Sábado, 30 de Agosto de 2008

A Geórgia no contexto da partilha internacional do mundo

Texto de José Paulo Gascão

    A decisão russa de responder à provocação da Geórgia e à incapacidade norte-americana de intervir militarmente não é compreensível sem uma informação completa sobre os novos alinhamentos político militares e a profunda crise económica mundial em desenvolvimento.

Atolado em duas guerras, Iraque e Afeganistão, onde, sem honra nem glória, já perdeu a capacidade de iniciativa, em pleno desenvolvimento de uma crise mundial cujos indicadores são mais graves que os da crise de 1929 e que não se sabe quanto durará, mas onde já se vislumbra claramente o fim do dólar como moeda única de reserva do mundo, com o continente latino-americano em crescente contestação ao modelo neo-liberal e à globalização imperialista, o imperialismo ocidental, particularmente o norte-americano, assistiu ao conflito bélico desencadeado pela invasão Geórgia à Ossétia do Sul, com a sua capacidade de intervenção claramente diminuída.

A Rússia, que já dissera não aceitar o seu afastamento da nova partilha internacional do mundo, respondeu, ao que disse, para proteger as suas forças de manutenção da paz e defender os ossetios da agressão.

Saakashvili, eleito em 2004, com 95% dos votos, necessitava de inverter o declínio da sua imagem interna. A sua popularidade caíra em Janeiro último para 53% e continuou a curva descendente, devido à brutalidade com que reprimia as manifestações de opositores e ao silenciamento das críticas por mais leves que fossem.

Mostrando não ter compreendido a nova realidade e a reacção russa à declaração unilateral de independência do Kosovo em Fevereiro passado, Saakashvili lançou-se, com os resultados que já se estão a ver, numa guerra pela recuperação da Ossétia do Sul, esperando a passividade da Rússia, pela cobertura que supunha ter dos EUA e da UE.

                   

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Sexta-feira, 15 de Agosto de 2008

O conflito militar no Cáucaso

    O PCP lamenta profundamente a perda de vidas humanas e a destruição provocada pelo conflito militar no Cáucaso. Apela ao fim das hostilidades, elemento essencial para o início de negociações de paz entre a Rússia e a Geórgia que, na opinião do PCP, devem ser desenvolvidas no quadro da ONU à luz dos princípios do direito internacional, do respeito pela soberania e integridade territorial dos Estados e da não ingerência nos assuntos internos.

Os desenvolvimentos militares e diplomáticos dos últimos dias confirmam que este conflito não pode ser analisado unicamente à luz das questões territoriais e de soberania da Ossétia do Sul e da Abcásia. Ele é sobretudo uma expressão concreta das actuais tendências de evolução da situação internacional marcadas por uma nova corrida aos armamentos, pela crescente militarização das relações internacionais e pela profusão de situações de tensão e conflito militar protagonizadas pelos membros da NATO e seus aliados com vista ao domínio geoestratégico de importantes zonas do globo e ao controlo da exploração e transporte de riquezas naturais como o gás e o petróleo.

Há muito que o PCP tem vindo a alertar que o acentuar do carácter ofensivo global da NATO e o seu alargamento até às fronteiras com a Rússia, a crescente confrontação dos EUA e da NATO com a Rússia e China, a militarização da União Europeia, a destruição de tratados fundamentais para o equilibro estratégico mundial como o Tratado ABM com a instalação do sistema de defesa anti-míssil norte-americano no leste europeu, as ameaças constantes a Estados soberanos como o Irão, a manutenção de guerras ilegais e criminosas como no Iraque e Afeganistão, assim como a injecção de armamento na Geórgia por parte dos EUA e de Israel, são explosivos factores de instabilidade que de forma mais do que evidente estão na raíz deste conflito.

Reafirmando a sua posição de princípio contra violações da soberania e integridade territoriais dos Estados e de prevalência da diplomacia na resolução dos conflitos, o PCP recorda simultaneamente que foi a Geórgia - principal aliado dos EUA na região do Cáucaso, onde estão estacionados importantes contingentes militares norte-americanos, e cujo território, incluindo a Ossétia do Sul, tem um importante valor estratégico do ponto de vista do controlo do oleoduto Baku-Tbilisi-Ceyhan - que iniciou as hostilidades militares atacando um território onde se encontravam, sob os auspícios da OSCE e mandato da Comunidade de Estados Independentes, forças de estabilização internacionais compostas por militares russos, ossetas e georgianos. Uma manobra que em caso algum poderia ter sido decidida sem o conhecimento prévio e o acordo dos EUA e que é elucidativa da política do actual governo georgiano de subserviência aos EUA e à NATO, de crescente militarização da região, de conflitualidade com a vizinha Rússia e de instigação à conflitualidade étnica na região.

