


A PRISÃO
             

E em 1959 é presa. Abruptamente. Num táxi cujo motorista tenta salvá-la, em vão, da perseguição da PIDE. «O carro da PIDE vinha lá muito atrás, mas o polícia desceu e correu em direcção ao táxi. Conseguiu chegar a tempo de dizer ao sinaleiro que o “chauffeur” vinha de há muito infringindo as regras de trânsito, e entrou para o meu táxi. Começámos a barafustar, juntou-se gente, houve uma certa confusão, e eu aproveitei para dizer às pessoas quem era, a minha morada e o meu telefone. E pedi-lhes que avisassem a minha família. O “pide” mandou seguir o táxi para a António Maria Cardoso, e não houve outro remédio senão obedecer.

Entrei na António Maria Cardoso às nove horas da noite, e soube posteriormente que às onze horas do mesmo dia, a minha família já estava em Caxias a reclamar para me falar. Isso espantou muito a Polícia, pois, sabendo eles que eu estava na clandestinidade, não percebiam como é que os meus familiares tinham tido tão rapidamente a notícia da minha prisão. Não há dúvida de que alguém tinha muito prontamente transmitido o meu recado

Ficará presa desde Outubro de 1959 até Dezembro de 1969. Será a primeira mulher condenada a 8 anos de prisão maior e medidas de segurança, a mulher com mais anos seguidos numa única prisão.

Dez anos. Longos, longos. Sofridos e intensos. «Na prisão retiraram-me os melhores anos da minha vida. Entrei com 35 anos, saí com 45 anos

É logo nos primeiros dias de prisão, quando incomunicável, que Alda imagina a primeira história infantil, que termina já em liberdade e publicará em 1977: «A viagem numa Gota de Água

Uma escrita que corresponde à recordação do filho e de outras crianças atravessando docemente a sua memória – com a mesma doçura que haviam atravessado a vida.

«Estou convencida que foi das perguntas que meu irmão e meu filho em pequenos me fizeram: Para onde vai o Sol quando vem a noite? Para onde vai a água? O que é o Céu? etc., etc., - que nasceu em mim o desejo de explicar às crianças de forma a que elas compreendessem alguns fenómenos da vida, da terra, da natureza, e me pus a escrever livros para elas

E que corresponde também à necessidade de sobreviver, sem desespero, à incomunicabilidade. «Quando estávamos completamente isoladas, só tínhamos o pente, o prato, o púcaro e pão. Nem lápis, nem papel, nem caneta. Deixaram-me ficar o bâton, que me serviu para fazer na mesa um jogo de xadrez com bolinhas de pão. Cada pessoa tentava enfrentar esta situação de isolamento. Eu entrei no caminho da recriação. Trazia para a minha mente coisas que me afastassem da realidade

Esta fuga ela vai exercitá-la indefinidamente. Nos interrogatórios. Nas horas pesadas de solidão da cela.

«As primeiras 24 horas são as mais difíceis, depois espera-se tudo. Também nos interrogatórios, eu imaginava como seria o Minho socialista ou esta ou outra terra, e desligava do que eles estavam para lá a dizer. Eles apercebiam-se e batiam com a gaveta. Isto foi uma espécie de defesa. Eu ia para outro mundo e imaginava una história para crianças.

Quando saí da incomunicabilidade tinha a história toda escrita na minha cabeça e uma das primeiras coisas que fiz foi passar a papel aquelas ideias, imaginei o desenho. Isto foi o alimento intelectual para este período. Havia também uma preocupação de dar ao inimigo uma imagem de que não estava de rastos, nem estava abatida, de que estava bem. Eu que sou desafinada e não gosto de ouvir a minha voz, cantava o dia todo – “Rosa arredonda a saia” – e o guarda foi dizer ao director que eu devia estar maluca.

Pois foi assim que comecei a imaginar histórias… Escrevi, então, “A viagem numa Gota de Água”. Quanto à outra, “A Viagem numa Flor”, quando saí da cadeia já a tinha mais ou menos escrita, mas só depois é que a concluí

E na prisão, ao longo desses longos dez anos, Alda faz novas amigas, companheiras e dias lentos, como se imóvel o tempo, iludindo com jogos, leitura, cursos, a angústia à espreita, o desespero mesmo.

«Estive com várias amigas durante muitos anos – a Sofia Ferreira, Ivone Dias Lourenço, Maria da Piedade, Aida Paula, Matilde bento, Maria Luísa Costa Dias e tantas outras. Passámos por várias situações. Houve salas com beliches (10 ou 12 pessoas) e outras menores. Dividíamos o dia em duas partes. De manhã levantávamo-nos e tínhamos de correr para tomar o banho quente (com o tempo contado e só uma por casa de banho). A inspecção e a contagem eram às 8H. Recebíamos um jornal diário – o Século – e líamos em colectivo. À volta da mesa fazíamos os nossos trabalhos. Fiz então as camisolas todas do meu filho, saias para a minha mãe, pegas para a cozinha, essas coisas… A Ivone fazia bonecas, caixas e outras coisas interessantes. Elas foram-me ensinando. A visita era às 10H, em geral de meia hora. Depois trocávamos as notícias… que não eram muitas pois a vigilância era muito grande. Almoçávamos. Repousávamos. E retomávamos o trabalho

Um trabalho ainda e sempre solidário…

«Passavam pelas prisões pessoas analfabetas e outras com cursos. E umas ensinavam às outras. Tínhamos cursos de matemática, ciências, português, línguas e história.