Este conflito militar e as declarações políticas que o envolvem vem demonstrar - e serve de sério aviso - para os perigos que decorrem da política de sistemático desrespeito do direito internacional e de instrumentalização da ONU por parte das grandes potências imperialistas mundiais. Estão demonstrados na prática os efeitos que os precedentes abertos com a guerra de desmembramento da Jugoslávia e com a instigação e protecção militar à secessão do Kosovo da Sérvia têm na actual situação internacional. Perigos para os quais o PCP chamou a atenção em devido tempo e que vêm confirmar a justeza da exigência do PCP de não reconhecimento pelo Governo português, em qualquer circunstância, da pseudo-independência do Kosovo.

O PCP alerta para os perigos existentes do alargamento deste conflito a toda a região da Eurásia e Médio Oriente e para as consequências que um acentuar do braço de ferro entre NATO e Rússia, ou qualquer provocação militar no Médio Oriente, podem ter para a segurança mundial.

Reclama do governo português uma posição de defesa da paz, da não ingerência e de saída de todas as tropas da NATO da região do Cáucaso como passo essencial para o desanuviamento. Chama ainda a atenção para que este conflito não possa vir a servir de pretexto para acelerar ainda mais a militarização da região do Cáucaso, para a instalação de forças militares dos EUA e da NATO em território georgiano ou para uma política de ingerência política e económica e de controlo geoestratégico da região por parte das principais potências da NATO.

(sublinhados meus)

                                              

In nota do Gabinete de Imprensa do Partido Comunista Português 

                                                                                               

Ver AQUI, AQUI, AQUI e AQUI             

              

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publicado por António Vilarigues às 13:44
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O imperialismo está a atear o fogo

Texto de Rui Paz

    Ainda é demasiado cedo para poder fazer-se uma avaliação exacta dos acontecimentos militares no Cáucaso. Mas desde já, há algumas interrogações que não podem deixar de se colocar. Terão sido os ataques de Tbilissi contra a Ossétia do Sul um acto de loucura isolado de um presidente megalómano incapaz de avaliar a diferença de poderio militar existente entre a Rússia e a Geórgia? Ou estaremos em face de um teste à reacção da Rússia provocado por um exército que desde há anos tem vindo a ser treinado e formado pela doutrina agressiva dos Estados Unidos e da NATO? Ou será ainda a investida militar da Geórgia apenas o prelúdio de uma nova escalada na extensão dos conflitos militares numa região cuja desestabilização constitui um dos objectivos centrais do imperialismo na sua estratégia de cerco à Rússia?

A confirmação pelo próprio presidente Saakashvili de que «não se trata só da Geórgia mas dos princípios e dos valores da América» parece confirmar esta última hipótese como a mais provável. Qualquer que venha a ser o posterior desenrolar da situação e apesar da actual aparente surpresa de Washington e da NATO, a verdade é que os Estados Unidos estão ansiosos por transformar toda a zona fronteiriça da Rússia num braseiro e em particular a região do Cáucaso e do Mar Cáspio cuja riqueza energética é cobiçada pelos monopólios norte-americanos e ingleses do petróleo e do gás natural com destaque para a ExonMobil e a BP. Como já acontecera com as agressões contra a Jugoslávia, o Iraque e o Afeganistão, para os homens de mão dos grandes monopólios internacionais que se sucedem em Washington e noutras capitais da NATO, o problema não é desencadear guerras e agressões mas fabricar os pretextos e as mentiras que facilitem a venda à opinião pública dos seus crimes e massacres como operações «humanitárias» ou «libertadoras».

Como salienta o «Neues Deutschland», referindo-se ao portal israelita «debka.com», Saakashwili contratou 1000 instrutores militares de Israel que têm participado intensivamente na preparação...para a conquista da Ossétia. «Além disso, no final de Julho, também 1000 marines americanos executaram exercícios militares na base de Wasiani a Leste de Tbilissi juntamente com unidades da Geórgia».

Por sua vez o «Jungewelt» relembra que a Ossétia nunca aceitou desligar-se da URSS nem da Rússia e que a situação apresenta muitas semelhanças com a dos sérvios da Bósnia, os quais foram obrigados pela força das armas a separar-se de Belgrado e a integrar-se contra a sua vontade num estado artificial cuja função foi a de facilitar o desmantelamento da Jugoslávia, o controlo pela NATO do flanco sudeste europeu e a extensão da aliança militar agressiva do capital monopolista para o Leste. As declarações do vice-presidente dos EUA Cheney de que «a intervenção militar da Rússia não pode ficar sem consequências» apontam nesta direcção.

O cerco à Rússia e a desestabilização da China são os grandes objectivos estratégicos do imperialismo na hora presente. É neste contexto que se deve situar a agressão militar no Cáucaso e a ânsia de uma guerra contra o Irão. A doutrina oficial geoestratégica dos Estados Unidos e da própria Alemanha dá prioridade a tudo o que possa impedir a constituição de «estados influentes no Leste».

Desde a agressão do nazismo e de Hitler contra a União Soviética que a Rússia não se sentia tão cercada e ameaçada como acontece hoje com os países bálticos, a Polónia e a República Checa, onde devem ser instalados os mecanismo que permitirão desencadear um ataque atómico contra a Rússia e retirar-lhe qualquer possibilidade de defesa. O imperialismo está a atear o fogo. Nunca como hoje a luta pela paz e contra o militarismo foi tão necessária à sobrevivência da humanidade.

                                    

In jornal "Avante!" - Edição de 14 de Agosto de 2008

                                                                    

Ver AQUI, AQUI, AQUI, AQUI, AQUI e AQUI               

                                                    

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Sexta-feira, 4 de Julho de 2008

If We Leave Now...

                                                                                                            

                                                                                                   

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Segunda-feira, 5 de Maio de 2008

1 de Maio 2003 - George W. Bush

   Talvez não saibam que um dos acontecimentos com a data de 1 de Maio de 2003, foi recordado, por algumas pessoas com memória e passado, a correr, num dos canais de TV que são vistos por intelectuais e gente de esquerda...
A cena passa-se num porta-aviões ancorado nas águas do Iraque.
No convés superior, um enorme círculo preenchido por militares.
Chega o Presidente de helicóptero.
E faz um discurso, "brilhante" como sempre.
Por trás dele, um enorme cartaz a dizer "Mission Accomplished". Missão cumprida!
Que é o mote para o discurso.
"Blá, blá, blá,... derrubámos um ditador... restabelecemos uma democracia... trata-se, agora, de reconstruir o Iraque... blá, blá, blá..."
Não é para rir.
Desde essa data, morreram quase 4 mil soldados americanos, ficaram feridos cerca de 40 mil (muitos deles com graves lesões físicas e mentais), são incontáveis as centenas de milhares de iraquianos mortos e feridos,...
Destruiu-se um país. Em nome da vingança pelo 11 de Setembro (de que esse país nada tinha a ver, sabemos nós, mas que talvez a maioria dos americanos ainda hoje desconhece). Em nome da luta contra o terrorismo.
E o terrorismo está mais forte. Ironia dramática do destino.
Para as corporações petrolíferas, embora o negócio continue a dar, não se garantiu estabilidade naquele solo por baixo do qual existem as melhores reservas até agora conhecidas em todo o mundo. O vice-presidente não se importa. Já ganhou tudo o que precisava de ganhar...
Como tudo é transitório... Mas uns tanto gozam, enquanto outros tanto sofrem...
Como é possível ver esta dupla (presidente e vice-presidente), em jantares de gala, a arrotarem piadas de mau gosto?
                       
Quando serão vistos, perante um tribunal a sério, a responder pelos crimes cometidos?
                         
Ver AQUI (enviado de França pela Rosa) o vídeo da cantora
Pink - «Dear Mr President» (com legendas em francês)
                              
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publicado por António Vilarigues às 14:14
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Terça-feira, 8 de Abril de 2008

Breves notas do "nosso" correspondente sobre a guerra no Iraque

   

                

  • O custo da guerra do Iraque é de 12 mil milhões de dólares por mês.
  • As empresas do complexo militar e as petrolíferas têm aumentado os seus fabulosos lucros.
  • Morreram mais de 4 mil militares americanos desde que começou esta guerra (a coincidência foi ter morrido o 4000º precisamente no dia em que se completaram 5 anos de uma guerra que foi anunciado para durar 6 meses e em que os soldados americanos, segundo o Vice-Presidente Cheney, seriam recebidos entusiasticamente, como salvadores, pelo povo iraquiano).
  • Cerca de 100 mil foram feridos e sofrem de vários traumatismos.
  • Consta que o número de civis iraquianos mortos atinge um milhão de pessoas.
  • Por aqui (EUA) não se publicam essas estatísticas.
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publicado por António Vilarigues às 16:09
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