Depois tínhamos o recreio. Inicialmente davam-nos apenas 15 minutos, mas lutámos e chegámos a ter 1 hora. Uma hora num terraço por cima da cela, uma cela sem telhado.!...

Na prisão retiraram-me os melhores anos da minha vida

Irreversivelmente. «As pessoas mudavam os caracteres. Aquilo tinha tudo um efeito destruidor. As celas mediam 4m por 4m, contando com a casa de banho

Mas teimando em resistir.

E conseguindo-o.

Conseguindo mesmo a festa, o riso. Ou o seu similar, que importa?

O certo é que resistiam…

«Nas salas grandes fazíamos teatro, caricaturávamo-nos umas às outras, na brincadeira. Tínhamos direito a meia hora de gira-discos. A mim proibiram-me de ouvir uma sinfonia porque era tocada pela orquestra de Leninegrado. Os nossos tempos livres tinham grandes animadoras, cantava-se o fado. E cantigas de infância até!» As mulheres pides não tinham prática. Eram muito ignorantes e tinham uma certa mesquinhez e quando eram más, eram piores que os homens

No desfiar da memória, permanece um olhar magoado. Húmido.

(continua)

                  
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Terça-feira, 25 de Março de 2008

Maria Alda Nogueira: Uma mulher, Uma vida, Uma história de amor (VII)

   Iniciou-se no dia do 85º aniversário do seu nascimento [19/03] a transcrição integral de um texto da autoria de Helena Neves, com edição do Movimento Democrático das Mulheres (MDM) sobre Maria Alda Nogueira. Foi publicado em 1987 por ocasião da entrega pelo MDM da Distinção de Honra, numa homenagem a uma vida dedicada à defesa da igualdade, da justiça social e da paz.

       

(continuação)

Encontros e retornos de uma mulher


A CLANDESTINIDADE
       

É na Faculdade que entra para o Partido Comunista Português. A sua ânsia de transformação da vida não se esgota no estudo nem nas outras actividades de intervenção, Maria Alda sente necessidade de outros horizontes, outras formas de luta. E risco.
Em 1949 entra na clandestinidade e vai trabalhar na redacção do «Avante!».
Acredita, no entanto, que será por pouco tempo.
O seu desejo mais profundo é dedicar-se à investigação, procurando conciliá-la com a participação política. Ardentemente ausculta o passar do tempo e vai lendo obras científicas. Lê muito obras científicas para não se desactualizar.
«Pensei que era uma suspensão na minha carreira, apenas isso. E lia imensas obras da minha especialidade que pedia aos camaradas que me arranjassem. Entretanto, uni-me ao homem que amava, tive um filho. Mas sempre aguardando o momento em que eu retomaria a carreira. Senti sempre e sinto a nostalgia de não seguir a vida da investigação científica
Em 1957 no V Congresso do PCP é eleita membro suplente do Comité Central.

(continua)

                           
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Segunda-feira, 24 de Março de 2008

Maria Alda Nogueira: Uma mulher, Uma vida, Uma história de amor (VI)

   Iniciou-se no dia do 85º aniversário do seu nascimento [19/03] a transcrição integral de um texto da autoria de Helena Neves, com edição do Movimento Democrático das Mulheres (MDM) sobre Maria Alda Nogueira. Foi publicado em 1987 por ocasião da entrega pelo MDM da Distinção de Honra, numa homenagem a uma vida dedicada à defesa da igualdade, da justiça social e da paz.

       

(continuação)

Encontros e retornos de uma mulher


OS AMORES
        

Dos amores, dos primeiros e definitivos, nos fala Maria Alda. Do seu eclodir e dos ocasos, quando já resta somente a saudade do que foi e a dor pelo que já não mais será, vazia a emoção, indiferente o corpo, mas ainda presente a ternura, a memória.

Fala com o sentido de humor, meio irónico, meio terno que usa tanto nas palavras, nas frases, no desfilar dos sentimentos.

«O meu primeiro amor foi uma coisa muito complicada e simultaneamente uma coisa inesquecível. O primeiro amor…»

A paixão viria mais tarde «e foi uma paixão à primeira vista. Olhei-o e pensei “Se não tiver mais ninguém, este há-de ser o meu companheiro”…»

Sê-lo-ia. Durante anos. Uma vivência comum de luta, na clandestinidade. Uma ternura imensa. Um amor cheio de sobressaltos, de ausências, de retornos, de insegurança. Um folho.

«Queríamos ter um filho. Era um desejo partilhado. Era difícil economicamente, mas ousámos. Vivíamos privados de muita coisa mas porque, muitas vezes, estabelecíamos residência em zonas piscatórias ou agrícolas, sempre conseguíamos viver menos-mal. Recordo-me que numa das casas que tivemos, todos os dias passava um pescador a dar-nos peixe fresco só porque eu lhe dera umas calças velhas e uma camisola

Um filho. E muitas outras coisas que se não palpam, não têm corpo e deram corpo a tanto sonho, projecto, gestos juntos.

(continua)
                                  
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